segunda-feira, 12 de novembro de 2018

MELYRA - Saving You From Reality


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. My Delirium
2. Fantasy
3. Dead Light
4. Eye of the Maze
5. Lucid Dream
6. Faded
7. Ashes to Ashes
8. Zizi
9. Poison of Myself
10. Run & Burn


Banda:


Verônica Vox - Vocais
Fe Schenker - Guitarras, backing vocal
Roberta Tesch - Guitarras, backing vocal
Nena Accioly - Baixo, vocais guturais
Ana de Ferreira - Bateria


Ficha Técnica:

Celo Oliveira - Produção, mixagem, masterização, gravação
Carlos Fides - Arte da capa
Daniel Accioly - Arte do encarte


Contatos:

Site Oficial: www.melyra.com
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Observar o cenário underground do Metal brasileiro é como olhar para um iceberg no oceano: vê-se muito pouco do que realmente é de toda a coisa. Óbvio que nomes como SEPULTURA, ANGRA e KRISIUN são estabelecidos e reconhecidos internacionalmente. Esta é a “ponta do iceberg” do Metal brasileiro, mas existem bandas tão boas quanto elas que, muitas vezes, não recebem as mesmas chances e/ou atenção (por mais que mereçam). Um dos nomes que desponta no Metal nacional de forma lenta é o do quinteto carioca MELYRA, que enfim chega com seu primeiro álbum, “Saving You From Reality”, uma aula para muitos de como se faz música de bom gosto e alto nível.

Para quem ainda não conhece o trabalho do grupo, estamos falando de uma “female band”, ou seja, uma banda composta exclusivamente por integrantes mulheres. Se no EP “Catch Me If You Can” (de 2014) elas nos brindavam com um Metal tradicional à lá NWOBHM, agora temos o mesmo estilo, apenas com contornos e energia mais atualizados, além de influências do Hard Rock surgirem em vários momentos. Sim, agora elas ganharam toda uma vibração moderna, com mais peso e mesmo vocais guturais, mas sem abandonar sua capacidade de criar ótimas melodias, refrães marcantes (que se ouve uma vez e se cantarola na segunda ouvida), e com uma pegada que empolga os ouvintes.

Sim, “Saving You From Reality” é realmente o que o título diz: uma fuga da realidade em prol de algum tempo de boa música e muita diversão que a banda nos proporciona.

Celo Oliveira (um dos melhores produtores do gênero do RJ) fez a produção, mixagem, masterização e gravação do álbum. E ele acertou a mão em equilibrar peso e agressividade na qualidade sonora, que por sua vez é pesada e limpa do jeito que a música do quinteto precisava. Tudo pode ser entendido e assimilado sem dificuldades, além do capricho com a timbragem dos instrumentos. E a arte da capa, feita por Carlos Fides estar muito bonita e consensual com as letras do disco.

A bem da verdade, o quinteto não inventa nada de novo, mas são capazes de meter a mão na massa e fazer com personalidade. E isso é o que conta. Em cada momento de “Saving You From Reality”, tem-se peso, energia, melodias e muita força de vontade, é algo evidente e que salta os olhos. E é suficiente para estabelecer o grupo como uma das revelações do ano. Além disso, as canções são muito bem arranjadas, mas sem que excessos surjam e matem a acessibilidade latente do que fazem. E nenhuma faixa de “Catch Me If You Can”, logo, temos 10 canções completamente inéditas.

