terça-feira, 11 de setembro de 2018

HAMMERFALL - Glory to the Brave (20 Year Anniversary Edition)


Ano: 2018
Tipo: Full Length (edição comemorativa Duplo CD+DVD)
Nacional


Tracklist:

Disco 1 (“Glory to the Brave”):

1. The Dragon Lies Bleeding
2. The Metal Age
3. HammerFall
4. I Believe
5. Child of the Damned
6. Steel Meets Steel
7. Stone Cold
8. Unchained
9. Glory to the Brave
10. Ravenlord
11. Glory to the Brave (Radio Edit)


Disco 2 (CD ao vivo):

1. The Metal Age (1998)                   
2. Steel Meets Steel (1998)                
3. Stone Cold (1998)                          
4. Glory to the Brave (2012)                        
5. Hammerfall (2012)                        
6. The Dragon Lies Bleeding (2012)                       
7. Glory to the Brave Medley (2017)         

             
Disco 3 (DVD):

The First Crusade:

1. Introduction                       
2. Steel Meets Steel - First Live Show                     
3. Glory To The Brave - Clip 1                   
4. HammerFall                       
5. Steel Meets Steel - Live                 
6. Glory to the Brave - Clip 2                      
7. The Making of “Glory to the Brave”
8. Ravenlord - Live  
9. The Metal Age - Live                    
10. Nominated for the Swedish Grammy Award                         
11. Stone Cold - Live

Entrevista (2017):

12. Chapter I: The Early Days                    
13. Chapter II: The Rockslaget Festival                 
14. Chapter III: The Album                        
15. Chapter IV: New Members, Wacken & Touring                   

Live Dynamo Festival 1998:

16. Child of the Damned                  
18. The Metal Age                 
19. Steel Meets Steel                          
20. Eternal Dark (Picture cover)                 
21. The Dragon Lies Bleeding                     
22. Stone Cold                       
23. HammerFall


Banda:


Joacim Cans - Vocais
Oscar Dronjak - Guitarras, backing vocals
Glenn Ljungström - Guitarras
Fredrik Larsson - Baixo, backing vocals


Ficha Técnica:

Fredrik Nordström - Produção, piano, teclados, backing vocals, remasterização (2017)
Andreas Marschall - Arte de capa
Göran Finnberg - Masterização
Niklas Isfält - Vocais (harmonias)
Stefan Elmgren - Guitarra solo em “I Believe”, violão
Hans Björk - Backing vocals
Patrik Räfling - Bateria
Mats Hansson - Guitarra solo


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Não existem clássicos absolutos no momento em que o disco em si é lançado.

A prova do tempo é aquele que mostrará quanto um disco será relevante para a banda em si, ou mesmo para dado estilo musical. Ou, como falamos em Metal, para uma de suas inúmeras vertentes.

Voltando aos anos 90, o sucesso do Metal nos EUA era algo do passado. Somente anos depois o gênero renasceria por lá, e mesmo assim com vertentes mais jovens. Na Europa, os estilos mais próximos ao Metal tradicional estavam fora de moda, e poucos se lembravam do Power Metal de raiz, com aquela sonoridade característica de nomes como ACCEPT, uma vez que o Black Metal e o Doom Gothic estavam fazendo enorme sucesso, e o Symphonic Metal começava a aparecer. Mas em 1997, as coisas começaram a mudar quando “Glory to the Brave”, primeiro disco do quinteto sueco HAMMERFALL viu a luz do dia. Esse disco causou uma reviravolta, com o Power Metal clássico voltando a ficar em evidência e novas bandas começarem a surgir.

Traduzindo: muito se deve a “Glory to the Brave”, e nada mais justo que um relançamento que comemorou os 20 anos de seu lançamento. E aqui temos “Glory to the Brave - 20 Years Anniversary Edition”, que chega ao Brasil pela parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil.

Um pouco de história: o quinteto foi fundado em 1993, quando o guitarrista Oscar Dronjak deixou o CEREMONIAL OATH (banda de Death Metal, e dali foi para o CRYSTAL LAKE) se juntou a Jesper Strömblad (guitarrista do IN FLAMES na época), a Johan Larsson (baixo, na época também do IN FLAMES, e que seria substituído no ano posterior por Fredrik Larsson, do DISPATCHED) e aos membros do DARK TRANQUILLITY Niklas Sundin (guitarras, que sairia e seria substituído por Glenn Ljungström, mais um do IN FLAMES), e Mikael Stanne (vocais). No início, o HAMMERFALL era apenas um projeto paralelo, até que em um concurso de bandas (chamado Rockslaget), devido à impossibilidade de Mikael cantar, chamaram Joacim Cans para cantar somente naquele show. Apesar da banda não se classificar para as finais, o show foi um sucesso e Joacim efetivado no posto.

