terça-feira, 3 de abril de 2018

ANVIL - Pounding the Pavement


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Bitch in the Box
2. Ego
3. Doing What I Want
4. Smash Your Face
5. Pounding the Pavement
6. Rock That Shit
7. Let It Go
8. Nanook of the North
9. Black Smoke
10. World of Tomorrow
11. Warming Up
12. Don’t Tell Me (bonus track)


Banda:

Lips - Vocais, guitarras
Christ - Baixo, backing vocals
Robb Reiner - Bateria


Ficha Técnica:

Anvil - Produção
Jörg Uken - Produtor, masterização
Christoph Schinzel - Capa, direção de arte
Martina Lo Volt - Vocais adicionais


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Quanto mais o tempo passa, maior a impressão que os nomes do passado, com raras exceções, andam caprichando e fazendo discos muito bons. Talvez o acúmulo de bandas novatas que se intitulam Old School seja o motivo, já que a maioria apenas tenta vestir como novo os clichês que já foram exauridos há muitos anos. Por isso, velhos Juggernauts do Metal como o ANVIL ainda são relevantes, e merecem respeito e espaço. E os canadenses desceram a marreta em “Pounding the Pavement”, seu mais recente disco, que a Shinigami Records acaba de lançar por aqui.

Para início de conversa: melhor não comparar “Pounding the Pavement” com os clássicos “Metal On Metal” ou “Forged in Fire”. Chega a ser um desrespeito enorme com eles, e saudosismo de cada um. O disco novo tem canções que são ótimas se pararem de olhar o passado, mesmo porque o trio soube se atualizar, mantendo o bom e velho Hard’n’Heavy de tantos anos intacto, com aquela mesma energia vigorosa de sempre. E mesmo não sendo uma obra-prima, mostra que a constância de qualidade dos últimos discos se mantém a mesma.

Com um disco tão cheio de energia, óbvio que existiu a necessidade de uma sonoridade construída para extrair o melhor do grupo. E eles tiveram, pois tudo soa limpo e bem definido, com uma timbragem bem equilibrada, mas com sua dose de peso correta. Além do mais, o que se ouve em “Pounding the Pavement” tem jeito de funcionar muito bem ao vivo.

Na arte, o capricho de sempre, sem exagerar demais. A velha bigorna está ausente, mas em compensação vê-se a guitarra como britadeira, capaz de rachar o concreto, em uma analogia com o peso do disco.

As guitarras continuam cuspindo riffs que grudam nos ouvidos e solos melodiosos, o rosnado característico de Lips continua seco e forte, o baixo de Christ pulsa dando o devido peso ao grupo, mas falar de Robb Reiner chega a ser difícil. O homem é uma referência na bateria para toda uma geração, e se percebe em suas conduções e viradas toques geniais. A cola que junta tudo são as melodias de fácil assimilação, além dos arranjos simples, mas dando o devido acabamento às canções.

O disco é todo muito bom, mas músicas como a pesada e arrastada “Bitch in the Box” (que acaba viciando o ouvinte, graças ao refrão simples e os riffs envolventes), aquele Rock ‘n’ Roll pesado e sujo à lá MOTORHEAD de “Ego” (reparem como baixo e bateria mantém um peso incrível), a direta e opressiva “Doing What I Want”, o peso opressivo e lento de “Smash Your Face” (os vocais são ótimos, junto com as guitarras fazendo aquele fundo arrastado e denso, no estilão do hino “Forged in Fire”), o jeito atual e pesado de “Pounding the Pavement” (uma instrumental que une o passado e o presente sem causar traumas), a sujeira divertida de “Rock That Shit” e de “Black Smoke”, e o jeito descompromissado e clássico de “Warming Up” (que aula de bateria!). E de bônus, a pesada “Don’t Tell Me” vem fechar o disco que atesta que o ANVIL continua vivo e vibrante.

Embora longe de ser um novo clássico (como dito acima), “Pounding the Pavement” vem para mostrar às bandas jovens que os coroas estão com sangue nos olhos!


