segunda-feira, 13 de agosto de 2018

MAESTRICK - Espresso Della Vita: Solare


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Origami
2. I a.m. Living
3. Rooster Race
4. Daily View
5. Water Birds
6. Keep Trying
7. The Seed
8. Far West
9. Across the River
10. Penitência
11. Hijos de la Tierra
12. Trainsition


Banda:


Fábio Caldeira - Vocals, piano
Renato Somera - Baixo, backing vocals
Heitor Matos - Bateria, percussão
Neemias Teixeira - Teclados


Ficha Técnica:

Adair Daufembach - Guitarras, produção
Fernando Freitas - Percussão
Juh Leidl - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
E-mail:

Texto: M. Garcia


Existem grupos que levam logos intervalos de tempo entre seus lançamentos. Nos dias de hoje, onde as apresentações ao vivo se transformaram na opção de sobrevivência de grupos profissionais (pois são nos shows em que eles conseguem vender algum merchandising), o hiato que antes durava, no máximo, dois anos, se expandiu. Algumas bandas perdem algo nesses períodos, enquanto outros justificam a nossa longa espera. O MAESTRICK, grupo de Prog Metal/Rock de São José do Rio Preto (SP) levou cinco longos anos entre “Unpuzzle!” (de 2011, seu primeiro álbum) e o EP “The Trick Side of Some Songs” (feito de covers e lançado em 2016), e agora, chega com seu segundo “full length”, que se chama “Espresso Della Vita: Solare”.

Mas o que podemos esperar do disco?

Para início de conversa, o estilo do grupo foi ficando mais lapidado e conciso, mas a personalidade eclética de antes continua presente. E dois aspectos os diferem de tantos grupos do gênero: eles têm uma inclinação um pouco maior para o lado Prog (e que é mais influenciado por JETHRO TULL, YES e GENESIS que por PINK FLOYD, o caso da maioria quase esmagadora), o que nos trás algo mais diversificado musicalmente; e eles são bem mais ecléticos que a maioria que foca-se apenas na mistura de Metal com Rock Progressivo (ou seja, o modelo europeu do estilo), com “inserts” de influências regionais (como se percebem no uso de viola caipira e berrante no início de “Rooster Race”), Pop e Classic Rock (reparem nos arranjos à lá BEATLES de “Daily View”), mantendo a elegância e o bom gosto musical como constantes em seu trabalho. Mas mesmo com canções grandes e trabalhadas, o que se ouve nesse álbum é extremamente envolvente, gruda nos ouvidos e na mente, e não sai mais. Ou seja, se gostaram de “Unpuzzle!”, é mais que certo que irão adoram  “Espresso dela Vita: Solare”.

A sonoridade do disco foi construída com calma, para conseguir associar tantos elementos musicais diferentes em uma forma única e coerente. Mas Adair Daufembach (que produziu o disco, além de tocar as guitarras) fez um trabalho de primeira, pois o grupo soa pesado, mas mantendo aquela clareza vital para o trabalho do grupo, sem contar que nas partes mais trabalhadas, há uma estética sonora que nos remete ao Progressive Rock dos anos 70 (mas nada de datado). Além disso, a escolha dos timbres para os instrumentos musicais ajudou bastante. E, além disso, a arte da capa é convidativa, revela o conceito por trás do álbum: a vida é como um trem em seus trilhos, onde cada um testemunha os eventos como um passageiro.

E conduzindo este expresso, o MAESTRICK mostra como se evolui sem perder a essência. E o trabalho deles ficou de primeira, com arranjos muito bem pensados em canções inspiradas, com detalhes minimalistas, mas sem que sua música perca a energia e pegada espontâneas. Ou seja, eles conseguem juntar o melhor do Metal e do Rock Progressivo de uma vez só, usando influências diferenciadas (mencionadas acima) como alinhavo para tudo. Rodrigo Pimentel e Leonardo Almeida são convidados, que deram um toque diferenciado ao trabalho pelo uso de banjo, ukulelê e sobro, fazendo com que “Espresso Della Vitta: Solace” tenha uma sonoridade não convencional ao estilo.

E ficou de primeira o trabalho!

