O Brasil tem
por essência a fusão de estilos. É uma forte característica pegar esse ou
aquele estilo e dar uma diferenciada. E mesmo com muitos apenas seguindo a tendência,
outros poucos preferem fazer tudo à sua maneira, e danem-se modelos!
Um desses que
preferem fazer diferente é o quarteto FÚRIA
INC., quarteto sujos integrantes são das cidades de São Paulo e Guarulhos,
e que mostra uma fúria híbrida em “Raw”, seu segundo álbum.
Análise
geral:
Em essência,
o grupo pega o Thrash Metal dos anos 90, enche de influências de Groove Metal e
toques de vertentes mais modernas para criar uma música gordurosa, agressiva,
mas bem trabalhada e cheia de energia.
Mas é preciso
cuidado: a rispidez e brutalidade da música podem deixar os fãs com dores de
pescoço e tímpanos.
Arranjos/composições:
A banda não
chega a criar arranjos muito complexos. Sua preocupação é soar pesado e
agressivo, algumas vezes próximo ao Hardcore moderno (como se percebe nos corais
e andamentos de “Killing Machine”). As canções soam compactas, sólidas e
brutas, mas bem feitas.
Óbvio que fã
de “Chaos
A. D.” e “Vulgar Display of Power” devem amar o disco, pois o jeitão
moderno e grooveado das canções é bastante pegajoso para eles, sendo que o
grupo capricha em seus refrães, sem falar que as melodias agressivas soam muito
bem.
Qualidade
sonora:
“Raw” foi gravado sob a tutela de Wagner Meirinho e Thiago Assolin no estúdio Loud
Factory (SP), tendo as mãos de Brendan
Duffey cuidando da mixagem e masterização na Califórnia (EUA).
Óbvio que
esse esforço todo resultaria em uma qualidade sonora de alto nível, onde todos
os instrumentos podem ser ouvidos sem dificuldades (inclusive com uma timbragem
justa para o trabalho musical do quarteto), mas com aquele jeito azedo e
carregado de grupos modernos.
Arte
gráfica/capa:
A capa de “Raw”
transpira sua essência musical, e mesmo dá idéias subjetivas que remetem ao
nome do disco. Um belo trabalho, mesmo sendo feito em uma forma mais simples
que o usual.
Destaques
musicais:
“Raw” é um murro na cara de pura
agressividade, mas ao mesmo tempo transpira uma aura de cuidado em termos de
criatividade.
Das 9 canções
(já que “Raw” é apenas uma introdução), se destacam a força, peso e
modernidade de “The Endless Void” (há traços que beiram o Metal Industrial,
com ótimos contrastes entre vocais gritados e outros sussurrados), o peso do
Djent aliado à elementos Groove Thrash Metal de “D-Generation”, as
guitarras tecendo ótimos riffs e solo em “Light the Fire”, a simplicidade
pós-Thrash de “Killing Machine” (outra com fortes influências de Metal
Industrial acopladas numa pegada Hardcore), algumas passagens de Melodic Death
Metal modernos que dão um toque de acessibilidade musical a “Private
Fiction” (baixo e bateria exibem ótima pegada nessa canção), e a
intensa “The Knight and the Bishop”. No fundo, o disco inteiro é muito
bom, verdade seja dita.
Conclusão:
O trabalho do
FURIA INC. tende a crescer mais e
mais, e tem um bom público para eles por aqui. E “Raw” é uma ótima pedida!
Por conta da
falta de cultura e mesmo de ensino de alto nível no Brasil, muitos fãs de Metal
tendem a manter posicionamentos extremamente conservadores, não se permitindo
ouvir tendências sonoras modernas. Talvez isso seja a fonte de muitas bandas
Old School do Brasil terem um enfoque tão oitentista que acabam tentando (e não
conseguindo) emular a crueza sonora da época. O caminho não é esse. Isso é
estar em uma caverna ideológica idêntica à da Alegoria da Caverna de Platão.
