segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

ARMORED DAWN - Barbarians in Black



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Beware of the Dragon
2. Bloodstone
3. Men of Odin
4. Chance to Live Again
5. Unbreakable
6. Eyes Behind The Crow
7. Sail Away
8. Gods of Metal
9. Survivor
10. Barbarians in Black


Banda:


Eduardo Parras - Vocais
Tiago de Moura - Guitarras
Timo Kaarkoski - Guitarras
Rafael Agostino - Teclados
Fernando Giovannetti - Baixo
Rodrigo Oliveira - Bateria


Ficha Técnica:

Kato Khandwala - Produção
Bruno Agra - Produção
Sebastian “Seeb” Levermann - Mixagem, masterização
Ted Jensen - Masterização
J. Duarte - Artwork


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria: https://www.facebook.com/UltimateMusicPR (The Ultimate Music - PR)


Texto: Marcos Garcia


Cada vez mais, as bandas brasileiras estão buscando novos ares fora do Brasil, em uma tentativa de alcançarem um público maior. Muitos tentam e esbarram com as dificuldades inerentes ao underground, enquanto outros parecem predestinados a grandes coisas. Nesse último grupo, o sexteto paulista ARMORED DAWN tem dado provas que esse será o caminho deles, já que “Barbarians in Black” é um disco mais evoluído que seu antecessor (“Power of Warrior”, de 2016), além de estar sendo lançado na Europa pela AFM Records.

Basicamente, o grupo faz algo que transita entre o Metal tradicional e o Power Metal épico. Ou seja, eles possuem uma pegada técnica e bem trabalhada, com muita ênfase nos riffs pesados das guitarras, ótimo trabalho da base rítmica, teclados que se encaixam perfeitamente nas canções e criam uma ambientação épica essencial, além de vocais excelentes. Fundido esses elementos, embora esteja longa de ser algo inovador, mostra uma banda com muita personalidade, que sabe ter diversidade rítmica e doses homeopáticas de peso e melodias. É ouvir e gostar!

A sonoridade de “Barbarians in Black” é de alto nível. Os timbres são agressivos e pesados, e transparecem as melodias claramente foi sábia, e ao mesmo tempo, a produção conseguiu dar equilíbrio em relação ao peso, agressividade, melodia e clareza que o grupo precisa. Tanto quando o foco é o peso ou quando tocam de maneira mais suave, tudo soa como deve sem problemas para nossa compreensão. E sem mencionar o belo trabalho gráfico da capa.

Mesmo longe de ser uma banda que veio para criar um subgênero novo em termos de Metal, o ARMORED DAWN veio para mostrar que tem espaço no cenário nacional (e mesmo no mundial), sabendo como dar dinâmica às suas canções, e como capricharam nos arranjos. O esmero impera em cada momento.

O capricho em “Barbarians in Black” é tamanho que não decepcionara seus velhos fãs e ainda conquistará novos. A dinâmica e pesada “Beware of the Dragon” e suas variações rítmicas (ótimo refrão, e baixo e bateria realmente estão ótimos), o peso agressivo de “Bloodstone”, a beleza das melodias de “Men of Odin” (que passagens fenomenais de teclados e ótimos riffs e solos de guitarras), a força melodiosa de “Unbreakable”, o trabalho de tempos mais cadenciados de “Eyes Behind The Crow” e suas melodias sólidas, as harmonias introspectivas e acessíveis de “Sail Away” (os vocais mostram ótimo trabalho, com tons que se alternam bastante e sem falar em um belo vocal feminino de fundo), o jeito mais simples e ganchudo de “Survivor”, e o jeitão elegante e agressivo de “Barbarians in Black” mostram uma banda que soube evoluir e agora pode conquistar fãs e mais fãs dentro e fora do Brasil.

O ARMORED DAWN está prontinho para ser grande!

Nota: 95%




sábado, 10 de fevereiro de 2018

KADABRA - Devastation's Songs


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1.      Introspective (Intro)
2.      The Cage
3.      Rite of Disorder
4.      Chosen Few
5.      Back Home
6.      Obliterate
7.      Pay the Price
8.      Devastation’s Songs
9.      You Are a Lie
10.  Death Penalty
11.  Pictures Of War


Banda:

Paulo Bertoni - Guitarras, vocais
Danilo Souza - Baixo, backing vocals
Marcos Frassão - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
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Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos Garcia


Nem tudo precisa ser inovador, nem tudo precisa ser extremamente novo. Mas é bom que cada banda, ao começar a pegar nos instrumentos e tocar, pense que é necessário ter personalidade. Sem ela, você é apenas um clone do que já foi feito por outras bandas, e isso é perda de tempo, tanto dos músicos como dos ouvintes. Personalidade é tudo, e a palavra define bem o trio KADABRA, de Vinhedo (SP), que chega com “Devastation’s Songs”, um disco muito bom para os ouvidos.