Destaques: o jeito Prog Metal pesado e melodioso de “I a.m. Living” (ótimo nível técnico, refrão de primeira, além de excelente técnica de baixo e bateria), os toques regionais e a energia envolvente de “Rooster Race” (um pouco mais direta e compacta, mas novamente com um refrão excelente), o jeito Pop/Heavissívo de “Daily View” (vocais de primeira, melodias de fácil assimilação), o jeito técnico envolvente das cordas de “Keep Trying”, as belas partes de teclados e violão que permeiam o início da multivariada “The Seed” (em seus mais de 15 minutos, eles conseguem fazer uma viagem musical de ótimo gosto, cheia de mudanças de ritmos e partes grandiosas, ou seja, é uma música que mostra a totalidade do trabalho musical deles), a introspectiva “Across the River”, a pegada mais agressiva e com Groove brasileiro à lá Samba Rock de “Penitência” (que foge um pouco ao estilo, mas que também mostra a versatilidade musical da banda), o jeito mais etéreo e “noir” de “Hijos de la Tierra”, e o final apoteótico na também à técnica e multifacetada “Trainsition” (sim, a grafia está correta, e fortemente correlacionada ao conceito do disco, e a canção varia do suave ao elétrico sem pudores).

Todos a bordo, pois o “Espresso Dela Vita: Solace” vai partir, e o MAESTRICK nos convida a ocupar lugares especiais.

Ah, sim, o disco pode ser ouvido nas plataformas digitais.

Deezer: https://bit.ly/2lV1v3R
Google Play: http://bit.ly/2tTCyub

Um dos melhores grupos do estilo no Brasil, sem sombra de dúvidas!

Nota: 100%


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

KATAKLYSM - Meditations


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

CD:

1. Guillotine
2. Outsider
3. The Last Breath I’ll Take Is Yours
4. Narcissist
5. Born to Kill and Destined to Die
6. In Limbic Resonance
7. …And Then I Saw Blood
8. What Doesn’t Break Doesn’t Heal
9. Bend the Arc, Cut the Cord
10. Achilles Heel


DVD (Faixas marcadas com * são partes de um documentário):

1. Intro
2. In Shadows & Dust
3. Beyond Salvation
4. Why these 2 albums?*
5. Illuminati
6. Chronicles of the Damned
7. Bound in Chains
8. Rediscovering These Albums*
9. Where the Enemy Sleeps...         
10. Centuries (Beneath the Dark Waters)
11. *We Have a Different Drummer Now*
12. Face the Face of War
13. Years of Enlightment/Decades in Darkness
14. Intermission*
15. The Ambassador of Pain
16. The Resurrected
17. The Fans*
18. As I Slither
19. For All Our Sins
20. Generations*
21. The Night They Returned
22. Serenity in Fire
23. Drumming on the Different Albums*
24. Blood on the Swans
25. 10 Seconds from the End
26. The Tragedy I Preach
27. Meditations*
28. Under the Bleeding Sun
29. Credits


Banda:


Maurizio Iacono - Vocais
J.F. Dagenais - Guitarras
Stephane Barbe - Baixo
Oli Beaudoin - Bateria


Ficha Técnica:

Paul Logus - Masterização
Jay Ruston - Mixagem
Ocvlta Designs by Surtsey - Capa, Layout
Francis Bouillon - Samples


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: M. Garcia


Há muito, já sabemos que é comum a banda transitar de um trabalho inicial mais bruto para algo diferente. E quanto mais longa a carreira, maior podem ser as diferenças. Isso nem sempre é bem vindo pelos fãs das fases mais cruas, mas abre a possibilidade dos grupos alcançarem novos fãs (e manter uma boa base dos antigos). Mas evoluir (e abraçar este processo) é algo para os fortes e corajosos, e nisso, o KATAKLYSM nunca se deixou ser manipulado. “Meditations”, seu mais recente trabalho (que nos chega via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil), prova isso para quem quiser ouvir.

