terça-feira, 13 de março de 2018

STAGMA - Stagma


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Genesis
2. Pokerface
3. Rocket Machine
4. Faces in the Mirror
5. Promise Me
6. Gates of Valhalla
7. Castaway
8. Bounty Hunter
9. Sister Sister
10. Viking Nation
11. Written in Stone
12. To Be Continued


Banda:

Rob Mancini - Vocais
Alex Santos - Guitarra base
Neil Fraser - Guitarra solo
Joe Petro - Baixo
Vinny Appice - Bateria


Ficha Técnica:

Alex Santos - Mixagem, masterização
Zacarias d’Araujo - Artwork
Simon Wright - Bateria em “Sister Sister”
Patrick Johansson - Bateria em “Viking Nation” e “Written in Stone”
Jeroen Tel - Sintetizadores, teclados em “Genesis”, “Rocket Machine”, “Gates of Valhalla” e “To Be Continued”
Dinho - Gritos em “Bounty Hunter”


Contatos:

Twitter:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Portugal é um país com um cenário musical bem diversificado. Mas para a questão do Metal, somente com o crescimento do MOONSPELL na década de 90 que as atenções do mundo se voltaram à nação pioneira das Grandes Navegações dos séculos XV e XVI. De lá para cá, muitos nomes surgiram, e é interessante ouvir um trabalho como “Stagma”, primeiro disco do quinteto STAGMA, que embora tenha raízes lusitanas, é um supergrupo internacional.

A banda nasceu de uma idéia de Alex Santos (guitarrista, prdutor musical e principal compositor do SCAR FOR LIFE), que juntou forças a Joe Petro (do HEAVEN AND EARTH), Vinny Appice (o lendário baterista de nomes como BLACK SABBATH e DIO), Neil Fraser (do TEN, RAGE OF ANGELS), e Rob Mancini (também do SCAR FOR LIFE, e do BONEYARD DOG). O estilo da banda é uma forma versátil de Heavy Metal tradicional com um enfoque sonoro moderno, que é bem agressivo, mas que não nega em momento algum sua vocação para criar melodias de fácil assimilação e refrãos bem acessíveis. Pesado, elegante e melodioso, tudo na medida certa, fora uma boa dose de energia.

Apesar de não estar criando uma nova vertente de Metal, o quinteto sabe ser criativo, verdade seja dita.

As mãos do próprio Alex Santos cuidaram da mixagem e masterização de “Stagma”, e o trabalho ficou ótimo. A sonoridade está limpa e bem cuidada, o que é essencial para compreender as melodias do grupo, embora com timbres instrumentais bem agressivos, buscando valorizar as frequências médias e graves (para dar aquela pegada moderna da qual se fala acima). Dessa forma, a sonoridade ficou de primeira, assim como a arte de Zacarias d’Araújo está muito bela, dando aquele visual que chama a atenção e que dá corpo ao som do quinteto.

Podemos dizer que “Stagma” vem para mostrar um trabalho musical diferenciado, onde a energia do Heavy Metal tradicional com um enfoque moderno se funde a influências de Hard Rock e Classic Rock para nos brindar com um trabalho esmerado. A qualidade das composições é alta, graças ao cacife dos integrantes da banda, fora os convidados que deram um toque a mais de classe ao disco.

As harmonias pegajosas e agressivas de “Pokerface” (onde os vocais estão perfeitamente assentados sobre as linhas instrumentais bem feitas, e o refrão realmente seduz o ouvinte), as linhas melódicas bem feitas e de fácil assimilação de “Rocket Machine” (as guitarras estão ótimas, verdade seja dita), o jeitão mais voltado ao Hard Rock clássico de “Faces in the Mirror”; a balada com um jeito mais introspectivo e pesado “Gates of Valhalla” (mais uma vez, as guitarras roubam a cena, com arranjos não muito complicados, mas que estão bem encaixados na proposta da canção), a dose certa de acessibilidade musical que se percebe em “Sister Sister” (onde baixo e bateria mostram-se com boa dose de peso), e as melodias de cair o queixo que são ouvidas em “Written in Stone” são os grandes momentos do álbum, embora “Stagma” seja ótimo como um todo.

