sexta-feira, 22 de junho de 2018

IMAGO MORTIS - L.S.D.


Ano: 2018
Tipo: CD
Nacional


Tracklist:

1. The LSD Theorem
2. Binary Viscerae
3. Hieros Gamos
4. Incantation
5. The Promise
6. Two Headed Chimaera
7. A Farewell Kiss
8. Black Widow
9. Alone
10. Exile
11. Epitáfio de Um Amor
12. Love Sex and Death (Theme)


Banda:


Alex Voorhees - Vocais
Daemon Ross - Guitarras
Rafael Rassan - Guitarras
Charles Soulz - Teclados
Paulo Ricardo Silva - Baixo, baixo fretless
André Delacroix - Bateria


Ficha Técnica:

Alex Voorhees - Produção, mixagem
Michel Marcos - Masterização
Julia Crystal - Vocais em “The Promise”
Mari  Elbereth  Figueiredo - Vocais em “Two Headed Chimaera”
Thiago Connall - Darbuka, Bodhrán em “The LSD Theorem” e “Hireos Gamos”
Alcides Burn - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
  
Texto: Marcos Garcia


O que poderíamos, em um cenário musical em que a inovação é quase que um pecado mortal (tendo em vista o número absurdo de bandas retrô que surgem todos os dias), definir como uma banda que se diferencia?

Em uma aproximação de caráter subjetivo, poderíamos dizer que uma banda desse tipo é aquela que transcende os rótulos, aglutinando influências musicais diversificadas, e que assim é capaz de recriar-se conforme o tempo passa, e se colocar acima daquelas que apenas repetem fórmulas musicais já erodidas. A criatividade não se faz em cima de clichês musicais exauridos, mas em algo que tenha frescor, que vem da alma do músico e nos dá aquela sensação de novidade. E isso é algo para os que sabem ousar, aqueles que não têm medo de reações adversas e narizes torcidos. Dessa maneira, chegamos à conclusão que o sexteto carioca IMAGO MORTIS é um gigante em termos de ser criativo, e comprovando isso, eis que após 12 anos de espera, eles acabam de soltar “L.S.D.”, seu mais novo trabalho.

Mais uma vez, o grupo usa de um conceito único em suas letras: a sigla L.S.D. significa “Love, Sex and Death”, uma alusão às substâncias químicas que provocam a “paixão”. Na realidade, o romantismo aqui é tratado de uma forma totalmente poética e subjetiva, embora adornada com pensamentos que rementem à filosofia de Platão, Schopenhauer, e Nietzsche, bem como estudos da antropóloga Helen E. Fisher, algo do tantrismo, e mesmo reflexões pessoais sobre o amor, a morte, a vida em si, e como a espiral formada por esses três elementos nos envolve cotidianamente. Realmente algo bem papo-cabeça.

Só que estamos falando de música, e isso, o IMAGO MORTIS sempre tem o que mostrar. Definir o trabalho deles como Doom Metal é ser displicente, já que são tantos elementos aglutinados que remetem à New Age, Bossa Nova, Jazz, ao Rock Progressivo, juntamente com influências de Metal moderno, estilos extremos de Metal e tantos outros que fica difícil tentar pôr um rótulo único. Se podemos aferir algo nesse sentido, temos aqui uma abordagem eclética e moderna de Doom Metal. Por isso, a melhor coisa a fazer para começar a compreender o que “L.S.D.” musicalmente é fugir de qualquer tipo de limitação. Digamos que o impacto criativo desse álbum é tão grande como o que conhecemos de “Vida - The Play of Change”, e que ora soa vigoroso, forte e pesado, ora mais denso, melancólico e introspectivo. É uma autêntica viagem, e meus caros: que disco!

Sim, “L.S.D.” é formidável, um desafio que merece ser encarado de peito aberto.

A produção é do Alex Voorhees, e o trabalho que ele teve não foi simples, pois a sonoridade de “L.S.D.” é digna de muitos discos gringos, com tudo soando audível, sem que detalhe algum fique escondido de nossos ouvidos, mas com energia e muito peso. A timbragem dos instrumentos contribuiu bastante já que ela soa cristalina nos momentos mais suaves; e pesada quando o grupo cai para o lado mais agressivo de sua personalidade. Tudo feito com esmero e cuidado para que o grupo posso ser compreendido em sua totalidade (o que não é simples).

A arte gráfica, muito bem trabalhada, é do veterano artista Alcides Burn, que mostra inspiração e segue a ideia do conceito à risca. No encarte, tudo muito simples em termos de texturas de fundo, mas sabendo usar os tons escuros de vermelho e preto para prender a atenção do ouvinte.

