sexta-feira, 10 de maio de 2019

ENFORCER - Zenith


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Die for the Devil
2. Zenith of the Black Sun
3. Searching for You
4. Regrets
5. The End of a Universe
6. Sail On
7. One Thousand Years of Darkness
8. Thunder and Hell
9. Forever We Worship the Dark
10. Ode to Death
11. To Another World (Bonus Track) 


Banda:


Olof Wikstrand - Vocais, guitarras
Jonathan Nordwall - Guitarras
Tobias Lindqvist - Baixo
Jonas Wikstrand - Bateria, vocais, teclados, piano


Ficha Técnica:

Olof Wikstrand - Produção, mixagem
Jonas Wikstrand - Produção, mixagem
Howie Weinberg - Masterização
Velio Josto - Arte (capa)


Contatos:

Site Oficial: www.enforcer.se
Assessoria: 
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Um fenômeno que muito ocorria nos anos 80: quando uma banda do underground, e com discos já lançados, ingressava em uma grande gravadora, era quase que 99% certo deles amaciarem o som (a inclinação ao Hard/Glam e ao AOR eram o sinal mais evidente disso), em busca de algo mais comercial e palatável a um público mais amplo. A banda queria sucesso, a gravadora queria vender, e isso causou imensos dissabores aos fãs daqueles tempos. Alguns discos eram terríveis, e houveram discos que marcaram a história de tão bons, sendo reconhecidos mesmo naqueles tempos, ou que a história acabou lhes fazendo justiça.

Por isso, é recomendado aos fãs que tenham muita calma ao lidarem com “Zenith”, novo trabalho do quarteto sueco ENFORCER, que acabou de sair no Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

É fato que “Death by Fire” (2013) e “From Beyond” (2015) conquistaram legiões de fãs pelo mundo inteiro e lhes rendeu reconhecimento, justamente por terem um som selvagem e cheio de energia nos moldes da NWOBHM, ao ponto de ser considerado um dos pilares do “Old School Heavy Metal”. Mas se antes era um Heavy/Speed Metal intenso agora deu uma caída para o Heavy Metal tradicional com muita influência de Hard Rock.

Basicamente, eles deram uma polida em suas músicas, e ao mesmo tempo, aumentaram a ênfase nas melodias, o que fez com que aquela energia desmedida e selvagem dos discos anteriores ficasse mais contida, mais encorpada. E ao mesmo tempo, ficou mais acessível, sem, no entanto descaracterizar o trabalho musical deles, mas ainda existem momentos que remetam ao que estavam fazendo antes como “Searching for You”.

É como se o ENFORCER de antes revisitasse suas influências de DEF LEPPARD (fase “High ‘n’ Dry” e “Pyromania”), TOKYO BLADE (especialmente a fase de “Night of the Blade”) e outros que tinham grande influência de Hard Rock. Mas se por um lado ficou mais acessível e melódico, continua excelente. Em uma analogia, é como olhar um mesmo diamante por um outro ângulo.


Arranjos/composições:

Por ficar mais polido, leia-se: as canções estão estrategicamente arranjadas. É isso, pois a espontaneidade de antes está aliada ao arranjar bem as canções, sem negar que elas continuam soando com boas doses de energia. Mas agora, backing vocals estratégicos à lá Glam Metal/Hard Rock aparecem bastante (uma reparada em “Die for the Devil” esclarece isso). Além disso, a técnica musical da banda deu uma diluída, pois eles preferiram focar mais nas canções em si.

Mas em termos de dinâmica entre os instrumentos musicais e os vocais, além de encaixe de arranjos, pode-se dizer que “Zenith” é o disco em que o ENFORCER mais caprichou no aspecto, bem como soube criar refrães e backing vocals de assimilação bem simples.


Qualidade sonora:

Os irmãos Olof Wikstrand e Jonas Wikstrand capricharam na produção e na mixagem do disco, algo que até o momento era inédito. A crueza de antes deu lugar a uma estética mais limpa e definida. Óbvio que ainda existe uma ambientação “Old School” permeando suas canções porque buscaram tons instrumentais que pudessem soar claros, mas orgânicos.


