Infelizmente, esta data representa uma grande perda para o Metal brasileiro: o guitarrista Fabiano Penna, do REBAELLIUN, veio a falecer, devido à uma infecção generalizada.
Além do REBAELLIUN, Fabiano ainda era produtor musical, bem como teve passagem por bandas como THE ORDHER e HORNED GOD.
Acreditamos que nada termina aqui, logo, queremos agradecer pela enorme oportunidade de poder ter conhecido Fabiano, ter conversado e partilhado idéias. A amizade é para sempre, o amor não vai parar aqui.
Apresentamos nossos votos de pesar a familiares, amigos e todos que puderam ter contato com essa pessoa maravilhosa, que vai fazer falta, e que agora descansa em paz...
Obrigado, meu amigo, meu irmão, e que sua música continue a nos alegrar até o dia em que nos encontremos de novo...
Quando uma banda qualquer se torna auto-sustentável (ou
seja, são aquelas que já conseguem sustentar financeiramente a si mesmas e seus
músicos com seus trabalhos), é de se esperar que todos os discos lançados após
seu crescimento sejam aguardados ansiosamente por fãs e detratores. Nomes
grandes como o do DIMMU BORGIR
sempre criam expectativas. E após 8 anos desde “Abrahadabra”, o grupo enfim volta com algo inédito de estúdio para
seus fãs, O Single “Interdimensional
Summit”, que precede “Eonian”,
novo álbum previsto para 04 de Maio vindouro.
O que podemos falar sobre este Single, lançado para
esquentar as coisas?
O que se nota logo de cara é que a banda deu seqüência ao
que fez musicalmente em “Abrahadabra”.
A proposta não mudou: a fusão de elementos agressivos do Black Metal com
orquestrações grandiosas e corais é a mesma. Mas há uma diferença: a banda
reforçou o lado melodioso de sua música, bem como fizeram nada muito
tecnicamente complicado. No fundo, esta simplicidade é algo que não fazem desde
a época de “Enthrone Darkness Triumphant”.
Dessa forma, a idéia é de que o DIMMU
BORGIR parece disposto a continuar com seu trabalho com orquestras e
corais, mas buscando algo mais simples em termos técnicos. E isso mostra valor,
já que o lado agressivo de sua música ainda está ali.
Sonoramente, este Single nos mostra uma sonoridade pesada e
densa, mas mais uma vez, de qualidade inegável. O grupo há anos não abre mão de
ter uma qualidade sonora perfeita em seus trabalhos. E não deve ter sido
simples, pois misturar tantos elementos de uma vez nunca é muito simples, mas
conseguiram, pois tudo está perfeitamente audível.
Diferentemente de “Abrahadabra”,
onde a banda parecia muito mecanizada, desta vez, eles mostram maior fluidez e
espontaneidade. Talvez a simplificada no som e a ausência de estresses e
pressões (algo que em 2010 foi comum, pois a saída de Mustis e Vortex foi
traumática) tenha feito muito bem à banda. Mas se repararem, há muito detalhes
interessantes que uma simples ouvida não nos permite perceber.
Uma das músicas do Single é a já conhecida “Puritania”, gravada ao vivo em Oslo
(provavelmente, vinda do DVD “Forces of
the Northern Night”). Mas “Interdimensional
Summit” é a inédita. Cheia de teclados e muitas orquestrações, existem
arranjos e mudanças de ritmo ótimas, os vocais continuam com sua ótima variação
entre timbres rasgados e guturais (além de momentos narrativos), a bateria
mostra peso (embora não mostre técnica exacerbada), as guitarras estão ótimas
em seus riffs (e o solo está ótimo, nada complicado, mas bem melodioso), o
baixo dá peso (pelo que se sabe, Shagrath,
Silenoz e Galder se alternaram
nas gravações do instrumento). As orquestrações e corais encaixaram bem, e mais
uma vez, a banda mostra um refrão que se ouve e não se esquece mais, além de
melodias simples e envolventes.
Óbvio que nem todos gostaram dessa roupagem que a banda mostra
em “Interdimensional Summit”.