Se já temos dificuldade de rotular o que IMAGO MORTIS faz, quanto mais o disco vai tocando, mais se percebe que, musicalmente, o álbum está longe de ser simples de ser assimilado. Uma audição apenas não é suficiente para absorver tantos detalhes e ecleticismo, embora também não chegue ao minimalismo soporífero de muitos (Não tem nada a ver com técnica musical exacerbada, mas com riqueza de arranjos). Longe disso, as canções de “L.S.D.” prendem completamente nossa atenção, graças a belas linhas melódicas que se distribuem por todas as canções do álbum, e a harmonias bem construídas.

Com mais de 13 minutos de duração, a gigantesca “The LSD Theorem” abre o disco, com muitas partes percussivas e com belas cordas (quase um ritual hindu tântrico) que chega mostra uma canção rica em andamentos e com belíssimas mudanças de timbres vocais (as partes interpretativas são belíssimas). Misturando teclados jazzístiscos com partes brutais e outras mais técnicas, bumbos velozes e alguns tempos quebrados, temos “Binary Viscerae”, onde muita influência de estilos mais modernos de Metal extremo dão as caras. Os mesmos elementos podem ser ouvidos em “Hieros Gamos”, embora seja um pouco mais simples e focada na agressividade (e onde baixo e bateria se destacam em uma base rítmica sólida). Mais introspectiva e bela, “Incantation” possui belos duetos de guitarras, além de pianos bem encaixados. Também bem sensível e cheia de melodias caprichadas é “The Promise”, onde temos a participação especial de Julia Crystal, cantora de New Age que empresta seu talento para criar lindos duetos vocais. “Two Headed Chimaera” rebusca o contraste de partes melodiosas e pesadas com momentos brutais, e outra onde temos excelentes duetos vocais, dessa vez com a presença de Mari Elbereth Figueiredo (ex-vocalista do MELYRA, e atual CHRONICODE). Em “A Farewell Kiss”, surgem aquelas linhas mais etéreas e pesadas comuns às bandas de Doom Gothic Metal, mas logo o peso dos andamentos mais lentos do Doom Metal se impõe, mas sempre adornados com guitarras fantásticas e teclados bem encaixados. Curta e beirando o Thrash Metal, “Black Widow” é outra canção marcada por uma simplicidade técnica mais evidente, mas que é genial (e mais uma vez, o peso criado por baixo e bateria é de primeira). A longa e densa “Alone” tem um enfoque belo e introspectivo, e aquele leve toque de melancolia dado pelos teclados que é uma das marcas registradas do sexteto (e que solos de guitarra). “Exile” é curtinha, uma instrumental de pianos e teclados que antecede “Epitáfio de Um Amor”, declamada em português, é um poema quase filosófico permeado por orquestrações e alguns arranjos de guitarras providenciais, mas sem quebrar o clima soturno. E “Love Sex and Death (Theme)” alterna partes mais melancólicas e intimistas (onde o baixo debulha na técnica) com outros mais grandiosos, onde teclados preenchem os espaços e a bateria mostra-se muito pesada (e nas partes agressivas, com vocais gritados, as guitarras tecem belas linhas melódicas).

Desta forma, a nova encarnação do IMAGO MORTIS se mostra vigorosa e criativa como as anteriores. Logo, “L.S.D.” é um dos grandes discos do ano de 2018, logo, merece estar na coleção de qualquer fã de Metal que se preze. E conforme for sendo assimilado pelos fãs, é um candidato a seguir os passos de “Vida - The Play of Change”: se tornar um clássico do Metal nacional.

Nota: 100%

terça-feira, 19 de junho de 2018

MARDUK - Viktoria


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Werewolf
2. June 44
3. Equestrian Bloodlust
4. Tiger I
5. Narva
6. The Last Fallen
7. Viktoria
8. The Devil’s Song
9. Silent Night


Banda:


Mortuus - Vocais
Morgan - Guitarras
Devo - Baixo
Widigs - Bateria


Ficha Técnica:

Marduk - Produção, mixagem, masterização
Mortuus - Capa


Contatos:

Site Oficial: http://www.marduk.nu/
Assessoria:
E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Existem momentos na carreira de uma banda em que mudanças ocorrem, justamente para mostrar o amadurecimento dos seus integrantes. Esta é uma força que não pode ser contida, logo, o melhor é que se abrace e deixe que ele (o amadurecimento) faça sua parte. E sendo guiado por sua identidade forjada a ferro e fogo, mas com a evolução a seu lado, o quarteto sueco MARDUK chega com mais um assalto musical, seu décimo quarto disco de estúdio, “Viktoria”.

