Constam nessa relação discos lançados ainda em 2017, mas como só chegaram ao conhecimento do autor em 2018, constam como tal.
Thunder 20:
ORPHANED LAND - Unsung
Heroes & Dead Messiahs
RIOT V - Armor of
Light
AMORPHIS - Queen of
Time
THE NIGHT FLIGHT
ORCHESTRA - Sometimes the World Ain’t Enough
JUDAS PRIEST -
Firepower
CREYE - Creye
DIMMU BORGIR - Eonian
SAXON - Thunderbolt
WITCHERY - I Am Legion
CHTHONIC -
Battlefields of Asura
STRYPER - God Damn
Evil
BULLET - Dust to Gold
CORROSION OF
CONFORMITY - No Cross No Crown
ENSLAVED - E
IMMORTAL - Northern
Chaos Gods
MAYAN - Dhyana
ST. MADNESS -
Bloodlustcapades
TOURNIQUET - Gazing at
Medusa
MICHAEL SCHENKER FEST -
Resurrection
THE DEAD DAISIES -
Burn It Down
Melhor disco ao vivo:
ALICE COOPER - A Paranormal Evening at the Olympia Paris
Melhor DVD:
ANTHRAX - Kings Among
Scotland
Melhores EPs:
BLIND GUARDIAN - The
Tides of War (Live at Rock Hard Festival 2016)
Revelação:
CREYE
Decepções:
Infinitas reclamações politicamente corretas e brigas por causa de
política e políticos no cenário. A música é o mais importante SEMPRE, sem
discussões!
Esperanças para 2018:
Que o mundo seja melhor para todos, e que todo mal causado ao Metal por
discussões políticas seja anulado.
Introdução:
Na primeira metade dos anos 80, surgiu um filho extremo dentro do Metal que tem
fascinado alguns, sido fonte de desgostos para outros, mas cujo valor o tempo
já provou: o Grindcore. Nascido graças a bandas como NAPALM DEATH (os pioneiros), AGATHOCLES
e REPULSION, o estilo surge de uma
mistura de Hardcore, Thrash Metal e Death Metal, mas que tem o uso extremado de
“blast beats” e outros elementos. E nesse terreno, ou é “ame ou odeie”, não
existe meio termo. E o Brasil já revelou (bem como ainda revela) nomes fortes
no gênero, sendo o STOMACHAL CORROSION,
de Belo Horizonte (MG), um quarteto famigerado que acaba de lançar seu mais
recente álbum, “Stomachal Corrosion”.
Análise geral:
Simplesmente, Grindcore/Crust/Noisegrind na veia mais “Old School”
possível, sem abrir concessões a nada que soe bonitinho. Aqui, a ogrice extrema
à lá “Scum” e “From Enslavement to Obliteration” impera, embora não se possa
dizer que eles não possuem algumas influências individuais de algo diferente
(existem partes que remetem ao Death Metal dos anos 80, como se percebe nas
passagens cadenciadas de “Horror Show”).
Obviamente, não vai agradar a todos os fãs de música pesada que não gostam de
Grindcore (ou que dizem não gostar sem nunca ter ouvido por mera
infantilidade), mas para quem gosta de algo extremo, bruto e agressivo de doer
os dentes, este é o disco certo!
Arranjos/composições:
O ponto forte nas músicas do quarteto é justamente evitar refinamento técnico
excessivo ou algo do tipo. É duro, cru e direto, sem firulas, e justamente por
isso é tão bom, espontâneo e cujo único compromisso é gerar a impressão que
existe uma furadeira elétrica desentupindo os ouvidos de uma forma, digamos,
nada aconselhável. Mas não pense que a simplicidade técnica implica em algo
repetitivo. Nada disso, é justamente nisso que reside a genialidade do
quarteto: simples, direto e feito com o coração. É uma torrente de energia, e
que gruda nos ouvidos!
