segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

REPRESSOR - Agnoia


Ano: 2018 

Tipo: Full Length 
Selo: Independente 
Nacional 

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Cada vez mais as influências do Thrash Metal moderno (que em algumas concepções é chamado de Thrash Metal pós anos 90, devido à clara influência de PANTERA, DOWN e outros) têm sido sentidas na escola brasileira do gênero, que sempre teve óbvia influência das escolas norte americana e europeia. E é justamente vindo com uma “vibe” mais moderna que o quarteto carioca REPRESSOR (de Maricá) chega em “Agnoia”, seu segundo álbum.

Análise geral: Embora seja um estilo já bem erodido pelo reincidente uso de muitas bandas, o quarteto mostra que a experiência de 13 anos de estrada faz a diferença: eles mostram uma personalidade forte, já que misturam o Groove/Thrash Metal com o Bay Area Thrash Metal de expressão mais agressiva. É como se fossem possível jogar em um caldeirão de altas temperaturas a música de FORBIDDEN e VIO-LENCE mais o Groove moderno de PANTERA, e mais a personalidade musical dos integrantes do grupo. A abordagem deles é bem pessoal.

Arranjos/composições: Com bom “approach” técnico, peso abrasivo e a intensidade do Groove Metal, o trabalho deles é de primeira. Sabendo criar diversidade rítmica e encaixar os arranjos uns nos outros como se montando um quebra-cabeça musical, eles uma dinâmica interessante entre os instrumentos e os vocais (que poderiam não ser tão graves assim). Bases bem feitas, solos caprichados, base rítmica sólida, além de bons vocais é o que eles oferecem ao ouvinte.

Qualidade sonora: Como toda boa produção do gênero, o trabalho de Gabriel Russel e Caio Kattenbach na mixagem e masterização buscou deixar tudo com a medida certa de efeitos, fazendo com que as músicas sejam compreendidas e os instrumentos sejam ouvidos separadamente, o que por consequência mostra que os timbres escolhidos para os instrumentos é muito bom. Se não é perfeito, é algo muito bom..

Arte gráfica/capa: A capa do disco nos mostra uma arte enigmática. Tendo em vista de “Agnoia” vem do grego e significa “ignorância, descuido, erro”, e que é usada para definir a “falta de conhecimento, estado dos doentes que não reconhecem as pessoas que os rodeiam” conforme o Dicionário infopédia de Termos Médicos, e pelos temas tratados nas letras (onde se percebe que os temas sociais e o protesto contra o “establishment”), a arte fala da completa ausência de conhecimento do mundo real.

Destaques musicais: Pode-se aferir que “Agnoia” é um disco sólido e bem caprichado, fazendo com que a qualidade das músicas se nivele por cima. Mas destacam-se as seguintes canções.

“Mecanismo”: Como toda boa faixa de abertura, é um cartão de apresentação do trabalho deles. Cheia de boas mudanças de ritmo e uma energia encorpada, e preenchida por guitarras de primeira, seja nos riffs ou nos solos.

“Cabral”: Nesta, existem partes que remetem diretamente ao Crossover à lá RxDxP, novamente com guitarras insanas, mas o grande destaque é o trabalho de baixo e bateria (ótima técnica e excelentes conduções). E é a faixa escolhida para vídeo de divulgação.

“Rebelião”: Muito peso, o andamento é mais lento, causando a impressão de algo causticante fluindo dos auto-falantes. Alguns tempos quebrados surgem aqui e ali, mas os vocais se mostram muito bem.

“Ganância”: Aqui o quarteto cai definitivamente para o lado exclusivamente Thrash Metal de sua personalidade, extremamente próximo ao que a segunda geração do San Francisco Bay Area Thrash Metal mostrava. Peso, brutalidade e ótimo trabalho de baixo e bateria é apresentado, fora um fluxo de energia abusivamente insano.

“Sangria”: Veloz em vários momentos (pura influência de HC/Crossover), em outras com maior cadência e ambientação abrasiva, é daquelas canções feitas para bater cabeça como se não houvesse amanhã. E que solos bem feitos!