Nota: 86%

segunda-feira, 2 de abril de 2018

EPICA - The Solace System


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Nacional


Tracklist:

1. The Solace System
2. Fight Your Demons
3. Architect of Light
4. Wheel of Destiny
5. Immortal Melancholy
6. Decoded Poetry


Banda:


Simone Simons - Vocais
Mark Jansen - Guitarra base, vocais agressivos
Isaac Delahaye - Guitarras
Rob van der Loo - Baixo
Coen Janssen - Sintetizadores, pianos
Ariën van Weesenbeek - Bateria, vocais agressivos


Ficha Técnica:

Epica - Produção
Joost van den Broek - Produção, gravação, mixagem, masterização
Jacob Hansen - Gravação, mixagem, masterização
Stefan Heilemann - Arte
Marcela Bovio - Backing vocals
Linda Janssen - Backing vocals
Joost van den Broek - Samples
Kamerkoor Pa’dam - Vocais (corais)
Brent Langerak - Cítara


Contatos:

Site Oficial: http://www.epica.nl/
Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Existem bandas que fazem trabalhos ótimos, mas sempre existe aquele músico que acaba sendo “a cara” do grupo. Muitas vezes, não é apenas uma questão de talento, mas da fusão deste com uma dose bem grande de carisma. E isso, a cantora Simone Simons sempre teve em grandes quantidades. Talvez seja isso um dos diferenciais que chamam a atenção de tantos para o EPICA, o que não desvaloriza em nada o trabalho do sexteto. E eis que a Shinigami Records, em sua parceria com a Nuclear Blast Brasil, nos concede a versão nacional do EP “The Solace System”, mais recente trabalho dos holandeses.

As músicas do EP são sobras de “The Holographic Principle”, ou seja, músicas compostas e gravadas para ele, mas que ficaram de fora. Mas mesmo assim, se percebe o EPICA com uma vibração enorme em sua visão pessoal de se fazer Symphonic Metal. Óbvio que temos ótimas orquestrações, usando instrumentos musicais que já não são tão alienígenas ao Metal (violinos, violoncelos, trompetes, flautas, trombones, entre outros) de um jeito todo do sexteto. E as influências de gêneros agressivos de Metal continuam permeando o EP, mas sempre visando criar contrastes ótimos entre o suave e o extremo, como nos urros que surgem entre partes de vocais femininos suaves e corais grandiosos.

Simplificando: se as canções “The Solace System” são sobras, a grupo aparenta ainda ter algo guardado para nos surpreender!

Em um disco com tanta personalidade, é preciso ter uma qualidade sonora de alto nível. E assim o é, pois a produção foi caprichada, colocando as doses certas de clareza, peso e melodias evidenciadas. E digamos de passagem: colocar essa vasta fauna de instrumentos musicais juntas não é um trabalho lá muito fácil de ser feito. Mas o resultado final é excelente, e fala por si.

No tocante à arte gráfica, mais uma vez temos uma capa belíssima, com um encarte muito bem diagramado, cheio de gravuras, mas sempre permitindo que letras e informações técnicas fiquem legíveis.

O Symphonic Metal é um gênero bem desgastado, mas que os holandeses sempre dão uma revitalizada com seu jeito pessoal de fazer música. Tudo muito bem arranjado, com cada momento encaixando no outro como se fossem peças de um quebra-cabeças montado com extrema calma. Nada é excessivo ou está faltando, tudo bem equilibrado.

“The Solace System” abre o EP, com melodias ótimas, que são embelezadas por orquestrações grandiosas, onde os vocais femininos principais se destacam bastante (especialmente quando os urros agressivos contrastam com eles). Na positiva e melodiosa “Fight Your Demons” se percebe uma evidência de elementos mais agressivos, embora todas as harmonias sinfônicas estejam excelentes (especialmente os corais), mesmos elementos que permeiam as linhas melódicas de “Architect of Light” (os riffs estão ótimos, com momentos mais agressivos e outros mais envolventes). Um pouco mais ríspida é “Wheel of Destiny”, com suas variações rítmicas interessantes (o que nos mostra a boa técnica de baixo e bateria), mas sempre guiadas por uma fundamentação harmônica muito boa. A introspecção de “Immortal Melancholy” dá ênfase aos violinos e cordas acústicas, mostrando como os vocais de Simone são versáteis. E com um “approach” extremo, temos “Decoded Poetry”, que fecha o EP, com melodias muito bem pensadas e que deixa no ouvinte a sensação de “quero mais”.

O EPICA mostra-se em “The Solace System” longe de ser um coadjuvante em termos de Symphonic Metal, mas que é um dos grandes nomes do gênero.

Um EP muito bom, verdade seja dita!
  