Podem se viciar no STAGMA, pois a banda é excelente, e “Stagma” vem para se candidatar à revelação de 2018. E espero de coração que “To Be Continued” seja um sinal que a banda pretende seguir carreira!

Nota: 91%




sexta-feira, 9 de março de 2018

JUDAS PRIEST - Firepower



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Firepower
2. Lightning Strike
3. Evil Never Dies
4. Never the Heroes
5. Necromancer
6. Children of the Sun
7. Guardians
8. Rising from Ruins
9. Flame Thrower
10. Spectre
11. Traitors Gate
12. No Surrender
13. Lone Wolf
14. Sea of Red


Banda:


Rob Halford - Vocais
Glenn Tipton - Guitarras
Richie Faulkner - Guitarras
Ian Hill - Baixo
Scott Travis - Bateria


Ficha Técnica:

Tom “Colonel” Allom - Produtor
Andy Sneap - Produtor
Mike Exeter - Engenharia
Claudio Bergamin - Artwork


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Do livro sagrado do Metal: os 3 pilares de onde todo o gênero foi criado...

No princípio, apesar dos sinais evidentes que eram dados, ninguém estava pronto. E eis que o BLACK SABBATH criou o Heavy Metal, pesado, denso e herdeiro por direito da rebeldia que o Rock ‘n’ Roll trouxe à música. Ele é o criador.

Não satisfeito, o MOTORHEAD deu início à fusão do peso e melodia do Metal com a adrenalina e velocidade do Punk Rock/Hardcore, lançando as bases das vertentes do Metal extremo. Ele é o extremista.

E o terceiro membro desse triunvirato é o JUDAS PRIEST, o modernizador, o responsável pela canonização e caracterização do Heavy Metal como ele o é, e para quem não sabe, é o pioneiro no uso de duetos de guitarra no Metal, quem trouxe para o gênero esse elemento. E sem o sermão do último, o gênero não seria o mesmo.

E mesmo com a omissão dos bangers na votação da banda para ser entronizada no Hall of Fame no ano passado (favor, tomem vergonha na cara e votem na próxima, ao invés de procurarem tretas na internet), e após longos meses de ansiedade dos fãs, que absorveram as canções liberadas para divulgação, eis que os apóstolos do Metal chegam com seu 18o disco de estúdio, “Firepower”. E como esse disco merece o nome que tem!

Antes de tudo, é preciso deixar algo claro: se está procurando inovações, ou mesmo algo diferente, pode esquecer. Em “Firepower”, o grupo aposta em seu estilo clássico. Mas se faltou um pouco mais de inspiração em seus discos anteriores, agora ela sobrou, e muito!

Sim, pois não há nada que seja excessivo ou que falta, tudo está justo em todas as canções. E como de praxe, a banda está perfeitamente entrosada: Ian Hill (baixo) e Scott Travis (bateria) estão criando uma muralha rítmica de primeira, esbanjando peso e com bom nível técnico. O experiente Glenn Tipton e o jovem Richie Faulkner estão se entendendo às mil maravilhas, com bases memoráveis, linhas melódicas preciosas, ótimos solos e duetos de encher os olhos de lágrimas de alegria. E o mestre Rob Halford mostra que, diferente de tantos, o tempo o ensina a cada dia, pois como sabe usar bem timbres diferentes de sua voz (só o que ele faz em “Lightning Strike” merece uma entronização).

Ou seja: “Firepower” na nasceu clássico, e é de longe o melhor disco da banda desde “Painkiller”.

