Introdução: O
Rio Grande do Sul tem sido um celeiro e tanto para as vertentes mais extremas
do Metal no Brasil. Só os nomes do KRISIUN
e REBAELLIUN atestam tal afirmativa,
mas fora elas, o RS tem muitas bandas boas em sua cena underground que mostram
potencial para serem maiores. É o caso do INITIATE
DECAY, formado por membros das cidades de Esteio, São Leopoldo e Porto
Alegre, que chega com seu EP “Awaken the Extinction”.
Análise geral: Explosivo
de mesmo doentio, o trabalho do quarteto tem claras influências de CANNIBAL CORPSE, SUFFOCATION, MONSTROSITY
e IMMOLATION (os vocais são bem nos
moldes dos de Ross Dolan em termos
de timbres graves), ou seja, nada mais é que o bom e velho Death Metal tradicional
bruto, duro e cru, embora feito com boa técnica instrumental. Ainda carece de
aparar umas arestas em termos de personalidade (isso eles têm, mas ainda um
pouco oculta pelas influências musicais do grupo), mas estão no caminho certo.
Arranjos/composições: Em
termos de técnica, o grupo realmente é capaz de tocar muito bem, além de saberem
como arranjar suas canções e pôr mudanças de ritmo interessantes aqui e ali. As
guitarras tecem riffs muito bons e com certa influência do Death/Thrash Metal (justamente
nas partes mais empolgantes), a cozinha rítmica é técnica e pesada, os vocais
entremeiam guturais com gritos rasgados à lá Glenn Benton, ou seja, tudo funciona. Os arranjos são bons, mas podem
melhorar.
INITIATE DECAY
Qualidade sonora: Captar, mixar e produzir esse tipo de música não é lá muito simples, já que permitir que tudo seja entendido a contento, mas mantendo a sonoridade grave e crua é sempre difícil. Mas o veterano Sebastian Carsin sabe o que faz, logo, tudo ficou de alto nível nesse ponto.
Arte gráfica/capa: Focada em uma concepção distópica e pós-apocalíptica, a arte de Douglas Veiga encaixa como uma luva no trabalho musical da banda, sendo uma apresentação visual e tanto para o que o quarteto apresenta em suas músicas.
Destaques musicais: Embora
o trabalho do grupo ainda precise sair da sombra de suas influências musicais, suas
três canções são muito boas, capazes de deixar qualquer fã de Metal extremo
mais que satisfeito.
“Spreading
Latent Hate”:
uma pancadaria brutal com tempos que ficam transitando
entre o cadenciado brutal e a velocidade caótica, com um trabalho muito bom das
guitarras, sem mencionar os gritos à lá “porco-sendo-esganado” que surgem em
alguns momentos.
“Proliferation
of Manipulated Perceptions”: Com
conduções rítmicas um pouco mais focada no Old School Death Metal dos anos 90,
se percebem que o trabalho de baixo e bateria (especialmente nos bumbos) é
muito bom, mantendo o peso e conduzindo bem a canção.
“Awaken
the Extinction”:
outra em que as variações de ritmo sãoo tempero especial,indo de partes cadenciadas à alta
velocidade da Velha Guarda do gênero. Os vocais estão ótimos, mas podem dar uma
melhorada (uma maior diversidade de timbres seria bem vinda), além de solos de
guitarra bem tradicionais.
Conclusão: “Awaken
the Extinction”é uma ótima carta de apresentação do INITIATE DECAY, e que por ser umgrupo ainda jovem (doisanos apenas, pois foi formado em
Agosto de 2016), ainda tende a melhorar. Mas por agora, estão em um nível muito
bom.
Ah, sim: “Awaken the Extinction” pode ser ouvido nas seguintes plataformas digitais.
Introdução: A
mistura de Hardcore, Thrash Metal e Rap é fruto do experimentalismo que imperou
na segunda metade dos anos 80 (no underground) e nos primeiros anos da década
de 90 (já sendo sucesso com bandas como BODY
COUNT). Ainda hoje, muitos bons trabalhos do gênero aparecem, e vindo
diretamente de Volta Redonda (RJ), vem o trio KHORIUM, que faz algo do gênero
em “Manual Prático do Brasil”, um EP
que nos mostra um enorme potencial.
