sexta-feira, 13 de julho de 2018

FANTASY OPUS - The Last Dream


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Ritual of Blood
2. Heaven Denied
3. Chosen Ones
4. Lust
5. Conquer the Seas
6. Black Angels
7. Every Scar Tells a Story
8. Perfect Storm
9. Oceans
10. Realm of the Mighty Gods
11. King of the Dead


Banda:


Leonel Silva - Vocais
Marcos Carvalho - Guitarra solo
Ruben Reis - Guitarra base
Nilson Santágueda - Baixo
Ricardo Allonzo - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:  
Assessoria:

Texto: M. Garcia


Basicamente, o cenário Metal de Portugal começa a ganhar reconhecimento mundial nos anos 90, com a chegada e lançamento amplo de “Wolfheart” do MOONSPELL. De lá para cá, muitas águas passaram embaixo da ponte, mas a cena lusitana continua a nos oferecer novos nomes de qualidade. Desta vez, temos o quinteto FANTASY OPUS, de Lisboa, que nos mostra seu potencial em “The Last Dream”, segundo disco do quinteto.

A banda trilha os caminhos do Power/Prog Metal, algo na linha de nomes como SYMPHONY X, ou seja, temos uma música bem trabalhada e com bom enfoque na técnica. Mas diferente de tantos, o quinteto cria músicas sólidas e homogêneas, com melodias muito bem pensadas, com bastante enfoque nos refrães (que são dos que se ouve e não mais se esquece), além de passagens com certo acento moderno e alguns toques épicos (por conta dos corais aqui e ali). Além disso, é evidente que as guitarras criam as melodias, já que não há um tecladista fixo no grupo. É uma banda que, mesmo fazendo um estilo que já existe, mostra muita identidade e energia. E sem contar que gruda nos ouvidos.

Traduzindo: os patrícios fazem da audição de “The Last Dream” algo extremamente prazeroso aos sentidos.

Em termos de sonorização, “The Last Dream” é caprichado. O grupo mostra que teve cuidado com sua obra, já que tudo soa claro e pesado nas mesmas proporções, com a escolha dos timbres sendo acertada, em um meio termo entre algo moderno, mas claro, sem graves exacerbados ou gordurosos. Tudo ficou audível, e muito claro. E que capa belíssima, digamos de passagem (parece fazer alusão à coragem portuguesa em desbravar os mares na virada do século XV para o XVI, algo que poucos ousavam). É tão bonita que disponibilizamos o painel inteiro abaixo para todos poderem observar.


Sendo o segundo trabalho do FANTASY OPUS, percebe-se que o grupo usa da experiência para fazer sua música. Há o minimalismo que o estilo deles pede, com arranjos musicais bem esmerados. Mas ao mesmo tempo, é claro que o grupo cultivou seu lado espontâneo, pois como sua música realmente gruda em nossos ouvidos!

Do início ao fim, “The Last Dream” nos encanta, seduz e nos conquista sem muitos esforços. E de suas 11 canções, por mero preciosismo, destacam-se a envolvente “Ritual of Blood” (que belíssimas melodias, vocais e refrão), a beleza pujante de e “Heaven Denied” (outra com um refrão fantástico, fora dar um pouco mais de ênfase ao peso, com ótimos riffs e solos de guitarras), e o peso técnico e intenso de “King of the Dead”

De “Conquer the Seas” até “Realm of the Mighty Gods”, aparentemente temo uma epopéia épica, onde as letras contam uma estória única, por isso, abrimos outro parágrafo para falar nelas.

“Conquer the Seas” é cheia de lindos fraseados de guitarras, dando uma vida épica e elegante à canção. Em “Black Angels” temos uma faixa mais introspectiva e bela, talvez falando das dificuldades da viagem. Peso e modernidade se aliam a uma enorme dose de agressividade em “Every Scar Tells a Story”, cujas melodias nos embalam (e baixo e bateria mostram técnica e peso, conduzindo muito bem os ritmos da canção). A longa e multi-climática “Perfect Storm” é uma autêntica viagem “heavyssíva”, cheia de partes diferentes e que são conectadas umas as outras com perfeição (e cuja interpretação dos vocais é algo realmente impressionante). A curta “Oceans” é uma instrumental que vai preparando o ouvinte para “Realm of the Mighty Gods”, uma canção cheia de energia que entra nos ouvidos e você não se esquece dela por conta das melodias de fácil assimilação. Mesmo que este autor esteja errado sobre o conteúdo lírico, podem apostar: são todas excelentes canções.