Buscando expor seu trabalho (já tinham composta “Steel Meets Steel” na época), gravaram uma Demo Tape ao vivo e mandaram para o selo Vic Records (da Holanda), que lhes deu um contrato. Gastaram 1996 compondo o material original de “Glory to the Brave”. O disco foi lançado apenas na Holanda de início, mas o feedback foi tão bom que a Nuclear Blast alemã comprou os direitos e relançou mundialmente. Paremos a história por enquanto, e falemos do disco em si.

“Glory to the Brave - 20 Years Anniversary Edition” é, antes de tudo, um pacote de luxo: são dois CDs e um DVD. Logo, vamos por partes.

O CD 1 é, obviamente, “Glory to the Brave”, aqui remasterizado, com as faixas bônus “Ravenlord” (um cover do STORMWITCH, que era ausente na versão original e só presente em um Single, e eu tive a versão sem ela) e a edição para rádio de “Glory to the Brave” (obviamente mais curta que a original, e pode parecer estranho para muitos brasileiros, mas no exterior, o Metal rolava em rádios sem traumas). E a remasterização feita por Fredrik Nordström (sim, o produtor do disco) deu um peso e brilho extra à sonoridade (que era um pouco crua para os padrões do quinteto).

O CD 2 são versões ao vivo de várias canções de “Glory to the Brave”, em shows de 1998, 2012 e 2017 (deste ano especificamente, vieram “The Dragon Lies Bleeding” e o medley de canções do álbum, gravadas em um show da banda em Berlim). Aqui, se percebe que a velha energia continua a mesma com o passar dos anos. Algo de quem gosta do que faz.

O disco 3 é um DVD, com 3 partes distintas, o que o faze merecer um detalhamento com bastante calma.

A primeira parte é compreendida por trechos do documentário “The First Crusade”, de 1999. Lá estão entrevistas da época, algumas raridades (como a exibição de “Steel Meets Steel” vinda do primeiro show deles, em 1996), os vídeos oficiais de “Glory to the Brave” (duas versões disponibilizadas) e “HammerFall”, o “making of” do vídeo de “Glory to the Brave”, gravações ao vivo para “Ravenlord”, “The Metal Age” e “Stone Cold” (este gravada no Dynamo Open Air Festival de 1998), e a nomeação para o Grammy Award sueco (não ganharam, mas mostrou a força do grupo e do Heavy Metal).

A segunda é uma entrevista de 2017, dividida em quatro partes. Óbvio que Oscar e Joacim aparecem bastante, mas Fredrik tem sua vez, assim como Glenn aparece também. Ali, eles falam sobre o início, o festival Rockslaget onde a banda fechou sua formação, as gravações (e situações) sobre a gravação do disco, e sobre a chegada dos novos membros, a apresentação no Wacken Open Air Festival de 1997 (onde tocaram para em torno de 10 mil pessoas). Tudo muito divertido e narrado de forma espontânea.

Fechando o DVD, a apresentação do quinteto no Dynamo Open Air de 1998. Aqui se percebe a energia e crueza da banda na época, sua performance cativante no palco. E justamente a ausência de bandas nessa linha que os levaram ao sucesso. E verdade seja dita: ver e ouvir “Child of the Damned” (cover do WARLORD, fato já conhecido), “The Metal Age”, “Steel Meets Steel”, “Eternal Dark” (sim, o cover do PICTURE que apareceria em algumas versões de “Legacy of Kings”), “The Dragon Lies Bleeding”, “Stone Cold”, e “HammerFall”.

Além disso, quando olhamos o encarte e a nova arte, é de ficar de queixo caído: fotos da época, depoimentos, textos falando das gravações, da apresentação no Wacken Open Air Festival, e tudo enriquecido por fotos e mais fotos. Lindo trabalho de arte e pesquisa.

Ah, vocês querem comentários sobre as músicas do disco em si?

Não é algo necessário. Músicas como “The Dragon Lies Bleeding”, “HammerFall”, “Steel Meets Steel”, “Stone Cold” e “Glory to the Brave” são hinos do Heavy/Power metal que marcaram toda uma geração que viu o gênero renascendo com toda força, e desencadeando uma nova invasão.

A verdade é que “Glory to the Brave - 20 Years Anniversary Edition” é um lançamento maravilhoso, que merece a aquisição imediata, e a degustação mais lenta possível.

All Hail HAMMERFALL!