“My Delirium” abre o disco com uma pegada muito pesada e agressiva, sem deixar que o ouvinte fique parado, e temos um ótimo trabalho de vocais (reparem nos contrastes entre os vocais limpos e os urros guturais) e guitarras (especialmente nos duetos e solos); melodias acessíveis e de bom gosto surgem em “Fantasy” (uma boa dose de Hard ‘n’ Roll se faz presente, for a um trabalho ótimo de baixo e bateria) e em “Dead Light” (uma canção mais introspectiva e com certo toque de melancolia, com uma exibição de gala dos vocais, sem mencionar os backing vocals pontuais nos momentos corretos). O Hard ‘n’ Heavy grudento de “Eye of the Maze” é um pé na porta, com arranjos mais simples e boa dose de acessibilidade (reparem nos solos de guitarra com forte inclinação ao Hard/Glam, mas com uma base rítmica sólida e pesada), e a mesma pegada se faz presente na ótima “Lucid Dream” (é incrível como os timbres vocais encaixam como um Lego no instrumental). Em “Faded”, mesmo com a essência Heavy Metal à lá NWOBHM, temos uma canção onde os arranjos foram alinhavados por um peso agressivo e rascante (que não oblitera a vocação melódica do quinteto). Mostrando mais modernidade nas harmonias, tem-se a ótima “Ashes to Ashes”, com momentos introspectivos hipnóticos por conta do ritmo refreado e das guitarras com riffs abrasivos, mesmo elementos de “Zizi” (que soa mais melodiosa aos ouvidos, embora de um jeito rascante). Voltando a algo mais alto astral, temos as melodias pegajosas, temos “Poison of Myself”, que começa soturna (com leve dedilhar no baixo), mas logo ganha energia e melodias de primeira, e mantém uma boa dose de acessibilidade musica. E  a cereja do bolo é a pesada e empolgante “Run & Burn”, uma canção equilibrada em termos de agressividade e melodia, e que refrão de primeira (sem mencionar as guitarras tecendo ótimos riffs).

Evoluindo e sabendo explorar sua própria musicalidade, o MELYRA nos brinda com um disco excelente, maduro e cativante. Assim sendo, permitam que as “Metal Girls” do RJ os levam para fora da realidade com “Saving You From Reality” por um bom e prazeroso tempo.

Ah, sim: “Saving You From Reality” pode ser ouvido/adquirido nas principais plataformas digitais.


Em tempo: a baterista Ana de Ferreira deixou a banda em Maio deste ano.

Nota: 96%



sexta-feira, 9 de novembro de 2018

BLOODBATH - The Arrow of Satan is Drawn


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Fleischmann
2. Bloodicide
3. Wayward Samaritan
4. Levitator
5. Deader
6. March of the Crucifers
7. Morbid Antichrist
8. Warhead Ritual
9. Only the Dead Survive
10. Chainsaw Lullaby


Banda:


Nick “Old Nick” Holmes - Vocais
Anders “Blakkheim” Nyström - Guitarras, backing vocals
Joakim “Joakim” Karlsson - Guitarras
Jonas “Lord Seth” Renkse - Baixo, backing vocals
Martin “Axe” Axenrot - Bateria


Ficha Técnica:

Karl Daniel Lidén - Mixagem, masterização
Eliran Kantor - Arte da capa
Jeff Walker - Vocais em “Bloodicide”
Karl Willetts - Vocais em “Bloodicide”
John Walker - Vocais em “Bloodicide”


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Muitas bandas, ao lançarem seus novos discos, causam comoção entre os fãs de Metal. Mesmo nomes mais cult (ou seja, não são gigantes do mainstream, ou fortes dentro underground) são capazes de fazer isso devido à história do grupo, bem como se ele nasceu como um projeto. Estas definições podem ser ditas do quinteto sueco BLOODBATH, que causou um alvoroço dentro do cenário com a chegada de “The Arrow of Satan is Drawn”, seu mais recente álbum.

Para início de conversa, é preciso entender que a formação da banda já teve nomes de músicos como Mikael Åkerfeldt (do OPETH), Dan Swanö (ex-EDGE OF SANITY, hoje no WITHERSCAPE e um monte de outros projetos, inclusive como respeitado produtor musical), Peter Tägtgren (do HYPOCRISY e PAIN?, além de também ser produtor musical) e outros. Na formação atual, membros de nomes como KATATONIA, OPETH, PARADISE LOST e outros. Óbvio que muitos podem pensar em Doom Metal ou algo do tipo.