Conclusão: No mais, o REPRESSOR é daquelas bandas que ainda não estourou por mero desconhecimento do grande público. E tenham certeza: a banda está apenas começando, pois ainda tem muito a oferecer aos fãs. Até lá, ouçam “Agnoia” no volume mais alto possível.

Nota: 84%


Tracklist

1. Mecanismo 
2. Cabral 
3. Depósito 
4. Rebelião 
5. Matador 
6. Sagrado 
7. Ganância 
8. Instável 
9. Sangria 
10. Duna 


Banda: 


Guilherme Marchi - Vocais, guitarras 
Caio Kattenbach - Guitarras 
Gabriel Belão - Baixo 
Gabriel Russel - Bateria 


Ficha Técnica: 

Repressor - Produção 
Gabriel Russel - Mixagem, masterização 
Caio Kattenbach - Mixagem, masterização 
Gabriel Russel - Arte da capa 


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Site Oficial: 
Assessoria: 








Spotify:


SKULLORD - In Death

Ano: 2019
Tipo: Full Length (DOWNLOAD GRATUITO)
Selo: Independente 
Nacional 

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: O Doom Metal é um estilo que vem sendo construído desde os anos 70. As influências dos primeiros discos do BLACK SABBATH são evidentes, mas nomes como ST. VITUS, TROUBLE e WITCHFINDER GENERAL começaram a encorpar cada vez mais os elementos do gênero, e o CANDLEMASS vem trazer aspectos líricos ao estilo. Óbvio que o estilo não tem um “tutorial” definitivo de como deve ser feito, e algumas bandas seguem seus próprios instintos ao criar algo dentro do gênero. E é justamente nisso que o dueto SKULLORD, de Lima Duarte (MG), se encaixa com seu primeiro disco, “In Death”.

Análise geral: A dupla tem uma abordagem mais clássica do Doom Metal, com claras influências de BLACK SABBATH, BEDEMON, PENTAGRAM e WITCHFINDER GENERAL, evitando uma técnica musical rebuscada. A atmosfera de suas canções é densa e pesada, com andamentos cadenciados e um azedume intenso. Existem óbvias influências de Stoner Rock/Metal em várias partes (basta observar os timbres instrumentais) e mesmo de Space Rock dos anos 70. Musicalmente, é uma banda de peso e muita solidez, mas com um apelo melódico essencial que embala o ouvinte.

Arranjos/composições: É preciso dizer que a banda não está criando nada que já não tenha sido abordado antes, ainda mais nessa forma clássica de Doom Metal. Mas isso não quer dizer que não tenha personalidade, ou que suas canções não tenham valor. Muito pelo contrário: é justamente esse jeito “Doom Metal from Life to Death” de raiz que nos envolve, graças a arranjos musicais simples e melodias de fácil assimilação. Existem partes que chegam a ser hipnóticas de tão marcantes.

Qualidade sonora: Mesmo usando de tecnologias modernas, a sonoridade de “In Death” é orgânica (logo, de onde vem o “feeling” Stoner que se percebe permeando o disco), buscando realmente se distanciar de algo excessivamente limpo. Pode-se dizer que a qualidade sonora de discos como “Master of Reality”, “Psalm 9” e “Death Penalty” foi uma referência, e que Léo Schröder acertou a mão.

Arte gráfica/capa: Trabalhada em tons de preto, cinza e roxo, a arte é simples, direta e objetiva: é uma banda de Doom Metal no sentido mais conservador possível, sem espaços para inovações pós-modernistas do gênero. Ou seja, a arte é completamente paralela ao que se ouve nas canções do grupo.

Destaques musicais: Com um jeito rígido Doom Metal clássico de ser, “In Death” brinda o ouvinte com canções marcantes e envolventes.

“The Death's Bell Tones (Intro)”: O nome já diz tudo, é uma introdução experimental.

“Corpse”: Destilando riffs intensos e azedos, é uma canção com boa dinâmica entre as partes instrumentais e vocais. O ritmo lento é lisérgico, com seus toques de Space Rock aqui e ali.

“Procession”: Um peso cavalar é jogado no ouvinte sem pudores, com o ritmo lento evocando certo toque de Stoner. As linhas melódicas simples vão seduzindo o ouvinte ao ponto do mesmo cantar junto com o disco na segunda audição.