Arte gráfica/capa:

O quarteto nunca foi dado a ter artes gráficas rebuscadas nas capas de seus álbuns, talvez para manter o foco dos fãs apenas em sua música (tirando a de “Into the Night”). Dessa vez, embora ainda não seja nada extremamente exagerado, destoa da prevalência do preto comum, embora ainda com tons escuros.


Destaques musicais:

Basicamente, “Zenith” é um disco bem feito e com ótimas composições, mas que tende a deixar os fãs mais antigos de ouvido em pé nas primeiras audições por sua acessibilidade musical. Mas conforme os ouvidos vão se acostumando, a impressão é que ele é um dos melhores trabalhos dos suecos.

Die for the Devil: O disco abre com um Hard ‘n’ Heavy poderoso, extremamente acessível e melódico, com momentos limpos contrastando com partes mais pesadas, mas sempre com uma estética grudenta (reparem no refrão). Baixo e bateria mostram uma base sólida e trabalhada na medida certa.

Zenith of the Black Sun: Aqui o ritmo diminui, focando mais no lado pesado da banda. È uma canção pesada, mas com backing vocals e melodias que deixam claro a vocação comercial da mesma. Os vocais estão ótimos.

Searching for You: a energia dessa aqui fará com que os medidores ficarem o tempo todo no vermelho. É como dito acima: é uma música em que o grupo mostra uma pegada mais voltada aos seus trabalhos anteriores, com maior velocidade, vocais em timbres altos e guitarras esbanjando riffs de primeira.

One Thousand Years of Darkness: basicamente, elementos um pouco incomuns (como teclados) dão as caras aqui, e é outra canção em que peso e acessibilidade dão as mãos. Mais uma vez, ótimo trabalho de guitarras.

Thunder and Hell: esta é daquelas que vai levar os fãs á loucura ao vivo, graças a alta velocidade e sua estética completamente NWOBHM. E nisso, a segurança da base rítmica é importantíssima, por isso, apostam em algo mais simples e funcional, mas pesado.

Forever We Worship the Dark: embora os toques Hard/Glam estejam claros além do necessário, é uma canção muito boa de ouvir graças ás linhas melódicas caprichadas, e aos vocais e backing vocals bem arranjados.

A versão nacional ainda tem um bônus que é “To Another World”, o que valoriza demais o disco. E para quem ama itens, existe uma versão importada toda cantada em espanhol.


Conclusão:

“Zenith” é um disco é muito bom, que mostra que o ENFORCER sabe evoluir, transitando para algo mais acessível sem perder sua essência. Óbvio que muitos fãs antigos irão torcer o nariz de cara, mas se derem uma chance ao disco, perceberão que deram uma chance, mas a si mesmos.

E parabéns a banda por ousar sair do ponto comum e desafiar a si mesma.

Nota: 88,0/100,0

Die for the Devil



Searching for You



Regrets



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sexta-feira, 3 de maio de 2019

TUBLUES - Vinte


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Geração Mimimi (feat. James Buris)
2. De um Jeito Melhor      
3. Palavras (feat. Helton Lobão e William Roger)
4. De Tanque Cheio (feat. Xande Saraiva (Baranga), James Buris e Jairo Martins)
5. Ambição Ardente (feat. James Buris)
6. Máquina de Lavar        
7. Sangue de Barata        
8. Como um Cão de Rua (feat. Caio Durazzo e Aquiles Metalkid)  
9. Um Dia na Vida (feat. James Buris e Guto Domingues)
10. Blues das Onze
11. Baixa a Bola (feat. Matheus Cobianchi e Robson Bastos)
12. Vacilada (feat. James Buris, Percy Weiss e Jairo Martins)


Banda:


Cezar Heavy - Baixo, Vocais
Alexandre Freitas - Guitarras
James Buris - Bateria


Ficha Técnica:

Alexandre Freitas - Mixagem
Fábio Henriques - Masterização


Contatos:

Instagram:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O Rock brasileiro sempre foi um estilo de duas vertentes principais: aquelas mais voltadas ao mainstream e que geraram nomes que, até os dias de hoje, são idolatrados como suprassumo do gênero, justamente as de maior inclinação Pop; e as mais sujas e que estiveram mais restritas ao cenário underground (raros são os que conseguiram algum sucesso comercial, como CELSO BLUES BOY, BARÃO VERMELHO e ULTRAJE A RIGOR).