Tanta inspiração necessitava mãos experientes para lapidar o que o quinteto estava criando musicalmente. E unindo o novo ao antigo, estão o experiente Tom “Colonel” Allom (sim, o mesmo que produziu clássicos como “British Steel”, “Screaming for Vengeance” e “Defenders of the Faith”) e o mago Andy Sneap (que já trabalhou com TESTAMENT, ARCH ENEMY, ACCEPT, CRADLE OF FILTH, AMON AMARTH, SAXON, entre outros tantos). Tudo para que o lado musical mais clássico do grupo pudesse ter uma sonoridade moderna, agressiva e poderosa. E nisso eles quebram mais uma barreira, mostrando que o Metal clássico pode ter os benefícios da modernidade sem perder sua essência (e para os haters que andam por aí, a frase “não gosto” não serve como parâmetro para nada, logo, melhor ficarem quietos a passar vergonha). E até mesmo a bela capa transpira os elementos mais conhecidos da banda, remetendo diretamente à tríade “Screaming for Vengeance”, “Defenders of the Faith” e “Turbo”.

Refrões que não saem da cabeça, riffs inesquecíveis, solos e duetos fantásticos, solidez e técnica na base rítmica. Esses são os elementos que as canções de “Firepower” nos mostram, elementos que são bem conhecidos por todos no trabalho do quinteto. Mas a artilharia pesada do JUDAS PRIEST raramente esteve tão inspirada. O fogo é pesado, e eles vieram para ensinar que ainda são senhores no que fazem, que ainda possuem vontade de aço de exercerem sua liderança e mostrar como se faz Metal em alto nível e de alta qualidade, sem essa de viver de passado.

Musicalmente, “Firepower” possui 14 gemas preciosas que vieram para marcar o domínio da banda. É um disco irrepreensível, cheio de energia, mostrando que a velha chama ainda arde poderosa.

O disco abre com “Firepower”, uma faixa com um jeitão clássico, mas com excelente condução rítmica (como Ian e Scott fazem a diferença na técnica e equilíbrio de peso e melodia), seguida da maravilhosa “Lightning Strike”, uma chicotada de energia absurda, onde Rob mostra como é inimitável em suas variações de timbre (o Metal God realmente aparenta aprender mais e mais sobre sua voz, e usa-a muito bem). Já “Evil Never Dies” é uma canção mais cadenciada, pesada e com aquela raçuda que nos agarra (e que solos marcantes, onde Glenn e Richie mostram-se complementares um do outro). Igualmente refreada (mais um pouco mais melodiosa) é “Never the Heroes”, cujo ritmo nos leva a balançar a cabeça, mesmo em suas partes mais limpas. É dada uma amostra de peso e bom gosto em “Necromancer”, com suas harmonias pesadas e simples, assim como se ouve também em “Children of the Sun” (que refrão!). Uma curta instrumental se segue, “Guardians”, onde pianos, teclados e guitarras, preparando os fãs para o arregaço melodioso de “Rising from Ruins”, que por sua alternância entre momentos introspectivos e limpos com passagens pesadas. O peso moderno da produção dá peso à levada mais Hard Rock de “Flame Thrower”, cuja simplicidade mostra como se pode ser genial sem ser complicado (e que belo trabalho mais uma vez da base rítmica). Vinda para esmagar os tímpanos alheios por seu jeito cadenciado e pesado, “Spectre” é outra em que a cabeça balança sozinha, e que mostra arranjos excelentes de guitarras, mesmos elementos apresentados na diversificada “Traitors Gate” (embora esta possua maior dinamismo entre o instrumental e os vocais, e belos duetos das seis cordas). E por falar em modernidade e dinâmica, elas se mixam ao jeitão mais tradicional de “No Surrender” (outra que possui certa acessibilidade musical, mas em que os vocais dão um show, fora esse refrão que gruda na mente). O peso bate-estaca lento de “Lone Wolf” é extremamente sedutor, já que o refrão é bem marcante, e as guitarras despejam riffs de primeira (e que duetos). E para encerrar essa obra-prima, vem “Sea of Red”, uma balada que até a metade é toda em guitarras limpas, permitindo que a versatilidade de Richie e Glenn (especialmente nos solos), mas é impossível não bater palmas para o trabalho peso-pesado de Ian e Scott nas partes mais pesadas, enquanto Rob usa um enfoque mais simples e normal de sua voz.