Musicalmente, “Viktoria” nos mostra o quarteto explorando elementos musicais de seu passado, da época de discos como “Opus Nocturne” e “Heaven Shall Burn... When We Are Gathered”, ou seja, aquela agressividade intensa e brutal de sempre, mas com alguns momentos não tão velozes e extremos como de costume (“Werewolf” é um ótimo exemplo disso). Mas óbvio que ataques com velocidades estonteantes estão presentes, além de músicas bem cadenciadas e opressivas. E não, o MARDUK não mudou seu “insight” lírico, continua explorando temas satânicos e históricos que causam desespero nos SJW e adeptos do politicamente correto (embora não haja nada errado com esse tipo de letra). Mas é preciso dizer que a experiência do grupo continua dando aquela diferenciada entre o grupo e muitos outros. O quarteto possui identidade, e ponto final.

Sim, “Viktoria” é mais uma gema preciosa na discografia da banda.

Gravado mais uma vez nos Endarker Studios, tendo os próprios integrantes cuidando da produção, mixagem, masterização e engenharia sonora, este disco tem uma produção mais bem cuidada que muitos fãs mais extremistas gostariam, mas a sonoridade mais bem delineada permite que o quarteto se expresse muito melhor musicalmente. Tudo está claro aos ouvidos, com timbres ótimos, mas bem pesado, e com a agressividade e energia fluindo pelos falantes.

Já em termos de arte gráfica, a capa é uma das mais simples que a banda já teve, se não for a mais simples. Mas é essa a ideia: usando uma imagem mais direta (que foi trabalhada por Mortuus), inspirada pelos pôsteres da Reichspropagandaleitung de do Office of War Information, ela fixa em nossa memória quase que instantaneamente.

E pode-se aferir que “Viktoria” é um disco maduro. Vemos que Mortuus está cantando de maneira formidável, usando muito bem de todos os timbres de voz que possui (indo de tons rasgados a outros mais urrados sem problemas), bem como a massa rítmica criada por Devo (baixo) e Widigs (bateria) é sólida e técnica, guiando bem os tempos da banda. E Morgan continua sendo um dos melhores guitarristas de Black Metal de todos os tempos, um mestre com riffs excelentes e que são de fácil assimilação. Aliado ao talento de cada um de seus membros, existe a inspiração em termos musicais, sendo arranjar as canções de maneira sóbria (e nenhuma delas ultrapassa muito dos 4 minutos de duração), mas sempre criativa e de bom gosto.

As sirenes de ataque aéreo dão início à sinistra “Werewolf”, uma canção brutal, mas onde a velocidade não é exacerbada, com um trabalho instrumental simples, além de ótimos vocais. Já mais veloz e na pegada tradicional do grupo, temos “June 44”, os vocais alternam bastante de timbres, seguindo as mudanças de andamento (que destacam o ótimo trabalho de baixo e bateria). Em “Equestrian Bloodlust”, outra com um jeito mais tradicional da banda em termos de velocidade, onde as guitarras reinam supremas em seus riffs certeiros. Mais cadenciada e densa é “Tiger I”, com uma energia opressiva e cativante, e uma aula de interpretação dos vocais. Rapidez e impacto é o que temos em “Narva”, outra aula de riffs e arranjos fenomenais em termos de guitarras. “The Last Fallen” mostra alternância entre partes mais lentas, outras mais tradicionais em termos de Black Metal (aquelas em que as guitarras criam uma atmosfera muito soturna), e outras muito rápidas, e percebe-se ótimo trabalho de bateria, especialmente nos dois bumbos. O baixo pulsa bem evidente em muitos momentos de “Viktoria”, especialmente nas partes mais cadenciadas, outra canção impactante e que funcionará bem ao vivo. Outra que fará a alegria nas apresentações ao vivo é “The Devil’s Song”, veloz, direta e seca, mas mostrando ótimos arranjos de guitarras. E fechando, temos a sinistra e lenta “Silent Night”, que vem para triturar os ossos, mais uma vez com os vocais fazendo um trabalho ótimo, com timbres muito bons.

“Viktoria” mostra como a máquina de guerra Black Metal chamada MARDUK está azeitada e pronta para tomar de assalto o mundo inteiro. E assim, vai preparando os fãs para a “March of Blood and Iron Tour”, a próxima turnê deles na América do Sul em setembro e outubro próximos. Até lá, ouçam mais e mais esse disco, onde o grupo mais uma vez para estar entre os grandes destaques do ano.