O fato é que mesmo sendo rotulado como um grupo de Death Metal, esses canadenses nunca deram muita bola para isso. Apenas seguem seus instintos, vão e fazem. E no caso de “Meditations”, eles mantêm o pé firme no seu estilo, mas abrindo para alguns elementos mais modernos, ao mesmo tempo em que as melodias que permeiam sua música de uns anos para cá estão se tornando mais e mais evidentes, e nem tudo é tão extremo em termos de velocidade. Ou seja, esse disco dá continuidade à evolução musical encontrada em “Of Ghosts and Gods” de 2015, mas mantendo a autenticidade e essência brutal e furiosa de sempre.

A gravação teve uma mudança sensível: JF Dagenais dividiu a responsabilidade de fazer a parte de engenharia de som o baterista Oli Beaudoin. Na mixagem, o grupo trouxe Jay Ruston (conhecido por seus trabalhos com ANTHRAX, STONE SOUR, ARMORED SAINT, ADRENALINE MOB e outros), além de Paul Logus (que também já trampou com o ANTHRAX, além de CRADLE OF FILTH e SONS OF APOLO). Tudo converge em termos de sonoridade para ser o disco mais profissional possível do quarteto, além de permitirem que ele soe moderno e vigoroso. Nisso, a engenharia fez uma parte ótima, com timbres agressivos, mas secos e que dão uma ótima noção do que eles estão tocando. Além disso, a arte da capa é de Suzy Iacono, e transpira (de forma subjetiva) o título do disco, mas reparem bem que o escudo do quarteto se encontra ali, criando o “link” entre as novas ideias com a identidade amorfa do grupo.

Podemos dizer que “Meditations” é, de longe, o disco mais variado do KATAKLYSM. Óbvio que eles não negam seu passado, os fãs mais antigos perceberão isso, mas se recusam a ficarem regravando o mesmo disco, usando arte e nomes diferentes, e jogam na cabeça dos fãs. De forma algum, se percebe que as composições do disco são todas muito bem feitas, com arranjos que se encaixam uns nos outros perfeitamente, além de mostrarem a velha agressividade de sempre.

Em dez temas arrasadores, eles mostram que também apuraram sua técnica, o que lhes garante maior diversidade musical. “Guillotine” é veloz, apesar de curta, já mostra aos fãs a que eles vieram (que melodias bem sacadas). Em “Outsider”, um pouco mais arrastada, temos uma faixa com elementos musicais mais modernos e ótimo trabalho dos vocais (até a dicção melhorou). Transitando entre a aura opressiva com tempos mais lentos e o impacto melódico das guitarras, “The Last Breath I’ll Take is Yours” é maravilhosa, e que nos seduz facilmente, assim como o azedume de “Narcissist” (belo trabalho de baixo e bateria, e a canção nos lembra de um pouco os elementos que ouvimos em “Blood in Heaven”). Em “Born to Kill and Destined to Die”, uma composição mais simples em termos de arranjos e com ritmo oscilando entre partes mais cadenciadas e outras em tempo mediano, percebem-se a presença de excelentes solos de guitarra. Já explorando um pouco mais partes com os famosos “blast beats”, temos “In Limbic Resonance”, outra que explora bem as melodias das guitarras sem deixar de ser brutal. A cadência do ritmo é um dos elementos de “...And Then I Saw Blood”, uma canção instigante, que empolga o ouvinte e que tem melodias decorativas maravilhosas. O clima fica ainda mais bruto e opressivo em “What Doesn’t Break Doesn’t Heal”, pois o andamento mais cadenciado privilegia essa ambientação carregada, mesmos elementos de “Bend the Arc, Cut the Cord”. E fechando, “Achilles Heel”, que tem uma pegada mais moderna, que remete a “Of Ghosts and Gods”, apenas com melodias mais soltas e evidentes. Até se percebe bem subjetivamente alguma influência do EX-DEO em certas passagens, mas o pesso opressivo do quarteto não permite que esta fique tão óbvia.

O KATAKLYSM veio para quebrar barreiras, e tenham certeza: “Meditations” veio pavimentar o caminho do quarteto para um público maior.

Ah, sim: como se já não fosse muito, a versão nacional de “Meditations” ainda tem um DVD bônus, cheio de músicas ao vivo, um documentário e muito mais. E assim, este lançamento vira um item obrigatório para todos!