Infelizmente, é fato que o guitarrista e membro fundador Glenn Tipton deve ter gravado seu último disco, já que foi diagnosticado com Mal de Parkinson, e Andy Sneap tem tocado suas partes ao vivo. E isso tem causado especulações se a banda não encerrará suas atividades depois do último show da turnê.

Seja como for, “Firepower” mostra que o JUDAS PRIEST, se parar, encerra sua carreira de forma magistral; se decidirem continuar, nos mostra que o JUDAS PRIEST ainda tem muita lenha para queimar, e muitas lições a dar aos novatos sobre como ser relevante e se atualizar sem perder seu próprio estilo.

E este autor endossa o coro de muitos fãs e colegas de imprensa: “Firepower” estará no topo da lista dos melhores de 2018, se não for O Melhor disco do ano.

Nota: 100+%





terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

27/02/2018 - Fabiano Penna nos deixou...


Infelizmente, esta data representa uma grande perda para o Metal brasileiro: o guitarrista Fabiano Penna, do REBAELLIUN, veio a falecer, devido à uma infecção generalizada.

Além do REBAELLIUN, Fabiano ainda era produtor musical, bem como teve passagem por bandas como THE ORDHER HORNED GOD

Acreditamos que nada termina aqui, logo, queremos agradecer pela enorme oportunidade de poder ter conhecido Fabiano, ter conversado e partilhado idéias. A amizade é para sempre, o amor não vai parar aqui.

Apresentamos nossos votos de pesar a familiares, amigos e todos que puderam ter contato com essa pessoa maravilhosa, que vai fazer falta, e que agora descansa em paz...

Obrigado, meu amigo, meu irmão, e que sua música continue a nos alegrar até o dia em que nos encontremos de novo...

Nos lembraremos para sempre de ti...

domingo, 25 de fevereiro de 2018

DIMMU BORGIR - Interdimensional Summit



Ano: 2018
Tipo: Single
Importado


Tracklist:

1. Interdimensional Summit
2. Puritania (live)


Banda:


Shagrath - Vocais
Silenoz - Guitara base
Galder - Guitarra solo


Ficha Técnica:

Dimmu Borgir - Produção
Jens Bogren - Engenharia
Geir Bratland - Teclados
Daray - Bateria
Francesco Ferrini - Orquestrações
Gaute Storås - Arranjos orquestrais e de corais
Schola Cantrum Choir - Corais
Zbigniew Bielak - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Por Marcos Garcia


Quando uma banda qualquer se torna auto-sustentável (ou seja, são aquelas que já conseguem sustentar financeiramente a si mesmas e seus músicos com seus trabalhos), é de se esperar que todos os discos lançados após seu crescimento sejam aguardados ansiosamente por fãs e detratores. Nomes grandes como o do DIMMU BORGIR sempre criam expectativas. E após 8 anos desde “Abrahadabra”, o grupo enfim volta com algo inédito de estúdio para seus fãs, O Single “Interdimensional Summit”, que precede “Eonian”, novo álbum previsto para 04 de Maio vindouro.

O que podemos falar sobre este Single, lançado para esquentar as coisas?

O que se nota logo de cara é que a banda deu seqüência ao que fez musicalmente em “Abrahadabra”. A proposta não mudou: a fusão de elementos agressivos do Black Metal com orquestrações grandiosas e corais é a mesma. Mas há uma diferença: a banda reforçou o lado melodioso de sua música, bem como fizeram nada muito tecnicamente complicado. No fundo, esta simplicidade é algo que não fazem desde a época de “Enthrone Darkness Triumphant”. Dessa forma, a idéia é de que o DIMMU BORGIR parece disposto a continuar com seu trabalho com orquestras e corais, mas buscando algo mais simples em termos técnicos. E isso mostra valor, já que o lado agressivo de sua música ainda está ali.