O FANTASY OPUS merece aplausos, pois é uma banda e tanto. Logo, ouçam “The Last Dream” bem alto, pois este disco merece.

Nota: 93%

AXECUTER - A Night of Axecution


Ano: 2018
Tipo: CD ao Vivo
Nacional


Tracklist:

1. Intro
2. Attack
3. Raise the Axe
4. Creatures in Disguise
5. The Axecuter
6. No God, No Devil (Worship Metal)
7. Bangers Prevail
8. Missão Metal
9. Creatures in Disguise (Official Video Clip)


Banda:


Danmented - Guitarras, vocais
Rascal - Baixo, backing vocals
Verdani - Bateria


Ficha Técnica:

Maiko Thomé - Mixagem
Danmented - Mixagem
Mano Mutilated - Arte da capa
Tersis Zonato - Design do encarte


Contatos:

Site Oficial:  
Assessoria: http://www.sanguefrioproducoes.com/artistas/AXECUTER/24 (Sangue Frio Produções)

Texto: M. Garcia


Por mais que existam ressalvas ao jeito que a coisa tem sido feita em todo mundo, fazer Metal à moda antiga é algo real, e todos têm que conviver com isso (seja por bem ou por mal). Esse “revival” não é ruim, existem bandas que realmente são muito boas, mas existem aqueles que somente querem refazer o que alguém refez sem pôr nada de si na música. Estes últimos são apenas bandas cover não assumidas, ou trocando em miúdos, plagiadores, clones ou qualquer outra definição para alguém sem personalidade própria. Mas há aqueles que buscam (com a paixão pela velha fórmula de se tocar Metal) colocar algo pessoal na música, e aglutinam valor. Este é o caso do AXECUTER, trio de Curitiba (PR), que após um álbum, alguns Splits e EPs, nos concede seu primeiro disco ao vivo, “A Night of Axecution”.

O trabalho do trio é focado em fazer o que podemos definir como Proto-Thrash Metal europeu da primeira metade dos anos 80, ou seja, aquela sonoridade mais crua de bandas de Thrash Metal da Alemanha (quando o estilo nem era denominado assim). Traduzindo: temos a vibração e energia de bandas como DESTRUCTION, SODOM e KREATOR em sua fase mais inicial, mixada a algo das melodias de nomes da escola canadense como EXCITER. Óbvio que eles possuem um talento bem grande, e que fica evidente nas versões ao vivo de suas canções.

Sim, “A Night of Axecution” é um disco muito bom, justamente porque ao vivo, suas canções soam bem melhor que em estúdio e ganham vida.

A alma do disco repousa na qualidade sonora. Ela ficou muito boa, e a mixagem nos permite entender o que eles estão tocando, sem extrair da banda o clima “live”, o que excessivas edições e “overdubs” acabam causando. Aliás, é justamente pela busca de algo fiel ao que se vê nos shows que ficou tão bom. Honestidade não tem preço.

Na arte gráfica, mais uma vez vemos a paixão pelos anos 80 sendo saciada, pois as imagens foram disponibilizadas como nos antigos discos ao vivo (e em muitos de estúdio) do passado.

Se os discos de estúdio da banda poderiam ter uma sonoridade melhor (não estou dizendo para usarem infinitas edições digitais ou modernizarem seu som, apenas que, mais uma vez, algo como Joel Grind faz no TOXIC HOLOCAUST e em outras bandas do mesmo estilo encaixaria como uma luva no trabalho deles), a crueza em “A Night of Axecution” ficou muito boa, deu uma vida diferente ao trabalho deles. Além disso, se percebe que eles se comunicam bem com o público, e que possuem uma energia ao vivo realmente cativante.


