Quando se fala em Nordeste para as pessoas fora do cenário
Metal, muitos pensam em seca, miséria, coronéis e praias. Dentro do cenário,
sabemos de muito tempo que a região sempre foi um celeiro para headbangers e
bandas jovens de muito valor. E continuam brotando bandas e mais bandas por lá,
sendo que um novato como o SUN DIAMOND,
de Recife (PE), já chega metendo uma bicuda na porta com “Sun Diamond”, seu primeiro trabalho.
O quinteto é adepto do Heavy Metal tradicional, e nos fica
óbvio que eles fazem um amálgama entre as vertentes europeias (em especial as
da Inglaterra e da Alemanha) com algo que vem dos EUA. Basicamente, a música
deles sangra em energia jovem, mas sempre encorpada com ótimas linhas melódicas
e trabalho técnico muito bom. Apesar desse formato musical já estar bastante
erodido pelo uso contínuo, os rapazes sabem como fazer as coisas a seu modo,
logo, sente-se a energia deles embasada em uma personalidade musical sólida, e
que mesmo sem ser novo, tem muito valor.
Em termos de produção sonora, “Sun Diamond” mostra algo cru e direto, sem muitas firulas e
edições. A verdade é que a gravação no Estúdio Muzak, tendo a mixagem de João Figueirôa, e masterização de Paulo Germano, resultaram em algo mais
simples e direto, buscando um clima bem “plug and play” que casou bem com a
proposta do grupo. Sem enfeitar demais, fazendo tudo o mais próximo do que se
pode fazer ao vivo, foi uma opção sábia.
Em termos de arte gráfica, o grupo optou por uma capa
extremamente simples, mas essa forma sempre dá bons frutos, já que as atenções
ficam todas na música, que é o mais importante.
Apesar da juventude e de algumas ressalvas a serem feitas (como os vocais,
que podem melhorar em seus timbres no futuro, sendo que a voz em si é boa), o SUN DIAMOND é um grupo promissor, e uma grande revelação, e mostram
sangue nos olhos suficiente para encararem grandes desafios. Em termos de
arranjos e criatividade, não ficam devendo em nada a nomes já bem estabelecidos
do cenário.
As 9 faixas de “Sun
Diamond” mostram uma banda muito talentosa, onde se destacam a energia crua
e envolvente de “Frozen Bones” (belas
partes de baixo e bateria na condução do ritmo), o “feeling” Hard ‘n’ Roll de “Detached” (extremamente grudenta, com
refrão de primeira, belos backing vocals, e os vocais estão bem), a diversidade
musical de “Let Me Drunk (and R.I.P.)”
(reparem os “inserts” de Jazz aqui e ali em uma faixa com uma descarga de
energia absurda), o jeito meio “Sabbathíco” de “She Took the High Road”, a pegada mais melodiosa e introspectiva
de “To Call Home” (reparem como nas
partes mais lentas os vocais estão muito bem), e o jeitão agridoce de “My Bunker” (equilíbrio bem legal entre
peso, melodia, agressividade e introspecção).
Desta forma, fica bem claro que o SUN DIAMOND realmente merece elogios pelo que ouvimos em “Sun Diamond”, mas eles têm potencial
para irem ainda mais longe.
Com o tempo, muitas vezes, a noção do que seria um estilo
musical “de raiz” vai ficando mais e mais distante de nossas mentes, fato
ocorrido devido à evolução constante que a música possui. Mas ainda bem que
existem bandas que se prendem ao que há na Velha Escola, mantendo assim a chama
acesa. No caso do Hardcore/Crossover, podemos aferir que o ANGUERE, de Rio Claro (SP), vem despejando uma violência extrema em
“Choque” (de 2015) e no EP “Cadeia” (2017).
