sexta-feira, 21 de setembro de 2018

ULTHA - The Inextricable Wandering



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Century Media Records
Importado


Tracklist:

1. The Avarist (Eyes of a Tragedy)
2. With Knives to the Throat and Hell in Your Heart
3. There is No Love, High Up in the Gallows
4. Cyanide Lips
5. We Only Speak in Darkness
6. I’m Afraid to Follow You There


Banda:


Ralph Schmidt - Guitarras, vocais
Andy Rosczyk - Efeitos eletrônicos, teclados
Chris Noir - Baixo, vocais
Manuel Schaub - Bateria


Ficha Técnica:

Andy Rosczyk - Mixagem, gravação
Michael Schwabe - Masterização


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


O Black Metal na Alemanha sempre foi um estilo preso às profundezas do underground. Apenas nomes como MYSTIC CIRCLE, AGATHODAIMON, NARGAROTH, KING FEAR, FALKENBACH e alguns outros conseguiram transcender as fronteiras europeias e ganhar o mundo. Isso mostra uma cena mais voltada ao consumo interno, ou seja, bandas em que o interesse de crescer não é uma força motriz para seus trabalhos. Seguindo essa linha de pensamento/atitude, The Inextricable Wandering”, terceiro disco do quarteto ULTHA já nasce sob a marca do underground, mas nem por isso deixa de ser um disco e tanto.

Buscando algo mais climático e soturno, com enfoque em uma ambientação melancólica e fúnebre, se percebe que o grupo tem profundas raízes no Black Metal à lá SWOBM, ou seja, na sonoridade da primeira metade dos anos 90, onde tudo era mais artesanal e espontâneo, sem obedecer a fórmulas musicais (tanto que se podem detectar elementos de estilos como Gothic Rock e mesmo de Alternative Rock se tornam evidentes em alguns momentos, dando ao grupo uma boa diversidade musical). E mesmo se distanciando de algo muito carregado em termos de técnica musical, acertam na mosca usando boas variações rítmicas e criando linhas harmônicas bem interessantes. Além disso,

A mixagem e gravação foram feitas por Andy Rosczyk no Goblin Sound Studio (de propriedade da própria banda), e masterizado por Michael Schwabe. Tudo para criar uma ambientação sonora mais crua e densa, sem, no entanto comprometer a compreensão do que se ouve. Algo diferente, já que o grupo em si tem suas pessoalidades sonoras que não ficam atadas à rigidez estilística do Black Metal. E digamos de passagem: ficou justinha para o que “The Inextricable Wandering” se propõe a ser.

Usando de canções longas, o ULTHA é um grupo talentoso. Nessa mistura de influências em um imenso caldeirão Black Metal, tem-se uma música sombria e introspectiva, mas com agressividade transbordando pelos alto-falantes. E é importante frisar que canções tão longas necessitam de riqueza de arranjos, e isso o grupo oferece em doses homeopáticas. E apesar disso tudo, o trabalho musical da banda é bastante acessível aos fãs do gênero (bem como a todos os fãs de Metal extremo em geral).

Seis canções ferozes nos esperam. “The Avarist (Eyes of a Tragedy)” mostra boas mudanças de ritmo e passagens fúnebres (onde as guitarras e os teclados se fundem para gerar algo cru e ríspido), assim como a intensa “With Knives to the Throat and Hell in Your Heart” (onde os teclados se sobressaem mais em belas orquestrações, mais os timbres gritados agonizantes dos vocais). “There is No Love, High Up in the Gallows” é uma longa instrumental de teclados que vai ambientando o ouvinte, preparando-o para “Cyanide Lips”, onde temos um ritmo um pouco mais denso e cheio de passagens onde baixo e bateria, mesmo na simplicidade técnica, mostra um trabalho muito bom. Em “We Only Speak in Darkness”, com uma clara referência ao Gothic Rock, e mesmo tendo vocais, guitarras, baixo, bateria e efeitos, é outra canção que serve como introdução para “I’m Afraid to Follow You There”, um gigante de mais de 18 minutos de duração, onde os momentos melancólicos se mesclam a partes mais agressivas, mas sempre com uma ambientação fúnebre de primeira, e a banda inteira mostra-se em ótima forma.