Nada disso.

O BLOODBATH é um grupo de Death Metal tradicional, tocando uma mistura do som da Velha Guarda sueca do estilo com muito da estética das bandas da Flórida e alguns toques do jeito britânico de se tocar o gênero. Ou seja, não fazem nada de inovador, nada fora do script, mas mesmo assim, é genial, com uma autenticidade que poucos grupos ousariam ter. Muita energia, peso para ninguém reclamar, e aquela aura suja e agressiva que realmente faz falta a muitos nomes dos dias de hoje (em especial os que nasceram bem depois da época e que se acham “Old Shcool”). Mas não se enganem: na música do grupo, se percebe que eles sabem trazer para os dias atuais o velho estilo, ou seja, não soa datado ou mofado em momento algum.

Traduzindo: “The Arrow of Satan is Drawn” nada tem de novo, mas mesmo assim, é um disco muito bom.

Na sonoridade, salta os olhos (e ouvidos) o fato que o grupo não quis soar como no passado, mesmo sendo todos os seus membros veteranos do cenário. Pelo contrário: a qualidade sonora transpira vida, energia e agressividade, com aquele toque de crueza opressivo dos anos 90, mas sempre limpa, de uma forma em que o quinteto se faz entender. A resposta está no fato de que eles tocam como se estivessem no passado, mas com uma timbragem instrumental atual, e usando de tecnologias modernas para gravarem. Por isso o disco soa tão atual. E que bela arte de capa da parte de Eliran Kantor.

Mesmo com a saída de Sodomizer e entrada de Joakim nas guitarras entre o lançamento de “Grand Morbid Funeral” e de “The Arrow of Satan is Drawn”, o espírito de sua música está intocado. E apesar da banda evitar focar em técnicas individuais de seus integrantes, percebe-se que eles não são simplistas na execução de suas canções. Além disso, é evidente que suas músicas são de digestão fácil para o ouvinte, e com bons arranjos e mudanças de ritmo.

Se preparem, pois esses mortos-vivos não vão nos deixar em paz!

Em dez faixas destruidoras de crânios, podemos destacar a opressiva “Fleischmann” (onde o grupo soa coeso e usando de riffs de guitarras doentios), a brutalidade veloz de “Bloodicide” (há momentos em que a influência de Hardcore fica evidente, e sem falar que os guturais estão ótimos, ainda mais com a participação dos Death Metal Masters Jeff Walker do CARCASS, Karl Willetts do MEMORIAM UK, e John Walker do CANCER), a energia crua e empolgante de “Wayward Samaritan” (quase um MOTÖRHEAD Death Metal nos momentos mais cadenciados), o peso abusivo de “Deader” (reparem no trabalho excepcional da base rítmica e nos toques de teclados tenebrosos), o clima bruto e atmosférico de “Morbid Antichrist” (o uso de timbres vocais limpos e agonizantes em certos momentos é perfeito), o jeito pegajoso agressivo de “Only the Dead Survive” (os arranjos de guitarras fazem a diferença, seja nos momentos mais brutos ou nos mais melancólicos), e a climática “Chainsaw Lullaby” (que oscila entre partes mais velozes e outras mais lentas, mostrando ótimas guitarras mais uma vez).

Mesmo que seja só um trabalho paralelo de membros do OPETH, KATATONIA e PARADISE LOST, o BLOODBATH é excepcional, e “The Arrow os Satan is Drawn” é uma aula de Old School Death Metal.

Hora da aula, meus caros!