Nota: 100%


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

DRAGONFORCE - Re-Powered Within


Ano: 2018
Tipo: Full Length (remixado, remasterizado)
Nacional


Tracklist:

1. Holding On
2. Fallen World
3. Cry Thunder
4. Give Me the Night
5. Wings of Liberty
6. Seasons
7. Heart of the Storm
8. Die by the Sword
9. Last Man Stands
10. Seasons (acoustic version)
11. Power of the Ninja Sword
12. Heart of the Storm (alternate chorus version)
13. Avant Le Tempête (instrumental)


Banda:


Marc Hudson - Vocais, backing vocals
Herman Li - Guitarras, backing vocals
Sam Totman - Guitarras, backing vocals
Frédéric Leclercq - Baixo, guitarras, vocais agressivos
Vadim Pruzhanov - Teclados, piano, backing vocals
Dave Mackintosh - Bateria, backing vocals


Ficha Técnica:

Damien Rainaud - Remixagem, remasterização
Herman Li - Produção, engenharia
Frédéric Leclercq - Produção
Sam Totman - Produção
Karl Groom - Mixagem, masterização, produção
Peter van't Riet - Masterização
Clive Nolan - Backing vocals
Emily Alice Ovenden - Backing vocals


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Quanto mais as bandas crescem, mais elas se apegam aos próprios erros, e buscam compensá-los. E nos últimos 15-20 anos, o processo de regravar discos lançados há décadas se tornou um recurso quando os músicos não se sentem à vontade com o que fizeram. As questões internas que levam ao lançamento de um disco podem ser comprometidas por fatores inusitados, como mudanças de formação. E é essa a motivação para o relançamento de “The Power Within” do sexteto DRAGONFORCE, renomeado “Re-Powered Within”, que ganha sua versão nacional via Shinigami Records.

Para quem não se lembra mais, um refresco: “The Power Within” foi lançado em 15/04/2012, sendo que Marc Hudson foi anunciado como novo vocalista em 02/03/2011, ou seja, pouco mais de um ano e 2 meses antes, e sendo que o grupo já se encontrava trabalhando nas canções desde o início de 2010, ainda sem vocalista (ZP Theart saiu em Março de 2009), e ainda lançou o ao vivo “Twilight Dementia” em Setembro de 2010. Quando a banda atinge essas dimensões, todos os trabalhos de bastidores tomam um intervalo de tempo considerável, e imaginem ainda o número de audições até chegarem a Marc...

Deve ter sido estafante conseguir fazer o disco nessas condições, sendo que Marc não tinha experiência alguma como músico profissional, e se deve pensar nas pressões contratuais para lançar álbum novo, o desejo dos fãs e outras inúmeras complicações. Mas o que se ouvia na época era o estilo clássico do grupo, apenas com Marc ocupando o posto de cantor principal. Sim, é o mesmo Power Metal melodioso e com “inserts” extremos, com os mesmos “shreds” extremos nos solos de guitarra, mas a estruturação estilística é basicamente igual à de sempre, a mesma solidez musical de antes, com ótimas melodias, cada refrão tratado com cuidado para ser assimilado com a maior facilidade possível. Mas em “Re-Powered Within”, tudo foi remixado e remasterizado (e conforme declarações do baixista Frédéric, o disco ficou só nisso, sem partes refeitas), ganhando uma arte nova, bem como algumas canções extras.

Ou seja, esse é um dos discos que fazem remixagem e remasterização, mas mantêm seus valores originais, e assim “Re-Powered Within” ganha alguns valores novos. E verdade seja dita: a versão original já era ótima, e a nova está fantástica, com uma qualidade de áudio fenomenal. O trabalho de Damien Rainaud (baixista do ONCE HUMAN), que deu uma sonoridade mais moderna e bem “na cara”, com peso e clareza absurdos. Ganhou peso e clareza, sem sombra de dúvidas. Além disso, com a arte nova ficou bela, com tudo bem melhorado em termos de diagramação, uma capa que mantém as características originais, levando-as a um novo patamar.

Se “The Power Within” chegou tendo que vencer uma resistência inicial pela saída de ZP Theart após 9 anos na banda, “Re-Powered Within” chega em um excelente momento, levando a versão original ao que ela poderia ter sido. Digamos que o enfoque mais moderno dado pelos novos processos de gravação e mixagem casou bem, criando o “link” entre o sexteto de antes com o de hoje.