Sem muitas delongas: o grupo faz uma fusão inteligente de influências do Thrash Metal à lá Bay Area com muito da essência do Metal tradicional. Isso lhes permite criar uma música com boa técnica, melodias muito bem pensadas e com uma agressividade temperada com boas harmonias. Inovador? Não, de forma alguma, mas como dito acima, esses sujeitos tem personalidade, as músicas tem uma dose de energia muito envolvente, com ótimas guitarras (riffs ganchudos e solos caprichados), base rítmica sólida de com boa dose de técnica, e vocais competentes (que tendem a melhorar no futuro). O trabalho deles é muito bom, e realmente promissor.

A produção é boa. Ela soa um pouco mais crua que o trio necessita, mas sem de forma algum estragar o trabalho musical deles. O clima é bem espontâneo e quase “live”, já que se percebe a ausência de bases de guitarra enquanto os solos são tocados. E o balanço entre agressividade, melodia e clareza está em bom nível, e os timbres instrumentais estão bem naturais. E a capa é caprichada, bem legal e chamativa.

Usando de criatividade para abrir espaço em um estilo musical bem desgastado pelos anos de uso, o KADABRA consegue surpreender pela energia de suas canções, pelos arranjos bem feitos e capacidade de compor temas que são relevantes. Aliás, é tão empolgante que uma segunda ouvida já vicia o ouvinte.

Basicamente, eles ainda podem fazer melhor, fica óbvio aos ouvidos. Mas por agora, canções como a agressiva e variada “The Cage” (que guitarras pesadas, mostrando riffs mais simples), o mix bem sacado entre agressividade, peso e melodia mostrado em “Rite of Disorder” (refrão melodioso e ganchudo, bons vocais e harmonias muito boas, faixa que faz a cabeça balançar sozinha), o jeitão explosivo à lá ANTHRAX de “Chosen Few”, a muito bem arranjada “Back Home” (as boas variações rítmicas mostram como baixo e bateria são bem entrosados), a agressividade dura de “Pay the Price”, a cadência abusivamente bruta de “Devastation’s Songs”, e o peso mamutesco de “Pictures of War” mostram que este trio tem muito a oferecer, que não são apenas fogo de palha.

Em suma: “Devastation’s Songs” é um álbum muito bom, e o KADABRA tende a se tornar uma força a ser considerada no Thrash Metal brasileiro.

Nota: 88%

HATE EMBRACE - Revoluções


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1.      Guerra no Nordeste do Brasil
2.      À Coroa Tudo, Ao Povo Nada
3.      Setembrizada


Banda:


George Queiroz - Vocais
João Paulo Araújo - Guitarras
Vinícius Campos - Teclados
Junior Vilar - Baixo
Ricardo Necrogod - Bateria, vocais


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Assessoria:


Texto: Marcos Garcia


Muitas vezes, ao se falar no Nordeste do Brasil, se pensa em seus ritmos regionais, em suas praias, festas locais e mesmo nas desigualdades sociais evidenciadas pela ganância dos poderosos “coronéis” da região (ou mesmo da que vem dos políticos). Poucas vezes lembramos de que o Nordeste do Brasil é uma região extremamente fértil em termos de bandas de Metal. Os nomes são muitos, mas talvez um dos que tem se evidenciado cada vez mais é o do HATE EMBRACE, quinteto de Recife (PE), que após o excelente “Sertão Saga” (em que a vida do famoso líder do cangaço Lampíão foi contada em suas letras), chega com seu novo lançamento, o EP “Revoluções”.

A música da banda é um híbrido de Death Metal com influências de Thrash Metal e Metal tradicional, ou seja, temos aquela crueza bruta e opressiva, mas muito bem trabalhada e com belas linhas melódicas soturnas (vindas das guitarras e dos teclados). A banda sabe utilizar muito bem a técnica que tem sem deixar o ouvinte entediado, e tudo flui de forma bastante diferente e natural, mas com uma energia envolvente. Sim, eles podem não estar criando uma nova vertente em termos de Metal, mas são muito diferentes de muita coisa que anda sendo feita por aí.