“Lying in the Frost (Burial)”: A mais densa e opressiva canção do disco, cheia de passagens melódicas fúnebres, onde baixo e bateria mostram sua força rítmica, algo semelhante ao que os veteranos do PENTAGRAM e ST. VITUS desencadeavam em seus tempos áureos.

“Ad Sepulcrum (Interlude)”: Um curto interlúdio sinistro, com mais uma vez um toque experimental interessante.

“The Dead City”: A aura introspectiva e soturna dessa canção tem uma pegada mais dinâmica, com boas variações de ritmo. Os vocais se encaixam bem na canção, com timbres limpos bem postados (que podem melhorar no futuro).

“Beyond Thy Grave (Outro)”: Outra instrumental climática, dando o toque de “end of the world” ao disco.

Conclusão: Se uma palavra pode definir bem o que se ouve em “In Death” é honestidade. E embora algumas arestas possam ser aparadas (como os vocais podem dar uma melhorada no futuro), para os fãs de Doom Metal, Stoner Metal/Rock, enfim, para os fãs de Metal de bom gosto, o SKULLORD aqui está e nos brinda um disco de ótima qualidade. E que pode ser baixado de graça no perfil da banda no Bandcamp.

Nota: 83%

Tracklist:

1. The Death's Bell Tones (Intro)
2. Corpse
3. Procession
4. Lying in the Frost (Burial)
5. Ad Sepulcrum (Interlude)
6. The Dead City
7. Beyond Thy Grave (Outro)


Banda


Dean Meadows - Vocais, guitarras, baixo 
Robert Messorem - Bateria, programação 


Ficha Técnica: 

Léo Schröder - Produção 


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Facebook: https://www.facebook.com/skullorddoom 
Instagram: https://www.instagram.com/skullord_doom 
Assessoria: 
E-mail: skullordpress@gmail.com 



sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

PAGAN THRONE - Dark Soldier

Ano: 2018 
Tipo: Extended Play (EP) 
Selo: Eternal Hatred Records 
Nacional

Texto: “Metal Mark” Garcia 


Introdução: Quando se fala em Viking Metal e Pagan Metal, poucos têm a percepção que ambos os estilos são extremamente próximos. O Viking Metal nasce nas mãos do BATHORY em “Blood Fire Death”, enquanto o Folk/Pagan Metal tem suas origens no SKYCLAD com “The Wayward Sons of Mother Earth”, e o tempo foi criando a convergência de ambos ao ponto de não ser incomum vermos bandas de cada vertente usando elementos da outra. Nisso, o quinteto PAGAN THRONE, da cidade do Rio de Janeiro, mostrou-se sempre um baluarte, tendo que seu novo trabalho, “Dark Soldier”, nos brinda com algo realmente fantástico.

Análise geral: Quem conhece a banda desde “The Way to the Northern Gates” (de 2010) consegue ter a percepção de quanto evoluíram a cada lançamento, de quanto a crueza e estética agressiva original foram sendo temperadas com influências musicais diversificadas. E em “Dark Soldier”, eles deram um passo adiante: se já se mostravam mais inclinados a algo mais melodioso com influências de Pagan Metal no álbum “Swords of Blood” (de 2015), e no EP “Pagan Empire - Against the Usurpers of the Throne” (2017) já mostravam a adição de elementos Folk, agora se percebem orquestrações grandiosas, corais épicos, melodias mais soturnas em alguns pontos, mas sempre tendo em vista suas origens extremas. Pode-se dizer que o trabalho do PAGAN THRONE cada vez mais soa pessoal, se diferenciando de tantos outros grupos que são ouvidos todos os dias.