No mais, canções como a empolgante e veloz “Holding On” (os vocais mostram um trabalho de primeira com suas mudanças de timbres, além dos backing vocals excelentes e que refrão), seguida da também rápida “Fallen World” (que segue a mesma linha da anterior, novamente com os vocais fazendo um trabalho excelente, fora os momentos em que o baixo se faz mais audível), a marcante “Cry Thunder” (uma das músicas mais marcantes do grupo, sem velocidade extrema no ritmo, e onde se percebe a força do trabalho da sessão rítmica do grupo, com baixo e bateria fazendo bonito, e Dave mostrando sua precisão nas baquetas), o climão acessível e quase Hard Rock que preenche “Seasons” (boa participação dos teclados de Vadin, do baixo e dos backing vocals), as linhas melódicas caprichadas de “Heart of the Storm” e de “Last Man Stands” (ambas com as guitarras de Herman e Sam cuspindo fogo), além da versão acústica para “Seasons” já mostravam o que o DRAGONFORCE pode render, mas que aqui se mostram em um patamar mais elevado de qualidade.

Mas existem extras: a excelente “Power of the Ninja Sword” (um “cover” para uma canção do SHADOW WARRIORS, um antigo projeto paralelo de Sam e ZP, e o estilo mais clássico do sexteto deu uma amaciada em termos técnicos que ficou excelente), a versão com refrão alternativo de “Heart of the Storm”, além da instrumental amena “Avant Le Tempête”.

Não tem jeito: amem ou odeiem, mas o DRAGONFORCE realmente está em outro nível. E “Re-Powered Within” mostra isso com clareza.

Nota: 97%




NATURAL HATE - Welcome to Underground


Ano: 2017
Tipo: Full Length
Selo: Eternal Hatred Records
Nacional


Tracklist:

1. Ready or Not, Here I Come
2. Welcome to Underground
3. Terrible Wonder of the World
4. Suffocated in Shit
5. Resilience
6. My Origin
7. Respect My Origin
8. Badocada
9. I See
10. Sacrifício Humano
11. Sangue, Suor e Poeira


Banda:


Vinícius Toledo - Vocais, guitarras
Nawdson Leite - Baixo
Helber Carvalho - Bateria


Ficha Técnica:

Natural Hate - Produção
Felipe Neto - Mixagem, masterização
Marcelo Vasco - Arte da capa
Nestor Carrera - Layout, diagramação


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


A evolução dos gêneros de Metal quase sempre ocorre com a mistura entre elementos de suas muitas vertentes. Isso é fato já conhecido, para desespero dos mais puristas em termos musicais. E vez por outra, essas misturas (que acabam sendo bem pessoais de banda para banda) nos concedem discos surpreendentes, o que é o caso de “Welcome to Underground”, segundo disco do trio NATURAL HATE, da cidade de Caetité, sertão da BA.

A primeira coisa que salta aos olhos é a personalidade musical do grupo. Aglutinando elementos de Death Metal e mesmo Grindcore ao sua forma agressiva de tocar Thrash Metal, temos um híbrido extremamente brutal, mas delineado com elementos que agarram em nossos tímpanos e não saem mais. Sim, mesmo cada refrão do grupo acaba sendo assimilado com facilidade por nossos sentidos, e a diversidade em termos técnicos nos mostra um trabalho longe do trivial para aqueles que prestam atenção à música.

E sim, o NATURAL HATE é uma banda de alto nível, fazendo da audição de “Welcome to Underground” uma experiência prazerosa.

O próprio trio resolveu assumir a produção, tendo as mãos de Felipe Neto na mixagem e masterização. Tudo para garantir uma boa qualidade sonora, com bons timbres, muito peso e agressividade vazando aos borbotões. O disco sangra em energia e vitalidade, mas sempre com uma clareza que nos permite compreender o que está sendo tocado. Além disso, o aspecto visual é chamativo, enigmático e paralelo ao que o grupo expressa em termos de letras e música.

Com o NATURAL HATE, a parte de arranjos é muito bem feita (reparem nas incursões de baixo em “Ready or Not, Here I Come” para entenderem o que eu digo), e fogem ao trivial. Aliás, os cinco anos de diferença entre “Delivery Service of Chaos” (de 2012) e “Welcome to Underground” (de 2017) mostram que eles souberam evoluir, mas mantendo a consensualidade.