“Attack” e sua ótima, dinâmica entre o instrumental e os vocais, o jeitão mais melodioso e cativante de “Creatures in Disguise” (que não foi escolhida para vídeo de divulgação à toa, pois é ótima), a forte e clássica “The Axecuter” (outra em que a energia vai nas alturas, com um trabalho ótimo de baixo e bateria), o ataque de riffs de primeira de “Bangers Prevail” e a versão deles para “Missão Metal” do FLAGELADÖR (que ganhou uma vida diferente e mais ganchuda que a original) são os destaques. Só gostaria de entender porque fizeram um disco tão curto, pois valia colocarem mais umas 5 canções em “A Night of Axeution”. E isso sem mencionar que ainda temos o vídeo oficial para “Creatures in Disguise” no CD, o que nos permite assistir com mais comodidade e qualidade.

Poderíamos aferir que o AXECUTER é um dos nomes mais fortes dessa vertente no Brasil. Amem, odeiem, ou pensem como desejarem, mas “A Night of Axecution” vem coroar o bom momento que a banda está passando.

Parabéns!

Nota: 88%

IMPERIOUS MALEVOLENCE - Decades of Death


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Perpetuação da Ignorância
2. Ascending Holocaust
3. Ominous Ritual
4. The Hellfire’s Cruelty
5. Nocturnal Confessor
6. Where Demons Dwell
7. Imperious Malevolence
8. No Return
9. Excruciate
10. Arquiteto da Destruição


Banda:


Fernando Grommtt - Baixo, vocais
Danmented - Guitarras, backing vocals
Antonio Death - Bateria


Ficha Técnica:

Alysson Irala - Produção, gravação, mixagem, masterização
Imperious Malevolence - Produção
Anderson L. A. - Artwork


Contatos:

Site Oficial:  

Texto: M. Garcia


Quando se fala em Death Metal nos dias de hoje, a miríade de formas em que o estilo é tocado é tão vasta que, quase sempre, perguntamos sobre qual das vertentes estamos abordando. Mas ainda existem as bandas que focam suas energias no bom e velho Death Metal da virada dos 80 para os 90, aquela forma mais suja e bruta que deu início a tudo que conhecemos do estilo. E um deles é o veterano “power trio” IMPERIOUS MALEVOLENCE, de Curitiba (PR), que nos chega com seu quarto álbum, o recém lançado “Decades of Death”.

São mais de 20 anos de muitas lutas no cenário underground e calos que a experiência lhes deu. Logo, antes que pensem em algo diferente do Death Metal mais raiz possível, é melhor procurarem outro disco. O trio tem raízes profundas no que era praticado no estilo em suas origens, ou seja, um jeito sujo, direto e agressivo de ser, com a brutalidade fluindo em doses homeopáticas pelos falantes (embora alguns teclados surjam para aclimatar o ouvinte em “The Hellfire’s Cruelty”). Só que não se iludam: o IMPERIOUS MALEVOLENCE sempre soa atual, forte e vigoroso, com um jeito próprio de ser e fazer música. E que energia esses sujeitos mostram!

Em termos de sonoridade, “Decades of Death” surpreende por usar de algo mais limpo e bem feito, fugindo um pouco das gravações tão utilizadas por bandas que seguem por este estilo. Mas como souberam lidar com todos os aspectos, a brutalidade musical e distorcida deles não ficou nem um pouco contida. É uma pancadaria desenfreada, e que graças à esta sonoridade bem feita, parece se agigantar. E, além disso, o trio escolheu tons instrumentais mais orgânicos, e assim, fica claro que a força das composições ao vivo não vai diminuir nem um pouco.

Em termos de visual, a arte de capa ficou ótima graças ao uso de contrastes de preto, branco e verde, criando uma ambientação sinistra. E a diagramação é mais simples no encarte, mas bem cuidada.

Pedir que o IMPERIOUS MALEVOLENCE mudasse depois de tantos anos seria algo leviano. 20 anos não são 20 dias, e se percebe que eles não vão abrir mão disso (e ainda bem que assim o é). Mas a música da banda por si já é bem feita, arranjada de forma espontânea e esmerada, com tudo em seus devidos lugares. Um deleite para fãs de Deah Metal bruto e sem medidas.

