segunda-feira, 17 de setembro de 2018

SUN DIAMOND - Sun Diamond


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Frozen Bones
2. Detached
3. Let Me Drunk (and R.I.P.)
4. Go to the Yard
5. She Took the High Road
6. To Call Home
7. Money Wars
8. Blackstar
9. My Bunker


Banda:


Ailton Neto - Vocais
Eduardo Teixeira - Guitarras
Leo Campanha - Guitarras
Miguel Guerra - Baixo
Lucas Alves - Bateria


Ficha Técnica:

João Figueirôa - Mixagem
Paulo Germano - Masterização


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://www.metalmedia.com.br/sundiamond (Metal Media)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Quando se fala em Nordeste para as pessoas fora do cenário Metal, muitos pensam em seca, miséria, coronéis e praias. Dentro do cenário, sabemos de muito tempo que a região sempre foi um celeiro para headbangers e bandas jovens de muito valor. E continuam brotando bandas e mais bandas por lá, sendo que um novato como o SUN DIAMOND, de Recife (PE), já chega metendo uma bicuda na porta com “Sun Diamond”, seu primeiro trabalho.

O quinteto é adepto do Heavy Metal tradicional, e nos fica óbvio que eles fazem um amálgama entre as vertentes europeias (em especial as da Inglaterra e da Alemanha) com algo que vem dos EUA. Basicamente, a música deles sangra em energia jovem, mas sempre encorpada com ótimas linhas melódicas e trabalho técnico muito bom. Apesar desse formato musical já estar bastante erodido pelo uso contínuo, os rapazes sabem como fazer as coisas a seu modo, logo, sente-se a energia deles embasada em uma personalidade musical sólida, e que mesmo sem ser novo, tem muito valor.

Em termos de produção sonora, “Sun Diamond” mostra algo cru e direto, sem muitas firulas e edições. A verdade é que a gravação no Estúdio Muzak, tendo a mixagem de João Figueirôa, e masterização de Paulo Germano, resultaram em algo mais simples e direto, buscando um clima bem “plug and play” que casou bem com a proposta do grupo. Sem enfeitar demais, fazendo tudo o mais próximo do que se pode fazer ao vivo, foi uma opção sábia.

Em termos de arte gráfica, o grupo optou por uma capa extremamente simples, mas essa forma sempre dá bons frutos, já que as atenções ficam todas na música, que é o mais importante.

Apesar da juventude e de algumas ressalvas a serem feitas (como os vocais, que podem melhorar em seus timbres no futuro, sendo que a voz em si é boa), o SUN DIAMOND é um grupo promissor, e uma grande revelação, e mostram sangue nos olhos suficiente para encararem grandes desafios. Em termos de arranjos e criatividade, não ficam devendo em nada a nomes já bem estabelecidos do cenário.

As 9 faixas de “Sun Diamond” mostram uma banda muito talentosa, onde se destacam a energia crua e envolvente de “Frozen Bones” (belas partes de baixo e bateria na condução do ritmo), o “feeling” Hard ‘n’ Roll de “Detached” (extremamente grudenta, com refrão de primeira, belos backing vocals, e os vocais estão bem), a diversidade musical de “Let Me Drunk (and R.I.P.)” (reparem os “inserts” de Jazz aqui e ali em uma faixa com uma descarga de energia absurda), o jeito meio “Sabbathíco” de “She Took the High Road”, a pegada mais melodiosa e introspectiva de “To Call Home” (reparem como nas partes mais lentas os vocais estão muito bem), e o jeitão agridoce de “My Bunker” (equilíbrio bem legal entre peso, melodia, agressividade e introspecção).

Desta forma, fica bem claro que o SUN DIAMOND realmente merece elogios pelo que ouvimos em “Sun Diamond”, mas eles têm potencial para irem ainda mais longe.