Nota: 92%



IMMORTAL - Northern Chaos Gods


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Northern Chaos Gods
2. Into Battle Ride
3. Gates to Blashyrkh
4. Grim and Dark
5. Called to Ice
6. Where Mountains Rise
7. Blacker of Worlds
8. Mighty Ravendark


Banda:


Demonaz - Vocais, guitarras
Horgh - Bateria


Ficha Técnica:

Peter Tägtgren - Produtor, mixagem, baixo
Jonas Kjellgren- Masterização
Jannicke Wiese-Hansen - Arte da capa

  
Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: M. Garcia


Para quem ainda não sabe, bandas possuem as mesmas vicissitudes de matrimônios, ou seja, apesar do glamour que circunda o mundo show business, existem as crises e, muitas vezes, a separação. No caso de grupos musicais, quando um membro importante sai, fica sempre a curiosidade: será que a banda irá adiante ou vai parar? E como ela ficará sem aquele integrante que carregava parte da personalidade da mesma?

Um bom caso para esta analogia é o IMMORTAL, trio de Bergen (Noruega), e um dos nomes mais populares do Black Metal mundial, sem sombra de dúvidas. Com a saída do guitarrista/vocalista Abbath em 2015 (que deu início a uma banda que leva o próprio nome), muito se questionou sobre o que resultaria dessa separação. E finalmente, todos os questionamentos são respondidos na forma de “Northern Chaos Gods”, mais recente trabalho deles. E que tem versão nacional pela parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil. Ainda bem!

E nas versões Digipack ou Jewelcase (a escolha do cliente)!

Na realidade, o grupo está reduzido a um dueto, com Horgh na bateria e Demonaz mais uma vez as guitarras e assumindo os vocais. O baixo foi tocado pelo produtor e velho conhecido Peter Tägtgren (do HYPOCRISY e do PAIN). Em termos musicais, é preciso dizer que a saída de Abbath não causou avarias significativas à personalidade musical deles, pois o que se ouve em “Northern Chaos Gods” é o estilo clássico do IMMORTAL, remetendo bastante ao que aos clássicos “Blizzard Beasts” e “At the Heart of the Winter”, ou seja, aquela velocidade exorbitante aliada à boa técnica instrumental, além de peso e criatividade (pois não temos um disco de um fôlego só). E os vocais estão muito bem, embora diferentes (óbvio, com timbres rasgados mais agudos).

Em termos de produção, não há o que reclamar: as mãos de Peter para vertentes extremas de Metal não eram, associando à agressividade brutal do grupo uma estética limpa, com boa definição nos instrumentos. Os timbres instrumentais estão muito bons, beirando os que se ouve em “All Shall Fall”, ou seja, a estética mais crua está associada às canções, não a algo mal feito. Em termos gráficos, a simplicidade remete às raízes do Black Metal, e é quase uma declaração de que eles estão vivos, e dispostos a voltarem ao seu lugar de direito.

Para os que não sabem, Demonaz teve problemas severos de tendinite nas mãos, mas se submeteu a uma cirurgia, e pôde retomar as guitarras uma vez mais. O que é bom, pois o IMMORTAL pode nos brindar com mais uma pérola musical Sim, “Northern Chaos Gods” tem todos os elementos que os fãs da banda gostam, além de manter a identidade que o grupo delineou para si. E em termos de arranjos, continuam em alto nível, mesmo na simplicidade técnica a que os fãs já se acostumaram (prova que se pode fazer algo excelente sem ter que exagerar na execução das canções).

O disco já abre com uma paulada feroz e rápida, “Northern Chaos Gods” (que mantém a tradição de riffs velozes e simples, mas apresentando mudanças de ritmo muito interessantes), que é seguida de uma canção com os mesmos elementos, apenas mais técnica, que é “Into Battle Ride”. Em “Gates to Blashyrkh”, temos algo mais climático e soturno bem tradicional do trabalho deles, com alguns dedilhados ótimos nas guitarras, e a base mostrando um trabalho sólido de primeira (a bateria está ótima). A tempestade musical gélida continua intensa na rapidez explicita de “Grim and Dark”, onde algumas passagens mais lentas e envolventes nos agarram pelos ouvidos. Não tão veloz é “Called to Ice”, que mostra uma pegada esmagadora e ganchuda (haja pescoços). Se acham que o disco não poderia manter o nível ou melhorar, uma ouvida na forte “Where Mountains Rise” vai mudar suas concepções, pois que riffs e vocais (as linhas melódicas são perfeitas). Veloz, mas com arranjos lentos pontuais bem explorados, temos “Blacker of Worlds”, com alguns riffs impressionantes de tão grudentos. E fechando, a longa “Mighty Ravendark”, que é outra canção não tão rápida, mas que nos embala perfeitamente por sua base rítmica sólida, seus riffs grudentos e vocais insanos.