10 faixas de puro amassa-crânios nos esperam. Mas não tem como não destacar a brutal “Perpetuação da Ignorância” (cantada em português e mostrando algumas influências pontuais de Grindcore), a insanidade azeda de “Ascending Holocaust” (onde os blast beats da bateria e partes mais técnicas do baixo se sobressaem), a mais tradicional “Ominous Ritual” (onde algumas passagens mais refreadas mostram a força das guitarras do grupo, com riffs de primeira), a bem trabalhada simplicidade de “The Hellfire’s Cruelty” (outra com riffs insanos, e as partes com teclados deixam tudo ainda mais opressivo), a chocante de densa “Imperious Malevolence” (as passagens mais refreadas são muito boas, com um trabalho de bateria de primeira), e o bombardeio intenso de “Excruciate”. Mas pode ter uma certeza: se você é fã de Death Metal Old School, nessa banda você pode confiar.

Um ótimo trabalho do IMPERIOUS MALEVOLENCE, um dos mais tradicionais grupos de Death Metal do Brasil. Ouçam “Decades of Death” e deixe os ouvidos sangrarem à vontade!

Nota: 86%

quinta-feira, 12 de julho de 2018

CROMATA - ... Everything That Comes From Shadows


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Biocode
2. The Level of Souls 
3. Lighthouse 
4. Resigned in Blood


Banda:


Dedé Costa - Guitarras, vocais
Julinho - Baixo
Daniel “Cowboy” - Bateria


Ficha Técnica:

Cromata - Produção, mixagem,
Absolute Master - Masterização
Maloik - Artwork


Contatos:

Site Oficial: www.cromata.com.br
Assessoria:

Texto: M. Garcia


Falar que o Rio Grande do Sul tem tradição em termos de Metal é bem redundante. Ainda mais se falarmos nas vertentes mais extremas, onde nomes como KRISIUN e REBAELLIUN mostram a potência do estado como criadouro. E mais um bom nome surge das terras dos Pampas: o CROMATA, de Porto Alegre, que chega com seu EP de estréia, “... Everything That Comes From Shadows”.

Basicamente, temos um grupo de Death Metal cujas referências estão na leva dos anos 90, em especial as escolas da Flórida e da Holanda (nomes como DEATH e PESTILENCE antigo surgem em nossas mentes, e não por mero acaso), mas sem negar alguma coisinha mais moderna aqui e ali (não é à toa que se sente a forte influência do AT THE GATES e EDGE OF SANITY em “The Level of Souls”). Só que, ao mesmo tempo, o trabalho do grupo mostra personalidade forte devido ao bom nível técnico e alguns arranjos mais melodiosos que tornam sua música ainda mais agressiva e coesa, para o desespero dos que acham que o estilo é apenas barulho mal feito. Ainda existem ajustes a serem feitos, mas o grupo é promissor, verdade seja dita.

A sonoridade é crua, mas no ponto ideal para que soe bruto e ríspido. Mas ao mesmo tempo, houve uma preocupação estética na escolha dos timbres instrumentais (só a caixa da bateria poderia ter timbres um pouco melhores, mas é um detalhe apenas em meio aos acertos que eles tiveram), ao mesmo tempo em que se buscou aliar a crueza com alguma clareza (necessária para que compreendamos o que está sendo tocado). E como a Absolute Master trabalhou com a masterização, fica evidente o motivo desse brilho adicional à qualidade sonora.

O ponto forte do CROMATA é a solidez de suas composições, a energia e a vibração que bandas jovens costumam mostrar. E mesmo com bom nível técnico individual, é evidente que eles buscam soar como uma unidade, sem exibições desnecessárias. E isso mostra que realmente estamos diante de mais uma promessa no cenário nacional, mas uma promessa que já começa a mostrar seu valor agora.

As quatro composições mostram muito potencial a ser explorado. Em “Biocode” temos uma introdução muito bonita, seguida de um andamento em tempo mediano, além de bons arranjos em termos de baixo e bateria. Também não sendo tão veloz como a predecessora, temos algo de moderno e mesmo influências de Hard Rock são encontradas nas partes de guitarras de “The Level of Souls” (especialmente nos solos). Alguns toques jazzísticos e boas melodias surgem em “Lighthouse”, com arranjos criativos e ótimos vocais. Um pouco mais tradicional em termos de Death Metal é “Resigned in Blood”, embora existam passagens mais técnicas em termos de baixo e bateria que encaixaram perfeitamente na canção.