Nota: 82%


ANGUERE - Choque/Cadeia


Ano: 2018
Tipo: Full Length/Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional

 “Choque”


Tracklist:

1. HCRC
2. Campo Minado
3. Corrupção FDP
4. Estado de Choque
5. Espelho Imoral
6. Domínio do Mal
7. Guerra Santa
8. Anguere
9. Liberdade
10. Mecanismo Corroído
11. Olho Cego
12. Repressão


Banda:

Thiago Soares - Vocais
Cléber Roccon - Guitarras
Luciano Cecagno - Baixo
Adriano R. Padro - Bateria


Ficha Técnica:

Anguere - Produção
JB Estúdio - Gravação, mixagem, masterização
Wildner Lima - Artwork


“Cadeia”


Tracklist:

1. Barricada
2. Cadeia
3. N.O.I.A. (Ninguém Olha para Indivíduos Atormentados)


Banda:

Thiago Soares - Vocais
Cleber Roccon - Guitarras
Adriano R. Prado - Bateria


Ficha Técnica:

Anguere - Produção
Thiago Zepon - Gravação, mixagem, masterização


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Com o tempo, muitas vezes, a noção do que seria um estilo musical “de raiz” vai ficando mais e mais distante de nossas mentes, fato ocorrido devido à evolução constante que a música possui. Mas ainda bem que existem bandas que se prendem ao que há na Velha Escola, mantendo assim a chama acesa. No caso do Hardcore/Crossover, podemos aferir que o ANGUERE, de Rio Claro (SP), vem despejando uma violência extrema em “Choque” (de 2015) e no EP “Cadeia” (2017).

O grupo tem foco em um Hardcore/Thrashcore/Crossover com alguns “inserts” de ritmos regionais e mesmo os “blast beats” do Grindcore (que são perceptíveis em “Domínio do Mal”), mas sem ferir a aura impactante e suja do Hardcore. Nada disso, e nem de longe o grupo chega perto do Harcore moderno ou dos estilos mais melodiosos, aqui é cortunada na porta e dedada nos olhos, esbanjando energia e violência pelos falantes. E não adianta: eles não pegam leve de jeito nenhum, e isso é bom, já que sua música é um convite ao pogo sem dó, tamanha a energia que flui de suas canções. Em “Choque”, imperam a agressividade e o jeito mais voltado ao Crossover tradicional, enquanto em “Cadeia”, os inserts regionais e passagens com Groove são mais evidentes, fruto da evolução sonora do grupo, mas que de forma alguma descaracteriza sua música.

A produção tanto de “Choque” busca ser orgânica e abrasiva, fazendo com que a sonoridade seja mais suja e impactante, mas sempre com boa definição em termos de clareza. No caso de “Cadeia”, temos algo sonoramente mais burilado, profissional, mas mesmo assim, a brutalidade musical do grupo não ficou alterada (pelo contrário, parece ainda mais agressivo que antes). E a arte em ambos os lançamentos mostra algo simples, funcional, o espírito mais puro do HC feito em imagens, e casaram bem com os discos. A banda produziu ambos os discos, diferindo apenas em quem fez a mixagem e a masterização.

Se compararmos ambos os discos, veremos que “Choque” é um autêntico telefone nos tímpanos dado com tijolos, pois a musicalidade do grupo está mais direta e intensa, enquanto “Cadeia” nos mostra algo mais bem trabalhado, com uma musicalidade onde o Groove e passagens regionais ficaram mais evidentes (pois antes eram mais subjetivas devido à massa sonora que eles criavam). Mas a primeira ideia que se tem é que eles mantiveram sua identidade, pois impera a consensualidade, apesar dos anos que separam ambos os lançamentos.

“Choque” nos brinda com 12 tijoladas nos ouvidos, mostrando uma fúria HC como não se ouve há muitos anos. A curta e grossa “HCRC” (11 segundos de tiro e queda), o jeito Thrashcore moderno de “Campo Minado” (ritmo alternando entre a velocidade abusiva e as partes mais cadenciadas nos mostram como baixo e bateria são firmes e apresentam boa técnica), os toques regionais que surgem no meio do caos brutal de “Corrupção FDP” (andamento mais lento, vocais urrados no meio de riffs agressivos) e em “Estado de Choque” (esta com partes velozes empolgantes, além das partes mais grooveadas valorizadas por baixo e bateria), a pancadaria desmedida de “Domínio do Mal” (as partes com “blast beats” encaixam-se como uma luva à canção), o massacre grooveado de “Anguere” (onde elementos que se tornarão evidentes no futuro ficam bem claros aos nossos ouvidos), o Thrashcore trincado de “Mecanismo Corroído”, e a raiva gotejante de “Olho Cego” são os momentos mais marcantes do álbum, embora ele seja todo muito bom.