A produção é de bom nível, dando ênfase no lado mais agressivo e cru da música da banda. Mas não há problema em entender o que eles tocam, ou mesmo de assimilar a força sonora de suas canções. Poderia ser melhor, mas está muito bom, e combina com o que o grupo faz musicalmente. E a arte da capa reflete toda a temática expostas nas letras.

Sim, se perceberem, “Revoluções” é todo cantado em português, e tem uma mensagem forte, já que o quinteto se recusa a bater em pontos comuns. O conceito de cada letra gira em torno de uma revolta ou batalha popular. Transpira a brutalidade das músicas em temas históricos que, muitas vezes, desejam que esqueçamos. Ainda bem que eles os trazem de volta embalados por um formato musical bem arranjado, sempre bem feito e bem pessoal. Isso é o que faz a diferença.

A brutal e veloz “Guerra no Nordeste do Brasil” abre o EP, com arranjos bem feitos e boas passagens de baixo e bateria (sendo que o tema principal das letras é a luta para rechaçar os holandeses invasores no Nordeste, ou seja, as Batalhas dos Guararapes, ocorridas em Pernambuco). Em seguida, com influências mais melodiosas, temos “À Coroa Tudo, Ao Povo Nada”, onde o trabalho das guitarras nos riffs é de primeira (a letra narra a revolta de Pernambuco, na época uma capitania hereditária, contra os abusos da Coroa Portuguesa que veio para o Brasil fugindo de Napoleão e cobrava impostos absurdos do povo pernambucano). O EP fecha com a soturna e extremamente bem arranjada “Setembrizada”, onde o ritmo se alterna em vários momentos (com partes cadenciadas ótimos), mostrando ótimos vocais guturais, linhas de guitarra formidáveis e teclados bem feitos nos momentos providenciais (o contexto lírico é baseado na Setembrizada, uma revolta ocorrida pouco tempo após a renúncia de Dom Pedro I, e que causou problemas extremos à Recife).

O HATE EMBRACE merece muito a atenção do fã brasileiro de Metal, pois o trabalho musical deles é mesmo uma gema preciosa em nosso país. Ouçam “Revoluções” e tirem suas próprias conclusões.

Nota: 91%

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

PÄNZER - Fatal Command


2017
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1.      Satan’s Hollow
2.      Fatal Command
3.      We Can Not Be Silenced
4.      I’ll Bring You the Night
5.      Scorn and Hate
6.      Afflicted
7.      Skullbreaker
8.      Bleeding Allies
9.      The Decline (...And the Downfall)
10.  Mistaken
11.  Promised Land
12.  Wheels of Steel


Banda:


Schmier - Vocais, baixo
V.O. Pulver - Guitarras
Pontus Norgren - Guitarras
Stefan Schwarzmann - Bateria


Ficha Técnica:

Schmier - Produção
V.O. Pulver - Produção, mixagem, masterização
Gyula Havancsák - Artwork


Contatos:

Youtube:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Depois de muitas polêmicas, eis que o PÄNZER alemão volta à carga. E não, não estamos falando do tanque de guerra, mas do agora quarteto que se assumiu como banda (antes, era um projeto paralelo), e vem com toda a força com “Fatal Command”, seu segundo disco, que chega a terras brasileiras via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil.

Mas o que esperar da banda?

Antes de tudo, é preciso esclarecer que o guitarrista Herman Frank (sim, ele mesmo, o ex-guitarrista do ACCEPT) deixou a banda em 2016, e em seu lugar, entraram V.O. Pulver (do PULVER, além de produtor musical, o mesmo que trabalhou com o DESTRUCTION em “Thrash Anthems II” além do próprio PÄNZER em “Send Them All to Hell”) e Pontus Norgren (o shredder do HAMMERFALL). Schmier e Stefan são remanescentes da formação original. E essa mudança teve certo impacto no trabalho do grupo, pois agora, a música do quarteto soa mais melodiosa e com toques elegantes em seu jeito totalmente German Metal à lá ACCEPT com um toquezinho de agressividade Thrash Metal aqui e ali.

Basicamente, “Fatal Command” segue a linha de seu antecessor, apenas um pouco mais melodioso e com um trabalho de guitarras mais apurado (ter duas guitarras em uma banda sempre expande possibilidades sonoras), e quem gostou de “Send Them All to Hell” vai continuar gostando.