“Northern Chaos Gods” é o típico disco que cala a boca dos detratores, que leva os fãs a suspirarem. E verdade seja dita: agora temos duas bandas excelentes. E que o IMMORTAL continue sua saga de gélida por muitos anos!

Nota: 100+%


terça-feira, 7 de agosto de 2018

THE GARD (Prog/Heavy Metal - Campinas/SP)



Início de atividades: 2010

Discos lançados: Madhouse

Formação  atual: 

Beck Norder - Vocais, baixo
Allan Oliveira - Guitarras
Lucas - Bateria

Cidade/Estado: Campinas/SP



MG: Como a banda começou?O que os incentivou a formarem uma banda?

Allan Oliveira: A THE GARD já existia com algumas formações diferentes antes dessa que lançou o álbum e está junta desde 2010. A ideia era nos expressar através do Rock, que é o estilo que nos une. Sempre quisemos compor nossa própria música e fazer nossa arte. E, então, acabamos nos encontrando em um bar em Indaiatuba e conversando sobre este anseio.


MG: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Allan: Encontrar espaços adequados para apresentarmos nosso show, isto é, com equipamentos de som bons, um bom espaço para receber o público, que pague dignamente os músicos (proporcional ao público), que coloque atrações autorais em dias “bons” (sexta-feira, sábado e quinta-feira) e em horários bons (20h – 00h).


MG: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?


Allan: Infelizmente a maior parte dos bares e casas de show só querem contratar bandas cover. As bandas de música autoral aparecem em dias em que já não há movimento (domingos a tarde, quarta-feira), sem falar que o cachê, quando tem, não paga nem o transporte dos músicos.


MG: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Allan: Na década de 60, quando os Beatles começaram a tocar, falava-se que a era da música com guitarras, o rock, estava para acabar. Depois de quase 60 anos, o rock ainda é um estilo musical revelador e que atrai muitos fãs. Os tempos são outros, e a maneira de consumir essa música também mudou ao decorrer do tempo... A música ainda existe, só estamos nos adaptando a isso de ver a primeira geração de roqueiros partirem.


MG: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?

Allan: Acho que falta mais eventos culturais promovidos gratuitamente para a população. E que esses eventos articulem com artistas locais para que possam se apresentar. Cidades grandes têm grande população, consequentemente mais público, mais bandas, por isso deveriam ter mais eventos.


MG: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Allan -Escutem nosso álbum “Madhouse”! Se você é fã de rock, música bem trabalhada e que misture sonoridades de outros estilos musicais, escute “Madhouse”! Se você quer uma prova que o Rock está vivo, com mais pegada e com muita criatividade para mostrar, escute “Madhouse”! Escute “Madhouse”!

Mais Informações:
www.thegardband.com
www.facebook.com/thegardband
www.youtube.com/thegardband
www.soundcloud.com/thegardband
www.instagram.com/thegard_band



BLIXTEN (Heavy Metal - Araraquara e São Carlos/SP)



Início de atividades: Setembro de 2013 

Discos lançados: "Stay Heavy" (EP - 2018)

Formação  atual: 

Kelly Hipólito  - Vocais
Miguel Arruda - Guitarras
Aron Marmorato - Baixo
Murilo Deriggi - Bateria

Cidade/Estado: Araraquara e São Carlos - SP



MG: Como a banda começou? O que os incentivou a formarem uma banda?


Kelly Hipólito: A banda começou num misto de vontade e liberdade.

Já estive em banda durante muito tempo, sempre tocando cover, minhas composições ficavam de lado. Queria ter uma banda que tivesse a minha cara, as minhas inspirações, que fosse eu ali nas músicas e nada mais. A BLIXTEN já teve várias formações, e sempre pareceu que a gente não tinha seu lugar definido na cena. A banda estava escondida dentro da própria banda. Até encontrar os meninos que fazem parte da formação de hoje. E está dando super certo, a BLIXTEN agora tem cara de BLIXTEN.