Mas o modismo do Pop Brasil dos anos 80 passou, e muitos dos que na época eram sucesso, hoje ou acabaram, ou vivem com o pires na mão. Aqueles que faziam algo mais raiz, em sua maioria ainda andam por aí, mesmo com as dificuldades da vida nesse meio. Seguidor da segunda vertente, o TUBLUES de Lorena (SP) é um veterano de vinte anos nas costas, e chega com “Vinte”, seu disco mais recente.


Análise geral:

O trio segue uma linha bem suja e espontânea à lá MADE IN BRASIL, PATRULHA DO ESPAÇO, CASA DAS MÁQUINAS, e mesmo BARÃO VERMELHO e CELSO BLUES BOY (de onde vem uma boa dose de acessibilidade musical “bluesy”), embora tenha uma aura toda própria.

A música deles é cheia de energia, com ótimas melodias ganchudas, bom nível técnico, mas sempre com a capacidade de se adaptar aos tempos modernos, e por isso, o trabalho deles não soa datado. E que energia!


Arranjos/composições:

Nessa vertente, é bom que se diga que a técnica instrumental de cada um dos integrantes não chega a ser exigida. Não é o enfoque, pois a chave da força deles é o conjunto, a unidade entre os instrumentos.

Como é acessível, a música deles possui arranjos musicais bem eficazes em ternos de entrar nos ouvidos e não sair mais, com uma ótima dinâmica dos instrumentos musicais entre si e com os vocais.

Há ainda certo toque “bluesy”/Pop em algumas partes (como explícito em “De um Jeito Melhor”), mas nada de comercialismo mela-cuecas e calcinhas. É da música deles, algo que realmente agrega valor.

TUBLUES ao vivo

Qualidade sonora:

Em um trabalho tão visceral, é óbvio que não há necessidade de uma qualidade sonora estilo “super-produção hollywoodiana”. O mais simples é o melhor para o TUBLUES, tanto que o “feeling” que permeia esse álbum é quase que de um ensaio gravado, com todo mundo tocando junto. Mas óbvio que se percebe o cuidado estético em cada momento.

A ambientação orgânica do CD vem dos timbres instrumentais mais simples, sem muitos enfeites modernos. Não seria surpresa alguma se a banda tiver gravado com os antigos pedais...


Arte gráfica/capa:

Simples, direta e reta, a arte da capa é uma foto de alguém com uma caveira na mão. Algo funcional, que manda um recado ao ouvinte: o foco aqui é a música!


Destaques musicais:

Antes de qualquer coisa nesse ponto, é preciso destacar que o disco transpira honestidade. Sim, cada uma de suas 12 canções mostra isso claramente, e se preparem, pois as músicas em si são ótimas, e alguns convidados tornam tudo ainda melhor (inclusive o saudoso Percy Weiss deixou seu legado em “Vacilada”).

Geração Mimimi: Um típico Rock ‘n’ Roll cheio de energia, com boa dose de energia equilibrada com melodias simples de assimilar. O andamento embala o ouvinte, e a letra, como fica óbvio, um murro nos chatos de plantão.

De um Jeito Melhor: Aqui surge o que o Rock Brasil era por volta de 1983-1984, ou seja, uma mistura de boas melodias, agressividade na dose certa e uma nítida influência de Blues (especial nas debulhadas da guitarra).
         
De Tanque Cheio: E eis que a velha paixão do Rock surge como tema, os motorizados. Outra dose de energia intensa, com alguns arranjos lembrando AC/DC e KISS pela simplicidade e força.

Ambição Ardente: Uma das mais “Bluesy” de todo o disco, graças ao andamento mais comportado e pelos arranjos de baixo e bateria. E que belas melodias e refrão!

Máquina de Lavar: A estética noir do Jazz/Blues americano dos anos 40 surge nesse Rockão refreado, que chega a dar aquela impressão de ambiente esfumaçado dos filmes. Belos vocais e riffs de guitarra.
         
Como um Cão de Rua: ótima dose de energia, com tempos mais descompromissados, e boa mistura de melodias e agressividade. Essa é para mexer o esqueleto.