Aqui, o massacre sonoro impera do início ao fim, mas o requinte que permeia as 11 canções do álbum é evidente. E destacam-se a brutal e ganchuda “Ready or Not, Here I Come” (ótimo trabalho em termos de riffs de guitarra, além de partes bem legais onde o baixo fica evidente, e que refrão), as belas linhas melódicas de “Welcome to Underground” (baixo e bateria mostrando vocação para algo pesado e técnico, e mais uma vez, um refrão que entra nos ouvidos e não sai mais), as mudanças de tempo bem feitas de “Terrible Wonder of the World”, o ritmo mais abrasivo e lento de “Suffocated in Shit” (recheada de boas mudanças de ritmo), a brutalidade extrema e cadenciada de “Resilience” (as variações de timbres agressivos dos vocais ficaram ótimas), os toques regionais de “My Origin”, a fúria escancarada de “Respect My Origin” (a letra é um manifesto, ilustrando a indignação de todos no Nordeste contra pensamentos racistas, e isso ilustrado por ótimos riffs e arranjos de guitarras), a massacrante “Sacrifício Humano” (cantada em português, e mais um refrão de primeira) são mencionadas como mera formalidade, já que o CD é bom de ponta a ponta. Ótimo para deixar os ouvidos dando sinal de ocupado por horas. Mas e “Sangue, Suor e Poeira” merece uma menção honrosa pela ousadia no uso de toques quase acústicos e regionais com o uso de guturais, em uma letra cantada em português que merece aplausos.

Acertando ainda mais a mão na produção (que poderia ser melhor, embora seja boa), e teremos que o NATURAL HATE será um nome forte no nível de bandas como WOSLOM, ANDRALLS e BLACKNING. Música para isso (e mesmo para conquistar o público de fora) “Welcome to Underground” mostra claramente.

Nota: 89%


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

VOIVOD - Ainda desencadeando sua fúria musical


Por “Metal Mark” Garcia

“Um tanque de Guerra destruindo um antro poser” foi uma das primeiras linhas que li sobre o quarteto canadense VOIVOD, em 1986. Hoje, 32 anos depois, a banda evoluiu, eu fiquei mais velho (e careca), mas o massacre canadense continua o mesmo. Pioneiros das formas experimentais no Metal, eles ainda têm muito o que dizer, especialmente agora que eles estão lançando um novo álbum, “The Wake”, que será lançado mundialmente em 21 de Setembro (e que será lançado no Brasil pela Shinigami Records). 

Então, tivemos a oportunidade de falar com a banda, na figura de seu vocalista Snake, e ver o que ele, Chewy (guitarras), Rocky (baixo) e Away (bateria) têm a dizer.

Em tempo: gostaríamos de agradecer a Ivan Sanchez Parra, da Holy Cuervo, por ter tornado esta entrevista possível.

 
Da esquerda para direita: Away, Rocky, Chewy e Snake.

MMG: Como um Metalhead das antigas, é um prazer falar com você, e obrigado por esta oportunidade. A primeira pergunta é simples: qual o motive de levarem 5 anos entre “Target Earth” e “The Wake”?

Snake: Bem, após o lançamento de “Target Earth”, estivemos fazendo bastante turnês. Então Blacky (ex-baixista do grupo) saiu, e Rocky veio. Logo depois, lançamos o EP chamado “Post Society”. Então turnês, turnês, turnês… E durante aquele período, enquanto estávamos excursionando, começamos a trabalhar em ideias diferentes para um álbum totalmente conceitual. Foi um longo processo de um trabalho difícil, mas agora aqui está, diretamente do forno, “The Wake” está esperando por você.


MMG: Em 2014, Blacky deixou a banda, e Rocky entrou. Então, como tem sido tocar So com ele nos últimos 4 anos, e ele influenciou o processo de composição de “The Wake”? E o que ele trouxe para a música do VOIVOD?

Snake: Rocky trouxe muito para a banda, e também para “The Wake”.  Musicalmente ele tem um ótimo timbre e é um músico fantástico. Ele e Chewy (nota do tradutor: guitarrista do grupo) são amigos próximos desde que eram adolescentes. Eles cresceram ouvindo o VOIVOD e estão acostumados a tocarem juntos. Ambos são muito ligados Eles são a dupla da insanidade na banda... E ele realmente se envolveu em cada aspecto da criação, incluindo o processo de gravação. Como um indivíduo, Rocky trás seu sorriso e uma atitude positiva. Se algo dá errado ou fica ruim, ele é o primeiro a tentar consertar, ou tentar transformar a confusão em uma grande aventura. Legal e bem relax, mas realmente devotado à banda e sempre está lá para ajudar se você precisar. Um MF legal (nota do tradutor: a sigla MF em inglês significa “motherfucker”).


MMG: quando o nome do VOIVOD é citado, sabemos que as coisas nem sempre são tão simples de entender, então, qual é o conceito por trás do nome do álbum?

Snake: Sim, apanham-me se forem capazes, esse tipo de coisa. O conceito de “The Wake” é um pouco difícil de explicar em poucas linhas. Vamos dizer que é sobre uma grande descoberta que irá mudar nossa percepção do mundo, criando assim tumulto e conflitos, forçando-nos a encarar nosso próprio destino: em breve, a humanidade não terá mais escolha, e terá que aprender a viver unida, e a fazer uma decisão boa, para alcançar outro nível de espiritualidade. Aqui está, curto e doce...