Arranjos/composições: Se por um lado o grupo não cria nada que seja extremamente complicado em termos técnicos, é diversificado, já que não ficam presos a padrões pré-estabelecidos. Desta forma, a música do grupo soa espontânea e cheia de energia, mas com uma beleza incrível. Os vocais ficaram mais diversificados em termos de timbres (o uso dessas variações ficou ótimo), as guitarras estão fundindo bem os aspectos extremos e melodiosos em seus riffs (e esbanjando melodia nos solos, algo bem incomum em termos de Black Metal), baixo e bateria estão criando uma base rítmica sólida e bem trabalhada, e os teclados agora não fazem apenas acompanhamento, mas criam ambientações ótimas. Além disso, existem melodias com certo toque de Ethnic/Oriental Metal (que são evidentes no início de “Empty and Cold”), dando diversidade ao que já era de alto nível. E como a transição de tempos e dinâmica entre os arranjos é espontânea.

Qualidade sonora: Pode-se dizer que o grupo buscou renunciar aos modelos usados para gravações/produções de discos de Metal extremo, mantendo os aspectos crus apenas na timbragem dos instrumentos. A produção acertou a mão ao criar algo limpo e pesado, obedecendo ao que as canções precisavam, e não as adequando a moldes pré-determinados. Pode-se aferir que Rafael Ribeiro fez um trabalho e tanto ao cuidar da produção, mixagem e masterização do disco. 

Arte gráfica/capa: A arte é do vocalista Rodrigo Garm, e diferente dos discos anteriores, ela busca algo mais soturno, simples, e extremamente subjetivo. Algo que se encaixa com o título do EP em várias interpretações possíveis, e que contrasta com as canções. 

Destaques musicais: O EP contém 3 canções novas, todas elas excelentes, e que valem a aquisição do disco.

“The Rise of the Golden Empire”: É uma introdução climática, com maior enfoque nos teclados e corais, mas com a bateria dando aquele toque ritmado bem feito.

“Dark Soldier”: Uma canção rica em detalhes e boas mudanças de andamento. As partes de piano se encaixam como uma luva, e as ambientações épicas criadas pelos corais são excelentes, sem mencionar que baixo e bateria excelentes.

“Empty and Cold”: As influências de algo mais voltado ao Ethnic/Oriental Metal são evidentes em seu início, e seu andamento não tão veloz assim prioriza uma ambientação melódica e alguns momentos mais introspectivos/Folk. Os vocais acompanham bem esta evolução, com timbres variando entre algo mais limpo e outros timbres agressivos não muito extremos. 

“Prelude to a Dark Sun and Blood Moon”Outra intro climática, feita em teclados e pianos, apenas mais densa e melancólica.

“Ascensão ao Poder do Sol”: Essa é cantada em português (a primeira vez que o grupo usa de tal expediente), com uma pegada mais cadenciada e ambientação focada em algo mais “horror story”, e com os teclados fazendo um ótimo trabalho, bem como as guitarras (e a dinâmica entre ambos ficou excelente). É a canção do EP que faz a ligação entre o passado mais extremo e o futuro mais melodioso e épico que parece promissor.

O EP ainda tem as versões orquestrais para Dark Soldier” e “Empty and Cold”.

Conclusão: O PAGAN THRONE anda bem ativo, se recusando a se encaixar no modelo de 1 disco a cada 2-3 anos, e “Dark Soldier” vem para deixar os ouvintes ansiosos pelo novo “full length” do grupo. Até lá, o EP mata a ansiedade.

Nota: 96%

Tracklist

1. The Rise of the Golden Empire 
2. Dark Soldier 
3. Empty and Cold 
4. Prelude to a Dark Sun and Blood Moon 
5. Ascensão ao Poder do Sol 
6. Dark Soldier (Orchestral Version) 
7. Empty and Cold (Orchestral Version) 


Banda


Rodrigo Garm - Vocais 
Renan Guerra - Guitarras, violão, orquestrações 
Thiago Amorim - Baixo 
Hage - Teclados, programação 
Alexandre Daemortiis - Bateria


Ficha Técnica

Rafael Ribeiro - Produção, mixagem, masterização 
Rodrigo Garm - Artwork 


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Assessoria: 
E-mail: 



segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

AZUL LIMÃO - Imortal

Ano: 2018 

Tipo: Full Length 

Nacional

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: A cidade do Rio de Janeiro transpirava Metal nos anos 80. Nomes como METALMORPHOSE, DORSAL ATLÂNTICA, TAURUS e muitos outros tomavam as noites de fim de semana e tardes de domingo em points como Caverna II e Circo Voador (na época, uma casa de shows voltada aos eventos do underground). Óbvio que um dos nomes mais marcantes da época era o do quarteto AZUL LIMÃO, que se tornou uma lenda celebrada por sua música cheia de energia, e discos como “Vingança” e “Ordem e Progresso” fazem parte da discografia de muitos Headbangers daquela época em que o mais importante era a música. E é ótimo vê-los na ativa, lançando seu quarto álbum, “Imortal”.