Raros são os
que, no Brasil, se atrevem a trilhar moldes de vanguarda. Mas eles existem, e
um deles é o quinteto HATEMATTER, de
São Paulo. “Metaphor”, terceiro álbum da banda, atesta isso.
Análise
geral:
Basicamente,
eles são uma banda de Death Metal moderno com a pegada mais melódica e esteticamente
bem cuidada do que conhecesse como “Gothenburg Death Metal”, ou seja, aquele
Death Metal agressivo, mas lapidado com boas melodias, praticado por nomes como
IN FLAMES, SOILWORK, AT THE GATES e DARK TRANQUILLITY em suas fases mais
iniciais. Mas calma lá: o quinteto vai além disso, pois tem personalidade
própria.
Ou seja, a
música do quinteto é tecnicamente bem feita, solda e pesada, onde o balanço
entre melodias e agressividade está ótimo. A energia que flui das canções é
absurda!
Arranjos/composições:
Na linha das
bandas citadas, é fácil encontrar contrastes entre vocais rasgados, guturais e
limpos, bem como entre momentos limpos e introspectivos com rispidez desmedida.
Tudo isso com ritmos que se alternam bastante, boa diversidade técnica, e mesmo
partes tribais aparecem (como em “Blackout Afterglow”).
É
interessante ver como a energia que flui desse disco é algo abusivo, e pode causar
dor nos tímpanos dos menos acostumados. Aliás, a capacidade da banda arranjar
suas canções de forma consensual, bem como de criar ótimas melodias e momentos
pegajosos é algo incrível!
Qualidade
sonora:
“Metaphor” foi gravado no Brasil, sendo que tudo
foi feito no estúdio Casanegra, sob
a supervisão de Rafael Augusto Lopes.
A Produção, mixagem e masterização (feitas nos EUA) são de Brendan Duffey. Desta forma, a banda recebeu uma qualidade sonora
perfeita para que sua música soe viva e agressiva, unindo peso, melodia e
agressividade em um formato moderno e coeso.
A timbragem
dos instrumentos ficou excelente, de uma forma que tudo pode ser compreendido,
mas as guitarras e baixo fugiram daqueles tons gordurosos que muitas bandas
mais modernas utilizam. Por isso, está distante sonoramente do New Metal (este
autor se recusa a escrever errado) e do Metalcore.
Arte
gráfica/capa:
A capa possui
um design até simples, mas que permite muitas interpretações diferentes. Fica
óbvio que a temática das letras do quinteto lida com temas de um futuro
distópico e claustrofóbico, como o visto em livros e filmes como “Blade
Runner” (1982). Papo cabeça profundo e mostrando algo que tanto anda em
falta ao povo de nosso país: maior profundidade cultural.
Destaques
musicais:
Pode-se dizer
que “Metaphor”
é um disco corajoso, justamente por ousar fazer aquilo que muitos têm receio de
fazer. E justamente por isso é tão bom, soa tão bem aos ouvidos.
“Flow” é uma introdução com teclados e cordas,
preparando o ouvinte para o “blend” de melodias e agressividade de “Before
the Plunge”, cheia de energia e partes empolgantes (os contrastes de
tons vocais são excelentes, do normal ao rasgado, e depois urros guturais). Belas
melodias introspectivas se misturam a uma ambientação agressiva moderna para
criar a forte “They Arrive” (baixo e bateria mostram uma ótima técnica e peso,
sem deixar de falar nos solos de guitarras, que andam caindo em desuso, e nos
belos vocais femininos). “Tears in Rain” é outra introdução claustrofóbica
para abrir alas para “At Tannhauser Gates”, que também mistura
agressividade com tempos melodiosos e variados, e uma exibição de gala das
guitarras em riffs excelentes (e em belíssimas partes limpas, além dos solos de
primeira), e “Nexus 9” (outra introdução) fecha a trilogia conceitual do
álbum. “Blackout Afterglow” é uma faixa moderna e com melodias bem
maduras, e onde mais uma vez, a base rítmica se destaca. Em “A
Bitter Taste”, tem-se a canção mais moderna e próxima ao Melodic Death
Metal sueco atual, mais ainda assim, agressiva ao ponto de causar incômodo aos
ouvidos cheios de bolor ou metidos à vanguarda. “The Wasteland” (mais uma
intro) precede “Fury Road”, que apesar de uma sonoridade Melodic Death Metal,
remete o ouvinte diretamente aos primórdios do Swedish Death Metal clássico por
conta da pegada hardcorizada empolgante, mas sem deixar de ter solos melodiosos
bem encaixados, e esses mesmos elementos são encontrados em “The
Agonizing Wail” e “The Burning Dogma” (esta última com
alguns tempos mais complexos que a média do disco, e algumas partes bem
bate-estacas). E fechando, a bruta e pegajosa “Scourge of the Earth”,
com belas linhas melódicas e mais uma vez, com “inserts” de vocais femininos
providenciais.