O grupo tem foco em um Hardcore/Thrashcore/Crossover com
alguns “inserts” de ritmos regionais e mesmo os “blast beats” do Grindcore (que
são perceptíveis em “Domínio do Mal”),
mas sem ferir a aura impactante e suja do Hardcore. Nada disso, e nem de longe
o grupo chega perto do Harcore moderno ou dos estilos mais melodiosos, aqui é cortunada
na porta e dedada nos olhos, esbanjando energia e violência pelos falantes. E
não adianta: eles não pegam leve de jeito nenhum, e isso é bom, já que sua
música é um convite ao pogo sem dó, tamanha a energia que flui de suas canções.
Em “Choque”, imperam a agressividade
e o jeito mais voltado ao Crossover tradicional, enquanto em “Cadeia”, os inserts regionais e
passagens com Groove são mais evidentes, fruto da evolução sonora do grupo, mas
que de forma alguma descaracteriza sua música.
A produção tanto de “Choque”
busca ser orgânica e abrasiva, fazendo com que a sonoridade seja mais suja e
impactante, mas sempre com boa definição em termos de clareza. No caso de “Cadeia”, temos algo sonoramente mais
burilado, profissional, mas mesmo assim, a brutalidade musical do grupo não
ficou alterada (pelo contrário, parece ainda mais agressivo que antes). E a
arte em ambos os lançamentos mostra algo simples, funcional, o espírito mais
puro do HC feito em imagens, e casaram bem com os discos. A banda produziu ambos os discos, diferindo apenas em quem fez a mixagem e a masterização.
Se compararmos ambos os discos, veremos que “Choque” é um autêntico telefone nos
tímpanos dado com tijolos, pois a musicalidade do grupo está mais direta e
intensa, enquanto “Cadeia” nos
mostra algo mais bem trabalhado, com uma musicalidade onde o Groove e passagens
regionais ficaram mais evidentes (pois antes eram mais subjetivas devido à
massa sonora que eles criavam). Mas a primeira ideia que se tem é que eles
mantiveram sua identidade, pois impera a consensualidade, apesar dos anos que
separam ambos os lançamentos.
“Choque” nos
brinda com 12 tijoladas nos ouvidos, mostrando uma fúria HC como não se ouve há
muitos anos. A curta e grossa “HCRC”
(11 segundos de tiro e queda), o jeito Thrashcore moderno de “Campo Minado” (ritmo alternando entre
a velocidade abusiva e as partes mais cadenciadas nos mostram como baixo e
bateria são firmes e apresentam boa técnica), os toques regionais que surgem no
meio do caos brutal de “Corrupção FDP” (andamento
mais lento, vocais urrados no meio de riffs agressivos) e em “Estado de Choque” (esta com partes
velozes empolgantes, além das partes mais grooveadas valorizadas por baixo e
bateria), a pancadaria desmedida de “Domínio
do Mal” (as partes com “blast beats” encaixam-se como uma luva à canção), o
massacre grooveado de “Anguere”
(onde elementos que se tornarão evidentes no futuro ficam bem claros aos nossos
ouvidos), o Thrashcore trincado de “Mecanismo
Corroído”, e a raiva gotejante de “Olho
Cego” são os momentos mais marcantes do álbum, embora ele seja todo muito
bom.
Já “Cadeia” tem
apenas 3 canções, mas serve para mostrar como a música do grupo evoluiu. Há
mais cuidados com o acabamento de cada uma das três, logo, se preparem. Em “Barricada” está presente um “blend”
entre a agressividade de antes com maior presença de elementos regionais e
mesmo passagens Rappeadas (e os vocais ficaram mais ricos em termos de timbres);
em “Cadeia”, fora o groove intenso
de antes, estão presentes partes com ritmos quebrados muito bons, que mostram a
coesão de baixo e bateria; e fechando, temos “N.O.I.A. (Ninguém Olha para Indivíduos Atormentados)”, uma cuspida
hardcorizada nos olhos, onde Groove e Thrashcore se fundem ao Hardcore para
gerar algo bruto e empolgante,
Desta forma, percebe-se que “Choque” e “Cadeia” são
discos que nos mostram uma banda com muita energia, disposta a ir longe. E
digamos de passagem: o ANGUERE tem
pegada e disposição para tanto!