Qualidade sonora:
Os iniciados no gênero sabem muito bem que fazer superproduções no Grindcore
não adianta. É preciso saber gerenciar a crueza sonora e agressividade com algo
de boa qualidade. No caso do STOMACHAL
CORROSION, eles mesmos junto com Cristiano
Fucker fizeram um bom trabalho na produção, pois evitando fazer algo excessivamente
limpo, sua música soa espontânea e cheia de vida. Mas isso não significa que é
algo tosco e embolado, longe disso: tudo é compreensível, apenas soa rude e
sujo porque é algo do gênero.
Arte gráfica/capa:Fernando “Drowned” Lima é o designer
da arte do CD, e ele pegou a essência das letras e da música do grupo e lhes
deu corpo. A capa vai rebuscar algo do AUTOPSY
na arte, enquanto o encarte tem aquele jeitão de “Scum”, embora mais bem organizado e limpo.
Destaques musicais:
21 murros no nariz esperam o ouvinte, com canções curtas que mal chegam aos 2 minutos
de duração (apenas duas passam dos 3 minutos). Mas dessa forma, não se torna
enjoativo aos ouvidos em momento algum. E “A
Crutch” (pancadaria extrema e insana, com urros guturais extremos e
andamento entre a velocidade tradicional do Hardcore e outros mais Grindcore
mesmo), “Mental Dispain” (ótimos
riffs de guitarra, mostrando a essência Grind/Crust da banda), “Horror Show” (onde o NAPALM DEATH nas partes rápidasse encontra com o MORBID ANGEL nos momentos lentos, mostrando um trabalho muito bom
de baixo e bateria), o jeito mais Crust com ritmos mais lentos de “Two Centuries to You Die”, a
selvageria Hardcore/Grind de “Infinita
Psicopatia” (vocais guturais urrados de primeira, herdando o jeitão extremo
de Lee Dorrian do passado e “Barney” Greenway sem copiá-los), “Moviment?” (um tiro nos ouvidos de tão
bom, outra em que o ritmo se alterna bastante), “No, Nothing” (como o quarteto sabe fazer músicas que grudam nos
ouvidos, sendo essa bem arranjada e com variações vocais entre gutural e
timbres esganiçados de primeira), “You
Fool” (essa em uma pegada/vibe mais tradicional em termos de Grindcore, e
reparem bem no jeitão HC do baixo e da bateria em muitas partes), “Alucinações Apoiando o Terror” (por
ser uma das canções mais longas, ela possui um jeitão Grind/Death Metal à lá “Harmony Corruption”, mesmo com sua
essência extrema), a curta e grossa “This
Again”, “Década de Dor” (ótimas
variações de ritmo e toques de influências do Thrash Metal germânico dos anos
80), a bruta e “na cara” “As a Kick in
Your Head” (outra com toques de Thrash Metal, especialmente nos riffs de
guitarra), e a cadenciada e azeda “I’m
Arrogant” (que mostra a versatilidade e maturidade do grupo, justamente por
fazerem algo mais lento e cadenciado).
Conclusão: Sabendo
não se perder em meio aos tempos modernos, o STOMACHAL CORROSION veio para mostrar que continua vivo, selvagem e
disposto a provocar surdez em muitos com “Stomachal
Corrosion”. Mas aos fãs, é um belo presente!
Introdução:
Entre os anos de 1986 e 1987, muitos fãs da época encararam alguns discos com
muita desconfiança. Aqueles que faziam algo mais brutal começaram a abrir mão
da agressividade desmedida em pró de uma sonoridade mais “internacionalizada”
(ou seja, mais polida e trabalhada, e menos explosiva). Discos como “Beyond the Gates” do POSSESSED, “Eternal Devastation” do DESTRUCTION,
“Terrible Certainty” do KREATOR, e “Persecution Mania” do SODOM
marcam o início do que chamamos hoje de Thrash/Death Metal, ou seja, é o “caminho”
que bandas de Death Metal e/ou Black Metal usaram para chegar ao Thrash Metal.
Assim sendo, nesse meio termo, temos inúmeras bandas, entre elas o trio carioca
AFFRONT nos surpreende em “World in Collapse”, seu segundo disco
álbum.