Nota: 87%



VULCANO - Live III - From Headbangers to Headbangers


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

CD 1:

1. The Man, The Key, The Beast
2. Church at a Crossroad
3. Witches Sabbath
4. The Signals
5. The Evil Always Return
6. The Gates of Iron
7. Propaganda and Terror
8. Thunder Metal
9. I’m Back Again
10. Awash in Blood
11. The Tenth Writing
12. Welcome to the Army

CD 2:

1. Red Death
2. Total Destruição
3. Guerreiros de Satã
4. Legiões Satanicas
5. Dominions of Death
6. Spirits of Evil
7. Ready to Explode
8. Holocaust
9. Incubus
10. Death Metal
11. Bloody Vengeance


Banda:


Luiz Carlos Louzada - Vocais
Zhema Rodero - Guitarras
Gerson Fajardo - Guitarras
Carlos Diaz - Baixo
Arthur “Von Barbarian” - Bateria


Ficha Técnica:

Ivan Pellicciotti - Mixagem, masterização
André “Cigano” Martins - Artwork
Marcelo Vasco - Design


Contatos:

Twitter:
Instagram:
Assessoria: http://www.sanguefrioproducoes.com/artistas/VULCANO/20 (Sangue Frio Produções)


Texto: Marcos Garcia


Em 1985, um dos discos mais clássicos do Metal extremo brasileiro, chamado simplesmente de “Live!”, revelou ao mundo o poder musical do VULCANO, quinteto brasileiro de Santos (SP). Um ano depois, viria o primeiro álbum de estúdio, “Bloody Vengeance”, que se tornaria um referencial para bandas de Thrash/Death/Black Metal nos anos que viriam. E agora, 33 anos depois de “Live!” e 32 anos após “Bloody Vengeance”, a Heavy Metal Rock coloca no mercado “Live III - From Headbangers to Headbangers”, duplo ao vivo que vem coroar o ótimo momento do grupo.

Gravado ao em 21/10/2017 na comemoração dos 34 anos da loja Heavy Metal Rock e 35 anos da banda (sim, a parceria entre eles é longa), este disco mostra como o VULCANO atual ainda tem poder de fogo ao vivo de tantos anos. O Thrash/Black Metal da banda (que vez por outra ganha contornos de Death Metal e mesmo alguns toques de Crossover) não muda muito, e justamente porque a banda não exagera em termos de produção, as canções ao vivo são extremamente fiéis às versões dos discos de estúdio. E o entrosamento da banda se reflete na energia com que as canções são executadas.

Graças à ótima captação do show, a qualidade sonora de “Live III - From Headbangers to Headbangers” está no mesmo nível do que encontramos em discos ao vivo gringos. Aliás, a clareza deixa claro que o grupo se preocupa em uma captação correta do que fazem (visando manter a compreensão do que estão tocando), mas sem que o peso seja perdido. Além disso, a energia de um show foi transposta de maneira extremamente satisfatória para o disco. Óbvio que alguns saudosistas vão reclamar, bradando que “Live!” é uma referência (sempre tem um para reclamar). Peço que me permitam um comentário: fazer um disco conforme as condições de seu tempo é mérito; fazer porque outros no passado fizeram é ser cópia.

A arte ficou ótima, bem simples e apenas em tons de preto, branco e cinza. O encarte possui fotos coloridas da apresentação, e ficou com aquele jeitão “anos 80” na diagramação. Um trabalho visualmente ótimo, ainda mais nesse digipack lindo de três páginas.

O setlits deu uma varrida na carreira da banda como um todo, com maior ênfase no material de “Bloody Vengeance” (que foi tocado na íntegra). Mas mesmo assim, clássicos de “Live!” e outros discos estão presentes. Só que estas versões mais jovens deixam claro que o quinteto não vive de seu passado, mas que ainda possuem uma enorme vontade de fazer música e toar ao vivo.

O VULCANO ao vivo é sempre um show de primeira, e quem já os viu (como este autor entre tantos outros) percebe que a energia não se dissipa: é uma constante, com guitarras mostrando riffs excelentes, vocais que mostram diversidade de timbres, e uma base rítmica sólida, coesa e com boa técnica.

Para os que conhecem a banda de pouco tempo, músicas como a pesada e brutal “Church at a Crossroad”, além da trinca opressiva de “Propaganda and Terror”, “Thunder Metal” e “I’m Back Again” (todas do último disco da banda, “XIV”), além de “Awash in Blood” (de “Drowning in Blood”) e “The Tenth Writing” (de “Wholly Wicked”) são canções certas para a alegria dos mais jovens.