É o típico
disco para se ouvir a aproveitar a exibição de gala.
Conclusão:
O HATEMATTER é a prova que se pode fazer
algo diferente e moderno no Brasil em termos de Death Metal, e “Metaphor”
mostra-se um disco ótimo, inteligente e refinado. Um dos grandes discos
nacionais desse ano!
A guerra é um
tema fascinante de ser estudado, e muitas vezes, é o foco de algum autor.
O filósofo
chinês Sun Tzu (544 a.C. - 496 a.C.,
que também era general e estrategista) é famoso por seu livro “A
Arte da Guerra”, um manual de estratégia que é utilizado em vários
campos nos dias de hoje (especialmente nos ramos da economia e administração
(mesmo na política, embora neste, a maioria prefira “O Príncipe”, de Maquiavel). É tão seminal que “a
suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”.
Nisso, sempre
trazendo a história das guerras e batalhas, o SABATON cunhou para si um nicho especial, e é um dos grupos mais
bem estabelecidos da atualidade. E pode-se dizer que esse crescimento se
acentua a partir de 2008, quando lançam “The Art of War”, que agora é
relançado como “The Art of War (Re-Armed)”, e que a Shinigami Records em conjunto com a Nuclear Blast Brasil lançam aqui.
Análise
geral:
Até aqui, o SABATON se mostrava uma banda
promissora, fazendo um misto de Heavy/Power Metal com aspectos épicos (muito
disso graças às ambientações criadas pelos teclados). Mas mesmo sem mudar muito
seu estilo de disco para disco, o crescendo em termos de qualidade foi
sensível. É aqui que o grupo começa a ser o que conhecemos hoje.
Em “The
Art of War (Re-Armed)” tem-se um disco fantástico, criativo, e cheio de
beleza e peso.
E ainda
melhorado por conta das faixas extras!
Arranjos/composições:
O então sexteto
(que ainda contava com um tecladista fixo) realmente caprichou em termos de
composição, aparando arestas e usando arranjos que realmente se encaixam uns
nos outros de maneira magistral.
No que tange às
melodias, é fato que o grupo aposta em algo mais simples e direto, embora
sempre embelezado com partes épicas de primeira, tudo dando uma ambientação perfeita
para as letras do grupo (e por falar nisso, existem narrativas abrindo cada
canção, todas elas com frases de “A Arte da Guerra”).
Isso sem
mencionar o cuidado estético quando o quesito é refrão: nenhum dos que são
apresentados no disco é descartável, ou não grudam na memória dos ouvintes.
Aliás, verdade seja dita: os corais e ambientações fizeram o grupo soar ainda
mais épico, mais sem que seu peso melodioso seja alterado.
Qualidade
sonora:
Neste disco,
a banda preferiu ter um co-produtor ao lado de Tommy Tägtgren, o irmão Peter
(sim, produtor e guitarrista/vocalista do HYPOCRISY).
Ambos trabalharam com a produção, gravação e mixagem do álbum tendo Erik Broheden na masterização.