Análise geral: É possívelexplicar o trabalho do trio como Thrash/Rapcore
Metal, uma vez que o trabalho musical da banda mostra influências do Hardcore/Crossover nova yorkino dos
anos 90 (em especial de nomes como BIOHAZARD
e AGNOSTIC FRONT, de onde fluem
muito os toques de groove, Rap e Hip Hop), mais a fúria de estruturas harmônicas do Thrash Metal da escola norte-americana (uma forte carga de influência
do PANTERA pode ser percebida de
forma subjetiva em muitos momentos). Mas com tudo isso, o trio mostra personalidade,
força e mangas arregaçadas para encararem desafios. E música para isso eles
têm, e muito.
Arranjos/composições: O
jeito de fazer música do grupo é permeado por influências de Groove Metal
(especialmente nos toques técnicos cheios de toques Soul/Funk no baixo), com a
agressividade do Thrash/Rapcore evidenciados nos momentos elétricos. Óbvio que
vocais “rapeados” aparecem em muitos momentos, mas sem deixar a agressividade
de lado (especialmente em partes onde timbres mais viscerais surgem), algo que
encaixa bem na base instrumental. Em termos de técnica, o instrumental sólido
formado por guitarras, baixo e bateria está muito bem, com arranjos bem feitos
e criativos, o que permite aferir que a banda tem talento e personalidade.
KHORIUM
Qualidade sonora: O grupo tem uma qualidade que buscou associar peso, agressividade de uma maneira que possa ser compreendida pelos ouvintes, ou seja, algo que aponta para um nível de clareza de primeira (ou seja, soa limpo). Mas ao mesmo tempo, existe a noção de algo mais orgânico e visceral (tanto que em algumas partes de solos, não se tem linhas de guitarra base por baixo deles, como se nota claramente em “Pena de Morte”). Não está 100%, pois o trabalho do trio pede algo ainda melhor, mas está muito bom.
Arte gráfica/capa: A idéia
de manipulação permeia a capa de “Manual Prático do Brasil”. Algo que
denuncia o conteúdo lírico azedo e crítico do grupo, que dispara diretamente
contra o modelo corrupto vigente, sem dó de ninguém.
Destaques musicais: O
grupo tem enorme potencial a ser aproveitado, já que poucos ousam trilhar esse
caminho no Brasil. Nisso, “Manual Prático do Brasil” mostra-se
um compêndio de boas idéias que tendem a amadurecer mais e mais. E são cinco
murros nos ouvidos que são apresentados aos ouvintes.
“Quem
Vai Pagar”:
Alguns toques de Thrash Metal/Hardcore de Nova York
aparecem entremeados por momentos de Hip Hop/Funk no meio desse andamento
variado. É incrível notar a técnica pesada e fluente em termos de Groove do
baixo e dos vocais.
“Levante
e Lute”:
Mais agressiva e voltada aoRapcore/Crossover, mostrando uma energia abrasiva e envolvente. O
baixo continua destilando boa técnica, mas a bateria mostra em seus tempos
quebrados ótima fluência.
“Pena
de Morte”:
É uma canção mais azeda que as anteriores, alguns vocais com
timbres mais baixos lembram algo do R.D.P.,
mas toda a concepção Crossover com influências de Funk/Hip Hop se mantém intacta, mas bem perto do fim,
vira uma pancada Thrash Metal à lá N.Y.T.M. Os vocais rapeados ficaram ótimos,
junto com ótimo trabalho das guitarras.
“Midiocracia”: Esta
aqui ganha um toque extra deRock ‘n’
Roll em muitos momentos, sendo um pouco mais acessível que as outras. Só que “mais
acessível” não significa sem agressividade, especialmente porque alguns riffs
de guitarra são bem ríspidos.
“Cortina
de Fumaça”:
Nesta, tem-se uma aproximação mais direta e sem muita firula. Ao mesmo tempo,
as influências de Groove e Rapcore diminuem, deixando-a como uma faixa mais
Crossover convencional, ou seja, é um soco nos dentes, com mais um belo trabalho de baixo e
bateria.
Conclusão: Pode-se
aferir que “Manual Prático do Brasil” mostra o quanto o KHORIUM tem de potencial em um estilo
pouco praticado no Brasil, e que tem espaço. Aliás, melhorando um pouco mais a
qualidade sonora, e aprimorando o lado musical (que por si só já é muito bom),
ninguém segura esses caras.
Vai encarar? Se vai, pode ouvir o disco nas plataformas digitais abaixo.