MMG: Francis Perron trabalhou com vocês no RadicArt Recording Studio no Canadá, na gravação e mixagem de “The Wake”. O que podem nos dizer sobre a experiência de terem trabalhado com ele? Conseguiram o resultado que estavam esperando, ou saiu ainda melhor que o esperado?

Snake: Para Francis, também foi o álbum dele, “O” álbum. Ele deu tudo que podia nele. Sério. Sendo um fã antigo e um músico também, ele realmente levou tudo à frente, adicionando ideias e experiências ao projeto, trabalhando além do tempo o tempo inteiro, acordando no meio da noite no modo criativo completo. Ele deu muito de si mesmo, e estou extremamente feliz com o resultado. Ele é uma pessoa ótima e muito generosa. Se você tiver um projeto, chame-o. Ele é o cara!


MMG: Ainda falando de “The Wake”, perguntei como foi o processo de composição com Rocky, mas como as coisas funcionaram para a banda inteira? Mesmo com sua música sendo cheia de arranjos, não parece que o VOIVOD é uma banda que ame ficar nos estúdios por longo tempo.

Snake: Nós amamos estar no estúdio por um longo tempo, mas é ruim pois tem um custo. Mesmo assim, quando estamos lá, procuramos ser o mais eficiente possível. Primeiramente, gastamos um longo tempo nas sessões de pré-gravação, e quando está tudo pronto, elaboramos um plano de trabalho e horários. Também colocamos ideias juntos para incluir arranjos e efeitos. E dosando a coisa que conseguimos colar tudo.


MMG: Como amostra do álbum, foi lançado um vídeo oficial para “Obsolete Beings”. Existe um motivo específico para esta escolha? E o “feeling”, a atmosfera da canção me lembraram muito as daquelas dos tempos de “Nothingface”, quando o som do VOIVOD mostrava uma visão mais voltada ao Rock progressivo, logo, isso foi intencional ou algo que aconteceu durante o processo de composição?

Snake: “Obsolete Beings” é a canção de abertura. É a faixa que faz a conexão entre o EP anterior, “Post Society”, e o novo álbum. Eu diria que todo o novo álbum está “proggy”, e talvez ainda mais que antes. A primeira canção é só uma pequena amostra de toda a viagem.


MMG: Falando do passado: no ano passado, alguns dos discos antigos do VOIVOD foram lançados novamente. De “Rrröööaaarrr” até “Dimension Hatröss”, todos foram lançados em versão dupla, sendo remasterizados. Então, o que achou disso? E me permita dizer: isso ajudou muito, pois os fãs mais novos conseguirão achá-los novamente.

Snake: Estou muito feliz que finalmente estejam lançados. Levou um longo tempo para juntar tudo e arrumar os aspectos legais desses relançamentos. Graças a Away, que realmente trabalhou duro nisso. E o resultado é fantástico. A música meio que revive o passado, e há muito mais extras que faz todo o pacote uma coisa muito legal de se ter.


MMG: No show do Rio de Janeiro (nota: ocorrido em 01/05/2018), vocês tocaram uma nova e crua versão de “Voivod”, seu primeiro sucesso. Então, mesmo sem ser algo planejado, podemos sonhar com versões de “Rrröööaaarrr” ou “Killing Technology”? E como as coisas sobre guerras estão se tornando doentias pelo mundo, está na hora de uma nova versão para “Cockroaches”!

Snake: novas versões ou versões ao vivo, você escolhe. Muitas coisas ocorrem no palco. De “Rrröööaaarrr”, em geral tocamos “Korgull…”, e também tocamos muitas canções de “Killing Technology” no nosso setlist regular. Mas “Cockroaches”... Mmm.. Gosto da ideia!


MMG: Vocês farão alguns shows na Europa com MAGGOT HEART, NIGHTRAGE, e BIO-CANCER. Mas e os outros países, existem algo para nós?

Snake: Acho que vai ser um ano ótimo para nós, não se preocupe. Vocês são parte do plano!


MMG: Sendo brasileiro, é claro que preciso perguntar se existe uma possibilidade concreta de vermos o VOIVOD de volta, para devastar nossas terra uma vez mais.

Snake: O Brasil é um país muito grande. Amamos tocar aí. E ainda tem tanto dele que não vimos. Mal posso esperar para volta. E tenho certeza que os visitaremos em breve!


MMG: Bem, isso é tudo. Quero agradecer pela paciência, e, por favor, deixe sua mensagem para nossos leitores.

Snake: “The Wake” será lançado logo! É algo de que realmente estamos orgulhosos! Aproveitem!