Diferente de detalhista, o ULTHA faz da audição de “The Inextricable Wandering” algo prazeroso. Ouçam, e apreciem essa viagem intensa que eles nos proporcionam...

Nota: 88%

LIZZIES - On Thin Ice


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Like an Animal                
2. No Law City                    
3. I’m Paranoid                   
4. Playing with Death                     
5. Real Fighter                     
6. Talk Shit and Get Hit                 
7. Final Sentence
8. Rosa María                      
9. World Eyes on Me                      
10. Love Is Hard                  
11. The Crown


Banda:


Elena Zodiac - Vocais
Patricia Strutter - Guitarras
Motorcycle Marina - Baixo
Dani Vera - Bateria


Ficha Técnica:

Ola Ersfjord - Produção
Magnus Lindberg - Masterização


Contatos:

Assessoria: https://holycuervo.com/ (Holy Cuervo)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Muitas vezes, devido à distância, e mesmo à fixação com nomes grandes, deixamos de perceber quando bandas jovens de ótima qualidade nos passam despercebidas. E o cenário espanhol tem se mostrado cada vez mais interessante, com nomes surgindo em todos os cantos do país. E direto de Madrid, vem o ótimo quarteto LIZZIES, que nos chega com seu segundo disco, “On Thin Ice”, que nos deixa boquiabertos.

Composto de 3 moças e um homem (o baterista), o quarteto nos chegam com um Heavy Metal tradicional de primeira qualidade, mas com ótimas linhas melódicas advindas do Hard Rock clássico. O trabalho do grupo nos remete diretamente à NWOBHM, em especial a nomes como SAXON, DIAMOND HEAD e TYGERS OF PAN TANG, mas sem que seja uma cópia desses nomes. Nada disso, e se preparem: as melodias de fácil assimilação e refrãos que o quarteto cria são extremamente simples de serem assimilados, e entram pelos ouvidos e não saem mais. É ouvir e sair cantando, não tem jeito.

Falando da produção sonora: o grupo foi buscar nas mãos de Ola Ersfjord e Magnus Lindberg a experiência necessária para gerarem a qualidade sonora desejada. Mantendo uma estética mais limpa, fica óbvio que escolheram algo que soasse orgânico e simples, como se a banda apenas ligasse os instrumentos em amplificadores valvulados e tocasse suas composições. Os timbres foram escolhidos de maneira que fossem os mais orgânicos possíveis, aparentando usarem bateria acústica e pedais simples nas guitarras. Tudo para que ficasse cru, mas que soasse limpo.

Musicalmente, o LIZZIES mostra maturidade, e “On Thin Ice” acaba virando vício, pois quanto mais se ouve, mas se gosta e mais se quer ouvir esse disco. Fruto de canções espontâneas, lapidadas de uma forma que a espontaneidade não fosse obliterada, e ao mesmo tempo, mantiveram uma boa dose de acessibilidade musical.

Podemos garantir que todas as 11 faixas do disco são de primeira, mas a energia crua e envolvente de “Like an Animal” (reparem como as linhas vocais nos lembram de timbres próximos aos de Sean Harris), o Hard ‘n’ Roll tentador de “No Law City” (ótimos riffs de guitarra, que primam pelo peso e “feeling”, e não pela técnica), o peso acessível à lá JUDAS PRIEST/SAXON dos anos 80 apresentado em “I’m Paranoid” (se o refrão não te seduzir, você é surdo) e de “Playing with Death” (certo toque azedo à lá BLACK SABBATH surge aqui e ali em termos de baixo e bateria pesados), “Real Fighter” (nesse, se percebe uma estética quase Post Punk em certos arranjos da guitarra e nos andamentos), a energia crua e seca de “Talk Shit and Get Hit”, a ambientação mais soturna e pesada de “Final Sentence” (os vocais estão muito bem)... Ah, querem saber e uma coisa? Ouçam o disco inteiro, não dá para ficar destacando. É uma experiência maravilhosa para os ouvidos, acreditem!