Análise geral:
O segundo play da banda mostra uma mudança no “line up” do trio: o
baterista Jedy Nahay (que gravou “Angry Voices”) deu lugar a R. Lobato (conhecido por seu trabalho
com nomes como ÂNSIA DE VÔMITO,
MYSTERIIS, PROPHECY, TELLUS TERROR, UNEARTHLY, entre outros). De um lado, a
banda ganhou um pouco mais de técnica, mas a brutalidade musical de antes dá
espaço a algo mais seco e “rasgado” (um bom exemplo disso se percebe nos
timbres dos vocais, que estão mais esganiçados que guturais, embora existam
momentos em que eles estão evidentes), ao mesmo tempo em que a musicalidade
ganhou maior ênfase melódica (como se percebe nos solos de guitarra). Ou seja,
se for aferido que “Angry Voices” é
um disco de Death/Thrash Metal (ou seja, a ordem mostra maior ênfase no lado
Death Metal), “World in Collapse”
mostra o trio em um formato mais Thrash/Death Metal, ou seja, mais trabalhado influenciado
pela escola alemã. Mas se pode aferir que existem influências musicais externas
que são percebidas com clareza na versão do grupo para “Mazurka”, um antigo chorinho de Villa Lobos.
Arranjos/composições:
o que salta aos olhos é que, mesmo mantendo a coerência com sua personalidade
musical, o trio soube trabalhar bem os seus arranjos, sem que a espontaneidade
fosse perdida. A sonoridade mais seca evidencia o trabalho instrumental, mostrando
que houve evolução no aspecto técnico, além de amadurecimento em termos
melódicos. Além disso, apesar da agressividade inerente ao AFFRONT, “World in Collapse”
mostra-se mais acessível, de melhor digestão.
Qualidade sonora:
Para esse disco, o trabalho de M.
Mictian e R. Rassan na produção
foi muito bem feito. Gravado no Musicálico Studio no Rio de Janeiro, e com a mixagem
e masterização de Ciero (conhecido
produtor musical que já assinou trabalhos de nomes como RATOS DE PORÃO, KRISIUN, CLAUSTROFOBIA, TORTURE SQUAD e outros), os
esforços deles resultou em uma qualidade sonora seca e ríspida, algo quase que
oposto ao que se ouviu em “Angry Voices”.
Nisso, temos que os instrumentos estão com timbres mais próximos do som ao vivo,
sem muitos enfeites. Ponto para a banda, pois essa sonoridade encaixa no
contexto musical de “World in Collapse”.
Arte gráfica/capa:
O conhecido tatuador Edu Nascimento
assina a capa do CD. Nela, transpira toda a revolta, a agressividade lírica do
grupo, e serve como uma “carta de apresentação” ao conteúdo musical.
Destaques musicais:
O nível de composição é bem distribuído por todo o disco, mas se destacam “Dirty Blood” (uma canção agressiva e
veloz, com ótimos riffs e solos), a cadência envolvente de “Your Lies, Your Fall” (esta é cheia de energia, mostrando bons
vocais e boas conduções rítmicas), a opressiva “Favelas, Senzalas” (rápida e com partes equilibradas entre Thrash
Metal e Death Metal, além de lindas melodias), a explosiva “Monument to Hate” (uma solidez rítmica incrível, com momentos mais
velozes aqui e ali, mas imperando uma ambientação opressiva devido aos
andamentos cadenciados), a presença de toques de Groove no início de “Violence” (que logo se mostra um
torpedo Thrash/Death Metal à lá anos 80), o ritmo envolvente de “Forgotten by God”, os toques
percussivos nativos do Brasil em “Sowed
by Lies” (algo próximo ao Frevo, sendo que a música tem um alinhavo denso e
bem influenciado pelo Death Metal inglês em certos momentos), e a beleza curta
de “Mazurka”, uma instrumental que
encerra o disco quase que em uma forma de lamento.
Conclusão: mais
maduro, e menos furioso; mais voltado ao Thrash Metal que ao Death Metal, “World in Collapse” vem para mostrar o
quanto o AFFRONT ainda pode render,
pois se renovam sem perder sua identidade.