Introdução:
Do final dos anos 70
até aproximadamente 1985, o Hard Rock clássico dos anos 70 (que hoje muitos
denominam de Classic Rock em várias publicações) teve picos de popularidade bem
elevados, alguns motivados pelo retorno do DEEP
PURPLE com sua MK II em 1984, e mesmo pelo sucesso comercial que o RAINBOW teve na fase mais acessível dos
discos “Difficult to Cure”, “Straight Between the Eyes” e “Bent
Out of Shape”. Deste último, pode-se dizer que o crescimento popular da
banda se iniciou com “Down to Earth”, disco com o
vocalista inglês Graham Bonnet, que
depois de passar pela banda de Ritchie
Blackmore, ainda passou pelo MSG,
até decidir criar o ALCATRAZZ, sua
própria banda. E Graham parece ter nutrido
o gosto por ter guitarristas virtuosos, pois o primeiro nome das seis cordas do
grupo foi o do sueco Yngwie J. Malmsteen
(com apenas 21 anos de idade, e que já havia passado pelo STEELER).
Uma pena que a banda só teve dois discos lançados com a formação original, o
clássico “No Parole from Rock ‘n’ Roll”
de 1983, e “Live Sentence: No Parole
from Rock 'n' Roll” de 1984. Isso até hoje, pois temos em mãos agora “Live
in Japan 1984: Complete Edition”, um super-pacote lançado no Brasil
pela Shinigami Records.
Análise geral:
Sendo um disco
lançado bem depois de seu tempo (antes era apenas um home video lançado
exclusivamente no Japão), cujo conteúdo foi gravado no Nakano Sun Plaza em
Tóquio, na apresentação do grupo em 28 de janeiro. As fitas originais foram
encontradas, remixadas e remasterizadas e viraram este CD duplo que capta bem a
música do quinteto: Hard Rock clássico, mostrando uma estética musical elegante
e bem feita, com boas doses de peso e acessibilidade. Não chega a ser nenhuma
blasfêmia em assumir que é as experiências no RAINBOW e MSG aparecem
no disco, mas sempre com a visão de Graham
e do virtuosismo neoclássico de Malmsteeen.
Mas é injusto não falar no talento de Jimmy
Waldo (teclados, que depois iria parar no VINNIE VINCENT INVASION), Gary
Shea (baixo, que também iria tocar no VINNIE
VINCENT INVASION), e Jan Uvena (bateria,
ex-ALICE COOPER e ex-IRON BUTTERFLY), que fazem um trabalho
e tanto. Aliás, que trabalho essa formação do ALCATRAZZ fazia, é de cair o queixo!
Graham Bonnet e Yngwie Malmsteen
Arranjos/composições:
O nível das
composições do quinteto é bem alto. Aliás, era um traço daqueles tempos se
criar música em alto nível, com uma boa dinâmica entre os instrumentos e com os
vocais fazendo um ótimo trabalho. Eram tempos em que não se reinventava a
lâmpada, tinha-se que ter personalidade. E soando elegante e com sua devida
dose de peso, as canções do ALCATRAZZ
conseguem ser acessíveis a um público maior por conta das melodias bem feitas.
E a influência neoclássica nas guitarras encaixou perfeitamente na proposta
musical da banda.
Qualidade sonora: Talvez a qualidade sonora de “Live in Japan 1984: Complete Edition” mostre a muitos como as tecnologias digitais podem ser úteis. Todo o trabalho de recuperação, remixagem e remasterização da sonoridade original resulta em algo orgânico, com todo o “feeling” ao vivo preservado. Tudo funciona, tudo soa bem e com peso. Quem fez esse trabalho de recuperar merece um prêmio, pois ficou excelente.
Arte gráfica/capa:
A apresentação de “Live in Japan 1984: Complete Edition” é muito bonita, com o foco justamente
nos talentos de Graham e Yngwie, usando de fundo a bandeira
estilizada do Japão. E isso em um Digipack muito bonito.
Destaques musicais:
É muito difícil fazer
análises profundas em um disco ao vivo, ainda mais dos tempos em que grandes
shows pelo mundo inteiro eram constantes. Mas das 18 canções, não há como
deixar menções honrosas à
“Too
Young to Die, Too Drunk to Live”: Uma canção vibrante, preenchida por
uma aura Classic Rock/Hard Rock elegante e muito envolvente. Belas partes de
teclados, e uma aula de interpretação dos vocais.
“Hiroshima Mon Amour”:
Nela se tem aquela típica
canção mais acessível, que embala o ouvinte. E se repararem, alguns prováveis espaços
que poderiam estar vazios são totalmente preenchidos pelo virtuosismo das
guitarras (mas desde quando isso acontece onde Malmsteen está?).