Um Dia na Vida: uma das mais empolgantes, justamente porque a acessibilidade musical aumenta, mas mantendo a estética que o trio impõe de sujeira e agressvidade. Belíssimo solo de guitarra, diga-se de passagem.

Blues das Onze: outra em que a ambientação musical vai lembrar um “pub” esfumaçado e com cheiro de bebida. E gruda nos ouvidos que é uma maravilha, cheia de arranjos de baixo e bateria simples, mas ótimos.

Vacilada: A chave de ouro do disco. Um Rock descompromissado e espontâneo, típico dos anos 80 (sem soar datado ou mofado, por favor). E é uma das últimas gravações do querido Percy Weiss, que deu uma canja nos vocais.

Em verdade, existem muitos convidados no disco inteiro, cada um dando aquele toque extra de valor ás músicas.


Conclusão:

Basicamente, “Vinte” é um disco que comemora os 20 anos de existência do grupo, mas ao mesmo tempo, que mostra que eles só estão a fim de se divertir, já que viver de música no Brasil ainda é uma utopia.

Só que, verdade seja dita, é um disco tentador e que vai fazer o ouvinte ligar a tecla “repeat”.


Nota: 88,0/100,0


De um Jeito Melhor



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terça-feira, 30 de abril de 2019

WOSLOM - Paranoia


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Paranoia
2. Game Over
3. Suffering Myself
4. High Voltage


Banda:


Silvano Aguilera - Guitarras, vocais
Rafael Iak - Guitarras
André G. Mellado - Baixo
Fernando Oster - Bateria


Ficha Técnica:

Woslom - Produção
Diego Rocha - Produção, mixagem
Neto Grous - Masterização
Alex Spike - Artwork (capa)


Contatos:

Site Oficial: www.woslom.com
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O que pode ser chamado de “Classic Thrash Metal” é aquilo que algumas bandas fazem e que remete diretamente aos anos 80, em especial à bandas como METALLICA, MEGADETH e ANTHRAX, bandas que sedimentaram as vertentes mais trabalhadas e melódicas desse gênero de Metal específico.

No Brasil, felizmente existem ótimos representantes do gênero, como o quarteto WOSLOM, de São Paulo, que depois de uns tempos quieto em termos de lançamento chega com “Paranoia”, seu novo EP, para matar a vontade de seus fãs. Aliás, é bom avisar que o EP será lançado oficialmente em 20 de Maio próximo.


Análise geral:

Basicamente, todas as lições que a banda aprendeu em seus discos anteriores (os álbuns “Time to Rise” de 2010, “Evolustruction” de 2013, e “A Near Life Experience” de 2016), e a experiência consegue mostrar consensualidade com o passado, mas com os olhos no futuro. Em “Paranoia”, o lado mais melodioso da época de “Evolustruction” está evidenciado, bem como algo mais próximo do Metal tradicional em termos de melodias, e mesmo de Rock ‘n’ Roll (como se percebe nos refrães e algumas partes mais simples e grudentas).

Basicamente, shows, discos e tudo mais só lapidou o grupo, transformando sua música em algo que não cabe mais no Brasil.

WOSLOM ao vivo.

Arranjos/composições:

Quem conhece a banda já sabe o que esperar de seus arranjos: tudo muito bem feito, com ótima dinâmica entre instrumental e vozes, mas agora, adicionado a isso existe um “feeling” de espontaneidade ainda maior, e mesmo certo despojamento (sem ser algo relaxado). Aliás, isso só aumentou o clima mais Rock ‘n’ Roll visceral que andava dando as caras na música deles há algum tempo.

Os vocais estão cada vez melhores, se encaixando muito bem e com boa dicção, as guitarras nem é necessário comentários mais profundos, pois os riffs são sensacionais (e os solos estão ótimos), e a base rítmica andou melhorando, já que o entrosamento entre baixo e bateria está de alto nível.


Qualidade sonora:

O Bay Area Studio é o local onde “Paranoia” foi gravado e mixado. E assim como aconteceu em “A Near Life Experience”, a sonoridade mostrada é algo mais direto, seco e direto, sem muitos enfeites. Mas é justamente assim que tudo se encaixa perfeitamente, sem muita masturbação digital, o que permite que a energia bruta da música da banda flua intensa e selvagem. Ou seja, assim as músicas soam vivas aos ouvidos.