Para os mais experientes, que conhecem o grupo de longos anos, existem os velhos hinos que estão com uma vitalidade assombrosa. Ouvir a destruidora de pescoços “Witches Sabbath”, a trituradora de ossos “Total Destruição” (o peso das bases e solos de guitarras e a interpretação dos vocais ficaram de primeira, inclusive com aquela introdução narrativa da versão original), a clássica “Guerreiros de Satã” (como baixo e bateria estão ótimos em termos de técnica e peso), a veloz e opressiva “Red Death” (do clássico “Anthropophagy”), além de pancadas vindas de “Bloody Vengeance” como “Dominions of Death”, “Ready to Explode”, a explosiva Black/Death Metal “Incubus” (reparem bem na influência do Crossover em algumas partes), e na crueza cadenciada e opressiva da clássica “Bloody Vengeance” são prazeres enormes, ainda mais com essa qualidade sonora de primeira.

O VULCANO tem história, sabe usar isso em seu favor ao compor e tocar ao vivo, logo, a aquisição de “Live III - From Headbangers to Headbangers” é obrigatória!

Nota: 97%

LOUDNESS - Rise to Glory


Ano: 2018
Tipo: Duplo CD
Nacional


Tracklist:

CD 1 (Rise to Power):

1. 8118 (instrumental)
2. Soul On Fire
3. I’m Still Alive
4. Go For Broke
5. Until I See the Light
6. The Voice
7. Massive Tornado
8. Kama Sutra (instrumental)
9. Rise to Glory
10. Why and For Whom
11. No Limits
12. Rain
13. Let’s All Rock

CD 2 (Samsara Flight):

1. Street Woman
2. The Law of Devil’s Land
3. Loudness
4. In the Mirror
5. Black Wall
6. Rock Shock (More and More)
7. Lonely Player
8. Devil Soldier
9. Burning Love
10. Angel Dust
11. Road Racer
12. Rock the Nation
13. To Be Demon


Banda:


Minoru Niihara - Vocais
Akira Takasaki - Guitarras, teclados, sintetizadores
Masayoshi Yamashita - Baixo
Masayuki Suzuki - Bateria


Ficha Técnica:

Masatoshi Sakimoto - Gravação, mixagem
Chris Bellman - Masterização
Iwata Room / 7Stars Design - Direção de arte, design


Contatos:

Bandcamp:
Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Os anos 80 revelaram grandes bandas do Metal. E por “grande”, falamos dos gigantes cujos nomes estarão para sempre associados ao gênero e que ajudaram a alavancar o crescimento comercial do mesmo. Mas existem nomes que são lendários, mesmo sem terem se tornado vultos gigantescos. Em um meio termo, falamos daqueles que tornaram sua música gigante em seus países, mas que nem tantos assim os conheceram. Este é o caso do quarteto japonês LOUDNESS, que nos chega com a versão nacional de “Rise to Glory”, seu mais recente disco. E é mais um dos esforços da Shinigami Records em prol dos fãs brasileiros.

Em “Rise to Glory”, vemos o bom e velho Hard’n’Heavy cheio de ótimas melodias acessíveis, com muito peso e aquela pegada oitentista tradicional, apoiada em um trabalho técnico muito bom, mas sempre privilegiando o conjunto como um todo. O quarteto não abre mão de seu estilo clássico, que aqui apenas se mostra atualizado, mas com sua personalidade intacta.

Sim, é isso mesmo: em um dos raros lançamentos nacionais do grupo (e se não me falha a memória, é o primeiro disco deles lançado por aqui), o grupo não desaponta nem um pouco. Pelo contrário, faz bonito, e muito!

A atualidade que sentirão vem da qualidade sonora de “Rise to Glory”. Está muito bem feita, mantendo a clareza em alto nível, para que a compreensão do que está sendo destilado pelos quatro Samurais não seja perdido, e as melodias estão claras aos ouvidos. Mas se preparem, pois o peso musical do grupo está realmente massivo, mantendo a agressividade em alta. Realmente, a produção está de parabéns!

Pelo lado da arte, a capa é bem simples, e o encarte ainda mais, preferindo uma apresentação com fundo preto e as letras em branco. Algo bem tradicional, mas que sempre rende ótimos frutos.

Novamente: é óbvio que este gigante nipônico com quase 40 anos de atividade não iria abrir mão de seu jeito de fazer música. Mas é preciso dizer que o vigor, a energia e a inspiração que transpira nas 13 canções de “Rise to Power” mostra o quanto eles ainda têm a dar ao Metal. Em momento algum se sente falta de vontade de fazer música em grande estilo em Minoru Niihara, Akira Takasaki, Masayoshi Yamashita, e Masayuki Suzuki. Pelo contrário: a adrenalina é altíssima!