Nota: 94%








CHTHONIC - Battlefields of Asura


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Ciong Zo
Importado


Tracklist:

1. Drawing Omnipotence Nigh (instrumental)
2. The Silent One’s Torch
3. Flames Upon the Weeping Winds
4. A Crimson Sky’s Command
5. Souls of the Revolution
6. Taste the Black Tears
7. One Thousand Eyes
8. Masked Faith
9. Carved in Bloodstone
10. Millennia’s Faith Undone
11. Autopoiesis


Banda:


Freddy Lim - Vocais, erhu
Jesse Liu - Guitarras, backing vocals
CJ Kao - Teclados
Doris Yeh - Baixo, vocais femininos
Dani Wang - Bateria


Ficha Técnica:

Staffan Karlsson - Gravação, mixagem
Seiji Toda - Gravação
Joakim Dahlstöm - Mixagem
Mika Jussila - Masterização
Oink Yang-de Chen - Artwork
Mason Wang - Arte da capa
Wei-Shun Liu - Corais em “Drawing Omnipotence Nigh” e “Souls of Revolution”
Chi-Jen Chen - Corais em The Silent One’s Torch”, Flames Upon the Weeping Winds”, Taste the Black Tears”, e Carved in Bloodstone
“The Silent One’s Torch”, “Flames Upon the Weeping Winds”, “Taste the Black Tears”, e “Carved in Bloodstone”
Chun-Yu Yang - Corais em “Souls of the Revolution”
Hsuan-Yi Chen - Corais em “The Silent One’s Torch”, “Flames Upon the Weeping Winds”, “Taste the Black Tears”, e “Carved in Bloodstone”
Denise Ho - Vocais femininos em “Millennia’s Faith Undone”
Po-Jen Liao - Corais em “Drawing Omnipotence Nigh” e “Souls of Revolution”
Su-nung Chao - Erhu
Ching-Lan Hsu - Corais em “Drawing Omnipotence Nigh” e “Souls of Revolution”
Hsiang-yi Wei - Corais em “Drawing Omnipotence Nigh”, “The Silent One’s Torch”, “Flames Upon the Weeping Winds”, “Taste the Black Tears”, “Carved in Bloodstone”, e “Autopoiesis”
Randy Blythe - Bateria em e “Souls of Revolution”
Joey Kuo - Corais em e “Souls of Revolution”
Fang-Yun Chen - Dizi em “Drawing Omnipotence Nigh”


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


O Oriente é uma região cheia de lendas e folclores maravilhosos, mas muitas vezes, não temos acesso ao que se faz em termos de Metal por aqueles cantos do mundo. Mas vez por outra, encontramos bandas que fazem valer a pena a experiência. Uma delas é o 閃靈, que conhecemos por aqui como CHTHONIC, um grupo veterano de Taiwan, e que nos presenteia com o belíssimo Battlefields of Asura”, um disco fantástico e que pode transcender (e transgredir) muitas de nossas concepções musicais.

Basicamente, poderíamos dizer que a banda faz um estilo melodioso e sinfônico de Death/Black Metal, mas permeado por influências musicais de sua região (como a presença de instrumentos como erhu e dizi deixa clara), e mesmo toques de Industrial em alguns momentos (nada muito mecânico, e apenas nuances). Ou seja, é uma musicalidade bem feita, rica e cheia de nuances sinfônicas bem diferentes do usual. E não chega a ser um pecado imperdoável dizer que são o DIMMU BORGIR ou CRADLE OF FILTH do oriente, embora busquem fazer as coisas de uma maneira mais própria, sem ficarem presos a modelos musicais erodidos e engessados.

Ah, se Battlefields of Asura”? Meus caros, este é um dos melhores discos de Metal extremo do ano, e talvez do Metal como um todo!

Trabalhar com uma musicalidade dessas é um desafio. Mas a produção acertou a mão, criando uma sonoridade límpida e pesada, permitindo que suas belas melodias sejam compreendidas por nossos ouvidos, bem como se tem a rispidez do Metal extremo presente nas devidas doses. Além disso, os timbres instrumentais foram escolhidos de forma que a música da banda seja rica e que todos os instrumentos musicais se encaixem nos devidos lugares. E a arte da capa, belíssima, mostra uma visão clara do que querem transmitir com o título “campos de batalha de Asura”, sendo uma palavra que vem do sânscrito असुर e seriam uma raça de deuses orientais que se opõem aos Devas. Algo complexo que merece um estudo mais aprofundado da parte de todos.