“Cadeia” tem apenas 3 canções, mas serve para mostrar como a música do grupo evoluiu. Há mais cuidados com o acabamento de cada uma das três, logo, se preparem. Em “Barricada” está presente um “blend” entre a agressividade de antes com maior presença de elementos regionais e mesmo passagens Rappeadas (e os vocais ficaram mais ricos em termos de timbres); em “Cadeia”, fora o groove intenso de antes, estão presentes partes com ritmos quebrados muito bons, que mostram a coesão de baixo e bateria; e fechando, temos “N.O.I.A. (Ninguém Olha para Indivíduos Atormentados)”, uma cuspida hardcorizada nos olhos, onde Groove e Thrashcore se fundem ao Hardcore para gerar algo bruto e empolgante,

Desta forma, percebe-se que “Choque” e “Cadeia” são discos que nos mostram uma banda com muita energia, disposta a ir longe. E digamos de passagem: o ANGUERE tem pegada e disposição para tanto!

Nota: 86% (cada disco)


WHITE DRAGON PROJECT - Prepare for the Changes


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Prepare for the Changes
2. The End of the World
3. Tears for Somebody
4. White Dragon
5. Light Warrior
6. Six Destinies
7. Evolution
8. I will Fly Free
9. Game of Life
10. Doomsday


Banda:


Leonardo Rodrigues - Vocais
Alex Cesar - Guitarras
Gabriel Fernandes - Guitarras
Jhony Mariano - Baixo
Rafael Fernandes - Teclados
Alisson Carvalho - Bateria

  
Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: https://www.facebook.com/wargodspress (Wargods Press)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Alguns discos nascem do esforço pessoal de um músico, do quanto ele põe de si em cada momento da criação da obra em si. E o projeto musical WHITE DRAGON PROJECT, nascido da vontade de ferro do vocalista Leonardo Rodrigues (que já passou por nomes como SOUL FIRE e HARMONYCA) em fazer com que o cenário da cidade de Cataguases (interior de MG) se fortaleça. E o que se ouve em “Prepare for the Changes”, primeiro disco do grupo, deixa evidente esse desejo não ficará no âmbito das ideias.

Ao ouvir o disco, se percebe um Heavy Metal tradicional vigoroso e cheio de energia, influenciado profundamente pelas bandas da NWOBHM (em especial, o IRON MAIDEN), embora com vários “inserts” do Hard Rock clássico (ou Classic Rock nas mais modernas rotulações do gênero) devido à presença de teclados, e de estruturas melódicas sólidas que são simples de serem assimiladas (do tipo que se ouve, se compreende e gosta). Uma fórmula musical já bem conhecida e usada muitas vezes, mas que sempre nos concede ótimos resultados quando há uma personalidade por trás do trabalho, e isso o WHITE DRAGON PROJECT tem, e muita.

Traduzindo: “Prepare for the Changes” é um disco muito bom.

Embora a qualidade sonora seja boa, nos concedendo um som visceral e próximo ao orgânico, ela poderia ser melhor. Fica óbvio que um pouco menos de crueza faria bem, pois nos momentos mais distorcidos e cheios de energia, a parte da limpeza e definição fica abaixo do que o trabalho do grupo precisa. Não está ruim, de forma alguma, mas poderia ser bem melhor.

No tocante à parte gráfica, vemos uma capa linda, que de forma bem subjetiva faz alusão ao nome do álbum. Em termos de diagramação, ficou ótimo, mas de um ponto de vista mais profissional, poderia ser melhor. Está ótimo, mas não excelente.

Agora, quando a música começa a rolar, qualquer ponto negativo vai sendo esmaecido diante de um trabalho tão sedutor. Há um equilíbrio entre a parte técnica (pois a execução das músicas é excelente, vide os toques mais Prog Metal de “Tears for Somebody”) e a criatividade melódica (como as linhas são inspiradas, grudentas, e bem definidas). Além disso, há uma aura positiva em “Prepare for the Changes”, algo que nos leva a enfrentar o dia a dia de peito aberto e sorriso no rosto. É o típico trabalho que faz bem ao espírito e ao coração, além dos ouvidos.