Veja o vídeo de “Obsolete Beings”, primeira faixa liberada de “The Wake”:



Links de contato:


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

SYMMETRYA - Beyond the Darkness


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Recipe for Disaster
2. Rose the Hat
3. Fragments of Life
4. Lights Go Down
5. Dying Hard
6. Crime of the Century
7. Seeds of Suicide
8. Black Mirror
9. Harvester of Dreams
10. Insidious


Banda:


Jurandir Moreira - Vocais
Alexandre Lamim - Guitarras
Milton Maia - Teclados
Gean Carlos - Baixo
Marcos Vinicius - Bateria


Ficha Técnica:

Carlos Fides - Arte da capa, layout


Contatos:


Texto: “Metal Mark” Garcia


Em geral, fazer o “blend” de gêneros de Metal com elementos do Rock Progressivo em geral pode abranger um “range” amplo de musicalidades, e que pode dar em um belo “fail” ou em algo sublime. É preciso entender que este gênero em especial (que começou com o RUSH lá nos anos 70) tem particularidades que necessitam ser levadas em conta quando ouvimos discos deste. O Brasil tem bons representantes no gênero, e o SYMMETRYA, de Joinville (SC), mostra-se uma banda excelente, como o ótimo “Beyond the Darkness” deixa isso claro.

Eles preferem algo mais próximo ao “approach” clássico do Prog Metal, com muito peso, ótimas melodias e linhas vocais limpas (e que belo trabalho em termos de backing vocals, digamos de passagem). Não chega a ser um pecado dar como referência para eles bandas como QUUENRYCHE e FATES WARNING, uma vez que eles evitam exagerar na técnica. Mas o grande diferencial da banda é a capacidade de explorar possibilidades em termos de ambientação sonora, e fogem ao ponto comum ao qual estamos acostumados. Uma diferença sutil, mas que é extremamente importante para explica como essas canções grudam em nossos tímpanos!

Sim, “Beyond the Darkness” é um discão!

A sonoridade do disco nos dá a clara idéia de que tudo foi trabalhado com calma e esmero, em busca dos melhores timbres, e de uma qualidade sonora que pudesse ser limpa, e com as doses certas de peso e agressividade. As melodias estão bem audíveis, assim como todas as camadas sonoras e elementos que tornam o trabalho do grupo bem pessoal (e mais um ponto legal: há certos momentos em que a banda não coloca bases sob os solos de guitarra, o que os faz soar espontâneos). E a arte, feita por Carlos Fideis, é linda, algo que realmente chama nossa atenção e parece paralela aos temas líricos do grupo (que são baseados na literatura, ou sejam, eles buscam sua inspiração em livros, o que é algo sensacional para um país como o nosso, que carece de maior conhecimento).

Vocais bem trabalhados, guitarras com riffs e solos excelentes, baixo e bateria com boa dose de técnica e peso, e teclados que sempre criam atmosferas perfeitas, nós podemos dizer que a capacidade do SYMMETRYA em fazer música é talentosa, coisa de primeiro mundo. E a versatilidade eclética em termos de camadas sonoras (pois o grupo não se furta de usar elementos de outros gêneros do Metal em sua música) e arranjos que se encaixam como um Lego ajudam muito as canções de “Beyond the Darkness”.

Outro ponto forte: tirando “Insidious” e seus mais de 8 minutos de duração, a maioria das músicas dura, em média, entre 4 e 5 minutos, o que as torna mais simples de sere assimiladas pelos ouvintes não iniciados no estilo. E é preciso dizer que “Recipe for Disaster” (que transita entre o Metal tradicional e o Prog Metal belamente, e que tem um refrão precioso e um trabalho de baixo e bateria ótimo), as passagens mais etéreas bem arranjadas da bem balanceada “Rose the Hat” (o trabalho dos vocais ficou muito bom, com boa dicção e variação de timbres, além de um refrão carregado de bons backing vocals e teclados inteligentes), a grudenta e introspectiva “Fragments of Life” (mais uma vez, baixo e bateria se postando com boa diversidade técnica, sem exagerarem, e que refrão), a melodiosa balada de peso “Lights Go Down”, o peso melodioso e Prog Metal de “Dying Hard” (reparem como o jeito mais abrasivo dos riffs de guitarra pegou bem), as linhas melodiosas mais técnicas e grudentas de “Crime of the Century”, o peso moderno intenso e quase Groove que flui em meio aos arranjos de teclados de “Seeds of Suicide (S.O.S.)” (baixo e bateria arrasando mais uma vez), a maciez rascante e bem feita que transpira dos arranjos de “Black Mirror”, a dinâmica mezzo Hard ‘n’ Heavy, mezzo Prog Metal de “Harvester of Dreams”, e a viagem multifacetada de “Insidious” vão fazer a alegria de muitos fãs de Prog Metal mais ortodoxos, e de fãs de Metal que apenas querem ouvir algo de primeira. Ou seja, é um disco para se aplaudir de pé.