O CROMATA chega muito bem com “...Everything That Comes From Shadows”, logo, não será mero ocaso do destino que eles venham a se tornar um nome forte no cenário.

Em tempo: após o final das gravações, mais um guitarrista entra para banda, Guga “Djaba”, para que o grupo não perca seu “approach” pesado e agressivo ao vivo.

Nota: 86%

TENEBRÁRIO - The Silence of the Ancient Souls


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Nacional


Tracklist:

1. Like No Other 
2. The Castle (New Version) 
3. God Symphony (New Version) 
4. Amrá


Banda:


Alexdog - Vocais, baixo
Eduardo Borrego - Guitarras
Kaue Assis - Guitarras
Waine Assis - Bateria


Ficha Técnica:

Alexdog - Produção, mixagem, masterização
Tenebrário - Produção
Adriana Silva - Arte da capa e contracapa
Paulo Cássio R. Lemes - Arte da capa e contracapa


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: www.facebook.com/cangacorockcomunicacoes/ (Cangaço Rock Comunicações)

Texto: M. Garcia


O Brasil sempre está em paralelo com as tendências mais recentes do exterior em termos de Metal, e mesmo quando uma vertente antiga começa a ter mais sucesso, nomes vão surgindo por aqui, ou então os velhos medalhões lançam algo novo. E o quarteto paulista TENEBRÁRIO é um deles. Após voltar a ativa, eis que chega seu primeiro trabalho novo, o EP “The Silence of the Ancient Souls”.

No Brasil, qualquer vertente que pense recebe “inserts” das influências musicais individuais dos músicos, logo, não é à toa que o Heavy/Doom Metal do grupo nos parece mais versátil e solto do que se ouve por aí. Na realidade, o rótulo só serve para situar-nos, pois temos algo um pouco mais diversificado, mais solto e espontâneo do que aquele som grave e arrastado (e engessado) costumeiro, inclusive com passagens onde a influência do Classic Rock/Hard Rock surge claramente. Sem falar que as novas versões de duas músicas antigas servem como parâmetro para visualizarmos como o trabalho deles evoluiu.

Sim, “The Silence of the Ancient Souls” é um trabalho bem legal de se ouvir.

A produção é bem artesanal. Fica claro que tudo foi gravado, mixado e masterizado de uma forma em que o som ficasse bem orgânico, mas aonde a crueza vem dos timbres escolhidos para os instrumentos musicais, e não na gravação. Dessa forma, temos a compreensão do que é tocado, mas com um som massivo, pesado e cru.

O TENEBRÁRIO é um veterano, mas mesmo assim, não abre mão de evoluir, de buscar sempre melhorar a si mesmo, sem ficar vivendo de seu passado. Mas não esperem que a banda tenha trocado de gênero musical ou que seu trabalho esteja descaracterizado. Este autor escreveu “evolução”, e não “mudança de estilo”. E fica claro que a técnica individual não é o enfoque deles, mas que as canções soem coesas, sólidas como rochas.

“Like No Other” é uma canção sólida, pesada e densa, mas com clara menção ao Hard Rock em várias partes, e mostrando um trabalho bem legal nas guitarras. Já com um toque mais voltado ao Stoner Rock temos as versões novas de “The Castle” e “God Symphony”, que mostram o quanto a banda é fiel a sua música, mantendo a essência original, mas com uma roupagem mais moderna (que ressalta bem o trabalho pesado de baixo e bateria). E “Amrá” já é mais pesada e climática, mas com melodias opressivas de primeira, e mostrando bem como esse vocal à lá “urso urrando raivoso” encaixa bem nas linhas instrumentais do grupo.

“The Silence of the Ancient Souls” é um bom lançamento, e uma excelente pedida para os fãs de Metal em geral.