Destacar músicas nesse disco fica bem ao gosto do ouvinte, já que as 10 músicas de “Prepare for the Changes” são bem homogêneas. Mas a faixa-título (que se inicia com uma longa introdução climática cheia de teclados, precedendo uma canção com linhas melódicas ótimas e um trabalho lindo das guitarras, especialmente nos duetos), os contrastes de partes mais lentas e outras mais distorcidas de “The End of the World” (o que nos permite ver a fluência das harmonias, fora os vocais mostrarem variações de timbres muito boas), a pegada mais agressiva e empolgante de “Tears for Somebody” (as partes mais técnicas são ótimas, mostrando a força de baixo e bateria, mas que refrão grudento), a pegada cativante de “White Dragon” (outra com refrão marcante), a velocidade empolgante de “Light Warrior” (esta recheada por detalhes de guitarra que remetem um pouco ao HELLOWEEN clássico), as melodias mais introspectivas e belas de “I Will Fly Free” (que nos permite testemunhar a versatilidade criativa em termos de melodias da banda), e a pesada e grudenta “Doomsday” nos mostram que o grupo tende a crescer mais e mais no cenário nacional.

Não sei se “Prepare for the Changes” vai colocar o nome de Cataguases em evidência no cenário, mas que vai concretar o do WHITE DRAGON PROJECT como uma banda de primeira, ah, isso vai. Tenha certeza!
  
Nota: 81%


terça-feira, 11 de setembro de 2018

HAMMERFALL - Glory to the Brave (20 Year Anniversary Edition)


Ano: 2018
Tipo: Full Length (edição comemorativa Duplo CD+DVD)
Nacional


Tracklist:

Disco 1 (“Glory to the Brave”):

1. The Dragon Lies Bleeding
2. The Metal Age
3. HammerFall
4. I Believe
5. Child of the Damned
6. Steel Meets Steel
7. Stone Cold
8. Unchained
9. Glory to the Brave
10. Ravenlord
11. Glory to the Brave (Radio Edit)


Disco 2 (CD ao vivo):

1. The Metal Age (1998)                   
2. Steel Meets Steel (1998)                
3. Stone Cold (1998)                          
4. Glory to the Brave (2012)                        
5. Hammerfall (2012)                        
6. The Dragon Lies Bleeding (2012)                       
7. Glory to the Brave Medley (2017)         

             
Disco 3 (DVD):

The First Crusade:

1. Introduction                       
2. Steel Meets Steel - First Live Show                     
3. Glory To The Brave - Clip 1                   
4. HammerFall                       
5. Steel Meets Steel - Live                 
6. Glory to the Brave - Clip 2                      
7. The Making of “Glory to the Brave”
8. Ravenlord - Live  
9. The Metal Age - Live                    
10. Nominated for the Swedish Grammy Award                         
11. Stone Cold - Live

Entrevista (2017):

12. Chapter I: The Early Days                    
13. Chapter II: The Rockslaget Festival                 
14. Chapter III: The Album                        
15. Chapter IV: New Members, Wacken & Touring                   

Live Dynamo Festival 1998:

16. Child of the Damned                  
18. The Metal Age                 
19. Steel Meets Steel                          
20. Eternal Dark (Picture cover)                 
21. The Dragon Lies Bleeding                     
22. Stone Cold                       
23. HammerFall


Banda:


Joacim Cans - Vocais
Oscar Dronjak - Guitarras, backing vocals
Glenn Ljungström - Guitarras
Fredrik Larsson - Baixo, backing vocals


Ficha Técnica:

Fredrik Nordström - Produção, piano, teclados, backing vocals, remasterização (2017)
Andreas Marschall - Arte de capa
Göran Finnberg - Masterização
Niklas Isfält - Vocais (harmonias)
Stefan Elmgren - Guitarra solo em “I Believe”, violão
Hans Björk - Backing vocals
Patrik Räfling - Bateria
Mats Hansson - Guitarra solo


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Não existem clássicos absolutos no momento em que o disco em si é lançado.