Análise geral: O trabalho musical apresentado em “Imortal” mostra que o grupo continua naquele mesmo formato de sempre: Heavy Metal tradicional à lá anos 80 com clara influência do Hard Rock clássico dos anos 70. Melodias sólidas e bem feitas (mas simples de serem assimiladas), trabalho técnico sóbrio (e eficiente), refrães que não são esquecidos com facilidade pelo ouvinte, ou seja, tudo que se conhece de seus discos anteriores continua presente. A diferença vem justamente pelas mudanças de formação, pois os vocais de Renato “Trevas” (ex-METALMORPHOSE) deram outra dinâmica às canções, bem como a pegada mais técnica de André Delacroix (IMAGO MORTIS, ex-METALMORPHOSE); e isso aliado à técnica sóbria dos riffs e solos de Marcos Dantas (guitarras) e solidez das quatro cordas de Vinícius Mathias (baixo). Ou seja, é o bom e velho jeitão Hard’n’Heavy clássico do grupo, apenas renovado e vigoroso.

Da esquerda para a direita: Vinícius, Trevas, André, Marcos
Arranjos/composições: Uma banda com tantos anos de experiência não iria mudar seu enfoque. Desta forma, o que se afere é que a combinação de peso e melodia bem equilibrada que os caracteriza desde os tempos em que lançaram suas Demos continua presente. E se a experiência os ensinou algo é a compor com esmero, sabendo manter seus arranjos o mais simples possível, fazendo com que se encaixem uns nos outros como se fossem peças de Lego. E é justamente por isso em a energia flui desse disco de maneira selvagem, espontânea, mas sempre elegante e requintada.

Qualidade sonora: Outro ponto forte do disco. Mesmo sendo um grupo acostumado às agruras de um estúdio analógico, o AZUL LIMÃO soube usar das modernas tecnologias digitais para gravar, mas se perceberem, não existem exageros ou timbres modernos. Não, não é assim. Eles preferiram algo mais simples, orgânico e quase “plug ‘n’ play”, mas pesado e limpo. Além disso, a timbragem dos instrumentos é a mais singela possível, sem abuso de efeitos, apenas o “set” de efeitos que é ouvido em shows, nada além disso, e foi uma aposta certeira.

Arte gráfica/capa: A arte é assinada pela Sledgehammer Graphix, e é onde algo mais moderno é apresentado. Uma capa forte, bonita e que deixa claro que eles não são de se abater pelas dificuldades. Aliás, para quem conhece a banda há pelo menos 20 anos, sabe que foram as vicissitudes do Metal brasileiro que os tornaram fortes.

Destaques musicais: “Imortal” possui dez canções fortes, fazendo justiça ao passado do quarteto, e embora todas sejam ótimas, destacam-se:

“Guerreiros do Metal” - Com uma energia vibrante, esta é uma canção forte e com um jeito mezzo agressivo, mezzo melódico, um típico Heavy Metal dos anos 80, mostrando um trabalho de guitarras (tanto riffs como solos) de primeira, e ótimos vocais.

“Nada Pode Me Parar” - Esta tem uma pegada mais pesada e melodiosa, onde o andamento não é lá muito veloz. O trabalho de baixo e bateria é de primeira, e um refrão certeiro.

“Paranormal” - As ótimas mudanças de ritmo e linhas melódicas desta canção são sublimes, e justamente a diversidade de timbres vocais nos prende pelos ouvidos.

“Sexta-Feira à Noite” - Um típico Hard’n’Heavy à lá anos 80, com uma boa dose de acessibilidade nas melodias, algo mais voltado ao Rock clássico (vide o solo de guitarra). Nisso, a sobriedade técnica emite uma energia envolvente de primeira, sem falar em mais um ótimo refrão.