O grupo mostra um trabalho coeso, maduro e recheado de técnica. O que os diferencia de seus pares europeus é o “insight” em relação à sua música, sua forma de abordar o Symphonic Black/Death Metal. E como soam criativos, usando um amplo espectro de timbres de voz bem maior do que estamos acostumados em termos de ocidente, uma proeminência de teclados (que criam lindas partes melódicas), ótimos riffs de guitarra (e solos, um aspecto pouco usado por aqui), e uma seção rítmica sólida e técnica. Além disso, o CHTHONIC não segue regras, faz como quer sua música, e a enriquece com arranjos fantásticos.

Chega a ser constrangedor destacar uma ou outra música em Battlefields of Asura”, mas “The Silent One’s Torch” com suas mudanças de tempo e lindas melodias (e um trabalho fantástico de teclados, baixo e bateria), “Flames Upon the Weeping Winds” que possui os mesmos elementos (embora seja mais melódica, com contrastes entre vocais agressivos e limpos, sejam masculinos ou femininos), o jeito que beira o Metal tradicional das guitarras de “A Crimson Sky’s Command” (lindos duetos, verdade seja dita, sem mencionar os teclados com partes Industriais aqui e ali), a riqueza sinfônica de “Souls of the Revolution”, as linhas harmônicas e arranjos de guitarras de “One Thousand Eyes”, e a técnica e cheia de mudanças de tempos “Millennia’s Faith Undone” (os vocais encaixam como uma luva nas bases instrumentais) são os grandes momentos. Se preparem, pois não tem como não ficar emocionado ao ouvir um disco tão bom.

Óbvio que a estética sonora/visual do grupo pode assustar alguns desavisados, mas é preciso entender: Taiwan, assim como todos os países da região, possuem uma cultura singular, e ela permeia seu jeito de ser e fazer música, logo, se preparem. Mas para quem tem mente pensante, não é difícil.

Óbvio que esta resenha foi escrita tendo em mãos a versão em inglês do disco (sim, existe uma versão cantada no idioma natal deles, que tem por título政治). E aproveitem, pois “Battlefields of Ashura” vem mostrar que você pode continuar sendo fã de bandas já estabelecidas, mas nomes como o do CHTHONIC merecem muito sua atenção.

Nota: 100%

Flames Upon the Weeping Winds: https://www.youtube.com/watch?v=x8uBaHnub7A






Millennia’s Faith Undone: https://www.youtube.com/watch?v=Wil6crOV6DU




quinta-feira, 8 de novembro de 2018

BEHEMOTH - I Loved You at Your Darkest


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Nuclear Blast
Importado


Tracklist:

1. Solve
2. Wolves ov Siberia
3. God = Dog
4. Ecclesia Diabolica Catholica
5. Bartzabel
6. If Crucifixion Was Not Enough…
7. Angelvs XIII
8. Sabbath Mater
9. Havohej Pantocrator
10. Rom 5:8
11. We Are the Next 1000 Years
12. Coagvla


Banda:


Nergal - Guitarras, vocais
Inferno - Bateria, percussão
Orion - Baixo, backing vocals


Ficha Técnica:

Daniel Bergstrand - Produção
Matt Hyde - Mixagem
Tom Baker - Masterização
Krzysztof “Siegmar” Oloś - Samples
Jan Stokłosa - Arranjos orquestrais
Nicola Samori - Arte da capa


Contatos:

Site Oficial: https://behemoth.pl/
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Muitas bandas de nome lançaram seus discos novos este ano. Mas o nome do trio polonês BEHEMOTH sempre causa alvoroço, justamente pelo sucesso comercial que alcançaram, bem como pelos excelentes trabalhos desde que começaram a mistura musical que lhes abriu as portas do mundo em “Satanica”. Hoje, quase 30 anos depois, eles lançam I Loved You at Your Darkest”, e deixam uma pergunta no ar:

O disco é bom?