A prova do tempo é aquele que mostrará quanto um disco será relevante para a banda em si, ou mesmo para dado estilo musical. Ou, como falamos em Metal, para uma de suas inúmeras vertentes.

Voltando aos anos 90, o sucesso do Metal nos EUA era algo do passado. Somente anos depois o gênero renasceria por lá, e mesmo assim com vertentes mais jovens. Na Europa, os estilos mais próximos ao Metal tradicional estavam fora de moda, e poucos se lembravam do Power Metal de raiz, com aquela sonoridade característica de nomes como ACCEPT, uma vez que o Black Metal e o Doom Gothic estavam fazendo enorme sucesso, e o Symphonic Metal começava a aparecer. Mas em 1997, as coisas começaram a mudar quando “Glory to the Brave”, primeiro disco do quinteto sueco HAMMERFALL viu a luz do dia. Esse disco causou uma reviravolta, com o Power Metal clássico voltando a ficar em evidência e novas bandas começarem a surgir.

Traduzindo: muito se deve a “Glory to the Brave”, e nada mais justo que um relançamento que comemorou os 20 anos de seu lançamento. E aqui temos “Glory to the Brave - 20 Years Anniversary Edition”, que chega ao Brasil pela parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil.

Um pouco de história: o quinteto foi fundado em 1993, quando o guitarrista Oscar Dronjak deixou o CEREMONIAL OATH (banda de Death Metal, e dali foi para o CRYSTAL LAKE) se juntou a Jesper Strömblad (guitarrista do IN FLAMES na época), a Johan Larsson (baixo, na época também do IN FLAMES, e que seria substituído no ano posterior por Fredrik Larsson, do DISPATCHED) e aos membros do DARK TRANQUILLITY Niklas Sundin (guitarras, que sairia e seria substituído por Glenn Ljungström, mais um do IN FLAMES), e Mikael Stanne (vocais). No início, o HAMMERFALL era apenas um projeto paralelo, até que em um concurso de bandas (chamado Rockslaget), devido à impossibilidade de Mikael cantar, chamaram Joacim Cans para cantar somente naquele show. Apesar da banda não se classificar para as finais, o show foi um sucesso e Joacim efetivado no posto.

Buscando expor seu trabalho (já tinham composta “Steel Meets Steel” na época), gravaram uma Demo Tape ao vivo e mandaram para o selo Vic Records (da Holanda), que lhes deu um contrato. Gastaram 1996 compondo o material original de “Glory to the Brave”. O disco foi lançado apenas na Holanda de início, mas o feedback foi tão bom que a Nuclear Blast alemã comprou os direitos e relançou mundialmente. Paremos a história por enquanto, e falemos do disco em si.

“Glory to the Brave - 20 Years Anniversary Edition” é, antes de tudo, um pacote de luxo: são dois CDs e um DVD. Logo, vamos por partes.

O CD 1 é, obviamente, “Glory to the Brave”, aqui remasterizado, com as faixas bônus “Ravenlord” (um cover do STORMWITCH, que era ausente na versão original e só presente em um Single, e eu tive a versão sem ela) e a edição para rádio de “Glory to the Brave” (obviamente mais curta que a original, e pode parecer estranho para muitos brasileiros, mas no exterior, o Metal rolava em rádios sem traumas). E a remasterização feita por Fredrik Nordström (sim, o produtor do disco) deu um peso e brilho extra à sonoridade (que era um pouco crua para os padrões do quinteto).

O CD 2 são versões ao vivo de várias canções de “Glory to the Brave”, em shows de 1998, 2012 e 2017 (deste ano especificamente, vieram “The Dragon Lies Bleeding” e o medley de canções do álbum, gravadas em um show da banda em Berlim). Aqui, se percebe que a velha energia continua a mesma com o passar dos anos. Algo de quem gosta do que faz.

O disco 3 é um DVD, com 3 partes distintas, o que o faze merecer um detalhamento com bastante calma.