“Mentiras” - Há certo toque de Classic Rock nesta aqui, algo com aquele alinhavo Blues/Rock das antigas que nunca perde sua beleza. Mais uma vez, as linhas melódicas são caprichadas, e a simplicidade da base baixo-bateria mostra seu valor.

“No Ar Rarefeito” - Peso assentado sobre o andamento mais cadenciado, o que torna tudo mais pesado. Há momentos mais introspectivos muito bem pensados, onde as guitarras fazem bonito (e onde os vocais mostram sua versatilidade).

“Imortal” - Uma canção típica do AZUL LIMÃO, mas uma das características de bandas daqueles tempos: alto astral. Sim, as melodias da canção transpiram algo de positivo, de bom, que encerra o disco com chave de ouro, e nos leva a apertar a tecla “repeat” do CD player.

Conclusão: Não há como negar que o AZUL LIMÃO usou muito de sua fluência em termos de melodia e de sua experiência para criar algo tão bom e espontâneo como é “Imortal”. E talvez isso faça esse disco estar na lista de melhores de 2019 de muitos (uma vez que ele foi lançado 17/12/2018, quando muitas listas dos melhores de 2018 já haviam sido feitas).

Nota: 90%

Tracklist:

1. Guerreiros do Metal
2. Nada Pode Me Parar
3. Paranormal
4. O Último Trem
5. Sexta-Feira à Noite
6. Quem Vai Nos Salvar?
7. Mentiras
8. No Ar Rarefeito
9. Dois a Dois
10. Imortal


Banda:


Trevas - Vocais
Marcos Dantas - Guitarras
Vinícius Mathias - Baixo
André Delacroix - Bateria


Ficha Técnica


Sledgehammer Graphix - Artwork 


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Assessoria: 
E-mail: 



“Guerreiros do Metal”: https://www.youtube.com/watch?v=aEBoa9VHxnY



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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

MAYHEM - De Mysteriis Dom Sathanas

Ano: 1994
Tipo: Full Length
Selo: Deathlike Silence Records / Century Media Records
Importado

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução/Contexto histórico: Os anos entre 1990 e 1994 foram especiais para as vertentes extremas do Metal. Nesta época, junto com atitudes polêmicas (como os incêndios em igrejas, violações de túmulos e assassinatos), a Noruega fervia em termos de Black Metal. Mesmo se o famoso Inner Circle não fosse mais que um grupo de amigos que tocavam o gênero, havia algo novo sendo criado. Dado como um estilo morto no final dos anos 80 (já que a maioria de seus representantes transitara ou estava transitando para outros gêneros dentro do Metal), o Black Metal ainda estava vivo, sendo reciclado para sua definitiva canonização musical. E apesar dos atrasos causados por falta de recursos para gravar (o que pode ser comprovado neste link), pelo suicídio de Per Yngve Ohlin (o lendário vocalista Dead) em 08/04/1991, e pelo assassinato de Øystein “Euronymous” Aarseth (guitarrista/mentor do grupo) em 10/08/1993, é fato mais que comprovado que “De Mysteriis Dom Sathanas”, primeiro álbum do quarteto norueguês MAYHEM, é uma planta baixa de como se faz Black Metal.

Euronymous
Análise geral: Apesar de ter vindo ao mundo em 24/05/1994, ou seja, dois anos após o lançamento de “A Blaze in the Northern Sky” do DARKTHRONE e “Burzum” do BURZUM (ambos lançados em 1992), “De Mysteriis Dom Sathanas” possui músicas que estavam sendo compostas desde 1987 (conforme Dead declarou em uma entrevista ao fanzine Slayer Mag ter prontas as letras de “Funeral Fog”, “Freezing Moon”, “Buried by Time and Dust” e “Pagan Fears”, e estas aparecem em “Live in Leipzig”, que foi gravado em 26/11/1990). Além disso, como dito por Fenriz, Euronymous havia desenvolvido uma forma de se tocar riffs de guitarra que são características do gênero, um “trademark” legado ao cenário norueguês. Nesse ponto e na estética, as influências de SODOM, HELLHAMMER/CELTIC FROST, DESTRUCTION e mesmo do SARCÓFAGO (graças a envio de cópias de “Warfare Noise I” e “INRI” para Euronymous pela parte de Wagner na época) em seus discos iniciais é sensível em termos de estética sonora/visual (uma observação atenta em “Pagan Fears” mostra isso claramente). Tanto o é que o amadurecimento do material do disco em relação ao que se ouve no EP “Deathcrush” é gritante. Dessa forma, mesmo saindo de forma tardia, as músicas do disco iriam influenciar não só a geração do MAYHEM, mas as que vieram depois. Aliás, este deve ser o único disco em todo universo musical que tenha o assassino e a vítima tocando juntos, ou então, é o primeiro disco a conseguir esta triste façanha.