MG: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Kelly: Os contratantes são as maiores dificuldades. Porque o público tá aí, sempre esteve.

Muitos não querem dar uma ajuda de custo na viagem de uma banda que vem de fora, ficam naquela de dar apenas uma porcentagem da entrada, ou querem te pagar com bebida. Quem entra nessa vida de corpo e alma, sabe o quanto isso dói. Gastamos dinheiro pra várias coisas, ensaios, figurino, instrumentos, aulas, gravações e tantos outros detalhes que fazem a diferença. Aquele litrão que você oferece no final do show não vai nos ajudar.


MG: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Kelly: Tem muita banda ótima, muito músico sensacional.

A última vez que tocamos em Araraquara foi em junho, na seletiva para o Araraquara Rock, então não foi 100% um show, foi uma competição.

Tem um pessoal por aqui que sempre está fazendo evento para as bandas tocarem, mas é sempre o mesmo estilo, Hardcore (o que na verdade a maioria das bandas daqui são assim), sempre que posso compareço para prestigiar as bandas dos amigos, mas no caso de tocar, não dá pra enfiar ovo cozido no meio de sorvete, porque você sabe que não vai dar certo.

Temos poucas casas de shows com uma boa estrutura, não vou citar nomes.

Em São Carlos precisamos tocar mais…


MG: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?



Kelly: É um grande absurdo, talvez é porque o pessoal esteja tão acostumado com os clássicos que esqueceram do novo. Já tive essa visão pobre da cena, a BLIXTEN me proporcionou ver tudo isso de forma diferente. Você não precisa repetir a mesma fórmula que uma banda que você curte usou lá nos anos 80, esqueça isso, deu certo uma vez, e pronto, acabou.

Eu sou uma grande fã de Twisted Sister, Anthrax, Dio e Warlock, aprendi muito com eles, e tenho um pouco de cada deles na hora que eu canto, assim como os meninos tem o deles na hora de tocar, mas quando a gente se junta pra criar, somos nós quatro sendo apenas nós. Toda vez que subimos ao palco, mostramos que o Heavy Metal não morreu, e nunca irá, ele apenas volta mais forte.


MG: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?


Kelly: Aquilo que eu falei anteriormente… Além dos contratantes, é o público parar de sentir falta dos clássicos e ver que o novo também é sensacional, cheio de fúria, sua banda clássica também foi uma banda nova se descobrindo.



MG: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Kelly: Permaneçam verdadeiros naquilo que vocês acreditam.

Lute com toda a garra, defendam aquilo que vocês praticam.

Stay heavy, stay hard, stay true as steel!



Mais Informações: 



ARANDU ARAKUAA - Mrã Waze


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Sy-gûasu
2. Gûaîupîá
3. Îasy
4. Danhõ’re
5. Huku Hêmba
6. Ko Kri (instrumental)

7. Jurupari

8. Gûaînumby
9. Îagûara Kûara
10. Abaré Angaíba
11. Rowahtu-ze  


Banda:


Zândhio Huku - Vocais, guitarras, viola caipira, instrumentos indígenas
Lís Carvalho - Vocais, pífano
Guilherme Cezario - Guitarras
Saulo Lucena - Baixo, vocais
João Mancha - Bateria, percussão


Ficha Técnica:

Caio Duarte - Produção, mixagem e masterização


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:  

Texto: M. Garcia


Em termos de Alma Mater, o povo brasileiro ainda carece de maior aprofundamento e compreensão do que vem a ser seu conjunto de características nativas. Óbvio que não se podem negar as contribuições culturais dos povos europeus e africanos para moldar a identidade cultural do nosso povo. Mas muitas vezes, deixamos de lado o aprofundamento intelectual necessário para compreender e assimilar a cultura do índio, talvez o grupo étnico mais maltratado e desdenhado de todos. Nisso, já existem bandas de Metal por aqui que rebuscam a essência dos povos indígenas, e sem sombra de dúvidas, o ARANDU ARAKUAA continua sendo um dos nomes mais fortes dentro do que podemos chamar de Folk Metal brasileiro. E é uma honra poder não só ouvir (o que por si só já é algo prazeroso), mas resenhar “Mrã Waze”, seu terceiro e mais recente álbum.