Mesmo sem estarem fazendo algo inédito, o grupo têm muito futuro, logo, ouçam “On Thin Ice” no volume mais alto possível e vejam o que o LIZZIES tem ara mostrar.

Nota: 93%

KRISIUN - Scourge of the Enthroned


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Century Media Records (overseas)/ Shinigami Records (Nacional)
Nacional


Tracklist:

1. Scourge of the Enthroned
2. Demonic III
3. Devouring Faith
4. Slay the Prophet
5. A Thousand Graves
6. Electricide
7. Abysmal Misery (Foretold Destiny)
8. Whirlwind of Immortality


Banda:


Alex Camargo - Baixo, vocais
Moyses Kolesne - Guitarras
Max Kolesne - Bateria


Ficha Técnica:

Andy Classen - Produção, mixagem, masterização
Eliran Kantor - Artwork


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Quando falamos em bandas de Metal brasileiro que possuem expressão no exterior, 3 nomes são lembrados instantaneamente: SEPULTURA, ANGRA e KRISIUN. No caso do último, muito de seu sucesso vem não só de sua incessante atividade desde os anos 90, seja lançando discos ou fazendo shows em tudo que é canto, mas de sua fidelidade ao Brutal Death Metal de sempre. E essa fidelidade transpira em cada momento de “Scourge of the Enthroned”, seu mais recente disco, que a parceria entre a Century Media Records e a Shinigami Records nos trouxe em lançamento nacional.

Basicamente, em termos de sonoridade, os gaúchos apenas exploram a música a qual estão acostumados a fazer desde os tempos de “Curse of the Evil One” (seu primeiro Split CD, lá de 1993), embora mais bem lapidado pela sabedoria e experiência. Só que o trio sempre sabe criar músicas e arranjos que nos envolvem, inclusive com uma estética cuidadosa em termos de refrão. Ou seja, continua bruto, com boas variações de ritmo (há anos eles evitam fazer algo de um fôlego só), agressivo de doer os dentes, mas com muito bom gosto e que gruda em nossos ouvidos.

Ou seja, “Scourge of the Enthroned” é um típico disco do KRISIUN, consensual com tudo que já fizeram.

Muito do impacto sonoro do disco vem de sua qualidade sonora. Se de um lado os timbres instrumentais foram escolhidos de forma que tudo seja impactante, por outro, o trabalho de Andy Classen (sim, mais uma vez ele tem a responsabilidade de trabalhar com o grupo) mostra-se primoroso, já que mesmo tão agressivo, percebe-se aquela finalização em termos de limpeza essencial. Tudo pode ser ouvido separadamente, embora soe como um murro nos tímpanos dos menos acostumados. Além disso, a capa de Eliran Kantor (que já fez trabalhos para FLESHGOD APOCALYPSE, CROWBAR, HATE ETERNAL, entre outros) é primorosa, bela e prende a atenção.

Se em “Forged in Fury” tínhamos um disco longo e mais burilado, em “Scourge of the Enthroned” temos a antítese: um disco mais curto, bruto e feroz. Mas lembrando de que a agressividade do trio nunca é gratuita, ser assim por ser. Ela surge como consequência de quem tem isso no sangue, flui de forma natural, algo que com o KRISIUN é uma marca registrada. E mesmo soando sólido, percebe-se que o grupo calibrou sua música com arranjos milimétricos, preenchendo todos os espaços.

Regida por uma velocidade estonteante, temos “Scourge of the Enthroned”, que abre o disco (e reparem bem como nas passagens rítmicas, a bateria está fantástica em termos técnicos), sendo seguida pela também veloz e explosiva “Demonic III” (os riffs das guitarras estão excelentes, bem como os solos doentios que são uma “trademark” do grupo). Com foco em uma ambientação mais densa, temos “Devouring Faith” (incrível como conseguem esta façanha mantendo a velocidade, e que vocais). A velocidade de quebrar pescoços retorna em “Slay the Prophet” (um massacre de baixo e bateria que apresentam boa técnica, embora mantendo aquela pegada rápida do trio) e de “A Thousand Graves” (outra que evita complicações, embora não esteja isenta de mudanças ritmo, e em alguns momentos, aquelas tradicionais levadas do Hardcore surgem aqui e ali). Com alguns arranjos mais rebuscados e mesmo uma estética mais elegante em termos de arranjos, “Electricide” vem para arruinar os alto-falantes, com guitarras bem sacadas. Evocando mais uma vez a velocidade extrema tradicional de seus trabalhos com vocais extremamente ferozes, temos “Abysmal Misery (Foretold Destiny)” (incrível como conseguem variar do simples ao mais complexo sem comprometer a solidez da composição em si). E fehando com chave de ouro, temos o esporro de “Whirlwind of Immortality”, que chega a deixar o ouvinte paralisado no lugar pelas passagens que grudam em nossos ouvidos (inclusive com alguns linhas melódicas interessante fluindo das guitarras).