Direito de todos, mas a verdade é simples: o grupo não dá crédito aos
detratores. Nem precisam, pois fazem o estilo que eles mesmos criaram para si,
e como dito acima, creio que muitos não se lembram dos teclados e lindas
harmonias do clássico “Enthrone Darkness
Triumphant”.
No mais, este Single coloca água na boca dos fãs. E que “Eonian” venha logo!
A potencialidade do Metal brasileiro já deixou de ser uma
simples idealização. Há anos, com o avanço tecnológico e a profissionalização
de produtores musicais, as bandas nacionais têm mostrado as garras, fazendo
discos cada vez melhores. Em termos que qualidade, o Brasil já não está
distante do que é feito fora de nosso país. E nisso, as bandas consegue atingir
um nível musical melhor. Uma ouvidinha em “Pesadelo”,
novo trabalho do quarteto LOCKFIST 669,
de São José dos Campos (SP), ilustra o que este autor quer dizer.
Com um trabalho pesado e agressivo de causar dores nos
ouvidos, o quarteto foca suas energias em fazer Thrash Metal com uma pegada
moderna próxima ao Death Metal. Óbvio que essa fórmula musical não chega a ser
uma novidade, mas a abordagem deles deixa tudo mais bruto, com um impacto
sonoro enorme. Além disso, a banda cria arranjos musicais de primeira, que
encaixam perfeitamente uns nos outros.
Preparem os ouvidos e o pescoço!
Podemos dizer que grande parte do impacto descrito acima vem
da produção musical. A sonoridade de “Pesadelo” é cheia e carregada, ou seja, a
banda escolheu timbres graves e intensos para os instrumentos, criando a
impressão de uma muralha de som. Mas ao mesmo tempo, em termos de clareza, tudo
está de primeira, bem definido, e o ouvinte não terá dificuldades em
compreender o que eles tocam. Além disso, a masterização deu um “punch” a mais no som. E que arte gráfica!
Os 13 anos de lutas no underground moldaram o LOCKFIST 669 de
uma maneira que observemos uma banda evoluída e enxuta, que sabe criar uma
música bem arranjada e violenta, bem feita, mas com muita energia e espontaneidade.
Além disso, “Pesadelo” é um
autêntico murro nos ouvidos!
“Shall
Not Murder” é um Thrash/Death Metal moderno e cheio de agressividade
envolvente, com guitarras cuspindo riffs ganchudos. O andamento mais trabalhado
de “The Problem Of Evil” vem para
conquistar muitos fãs (os momentos mais lentos são cativantes, especialmente
porque baixo e bateria mostram uma técnica muito boa). O peso grooveado e cheio
de ritmos quebrados de “Silencer” é
empolgante, mostrando um refrão muito bom (e esses vocais gritados encaixaram
como uma luva). Cadência e uma ambientação densa é o que temos em “Dominion”, uma faixa de muita energia
e peso. Essas são os destaques do disco, mas não dá para não falar da versão rasgada
e pesada que eles fizeram para “Igreja”,
do TITÃS, que tem a participação
especial de Friggi Madbeats, do CHAOS SYNOPSIS (e produtor do disco),
que tocou bateria.
O LOCKFIST 669 é
um bom nome do cenário nacional, e “Pesadelo”
merece uma ouvida atenta da parte de todos os fãs de Thrash Metal.
Há dias em que este autor para e reflete: em mais de 30 anos
dedicados ao Metal, poucas vezes vi um momento tão ruim em termos de
mentalidade dentro do cenário.
A mentalidade atual é destrutiva, quase que orientada à automutilação,
à destruição interna de cada um de nós. Sinceramente, já está cansativo ver as
repetições das fábulas à lá “Dungeons
& Dragons” e mitologia de J. R.
R. Tolkien, os temas de críticas sociais (que muitas vezes possuem uma
orientação política, e o homem em si é deixado de lado), ou a infantilidade do
paganismo/satanismo que muitos teimam (sinceramente, falar nesse tipo de coisa é
admitir que não tem mais o que dizer).