A banda mais uma vez lança de elementos indígenas associados ao Metal em suas vertentes mais variadas (inclusive com partes extremas) para criar algo único, algo original e diferente, que tem momentos em que impera a agressividade, e outros onde as melodias se tornam mais interiorizadas mais introspectivas e melancólicas. A maior das diferenças de “Mrã Waze” e seus antecessores é a coesão, pois a cada disco lançado, a banda vai ganhando riqueza musical e o seu estilo vai ficando mais e mais sólido, com ótimas partes instrumentais, vocais diversificados (urros extremos se entremeiam com doces vozes femininas e timbres masculinos normais quase xamânicos), além da maior exposição do lado indígena de sua música.

Outra característica única da banda, como já é de conhecimento de todos, é o uso de linguagens indígenas. Tupi, Xavante, e Akwẽ Xerente são os idiomas usados (exceto em “KoKri”, uma faixa instrumental onde o título vem do Krahô), o que torna tudo ainda mais único.

Sim, “Mrã Waze” é outra obra prima do grupo. E para os que tanto reclamam de originalidade, eu os desafio a verem algo similar ao grupo lá fora.

A produção do disco ficou muito boa, tentando ser translúcida nos momentos mais melodiosos, mas com peso e agressividade quando eles pegam mais pesado. E digamos de passagem: construir uma sonoridade para “Mrã Waze” não deve ter sido muito simples, pois conseguir associar tantos elementos diferentes juntos é bem difícil, mas ficou de alto nível. Até a arte gráfica esboça a dualidade harmônica do indígena com a natureza que o cerca.

“Mrã Waze” significa “Respeito à Natureza” no idioma Akwẽ Xerente, e por isso, tem em si um conceito bem complexo, mas que pode ser resumido a “todos unidos em matéria e espírito”, algo harmônico para todos. E é a harmonia que surge em seus arranjos musicais, na dinâmica entre cada uma das canções do disco. É impossível não se sentir atraído por tamanha diversidade e beleza em termos musicais.

Sy-gûasu” é uma faixa totalmente focada nos elementos indígenas, quase como um ritual de purificação/pacificação de todos, seguida dos contrastes entre o suave e o agressivo que formam “Gûaîupîá” (que lindas passagens de vocais femininos e viola caipira, mas as partes agressivas são excelentes), assim como a tribal “Îasy” (onde as guitarras mostram riffs muito bons, além de muita criatividade). Em “Danhõ’re”, muitos elementos do Sertanejo dão as caras (nada a ver com o estilo em voga e que tantos amam), e mostrando belas cordas e percussões. Com uma vibração positiva e sedutora, temos a complexidade dual (em termos de melodias e agressividade) de Huku Hêmba”. Na instrumental “Ko Kri”, novamente temos mais abrangência dos temas regionais guiados pela viola caipira. Em Jurupari”, por sua vez, o grupo tem uma pegada mais direta, seca e agressiva guiada pelas guitarras, mas o trabalho nos ritmos ditados por baixo e bateria está ótimo. Já em Gûaînumbyeles voltam a ter mais enfoque na introspecção, focando mais nas melodias bem feitas e executadas com cordas limpas, percussões e chocalhos que seguem belas linhas vocais limpas. Novamente carregando no peso e técnica, “Îagûara Kûara” mostra bem todos os lados do diamante que é a música do grupo (novamente corais muito bons). Em outra mistura de partes agressivas com toda uma ambientação indígena e outros momentos mais introspectivos, temos Abaré Angaíba”, onde percussões e vocais masculinos dão um tom bem melancólico e denso ao final da canção (embora encerre com partes mais duras e brutas). E Rowahtu-ze” vem com um jeito que mixa o azedume extremo com técnicas não convencionais ao Metal e muitos vocais que lembram um pajé recitando suas orações.

No fundo, o ARANDU ARAKUAA é uma das bandas mais criativas do país, e merece respeito por isso. Mas digamos que além de excelente, “Mrã Waze” vem forte para ser um dos grandes discos de 2018!