Arranjos/composições: A principal característica musical de “De Mysteriis Dom Sathanas” é justamente a aura macabra de suas canções. Tudo porque a forma de tocar riffs de Euronymous é sombria, impactante e extremamente simples de ser assimilada. Não há uma parte de guitarra desse disco que não seja marcante, que não fique na mente do ouvinte de forma permanente. E isso reforçado pelo ótimo trabalho de bateria (que apesar de ainda não mostrar tudo que sabe, Hellhammer já mostra excelente técnica de caixa e bumbos). Como a atitude de Euronymous em relação à morte de Dead causou rusgas entre ele e o baixista Jørn “Necrobutcher” Stubberud (tanto que ambos não se falaram mais até a morte do guitarrista), o grupo chamou Varg Vikernes para tocar as partes de baixo (ironicamente, seria ele o assassino de Euronymous meses depois das sessões de gravação). Nos vocais, o lugar de Dead foi ocupado pelo húngaro Attila Csihar (então do TORMENTOR, que havia lançado uma Demo Tape que se tornou clássico nos anos vindouros, “Anno Domini”, de 1988, que posteriormente se tornou CD), que causou certa estranheza por parte dos fãs na época, pois sua voz esganiçada e agonizante não era típica do padrão do Black Metal, mas que acabou criando uma escola, se tornou referência e que encaixou perfeitamente em “De Mysteriis Dom Sathanas”. E verdade seja dita: o disco inteiro é clássico. É preciso dizer que Dead, Necrobutcher, além de Snorre “Blackthorn” W. Ruch também ajudaram com letras e riffs no disco, e mesmo Varg contribuiu, mas como este último declara, a maioria dos riffs são mesmo de Euronymous.

Qualidade sonora: Gravado no Grieghallen Studio, Bergen, entre 1992 e 1993, o disco ficou sob a tutela de Eirik “Pytten” Hundvin para a produção e mixagem (cuja responsabilidade foi dividida com Euronymous e Hellhammer). De certa forma, a “estética do feio” (referenciada por Varg no documentário norte-americano “Until the Light Takes Us”, de 2008, quando o tema abordado é a qualidade sonora dos discos seminais do Black Metal norueguês), que é amplamente utilizada aqui, não está tão crua. Os instrumentos e vocais são compreendidos pelos ouvidos claramente, embora com tons nada convencionais para a época. Existe muito da sonoridade de discos como “Obsessed by Cruelty”, “Persecution Mania” e “Morbid Tales”, mas sob um ponto de vista ainda mais cru e pessoal. É a formalização do manifesto contra as qualidades sonoras cada vez mais limpas e super-produzidas do Death Metal de então.

Parte interna do encarte de  “De Mysteriis Dom Sathanas”

Arte gráfica/capa: A capa é simples, mostrando uma imagem trabalhada em preto e azul da cobertura do lado leste da Catedral de Nidaros (que está localizada em Trondheim, e cujo incêndio ou explosão estava planejado por Varg e Euronymous como parte do lançamento do disco). Não existem informações sobre a formação, letras ou algo do tipo. Somente as fotos de Euronymous e Hellhammer estão ali, além de uma imagem com 3 faces distorcidas em preto e branco. Algo direto e funcional. É óbvio que mais tarde, versões em vinil e mesmo novas edições em CD vieram a trazer letras, mas inicialmente, era seco, reto e direto, sem firulas.