A produção ficou excelente. Tudo funciona bem, com uma clareza de alto nível, permitindo que cada mínimo detalhe da música da banda fique evidenciado. Nada ficou escondido (embora a música da banda não seja muito complexa), com bons timbres em todos os instrumentos. A arte gráfica ficou de alto nível, com uma capa extremamente anárquica e bem humorada (não explicarei o motivo de tal afirmação, basta que olhem com calma) que remete aos anos 80, mas com uma diagramação de encarte bem feita e inteligente (sem ser complicada demais).

O PÄNZER veio queimando estrada, pois mesmo que sua música soe extremamente bem trabalhada (o que nem é o objetivo da banda), ela é altamente envolvente, sedutora e cheia daquela energia que conhecemos do Metal alemão: é ouvir e gostar, e na segunda ouvida, você estará cantarolando. E embora “Fatal Command” seja mais bem arranjado que “Send Them All to Hell”, isso não faz com que ele soe menos agradável.

E preparem os ouvidos, pois eles não estão brincando em serviço!

Canções como a ganchuda e cheia de energia “Fatal Command” (que peso em termos de baixo e bateria), a simples e rasgada “We Can Not Be Silenced” (onde os vocais se mostram bem diferentes do que estamos acostumados), as lindas bases e duetos de guitarras que permeiam “I’ll Bring You the Night”, a agressiva e cheia de boas mudanças de ritmo “Afflicted”, a cadência dura e extremamente envolvente de “Skullbreaker”, as melodias “in your face” de “Bleeding Allies”, o ritmo lento e denso da amassa-ossos “The Decline (... And the Downfall)”, e a ganchuda “Promised Land” com seu jeitão mezzo ACCEPT e mezzo MOTORHEAD. E de bônus, um hino da NWOBHM ganha uma nova roupagem: a clássica Wheels of Steel” do SAXON, com um jeitão bem despojado e espontâneo, aquele peso que só o Metal alemão tem, e que ficou excelente nas mãos do quarteto, mas sem descaracterizar a versão original.

Não chega a ser inovador (e nem tem motivos para sê-lo), mas “Fatal Command” é um disco de primeira e mostra que o PÄNZER veio para ficar.

Nota: 91%



ENSLAVED - E


2017
Tipo: Full Length
Selo: Shinigami Records / Nuclear Blast Brasil
Nacional


Tracklist:

1.      Storm Son
2.      The River’s Mouth
3.      Sacred Horse
4.      Axis of the Worlds
5.      Feathers of Eolh
6.      Hiindsiight
7.      Djupet
8.      What Else is There? 


Banda:


Grutle Kjellson - Vocais, baixo
Ivar Bjørnson - Guitarras, teclados, backing vocals
Arve Isdal - Guitarra solo
Cato Bekkevold - Bateria, percussão
Håkon Vinje - Teclados, vocais limpos


Ficha Técnica:

Ivar Bjørnson - Produção, engenharia
Grutle Kjellson - Produção
Jens Bogren - Mixagem
Tony Lindgren - Masterização
Iver Sandøy - Engenharia
Ice Dale - Engenharia
Truls Espedal - Artwork
Daniel Måge - Músico convidado (flauta em “Feathers of Eolh”)
Kjetil Møster - Músico convidado (saxofone em “Hiindsiight”)
Einar Kvitrafn Selvik - Músico convidado (vocais em “Hiindsiight”)
Iver Sandøy - Músico convidado (efeitos, bateria em “Djupet”)


Contatos:

Site Oficial: http://enslaved.no/
Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos Garcia


O Metal na Noruega se firmou desde a primeira metade dos anos 90. Após todas as controvérsias e polêmicas referentes à cena Black Metal do país, as atenções dos Metalheads do mundo começaram a se voltar ao país, e comprovou-se que a Noruega era um verdadeiro criadouro de nomes promissores. Muito se evoluiu de lá para cá, algumas bandas mantiveram suas raízes mais extremas, e outras começaram a ter maior diversidade. Mas poucos grupos da velha guarda foram tão ousados como o ENSLAVED, quinteto radicado na cidade de Bergen (mas que tem origens em Haugesund), que mesmo tendo uma sonoridade original próxima ao Black Metal local, foi evoluindo e aglutinando influências de Rock Progressivo. Hoje, ouvindo o novo trabalho do grupo, “E” (recém lançado em nosso país pela Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast Brasil).