Em “Rise to Glory”, a homogeneidade musical impera. Fica difícil escolher as melhores canções, mas afere-se que a energia espantosa de “Soul On Fire” (que equilibra de forma magistral peso e ótimas melodias, com ótimos vocais), a pegada moderna e bem arranjada de “I’m Still Alive” (é impressionante em ver como baixo e bateria pegam pesado sem que a música perca seu jeito melodioso), aquela atmosfera Hard’n’Heavy dos anos 80 que permeia “Go For Broke” (outra vez, baixo e bateria muito bem em termos técnicos, mas que guitarras excelentes), o andamento carregado e denso de “Until I See the Light” (a debulhada nos solos de guitarras mostram porque Akira é considerado um ás do instrumento), a força acessível e versátil de “The Voice”, o jeito que transita entre o Metal tradicional e a velocidade do Speed Metal mostrada em “Massive Tornado” (os vocais mostrando um trabalho ótimo, junto com as guitarras), a versatilidade técnica e musical da instrumental “Kama Sutra” (que transita entre o Metal, o Jazz Rock e com certos toques de World Music em partes mas amenas, e onde baixo e bateria debulhando em vários momentos, e melhor nem falar do que as guitarras mostram, pois a qualidade e técnica são enormes nos solos), a declaração firme e decisiva feita no peso à lá anos 80 de “Rise to Glory” (uma energia fantástica, com aquele jeitão tradicional do quarteto, mostrando que eles vieram para conquistar), a dose de acessibilidade mostrada no peso melodioso de “Why and For Whom” e de “No Limits”, a envolvente e arrastada “Rain” (que peso e emoção!), e o jeito bem pesado e comercial de “Let’s All Rock”. Não dá, não tem como escolher algumas, melhor pôr o CD no aparelho de som e deixar tocar no “repeat”, pois não há melhor coisa a fazer.

Agora, o CD 2, que é chamado “Samsara Flight” (que originalmente é uma coletânea lançada exclusivamente para o Japão em 2016), temos regravações de velhos clássicos do grupo, de sua fase inicial, da época de discos seminais como “The Birthday Eve” (1981), “Devil Soldier” (1982), e “The Law of Devil’s Land” (1983). Podemos dizer que se ouvirmos ambos os discos, a impressão é que o estilo do grupo não mudou, apenas se atualizou. Basta ouvir a pega da clássica “Loudness”, o arregaço das guitarras em “In the Mirror”, a debulhada de baixo e bateria na introdução da pegajosa “Black Wall”, a força acessível de “Rock Shock (More and More)” e de “Lonely Player”, o hino eterno “Devil Soldier”, o Metal’n’Roll extremamente grudento de “Angel Dust” e de “Rock the Nation”, e a alternância entre momentos introspectivos e de peso em “To Be Demon”. Essas regravações fazem justiça ao passado da banda, além de poder serem apreciadas em melhor qualidade por velhos e novos fãs do quarteto.

Ah, querem que eu fale algo sobre Akira Takasaki? O disco fala por si. Acho melhor darem uma bela conferida, pois verão o que é um Guitar Hero (sim, com maiúsculo mesmo) de verdade: ele trabalha sua técnica em prol das músicas, e não do ego.

No mais, mais uma vez se confirma que 2018 é mesmo o ano das bandas antigas, pois “Rise to Power” mostra que o poder de fogo do LOUDNESS ainda está longe de acabar.

BANZAI!


Nota: 100%



sexta-feira, 23 de março de 2018

CORROSION OF CONFORMITY: vindo para corroer a conformidade na América do Sul




Por Marcos Garcia

O nome do CORROSION OF CONFORMITY é bem conhecido de fãs mais velho de Metal. Nos anos 80, o “Mix” de Hardcore com Thrash Metal colocou a banda como um dos pioneiros do Crossover. E nos anos 90, eles se tornaram um dos nomes mais fortes no cenário Stoner/Sludge Metal. E após alguns anos de hito, eles estão de volta, lançando discos e fazendo turnês. Agora, eles estão libertando sua fúria musical com “No Cross No Crown”, Seu mais recente álbum. E eles estão vindo para a América do Sul, e tivemos a oportunidade de entrevistar a banda para o Heavy Metal Thunder.