No mais, “Beyond the Darkness” é um disco de primeira grandeza, merece uma ouvida carinhosa, e é indicado para todos os fãs não só de Prog Metal, mas de música pesada em geral.

Nota: 97%


PAGAN THRONE - Live Thorhammerfest


Ano: 2018
Tipo: Disco ao vivo
Nacional


Tracklist:

1. Invasion
2. Swords of Blood
3. Rites of War
4. Fallen Heroes
5. Beast of the Sea
6. Path of Shadows


Banda:


Rodrigo Garm - Vocais
Renan Guerra - Guitarras
Hage - Teclados, programação
Eddie Torres - Baixo
Alexandre Daemortiis - Bateria


Ficha Técnica:

Thiago Freitas - Produção, mixagem, masterização
Rodrigo Garm - Arte da capa, layout


Contatos:

E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Apesar dos efeitos funestos da crise econômica que devasta o país, o Metal nacional parece estar vivendo um momento muito bom, com lançamentos de qualidade. É interessante perceber isso não apenas pelo lançamento de discos de estúdio ou EPs, mas também porque vemos discos ao vivo sendo lançados (um recurso que anda caindo no desuso nos últimos anos). E o quinteto carioca PAGAN THRONE mostra personalidade ao lançar “Live Throhammerfest”,

Gravado durante a apresentação da banda na edição de 2017 do festival Thorhammerfest, em São Paulo, temos a mostra pictórica do que é um show do quinteto: o Pagan Metal da banda, que mixa a agressividade do Black Metal de bandas como IMMORTAL e MARDUK com as sutilezas do Viking/Pagan Metal, funciona muito bem ao vivo, mantendo-se fiel ao que eles fazem estúdio, mas ficando ainda mais climático, denso e cheio daquela energia crua que os shows possuem. Dessa forma, se percebe que o grupo é coeso, que estavam muito bem ensaiados e mostrando seu melhor.

Sim, “Live Thorhammerfest” é um excelente disco ao vivo!

Em termos de qualidade sonora, ela é realmente o retrato do que temos no Brasil: uma qualidade muito boa, com a crueza dos shows presente. O peso está evidente, bem como se ouve a interação entre banda e público claramente, sem picaretagens (como aqueles discos em que se adicionam aplausos, e que sabemos que existem). A captação feita pelo Studio Prisco (São Paulo) ficou muito boa, bem como a mixagem e masterização dos THAF Studios (Rio de Janeiro). E a arte da capa é muito boa, bem como as fotos ao vivo no encarte do CD (esta edição em cardsleeve ficou bem legal, e lembrando: a crise econômica nos leva a economizar em muitos aspectos para que possamos lançar discos).

Ao vivo, o PAGAN THRONE vai muito bem, mostrando uma música dinâmica e bem arranjada. Uma olhada atenta nos mostra que o material gravado é oriundo inteiramente de “Swords of Blood”, disco da banda de 2015. Óbvio que poderiam existir faixas de seus outros discos, mas os lembro de que nesses festivais as bandas nacionais possuem tempo limitado para tocar, logo, pode ser a motivação. Mas não chega a ser um desabonador para o que se ouve no CD.

Em termos musicais, as cinco canções de “Live Thorhammerfest” são todas muito boas, mostrando que as versões ao vivo de “Swords of Blood” (os contrastes entre as partes mais agressivas com outras mais melodiosas ficou excelente, e reparem nos teclados de fundo e nas mudanças de ritmo bem feitas por baixo e bateria), da climática “Rites of War” (o ritmo mais cadenciado privilegia a melancólica ambientação pagã dada pelos teclados), de “Fallen Heroes” com sua pegada envolvente (guitarras e vocais fazendo um trabalho ótimo, sem contar que a presença de solos de guitarra é um diferencial da banda), “Beast of the Sea” com seu toque Pagan divertido à lá FINNTROLL e KORPIKLAANI, e da longa e bem trabalhada “Path of Shadows” merecem toda a atenção. Mesmo porque, musicalmente, se percebem nelas que o grupo possui influências musicais bem diversificadas que entram nas músicas.

O PAGAN THRONE continua sendo um grupo diferenciado dentro do cenário nacional, logo, descolem urgentemente suas cópias de “Live Thorhammerfest” antes que acabe!

Nota: 92%