Nota: 100%


segunda-feira, 18 de junho de 2018

THE DEAD DAISIES - Burn It Down


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Resurrected
2. Rise Up
3. Burn It Down
4. Judgement Day
5. What Goes Around
6. Bitch
7. Set Me Free
8. Dead and Gone
9. Can’t Take It with You
10. Leave Me Alone
11. Revolution (cover do THE BEATLES)


Banda:


John Corabi - Vocais
David Lowy - Guitarra base
Doug Aldrich - Guitarra solo
Marco Mendoza - Baixo
Deen Castronovo - Bateria


Ficha Técnica:

Marti Frederiksen - Produção
Anthony Focx - Mixagem
Howie Weinberg - Masterização
Sebastian Ronde - Arte da capa, design, artwork


Contatos:

Assessoria:

E-mail: tdd@mrange.de

Texto: Marcos Garcia


Quando se falar em Classic Rock (ou Hard Rock), poucas bandas jovens podem dizer que têm o estilo no sangue. Esse estilo requer profundo conhecimento de causa, e nisso, verdade seja dita: o quinteto THE DEAD DAISIES é imbatível. E o novo disco da banda, “Burn It Down”, vem para comprovar isso. Ainda bem que a Shinigami Records lançou mais esta joia do grupo por aqui.

O quarto trabalho de estúdio da banda tem uma novidade: nas baquetas está o lendário Deen Castronovo, conhecido músico que já passou pelo JOURNEY e pelo BAD ENGLISH. E musicalmente, a banda continua destilando aquele Hard Rock vigoroso e sujo, cheio de ótimas melodias de simples assimilação, refrãos muito bem construídos (bateu no ouvido, gamou, simples assim), e uma musicalidade que embora não prime pela técnica, é ótima. A única coisa que soa diferente aos seus discos anteriores é que o grupo parece ainda mais coeso, e sabendo usar muito bem o talento individual de cada um de seus músicos.

Em termos de sonoridade, o grupo mais uma vez soube manter os elementos de sua música exclusivamente nos instrumentos, usando uma gravação clara e que consegue captar o feeling de suas músicas. Óbvio que está denso e pesado, mas muito bem definida em termos de instrumentos. Nada soa excessivamente sujo ou excessivamente polido, tudo na medida certa. Além disso, a arte gráfica da banda, como sempre, pega os elementos visuais mais clássicos do gênero e cria algo que é a cara do quinteto: despojado e livre de concepções comerciais.

O THE DEAD DAISIES é algo arrasador quando se ouve, pois a espontaneidade de suas canções é evidente, algo descompromissado. E justamente por ter todo esse carrego setentista, livre de grandes ideias revolucionárias, que é apaixonante. Esse Hard Rock clássico, preenchido de influências bluesy (muito graças aos vocais de John), ganha uma roupagem nova, e soa com vida e energia sempre.

Não, não tem como destacar uma música ou outra como “as melhores”. O grupo parece ser capaz de gerar músicas excelentes de forma infinita!

As belas melodias setentistas de “Resurrected” (reparem nos solos carregados de “wah-wah” e puro feeling), o peso selvagem e ritmo denso de “Rise Up” (como a base rítmica está pesada, e com boa técnica em termos de baixo e bateria, e que refrão maravilhoso), o jeitão bluesy à lá Mississipi de algumas partes de “Burn It Down” (até hoje, nunca entendi como o MOTLEY CRUE não ficou com John, pois como a voz dele é cheia de nuances fenomenais), o feeling intimista sedutor que se alterna com momentos agressivos em “Judgement Day” (uma aula de espontaneidade, com riffs e solos são fantásticos), a psicodelia pesada e opressiva dos tempos de “What Goes Around”, o ritmo quase tribal e de simplicidade técnica de “Bitch”, as passagens mais carregadas de melancolia bluesy “noir” de “Set Me Free” (sim, eles sabem usar muito bem esse recurso, e temos uma balada linda, bem construída e cheia de melodias de primeira, com os vocais dando um sabor especial à canção), a fogosa e com aquele jeitão AC/DC “Dead and Gone” (ou seja, uma energia sem tamanho criada por uma música simples), o murro Hard Rock à lá LED ZEPPELIN de “Can’t Take It With You”, e a destruidora de tímpanos “Leave Me Alone” (um hardão colossal, com uma energia absurdamente empolgante, apoiado em uma base rítmica pesada, guitarras densa e vocais de primeira). E, além disso, a versão nacional ainda nos trás o Hard ‘n’ Roll grudento que o quinteto fez de “Revolution”, canção do THE BEATLES.