“Night Games”:sólida como uma
rocha,é onde se vê um trabalho pesado
de baixo e bateria. Andamentos com boa velocidade, energia e muita elegância. É
uma música que veio diretamente do primeiro disco solo de Graham, “Line-Up”, de 1981.
“Island in the Sun”: Se até estava faltando uma faixa um
pouco mais acessível, agora não falta mais. Um refrão grudento, belas linhas
melódicas, teclados estratégicos e incursões fantásticas de guitarra.
“Kree Nakoorie”:
Pesada, cadenciada echeia de feeling, ela não nega sua
vocação Hard neoclássica, e pode-se ver nela com quem Malmsteen aprendeu a valorizar os tempos mais lentos (embora as
debulhadas dele sejam ótimas).
“Coming Bach”:
Mais uma vez, o sentimento
que preenche “Rising Force” (primeiro disco da empreitada própria de Yngwie) aparece, pois toda a expressividade
e influência da música clássica surgem nesse solo de guitarra dele.
“Since You Been Gone”:
Aqui temos uma versão
para a velha canção do ARGENT, a
mesma canção que foi um sucesso na época de Graham no RAINBOW. Ótimo
refrão, vocais justíssimos e teclados dando aquele toque de elegância que
conhecemos.
Até aqui, só
músicas do CD 1. O CD 2 tem algumas belas surpresas.
“Desert Song”:
Um Hard pesado e
instigante, com aquela marca típica de bandas dos anos 70, além de certo “q” de
Hard alemão (o que não é de se estranhar, já que é uma canção do MSG). E é muito interessante ver Yngwie tocando (à moda dele, óbvio),
linhas de Michael Schenker.
“Jet to Jet”: Mais uma com um jeito puramente Hard
Rock dos anos 70, carregando muita influência tanto do DEEP PURPLE (por conta das linhas de teclados) como do RAINBOW (por conta do trabalho de baixo
e bateria), mas o destaque é mesmo do solo de guitarra.
“Evil Eye”:
Embora com um
trabalho de seis cordas de tirar o fôlego,é uma instrumental onde a banda inteira se mostra muito bem, até mesmo com virtuosismo.
“All Night Long”:
Mais uma do RAINBOW, onde o público participa
bastante durante o refrão. É uma canção com muita acessibilidade musical, o que
não é um pecado, mas justamente o ponto forte da mesma. E que vocais!
“Lost in Hollywood”:
A Terceira (e última)
canção do RAINBOW do show, essa já
do jeito mais clássico da antiga banda de Graham, embora com um acento
melodioso mais simples.
DVD: Todas as
18 músicas estão presentes no DVD, que mostram as mesmas qualidade sonoras
citadas na resenha.
Conclusão:
Pode-se atestar que“Live
in Japan 1984: Complete Edition” mostra o quanto a dupla Bonnet/Malmsteen era promissora, mas o
último resolveu investir em sua própria banda (que carregava enorme influência
do que o ALCATRAZZ havia feito), o
primeiro ainda tentou algo com Steve Vai,
depois com Danny Johnson, até que a
banda encerrou suas atividades em 1988. Mas este ao vivo é um testemunho de uma
era de ouro para o Rock e o Heavy Metal, e agora, está acessível a todos, e o
show inteiro.
Introdução: Em
verdade, a cena norte-americana do Thrash Metal durante os anos 80 não era
restrita somente à Califórnia. Em Nova York, nomes de peso como ANTHRAX, OVERKILL, NUCLEAR ASSAULT surgiram
basicamente na mesma época em que o “San Francisco Bay Area Thrash Metal”
começava a se firmar. Mas é de Phoenix, Arizona, que veio um nome que prometia
causar uma forte comoção no meio: FLOTSAM
AND JETSAM. Fundindo melodias bem feitas à lá QUEENSRYCHE com o peso e agressividade do METALLICA, era um nome muito promissor, como foi ouvido em seu
disco de estréia, “Doomsday for the Deceiver”, de 1986. Mas a saída de Jason Newsted (que fora preencher a
vaga deixada pelo finado Cliff Burton)
foi sentida, e mesmo lançando uma seqüência de ótimos trabalhos, o grupo nunca
conseguiu o sucesso merecido. Mas essa gangue não desanima, e mesmo contra tudo
e contra todos, volta à carga com “The End of Chaos”, seu mais recente
disco.