Desta forma, fica claro que “Scourge of the Enthroned” mostra o KRISIUN em uma excelente fase, e por evitarem muitas complicações, não erram.

Candidato a um dos melhores discos de bandas brasileiras do ano.

Nota: 95%


terça-feira, 18 de setembro de 2018

DROWNED - 7th


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Bitter Art of Detestation
2. Rage Before Some Hope
3. Toothless Messiah
4. Murder, Sex, Hate and More
5. Violent March of Chaos
6. Damaged Wood Coffins
7. Epidemic and God Selfishness
8. Elitist Heaven Ruled by Devil
9. The Time Bomb Conscience
10. KRH317
11. Ministry of National Inquisition


Banda:


Fernando Lima - Vocais
Marcos Amorim - Guitarras, vocais
Kerley Ribeiro - Guitarras
Rafael Porto - Baixo 
Beto Loureiro - Bateria


Ficha Técnica:

Marcos Amorim - Mixagem, masterização
Fernando Lima - Design, capa


Contatos:

Assessoria: http://metalmedia.com.br/drowned/ (Metal Media)

Texto: “Metal Mark” Garcia


O cenário Metal mineiro tem profundas raízes, ainda mais quando falamos de Metal extremo. Nomes clássicos e conhecido mundo afora são do estado, e muitos deles pertencem a Belo Horizonte, capital do estado. E um dos maiores “juggernauts” do Metal nacional é de lá, o quinteto DROWNED, que após algum tempo sumido, retoma a carga e vem para rasgar tímpanos com seu mais novo trabalho, “7th”.

Diferente de muitas bandas da região, o trabalho deles sempre foi baseado em uma concepção não muito complexa de ser pensada: Death Metal com elementos de Thrash Metal em constante evolução, ou seja, se de um lado o grupo ainda conserva a fúria que os tornou famosos no início da década passada, em especial em discos como “Bonegrinder” e “Back from Hell”, de outro aglutinou influências melódicas mais jovens, beirando um pouco o Melodic Death Metal. Desta forma, temos que o grupo mostra um trabalho que lembrará o ouvinte de nomes como DISMEMBER (fase “Death Metal” e “Hate Campaign”), HYPOCRISY, IN FLAMES e THE HAUNTED antigos, mas de uma forma muito pessoal deles. E em termos musicais, o quinteto faz algo de personalidade, agressivo e de bom gosto, pois a experiência os lapidou para grandes coisas.

Ou seja, “7th” é um disco de primeira, algo que só eles poderiam fazer.

Em termos de sonoridade, o grupo caprichou. O trabalho de Marcos Amorim na mixagem e masterização deixou o trabalho deles bem claro aos ouvidos, com todos os instrumentos aparecendo nas proporções devidas e com bons timbres. Mas ao mesmo tempo, o peso e a agressividade estão ali, prontos para causar dores de pescoço nos mais incautos. E o trabalho gráfico ficou de primeira, com a banda buscando uma arte de capa bem simples, encarte com uma diagramação econômica, mas muito bem feita (e com uns detalhes interessantes, como as iniciais nas fotos individuais dos integrantes).

O sétimo disco do DROWNED vem para recolocar o grupo como um dos pilares do Death Metal brasileiro, com canções inspiradas e bem arranjadas. Nada do que se ouve nesse disco é descartável, está faltando ou é excessivo. Pelo contrário, “7th” parece um rolo compressor pronto para passar por cima de tudo e todos, com arranjos bem feitos, linhas melódicas de bom gosto, e instrumental técnico casando com vocais agressivos variando muito de timbres.