Do jeito que o THE DEAD DAISIES é, vai ser mais fácil a banda acabar do eu lançarem um disco ruim, então aproveitem “Burn It Down”, ouvindo no volume máximo!

Nota: 100%


LETHAL STORM - Manipulated Mind


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Manipulated Mind
2. As Another Day Begins
3. Where’s the Respect
4. Psychopath
5. Chemical Slave
6. Mass Annihilation
7. Disorder
8. Violence
9. Corruptos
10. Blood Storm
11. Words of Mankind


Banda:


Douglas Mota - Vocais
Diego Mota - Guitarras
Cleber Zeferino - Guitarras
Haroldo Sanchez - Baixo
Fabio Luiz - Bateria


Ficha Técnica:

Lethal Storm - Produção
Guilherme Malosso - Produção, mixagem, masterização
Jean Michel (Designations Artwork) - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
  
Texto: Marcos Garcia


A agressividade musical é, basicamente, o componente mais forte do DNA do Metal brasileiro. O percentual de bandas que transitam pelos estilos mais extremos de Metal por aqui não é pequeno, deve ser de aproximadamente 70-75% do total. Mas o interessante é que muitos preferem fazer a coisa a seu modo que apelar a modelos já bem determinados em termos musicais. E o quinteto LETHAL STORM, de Campinas (SP) segue este rumo, como seu primeiro álbum, “Manipulated Minds”, deixa bem claro.

Podemos dizer que eles seguem uma via mais tradicional de Death metal, tendo por base bandas como SUFFOCATION e DEICIDE, mas incorporando à sua música grandes e claras doses de Thrash Metal moderno, o que lhes afere um toque técnico e fluido muito bom. Só que estas palavras de forma alguma despem o trabalho deles de identidade ou valor. Pelo contrário: o grupo prefere fazer sua música com o coração, escrevendo suas harmonias em uma visão bem pessoal. É agressivo, pesado, mas bem tocado, e bem feito. Ah, sobre a energia, não se preocupem: é de dar dores no pescoço de tanto que incita o “headbanging”.

Preparem-se, pois “Manipulated Minds” é uma bicuda de coturno nos ouvidos!

Sonoramente, o grupo conseguiu um bom nível, com uma escolha muito boa para os timbres instrumentais (algo mais seco e definido), fazendo com que a agressividade atinja níveis absurdos. Mas ao mesmo tempo, as canções soam pesadas e claras, permitindo que tenhamos acesso ao melhor de sua música. E isso sem mencionarmos que a arte gráfica de capa e encarte reforça o clima denso e bruto de suas canções.

Bruto e cheio de energia, mas ao mesmo tempo grudento e envolvente, o trabalho do LETHAL STORM chega em boa hora, deixando claro que se pode fazer algo de ótimo nível nas condições adversas de nosso país. Além disso, o quinteto soube arranjar muito bem suas composições, evitando assim que suas músicas soem repetitivas. E a influência Thrasher nos leva a ficarmos envolvidos por estas 11 canções bem feitas.

Destaques: o açoite de brutalidade infligido por “Manipulated Mind” (ótimo trabalho técnico de baixo e bateria, com boas mudanças de ritmo), a tempestade de peso e riffs de guitarra insanos que se ouve em “As Another Day Begins” (essa dupla de guitarras promete coisas boas para o futuro, e sem mencionar os vocais mais guturais bem encaixados), o ritmo mais lento e denso de “Psychopath” (outra em que as guitarras fazem bonito, especialmente pelos riffs cortantes e solos doentios à lá King/Hanneman), o soco nos dentes feroz e rápido chamado “Chemical Slave” (baixo e bateria mostrando força mais uma vez), a brutalidade opressiva de “Disorder”, a opressão imposta pelos ritmos alternantes de “Violence” (os vocais estão ótimos, como no disco todo), e a empolgação Death/Thrash Metal de “Words of Mankind” (algumas melodias muito boas surgem na canção, evidenciando que eles têm muito a oferecer). Garantia de surdez absoluta e aporrinhação aos vizinhos churrasqueiros de fim de semana!

O LETHAL STORM chega bem com “Manipulated Mind”, mostra que tem talento e potencial para ser um nome forte do cenário nacional. Quem viver, verá.

Ponho fé!