Alguns discos nascem do esforço pessoal de um músico, do
quanto ele põe de si em cada momento da criação da obra em si. E o projeto
musical WHITE DRAGON PROJECT, nascido da
vontade de ferro do vocalista Leonardo
Rodrigues (que já passou por nomes como SOUL FIRE e HARMONYCA)
em fazer com que o cenário da cidade de Cataguases (interior de MG) se
fortaleça. E o que se ouve em “Prepare
for the Changes”, primeiro disco do grupo, deixa evidente esse desejo não
ficará no âmbito das ideias.
Ao ouvir o disco, se percebe um Heavy Metal tradicional
vigoroso e cheio de energia, influenciado profundamente pelas bandas da NWOBHM
(em especial, o IRON MAIDEN), embora
com vários “inserts” do Hard Rock clássico (ou Classic Rock nas mais modernas
rotulações do gênero) devido à presença de teclados, e de estruturas melódicas
sólidas que são simples de serem assimiladas (do tipo que se ouve, se
compreende e gosta). Uma fórmula musical já bem conhecida e usada muitas vezes,
mas que sempre nos concede ótimos resultados quando há uma personalidade por
trás do trabalho, e isso o WHITE DRAGON PROJECT tem, e muita.
Traduzindo: “Prepare
for the Changes” é um disco muito bom.
Embora a qualidade sonora seja boa, nos concedendo um som
visceral e próximo ao orgânico, ela poderia ser melhor. Fica óbvio que um pouco
menos de crueza faria bem, pois nos momentos mais distorcidos e cheios de
energia, a parte da limpeza e definição fica abaixo do que o trabalho do grupo
precisa. Não está ruim, de forma alguma, mas poderia ser bem melhor.
No tocante à parte gráfica, vemos uma capa linda, que de
forma bem subjetiva faz alusão ao nome do álbum. Em termos de diagramação,
ficou ótimo, mas de um ponto de vista mais profissional, poderia ser melhor.
Está ótimo, mas não excelente.
Agora, quando a música começa a rolar, qualquer ponto
negativo vai sendo esmaecido diante de um trabalho tão sedutor. Há um
equilíbrio entre a parte técnica (pois a execução das músicas é excelente, vide
os toques mais Prog Metal de “Tears for
Somebody”) e a criatividade melódica (como as linhas são inspiradas,
grudentas, e bem definidas). Além disso, há uma aura positiva em “Prepare for the Changes”, algo que nos
leva a enfrentar o dia a dia de peito aberto e sorriso no rosto. É o típico
trabalho que faz bem ao espírito e ao coração, além dos ouvidos.
Destacar músicas nesse disco fica bem ao gosto do ouvinte,
já que as 10 músicas de “Prepare for the
Changes” são bem homogêneas. Mas a faixa-título (que se inicia com uma
longa introdução climática cheia de teclados, precedendo uma canção com linhas
melódicas ótimas e um trabalho lindo das guitarras, especialmente nos duetos), os
contrastes de partes mais lentas e outras mais distorcidas de “The End of the World” (o que nos
permite ver a fluência das harmonias, fora os vocais mostrarem variações de
timbres muito boas), a pegada mais agressiva e empolgante de “Tears for Somebody” (as partes mais
técnicas são ótimas, mostrando a força de baixo e bateria, mas que refrão
grudento), a pegada cativante de “White
Dragon” (outra com refrão marcante), a velocidade empolgante de “Light Warrior” (esta recheada por
detalhes de guitarra que remetem um pouco ao HELLOWEEN clássico), as melodias mais introspectivas e belas de “I Will Fly Free” (que nos permite
testemunhar a versatilidade criativa em termos de melodias da banda), e a
pesada e grudenta “Doomsday” nos
mostram que o grupo tende a crescer mais e mais no cenário nacional.