Análise geral: De
forma bem simplista, pode-se definir o trabalho do grupo como uma mistura dos
melhores elementos do QUEENSRYCHE de
sua fase inicial (até o álbum “Empire”) com a pegada pesada e
agressiva do METALLICA dos anos 80,
além de uma energia e personalidade toda do quinteto. Se pode mesmo afirmar que
“The
End of Chaos” revê as melhores lições que o quinteto aprendeu na sua compreendida
entre o primeiro álbum e o clássico “Cuatro”, apenas adicionando a isso
a energia de sempre, mais um enfoque evoluído e atualizado.
Arranjos/composições: O
tempo fez bem ao grupo, temperando seu som técnico, melodioso e agressivo cheio
de nuances Prog Metal Old School com a sabedoria dada pelos calos da estrada e
pelos anos de carreira. A capacidade de criar partes grudentas melhorou muito,
bem como souberam polir cada refrão que está presente em “The End of Chaos”. As
guitarras estão fenomenais em riffs e solos (o veterano Michael Gilbert se entende bem com o colega Steve Conley), baixo e bateria estão muito bem em termos de técnica
e peso (o baixista Michael Spencer e
o baterista Ken Mary mostram
entrosamento), mas como os vocais evoluíram, saindo dos timbres agudos do
passado à sabedoria no uso de maior diversidade de timbres (Eric “AK” Knutson está em ótima fase,
verdade seja dita), e a coesão entre os cinco criam arranjos ótimos e
dinâmicos, resultando em uma forma de música cheia de energia e agressividade,
mas melodiosa e de bom gosto, e que gruda nos ouvidos!
Qualidade sonora: A produção sonora de Jacob Hansen (que já trabalhou com nomes como DESTRUCTION, KAMELOT, PRIMAL FEAR, VOLBEAT e outros) consegue conectar o passado do grupo com seu presente, dando peso e força às composições do grupo, mas fazendo com que as canções soem limpas na medida certa. Soa agressivo e com impacto sonoro, mas mantendo o alinhavo melódico que tornou o grupo notório.
Arte gráfica/capa: Em
um “revival” do próprio passado, Flotzilla,
mascote do grupo apresentado na arte de “Doomsday for the Deceiver”,está de volta em uma arte criada porAndy Pilkington, ganhando uma versão mais real e atual.
Destaques musicais: “The
End of Chaosӎ um disco maravilhoso,que rebusca o melhor do passado do
grupo (da fase compreendida entre “Doomsday for the Deceiver” e “Cuatro”),
mas mantendo um formato atual. É o bom e velho Thrash Metal “made in USA” por excelência,
e mesmo sendo um disco nivelado por cima em termos de composições, tem por
destaques as seguintes canções.
Flotsam and Jetsam
“Prisoner
of Time”:
Uma canção clássica do quinteto, com uma pegada bem agressiva e um alinhavo
melódico ótimo, cheia de boas mudanças de tempos. E os vocais encaixaram muito
bem na colcha instrumental do grupo. E que refrão!
“Control”: Velocidade
e energia se mesclam nessa canção, mostrando a pegada agressiva do quinteto.
Impossível não destacar o trabalho técnico, pesado e veloz de baixo e bateria.
“Recover”: Um
pouco mais lenta que as anteriores e mais moderna, enfatizando assim ao lado
melodioso do grupo, e novamente, um refrão de primeira, com vocais e backing
vocals de primeira.
“Prepare
for Chaos”: Esta
é um autêntico “juggernaut” de energia crua, que novamente mostra andamentos
não tão velozes, mas criando uma ambientação bem pesada. E que guitarras!
“Architects
of Hate”: Um “mix” inteligente de melodias e
agressividade é apresentando nessa canção, que tem um impacto sonoro evidente,
alimentado por ótimas guitarras.
“Demolition
Man”: Mais
uma vez, equilíbrio entre melodias (especialmente no refrão) e partes
agressivas. Há um toque de melancolia em certos momentos, lembrando bastante os
momentos mais agressivos de grandes nomes do US Metal.
“Snake
Eye”:
Outro momento que vai gerar muito moshpit nos shows, com um refrão
privilegiando a melodia (e assim criando um contraste muito bom com os riffs
agressivos). Novamente baixo e bateria mostram uma técnica ótima.
“The
End”: Um
arrasa-quarteirão intenso, uma tijolada na cara, e outros adjetivos dessa
canção que vem para fechar o disco com muita energia, uma pegada bruta e
direta, mas com as melodias de sempre permeando os vocais.
Conclusão: Flotzilla
está de volta, e é certo que o FLOTSAM
AND JETSAM mostra que merecem muito estar no time de cima do Thrash Metal de
seu país, lançando um dos melhores discos de 2019 logo no início do ano!