Onde foi parar a força positiva que sentíamos nos anos 80 e
90? E quando foi que o Metal virou um velho senil que repete a mesma ladainha
chata? Onde foram parar as criticas legais e bem feitas de bandas como RUNNING WILD, HELLOWEEN e GAMMA RAY (pois Kai Hansen sempre teve um alto astral que transpirava em suas
músicas e letras)? Se não fossem nomes como GOJIRA, e alguns poucos, que realmente têm algo construtivo a
dizer, o Metal já estaria usando um Papa Nicolau há anos. E no Brasil, há um
representante digno dessa positividade construtiva: o trio KAMALA, de Campinas (SP). E dois anos após “Mantra”, e precedido pelo ótimo EP “Consequences Of Our Past - Vol 1”, eles nos brindam com mais um
discão: “Eyes of Creation”.
A banda teve uma mudança na formação: saiu o baterista Estevan Furlan, e em seu lugar, entrou Isabela Moraes, que manteve a pegada Thrasher da banda intacta. E musicalmente, o KAMALA está mais amadurecido, com uma
agressividade mais enxuta (como se pode ouvir em “Fractal” e “The Seven
Deadly Chakras”) e uma noção melodiosa bem mais apurada. Óbvio que a
brutalidade da banda diminuiu, mas esse lado mais encorpado é mais uma bela face
da musicalidade do trabalho deles que é exposta. O trabalho técnico continua
vibrante, mas emoldurada por aquilo que cada música pede. Não há excessos, mas
ao mesmo tempo, não é algo simplório.
Traduzindo: “Eyes of
Creation” é um passo adiante, olhando para o futuro de cabeça erguida e
olhos abertos.
A sonoridade do disco ficou bem mais seca e direta, com
timbres instrumentais mais bem definidos. Tudo para que as músicas soem claras
e compreensíveis aos nossos ouvidos, ao mesmo tempo em que as melodias ficaram evidenciadas.
Mas mesmo assim, há um toque “alive”, já que durante os solos, não existem
linhas de guitarra base sob eles. Um trabalho ótimo, digamos de passagem. E a
arte é muito bonita, com tons não comuns na capa, e uma diagramação inteligente
no encarte.
Se “Mantra” é um
disco brutal e com muitos toques de Death Metal, “Eyes of Creation” é mais espontâneo, melodioso e burilado. Os
refrões são de assimilação fácil (mesmo em um formato musical tão agressivo), e
existem toques experimentais e diferenciados, como a participação de harpas (em
“Internal Peace”), mais uma vez o
som de didgeridoo é ouvido (em “Purpose
in Life”). Partes acústicas também enriquecem o disco, logo, se preparem,
pois o KAMALA está com fome de fazer
música!
Nove torpedos compõem o repertório de “Eyes of Creation”, todas com suas belezas e particularidades.
O começo de “Internal
Peace” é suave, com guitarras acústicas melodiosas, mas logo vem toda fúria
Thrasher do trio, com tempos excelentes, refrão grudento e um trabalho muito
bom de baixo e bateria. Já usando de um “insight” um pouquinho mais técnico,
temos “Stay With Me”, com ótimos
tempos e riffs (daqueles cheios de groove moderno). E falando em modernidade, “Open Door” mostra uma ambientação mais
abrasiva, e com excelente trabalho dos vocais (os dois vocais ficaram bem
encaixados, complementando um ao outro em um contraste muito agressivo). Já em “Something to Learn”, temos algumas
passagens mais acessíveis, vindas de influências mais melódicas do grupo, e que
encaixaram como uma luva no trabalho da banda. O som de didgeridoo é ouvido no
início de “Purpose in Life”, outra
em que o peso se baseia em um andamento denso e pesado (reparem como as
narrativas com efeitos reforçam o peso azedo da canção). Melodias cheias de
groove e transpirando modernidade são os elementos da ótima “Believe” (outra com um trabalho
excelente de baixo e bateria), os mesmos elementos que permeiam “Deep Breath” (onde se ouvem partes
experimentais, e a bateria é tocada por Marcus
Dotta). Mesmo mostrando uma agressividade rasgada e evidente, “Eyes of Creation” é outra canção onde
melodias acessíveis aparecem, e são daquelas que qualquer fã de Metal pode
assimilar facilmente. E fechando, cheia de melodias mais introspectivas, e com uma
ambientação densa, temos “Wake Up”, o
perfeito encontro de linhas melódicas bem estruturadas e um toque de
agressividade moderna (reparem bem nas guitarras e vocais). E por trás de cada uma das músicas, letras que visam construir, protestar, mas sempre com uma ótima positiva.