Aliás, mesmo com isso, a mixagem e a masterização (esta última feita por Neto Grous no Absolute Studio) deram uma vida e tanto ao trabalho. Soa espontâneo, pesado e de bom gosto.


Arte gráfica/capa:

Indo um pouco no sentido oposto ao que a banda vinha apresentando, a arte de Alex Spike para a capa é bem simples, com poucas cores. Mas isso permite que os fãs foquem sua atenção apenas na música do quarteto (o que é o mais importante).


Destaques musicais:

Paranoia: Esta canção tem uma pegada mais seca e agressiva que remete diretamente ao que se ouve em “A Near Life Experience”. E os vocais estão muito bem, embora o trabalho de baixo e bateria esteja ótimo.

Game Over: Aqui, existem passagens Thrash Metal do final dos anos 80 à lá MEGADETH (mas não tão técnico), mas a adrenalina Rock ‘n’ Roll com um jeitão “motorheadiano” encaixou como uma luva. Refrão de primeira, baixo e bateria desencadeando um peso absurdo na base rítmica, e um solo de guitarras de primeira.

Suffering Myself: Outra em que elementos de Rock ‘n’ Roll sujo dão as caras, em tempos não muito velozes e um refrão grudento como ele só. Os riffs de guitarra estão mais técnicos em alguns pontos, os solos esbanjam melodia mais uma vez, alguns duetos de guitarra à lá NWOBHM e é uma faixa para bater cabeça, pois o torcicolo é o limite (ou não).

High Voltage: E lá vêm eles mostrando de onde vem o lado Rock sujo que se sente no EP. Esse velho clássico do AC/DC ganhou uma vida nova nas mãos deles, mas sem perder sua essência. Ótimos vocais, com baixo e bateria criando um “algo a mais” (as conduções nos dois bumbos e os toques mais técnicos das quatro cordas são exemplos disso). Bon Scott e Malcolm Young devem estar aplaudindo do outro mundo esses pupilos deles.


Conclusão:

A verdade é simples: o WOSLOM tem tudo para ser um dos grandes nomes do Metal brasileiro no exterior, pois já estão em outro nível. Resta apenas desejar-lhes boa sorte, e que “Paranoia” lhes abra as portas (e que saia em versão física, óbvio).


Nota: 96,0/100,0


Paranoia


segunda-feira, 29 de abril de 2019

FUSION BOMB - Concrete Jungle


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Zest of Scorn
2. Knuckleburger
3. Concrete Jungle
4. You're a Cancer to This World
5. Blazing Heat
6. T.M.N.A.
7. Bird of Prey
8. Nyctophobia
9. Slam Tornado
10. I Never Denied (Excel Cover)


Banda:


Miguel “Texasranger” Teixeira Sousa - Guitarras, vocais
Luc “Lanthanoid Lazer-Dazer” Bohr - Guitarras
Michel “Nippel” Remy - Baixo, vocais
Scott “Thrash” Kutting - Bateria


Ficha Técnica:

Fusion Bomb - Produção
Chris “Zeuss” Harris - Mixagem, masterização
Devon Whitehead - Artwork (capa)


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O Metal é, por essência, um rebelde. Nunca se pensa que ele é algo, apenas se aceita que existe um amplo espectro de ideias e pensamentos que permeiam o mesmo. Se você se acha headbanger e ainda não acordou para esta verdade, está no estilo musical errado.

Aliás, a nova geração do Thrash Metal parece estar antenada com a rebeldia e não aceita rótulos, e de Luxemburgo, eis que surge o promissor FUSION BOMB, um quarteto destruidor de ouvidos que chega com seu primeiro “full length”, o esmaga-ossos chamado “Concret Jungle”.


Análise geral:

Musicalmente, o FUSION BOMB rebusca os valores do Thrash Metal/Crossover dos anos 80, só que dando uma modernizada, ganhando uma velocidade e energia absurda em certos momentos. Basicamente, pode-se dizer que eles pertencem à escola de nomes como EXODUS, D.R.I., NUCLEAR ASSAULT e outros do gênero, ou seja, peso, agressividade e uma carga sonora tão agressiva que chega a doer os tímpanos!

Mas diferente de muitos que só clonam o que já foi feito, o quarteto mostra personalidade, destilando uma forma de música envolvente e capaz de causar dores de pescoço crônicas!