Sendo direto e reto: sim, é mais um excelente trabalho da banda.

Nele, encontramos o bom e velho Black/Death Metal do grupo em forma, cheio das nuances experimentais e criatividade de sempre. Musicalmente, o trabalho mostra algo como uma fusão do que eles haviam feito em termos de arranjos e mesmo aquele jeito experimental avant-garde que os caracterizou em “The Apostasy” e “Evangelion”, mas com o jeito bruto mais direto de “The Satanist”. Além disso, se percebe que as canções estão um pouco mais curtas, pois a maioria mal passa dos 4 minutos de duração. Mas aquele impacto musical ainda se faz presente, com ótimas mudanças de ritmo e partes cheias de vocais gregorianos, mas com uma sonoridade um pouco menos extremada.

Sim, ainda é o BEHEMOTH, só com um toque mais sofisticado em termos de sonoridade.

As mãos de Daniel Bergstrand novamente assumiram a produção do disco, tendo Matt Hyde de novo na mixagem, e Tom Baker na masterização. O interessante é que eles buscaram algo mais bem definido, ainda com o peso de sempre, mas que permite o som da banda ser mais polido e compreensível. Nisso, o lado mais melodioso do grupo ficou mais evidente, especialmente nos momentos mais soturnos. Até os timbres dos instrumentos estão mais definidos que antes. E na capa, um trabalho artístico belíssimo de Nicola Samori.

Musicalmente, o BEHEMOTH não precisa provar nada a quem quer que seja. Sua capacidade de compor músicas marcantes, com uma boa dose de complexidade técnica, evoluiu com o tempo. E a cada novo disco, temos uma bela caixa de surpresas, e dessa forma, “I Loved You at Your Darkest” vem trazendo o grupo renovado, ainda criativo e agressivo, com músicas bem arranjadas, e sabendo transitar entre partes velozes e momentos mais climáticos. Óbvio que temos momentos em que a banda rebusca mais seu lado Black Metal dos primórdios, mas sempre sob o alinhavo de sua sonoridade característica (caso de “Wolves Ov Siberia”).

Nove canções chegam para matar a sede dos fãs por algo da banda, sendo que os destaques são “Wolves ov Siberia” (uma referência a discos como “Sventevith (Storming Near the Baltic)” e “Grom”, com ótimos riffs), “God = Dog” (com partes influenciadas por Jazz em seu início, antes de virar uma hecatombe de peso e agressividade, inclusive com uso de momentos de canto gregoriano de fundo, evidenciando o trabalho de baixo e bateria), a envolvente “Ecclesia Diabolica Catholica” (cheia de momentos que grudam nos nossos ouvidos e não saem mais da cabeça), a influência de Black ‘n’ Roll no ritmo de “If Crucifixion Was Not Enough…” (algo vindo das influências de Hardcore/Punk Rock do estilo), as melodias sinuosas e agressivas de “Sabbath Mater” (outra com influências de Black/Thrash dos anos 80 em alguns momentos), a épica e densa “Havohej Pantocrator” (com melodias bem melancólicas, mostrando um trabalho bem técnico nas guitarras e vocais, além de mudanças de andamento consensuais), a fogosa e intensa “Rom 5:8” (cujo título é uma citação à carta de São Paulo aos Romanos, e fora do contexto original, é “Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”), e a brutal e rápida “We Are the Next 1000 Years”.

No mais, apesar de não trazer nenhuma canção que seja candidata a clássico instantâneo (como foi o caso de “Blow Your Trumpet Gabriel” e “O Father O Satan O Sun!” de “The Satanist”) “I Loved You at Your Darkest” é um disco ótimo e mostra que o BEHEMOTH está muito bem e ainda criativo.

Nota: 95%