Nota: 84%

PANDEMMY - Rise of a New Strike


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. One Step... Foward
2. Circus of Tyrannies
3. State of War
4. 7000 Days of Terror (and the New Attempt)
5. Almost Dead
6. Rise of a New Strike
7. Inferno is Over
8. Stars of Decadence
9. Against the Perfect Humankind
10. No Reasons for Losses
11. Ecce Homo
12. Nephente


Banda:


Vinícius Amorim - Vocais
Pedro Valença - Guitarras
Guilherme Silva - Guitarras
Marcelo Santa Fé - Baixo
Arthur Santos - Bateria


Ficha Técnica:

Júnior Supertramp - Produção, mixagem, masterização
Pedro Valença - Co-produção
Guilherme Silva - Co-produção
Fabiano Penna - Arranjos em “No Reason for Losses”
Bruno Marques - Arranjos em “No Reason for Losses”


Contatos:

Assessoria: http://www.sanguefrioproducoes.com/artistas/PANDEMMY/44 (Sangue Frio Produções)

Texto: M. Garcia


Fazer Death/Thrash Metal nestas terras descobertas por Pedro Álvares Cabral em 1500 nunca foi algo muito simples. Sempre houveram as dificuldades inerentes ao underground e ao romantismo em exacerbar as tribulações que uma banda tem que passar por conta do descaso dos fãs. Mas o valor do trabalho de um grupo não está ligado a tantas penúrias, mas à criatividade de seus integrantes. E é muito bom ver que o PANDEMMY, de Recife (Pernambuco) não desiste e vem com tudo em “Rise of a New Strike”, seu álbum mais recente.

Na realidade, o disco é de 2016, mas somente agora chega em versão física, graças aos esforços da Sangue Frio Produções e da Burn Distro. E nele, se percebe que a banda evoluiu em relação a “Reflections & Rebellions” de 2013. A banda foge um pouco do padrão, sabendo adicionar passagens mais melodiosas em sua música, o que lhes confere personalidade. Óbvio que o quinteto ainda pode render bem mais, mas estão no caminho certo, e mesmo assim, já fazem um trabalho de ótimo nível.

Em termos de sonoridade, a produção de “Rise of a New Strike” é bem feita. Houve uma preocupação óbvia de fazer com que as composições sejam entendidas sem dificuldades, ou seja, soa limpo e com timbres escolhidos cirurgicamente. Mas nem por isso a agressividade está reduzida, nada disso: por estar limpo é que soa ainda mais bruto. E em termos de arte gráfica, ela ficou muito boa, com uma diagramação profissional, e a capa realmente mostra o que o disco tem em termos musicais.

A consensualidade entre o que foi feito em “Reflections & Rebellions” e “Rise of a New Strike” é óbvia, embora o tempo já tenha lapidado bastante o trabalho deles. Os arranjos fluem de forma mais espontânea, moldados pelas melodias que foram criadas, e sem falar que o instrumental melhorou bastante em termos de diversidade técnica. Ou seja, houve evolução, mas sem que o passado do grupo seja jogado fora.

Um dos aspectos mais legais do disco é a presença de contrastes entre partes brutais e mais trampadas (com aquelas levadas Thrashers empolgantes), músicas cadenciadas e outras mais velozes, enfim, variações rítmicas. E a pancadaria incessante de “Circus of Tyrannies” (excelente trabalho de baixo e bateria, digamos de passagem), as passagens trampadas de “State of War”, a opressão pesada do ritmo cadenciado e sinuoso de “7000 Days of Terror (and the New Attempt)” (passagens melodiosas e introspectivas mostram a versatilidade das guitarras), a técnica Death/Thrash mais tradicional de “Rise of a New Strike” (os vocais encaixaram muito bem nesse ritmo mais lento e bruto), e a densa e bem trabalhada “No Reasons for Losses” são os melhores momentos do disco. Mas na versão física, estão presentes duas faixas extras: “Ecce Homo” (brutal e bem trabalhada) e “Nephente” (mas melodiosa, com muitas passagens com vocais operísticos), ambas com um jeitão mais evoluído, levando a crer que o quinteto ainda vai surpreender os fãs de Metal brasileiro (e mesmo os descrentes que só olham para a Europa e os EUA).

No mais, “Rise of a New Strike” nos mostra que o PANDEMMY tem tudo para se tornar um dos pilares do gênero por aqui. Ponho fé.