Resultado:
uma sonoridade limpa e bem cuidada, garantindo que o ouvinte possa compreender
e assimilar tudo mais facilmente. Mas tudo sempre com um peso mamutesco e a
dose correta de agressividade. Além disso, a timbragem dos instrumentos ficou
de alto nível. Nisso, pode-se dizer que é o disco mais bem acabado do grupo.
Arte
gráfica/capa:
A capa e a
arte do encarte são do brasileiro Jobert
Mello, da Sledgehammer Graphix. E
o trabalho artístico é excelente, de alto nível, inclusive com uma diagramação
muito bonita.
Destaques
musicais:
É agora que
começa a complicação...
“The Art of War”, mesmo em sua versão original, já é
um disco sólido e homogêneo em termos de qualidade musical, e essa versão torna
tudo ainda melhor.
Após a curta
introdução “Sun Tzu Says” (que serve para aclimatar o ouvinte), vem um dos
hinos do grupo, a clássica “Ghost Division” (uma canção
poderosa, com ótimos teclados, uma linha melódica pegajosa, e vocais ótimos;
não é por acaso que a banda abre seus shows justamente com ela), que narra a
proeza da 7ª Divisão Panzer da Alemanha durante a invasão da Bélgica e França,
onde as tropas, sob comando de Von
Rommel (a Raposa do Deserto) consegui avançar 240 km em 24 horas, o que fez
a comunicação com eles cessar (e por isso, “Divisão Fantasma”). Na sequência, a
lenta e climática “The Art of War”, recheada de teclados marcantes, ótimas
guitarras e refrão grandioso (e cuja letra é centrada no capítulo 3 de “A Arte
da Guerra”). Mais cheia de energia e um típico Heavy/Power Metal com
ritmo cativante é “40:1”, o que faz baixo e bateria mostrarem sua força e solidez
(na letra, a luta desigual na Batalha de Wizna, onde 720 soldados poloneses,
liderados por Władysław Raginis,
enfrentaram 40000 soldados nazistas entre 7 e 10 de Agosto de 1939, durante a
Invasão da Polônia; ou seja, eram 40 para 1). Cadenciada e opressiva é “Unbreakable”,
adornada com ótimas partes de teclados (outra letra desenvolvendo temas de “A Arte
da Guerra”). Outra introdução vem em “The Nature of Warfare”
(mais uma vez, uma citação a “A Arte da Guerra”), que precede a
forte e pesada “Cliffs of Gallipoli”, cheia de guitarras ótimas que se mesclam
a teclados, pianos e corais grandiosos (cujo tema fala sobre a encarniçada
Batalha de Gallipoli, na Primeira Guerra Mundial), e com alguns momentos mais suaves e limpos. Já apostando em um enfoque
tradicional em termos de Heavy/Power Metal vem “Talvisota”, novamente
com vocais ótimos e lindo solo de teclado (Tema: a Guerra de Inverno entre a
Finlândia e a União Soviética, entre 1939 e 1940). “Panzerkampf” é outra com
ritmo mais cadenciado e mesmo tribal, embora com boa dose de agressividade (Tema:
a Batalha de Kursk, onde o exército soviético começa a ter a ofensiva contra a
Wehrmacht). Em “Union(Slopes of St.
Benedict)”, é outro murro Heavy/Power Metal nos ouvidos, com corais e
base rítmica em ótima forma (Tema: a Batalha de Monte Cassino, Campanha da
Itália). Novamente evocando uma climática perfeita com teclados e base rítmica
contrastando com os vocais em uma ambientação mais sotuna, vem “The
Price of a Mile” (que lembra as pessoas da Terceira Batalha de Ypres ou
Batalha de Batalha de Paschendale na Primeira Guerra Mundial e seus quase seis
meses de atrocidades e mortes). “Firestorm” é veloz e ganchuda,
providenciando um momento mais forte e agressivo, mas elegante (e as letras
falam sobre os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, uma estratégia que visava
não só destruir, mas aterrorizar os adversários). E “A Secret” é uma outro,
cuja narrativa de “A Arte da Guerra” deixa claro que uma Guerra se encerra, mas
outras virão. Esse é o conteúdo do disco original, que dá vontade de começar a
audição do disco todo novamente.