Não sei se “Prepare
for the Changes” vai colocar o nome de Cataguases em evidência no cenário,
mas que vai concretar o do WHITE DRAGON PROJECT
como uma banda de primeira, ah, isso vai. Tenha certeza!
Não existem clássicos absolutos no momento em que o disco em
si é lançado.
A prova do tempo é aquele que mostrará quanto um disco será
relevante para a banda em si, ou mesmo para dado estilo musical. Ou, como
falamos em Metal, para uma de suas inúmeras vertentes.
Voltando aos anos 90, o sucesso do Metal nos EUA era algo do
passado. Somente anos depois o gênero renasceria por lá, e mesmo assim com
vertentes mais jovens. Na Europa, os estilos mais próximos ao Metal tradicional
estavam fora de moda, e poucos se lembravam do Power Metal de raiz, com aquela sonoridade
característica de nomes como ACCEPT,
uma vez que o Black Metal e o Doom Gothic estavam fazendo enorme sucesso, e o Symphonic
Metal começava a aparecer. Mas em 1997, as coisas começaram a mudar quando “Glory to the Brave”, primeiro disco do
quinteto sueco HAMMERFALL viu a luz
do dia. Esse disco causou uma reviravolta, com o Power Metal clássico voltando
a ficar em evidência e novas bandas começarem a surgir.
Traduzindo: muito se deve a “Glory to the Brave”, e nada mais justo que um relançamento que
comemorou os 20 anos de seu lançamento. E aqui temos “Glory to the Brave - 20 Years Anniversary Edition”, que chega ao
Brasil pela parceria da Shinigami
Records com a Nuclear Blast Brasil.
Um pouco de história: o quinteto foi fundado em 1993, quando
o guitarrista Oscar Dronjak deixou o
CEREMONIAL OATH (banda de Death Metal,
e dali foi para o CRYSTAL LAKE) se
juntou a Jesper Strömblad (guitarrista
do IN FLAMES na época), a Johan Larsson (baixo, na época também
do IN FLAMES, e que seria
substituído no ano posterior por Fredrik
Larsson, do DISPATCHED) e aos
membros do DARK TRANQUILLITYNiklas Sundin (guitarras, que sairia e
seria substituído por Glenn Ljungström,
mais um do IN FLAMES), e Mikael Stanne (vocais). No início, o HAMMERFALL era apenas um projeto
paralelo, até que em um concurso de bandas (chamado Rockslaget), devido à impossibilidade de Mikael cantar, chamaram Joacim
Cans para cantar somente naquele show. Apesar da banda não se classificar
para as finais, o show foi um sucesso e Joacim
efetivado no posto.
Buscando expor seu trabalho (já tinham composta “Steel Meets Steel” na época), gravaram
uma Demo Tape ao vivo e mandaram para o selo Vic Records (da Holanda), que lhes deu um contrato. Gastaram 1996
compondo o material original de “Glory
to the Brave”. O disco foi lançado apenas na Holanda de início, mas o feedback
foi tão bom que a Nuclear Blast
alemã comprou os direitos e relançou mundialmente. Paremos a história por enquanto,
e falemos do disco em si.
“Glory to the Brave -
20 Years Anniversary Edition” é, antes de tudo, um pacote de luxo: são dois
CDs e um DVD. Logo, vamos por partes.
O CD 1 é, obviamente, “Glory
to the Brave”, aqui remasterizado, com as faixas bônus “Ravenlord” (um cover do STORMWITCH,
que era ausente na versão original e só presente em um Single, e eu tive a
versão sem ela) e a edição para rádio de “Glory
to the Brave” (obviamente mais curta que a original, e pode parecer
estranho para muitos brasileiros, mas no exterior, o Metal rolava em rádios sem
traumas). E a remasterização feita por Fredrik
Nordström (sim, o produtor do disco) deu um peso e brilho extra à sonoridade
(que era um pouco crua para os padrões do quinteto).