Sonoramente, este Single nos mostra uma sonoridade pesada e densa, mas mais uma vez, de qualidade inegável. O grupo há anos não abre mão de ter uma qualidade sonora perfeita em seus trabalhos. E não deve ter sido simples, pois misturar tantos elementos de uma vez nunca é muito simples, mas conseguiram, pois tudo está perfeitamente audível.

Diferentemente de “Abrahadabra”, onde a banda parecia muito mecanizada, desta vez, eles mostram maior fluidez e espontaneidade. Talvez a simplificada no som e a ausência de estresses e pressões (algo que em 2010 foi comum, pois a saída de Mustis e Vortex foi traumática) tenha feito muito bem à banda. Mas se repararem, há muito detalhes interessantes que uma simples ouvida não nos permite perceber.

Uma das músicas do Single é a já conhecida “Puritania”, gravada ao vivo em Oslo (provavelmente, vinda do DVD “Forces of the Northern Night”). Mas “Interdimensional Summit” é a inédita. Cheia de teclados e muitas orquestrações, existem arranjos e mudanças de ritmo ótimas, os vocais continuam com sua ótima variação entre timbres rasgados e guturais (além de momentos narrativos), a bateria mostra peso (embora não mostre técnica exacerbada), as guitarras estão ótimas em seus riffs (e o solo está ótimo, nada complicado, mas bem melodioso), o baixo dá peso (pelo que se sabe, Shagrath, Silenoz e Galder se alternaram nas gravações do instrumento). As orquestrações e corais encaixaram bem, e mais uma vez, a banda mostra um refrão que se ouve e não se esquece mais, além de melodias simples e envolventes.

Óbvio que nem todos gostaram dessa roupagem que a banda mostra em “Interdimensional Summit”. Direito de todos, mas a verdade é simples: o grupo não dá crédito aos detratores. Nem precisam, pois fazem o estilo que eles mesmos criaram para si, e como dito acima, creio que muitos não se lembram dos teclados e lindas harmonias do clássico “Enthrone Darkness Triumphant”.

No mais, este Single coloca água na boca dos fãs. E que “Eonian” venha logo!

Nota: 90%

sábado, 24 de fevereiro de 2018

LOCKFIST 669 - Pesadelo



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1.      Invitation (To My Nightmare)
2.      Shall Not Murder
3.      The Problem Of Evil
4.      Silencer
5.      Dominion
6.      Igreja
7.      Pesadelo


Banda:


Alex Paloschi - Vocais
Renato Machado - Guitarras
Rafael Leal - Baixo
Rodrigo Kusayama - Bateria


Ficha Técnica:

Friggi Madbeats - Produção, mixagem, bateria em “Igreja”
Neto Grous - Masterização
Marcelo Nespoli - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Bandcamp:
Assessoria:


Por Marcos Garcia


A potencialidade do Metal brasileiro já deixou de ser uma simples idealização. Há anos, com o avanço tecnológico e a profissionalização de produtores musicais, as bandas nacionais têm mostrado as garras, fazendo discos cada vez melhores. Em termos que qualidade, o Brasil já não está distante do que é feito fora de nosso país. E nisso, as bandas consegue atingir um nível musical melhor. Uma ouvidinha em “Pesadelo”, novo trabalho do quarteto LOCKFIST 669, de São José dos Campos (SP), ilustra o que este autor quer dizer.

Com um trabalho pesado e agressivo de causar dores nos ouvidos, o quarteto foca suas energias em fazer Thrash Metal com uma pegada moderna próxima ao Death Metal. Óbvio que essa fórmula musical não chega a ser uma novidade, mas a abordagem deles deixa tudo mais bruto, com um impacto sonoro enorme. Além disso, a banda cria arranjos musicais de primeira, que encaixam perfeitamente uns nos outros.