Mas como
dito, existem versões em “The Art of War (Re-Armed)”, e lá
vem a divertida e ótima “Swedish Pagans” (cujo tema é focado
nas raízes Viking/Pagãs dos suecos), e que backing vocals intensos. A atmosférica
e bruta “Glorious Land” já mostra guitarras mais evidentes e abrasivas,
sem perder-se a ambientação melódica. Ainda temos a versão Demo (e por isso,
mais crua) de “Art of War”, além da banda tocando “Swedish National Anthem”,
o hino de sua terra Natal (a Suécia) no Live
at Sweden Rock Festival.
Basicamente, “The
Art of War (Re-Armed)” é mais um assalto da artilharia peso-pesada do SABATON.
Conclusão:
A verdade
seja dita: “The Art of War (Re-Armed)” vem não só para os fãs da banda que
não conseguiam mais achar o disco, mas também provar que o SABATON tem crescido não como acaso ou modismo, mas que é fruto de
um trabalho ótimo e sério de muitos anos.
Que essa
Divisão sueca do Metal continue em sua ofensiva por muitos anos!
O ano de 1997
viu a chegada de um novo jeito de se fazer Metal extremo.
Das frias
terras da Finlândia, um quinteto insano se atrevia a fazer uma mistura que, nas
palavras do sábio do Metal e grande amigo Fernando
Folena, fazia o cruzamento entre KREATOR
e YNGWIE MALMSTEEN. A banda se
atreveu realmente a fundir o Metal extremo de bandas de Death Metal e Thrash
Metal com melodias extremamente bem feitas e com algo de neoclássico.
Sim, essa
banda é o quinteto CHILDREN OF BODOM,
que sempre causa reações “ame ou odeie” no cenário. Hoje, 22 anos depois, eis
que eles chegam a seu décimo disco, “Hexed”, lançado no Brasil pela
parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil.
Mas resta a
pergunta: é um bom disco?
Análise
geral:
A resposta
não chega a ser subjetiva.
O estilo da
banda sempre foi isso: uma forma muito trabalhada (até virtuosa) de fundir
elementos de Melodic Death Metal com Speed Metal e Power Metal, além de jogarem
elementos de Black Metal, Metal tradicional e outros em um caldeirão
efervescente. O que muda em “Hexed” em relação a seus
antecessores é a abordagem.
Ele soa mais
maduro e centrado, e em alguns pontos, até mais direto. De fato, as melodias da
banda estão bem mais sólidas, mas quando eles resolvem soar agressivos, é bruto
de doer os ouvidos.
Ou seja: é
mais um disco ótimo da banda. A maior mudança na banda é na formação: o
guitarrista Roope Latvala saiu, e em
seu lugar entrou Daniel Freyberg,
ex-NORTHER,
e sendo que é apenas a segunda em 22 anos de história. Por isso o CHILDREN OF BODOM soa tão compacto.
A resposta é
simples: “Hexed” é mais um ótimo disco do quinteto.
Arranjos/composições:
Chega a ser
bem difícil falar nos arranjos do grupo.
Técnica e
minimalismo se aliam o tempo todo, as mudanças de ritmo podem acontecer a
qualquer instante, mas o peso e agressividade são constantes. Mas basta dizer
que a experiência fez com que o nível técnico desse uma diminuída em relação ao
passado (mesmo ainda sendo algo longe de ser trivial), e a banda ganha em
melodias que são rascantes, mas sempre extremamente pegajosas. E os vocais
ficaram muito bons, em timbres um pouco mais graves e robustos.
Basicamente:
o trabalho musical em “Hexed” pode ser definido como “caos
controlado e temperado com sabedoria”, e isso se traduz em todos os arranjos,
sendo que cada momento é fascinante aos ouvidos.