Em tempo: o vocalista Vinícius Amorim gravou o álbum, mas saiu, e em seu lugar, está Rayanna Torres.

Nota: 88%

terça-feira, 10 de julho de 2018

FUSILEER (Thrash Metal - Guarapuava/PR)


Início de atividades: 2010
Discos lançados: War Triumph (EP)
Formação atual: Kiko (baixo, vocais), Fernando (guitarras), Adilson (bateria)
Cidade/Estado: Guarapuava/PR


MG: Como a banda começou? O que o incentivou a formarem uma banda?

Kiko: A banda começou em setembro 2010 com o nome de Immortality dois irmãos e um primo que pensavam em fazer um Heavy Metal tradicional com o passar do tempo o som foi ficando mais pesado e aí houve uma reformulação do estilo passando então a se chamar FUSILEER e adotando o Thrash Metal a partir de 2014.


MG: Falem um pouco sobre este atual álbum. Como foi feita a parte de composição, gravação e lançamento?

Kiko: O “War Triumph” é uma Demo com 6 músicas bem Thrash Metal Old School fizemos tudo com o sangue Thrash nas veias mesmo, gravada e mixada em apenas 2 meses e lançada sem nenhum selo ou apoio totalmente independente alcançou lugares que a banda não imaginava que ia chegar.


MG: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Kiko: As dificuldades são as mesmas de sempre lugares que abram as portas pra bandas dependentes para o underground e principalmente os que se dizem tão a favor do movimento mais querem que as bandas paguem pra tocar; todos ganham em um evento segurança, bar, organizador e na maioria das vezes a banda não, uma banda tem custos (e não são poucos) acredito que esta seja a maior dificuldade.


MG: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Kiko: As coisas não são tão simples assim em qualquer parte mais acredito que para o tamanho da cidade aqui é bem movimentado o cenário underground. Tem uma estrutura ótima quando se propõe a fazer algum evento aqui por aqui. Estamos tocando bem ultimamente e a ideia é aumentar esse número de shows assim que saia o novo álbum!!!


MG: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Kiko: Tudo tem que ser renovado, lendas são lendas jamais serão esquecidas, mas tem muita coisa boa por aí. Somos fãs de Metal também, não cabe a nós só criticar mais também ter esperança e o que gostamos de ouvir e fazer tenha seu reconhecimento, como já diz a música do VIOLATOR, uma das referências para nós no Underground: “The Plague Never Dies.


MG: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?            

Kiko: A minha opinião é que devemos valorizar e respeitar o que temos em nosso país tem bandas que são ótimas ou tão quanto as chamadas “gringas”.


MG: A banda já trabalha em um novo álbum certo? Fale um pouco mais dele para os nossos leitores.


Kiko: Estamos trabalhando a quase um ano já desde a composição,gravação e mixagem já estamos em fase final acertando alguns detalhes. Tudo foi feito bem planejado sem pressa para que o resultado seja o melhor possível. O álbum conta com 8 músicas todas seguindo a linha Thrash Metal,a sonoridade e qualidade de som bem produzidas em questão do primeiro trabalho estamos bem satisfeitos com o que está sendo feito.

Quem conhece a banda pode se preparar para a pancada sonora!!!


MG: Além deste novo material, quais são os projetos futuros da banda?

Kiko: A princípio é o lançamento deste álbum aí vamos planejar um sistema de divulgação em massa, toda banda quer alçar lugares mais altos acredito eu.

MG: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Kiko: Agradecemos o apoio de quem está sempre acompanhando a banda as críticas o público que sempre incentiva e quer saber quando sai o novo CD pode ter certeza que vai valer a pena a espera.

Agradecemos ao Patrick (Sangue Frio Produções) que é um dos idealizadores desse projeto ao Thiago (Fug Design) pela arte e também ao Alessandro (Space K Studio) pela parceria paciência e apoio para que o resultado final seja o melhor possível, e principalmente ao espaço que nos permitiram para essa entrevista.

E a mensagem que deixamos é que o Metal precisa de nós e resta a nós não deixar esse estilo morrer o underground corre em nossas veias!

“Thrash 'till Death”.


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