Em “Eyes of Creation”,
o KAMALA mostra que é mais uma banda
cuja música não cabe mais no Brasil. E a banda já se prepara para mais um giro
pelo Velho Continente!
Algumas vezes, discos não recebem a devida atenção do
público quando são lançados. Isso se dá tanto pela avalanche de lançamentos de
discos em um dado estilo que esteja em evidência (as famosas “modas” no Metal),
tanto pelo descaso dos bangers (algo que pode ter n! motivos). Alguns
relançamentos até merecem ser feitos, e o de “Second Act: Pain”, do quarteto paulista TENEBRÁRIO é um deles.
Veterano com 21 anos de Metal e underground nas costas, o
quarteto foca suas energias criativas no bom e velho Metal tradicional, só que
com uma pegada agressiva que mostra certo toque de Thrash Metal. Isso os torna
bem diferentes de alguns clones que andam por aí. Muito peso e energia, com
boas linhas melódicas e uma técnica instrumental sóbria, esse relançamento
mostra uma banda que pode render mais, e assim, dar muito ao cenário nacional.
A produção é crua e direta, mas sem que se perca a noção de peso,
melodia e clareza necessárias. Óbvio que algumas reclamações podem acontecer,
mas lembrando: esse disco é um relançamento (o original é de 2006), logo, de lá
para cá as condições melhoraram muito. E mesmo assim, está muito boa, e atinge
seu propósito.
Mesmo sem mostrar algo novo, a essência musical do trabalho
do TENEBRÁRIO mostra uma energia
intensa, além de um trabalho bem personalizado. Tudo soa pesado, bem feito, e
com ótimos arranjos. Nem parece um disco com 12 anos de idade, para ser
sincero.
A longa e pesada “The
Thousand Faces in the Mirror” e suas belas harmonias (e que trabalho ótimo
das guitarras, com ótimas bases e solos muito bons), a energia crua que flui de
“There Are Somethings That Never” (os
vocais e os backing vocals estão ótimos), o andamento mais simples e forte de “God Symphony” (uma faixa bem pesada,
e a dinâmica entre baixo e bateria está ótima), as sinuosas melodias de “The Other Mountain Dweller” (esse
vocais com timbres à lá Hanshi Kürsh
realmente impressionam), a pegada pesada e ganchuda de “Sacred Mask” são os
melhores momentos de “Second Act: Pain”.
E de bônus, temos “Wickedness on Eyes My
Dreams” e “Spirits Obscure Forest”,
vindas diretamente da Demo Tape “Tenebrário”,
de 1997, com uma qualidade sonora crua (algo comum na época), um resgate dos
tempos iniciais do quarteto.
Sim, realmente vale a pena ouvir “Second Act: Pain” nos dias de hoje, mas como a banda está na
ativa, esperamos algo novo deles para breve.
Ainda nos anos 90, quando a Second Wave of Black Metal
começou a deixar as profundezas dos porões do underground de Oslo, Bergen, Copenhagen,
Atenas e outras cidades, vários subgêneros do mesmo foram surgindo. E talvez o
mais underground deles todos seja o Depressive Black Metal. Poucos se aventuram
por ele, e até mesmo são raras as bandas que trilham seus caminhos. No Brasil,
há alguns representantes, sendo um dos mais conhecidos o LAMÚRIA ABISSAL, do Rio de Janeiro. E eis que temos em mãos o EP “Passagem Para o Além Abismo”, de 2016.