Ele já pode ser ouvido nas plataformas digitais, mas a versão física de “Mrã Waze” está quase saindo do forno.

Para melhor informar o caro leitor, abaixo estão os nomes das canções com suas traduções, e informação de qual idioma usado.

Sy-gûasu - Grande Mãe, no idioma Tupi
Gûaîupîá - Espírito dos Pajés Bons, no idioma Tupi
Îasy - Lua, no idioma Tupi
Danhõ’re - Cantar, no idioma Xavante
Huku Hêmba - Espirito da Onça, no idioma Akwẽ Xerente
Ko Kri - Água Fria, no idioma Krahô
Jurupari - Deus dos Sonhos, no idioma Tupi
Gûaînumby - Beijar-Flor, no idioma Tupi
Îagûara Kûara - Toca da Onça, no idioma Tupi
Abaré Angaíba - Padre Mau, no idioma Tupi
Rowahtu-ze - Ensinamento, no idioma Akwẽ Xerente

Nota: 100%


SAGITTARION - Reborn


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Reborn
2. Scarlet Rose
3. Rock ‘N’ Roll Armageddon
4. Hate by My Side
5. Gipsy and the Beast


Banda:


Kleber Ramalho - Vocais
Thiago D’ Lopes - Guitarras, backing vocals
Rick Ferris - Baixo
Bernardo Sagulo - Bateria


Ficha Técnica:

Sagittarion - Produção
Thiago Freitas - Mixagem, remasterização


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:  
E-mail:


Texto: M. Garcia


Muitas vezes, a percepção que se tem do Rio de Janeiro em termos de Metal é que aqui só tem bandas das vertentes mais agressivas do Metal. Tudo bem, nomes como SYREN, DREADNOX, PAINSIDE e alguns outros ajudam a mostrar que isso não é uma verdade absoluta. Hoje em dia, ainda existem boas bandas de vertentes mais melodiosas na Cidade Maravilhosa. Um dele é o do quarteto SAGITTARION, que depois de anos de luta, enfim consegue lançar seu primeiro trabalho, o EP “Reborn”.

No caso, o grupo mostra uma mistura de Hard Rock setentista com a energia e pegada do Metal dos anos 80, mais um enfoque moderno e melodioso que tornam tudo ainda mais agradável. Além disso, muitas das melodias de fácil assimilação nos remetem diretamente ao Glam Metal norte-americano. Desta forma, temos um trabalho que sangra em juventude e melodias, mas sempre com uma grande dose de personalidade. E como eles têm talento!

Este EP começou a ser gravado ainda em 2016, mas devido a algumas dificuldades, somente agora chega a nossas mãos. Assim, podemos aferir que a produção foi caprichada, sendo clara aos ouvidos, com as doses certas de peso e agressividade para não prejudicar a vocação melodiosa deles. E ficou ótimo, já que tudo é assimilado por nossos ouvidos sem problema algum.

As canções de “Reborn” mostram um trabalho que vem para somar, com talento e muita garra. Além disso, como já mencionado, as melodias grudam em nossos ouvidos. E embora a banda evite exibições técnica individuais, se percebe que o nível técnico de seus integrantes é muito bom. E as canções do EP são ótimas!

O EP abre com a grudenta e sinuosa “Reborn” (com ótimas partes de guitarras, especialmente os solos melodiosos e bem feitos, além de um refrão grudento muito legal), seguida do peso quase Stoner Rock moderno de “Scarlet Rose” (o peso de baixo e bateria são de deixar o queixo caído), e do jeito quase Hard/Glam de “Rock ‘N’ Roll Armageddon” e sua pegada envolvente (que refrão “chicletoso”). O peso do Metal tradicional se faz presente nas melodias bem feitas de “Hate by My Side” (que bom trabalho dos vocais, verdade seja dita), enquanto a técnica refinada das guitarras fica mais evidentes em “Gipsy and the Beast”.

Podemos dizer que “Reborn” vem para mostrar uma nova estrela em ascensão no Metal carioca. E assim, o SAGITTARION mostra-se promissor para o futuro, mas sendo agora uma excelente pedida para nossos ouvidos.

Nota: 86%