Onze faixas de moer os ossos esperam nossos ouvidos, todas elas excelentes. É impossível não bater palmas para a mistura de melodia e agressividade de The Bitter Art of Detestation” (um arrasa-quarteirões poderoso, mostrando ótimas mudanças de ritmo) e em “Rage Before Some Hope” (um massacre sonoro guiado por ótimas guitarras em riffs memoráveis), os contrastes de partes mais introspectivas e outras mais brutais de “Toothless Messiah” (reparem bem como a técnica de baixo e bateria é sensível), a técnica mais “grooveada” e moderna de “Murder, Sex, Hate and More”, os ritmos dissonantes e quebrados apresentados em “Violent March of Chaos” (os vocais estão muito bem, com ótimos backing vocals e urros de primeira), as melodias sedutoras que surgem em meio à rispidez de “Damaged Wood Coffins”, a marcante e mais lenta “Epidemic and God Selfishness” (a sétima faixa frisada na contracapa, logo, temos uma faixa multifacetada em termos de arranjos, com uma dinâmica fantástica entre as partes instrumentais e vocais), os detalhes mínimos em termos de guitarras que permeiam “Elitist Heaven Ruled by Devil”, a rispidez Thrash/Death moderna de “The Time Bomb Conscience”, as estruturas Melodic Death Metal presentes em “KRH317”, e as variações de ritmo apresentadas em “Ministry of National Inquisition” (ótimos arranjos vocais). Sim, é para aplaudir de pé o que o DROWNED faz!

“7th” vem para mostrar o quão vivo o DROWNED está, e se preparem, pois a banda vai conquistar cada um dos que ouvirem esse disco. Tenham certeza!

Nota: 100%




DON AIREY - One of a Kind


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

CD 1 (“One of a Kind”):

1. Respect
2. All Out of Line
3. One of a Kind
4. Everytime I See Your Face
5. Victim of Pain
6. Running Free
7. Lost Boys
8. Need You So Bad
9. Children of the Sun
10. Remember to Call
11. Stay the Night


CD 2 (gravado no Fabrik, Hamburgo, em 14 de Março de 2017):

1. Pictures of Home
2. Since You’ve Been Gone
3. I Surrender
4. Still Got the Blues



Banda:


Don Airey - Teclados
Carl Sentance - Vocais
Simon McBride - Guitarras
Laurence Cottle - Baixo 
John Finningan - Bateria


Ficha Técnica:

Don Airey - Produção
Steve Bentley-Klein - Cordas
Piers Mortimer - Mixagem (todas as faixas exceto as do CD 2)
Andrew Thompson – Masterização (todas as faixas exceto as do CD 2)
Eike Freese - Mixagem e masterização do CD 2


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Discos solos de artistas consagrados sempre são uma imensa incógnita. Definindo limites para um amplo leque de possibilidades, ou vem algo similar ao que ele faz em sua banda principal (ou fez), ou algo sem similaridades com ela. Logo, o disco “One of a Kind”, do tecladista DON AIREY (que nos chega pela Shinigami Records) está dentro das fronteiras definidas por tais parâmetros, mas nos trazendo algumas surpresinhas muito boas.

Para início de conversa, Don já tocou com músicos e bandas como OZZY OSBOURNE (tocou em “Diary of a Madman” e “Bark at the Moon”, onde sua presença é marcante), RAINBOW, COLOSSEUM II, GARY MOORE, JETHRO TULL, MICHAEL SCHENKER GROUP, THE COMPANY OF SNAKES, WISHBONE ASH, participou ainda como membro ao vivo com Graham Bonnet e Uli Jon Roth, e fez aparições em trabalhos de JUDAS PRIEST, BLACK SABBATH, UFO, SAXON, Glenn Tipton, Andrew Lloyd Webber, Bruce Dickinson, Brian May e uma lista imensa de artistas, e atualmente está no DEEP PURPLE. Experiência é com ele mesmo, e o que temos em “One of a Kind” é o mais puro Classic Rock/Hard Rock com “inserts” de Rock Progressivo. Mas podem pensar duas vezes, já que o disco não soa clichê ou datado, mas atual, vigoroso e com músicas vibrantes. E se acompanham (ou acompanharam) o trabalho de Don em algum período, verão que ele pegou um pouco de cada, adicionou seu toque pessoal e pronto: está lançado um grande disco!