Preparem os ouvidos e o pescoço!

Podemos dizer que grande parte do impacto descrito acima vem da produção musical. A sonoridade de “Pesadelo” é cheia e carregada, ou seja, a banda escolheu timbres graves e intensos para os instrumentos, criando a impressão de uma muralha de som. Mas ao mesmo tempo, em termos de clareza, tudo está de primeira, bem definido, e o ouvinte não terá dificuldades em compreender o que eles tocam. Além disso, a masterização deu um “punch” a mais no som. E que arte gráfica!

Os 13 anos de lutas no underground moldaram o LOCKFIST 669 de uma maneira que observemos uma banda evoluída e enxuta, que sabe criar uma música bem arranjada e violenta, bem feita, mas com muita energia e espontaneidade. Além disso, “Pesadelo” é um autêntico murro nos ouvidos!

“Shall Not Murder” é um Thrash/Death Metal moderno e cheio de agressividade envolvente, com guitarras cuspindo riffs ganchudos. O andamento mais trabalhado de “The Problem Of Evil” vem para conquistar muitos fãs (os momentos mais lentos são cativantes, especialmente porque baixo e bateria mostram uma técnica muito boa). O peso grooveado e cheio de ritmos quebrados de “Silencer” é empolgante, mostrando um refrão muito bom (e esses vocais gritados encaixaram como uma luva). Cadência e uma ambientação densa é o que temos em “Dominion”, uma faixa de muita energia e peso. Essas são os destaques do disco, mas não dá para não falar da versão rasgada e pesada que eles fizeram para “Igreja”, do TITÃS, que tem a participação especial de Friggi Madbeats, do CHAOS SYNOPSIS (e produtor do disco), que tocou bateria.

O LOCKFIST 669 é um bom nome do cenário nacional, e “Pesadelo” merece uma ouvida atenta da parte de todos os fãs de Thrash Metal.

Nota: 82%

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

KAMALA - Eyes of Creation



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Internal Peace
2. Stay with Me
3. Open Door
4. Something to Learn
5. Purpose of Life
6. Believe
7. Deep Breath
8. Eyes of Creation
9. Wake Up


Banda:


Raphael Olmos - Guitarras, vocais, samplers, violão
Allan Malavasi - Baixo, vocais
Isabela Moraes - Bateria

Ficha Técnica:

Guilherme Malosso - Produção, gravação, engenharia, edição, mixagem e masterização 
Yuri Camargo - Assistente de gravação
Corentin Charbonnier - Harpa em “Internal Peace”
Simon Pascual - Gravação da harpa em “Internal Peace”
Victor Martins - Didgeridoo em “Purpose in Life”
Marcus Dotta - Bateria em “Deep Breath”


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Bandcamp:
Assessoria:


Texto: Marcos Garcia


Há dias em que este autor para e reflete: em mais de 30 anos dedicados ao Metal, poucas vezes vi um momento tão ruim em termos de mentalidade dentro do cenário.

A mentalidade atual é destrutiva, quase que orientada à automutilação, à destruição interna de cada um de nós. Sinceramente, já está cansativo ver as repetições das fábulas à lá “Dungeons & Dragons” e mitologia de J. R. R. Tolkien, os temas de críticas sociais (que muitas vezes possuem uma orientação política, e o homem em si é deixado de lado), ou a infantilidade do paganismo/satanismo que muitos teimam (sinceramente, falar nesse tipo de coisa é admitir que não tem mais o que dizer).

Onde foi parar a força positiva que sentíamos nos anos 80 e 90? E quando foi que o Metal virou um velho senil que repete a mesma ladainha chata? Onde foram parar as criticas legais e bem feitas de bandas como RUNNING WILD, HELLOWEEN e GAMMA RAY (pois Kai Hansen sempre teve um alto astral que transpirava em suas músicas e letras)? Se não fossem nomes como GOJIRA, e alguns poucos, que realmente têm algo construtivo a dizer, o Metal já estaria usando um Papa Nicolau há anos. E no Brasil, há um representante digno dessa positividade construtiva: o trio KAMALA, de Campinas (SP). E dois anos após “Mantra”, e precedido pelo ótimo EP “Consequences Of Our Past - Vol 1”, eles nos brindam com mais um discão: “Eyes of Creation”.