A primeira parte é compreendida por trechos do documentário “The First Crusade”, de 1999. Lá estão entrevistas da época, algumas raridades (como a exibição de “Steel Meets Steel” vinda do primeiro show deles, em 1996), os vídeos oficiais de “Glory to the Brave” (duas versões disponibilizadas) e “HammerFall”, o “making of” do vídeo de “Glory to the Brave”, gravações ao vivo para “Ravenlord”, “The Metal Age” e “Stone Cold” (este gravada no Dynamo Open Air Festival de 1998), e a nomeação para o Grammy Award sueco (não ganharam, mas mostrou a força do grupo e do Heavy Metal).

A segunda é uma entrevista de 2017, dividida em quatro partes. Óbvio que Oscar e Joacim aparecem bastante, mas Fredrik tem sua vez, assim como Glenn aparece também. Ali, eles falam sobre o início, o festival Rockslaget onde a banda fechou sua formação, as gravações (e situações) sobre a gravação do disco, e sobre a chegada dos novos membros, a apresentação no Wacken Open Air Festival de 1997 (onde tocaram para em torno de 10 mil pessoas). Tudo muito divertido e narrado de forma espontânea.

Fechando o DVD, a apresentação do quinteto no Dynamo Open Air de 1998. Aqui se percebe a energia e crueza da banda na época, sua performance cativante no palco. E justamente a ausência de bandas nessa linha que os levaram ao sucesso. E verdade seja dita: ver e ouvir “Child of the Damned” (cover do WARLORD, fato já conhecido), “The Metal Age”, “Steel Meets Steel”, “Eternal Dark” (sim, o cover do PICTURE que apareceria em algumas versões de “Legacy of Kings”), “The Dragon Lies Bleeding”, “Stone Cold”, e “HammerFall”.

Além disso, quando olhamos o encarte e a nova arte, é de ficar de queixo caído: fotos da época, depoimentos, textos falando das gravações, da apresentação no Wacken Open Air Festival, e tudo enriquecido por fotos e mais fotos. Lindo trabalho de arte e pesquisa.

Ah, vocês querem comentários sobre as músicas do disco em si?

Não é algo necessário. Músicas como “The Dragon Lies Bleeding”, “HammerFall”, “Steel Meets Steel”, “Stone Cold” e “Glory to the Brave” são hinos do Heavy/Power metal que marcaram toda uma geração que viu o gênero renascendo com toda força, e desencadeando uma nova invasão.

A verdade é que “Glory to the Brave - 20 Years Anniversary Edition” é um lançamento maravilhoso, que merece a aquisição imediata, e a degustação mais lenta possível.

All Hail HAMMERFALL!


Nota: 100%


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

DRAGONFORCE - Re-Powered Within


Ano: 2018
Tipo: Full Length (remixado, remasterizado)
Nacional


Tracklist:

1. Holding On
2. Fallen World
3. Cry Thunder
4. Give Me the Night
5. Wings of Liberty
6. Seasons
7. Heart of the Storm
8. Die by the Sword
9. Last Man Stands
10. Seasons (acoustic version)
11. Power of the Ninja Sword
12. Heart of the Storm (alternate chorus version)
13. Avant Le Tempête (instrumental)


Banda:


Marc Hudson - Vocais, backing vocals
Herman Li - Guitarras, backing vocals
Sam Totman - Guitarras, backing vocals
Frédéric Leclercq - Baixo, guitarras, vocais agressivos
Vadim Pruzhanov - Teclados, piano, backing vocals
Dave Mackintosh - Bateria, backing vocals


Ficha Técnica:

Damien Rainaud - Remixagem, remasterização
Herman Li - Produção, engenharia
Frédéric Leclercq - Produção
Sam Totman - Produção
Karl Groom - Mixagem, masterização, produção
Peter van't Riet - Masterização
Clive Nolan - Backing vocals
Emily Alice Ovenden - Backing vocals


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Quanto mais as bandas crescem, mais elas se apegam aos próprios erros, e buscam compensá-los. E nos últimos 15-20 anos, o processo de regravar discos lançados há décadas se tornou um recurso quando os músicos não se sentem à vontade com o que fizeram. As questões internas que levam ao lançamento de um disco podem ser comprometidas por fatores inusitados, como mudanças de formação. E é essa a motivação para o relançamento de “The Power Within” do sexteto DRAGONFORCE, renomeado “Re-Powered Within”, que ganha sua versão nacional via Shinigami Records.