Qualidade
sonora:
Como em time
que está ganhando não se mexe, Mikko
Karmila mais uma vez produziu e mixou um disco do quinteto, tendo Mika Jussila na masterização (outro
veterano que trabalha com eles há um tempinho). Basicamente, a sonoridade que o
grupo precisa deve ser híbrida, balanceando entre agressividade e limpeza, o
que conseguiram: “Hexed” soa bruto e pesado o tempo todo, mas sempre
extremamente limpo e bem definido.
E como a
timbragem está perfeita, e assim, todos os instrumentos soam claros e pesados, e
possibilitando que as melodias dos teclados possam aparecer bastante.
Arte
gráfica/capa:
Denis Forkas criou uma arte para a capa que é
simples em termos de cores (apenas tons de roxo e branco foram usados), mas
cujo desenho (a mesma forma do Ceifeiro que se conhece desde o primeiro disco
deles) está mais sinistro, real, e dando uma ambientação visual agressiva ao
disco. Ou seja, o objetivo foi alcançado com sucesso.
CHILDREN OF BODOM ao vivo
Destaques
musicais:
O CHILDREN OF BODOM fez de “Hexed”
um disco de alto nível, com uma distribuição de qualidade entre as faixas bem
homogênea. Assim, fica difícil deixar esta ou aquela canção de fora.
“This Road” é uma canção com uma assinatura do
grupo, ou seja, uma mistura de belas melodias, guitarras intrincadas e base rítmica
sólida. Algumas melodias mais acessíveis típicas do Metal finlandês surgem em “Under
Grass and Clover” (que ótimas guitarras, o que não é uma novidade
quando se trata do CoB) e em “Glass
Houses” (esta um pouco mais tecnicamente rebuscada, mas rascante de
grudenta, e que ótimas partes de teclados). Um andamento mais lento e pesado
privilegia as linhas de teclados em “Hecate’s Nightmare”, além disso, os
solos de guitarra e as conduções de baixo e bateria ficaram excelentes. Já
veloz e bem mais rascante é “Kick in a Spleen”, com uma pegada um
pouco mais reta, uma canção feita para moshpits. Em “Platitudes and Barren
Words”, apesar do toque de melancholia em alguns riffs, tem uma estrutura de
guitarras e teclados que remetem diretamente à fase “Something Wild”/“Hatebreeder”,
com um toque de Hard Rock em alguns momentos. Ainda mais “Old School” em termos
de CoB em seus momentos mais agressivos
é “Hexed”,
onde as partes de teclados neoclássicos se entremeiam com riffs brutais e base
rítmica à lá britadeira. Outra que vai lá no passado em termos de linhas
harmônicas e vocais é “Relapse (The Nature of My Crime)”
(e que solos de guitarras!). Outra que busca certa simplicidade é “Say
Never Look Back”, quase como se o MOTÖRHEAD
estivesse tocando Power Metal, ou seja, há um toque se Rock sujo, mas sem
deixar de ter técnica e harmonias de primeira. Certa melancolia permeia os
arranjos melodiosos e pegajosos de “Soon Departed”, que nem possui toda
a complexidade técnica que os fãs do grupo estão acostumados. E “Knuckleduster”
vem fechar o disco, com uma participação mais efetiva dos teclados, solos
técnicos e um andamento sólido e coeso. E assim, o grupo se mostra forte e
vigoroso para os tempos atuais.
A versão
nacional ainda tem de bônus as versões ao vivo de “I Worship Chaos” e “Morrigan”,
duas pancadas amassa-crânios que ficam ainda mais intensas nesse formato. E uma
versão remixada e Industrial de “Knuckleduster” surge e pode assustar os mais
puritanos, mas é comum de ver algo do tipo na Europa.
Se aguentou o
massacre até aqui, agora sabe do poder de fogo de “Hexed”.
Conclusão:
Mais
propriamente, pode-se dizer que o CHILDREN
OF BODOM veio com tudo em “Hexed”, sem abrir mão do que é,
revendo algumas velhas lições, e traçando metas para o futuro.