A banda teve uma mudança na formação: saiu o baterista Estevan Furlan, e em seu lugar, entrou Isabela Moraes, que manteve a pegada Thrasher da banda intacta. E musicalmente, o KAMALA está mais amadurecido, com uma agressividade mais enxuta (como se pode ouvir em “Fractal” e “The Seven Deadly Chakras”) e uma noção melodiosa bem mais apurada. Óbvio que a brutalidade da banda diminuiu, mas esse lado mais encorpado é mais uma bela face da musicalidade do trabalho deles que é exposta. O trabalho técnico continua vibrante, mas emoldurada por aquilo que cada música pede. Não há excessos, mas ao mesmo tempo, não é algo simplório.

Traduzindo: “Eyes of Creation” é um passo adiante, olhando para o futuro de cabeça erguida e olhos abertos.

A sonoridade do disco ficou bem mais seca e direta, com timbres instrumentais mais bem definidos. Tudo para que as músicas soem claras e compreensíveis aos nossos ouvidos, ao mesmo tempo em que as melodias ficaram evidenciadas. Mas mesmo assim, há um toque “alive”, já que durante os solos, não existem linhas de guitarra base sob eles. Um trabalho ótimo, digamos de passagem. E a arte é muito bonita, com tons não comuns na capa, e uma diagramação inteligente no encarte.

Se “Mantra” é um disco brutal e com muitos toques de Death Metal, “Eyes of Creation” é mais espontâneo, melodioso e burilado. Os refrões são de assimilação fácil (mesmo em um formato musical tão agressivo), e existem toques experimentais e diferenciados, como a participação de harpas (em “Internal Peace”), mais uma vez o som de didgeridoo é ouvido (em “Purpose in Life”). Partes acústicas também enriquecem o disco, logo, se preparem, pois o KAMALA está com fome de fazer música!

Nove torpedos compõem o repertório de “Eyes of Creation”, todas com suas belezas e particularidades.

O começo de “Internal Peace” é suave, com guitarras acústicas melodiosas, mas logo vem toda fúria Thrasher do trio, com tempos excelentes, refrão grudento e um trabalho muito bom de baixo e bateria. Já usando de um “insight” um pouquinho mais técnico, temos “Stay With Me”, com ótimos tempos e riffs (daqueles cheios de groove moderno). E falando em modernidade, “Open Door” mostra uma ambientação mais abrasiva, e com excelente trabalho dos vocais (os dois vocais ficaram bem encaixados, complementando um ao outro em um contraste muito agressivo). Já em “Something to Learn”, temos algumas passagens mais acessíveis, vindas de influências mais melódicas do grupo, e que encaixaram como uma luva no trabalho da banda. O som de didgeridoo é ouvido no início de “Purpose in Life”, outra em que o peso se baseia em um andamento denso e pesado (reparem como as narrativas com efeitos reforçam o peso azedo da canção). Melodias cheias de groove e transpirando modernidade são os elementos da ótima “Believe” (outra com um trabalho excelente de baixo e bateria), os mesmos elementos que permeiam “Deep Breath” (onde se ouvem partes experimentais, e a bateria é tocada por Marcus Dotta). Mesmo mostrando uma agressividade rasgada e evidente, “Eyes of Creation” é outra canção onde melodias acessíveis aparecem, e são daquelas que qualquer fã de Metal pode assimilar facilmente. E fechando, cheia de melodias mais introspectivas, e com uma ambientação densa, temos “Wake Up”, o perfeito encontro de linhas melódicas bem estruturadas e um toque de agressividade moderna (reparem bem nas guitarras e vocais). E por trás de cada uma das músicas, letras que visam construir, protestar, mas sempre com uma ótima positiva.