O CD 2 são versões ao vivo de várias canções de “Glory to the Brave”, em shows de 1998,
2012 e 2017 (deste ano especificamente, vieram “The Dragon Lies Bleeding” e o medley de canções do álbum, gravadas
em um show da banda em Berlim). Aqui, se percebe que a velha energia continua a
mesma com o passar dos anos. Algo de quem gosta do que faz.
O disco 3 é um DVD, com 3 partes distintas, o que o faze merecer
um detalhamento com bastante calma.
A primeira parte é compreendida por trechos do documentário “The First Crusade”, de 1999.Lá estão entrevistas da época, algumas
raridades (como a exibição de “Steel
Meets Steel” vinda do primeiro show deles, em 1996), os vídeos oficiais de “Glory to the Brave” (duas versões
disponibilizadas) e “HammerFall”, o “making
of” do vídeo de “Glory to the Brave”,
gravações ao vivo para “Ravenlord”, “The
Metal Age” e “Stone Cold” (este
gravada no Dynamo Open Air Festival de
1998), e a nomeação para o Grammy Award sueco
(não ganharam, mas mostrou a força do grupo e do Heavy Metal).
A segunda é uma entrevista de 2017, dividida em quatro
partes. Óbvio que Oscar e Joacim aparecem bastante, mas Fredrik tem sua vez, assim como Glenn aparece também. Ali, eles falam
sobre o início, o festival Rockslaget
onde a banda fechou sua formação, as gravações (e situações) sobre a gravação
do disco, e sobre a chegada dos novos membros, a apresentação no Wacken Open Air Festival de 1997 (onde
tocaram para em torno de 10 mil pessoas). Tudo muito divertido e narrado de
forma espontânea.
Fechando o DVD, a apresentação do quinteto no Dynamo Open Air de 1998. Aqui se
percebe a energia e crueza da banda na época, sua performance cativante no
palco. E justamente a ausência de bandas nessa linha que os levaram ao sucesso.
E verdade seja dita: ver e ouvir “Child
of the Damned” (cover do WARLORD,
fato já conhecido), “The Metal Age”, “Steel
Meets Steel”, “Eternal Dark” (sim, o cover do PICTURE que apareceria em algumas versões de “Legacy of Kings”), “The Dragon
Lies Bleeding”, “Stone Cold”, e “HammerFall”.
Além disso, quando olhamos o encarte e a nova arte, é de
ficar de queixo caído: fotos da época, depoimentos, textos falando das
gravações, da apresentação no Wacken Open
Air Festival, e tudo enriquecido por fotos e mais fotos. Lindo trabalho de
arte e pesquisa.
Ah, vocês querem comentários sobre as músicas do disco em
si?
Não é algo necessário. Músicas como “The Dragon Lies Bleeding”, “HammerFall”, “Steel Meets Steel”, “Stone
Cold” e “Glory to the Brave” são
hinos do Heavy/Power metal que marcaram toda uma geração que viu o gênero
renascendo com toda força, e desencadeando uma nova invasão.
A verdade é que “Glory
to the Brave - 20 Years Anniversary Edition” é um lançamento maravilhoso,
que merece a aquisição imediata, e a degustação mais lenta possível.
Quanto mais as bandas crescem, mais elas se apegam aos
próprios erros, e buscam compensá-los. E nos últimos 15-20 anos, o processo de
regravar discos lançados há décadas se tornou um recurso quando os músicos não
se sentem à vontade com o que fizeram. As questões internas que levam ao
lançamento de um disco podem ser comprometidas por fatores inusitados, como
mudanças de formação. E é essa a motivação para o relançamento de “The Power Within” do sexteto DRAGONFORCE, renomeado “Re-Powered Within”, que ganha sua
versão nacional via Shinigami Records.
Para quem não se lembra mais, um refresco: “The Power Within” foi lançado em 15/04/2012,
sendo que Marc Hudson foi anunciado
como novo vocalista em 02/03/2011, ou seja, pouco mais de um ano e 2 meses
antes, e sendo que o grupo já se encontrava trabalhando nas canções desde o
início de 2010, ainda sem vocalista (ZP
Theart saiu em Março de 2009), e ainda lançou o ao vivo “Twilight Dementia” em Setembro de 2010.