E pouco depois dessa entrevista, ficamos sabendo que a dobradinha entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast Brasil disponibilizará uma versão nacional para “No Cross No Crown”. 




MG: Antes de tudo, queria agradecer pela oportunidade. Então, vamos começar: por que levaram 4 anos depois de “IX” para lançarem “No Cross No Crown”? 

Woodroe Weatherman: Obrigado pelo tem e por nos dar uma palavra ou duas daí do Brasil. Digo que uma vez que voltamos a ser um quarteto, já estávamos viajando e tocando por alguns anos, e etc, antes que fosse a hora certa para começar a pensar em outro álbum. Só queríamos ter certeza de que o álbum foi feito da maneira certa.


MG: Sei que já deve estar cheio de responder esta mesma questão, mas o que fez Pepper Keenan voltar à banda, e como as coisas estão funcionando com ele? E ele fez contribuições no processo de composição de “No Cross No Crown”? 

Woodroe: Estivemos conversando sobre o assunto por algum tempo, e sabíamos que era o momento certo, e todos nos sentimos bem sobre quando isso aconteceria. E sim, todos nós contribuímos para o novo álbum. Ter Pepper de volta adicionou outra dinâmica, e tem sido incrível poder tocar de novo algumas músicas de álbuns como “Wiseblood”, “Deliverance”, “America’s Volume Dealer”, etc. É muito divertido tocar elas ao vivo, e foi essa a inspiração que nos levou a escrever as novas músicas de “No Cross No Crown”.


Woodrue Weatherman (esquerda)
e Pepper Keenan (direita).
MG: Em uma das resenhas que escrevi para outro site onde colaboro, fui eu quem escreveu a resenha de “IX”. A ideia que tive na época foi que vocês estavam fazendo uma mistura de tudo que já tocaram, preservando a essência Hardcore, mas sem negar a evolução Sludge/Stoner. E ouvindo “No Cross No Crown”, tive essa mesma sensação, mas com as canções soando melhor, fluindo com melodias mais apuradas e melhores. Isso nos leva a pensar que não houve pressões para o C.O.C. lançar “No Cross No Crown”, certo?

Woodroe: Eu diria que você mandou bem aqui. Para mim, o que estamos fazendo agora é uma mistura de tudo o que fizemos antes, incluindo as coisas do passado. Felizmente, não havia pressão para lançar esse material novo em qualquer agenda, exatamente como queríamos. A banda foi capaz de ter o tempo que quisemos para fazer o disco do jeito que queríamos.

MG: Vocês trabalharam mais uma vez com John Custer na produção. E ele trabalha com vocês desde a época de “Blind”. Isso significa que estão satisfeitos com o trabalho dele, óbvio, mas existe outro motivo para tê-lo com vocês por tanto tempo? Não quero falar em tempo, pois vão nos chamar de velhos, mas estamos falando de uma parceria de quase 30 anos...

Woodroe: Ha, ha, sim já faz algum tempo. John é um produtor muito descontraído, eu diria. Ele nos dá muito espaço para construir as coisas e entrar em acordo com ideias como desejamos que elas sejam. Ele mesmo é um guitarrista e músico fantástico guitarrista e músico. Sabe muito sobre acordes, progressões, timing etc. E sempre tem várias ideias para dar quando estamos em um beco sem saída. Adoro trabalhar com ele, com certeza.


Mike Dean
MG: Uma curiosidade pessoal: porque usaram o visual de um velho disco de vinil para a capa de “No Cross No Crown”? Existe uma motivação para isso? Para mim, parece que vocês sentem saudades dos velhos tempos, estou certo?

Woodroe: Estou realmente feliz que o vinil tenha retornado anos mais recentes, e nos dá a chance de termos uma grande pintura na arte dentro e fora. E o som fica ótimo nos discos.


MG: Vocês estão de casa nova agora, então, como estão as coisas estão funcionando com a Nuclear Blast Records? 

Woodroe: Não poderia estar mais feliz com esses caras. Eles fizeram um trabalho incrível até agora, e espero poder fazer mais um disco com eles quando chegar a hora. Sinto que eles entendem a importância de deixar um grupo fazer o que desejar, e ter o tempo necessário para isso.


MG: O CORROSION OF CONFORMITY é um veterano de 36, tão honesto como nos tempos de “Eye for an Eye”. Olhando para o passado, passando pelos anos 90, o que fica de lição para as novas gerações? E o que ainda resta para o C.O.C. conquistar?