Nota: 84%


UGANGA - Manifesto Cerrado


Ano: 2018
Tipo: DVD (Documentário/Ao vivo)
Nacional


Tracklist:

1. Documentário

Show:

2. Sua Lei, Minha Lei
3. O Campo
4. Nas Entranhas do Sol
5. Couro Cru
6. Opressor
7. Moleque de Pedra
8. Modus Vivendi
9. Who Are the True (VULCANO cover)
10. Aos Pés da Grande Árvore
11. Noite


Banda:


Manu “Joker” - Vocais
Christian Franco - Guitarras
Thiago Soraggi - Guitarras
Maurício “Murcego” Pergentino - Guitarras
Raphael “Ras” Franco - Baixo, vocais
Marco Henriques - Bateria, vocais


Ficha Técnica:

Vouglas Eremita - DJ em “Couro Cru”
Juarez “Tibanha” Távora - Vocais em “Moleque de Pedra”
Mestre Mustafá - Percussão em “Noite”
Tatiane Ribeiro - Percussão em “Noite”
Lílian Salgado - Percussão em “Noite”


Contatos:

E-mail: 

Texto: Marcos Garcia


Fazer Metal ou qualquer estilo de Rock no Brasil sem apoio de público ou da grande mídia é um ato de coragem. Sim, de muita coragem, de resistência e vontade de ferro, pois em um país de terceiro mundo, onde o aspecto financeiro pouco ajuda (e até mesmo atrapalha), tudo é mais difícil, mesmo as iniciativas seminais. Mas para os raçudos como o pessoal do UGANGA, isso parece ser algo motivador. E “Manifesto Cerrado”, DVD que celebra os 20 anos da banda, é uma mostra disso.

Óbvio que falar do Thrashcore/Crossover eclético do grupo é desnecessário. É denso, sujo e com cheiro de becos, mas cheio de influências de dos mais variados estilos de Metal, e mesmo algumas coisas de fora. Por isso cai bem, pois pouco tem com bandas que rebuscam uma sonoridade mais anos 80, e pouco com as bandas Hardcore mais jovens e melodiosas.

Antes de tudo, é preciso esclarecer que o DVD é composto de duas partes:

1. Documentário: onde os 20 anos da banda são contatos;
2. Show ao vivo: uma apresentação especial do grupo em uma antiga estação de trem, o espaço Stevenson, em Araguari (MG).

Primeiramente, falemos do documentário.

Em 20 anos de atividade, muita coisa acontece. E o interessante é que existe documentação em vídeo, com takes de participação em programas na MTV (um deles, com o vocalista Manu ainda na bateria), cenas de shows antigos (inclusive um onde levaram um cover para “Tearing” do ROLLINGS BAND), filmagens da gravação do primeiro disco, entre outras, inclusive gravações de quando a banda ainda se chamava GANGA ZUMBA, entre outros.

Mas um dos momentos mais legais é mesmo quando a banda é exibida durante as gravações de “Opressor” (último disco de estúdio do grupo), onde o produtor Gustavo Vazquez fala de sua visão sobre o disco (inclusive a pré-produção, pois temos takes de Gustavo na troca da caixa de bateria, para ilustrar essa parte do processo de criação do disco). Ainda encontramos Arthur do VULCANO comentando o cover para “Who Are the True”, Murillo do GENOCÍDIO falando da participação de Manu em “I Deny” (do CD “In Love With Hatred”) e de sua participação no solo de “Who Are the True”, Juarez do SCOURGE aparece gravando sua participação em “Opressor”, de Ralf Klein (do MACBETH)... É muita coisa, tanto que boa parte do documentário é focado nas gravações e estresses ocorridos nesse período.

Nos takes da passagem do quinteto pela Europa, há momentos hilários de pura descontração que contrastam com a energia crua do quinteto em suas apresentações. Os comentários da galera do TERRORDOME ilustram bem isso. Há ainda depoimentos de Eliton Tomasi (manager e assessor de imprensa da banda), falando de como estava sendo o contato da banda com o Velho Continente.

Já na volta ao Brasil, temos um pedaço da entrevista de Manu no programa “Pegadas de Andreas Kisser”, cenas do casamento de Thiago (o pessoal mais true não vai comprar esse DVD por isso). Mas há também os comentários sobre as contusões dos integrantes na época (todo mundo teve uma), e outros problemas eternos que realmente levaram os integrantes a outro nível de estresse que realmente quase levou o grupo a seu fim.

Mas pelo visto, isso foi só para fortalecer o grupo. As dúvidas que a banda tinha foram levadas diretamente do documentário para o show.

Nisso, podemos falar sobre a apresentação ao vivo.