Quando a banda atinge essas dimensões, todos os trabalhos de bastidores tomam um intervalo de tempo considerável, e imaginem ainda o número de audições até chegarem a Marc...
Deve ter sido estafante conseguir fazer o disco nessas condições, sendo que Marc não tinha experiência alguma como músico
profissional, e se deve pensar nas pressões contratuais para lançar álbum novo, o desejo dos fãs e outras inúmeras complicações. Mas o que se ouvia na época era o estilo clássico do grupo,
apenas com Marc ocupando o posto de
cantor principal. Sim, é o mesmo Power Metal melodioso e com “inserts”
extremos, com os mesmos “shreds” extremos nos solos de guitarra, mas a
estruturação estilística é basicamente igual à de sempre, a mesma solidez
musical de antes, com ótimas melodias, cada refrão tratado com cuidado para ser
assimilado com a maior facilidade possível. Mas em “Re-Powered Within”, tudo foi remixado e remasterizado (e conforme
declarações do baixista Frédéric, o
disco ficou só nisso, sem partes refeitas), ganhando uma arte nova, bem como algumas
canções extras.
Ou seja, esse é um dos discos que fazem remixagem e
remasterização, mas mantêm seus valores originais, e assim “Re-Powered Within” ganha alguns valores novos. E verdade seja dita: a versão original já era ótima, e a
nova está fantástica, com uma qualidade de áudio fenomenal. O trabalho de Damien Rainaud (baixista do ONCE HUMAN), que deu uma sonoridade
mais moderna e bem “na cara”, com peso e clareza absurdos. Ganhou peso e
clareza, sem sombra de dúvidas. Além disso, com a arte nova ficou bela, com
tudo bem melhorado em termos de diagramação, uma capa que mantém as
características originais, levando-as a um novo patamar.
Se “The Power Within”
chegou tendo que vencer uma resistência inicial pela saída de ZP Theart após 9 anos na banda, “Re-Powered Within” chega em um
excelente momento, levando a versão original ao que ela poderia ter sido.
Digamos que o enfoque mais moderno dado pelos novos processos de gravação e
mixagem casou bem, criando o “link” entre o sexteto de antes com o de hoje.
No mais, canções como a empolgante e veloz “Holding On” (os vocais mostram um
trabalho de primeira com suas mudanças de timbres, além dos backing vocals excelentes
e que refrão), seguida da também rápida “Fallen
World” (que segue a mesma linha da anterior, novamente com os vocais
fazendo um trabalho excelente, fora os momentos em que o baixo se faz mais
audível), a marcante “Cry Thunder” (uma
das músicas mais marcantes do grupo, sem velocidade extrema no ritmo, e onde se
percebe a força do trabalho da sessão rítmica do grupo, com baixo e bateria
fazendo bonito, e Dave mostrando sua precisão nas baquetas), o climão acessível e quase Hard Rock que preenche “Seasons” (boa participação dos
teclados de Vadin, do baixo e dos backing vocals), as linhas melódicas caprichadas de “Heart of the Storm” e de “Last Man Stands” (ambas com as
guitarras de Herman e Sam cuspindo fogo), além da versão
acústica para “Seasons” já mostravam
o que o DRAGONFORCE pode render, mas
que aqui se mostram em um patamar mais elevado de qualidade.
Mas existem extras: a excelente “Power of the Ninja Sword” (um “cover” para uma canção do SHADOW WARRIORS, um antigo projeto paralelo
de Sam e ZP, e o estilo mais clássico do sexteto deu uma amaciada em termos
técnicos que ficou excelente), a versão com refrão alternativo de “Heart of the Storm”, além da
instrumental amena “Avant Le Tempête”.
Não tem jeito: amem ou odeiem, mas o DRAGONFORCE realmente está em outro nível. E “Re-Powered Within” mostra isso com clareza.