O grupo há alguns anos se caracterizou por uma música híbrida entre o Viking Metal brutal e agressivo de suas origens com toda uma ambientação etérea e elegante vinda do Rock Progressivo. E em “E”, o lado Progressivo e experimental da banda está ainda mais evidenciado (reparem que saxofones e flautas aparecem pontualmente em certas canções), embora sem alterar a vocação metálica do grupo, e sem que a banda tenha obliterado seu lado mais extremo.

Explicando: se você gosta do ENSLAVED em seus últimos discos, vai gostar de “E” sem problema algum.

A produção sonora de “E” é algo fantástico, equilibrando bem todos os elementos que compõem a música do grupo. Limpa e fluida para que as partes melodiosas e progressivas fiquem claras aos nossos ouvidos, mas mesmo assim, pesada e densa para que os momentos agressivos fiquem pesados. E sem contar que o lado experimental do grupo também ficou bem evidente aos ouvidos.

E na apresentação visual, toda a influência do Rock Progressivo dos anos 70 fica extremamente clara. A capa nos recorda o lado Viking Metal, mas a editoração e apresentação do encarte é totalmente Progressiva, não há dúvidas.

Como uma tradição, o ENSLAVED lança mão de músicas longas, cheias de mudanças de ritmos e muitas viagens etéreas setentistas. Mas isso não os impede de mostrarem como podem crescer e criar algo pesado, agressivo e cheio de bom gosto de uma forma tão diferente do usual. E como dito antes: o quinteto apenas explora ainda mais possibilidades sonoras nesse álbum.

“E” não é lá muito fácil de ser assimilado para quem não está acostumado com a banda. Mas é impossível não ser seduzido pelas lindas melodias bem trabalhadas de “Storm Son” (extremamente Progressiva, com lindas passagens de teclados à lá anos 70 e cordas limpas em seu início, vocais limpos, e mesmo as partes mais ríspidas são excelentes), a pegada um pouco mais voltada ao início de carreira ouvida claramente em “The River’s Mouth” (riffs mais crus, além de maior proeminência de vocais rasgados, embora as partes com vocais limpos nos remetam ao jeitão atual do trabalho deles), o peso mamutesco bem arranjado de “Sacred Horse” (uma exibição de gala de baixo e bateria, que além de mostrarem muito peso, esbanjam boa técnica, especialmente quando as partes mais sofisticadas com teclados ficam claras), a cadência envolvente e sedutora de “Axis of the Worlds” (os vocais mais crus e os melodiosos contrastam perfeitamente, sem que a banda abuse demais de um instrumental técnico), o jeitão realmente Jazz/Rock Progressivo em vários momentos de “Feathers of Eolh” (há certa complexidade técnica aqui, fora que o lado experimental nos mostra ótimas possibilidades futuras para a banda, além de momentos introspectivos bem encaixados), o trabalho também técnico e com tempos quebrados de “Hiindsiight” (as linhas melódicas são fantásticas, com boa dose de técnica instrumental, mas logo partes cadenciadas duras e brutais surgem, sem falar nos momentos onde o saxofone aparece), a longa “Djupet”, onde o grupo mostra que pode ir do agressivo ao progressivo sem pudores (reparem como as guitarras com riffs mais simples nos seduzem, sem falar que o baixo está mostrando ótima técnica). E encerrando, temos “What Else is There?”, uma versão estilizada e progressiva do quinteto para uma canção do grupo norueguês de Ambient/Synth Pop RÖYKSOPP, que está bem nessa personalização do ENSLAVED.

Dessa forma, “E” é um disco obrigatório não só para os fãs da banda, mas também para todos que apreciam as fusões entre Metal extremo e Rock Progressivo. Aliás, recomendo o ENSLAVED a qualquer fã de Metal de bom gosto.

Nota: 100%


DESTRUCTION - Thrash Anthems II


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1.      Confused Mind
2.      Black Mass
3.      Frontbeast
4.      Dissatisfied Existence
5.      United by Hatred
6.      The Ritual
7.      Black Death
8.      The Antichrist
9.      Confound Games
10.  Rippin’ You Off Blind
11.  Satan’s Vengeance
12.  Holiday in Cambodia


Banda:


Schmier - Vocais, baixo
Mike - Guitarras
Vaaver - Bateria


Ficha Técnica:

Destruction - Produção
V.O. “Otti” Pulver - Produção, guitarra solo em “Black Death”, e 2o e 4o solos de guitarras em “Satan’s Vengeance”
Gyula Havancsák - Artwork
Ol Drake - Músico convidado (guitarra solo em “Confused Mind”; 1o, 3o e 5o solos em em “Dissatisfied Existance”; “Rippin’ You Off Blind”; 2o e 4o solos em “United by Hatred”; “Antichrist”, e “Confound Games” )