Na época, o processo de pré-produção desgastou a banda, e os problemas de saúde, pessoais, familiares e outros que são narrados no documentário realmente os colocaram em um momento de “ou dá ou desce”, ou seja, de questionamento se valia a pena continuar a banda ou pararem por ali. A cereja do bolo é o afastamento de um ano de Christian por conta da saúde.

No depoimento escrito que antecede o show, se percebe a intensidade do que eles passaram, tanto que apresentação é bem diferente, com a banda tocando em círculo, ou seja, os integrantes olhavam apenas uns para os outros. Além disso, a apresentação só teve familiares, amigos, parceiros, equipe. Traduzindo: somente pessoas próximas estiveram presentes nessa apresentação.

No repertório, pancadas retas e diretas que remetem a todos os discos do grupo, em um setlist bem variado. Percebe-se que realmente há uma energia densa, quase que palpável, cercando o quinteto. E essa energia se distribuiu bastante por todas as canções, resultando em versões arrasadoras para “Sua Lei, Minha Lei” (caos total, energia positiva fluindo aos montes), “Nas Entranhas do Sol” (uma canção mais densa, pesada e azeda, cm clara influência do BLACK SABBATH em muitas partes), “Couro Cru” (uma versão mais atual desse Hardcore bruto e direto, com a presença de “scratchs” de DJ Eremita), a agressividade rasgada de “Moleque de Pedra” (onde Juarez do SCOURGE faz uma participação, mesmo acidentado, mostrando o que é a fraternidade de quem é da “Old School” aos mais jovens), a mais cadenciada “Modus Vivendi”, a insanidade caótica da versão para “Who Are the True” do VULCANO (a participação de Maurício “Murcego” Pergentino acrescentou ainda mais peso e um toque de Rock ‘n’ Roll às guitarras), e “Aos Pés da Grande Árvore” (outra pancada). Encerrando, com um toque tribal/mulato à apresentação, os atabaques de Mestre Mustafá, Tatiane Ribeiro e Lílian Salgado em “Noite” (um encerramento meramente percussivo que serve para evocar o significado do nome UGANGA). E através dessa energia que fluiu da música durante todo o show realizou um exorcismo e revitalizou o quinteto, que já está pronto para novos desafios.

O trabalho da edição e captação de vídeo de Eric Shunway, mais a captação, mixagem e masterização de Gustavo Vazquez valorizaram muito “Manifesto Cerrado”, pois tanto em termos de imagem quanto de som não há o que reclamar. Alías, diga-se de passagem: pela que se vê e ouve no show, o som do UGANGA é bem orgânico, longe da busca da perfeição em estúdio. O som é o que eles tocam ao vivo, pura e simplesmente.

O lado gráfico ficou ótimo, pois além da capa muito boa criada por Marco Henriques (baterista do grupo e irmão de Manu), mas o encarte é muito legal, recheado daquelas colagens de fotos tão comuns dos anos 80, e que são bem pouco utilizadas nos dias de hoje.

Encerrando: “Manifesto Cerrado” mostra que a família UGANGA está mais unida que nunca, e que está afiada para novos compromissos sonoros. E em uma boa iniciativa do Poder Público, o DVD foi  financiado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PMIC) de Araguari (MG), sendo que o documentário foi exibido no Museu da Imagem e do Som (MIS) / Cine Santa Tereza, no mês de Junho de 2017 como parte da programação oficial do projeto “Mostra Minas no Metal”, evento que foi paralelo ao festival “Monster Of Metal”. 

Ah, sim: tanto o documentário quanto o show foram disponibilizados pela banda no Youtube, visando democratizar ao máximo o acesso das pessoas ao lançamento. Mas merece muito a aquisição da versão física.

Ah, sim 2: este autor se permitiu abordar o documentário antes do show por mera conveniência.

Nota: 96%


LYRIA - Immersion


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Follow the Music
2. Get What You Want
3. Let Me Be Me
4. The Rain
5. Give You Just a Minute
6. Best of Me
7. Last Forever
8. Hard to Believe
9. Something is Rotten
10. Ashes of My Fears
11. Run to You


Banda:


Aline Happ - Vocais
Rod Wolf - Guitarras
Thiago Zig - Baixo, vocais adicionais em “Get What You Want”, “Let Me Be Me”, e “Ashes of My Fears”


Ficha Técnica:

