quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

ROADIE METAL VOLUME 11


Ano: 2019
Tipo: Coletânea Dupla
Selo: Roadie Metal Records
Nacional
  

Tracklist:

CD 01:

1. DEATH CHAOS - Through the Eyes of Brutality
2. RAVENOUS MOB - The Enemy Undying
3. LIVING LOUDER - The Crow
4. REFFUGO - Reffugo
5. BORN TO KILL - Goodbye Soldier
6. WARAGE - Torture
7. RHEGIA - Shadow Warrior
8. LUSFERUS - Luciférico Hino
9. ANGUERE - Cadeia
10. TIBERIUS PROJECT - You Bitch!
11. LIBERTAD - Closed Fists
12. SENTINELAS DO REI - Rios do Deserto
13. NOVO CHÃO - Terra Dos Homens
14. WAR MACHINE - A New Kind
15. WAR ETERNAL - Burning Alive

CD 02:

1. KRAKKENSPIT - Fear My Name
2. MEDICINE FOR PAIN - Vendida Como Bonecas
3. HEAVENLESS - The Reclaim
4. TORTURIZER - Slaughtersouse
5. DIALHARD - Now You’re Free
6. EPITAH - Something Better Than God
7. CROMATA - Resigned in Blood
8. MAMUTE - The End
9. THE DAMNED HUMAN FLASH - Inferno
10. IN SOULITARY - Hollow
11. LONEHUNTER - Eternal Time
12. ZERO HORA - Batina do Papa
13. CxDxM - Como Um Muro Inatingível
14. OBSCURED BY THE CLOUDS - Ethereal


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Os anos 80 foram aqueles em que as coletâneas de bandas ganharam definitivamente espaço. Além de não serem tão caras (o investimento era mínimo em questões de estúdio e gravação, já que cada banda entrava com a canção pronta), o interessante era o conjunto da obra: muitas e muitas bandas juntas. E nomes como METALLICA, SLAYER, FLOTSAM AND JETSAM, RAVEN, VENOM, SARCÓFAGO, e outros acabaram ganhando notoriedade nelas; séries como “Metal Massacre”, “Warfare Noise”, “Lead Weight”, “Headthrashers Live” e inúmeras outras foram importantíssimas para a sedimentação do cenário mundial. Mesmo hoje, na era digital, elas continuam por aí, como a série “Roadie Metal” continua, chegando ao seu 11º volume.

Análise geral: Talvez esse seja o volume mais eclético de todos, indo de bandas de Heavy Metal tradicional ao Death/Black mais bruto possível, os dois discos mostram uma enorme diversidade musical, ou seja, muitas opções sonoras. Isso pode deixar os mais radicais com a pulga atrás da orelha, mas no geral, um fã de bom senso saberá aproveitar ao máximo esta coletânea que selecionou nomes de bom nível para nela estarem.

Qualidade sonora: Aqui começam a aparecer diferenças entre as canções, já que cada banda fez as coisas ao seu modo, justamente para se encaixar no próprio estilo que toca. No geral, o resultado é bom, e não se pode reclamar tanto.

Arte gráfica/capa: Como sempre, a arte é um primor, com uma capa muito bonita. O papersleeve (as famosas capas que imitam as dos antigos discos de vinil) usado ficou bem legal, dividido em duas partes, e cada disco tem seu próprio encarte, onde estão fotos e informações de contatos das bandas.

Destaques musicais: Em coletâneas, cada banda segue suas próprias regras em termos de composição, logo, isso pode criar oscilações no nível musical. Óbvio que entre as 29 canções existem momentos ótimos; outros que ainda necessitam de amadurecer um pouco mais (o que o tempo e ensaios ajudarão a sanar). Mas se destacam as seguintes bandas e respectivas canções:

DEATH CHAOS - “Through the Eyes of Brutality”: o quarteto destila um Death Metal tradicional recheado de elementos modernos. Boas mudanças de ritmo, guitarras de alto nível e vocais que são muito bons, mas que podem melhorar (alguns timbres não tão guturais ajudariam a diversificar o trabalho).

LIVING LOUDER - “The Crow”: Um toque do mais delicioso Classic Rock/Hard Rock setentista que se possa pedir. Mezzo LED ZEPPELIN, mezzo DEEP PURPLE e com muita personalidade, o trio cativa o ouvinte por suas linhas melódicas envolventes e de fácil assimilação.

REFFUGO - “Reffugo”: Bruta e cantada em português, é uma canção de Death Metal Old School direta e reta. Boas mudanças de ritmo e um trabalho ótimo em termos de baixo e bateria são sensíveis.

RHEGIA - “Shadow Warrior”: Uma banda de Heavy/Power Metal com nuances Prog Metal (reparem no baixo para terem a noção disso), com muito peso e boa técnica. Tem muito futuro, mas precisa ajustar mais os vocais, bem como precisam de uma gravação mais limpa.

LUSFERUS - “Luciférico Hino”: E chega a vez de um Black/Death ríspido e melodioso à lá DISSECTION, com ótimas partes de guitarra. O trabalho musical é cheio de mudanças de ambientação, indo do brutal ao suave sem problemas.

ANGUERE - “Cadeia”: Hardcore/Crossover sem dó dos ouvidos alheios, com um andamento mais cadenciado e com alguns “inserts” de ritmos regionais do Brasil (que nem sempre serão percebidos pelo ouvinte). Bons vocais e ótimas guitarras.

WAR MACHINE - “A New Kind”: Uma canção voltada aos tempos da NWOBHM, em especial ao IRON MAIDEN de “Iron Maiden”. É muito legal e empolgante, com ótimas partes de guitarras e baixo, mas o vocalista precisa dar uma melhorada (tem bom timbre, mas ainda precisa amadurecer no quesito agressividade).

No disco 2, tem mais:

KRAKKENSPIT - “Fear My Name”: É uma banda de Heavy Metal tradicional com um enfoque moderno, ou seja, tem aquela ambientação mais pesada e agressiva, com um jeitão ICED EARTH muito bom, com boa base rítmica, guitarras excelentes e vocais competentes. Só a qualidade sonora que pode dar uma melhorada no futuro.

HEAVENLESS - “The Reclaim”: A solidez do trabalho do grupo é bem conhecida. Aqui, apresentam um Thrash/Death Metal arrastado e muito pesado, com um trabalho bem forte de baixo e bateria, riffs gordurosos e vocais urrados de primeira.

TORTURIZER - “Slaughterhouse”: Outro que é bem conhecido, e que mostra enorme evolução em relação ao que se ouve no EP de estreia do trio. Agressivo, veloz e intenso, baixo, guitarras e bateria formam uma unidade sólida e bruta para que os vocais urrados sejam perfeitamente assentados.

DIALHARD - “Now You’re Free”: Um belo Hard ‘n’ Heavy da parte desse quinteto, que soa melodioso e intenso, capaz de tocar o ouvinte. Tudo soa muito bem, e os vocais são muito bons (restando apenas ajustar os tons mais agressivos, pois a vocalista é ótima), e realmente merecem um disco todo deles.

EPITAH - “Something Better Than God”: Excelentes ideias são apresentadas nessa canção, um Thrash Metal intenso e vigoroso à lá Bay Area, mas esbarram numa qualidade musical que deveria ser melhor (a música deles pede isso). Percebe-se que as guitarras e a bateria são de primeira.

MAMUTE - “The End”: Doom/Stoner poderoso e com muito Groove. Soa gorduroso e melódico, mas como a qualidade de gravação não ajuda tanto, ela ficou aquém do seu potencial, embora não a ponto de não se perceber a força das guitarras do grupo.

IN SOULITARY - “Hollow”: Um dos nomes mais fortes do Metal extremo do Brasil. Seu mix de Black/Thrash/Death com partes melodiosas é fabuloso, apresentando ótimos vocais, guitarras de primeira e cozinha rítmica excelente. Merecem mais que uma chance! Ouçam bem alto!

LONEHUNTER - “Eternal Time”: Um mix inteligente de Death Metal old School com aspectos modernos, boas partes mais técnicas e teclados sinistros. A gravação é fraca para o que eles fazem, mas se percebem algumas similaridades com o NOCTURNUS em “The Key”, logo, são uma banda promissora.

ZERO HORA - “Batina do Papa”: Tosqueira Punk Rock de raiz, direto, reto e uma bicuda nos ouvidos. É ótimo, tem muito futuro, mas uma melhorada na qualidade sonora ajudaria bastante (podem soar com crueza, mas mais bem definido), pois está um pouco embolado.

OBSCURED BY THE CLOUDS - “Ethereal”: E para fechar, um Doom Gótico de primeira, com aquela ambientação melancólica e densa, boas partes de teclados, ótimos vocais limpos (as partes guturais precisam de um “boost”). Mas a qualidade sonora fica devendo, pois em termos musicais, são uma ótima banda.

Conclusão: Óbvio que a maioria das bandas ainda precisa de uma evoluída no aspecto musical, a maioria tem que acertar na escolha da sonoridade mais correta para o que desejam, mas lembrando de que as clássicas coletâneas de Metal dos anos 80 (em especial, a “Metal Massacre”) eram baseadas em canções de Demo Tapes, até que está bom.

Às bandas que não foram citadas: não se decepcionem, pois ainda tem muito potencial a usar.

Parabéns à Roadie Metal por mais esse bom trabalho, que pode ser ouvido nas plataformas digitais abaixo:





Google Play: http://bit.ly/2ItRuZP



Nota: 80%

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

SEPTICFLESH - Ophidian Wheel


Ano: 1997 (lançamento original) / 2019 (relançamento)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Future Belongs to the Brave
2. The Ophidian Wheel
3. Phallic Litanies
4. Razor Blades of Guilt
5. Tartarus
6. On the Topmost Step of the Earth
7. Microcosmos (instrumental)
8. Geometry in Static
9. Shamanic Rite
10. Heaven Below
11. Enchantment (instrumental)
12. The Ophidian Wheel (Unreleased Mix)
13. Phallic Litanies (Unreleased Mix)
14. On the Topmost Step of the Earth (Unreleased Mix)


Banda:


Spiros - Baixo, vocais agressivos
Chris - Guitarras, teclados
Sotiris - Guitarras, vocais limpos, teclados


Ficha Técnica:

SepticFlesh - Produção
Lambros Sfiris - Produção, engenharia
Spiros Antoniou - Arte da capa
Natalie Rassoulis - Vocais (soprano)
Kostas - Bateria


Contatos:

Site Oficial: http://www.septicflesh.com/
Facebook: https://www.facebook.com/septicfleshband
Instagram: https://www.instagram.com/septicflesh_band/
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução/Momento Histórico: O ano de 1997 foi um período em que vários dos discos hoje considerados clássicos do Metal extremo vieram a este mundo. Nele, surgiram obras como “Anthems to the Welkin at Dusk” do EMPEROR, “Death Metal” do DISMEMBER, “Enthrone Darkness Triumphant” do DIMMU BORGIR “Enter the Moolinght Gate” do LORD BELIAL“A Dead Poem” do ROTTING CHRIST“The Olden Domain” do BORKNAGAR, CHILDREN OF BODOM lançava “Something Wild”, IMMORTAL vinha detonando tímpanos com Blizzard Beasts, o DEICIDE classicava com Serpents of the Light, seguido pelo HYPOCRISY com “The Final Chapter, entre tantos que merecem menção honrosa, mas a lista seria longa demais.

Capa original
Pode-se dizer que, em termos de popularidade, foi um dos anos em que mais se consumiu Metal extremo no mundo. Mas nem todos os discos receberam a mesma atenção, e alguns ótimos trabalhos ficaram relegados ao segundo plano. E um deles é “Ophidian Wheel”, terceiro álbum do grupo grego SEPTICFLESH (na época, ainda chamado SEPTIC FLESH), que a Cold Art Industry Records coloca nas prateleiras das lojas brasileiras em uma versão muito bonita.

Análise geral: Após dois discos com uma sonoridade mais experimental (o que se ouvia em “Mystic Places of Dawn" de 1994, e em “Έσοπτρον” de 1995), aqui o grupo resolveu criar algo mais direto em termos de Death Metal. Mas em “Ophidian Wheel” existe a presença de elementos de Gothic Rock, melodias bem feitas e orquestrações, além de vocais soprano dando aquele toque sinfônico ao som bem trabalhado e brutal da banda. Existem momentos mais agressivos e com toda a carga musical do Death Metal, há outros em que toda a estética refinada e mais consensual adotada para este álbum se tornam um mirante para o que eles iriam fazer no futuro. Ou seja, este disco é de onde o que se conhecerá nas obras futuras do grupo começa a se tornar real.

Arranjos/composições: Se antes a banda tinha problemas em deixar sua música mais coesa, eles desapareceram. Todo o trabalho feito por eles para ajustar composições e arranjos fica evidenciado em cada canção, nos ajustes que mantém a coerência do disco como um todo. Poderia se dizer que “Ophidian Wheel” é um dos primeiros discos de Death Metal sinfônico, já que essa fusão, para aqueles anos, era algo bem diferente. O uso de melodias mais soturnas, os contrastes de vocais masculinos guturais e limpos, e femininos em soprano, belíssimas orquestrações de teclados e um trabalho rítmico sólido e diversificado fazem de “Ophidian Wheel” um excelente trabalho. Poderia se dizer (com as devidas noções de que esta comparação não é uma verdade absoluta ou fechada) que ele seria o THERION seria se tivesse continuado no Death Metal.

Qualidade sonora: Tendo em vista que este disco foi gravado e mixado no Praxis Studio entre Outubro e Novembro de 1996, e que foi lançado em 1997, a sonoridade dele, embora bem melhor que seus antecessores, soa um pouco mais crua que o necessário, algo que era muito comum para aquela época. Mas mesmo assim, ela está bem acima de média, buscando equilibrar peso, agressividade e clareza em proporções iguais. Ainda era uma época onde tudo estava sendo construído, logo, é uma qualidade ótima, e até hoje soa bem aos ouvidos.

Edição brasileira da Cold Art Industry Records

Arte gráfica/capa: Eis o filé dessa versão. Ela é baseada na arte do relançamento de 2013, mas a edição nacional tem alguns itens muito legais: o primeiro é um slipcase muito bem feito e que protege o jewelcase interior. Além disso, tem-se como itens exclusivos da pré-venda calendário, adesivo e um pôster tamanho A4. Tudo adicional e que ainda pode ser adquirido pela internet.



Destaques musicais: Diferente e extremamente sedutor, esta versão de “Ophidian Whell” tem 3 músicas bônus em relação à edição original. E apesar da qualidade das canções ser nivelada por cima, destacam-se:

“The Future Belongs to the Brave”: uma faixa de abertura que tem 70% dela voltada ao Death Metal puro e simples, mas com algumas mudanças de ritmo ótimas, além de passagens cheias de teclados e com vocais femininos que dão toques de beleza à canção.

“The Ophidian Wheel”: a aura sinfônico-melódica de primeira se mescla a elementos de Gothic Rock aqui e ali (por isso a estruturação das linhas de guitarra soa simples em muitos momentos). E justamente as partes das guitarras se destacam, dando um toque de sutileza muito bem vindo ao que já é ótimo.

“Phallic Litanies”: passagens onde vocais limpos e sopranos contrastam dando um toque quase que Pop/New Age ao som bruto e agressivo do grupo. Em poucas palavras, seria o encontro perfeito entre a brutalidade do CANNIBAL CORPSE com o refinamento do MOONSPELL de “Irreligious”.

“Razor Blades of Guilt”: algumas melodias mais melancólicas surgem nos arranjos de guitarras, remetendo ao Doom/Death Metal. As partes mais arrastadas dão destaque a baixo (que está excelente) e bateria.

“Geometry in Static”: esta é uma canção onde partes velozes com blast beats se entremeiam com momentos que beiram o Death/Black Metal moderno (e isso alguns anos antes do estilo ser canonizado) e outros mais suaves (onde os vocais femininos ganham maior expressividade). Novamente, uma faixa que privilegia bastante os vocais.

“Shamanic Rite”: mais interiorizada e climática, alguns vocais remetem ao Oriental Metal, embora toda estruturação melódica seja de Symphonic Death Metal, com belíssimas partes de bateria e guitarras.

“Heaven Below”: a profundidade melancólica do Gothic Rock novamente fica evidente por conta das melodias. Belíssima partes de guitarras mais uma vez.

As canções bônus são mixagens alternativas para “The Ophidian Wheel”, “Phallic Litanies” e “On the Topmost Step of the Earth”, cada uma delas com suas próprias belezas, e ainda bem que o relançamento de 2013 trouxe-as à luz.

Conclusão: Desta forma, se atesta que “Ophidian Wheel” realmente merecia esta edição, pois é a guinada do SEPTICFLESH para seu estilo atual, e que o grupo merece uma maior atenção dos headbangers brasileiros que gostam das vertentes extremas. E verdade seja dita: esses gregos ainda tem muita lenha para queimar.

Nota: 98%


Ophidian Wheel”:  http://bit.ly/2SHjZHY



Spotify

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

FRED MIKA - Withdrawal Symptoms

Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Rock Company 

Nacional 

Tracklist: 

1. The Coming of Symptoms 
2. Wired In 
3. Artwork Nightmare 
4. Sly Side Effect 
5. Silence in Heaven 
6. Saints Spirits & Slaves Sinners 
7. First Day Without You (acoustic version) 
8. Sharppia 
9. Dawning of Aquarius 
10. Second Skin Arena 
11. Miss Misery 


Banda: 


Fred Mika - Bateria, percussão, talkbox


Ficha Técnica:

Andre Adonis (SUNROAD) - Guitarras, baixo, teclados, vocais em “Silence in Heaven” e “Miss Misery”
Carl Dixon (CONEY HATCH, APRIL WINE, GUESS WHO) - Vocais em “Wired In”
Michael Vöss (MAD MAX, CASANOVA, M.S.G., PHANTOM V) - Vocais em “Artwork Nightmare”
Haig Berberian (DOGMAN) - Vocais em “Sly Side Effect”
Daniel Vargas (ADELLAIDE) - Vocais em “First Day Without You (acoustic version)”
Tito Falaschi - Backing vocals em “First Day Without You (acoustic version)”
Rod Marenna (MARENNA) - Vocais em “Saints Spirits & Slaves Sinners”
Steph Honde (HOLLYWOOD MONSTERS) - Vocais em “Sharppia”
Mario Pastore (PASTORE) - Vocais em “Second Skin Arena”



Contatos:

Site Oficial:
Facebook: https://www.facebook.com/officialmusikrecords
Instagram:
Assessoria: http://roadie-metal.com/press/ (Roadie Metal Press)
E-mail: musikrecordsmk@hotmail.com

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Os famosos “álbuns solo” de artistas conhecidos, em geral, são ferramentas utilizadas para que o mesmo se expresse de forma diferente do que os fãs estão acostumados nos trabalhos principais dos mesmos. Por isso, podem existir choques, reações estranhas e outros. Mas em geral, quando o músico é experiente, sempre vem coisa de qualidade. E é tudo isso e mais um pouco que “Withdrawal Symptoms” nos dá. E é o primeiro disco solo do baterista guianense FRED MIKA.

Análise geral: Basicamente, Fred está envolvido com música desde 1984, tendo sido cantor, além de ter passado pela guitarra e piano antes de se tornar baterista, tendo como sua banda principal o SUNROAD, banda especializada em um Hard/Glam . Só que em “Withdrawal Symptoms” tem-se um trabalho que transita pelo Hard/Glam e o AOR, com alguns momentos que chegam bem próximos do Classic Rock e mesmo alguns flertes de leve com o Hard Pop. Ou seja, é algo musicalmente acessível, mas bem feito e de alto nível. Aliás, é algo para fã nenhum de boa música botar defeito.

Arranjos/composições: As diferenças entre este disco de Fred e o trabalho do SUNROAD residem na questão de peso: em sua banda principal, a banda tem inclinações ao Hard Rock/Classic Rock da virada dos 70 para os 80 com um enfoque moderno; já este álbum tem linhas melódicas bem mais acessíveis, e mesmo longe de soar datado, está com uma envoltória dos anos 80, a era máxima do Hard/AOR. Os arranjos se encaixam como um quebra-cabeça, gerando canções melodiosas e acessíveis (algumas com suas doses de peso), os ritmos são seguros e com boa dose de peso, guitarras com riffs melodiosos e solos bem feitos, mas nos vocais reside uma mágica: são todos convidados ilustres, de bandas nacionais e internacionais, que emprestaram seu talento a “Withdrawal Symptoms”. Por isso, essa vida esplendorosa flui das canções, e é impossível resistir.

Qualidade sonora: Um pouco mais cru (existe aquela sensação de “fumaça” quando se houve as canções) que o necessário para este tipo de música, a sonoridade que flui de “Withdrawal Symptoms” busca soar moderna e com um toque essencial de peso (o que conseguiram de fato). Está de bom nível ao ponto de se entender o que é tocado, bem como as melodias ficam bem claras, mas um pouco mais de limpeza ajudaria o trabalho a soar mais grandioso.

Arte gráfica/capa: Usando contrastes de azul e vermelho sobre uma foto de Fred, a capa por si é chamativa e ficou muito boa, algo encorpado e direto, mas é o jeito das artes desse gênero.

Destaques musicais: Elogiar o que se ouve em “Withdrawal Symptoms”.é fazer chover no molhado. O disco inteiro é ótimo, com todas as canções sendo preciosas e merecendo citação, mas por mera referência ao leitor, são citadas as seguintes:

“Wired In”: Um forte clima “anos 80” permeia a canção, que por si é extremamente acessível, além de possuir um andamento em ritmo comportado, e um refrão excelente (e que vocais).

“Artwork Nightmare”: Mais dinâmica e pesada que a anterior pelo foco estar mais nas guitarras que nos teclados, a acessibilidade musical não diminui, os arranjos são excelentes, e tudo funciona justinho.

“Sly Side Effect”: Esta puxa mais para Glam Metal californiano dos anos 80, embora com uma pegada pesada e instigante. Há algo de KISS fase Glam nessa canção por conta do uso uma base rítmica sólida e pesada.

“Saints Spirits & Slaves Sinners”: Rebuscando o peso e crueza do Hard/AOR do final dos anos 70 nas melodias, a força melodiosa chega a ser assombrosa. E os teclados se entremeiam muito bem com os teclados, e novamente um refrão marcante e acessível.

“Dawning of Aquarius”: Muito peso e boa dose de agressividade nas guitarras, sem que a estética e dinâmica acessível do trabalho como um todo seja perdida. E novamente os vocais se destacam bastante.

“Second Skin Arena”: Eis a faixa mais pesada e moderna do disco, mas mesmo assim, as linhas melódicas mostram contrastes sublimes. Novamente os vocais se destacam bastante (mas quando se fala em Mario Pastore, chega a ser desnecessário maiores menções).

“Miss Misery”: Quase um Sleasy Rock ultrajante e pesado, esta aqui tem um ritmo arrastado, azedo e intenso, com linhas melódicas criadas pelas guitarras que relembram os momentos mais comerciais do BLACK SABBATH.

Conclusão: A verdade é que “Withdrawal Symptoms” é um disco envolvente, precioso em suas melodias e expressão. Logo, esperemos que Fred não pare nele e que um sucessor já esteja sendo planejado.

Nota: 93%


Artwork Nightmare”: http://bit.ly/2V10XsC



Bandcamp


MAGNÉTICA - Homo sapiens brasiliensis

Ano: 2018 
Tipo: Full Length 
Selo: Independente 
Nacional 


















Tracklist: 

1. Inflamáveis
2. Super Aquecendo
3. Homo sapiens brasiliensis
4. Céu de Abril
5. Descãonhecido
6. Crianças
7. Interstellar
8. Os Magnéticos
9. Natural
10. Minha Hora


Banda: 


Rafael Musa - Vocais, guitarras
Kelson Palharini - Guitarras
Anderson Pavan - Baixo
Marcos Ribeiro - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial: http://www.magneticaoficial.com.br/
Facebook: https://www.facebook.com/magneticaoficial/
Instagram: https://www.instagram.com/magnetica_oficial
Assessoria: http://roadie-metal.com/press/magnetica (Roadie Metal Press)
E-mail: magneticaoficial@gmail.com

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Desde a primeira metade dos anos 90, as bandas do chamado Rock Brasil (ou seja, aquela leva que fez sucesso na segunda metade da década de 90, que tinham um forte apelo Pop) sofreram derrotas comerciais seguidas, uma vez que todo modismo cessa após o povo ficar saturado e buscar por outros estilos. Alguns grupos de Rock mais visceral como o CAMISA DE VENUS resistiram e ainda estão por aí, embora sem o mesmo sucesso comercial. E seguindo uma veia “Rocker” mais suja e despojada vem o quinteto MAGNÉTICA, de Bebedouro (SP), com “Homo sapiens brasiliensis”.

Análise geral: Sujo e direto, mas melodioso e grudento, temos que o grupo é um autêntico “Rock ‘n’ Roll Rebel”, visceral e com uma dose de Hard Rock/Rock ‘n’ Roll brasileiro dos anos 70 em alguns momentos (nomes como CASA DAS MÁQUINAS e JOELHO DE PORCO são boas referências), mas sem soar datado; em outros, tem mais inclinação para uma formatação melodiosa e envolvente moderna à lá Grunge/Alternativo, sem deixar de ser uma bicuda nos ouvidos. Mas mesmo com isso, eles têm um forte apelo comercial devido à acessibilidade de sua música. Ou seja, é ouvir e gostar, pois é daquele tipo que se ouve uma ou duas vezes, e fica na memória, quer o ouvinte queira ou não.

Arranjos/composições: O trabalho deles, para início de conversa, foge do minimalismo autoindulgente técnico. Não, com eles, é melodias bem feitas e eficientes, cada refrão as espontâneo e é gruda nos ouvidos pior que chiclete em sola de sapato, com arranjos fluídos e espontâneos. E eis o segredo se sua música: ela não é forçada a ser algo, apenas é a manifestação do que os integrantes sentem. Aliás, rebeldia é o que não falta em “Homo sapiens brasiliensis” (e a escrita está certa, pois em Biologia, é assim que se escreve o nome científico de uma espécie em latim, e com apenas o primeiro nome com letra maiúscula no início).

Qualidade sonora: Muito da modernidade e agressividade da banda vem da qualidade sonora. A escolha de timbres mais naturais e estilo “plug ‘n’ play” (ou seja, plugaram, regularam e sentaram a mamona sem dó), e aparentemente sem infinitas edições digitais, reforçou a espontaneidade e toque “Rock ‘n’ Roll Rebel”. Mas soa bem definido, com tudo sendo entendido claramente pelos ouvintes.

Arte gráfica/capa: Fica óbvio que o grupo tem uma forte conotação irônica e rebelde em suas letras, o que transparece na capa, muito bem feita: o brasileiro como um triste palhaço, apenas observando o circo pegar fogo. Irônica, mas realista.

Destaques musicais: Para aqueles que sentem saudades do melhor Rock ‘n’ Roll dos anos 70 e 80 feito no Brasil, tenham plena certeza: “Homo sapiens brasiliensis” foi feito para você. E mesmo sendo nivelado por cima em termos de músicas, se destacam:

“Inflamáveis”: Moderna, crua e pesada, lembra um pouco o lado mais visceral de bandas de Grunge/Alternativo norte-americano, com boa dose de peso e agressividade. Os vocais e backing vocals ficaram ótimos.

“Super Aquecendo”: Lembram-se daquele típico Rock basicão com levada de Blues que realmente gruda na mente? É isso que se tem aqui, só que com um equilíbrio entre melodia e agressividade.

“Homo sapiens brasiliensis”: Mesmo sendo azeda e agressiva, é uma das mais acessíveis do disco. Pode-se dizer que esta combinação flui muito bem graças às guitarras, que estão muito bem, especialmente nos solos melodiosos e certinhos.

“Céu de Abril”: a típica canção acessível de discos de Rock, com melodias bem definidas e que são assimiladas facilmente pelos ouvintes. Seria um “hit” certo para rádios nos anos 80.

“Crianças”: Suave e com certo toque de melancolia, oscila entre partes lentas e introspectivas (onde o baixo mostra um bom trabalho), e com crescendos fortes no refrão.

“Os Magnéticos”: Um Rock comercial e grudento, de fácil entendimento pelo ouvinte e com o nível técnico um pouco mais rebuscado em termos de arranjos nas guitarras (embora a bateria esteja ótima também).

Conclusão: O MAGNÉTICA é uma banda que faria imenso sucesso entre 1985 e 1992, com toda a certeza. Mas, mesmo estando em 2019, “Homo sapiens brasiliensis” é um excelente disco para todas as gerações de fãs de Rock, sejam dos anos 50, 60, 70, 80, 90, 2000, nível Mumm-Ra, enfim, todos os que ainda preferem ouvir o bom e velho estilo do que se trocar por modismos.

Ah, quer ouvir “Homo sapiens brasiliensis”? Vai fundo!


Nota: 86%


Homo sapiens brasiliensis”: http://bit.ly/2X03vsY


Spotify

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

GRINDING REACTION - O Caos Será a Tua Herança

Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional
















Tracklist:

1. O Caos Será a Tua Herança
2. Os Fins Justificam os Meios
3. Recuse a Cegueira
4. Flagelo
5. Guerra Urbana
6. Dor Sofrimento e Morte
7. Cangalha
8. Marionete
9. Negra Sina
10. Piada
11. Inimigo no Espelho
12. As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade 
13. Pesadelo Latino Americano 
14. Rato Cinza 
15. Vida Útil 
16. Verdades e Utopias


Banda: 



Ricardo - Vocais
Victor - Guitarras
Rafael - Guitarras
Renato - Baixo
Weslley - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial: https://grindingreaction.blogspot.com/
Facebook: https://www.facebook.com/grindingreactionfanpage/
Instagram:
Assessoria: http://roadie-metal.com/press/grinding-reaction (Roadie Metal Press)
E-mail: grindingreaction@hotmail.com

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Desde a virada dos anos 70 para os anos 80, não é novidade o quanto o Punk e o Hardcore, tanto nos aspectos musicais como culturais, têm enorme peso no underground brasileiro. Inclusive era comum ver fãs e membros de bandas de Metal usando camisetas de bandas de Hardcore (uma das mais célebres é a de Max na contracapa da edição em vinil de “Morbid Visions”). Por isso, ouvir um híbrido de Hardcore e Metal em “O Caos Será a Tua Herança”, do quinteto GRINDING REACTION (de Diadema, SP), já não chega a ser algo inesperado, mas é sempre uma ótima experiência.

Análise geral: O quinteto despeja um trabalho musical que tem por base o Hardcore, mas cheio de fortes toques de Thrashcore e Crossover, e mesmo alguns trechos de 1 X 1 extremos são ouvidos (como em “Os Fins Justificam os Meios” e “As Ameaças Não Devem Mudar a Verdade”). Isso mostra que a experiência de quase 20 anos de vida amadureceu o grupo ao ponto de serem abertos à novas influências, o que faz com que o trabalho do grupo seja de primeira. Sim, eles são muito bons no que fazem!

Arranjos/composições: Embora a fórmula-base do que o quinteto faz não seja desconhecida (já que a fusão de Hardcore com elementos de Metal extremo é algo que vem sendo feito desde os anos 80), a abordagem deles é bem pessoal, inclusive com o uso de solos de guitarra melodiosos, alguns toques “sabbathícos” aqui e ali nos momentos mais cadenciados, Outro ponto forte do trabalho do grupo é a diversidade de arranjos: diferentemente dos grupos mais “old school” de Hardcore/Punk, o grupo sabem trabalhar sua música com passagens rítmicas diferentes, e mesmo mudanças de harmonias. Não chega a ser difícil de ser digerido pelos sentidos, mas está longe da abordagem tradicional simplista do gênero.

Qualidade sonora: O clima “Do It Yourself” permeia a sonoridade de “O Caos Será a Tua Herança”, por conta da dose de crueza necessária para que a música do grupo seja convincente. Mas se percebe que houve uma enorme preocupação em criar algo que os ouvintes pudessem compreender e assimilar sem problemas. Ou seja, está agressivo e pesado, mas com uma qualidade sonora de ótimo nível.

Arte gráfica/capa: Como se percebe que o conteúdo lírico da banda é de forte conotação social e de protesto, a capa mostra uma arte que chega a ser ameaçadora, mostrando o que a falta de olhos para o necessário ao povo pode causar: um futuro onde o dinheiro ganho em corrupção não salvará os canalhas.

Destaques musicais: Embora todas as canções de “O Caos Será a Tua Herança” sejam ótimas (a maioria é bem curta, tendo em média dois minutos, mas algumas poucas passam dos 3 minutos), causando slam dancing e moshpits sem fim, existem os pontos altos entre as 16 canções do grupo, que são:

“Os Fins Justificam os Meios”: Um cartão de apresentações e tanto, com boas mudanças de ritmo e um trabalho técnico muito bom. Destaque para a técnica firme de baixo e bateria.

“Recuse a Cegueira”: Aqui a banda capricha em tempos mais lentos no início (antes de ganhar uma velocidade Hardcore tradicional), mas mantendo um enfoque agressivo denso e cheio de ótimos vocais e backing vocals, além dos ótimos solos melódicos de guitarra.

“Flagelo”: Aqui a banda se aproxima um pouco do Hardcore moderno, com ritmos mais lentos, mas sem remeterem aos grupos conhecidos. Ainda soa tradicional, pesado e agressivo, mas com uma dose extra de peso e técnica.

“Guerra Urbana”: Lembram-se do som costumeiro do H.C.N.Y, ou seja, o Hardcore de Nova York, com tempos que transitam entre o veloz e o mais cadenciado à lá CRO-MAGS? Pois é, é isso que os aguarda nessa canção que exibe vocais muito bons (esses timbres gritados remetem diretamente às raízes do HC).

“Marionete”: Depois de um início mais lento, o restante mostra um ritmo em tempos medianos, mais uma vez com baixo e bateria se destacando pela base rítmica sólida.

“Negra Sina”: Uma das mais empolgantes do disco, justamente por ser aproximar do Hardcore/Crossover tradicional em muitos momentos. Reparem na rispidez dos riffs de guitarra.

“Piada”: Curta e grossa, o típico Hardcore do ABC Paulista, com partes rápidas e brutas, e outras mais melodiosas e quase irônicas. A adrenalina sobe a níveis estratosféricos.

“Inimigo no Espelho”: O momento em que o quinteto mais se aproxima do Thrash Metal, já que as partes mais lentas propiciam esta proximidade; mas os tempos rápidos que aparecem vez por outra mostram o quão eles têm de Hardcore nas veias.

“Pesadelo Latino Americano”: Outra que é curta e grossa, um murro de velocidade direto nos tímpanos.

“Vida Útil”: Aqui as influências do Thrash Metal Old School surgem em alguns fraseados das guitarras, como em seu início (que lembram bastante o SLAYER da fase “Show No Mercy”), mas o jeitão do Crossover Norte Americano domina o restante por conta das partes velozes.

Conclusão: A verdade é que “O Caos Será a Tua Herança” não nasceu com a vontade de revolucionar algo. O lance do GRINDING REACTION é fazer sua música sem dar bola para modismos ou mesmo elogios passageiros. O grupo veio, está aí há 18 anos e deve continuar jogando pedras no sistema por muitos anos. Música para isso eles têm.

E “O Caos Será a Tua Herança” pode ser ouvido nas seguintes plataformas digitais.


Nota: 87%


“Os Fins Justificam os Meios”:  http://bit.ly/2X03vsY





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