FUSION BOMB
Arranjos/composições:

A bem da verdade, os anos de luta no underground ajudaram a polir suas composições. É evidente que não sejam uma banda que foque na técnica, eles sabem criar aqueles arranjos que grudam nos ouvidos e não saem mais. Além disso, calibram muito bem cada refrão, esbanjam melodias bem sacadas e equilibram bastante o peso com a agressividade.

Aliás, é um ciclone de vocais agressivos em timbres normais, riffs e mais riffs excelentes, além de baixo e bateria mostrando uma base rítmica diversificada e pesada. Um deleite aos ouvidos!

Mas não é apenas isso: eles não são de ficar mexendo demais e criando infinitas passagens. Tem horas que são tão diretos que chega a saltar os olhos como conseguem fazer algo tão bom em canções de tão curta duração...


Qualidade sonora:

É algo bem caprichado, pois consegue aliar todos os elementos da Velha Guarda com uma sonoridade moderna e poderosa, mas que não tira a energia crua de suas músicas. Mas isso mostra que não existiram infinitas edições sonoras, muito pelo contrário: parece que só entraram no estúdio, regularam os instrumentos e desceram a lenha sem dó! Mais um trabalho de primeira de Chris “Zeuss” Harris.


Aliás, a escolha dos timbres sonoros foi muito feliz, pois se consegue compreender cada instrumento separadamente.


Arte gráfica/capa:

Quem está acostumado ás velhas capas dos discos de Thrash metal dos anos 80 vai babar nessa. A arte é totalmente retro, um trabalho muito bom de Devon Whitehead.

Capa de “You’re a Cancer to This World”

Destaques musicais:

Rápido e agressivo, mas bem feito e espontâneo, o que se ouve em “Concrete Jungle” é um autêntico ataque de 10 torpedos do mais puro Thrash Metal. E embora o disco inteiro se torne um vício nas primeiras audições, destacam-se:

“Zest of Scorn”: uma canção rica em variações rítmicas, com alternância de velocidade, o que significa que baixo e bateria estão mostrando serviço (além da presença de ótimos backing vocals).

“Concrete Jungle”: mais cadenciada, é outra que a banda mostra sua veia Thrash Metal nos moldes do que é feito na cena de Nova York. E os solos de guitarra são muito bons.

“You’re a Cancer to This World”: Single digital que precedeu o lançamento do disco. Um típico Crossover (inclusive com partes de guitarra que evidenciam isso), com muita agressividade sonora e excelente refrão, e que vai causar polêmica entre os militantes do politicamente correto. Aliás, ótimo isso acontecer, para mostrar que o Metal dispara para cima de tudo e todos!

“T.M.N.A.”: outro Thrash Metal/Hardcore curto e grosso, direto e reto, com ótima alternância entre os timbres vocais agressivos costumeiros e urros guturais. Mas não se enganem: existe boa mudança de tempos nos quase 2 minutos de duração!

“Bird of Prey”: mais lenta e bem trabalhada, é a típica canção para bater cabeça, preenchida por um conjunto de riffs que grudam nos ouvidos e não same mais.

“Slam Tornado”: um coice Crossover bem dado nos tímpanos, com uma energia absurda, bom nível técnico e refrão marcante. Outra em que os vocais e as guitarras mostram excelente forma.

“I Never Denied”: a saideira é uma versão do quarteto para uma velha canção de um dos pioneiros do Crossover norte-americano, o EXCEL, vinda do disco mais famoso deles, “The Joke’s on You” de 1989. E que guitarras!



Conclusão:

Basicamente, o FUSION BOMB é uma das revelações do ano de 2019, mostrando em “Concrete Jungle” que eles estão no mesmo nível criativo que nomes como HAVOK, LAZARUS A.D. e SUICIDAL ANGELS, e que merecem respeito de todos os thrashers.

Além disso, com “You’re a Cancer to This World” (cuja capa está acima) eles mostram que o Metal não é domínio de um discurso político/militante único, não importando o quem quer que seja diga. E isso chama-se liberdade de expressão, logo, acostumem-se à ela.


Nota: 93,0/100,0


You’re a Cancer to This World



Slam Tornado



Spotify