No lado sonoro, a produção é caprichada. Óbvio que tudo soa claro e bem definido, como se esperaria de um músico experiente e exigente, mas o disco tem aquele toquezinho de crueza necessário a uma obra de Rock. O ponto forte é: mesmo com toda a tecnologia digital moderna, o jeitão de “One of a Kind” é de um disco bem espontâneo, solto, com aquele clima orgânico do passado, mas com a sonoridade firme e clara que a modernidade consegue. Tem-se então o melhor de dois mundos, mesmo na parte ao vivo.

Em termos gráficos, a apresentação como um todo é bem simples, sem muitas embromações, com uma diagramação rápida e direta. Nisso, percebe-se que a opção foi por algo que permita que a atenção do ouvinte fique apenas nas músicas, e isso é mais que suficiente. Bem mais, para ser sincero.

No lado musical, o jeitão descompromissado de “One of a Kind” é extremamente sedutor, com ótimas melodias, cada refrão polido na medida certa, mas sem que o disco perca sua aura de espontaneidade. Embora bem arranjadas e com boa técnica, não se percebe exageros, mesmo sabendo que temos (fora Don), músicos de primeira grandeza como Carl Sentance (vocalista atual do NAZARETH), Simon McBride (guitarrista que tocou no finado SWEET SAVAGE), e Laurence Cottle (baixista que já tocou com Gary Moore) nessa banda. Aliás, é bom que se diga que o foco do disco não está nos músicos, mas nas músicas, logo, essas feras se juntaram para criar um obra de arte, verdade seja dita!

O disco 1 é o “One of a Kind” propriamente dito, onde temos as 11 canções inéditas. E é de tocar o coração a energia empolgante de “Respect” (uma canção onde se fundem os elementos dos 70 e atuais sem problemas, um Hardão clássico com ótimos riffs de guitarras e refrão marcante), o jeitão bluesy à lá DEEP PURPLE de “All Out of Line” (os andamentos são sólidos, com ótimo trabalho de baixo e bateria), as lindas melodias envolventes de “One of a Kind” (a acessibilidade é ótima, contrastando peso e melodia, e encorpada pelos teclados e elementos de Classic Rock, fora um refrão maravilhoso e o trabalho dos vocais é excelente), a solidez harmônica e densa de “Victim of Pain” (guitarras com riffs bem modernos, e uma estética que remete aos 80 e 90, mas sempre com a classe de quem sabe o que faz), a beleza encorpada de “Running Free” (reparem bem nos arranjos instrumentais, e em como as linhas vocais se encaixam perfeitamente sobre eles, especialmente na cama de teclados e pianos jazzísticos), o encontro do peso dos 80 e 90 com a estética “Heavyssiva” que se ouve em “Lost Boys” e em “Children of the Sun”, e o Hard Rock “ponha a casa abaixo” em “Stay the Night”. São estes os melhores

Agora, o CD 2 é gravado ao vivo, em uma apresentação do grupo no Fabrik, Hamburgo (Alemanha), em 14 de Março de 2017. E nas quatro canções, hinos eternos de bandas por onde Don já deu o ar da graça. E digamos de passagem, as versões para “Pictures of Home” (do DEEP PURPLE), “Since You’ve Been Gone” (que originalmente é do ex-guitarrista do ARGENT, Russ Ballard, e inclusive aparece em seu disco solo de 1976, “Winning”, mas que depois foi regravada pelo RAINBOW), “I Surrender” (do RAINBOW), e “Still Got the Blues” (de GARY MOORE), todas fazendo bonito e honrando as originais, mas mostrando a força do grupo ao vivo, logo, nos faz querer ver um show deles por aqui.

“One of a Kind” é uma bela peça de arte que merece figurar em qualquer coleção que se preze.

Nota: 100%