Woodroe: Bem, existem bons desafios para as bandas, até mesmo para caras experientes como nós. Fazer música relevante, e permanecendo fiéis a nós mesmo é nossa maior prioridade. E podendo viajar e fazer shows é muito importante.


MG: Lembro-me de uma velha entrevista dos tempos de “Blind”, quando vocês eram politicamente engajados. E parece que o mundo deu errado, com guerras na Síria, os Direitos Humanos sendo desrespeitados por todo mundo... Vi algumas letras de “No Cross No Crown”, e a velha fúria parece estar viva. Atualmente, como enxergam essas coisas?

Reed Mullin (foto: Chris Nicholson)

Woodroe: É verdade que existem tumultos hoje como existiram no passado e existirão no futuro. E digo que falar sobre isso de uma maneira subjetiva é importante para nós. Estes temas que sinto são tocados no disco novo, mas deixando-os abertos à interpretação pessoal de cada ouvinte.


MG: Vocês estão vindo à América do Sul, e mais uma vez virão ao Brasil. Então, quais as memórias da última vez em que vieram aqui? E o que esperam dessa turnê? E o que podemos esperar do C.O.C. desta vez?

Woodrue: A banda está muito feliz por voltar ao Brasil, tentamos ir aí sempre, por isso somos gratos aos promotores por nos ajudar. As pessoas e os fãs são fantásticos, então espero que, se tudo correr bem, nós possamos voltar mais vezes.


MG: Quero agradecer pelo seu tempo e gentileza, e, por favor, deixe sua mensagem para os leitores do Heavy Metal Thunder.

Woodrue: Muito carinho aos fãs die-hard da velha escolar, e um grande “bem vindos” aos novos fãs. Obrigado pelo apoio esses anos todos.


Contatos:

http://www.nuclearblast.com/en/music/band/about/4060293.corrosion-of-conformity.html

Serviços:

12/05 - CORROSION OF CONFORMITY em São Paulo: https://www.facebook.com/events/208328369917713/

13/05 - CORROSION OF CONFORMITY no Rio de Janeiro: https://www.facebook.com/events/2115020578731329/

Veja os vídeos de divulgação de canções de “No Cross No Crown”:



The Luddite:



Cast the First Stone:



Wolf Named Crow:

quinta-feira, 22 de março de 2018

ANGRA - ØMNI



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Light of Transcendence
2. Travelers of Time
3. Black Widow’s Web
4. Insania
5. The Bottom of My Soul
6. War Horns
7. Caveman
8. Magic Mirror
9. Always More
10. ØMNI - Silence Inside
11. ØMNI - Infinite Nothing


Banda:


Fabio Lione - Vocais
Rafael Bittencourt - Guitarras
Marcelo Barbosa - Guitarras
Felipe Andreoli - Baixo
Bruno Valverde - Bateria


Ficha Técnica:

Jens Bogren - Produção, mixagem
Tony Lindgren - Masterização
Daniel Martin Diaz - Capa
Gustavo Sazes - Layout
Alession Lucatti - Teclados
Nei Medeiros - Teclados em “Insania” e “Always More”
Dedé Reis - Percussões em “Travelers in Time”, “Black Widow’s Web”, “War Horns” e “Caveman”
Wellington Sancho - Percussões em “The Bottom of My Soul”, “Magic Mirror”, “Always More”, e “Silence Inside”
Tiago Loei - Percussões em “Insania”     
Francesco Ferrini - Orquestrações
Kiko Loureiro - Guitarra solo em “War Horn”
Sandy - Vocais em “Black Widow’s Web”
Alissa White-Gluz - Vocais em “Black Widow’s Web”
Alírio Netto - Corais
Bruno “Detonator” Sutter - Corais


Contatos:

Site Oficial: http://angra.net
Bandcamp:
Google+:
Assessoria: http://hoffmanobrian.com.br/ (Hoffman & OBrian)

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Existem três bandas no Metal nacional que estão em um patamar que, nos dias de hoje, se tornaram difíceis de serem alcançadas: SEPULTURA, KRISIUN, e obviamente, o ANGRA. E no caso do último, eles vivem tendo que enfrentar renascimentos sucessivos (por conta de mudanças de formação que envolvem membros fundadores e/ou importantes), o que sempre deixa os fãs apreensivos. No caso atual, após a saída de Kiko Loureiro (que se juntou ao MEGADETH), novas instabilidades se criaram na base de fãs. Mas os fãs podem ficar tranquilos: “ØMNI”, que é disco mais recente do quinteto, e que foi lançado no Brasil pela Shinigami Records, é excelente.