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


O tempo em que bandas andaram regravando músicas e discos do passado, algo comum na década passada, está aparentemente quase encerrado. É necessário esclarecer (para o bem da verdade) que muitas vezes, o trabalho fica comprometido porque as composições em suas versões originais já são clássicas, e que podem ter ajudado a pavimentar os caminhos de determinada vertente de Metal. Mas existem casos em que novas versões são bem vindas, e que honram as originais. O DESTRUCTION, um dos integrantes do trio de ferro do Thrash Metal alemão, fez isso com o disco “Thrash Anthems” e se saiu muito bem. Logo, surge a pergunta: o que “Thrash Anthems II” pode acrescentar ao que eles haviam feito?

A resposta é simples: muita coisa!

Lançado pela Shinigami Records e pela Nuclear Blast Brasil por aqui, “Thrash Anthems II” tem algumas músicas clássicas que ficaram fora do primeiro volume por pura falta de espaço (como “Confused Mind” e “Black Mass”), e algumas que, apesar de nunca terem sido consideradas grandes, mereciam uma nova chance (o caso de “United by Hatred” e “Satan’s Vengeance”). Além do mais, no caso das canções em que o baterista original Tommy (que deixou o grupo para seguir a carreira de policial) gravou, a bateria ganhou mais técnica e diversidade (sejamos francos: Tommy não era um baterista com técnica à altura da música do grupo). Assim, velhos hinos estão soando atuais e com um sopro fresco de vida.

Traduzindo: preparem os ouvidos!

A produção moderna e vigorosa de “Thrash Anthems II” deu às velhas canções uma dose a mais de agressividade merecida, sem contar os timbres instrumentais estão excelentes. Além disso, a banda mostra um equilíbrio perfeito entre peso, melodia e clareza, honrando seu passado e com os pés firmes no presente. Além disso, a arte é de primeira, com uma capa muito legal, e o encarte cheio de fotos antigas, as letras e tudo mais.

Assim como no primeiro volume, “Thrash Anthems II” nos brinda com uma música inédita, “Frontbeast”, além da versão para “Holidays in Camboja”, hino Punk Rock/HC do DEAD KENNEDYS. As outras varrem a carreira da banda entre o EP “Sentence of Death” (estréia da banda em disco), passando por “Infernal Overkill”, “Eternal Devastation” e “Release from Agony”, e fechando em “Cracked Brains” (disco em que o baixista/vocalista Schmier não participou na época). Nisso, se percebe quanto o grupo foi seminal para o Thrash Metal alemão.

Todas as canções são excelentes, mas não falar nos riffs velozes e solos de “Confused Mind”, na energia crua temperada com ótima técnica de “Black Mass” (como os timbres vocais mais recentes deram uma vida toda nova à canção), o trabalho mais técnico e raçudo de “Dissatisfied Existance”, a rifferama fenomenal de “United by Hatred” e seus tempos mais cadenciados (como a bateria melhorou em termos técnicos), a roupagem mais técnica e bem acabada de “Ritual”, “Black Death” e “Antichrist” (se eles tivessem essa evolução toda nos anos 80…); a cadência evolvente e agressivamente fluida de “Confound Games”, a incorporação e total reaproveitamento da trabalhada e cheia de mudanças rítmicas “Rippin’ Off You Blind” (já que, como ditto acima, Schmier não fez as vozes originais), e a clássica e sempre subestimada “Satan’s Vengeance” (sejamos sinceros: poucos fãs se deram ao trabalho de conhecê-la ou classificá-la como um clássico em um EP onde estavam “Total Desaster” e “Mad Butcher”). E além delas, “Frontbeast” nos permite traçar um paralelo interessante entre o passado e o presente do grupo, em ver como evoluíram sem perder a essência, pois essa exibição de gala de riffs fantásticos, vocais ríspidos como uma lixa d’água e base rítmica sólida e bem trabalhada caberia tranquilamente em “Eternal Devastation”. E a versão deles para “Holiday in Camboja” ficou ainda mais agressiva que a original, mas sem mexer no andamento original, e permite que todos comprovem por si mesmos como o Thrash Metal realmente tem referências no Punk Rock e Hardcore.

Definitivamente: viver em um mundo onde o DESTRUCTION não existisse, sinceramente, seria algo bem sem sal…

Nota: 100%