Marcelo Oliveira - Gravação, produção, mixagem, masterização, arranjos das orquestrações e corais, guitarras adicionais em “Last Forever”, violão em “Run to You”, programação de bateria, orquestrações
Aline Happ - Design do encarte, fotografia (contracapa)
Patrick Happ - Fotografia (capa)
Roberta Guido - Fotografia


Contatos:

Assessoria: http://orbecomunicacao.com/ (OrBe Comunicação)

Texto: Marcos Garcia


O Rio de Janeiro, embora cm um cenário distante do que já foi um dia em termos de público, ainda é um celeiro relevante para o Metal nacional, com ótimas bandas surgindo todos os dias, e com as antigas mostrando evolução constante. E um nome que realmente evoluiu muito é o do LYRIA, grupo carioca de Symphonic Metal. Se o primeiro disco, “Catharsis”, dava sinais que um talento estava surgindo na terra do Sol escaldante e praias, em “Immersion”, recém-lançado segundo álbum deles, isso fica ainda mais nítido.

Basicamente, a palavra que se poder aferir ao grupo nesse segundo trabalho é “profissionalismo”.

Em tudo, “Immersion” transpira que cada aspecto do trabalho musical deles foi talhado tendo em mente o profissionalismo de seus integrantes, sem que se perca a espontaneidade. E podemos dizer que o grupo trouxe para suas linhas melódicas os timbres instrumentais pesados e agressivos do Metal moderno, que não descaracterizaram sua canção, mas lhe deu maturidade. Sem querer fazer comparações (o que não seria justo com o grupo), este segundo disco vai nos trazer à mente a formulação que o NIGHTWISH usou em “Century Child” e “Once”, ou seja, melodias sinfônicas pesadas com a agressividade moderna da época. E isso dá à música deles uma energia imensa, sem que a elegância seja perdida, e continua sendo algo extremamente sedutor aos ouvidos.

Direto e reto: “Immersion” é um passo adiante na carreira do grupo.

A produção realmente caprichou em tudo. Tudo se ouve e se entende em “Immersion” sem problemas ou maiores esforços, sem falar que a escolha de timbres instrumentais ficou excelente. É uma sonoridade pesada e densa, mas esteticamente clara, que permite as melodias evoluírem e nos envolverem completamente. Além disso, a capa do trabalho ficou caprichada, elegante e muito bem feita, dando a ideia ao ouvinte do que o aguarda ao ouvir o disco.

O fato é que o LYRIA se faz um grupo profissional, que faz um trabalho musical visando ser assim. Não gastam o tempo deles reclamando das vicissitudes do circuito Metal brasileiro, mas focam suas energias criativas na música em si. Por isso, tudo que se ouve nesse álbum tem um toque extra de bom gosto. E sim, como eles souberam arranjar seu trabalho de forma minimalista, mas sem que aquele jeito espontâneo (que é imprescindível) seja obliterado. É Symphonic Metal com um “q” de ecleticismo em termos de Metal, pois existem alguns vocais urrados e momentos influenciados por estilos mais extremos.

O grupo desfila 11 composições muito bem feitas, que merecem ser apreciadas em sua totalidade (o que demanda mais de uma simples audição, embora a música deles não seja difícil de ser assimilada). Mas se destacam a beleza encorpada e densa de “Follow the Music” (belos arranjos de corais, sem mencionar que esses vocais macios e bem postados nos embalam), a pegada mais agressiva e cheia de mudanças rítmicas de “Get What You Want” (os contrastes entre partes mais introspectivas e outras mais pesadas é ótimo, ajudando a perceber que o baixo está muito bem, e se ouvem vocais mais agressivos contrastando com os limpos), o groove intenso e moderno que permeia “Let Me Be Me” (percebam como o grupo realmente investe pesado em termos de elegância, com teclados fazendo um fundo melódico de primeira, sem falar nos solos de guitarra), as belas passagens de teclados e melodias mais simples de “Best of Me” (há certo feeling acessível na canção, e é justamente ele que faz essas melodias agarrarem em nossos ouvidos e não saírem mais), as linhas melódicas e estruturação musical de “Last Forever”, o jeito mais pesado e direto de “Something is Rotten”, e a beleza terna de “Run to You”. Mas o disco inteiro é uma mostra de bom gosto e talento, logo, podem ouvir de ponta a ponta sem medos.

“Immersion” abre um novo caminho para o LYRIA, logo, aproveitem e deixem emergir pela música deles.

O disco já se encontra nas plataformas digitais:

Spotify: https://open.spotify.com/artist/2IeoYHbIvFxDInNLHFt0XQ
iTunes: https://itunes.apple.com/us/artist/lyria/510168369?mt=11

Nota: 91%