Em “Eyes of Creation”, o KAMALA mostra que é mais uma banda cuja música não cabe mais no Brasil. E a banda já se prepara para mais um giro pelo Velho Continente!

Nota: 100%

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

TENEBRÁRIO - Second Act: Pain



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Second Act: Pain
2. The Thousand Faces in the Mirror
3. There Are Somethings That Never
4. God Symphony
5. Twins Souls
6. The Other Mountain Dweller
7. The Evil Heart of Stone
8. Sacred Mask
9. Again on the Road
10. O Meu Ser (Uma Imagem no Espelho)
11. Wickedness on Eyes My Dreams (Faixa Bônus)
12. Spirits Obscure Forest (Faixa Bônus)


Banda:


Alexdog - Baixo, vocais
Roberto Bressan - Guitarras
Eduardo Borrego - Guitarras
Claudio Screpetz - Bateria


Ficha Técnica:

Cássio Martins - Produção
Marcelo Pompeu - Produção de “Wickedness on Eyes My Dreams” e “Spirits Obscure Forest”
Ordo Ab Chaos - Capa


Contatos:

Site Oficial:
Twitter:
Instagram:
Assessoria: www.facebook.com/cangacorockcomunicacoes/ (Cangaço Rock Comunicações)


Texto: Marcos Garcia


Algumas vezes, discos não recebem a devida atenção do público quando são lançados. Isso se dá tanto pela avalanche de lançamentos de discos em um dado estilo que esteja em evidência (as famosas “modas” no Metal), tanto pelo descaso dos bangers (algo que pode ter n! motivos). Alguns relançamentos até merecem ser feitos, e o de “Second Act: Pain”, do quarteto paulista TENEBRÁRIO é um deles.

Veterano com 21 anos de Metal e underground nas costas, o quarteto foca suas energias criativas no bom e velho Metal tradicional, só que com uma pegada agressiva que mostra certo toque de Thrash Metal. Isso os torna bem diferentes de alguns clones que andam por aí. Muito peso e energia, com boas linhas melódicas e uma técnica instrumental sóbria, esse relançamento mostra uma banda que pode render mais, e assim, dar muito ao cenário nacional.

A produção é crua e direta, mas sem que se perca a noção de peso, melodia e clareza necessárias. Óbvio que algumas reclamações podem acontecer, mas lembrando: esse disco é um relançamento (o original é de 2006), logo, de lá para cá as condições melhoraram muito. E mesmo assim, está muito boa, e atinge seu propósito.

Mesmo sem mostrar algo novo, a essência musical do trabalho do TENEBRÁRIO mostra uma energia intensa, além de um trabalho bem personalizado. Tudo soa pesado, bem feito, e com ótimos arranjos. Nem parece um disco com 12 anos de idade, para ser sincero.

A longa e pesada “The Thousand Faces in the Mirror” e suas belas harmonias (e que trabalho ótimo das guitarras, com ótimas bases e solos muito bons), a energia crua que flui de “There Are Somethings That Never” (os vocais e os backing vocals estão ótimos), o andamento mais simples e forte de “God Symphony” (uma faixa bem pesada, e a dinâmica entre baixo e bateria está ótima), as sinuosas melodias de “The Other Mountain Dweller” (esse vocais com timbres à lá Hanshi Kürsh realmente impressionam), a pegada pesada e ganchuda de “Sacred Mask” são os melhores momentos de “Second Act: Pain”. E de bônus, temos “Wickedness on Eyes My Dreams” e “Spirits Obscure Forest”, vindas diretamente da Demo Tape “Tenebrário”, de 1997, com uma qualidade sonora crua (algo comum na época), um resgate dos tempos iniciais do quarteto.

Sim, realmente vale a pena ouvir “Second Act: Pain” nos dias de hoje, mas como a banda está na ativa, esperamos algo novo deles para breve.


Nota: 81%