Atilla

Destaques musicais: Como citado anteriormente, “De Mysteriis Dom Sathanas” é um disco do passado, mas que veio e canonizou o que se denomina como Black Metal, sendo até hoje uma referência do estilo. É uma formatação musical nova, diferente do que havia antes, já que o VENOM estava muito próximo ao MOTORHEAD (assim como o BATHORY em seus dois primeiros discos), enquanto o quarteto (mesmo influenciado pelo trio de Newcasttle) ainda mixa influências do Black/Death Metal e Black/Thrash Metal germânico dos anos 80 com sua própria personalidade. Com todo o respeito a discos anteriores e posteriores, mas o Black Metal ganha uma sonoridade peculiar com o MAYHEM. E esta sonoridade/estética que permeia cada segundo de música de “De Mysteriis Dom Sathanas”.

“Funeral Fog”: o disco começa seco, sem introduções, com um riffs simples e velocidade, até que os vocais aparecem e o ritmo começa a variar bastante. O nível de energia é alto, e empolga o fã por sua simplicidade.

“Freezing Moon”: a mais emblemática das canções do disco. O início lento e sinistro, e encaixa com a ideia de Dead e Euronymous de instigar o suicídio no ouvinte (algo que obviamente era apenas uma piada que virou polêmica e viria a divulgar ainda mais a banda), mas quando a música ganha mais velocidade, percebe-se o ótimo jogo de pratos e viradas da bateria, sem contar o “approach” sinistro dos vocais e as partes terrorosas do baixo.

“Cursed in Eternity”: Outra canção clássica devido ao trabalho dos vocais e partes rápidas. Mas se percebe em algumas partes (especialmente o início) alguns toques de Black/Thrash Metal em seu início à lá SODOM.

“Pagan Fears”: Novamente a influência do Black/Thrash Metal germânico é evidente nos riffs iniciais, mas logo a condução rítmica de bateria e baixo coloca a música no Black Metal puro e simples. 

“Life Eternal”: Seca e brutal, essa começa veloz e com muita energia, antes de ceder espaço a tempos mais climáticos e fúnebres. Além disso, os vocais e sua diversidade de timbres dá um toque ainda mais soturno ao que se ouve.

“From the Dark Past”: Em termos de andamento, é uma canção variada e com boas mudanças rítmicas. Mas o grande destaque é justamente a interpretação dada pelos vocais, além dos excelentes riffs.

“Buried by Time and Dust”: nesta, a maior característica é a velocidade estonteante, com um ritmo simples e direto. E é incrível o controle dos ritmos de baixo e (principalmente) bateria.

“De Mysteriis Dom Sathanas”: outra em que o ritmo é (na maior parte do tempo) constante e veloz, e onde vozes em tons normais agoniados contrastam com as vozes agressivas e nasaladas. 

Uma queixa 1: até hoje, é inaceitável que tal obra de arte não tenha a clássica “Carnage”

Uma queixa 2: até hoje, não ganhou uma versão nacional. Vale a pena os selos pensarem nisso.

Conclusão: A sensação de todos ao terminar a audição de “De Mysteriis Dom Sathanas” é a evidente, de que parece que nada veio antes dele, ou mesmo depois, quando se fala no MAYHEM. E além disso, que ele é um clássico atemporal, que mais de 24 anos depois de seu lançamento continua tão inovador e cheio de vida como nos românticos 5 primeiros anos da década de 90.


Tracklist:

1. Funeral Fog
2. Freezing Moon
3. Cursed in Eternity
4. Pagan Fears
5. Life Eternal
6. From the Dark Past
7. Buried by Time and Dust
8. De Mysteriis Dom Sathanas


Banda:

Euronymous (Øystein Aarseth) - Guitarras
Hellhammer (Jan Axel Blomberg) - Bateria


Ficha Técnica:

Pytten - Produção, mixagem
Euronymous (Øystein Aarseth) - Produção, mixagem
Hellhammer (Jan Axel Blomberg) - Produção, mixagem
Attila Csihar - Vocais
Count Grishnackh (Varg Vikernes) - Baixo
Jørgen Lid Widing - Artwork (encarte)


Contatos:

Assessoria: 
E-mail: 


Youtube: