sexta-feira, 15 de março de 2019

METAL CHURCH - Damned If You Do


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Damned If You Do
2. The Black Things
3. By the Numbers
4. Revolution Underway
5. Guillotine
6. Rot Away
7. Into the Fold
8. Monkey Finger
9. Out of Balance
10. The War Electric


Banda:


Mike Howe - Vocais 
Kurdt Vanderhoof - Guitarras, mellotron
Rick Van Zandt - Guitarra solo 
Steve Unger - Baixo, backing vocals
Stet Howland - Bateria


Ficha Técnica:

Kurdt Vanderhoof - Engenharia, produção 
Jean Michel - Artwork


Contatos:

Assessoria: 
E-mail: 

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Durante a primeira metade dos anos 80, o cenário Metal norte-americano foi sendo finalmente sedimentado. As influências do Metal europeu (especialmente as bandas dos anos 70 como JUDAS PRIEST e MOTÖRHEAD, e alguma coisinha da NWOBHM), fundidas ao Hard Rock clássico e mesmo à valorização da técnica e do “approach” melodioso tão natural dos EUA resultaram em uma invasão de bandas de diferentes estados e com trabalhos musicais personalizados.

Nisso, se consolidou o que se define como US Metal, ou seja, o jeito americano de se fazer Heavy Metal tradicional. E esta escola possui muitos representantes ilustres, entre eles o quinteto de Washington METAL CHURCH, um dos responsáveis pela modernização do Heavy Metal tradicional (embora poucos creditem isso a eles), que devido à formação consolidada (mesmo com as troca de baterista que ocorreu ano passado) está vivendo uma fase incrível em termos de criatividade. Que o diga “Damned If You Do”, novo disco do quinteto recém lançado no Brasil pela Shinigami Records, inclusive com o uso de um obi.


Análise geral: É fato que o quinteto continua fazendo o mesmo Heavy Metal vigoroso dos anos 80, com ótimos refrães, e estruturado de maneira bem cuidada. O que para muitos pode parecer estagnação, para quem os conhece sabe o quanto esse “Heavy Metal preachers” são capazes de criar passagens incríveis sem mexer em sua personalidade.

Basicamente, “Damned If You Do” é uma amostra clara do que é US Metal, sem tirar ou pôr algo, e ao mesmo tempo em que avança para o futuro de cabeça erguida, se percebe que tem muito dos clássicos “Blessing in Disguise” (1989) e “The Human Factor” (1991).


Arranjos/composições: Aliás, nesse disco, tudo vai muito bem.

A banda inteira mostra um trabalho técnico de ótimo nível (sem exagerar e tornar tudo maçante), com dinamismo fluido em termos de melodias e arranjos, e cada canção foi montada com sabedoria para bater nos ouvidos e marcar o fã.

E é bom ser dito uma coisa: nada nesse disco soa repetitivo, chato ou vai fazer o ouvinte bocejar durante seus pouco mais de 45 minutos de duração.


METAL CHURCH
Qualidade sonora: Mais uma vez, o guitarrista/fundador Kurdt fez a produção de um disco da banda. Tudo para manter o equilíbrio entre peso, limpeza e agressividade sonora em alto nível. E mostrando que ele sabe o que faz, mais uma vez o encontro entre a modernidade e o clássico em termos de sonoridade é o resultado, o que realmente encaixa na proposta musical do quinteto.


Arte gráfica/capa: ironia é pouco para definir o ótimo trabalho de Jean Michel, que inclusive transparece bem o tema pesado da faixa-título. E a arte do encarte ficou muito boa, mantendo uma diagramação simples. E a versão brasileira ainda tem um obi, ou seja, aquele papel lateral que tem informações do disco, que são muito comuns no mercado japonês.


Destaques musicais: Quando se fala nesse quinteto tão experiente, é preciso entender que a injustiça de não terem sido gigantes nos anos 80 não lhes tira seus méritos ou a capacidade de criarem canções marcantes e de alto nível, e talvez o METAL CHURCH seja um dos melhores nomes do cenário norte-americano. E se destacam as seguintes canções:

“Damned If You Do”: uma canção com uma ambientação bem agressiva e mesmo soturna, com um trabalho de peso de baixo e bateria, sem mencionar o refrão que não desgruda dos ouvidos.

“The Black Things”: novamente, o grupo tem um jeito mais soturno em alguns momentos, com crescendos ótimos no refrão. E isso mostra a versatilidade dos vocais, que estão excelentes no disco inteiro.

“By the Numbers”: é incrível ver essa energia, essa pegada juvenil em uma banda tão experiente. Ótimo equilíbrio entre as linhas melódicas e a força agressiva das guitarras nos riffs.

“Revolution Underway”: aqui surge o lado mais influenciado pelas melodias do Hard Rock clássico, algo típico dos anos 80. Só que o jeito em que eles arranjaram a canção permite que a canção soe atual, cheia de vida e com vocais excelentes mais uma vez.

“Guillotine”: desta vez, eles foram buscar um jeito mais voltado à época de “The Dark”, onde melodias do Metal tradicional são mixadas com uma agressividade moderna quase thrashy, Mais um ótimo refrão, e que belas mudanças de ritmo!

“Rot Away”: mais uma em que linhas melódicas se misturam à agressividade sonora sem destoar. O ritmo não tão veloz permite que tanto os vocais mostrem mais um ótimo trabalho, se encaixando muito bem na colcha instrumental.

“Into the Fold”: esta parece ir buscar lá na primeira metade dos anos 80 a energia e elegância típicas de quando o rótulo Power Metal era usado para definir o que o cenário norte-americano produzia. Boas variações harmônicas e mais um refrão grudento.

“Monkey Finger”: então, surge a influência do Metal germânico (à lá ACCEPT) no trabalho do grupo por conta dos tempos mais lentos e backing vocals que culminam em um refrão muito legal.

“Out of Balance”: se o leitor sabe o que significa “ter um andamento que empolga”, vai entender essa canção e assimilá-la sem problema algum. Melodias mais simples e ótimas conduções de baixo e bateria são os pontos fortes.

“The War Electric”: Encerramento com níveis de adrenalina altíssimos. Uma pancadaria que também é mais simples, onde os vocais estão ótimos, mas sem desmerecer o trabalho de peso de baixo e bateria.


Conclusão: O METAL CHURCH continua forte e vigoroso, lançando mais um disco que merece aplausos. Sim, “Damned If You Do” é um daqueles discos que merecem ser ouvidos no “repeat”, pois os "Heavy Metal Preachers" estão com todo gás!

Mais um para o Top10 de muitos ao final do ano.

Nota: 100%


Damned If You Do



By the Numbers



Out of Balance



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quinta-feira, 14 de março de 2019

DEE SNIDER - Sick Mutha F**ckers: Live in the USA


Ano: 2019 
Tipo: Full Length 
Nacional 


Tracklist: 

1. What You Don’t Know (Sure Can Hurt You) 
2. The Kids Are Back 
3. Stay Hungry 
4. Destroyer 
5. I Am (I’m Me) 
6. You Can’t Stop Rock ‘N’ Roll 
7. Medley: Come Out and Play, The Pack, I Believe in Rock ‘N’ Roll, Be Chrool To Your Scuel 
8. We’re Gonna Make It 
9. I Wanna Rock 
10. Wake Up (The Sleeping Giant) 
11. Burn in Hell 
12. Shoot ‘Em Down 
13. Under the Blade 
14. We’re Not Gonna Take It 
15. The Price 
16. S.M.F. 


Banda: 


Dee Snider - Vocais 
Spike - Guitarras, backing vocals 
Keith Alexander - Guitarra base, backing vocals 
Derek “The “Skull” Tailer - Baixo, backing vocals 
Charlie Mills - Bateria, backing vocals 


Ficha Técnica: 

Denny McNerney - Engenharia, Mixagem 
Dave “Iron Road” Marfield - Arte, layout 


Contatos: 

Site Oficial: http://www.deesnider.com/ 
Assessoria: coallier@aol.com (Coallier Entertainment) 
E-mail: 


Texto: “Metal Mark” Garcia



Análise geral: É estranho como, nos tempos atuais, muitos discos ao vivo que andaram escondidos por anos, começam a aparecer (ou reaparecer, no caso de relançamentos). Nos últimos anos, isso se tornou já fato, mas ainda bem que é assim, pois grandes trabalhos que merecem aplausos, enfim, chegam aos fãs.

E a Shinigami Records nos trouxe mais um desses discos ao vivo preciosos, que é “Sick Mutha F**ckers: Live in the USA”, disco ao vivo de DEE SNIDER gravado em 1995 e lançado em 1996, que originalmente se chamava “Twisted Forever - SMF’s Live”. Sim, estamos diante de um relançamento, com uma nova arte, e dessa vez, disponível para todos.

Antes de tudo, é preciso explicar que, na época, Dee havia encerrado as atividades do WIDOWMAKER, e resolveu sair em uma turnê pelos EUA tocando apenas clássicos do TWISTED SISTER, inclusive com a participação do finado A. J. Pero em alguns shows (não nesse especificamente). Sim, isso mesmo: só clássicos do TWISTED SISTER, e com performances brilhantes.


“Aovivabilidade”: Bem, quem conhece Dee Snider há anos sabe que altos níveis de energia são a marca registrada de seus shows, seja com qual banda for.

A verdade é que “Sick Mutha F**ckers: Live in the USA” mostra o mesmo “feeling” ao vivo, sem muitas edições digitais, apenas uma captação, engenharia e mixagem que não vieram para potencializar o som, apenas para mostrar o que ocorreu.

Ou seja, é um disco ao vivo 100% ao vivo!


Qualidade sonora: Justamente pela captação e mixagem terem sido feitas de forma que o conteúdo musical soe o mais próximo possível do que o grupo mostrou no show. A sonoridade é autêntica, inclusive com a participação do público bem óbvia aos ouvidos.


Arte gráfica/capa: Neste “remake” do disco original, temos capa nova, arte nova, e tudo em um formato Digipak muito bonito, evidenciando a figura icônica de Dee Snider.

Setlist: Ah, não é possível... Perguntar ou comentar esse setlist seria algo leviano para qualquer fã de Metal que conheça o trabalho do finado TWISTED SISTER. Aliás, que se diga de passagem: Dee sempre foi uma força criativa enorme no quinteto, e a banda que o acompanhava levou a sério tocar estas músicas o mais próximo possível do original (reparem no som de guitarra mais seco no início de “What You Don’t Know (Sure Can Hurt You)” para ter uma ideia clara desse aspecto).

O que é admissível falar desse setlist: faltaram alguns clássicos, mas isso teria que transformar o show de mais de uma hora (1:13:13, sendo mais exato) teria que virar um show de 3 horas! E lembrando que nem mesmo “Stay Hungry Live” ou “Live At Wacken - The Reunion” possuem um show tão longo quanto o que é apresentado em Sick Mutha F**ckers: Live in the USA.

Aliás, pode-se dizer que as canções escolhidas são o suprassumo do que o finado TWISTED SISTER gravou em seus 5 discos (até mesmo do tão criticado “Love is for the Suckers” existe material presente, no caso, “Wake Up (The Sleeping Giant)”). 

O disco já começa com uma trinca clássica de peso: “What You Don’t Know (Sure Can Hurt You)” (a energia deve explodir os medidores de volume, já que além de Dee estar ótimo, o público recebe a banda gritando efusivamente), “The Kids Are Back” (um Hard ‘n’ Roll pesado e empolgante) e “Stay Hungry” (veloz e cheia de energia, que ao vivo soa ainda mais poderosa que em estúdio, é aquela mistura do peso do Heavy Metal com as melodias e refrão grudento do Hard/Glam). Após um discurso cheio de palavrões, como costumeiro de Dee Snider (e que já lhe causou problemas legais nos anos 80), vem o peso cadenciado e bruto de “Destroyer” (baixo e bateria estão perfeitos). Para equilibrar as coisas, vem a acessível e empolgante “I Am (I’m Me)” e a clássica “You Can’t Stop Rock ‘N’ Roll” (um hino à rebeldia recheado de guitarras excelentes). Para economizar tempo de show, em seguida tem-se um medley de canções de “Come Out and Play”, com trechos da faixa-título, de “Leader of the Pack” (um cover do THE SHANGRI-LAS, e que no disco é chamada simplesmente de “The Pack”), “I Believe in Rock ‘N’ Roll”, e a engraçadinha “Be Chrool To Your Scuel” (um divertido Rock básico à lá anos 50, que aqui ficou mais seco, sem os instrumentos de sopro da versão original de estúdio). Agora, a pancadaria entra em cena com o peso empolgante de “We’re Gonna Make It” e da famigerada “I Wanna Rock” (uma das mais icônicas canções do TS de todos os tempos). Recebida com aplausos, “Wake Up (The Sleeping Giant)” é uma pancada pesada à lá AC/DC, com um refrão de primeira e uma energia enorme. Mais um hino do grupo vem em seguida, a pesada e densa “Burn in Hell” (cheia de boas mudanças de ritmo), e na sequência, a acessível e grudenta “Shoot ‘Em Down”. Depois desse momento de diversão, vem a dobradinha que o PMRC perseguiu nos anos 80: a vibrante e polêmica “Under the Blade” (que guitarras!), e o maior clássico do grupo, “We’re Not Gonna Take It” (essa inclusive foi listada no “Filthy Fifteen” do PMRC), onde o público participa bastante. Para dar um “break”, temos a semi-balada “The Price”, e fechando, o tributo aos fãs em “S.M.F.” (que era o nome do fã-clube do TS nos anos 80), uma tijolada bem agressiva e com uma energia toda própria (outra que fica mais explosiva ao vivo que na versão de estúdio).

Pode parecer uma análise de um disco do TWISTED SISTER, mesmo com a menção de fatos da carreira do grupo, mas não seria Dee o herdeiro de todo esse legado, uma vez que os companheiros da formação clássica parecem estar sem planos de trabalharem com banda tão cedo? Tirem suas próprias conclusões.


Conclusão: No mais, “Sick Mutha F**ckers: Live in the USA” é um senhor disco ao vivo que mostra o quanto DEE SNIDER esteve ativo enquanto seus companheiros no TWISTED SISTER estiveram mais quietos nos anos 90. E merece aplausos!

Nota: 98%


We’re Not Gonna Take It



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terça-feira, 12 de março de 2019

CHROME DIVISION - One Last Ride…



Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:


1. Return from the Wastelands
2. So Fragile 
3. Walk Away in Shame
4. Back in Town
5. You Are Dead to Me
6. The Call
7. I’m on Fire Tonight
8. Staying Until the End
9. This One is Wild
10. One Last Ride
11. We Drink
12. Towards the Unknown
13. Esta Noche Va a Quemar


Banda:


Eddie Guz - Vocais
Shagrath - Guitarras, baixo, backing vocals
Damage Karlsen - Guitarra solo, baixo, backing vocals
Tony White - Bateria, percussão


Ficha Técnica:

Chrome Division - Produção
Hugo Alvarstein - Mixagem, masterização
Miss Selia - Vocais em “Walk Away in Shame” e “This One is Wild”
Tony Midi - Arte da capa
Marcelo Vasco - Artwork, layout


Contatos:

Site Oficial:
Facebook: https://www.facebook.com/chromedivision
Instagram: https://www.instagram.com/chromedivision/
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Algumas bandas entendem quando se chega ao fim de sua existência, é melhor mesmo pendurar as chuteiras e manter a dignidade. E em um sentido oposto a tantos gigantes que andam caducando pelos anos de atividade e atual falta de criatividade, os ases do CHROME DIVISION resolveram cessar as atividades, lançando seu último álbum, “One Last Ride...”, que a parceria entre a Shinigami Records e Nuclear Blast Brasil tornou mais acessível para os fãs brasileiros.

Mas a que viria o agora quarteto em seu derradeiro “Full Length”?


Análise geral: É fato que não se poderia esperar outra coisa que não fosse o bom e velho Rock ‘n’ Roll sujo, denso e melodioso de sempre, apenas com um “insight” mais limpo (algo que já vinha acontecendo de forma gradual desde “3rd Round Knockout”). A surpresa é que para fechar o ciclo, o vocalista original do grupo, Eddie Guz, retornou, trazendo aquele jeito rasgado de cantar que impressionou a todos nos primeiros discos do grupo.

A verdade é que “One Last Ride...” é a continuidade do que a banda já vinha fazendo, mas sempre com alta qualidade. E sim, é uma maneira de fechar o ciclo em alto nível!


Arranjos/composições: Não esperem algo diferente de um misto entre AC/DC e MOTÖRHEAD personalizado, cheio de arranjos de muito bom gosto, uma chuva de refrães grudentos e fáceis de cantar com o grupo. Nada que já não tenham feito em todos os seus discos anteriores, apenas guiados por um senso de melodia mais apurado, não tão selvagem como no início.

Tecnicamente falando, eles não fazem nada que seja rebuscado ou pedante, pois nem é o foco do disco. Aqui, é energia para colocar os medidores de volume do aparelho de som nos níveis mais altos o tempo todo. Aliás, o disco foi gravado sem um baixista, já que Shagrath e Damage Karlsen se alternaram nas partes das quatro cordas.


Qualidade sonora: A produção é do próprio quarteto, tendo as mãos de Hugo Alvarstein na mixagem e masterização. O mais incrível é que a sonoridade de “One Last Ride...” é bem definida e limpa, permitindo que as melodias soem claras aos ouvidos, mas aquela dose de sujeira essencial para eles vem dos tons instrumentais (que nem estão tão carregados como no passado).


CHROME DIVISION
Arte gráfica/capa: A capa é de Tony Midi, trabalhada em preto, branco e cinza de uma forma bem direta, mostrando o conteúdo explicitamente descompromissado da música. Agora, sempre quando a arte de Marcelo Vasco aparece (encarte e layout), é certeza de algo muito bom, mesmo estando meio diferente de seu estilo usual (aliás, nesse jeitão mais simples, ficou ótimo e versátil).


Destaques musicais: A verdade é que esses quatro “die hard bikers” do Rock ‘n’ Roll mostram sua energia ácida e divertida em alto nível, e ainda continuam crus e pesados. E nas 13 canções que destilam em “One Last Ride...”, se destacam:

“So Fragile”: é um dos hits do disco. Mesmo com seu jeito direto e espontâneo, mostra alguns refinamentos como duetos de guitarras. E que refrão grudento!

“Walk Away in Shame”: um torpedo em tempo mediano, recheado de ótimos riffs e uma técnica musical sóbria. Vocais e backing vocals excelentes, além de uma sinuosidade opressiva (e que belos vocais femininos da convidada Miss Selia, uma cantora Pop).

“Back in Town”: um pouco do feeling cru e espontâneo dos tempos de “Doomsday Rock ‘n Roll” surge nessa canção. Ótimos solos de guitarra à lá “Fast” Eddie Clarke, e as linhas melódicas grudam nos ouvidos e não saem mais.

“I’m on Fire Tonight”: nos riffs iniciais, sente-se uma aura Rock setentista quase que subjetiva, antes do quebra-pau intenso e ríspido, aquele jeitão agridoce que as melodias do grupo trazem sempre. E que peso na base baixo-bateria!

“Staying Until the End”: um típico Heavy Rock cheio de testosterona, com um ritmo entre o veloz e o cadenciado bem empolgante. O refrão marcante é uma marca da banda, e uma energia crua fluindo das guitarras que vai levar os fãs à loucura.

“This One is Wild”: uma das canções mais acessíveis do disco, com melodias mais simples e próximas do Rock ‘n’ Roll clássico. É daquelas que se ouve e não é possível ficar parado, e que vocais!

“One Last Ride”: mais uma em que a pancadaria Hard ‘n’ Roll raivoso e nocivo aos ouvidos mais puritanos. Novamente refrão com backing vocals de primeira e duetos de guitarra muito bons.

“We Drink”: mais uma vez o grupo referencia a si mesmo, pois esta adrenalina Rock ‘n’ Roll crua e empolgante lembrará o ouvinte dos tempos de “Doomsday Rock ‘n Roll” e “Booze, Broads and Beelzebub”. Impossível não se empolgar com o refrão.

Mas é preciso dizer que “Esta Noche Va a Quemar” (uma versão cantada em espanhol de “I’m on Fire Tonight”) é excelente como a original, e é também um tributo do grupo aos fãs da América do Sul.


Conclusão: Mesmo não estando no mesmo patamar dos clássicos “Doomsday Rock ‘n Roll” e “Booze, Broads and Beelzebub”, “One Last Ride...” é um disco e tanto, mas uma despedida que deixará em muitos aquela sensação de “quero mais”.

Esperemos que eles mudem de ideia um dia, mas até lá, deixaram uma discografia ótima para todos.


Nota: 92%


Walk Away in Shame



I’m on Fire Tonight



One Last Ride



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segunda-feira, 11 de março de 2019

ACCEPT: Symphonic Terror - Live at Wacken 2017


Ano: 2019
Tipo: 2CD+DVD
Nacional


Tracklist:


Disco 1 (DVD):

Parte 1 - Accept:

1. Die by the Sword
2. Restless and Wild
3. Koolaid     
4. Pandemic
5. Final Journey

Parte 2 - Headbanger’s Symphony:

6. Night on Bald Mountain
7. Scherzo
8. Romeo and Juliet
9. Pathétique
10. Fouble Cello Concerto in G Minor
11. Symphony No. 40 in G Minor

Parte 3: Accept with Orchestra:

12. Princess of the Dawn
13. Stalingrad
14. Dark Side of My Heart
15. Breaker
16. Shadow Soldiers
17. Dying Breed
18. Fast as a Shark
19. Metal Heart
20. Teutonic Terror
21. Balls to the Wall
22. Making of: Wacken                   
23. Making of: Headbanger’s Symphony                       


Disco 2 (CD):

1. Die by the Sword                         
2. Restless and Wild                       
3. Koolaid                  
4. Pandemic                          
5. Final Journey                   
6. Night on Bald Mountain                        
7. Scherzo                 
8. Romeo and Juliet                        
9. Pathétique                        
10. Double Cello Concerto in G Minor                
11. Symphony No. 40 in G Minor                         


Disc 3 (CD):

1. Princess of the Dawn                 
2. Stalingrad                         
3. Dark Side of My Heart                
4. Breaker                  
5. Shadow Soldiers                         
6. Dying Breed                     
7. Fast as a Shark                
8. Metal Heart                       
9. Teutonic Terror                 
10. Balls to the Wall


Banda:


Mark Tornillo - Vocais
Wolf Hoffmann - Guitarras, guitarras em “Headbanger’s Symphony”
Uwe Lulis - Guitarras
Peter Baltes - Baixo
Christopher Williams - Bateria, bateria em “Headbanger’s Symphony”


Ficha Técnica:

Phillip Shouse - Guitarras em “Headbanger’s Symphony”
Daniel Silvestri - Baixo em “Headbanger’s Symphony”
Melo Mafali - Teclados em “Headbanger’s Symphony”, arranjos orquestrais
Czech National Symphony - Orquestra em “Headbanger’s Symphony” e “Accept with Orchestra”
Miguel Augusto - Gravação
Péter Sallay - Arte da capa
Kerstin Winkle - Artwork, layout


Contatos:

Assessoria:  
E-mail:  

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: “Uma tradição de muitos anos dentro do Metal” é uma ótima definição usada para se falar de discos ao vivo. Pode-se dizer que, inclusive, são quase que um vestibular, pois para muitos, um disco ao vivo malfeito ou com uma performance ruim pode jogar fora todo o trabalho de qualquer grupo. Mas quando o nome do quinteto germânico ACCEPT é citado, fica óbvio que este teste para eles é sempre motivo de alegrias para os fãs. E fugindo um pouco do esquema tradicional, eles lançaram “Symphonic Terror - Live at Wacken 2017”, que acabou se sair no Brasil graças aos esforços conjuntos da Shinigami Records e da Nuclear Blast Brasil.


Análise geral: O grupo resolveu fazer algo diferente do usual em termos de discos ao vivo, e mesmo daqueles em que existe uma orquestra com a banda. O show tem 3 partes distintas: a primeira é o comum, ou seja, só a banda tocando suas canções; a segunda é instrumental e neoclássica (basicamente, algum material do disco solo do guitarrista Wolf de 2016, “Headbangers Symphony”; e uma inédita; e ele é acompanhado pela Orquestra Nacional da República Tcheca, ou Czech National Symphony, e alguns músicos que gravaram seu disco solo), e a terceira onde o quinteto toca alguns de seus clássicos juntamente com a referida orquestra.

O show foi gravado em 3 de Agosto de 2017 no Wacken Open Air festival, diante de 80000 fãs, sem mencionar os que acompanharam via live stream na época.

O estilo do grupo, como todos já sabem, está consolidado nesses mais de 50 anos de atividade (levando em conta o período em que o grupo era chamado Band X): o bom e velho Heavy Metal melodioso e pesado, com ótimas melodias, corais e backing vocals bem encaixados, ótimo nível técnico, uma energia absurda, tudo focado em guitarras insanas (riffs ganchudoso e solos melodiosos), base rítmica sólida (baixo e bateria com ótima técnica e precisão absurda, e uma pena que este é o último trabalho da banda com o baixista Peter Baltes), e vocais agressivos de primeira. Mas a diferença é: tem a personalidade que moldou o Metal germânico de tal forma que o termo é quase sinônimo de ACCEPT, sem contar que influenciou totalmente o Power Metal e o Speed Metal (e talvez o Thrash Metal).

“Aovivabilidade”: A verdade é que aquilo que se captou na época e o que se tem nesse lançamento é idêntica. Sim, aparentemente não existem muitos acertos de estúdio “Symphonic Terror - Live at Wacken 2017”. Tudo é de alto nível, mas em termos de captação, ou seja, áudio e vídeo são apresentados como o foram no dia.

Qualidade sonora/visual: Chega a ser quase uma heresia ter que falar desse aspecto. Tudo está perfeito, com takes ótimos das câmeras e a captação ficou excelente (a qualidade das imagens é absurda); e o som não fica atrás, inclusive com a participação entusiasmada do público presente. Mais um pouco e a sensação seria de que o fã estaria lá!


Peter Baltes e Wolf Hoffmann
Arte gráfica/capa: Um material de vídeo/áudio assim tem que ter uma arte gráfica de primeira. Não poderia ser de outra forma, e esse formato digipak de oito páginas (ou seja, quatro internas e quatro externas) com uma capa linda e cujo significado do show fica evidente (e é uma referência à capa de uma das edições recentes em CD de “Restless and Wild”). O encarte é cheio de fotos do show, informações sobre o evento, e tudo em 12 páginas belíssimas.


Setlist: é outro ponto excelente do álbum, pois o grupo soube escolher bem quais as canções que seriam apresentadas e em qual momento. Por isso, na primeira parte, apenas com o quinteto, deram mais ênfase na fase mais atual.

Óbvio que faltaram alguns clássicos, mas se fossem relacionados aqui, o leitor teria a clara percepção que o ACCEPT teria que fazer um show de 4 horas, e isso para começar!


Destaques musicais/vídeos: Enquanto muitos veteranos estão dando sinais evidentes de cansaço (e que a aposentadoria merecida está próxima), o ACCEPT está vivendo o melhor e mais criativo momento de sua carreira, esbanjando vontade, energia e juventude. Além disso, na primeira parte do show, eles focam bastante na fase em que Mark faz os vocais (das cinco, somente “Restless and Wild” não o é), e duas vieram do mais recente da banda da época (o ótimo “The Rise of Chaos”).

Da primeira parte, “Accept”, não tem como não ficar arrepiado e de olhos arregalados pela energia e performance do quinteto em “Die by the Sword” (desce a cortina, e o quinteto desce a marreta, com muita movimentação e o público os recebendo como heróis), a clássica “Restless and Wild” (80000 pessoas batendo palmas ao mesmo tempo é algo incrível), os hits “Koolaid” (canção mais amena, com aquela energia crua germânica que só o quinteto tem) e “Pandemic” (a atitude da banda no palco mostra uma espontaneidade que anda escassa nos gigantes nos tempos atuais), e a ótima “Final Journey”.

“Headbanger’s Symphony” vem em seguida. Com um “set” todo instrumental, a presença da orquestra enriquece o show, mostrando a força do disco solo de Wolf, que diferente de muitos que seguem uma linha mais Barroca quando fazem trabalhos dessa forma, preferiu algo mais voltado ao Romantismo. E longe de ser entediante e/ou cansativo, não dá para despregar os olhos e ouvidos!

E se percebe na beleza de “Night on Bald Mountain” (adaptação de uma obra do compositor russo Modest Mussorgsky de mesmo nome), “Scherzo” (outra adaptação, dessa vez da “9ª. Sinfonia” de Beethoven), “Pathétique” (também de Beethoven, escrita originalmente para piano), “Fouble Cello Concerto in G Minor” (que no disco é “Double Cello Concerto in G Minor”, mas que ganhou algo diferente, e cuja base é “Concerto Para Dois Violoncelos em G Menor”, de Vivaldi), e “Symphony No. 40 in G Minor” (que vem de da sinfonia de mesmo nome de Mozart), além das novas “Romeo and Juliet” o quanto os elementos de música clássica fazem parte do Heavy Metal como um todo, especialmente para quem achava que aquele “insert” clássico de “Metal Heart” era obra do acaso ou plágio. Depois disso, talvez alguns dos guitarristas do chamado Neoclássico no Metal entendam que técnica e velocidade não são tudo, e Wolf é um excelente professor.


Fechando o DVD, tem-se “Accept with Orchestra”, ou seja, 10 temas clássicos do quinteto alemão onde são acompanhados por orquestra.

Aqui, a coisa fica ainda melhor, pois velhos clássicos como “Princess of the Dawn” (os arranjos orquestrais ficaram perfeitos sobre as bases de guitarra, e com o público cantando o refrão com a banda), “Breaker” (que foi recuperada, após anos de desuso, pois não foi registrada em discos da atual fase do grupo, onde as cordas da orquestras se encaixam como uma luva), o eterno hino “Fast as a Shark” (já de noite, com muita pirotecnia, uma energia selvagem e o público cantando a introdução com muita vontade), a clássica “Metal Heart” (quem diria que 20 anos depois seria tão idolatrada, pois na época do lançamento do disco, foi considerada um fiasco, e embelezada pela orquestra, sua natureza clássica aflora de vez, o que se percebe claramente durante o solo de guitarra), junto com as recentes “Stalingrad” (que ganhou uma aura elegante, especialmente em seu início), “Dark Side of My Heart” (impossível não agitar em casa, pois as melodias grudam nos ouvidos, com vocais e backing vocals perfeitos), “Shadow Soldiers” (um jeitão mais cadenciado e melodioso envolvente), “Dying Breed” (agressividade e melodia na medida certa, com uma base rítmica sólida que permite que a participação da orquestra dê aquele brilho especial á ela), e “Teutonic Terror” (a canção que ressuscitou a banda após anos inativa, e que se tornou um de seus hits). E nenhum grande show do ACCEPT (talvez nenhum show, melhor dizendo) estaria completo sem “Balls to the Wall”, maior hit do quinteto de todos os tempos (essa repaginada com a atual formação ficou perfeita, e a participação de sopros e cordas só lapidou o que já era perfeito).

Para os que gostam de ouvir um disco sem se prenderem ao vídeo, temos o mesmo “setlist” distribuído em dois CDs, logo, poderão ouvir no carro, na casa dos amigos, no trabalho, enfim, onde bem desejarem.



No DVD, ainda se tem “Making of: Wacken”, onde é mostrado o anúncio do show à imprensa e os planos da gravação de um disco ao vivo, bem como a explicação do que seria o evento, cenas do quinteto ensaiando com a orquestra (com muitas partes bem divertidas), a chegada da turma ao backstage do Wacken e a preparação de tudo por lá, os testes da iluminação e efeitos especiais, o assédio á banda por membros da equipe do festival, a entrada e a saída deles do palco, enfim, muitos extras que são preciosos.

Fechando, o “Making of: Headbanger’s Symphony” mostra o árduo trabalho de se montar toda a estrutura para este show, com depoimentos de Wolf sobre como a música Clássica faz parte de sua música. E tudo entremeado com cenas do show e outras. Sempre bem divertido e informativo.
                         

Conclusão: Como dito antes, enquanto muitos gigantes da mesma época deles já dão sinais de cansaço, o ACCEPT mostra que está vivendo um excelente momento, que ainda tem muito a contribuir ao cenário mundial.

Encerrando, “Symphonic Terror - Live at Wacken 2017” corrobora a frase do caríssimo e querido amigo/irmão Ricardo Batalha (da Roadie Crew): se você gosta de Metal, gosta de ACCEPT. Sem mais!


Nota: +100%


Symphony No. 40 in G Minor:



Breaker:



Shadow Soldiers:



Balls to the Wall:



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