No lugar de Kiko está Marcelo Barbosa, conhecido pelo trabalho com o ALMAH. O estilo da banda, aquele Power/Prog Metal melodioso, técnico e com boa noção de virtuose, além de toques de ritmos regionais (como podem ser percebidos na condução rítmica de “Travelers in Time”), continua intacto, embora não tão voltado a algo tão denso e introspectivo como “Secret Garden”. O quinteto volta a ter um clima mais positivo, pois o aspecto técnico deu um pouco mais de ênfase ao seu lado Prog, com passagens etéreas dignas de bandas de Rock Progressivo. Além disso, as linhas melódicas estão bem pegajosas, capazes de nos envolver com facilidade.

“ØMNI” nos mostra uma produção de alto nível, já que Jens Bogren (o mesmo que já trabalhou com ORPHANED LAND, MOONSPELL, AMON AMARTH, SEPULTURA e outros) assina o álbum, e ele deixou qualidade de som cristalina e pesada nas medidas certas, e assim, as linhas melódicas da banda ficaram bem evidentes. A escolha de timbres foi ótima, pois assim a música do grupo ganhou peso, mas mantendo a definição ao ponto de todos os arranjos ficarem evidentes. E a arte da capa ficou muito bem feita, antenada com a proposta musical da banda.

O quinteto mostra amadurecimento no disco novo, já que ousou mostrar alguns elementos musicais que, muitas vezes, fogem do universo do Heavy Metal, como o uso de contrastes vocais em “Black Widow’s Web” (onde Alissa White-Gluz, do ARCH ENEMY e a cantora Pop Sandy aparecem como convidadas), as belas orquestrações, e tudo o mais. Além disso, verdade seja dita: a banda vive um momento criativo e tanto.

“ØMNI” é um disco precioso, com 11 canções excelentes. E se destacam o murro Power/Prog Metal pesado de “Light of Transcendence” (que arranjos de guitarras, especialmente os duetos), os experimentalismos percussivos no início de “Travelers of Time” (um dos melhores momentos de baixo e bateria do disco inteiro), a polêmica e provocadora de mimimis chatos “Black Widow’s Web” (os vocais suaves se contrastam bem com os guturais e a voz grandiosa de Fabio, sem falar nas variações entre partes agressivas e outras mais amenas), o peso grandioso e adornado de lindos corais e orquestrações de “Insania”, a mistura de elementos regionais brasileiros e linhas melódicas carregadas de emoção na linda “The Bottom of My Soul” (uma aula de interpretação dos vocais, que com uma versatilidade de timbres excelente), a pegada Prog/Jazz de “Magic Mirror”, o jeitão melodioso quase Pop de “Always More” (que arranjos emocionantes e ternos), a diversidade pesada e melodiosa de “Silence Inside”, e a orquestral “Infinite Nothing”.

Um comentário extra sobre “Black Widow’s Web”: os fãs mais radicais não aceitam misturas, e muitos ficaram enchendo a paciência alheia sem nem entender a canção direito. MAS:

1. O Heavy Metal e suas vertentes são filhos diretos do Rock, que por si só, é fruto de uma mistura imensa de estilos musicais (inclusive Gospel norte-americano). Isso é fato, logo, seu choro radicalóide e puritano é uma contradição grosseira;

2. Tal puritanismo levou o Metal no Brasil à bancarrota financeira, com pessoas se recusando a irem a points e shows onde acabam se aborrecendo, e não aproveitando um bom momento, já que gente chata assim se recusa a manter a ignorância guardada dentro de si. Gostar ou não de uma banda, música, disco é direito de todos, mas encher a paciência não, especialmente quando sua opinião não é solicitada. Respeito é bom e todos gostam;

3. Atitudes como esta do ANGRA chamam a atenção de muitos possíveis novos fãs para o gênero, tanto que a canção foi muito bem sucedida no Spotify, um sucesso como há anos o Metal não experimenta. Isso potencializa o alcance de um estilo musical já tão combalido por palhaçadas que os fãs de Metal adoram fazer (que parecem adora dar uma de radicais e serem vistos como pessoas ridículas por tantos outros).

No mais, “ØMNI”  é o melhor disco do ANGRA em muitos anos, e os coloca de novo como uma das forças motrizes do Metal brasileiro.


Nota: 100%