Para quem não se lembra mais, um refresco: “The Power Within” foi lançado em 15/04/2012, sendo que Marc Hudson foi anunciado como novo vocalista em 02/03/2011, ou seja, pouco mais de um ano e 2 meses antes, e sendo que o grupo já se encontrava trabalhando nas canções desde o início de 2010, ainda sem vocalista (ZP Theart saiu em Março de 2009), e ainda lançou o ao vivo “Twilight Dementia” em Setembro de 2010. Quando a banda atinge essas dimensões, todos os trabalhos de bastidores tomam um intervalo de tempo considerável, e imaginem ainda o número de audições até chegarem a Marc...

Deve ter sido estafante conseguir fazer o disco nessas condições, sendo que Marc não tinha experiência alguma como músico profissional, e se deve pensar nas pressões contratuais para lançar álbum novo, o desejo dos fãs e outras inúmeras complicações. Mas o que se ouvia na época era o estilo clássico do grupo, apenas com Marc ocupando o posto de cantor principal. Sim, é o mesmo Power Metal melodioso e com “inserts” extremos, com os mesmos “shreds” extremos nos solos de guitarra, mas a estruturação estilística é basicamente igual à de sempre, a mesma solidez musical de antes, com ótimas melodias, cada refrão tratado com cuidado para ser assimilado com a maior facilidade possível. Mas em “Re-Powered Within”, tudo foi remixado e remasterizado (e conforme declarações do baixista Frédéric, o disco ficou só nisso, sem partes refeitas), ganhando uma arte nova, bem como algumas canções extras.

Ou seja, esse é um dos discos que fazem remixagem e remasterização, mas mantêm seus valores originais, e assim “Re-Powered Within” ganha alguns valores novos. E verdade seja dita: a versão original já era ótima, e a nova está fantástica, com uma qualidade de áudio fenomenal. O trabalho de Damien Rainaud (baixista do ONCE HUMAN), que deu uma sonoridade mais moderna e bem “na cara”, com peso e clareza absurdos. Ganhou peso e clareza, sem sombra de dúvidas. Além disso, com a arte nova ficou bela, com tudo bem melhorado em termos de diagramação, uma capa que mantém as características originais, levando-as a um novo patamar.

Se “The Power Within” chegou tendo que vencer uma resistência inicial pela saída de ZP Theart após 9 anos na banda, “Re-Powered Within” chega em um excelente momento, levando a versão original ao que ela poderia ter sido. Digamos que o enfoque mais moderno dado pelos novos processos de gravação e mixagem casou bem, criando o “link” entre o sexteto de antes com o de hoje.

No mais, canções como a empolgante e veloz “Holding On” (os vocais mostram um trabalho de primeira com suas mudanças de timbres, além dos backing vocals excelentes e que refrão), seguida da também rápida “Fallen World” (que segue a mesma linha da anterior, novamente com os vocais fazendo um trabalho excelente, fora os momentos em que o baixo se faz mais audível), a marcante “Cry Thunder” (uma das músicas mais marcantes do grupo, sem velocidade extrema no ritmo, e onde se percebe a força do trabalho da sessão rítmica do grupo, com baixo e bateria fazendo bonito, e Dave mostrando sua precisão nas baquetas), o climão acessível e quase Hard Rock que preenche “Seasons” (boa participação dos teclados de Vadin, do baixo e dos backing vocals), as linhas melódicas caprichadas de “Heart of the Storm” e de “Last Man Stands” (ambas com as guitarras de Herman e Sam cuspindo fogo), além da versão acústica para “Seasons” já mostravam o que o DRAGONFORCE pode render, mas que aqui se mostram em um patamar mais elevado de qualidade.

Mas existem extras: a excelente “Power of the Ninja Sword” (um “cover” para uma canção do SHADOW WARRIORS, um antigo projeto paralelo de Sam e ZP, e o estilo mais clássico do sexteto deu uma amaciada em termos técnicos que ficou excelente), a versão com refrão alternativo de “Heart of the Storm”, além da instrumental amena “Avant Le Tempête”.

Não tem jeito: amem ou odeiem, mas o DRAGONFORCE realmente está em outro nível. E “Re-Powered Within” mostra isso com clareza.

Nota: 97%