Para início de conversa, o Depressive Black Metal é focado
em ambientações soturnas, com tempos lentos e muitas vezes, o uso de teclados
reforça a aura melancólica e introspectiva do gênero. Nisso, o dueto sabe usar
bem esses elementos, mas indo além, pois usam um trabalho bem feito de
guitarras, baixo e bateria dão o peso necessário, e bons contrastes entre
vocais rasgados e outros mais agonizantes. Percebe-se claramente que a banda
evoluiu em relação aos seus primeiros trabalhos, ficando mais diversificada em
termos de variações de ritmo, inclusive porque algumas de suas canções são bem
grandes. E digamos de passagem: esses dois entendem muito bem do que estão
fazendo.
Em termos de sonoridade, o grupo conseguiu associar uma boa
dose de clareza à sujeira crua que é uma das características do Depressive
Black Metal. Tudo pode ser compreendido sem grandes esforços, os timbres
instrumentais são muito bons, e tudo está em seu devido lugar.
Com letras em português e muita disposição, o LAMÚRIA ABISSAL é uma banda bem
articulada e sabe usar de sua experiência para pegar o gênero e expandir
fronteiras. Mesmo os fãs puritanos de Black Metal terão que tirar o chapéu para
o trabalho deles, pois como arranjam bem suas músicas.
E se preparem, pois as cinco canções de “Passagem Para o Além Abismo” são autênticas viagens por um mundo
obscuro, melancólico e agressivo. O peso opressivo de “Estupor de Viver” é suave e introspectivo, permeado por vocais
agonizantes bem colocados. Em “Orquídea
Sangrenta”, temos o contraste entre vocais rasgados e riffs agressivos com
teclados fúnebres; e a canção em si tem um jeito simples, mas envolvente. Um
pouco mais voltada ao Black Metal tradicional da SWOBM é “Lavrando Defuntos”, com suas boas mudanças de ritmo. Ainda com muitas
variações rítmicas (reparem no uso dos bumbos duplos) e ótimas guitarras, “Solidão” retoma o lado mais
introspectivo e denso da música da dupla (e pode se sentir até uns toques
melodiosos vindos do Heavy Metal Tracional em algumas partes). E “Eternal Beauty of Trees” é uma versão
da banda para uma canção do extinto grupo chileno de Folk/Doom Metal UARAL, que está soando totalmente melancólica,
apesar de várias partes mais agressivas.
Se eles já mostravam esse nível em 2016, mal posso esperar
para apreciar “Eterno Outono da Alma”,
disco mais recente deles.
Alguns nomes pequenos dentro do cenário underground são,
muitas vezes, mais promissores que gigantes cuja energia e vontade de fazer
música em alto nível parece ter se apagado. Isso vem da energia da juventude de
uma banda, justamente em um momento em que a renovação se faz necessária. E um
nome muito bom dessa nova geração é o DAMAGEWAR,
trio de São Paulo (SP) que acaba de liberar seu segundo trabalho, um EP digital
chamado “Dead Skin Devourer”.
Rotular o trabalho da banda meramente como Death/Thrash
Metal é ser muito simplista. Há muito da vibração HC, toques de Groove e mesmo
algumas mínimas influências modernas aqui e ali. E sim, eles têm muita
personalidade na abordagem de seu estilo, uma energia brutal e envolvente, com
bons arranjos e uma música agressiva até os dentes, mas bem construída em
termos de harmonias.
A banda fez uma boa produção em termos sonoros. Tudo soa bruto
e opressivo, seja nos momentos mais velozes ou nos mais cadenciados, mas sempre
com muito peso e também com enorme clareza. E como são ouvidos todos os
detalhes, percebe-se que a banda escolheu uma timbragem muito boa, onde
conseguem soar pesados, mas sem que o ouvinte perca a noção do que está sendo
tocado.
O DAMAGEWAR veio
para ser o pesadelo de muitos puritanos de várias vertentes, já que a única
coisa que a banda respeita é a própria criatividade. Mesmo se classificando
como Death/Thrash Metal e sendo um murro nos tímpanos de tanta agressividade,
há influências diferenciadas em muitos pontos, logo, preparem-se.
“Dead
Skin Devourer” é uma voadora direta e seca nos ouvidos, brutal e com
aquelas levadas Thrashers das guitarras que empolgam, mas com alguns momentos
mais extremos nos blast beats diretamente do Death Metal. Em “God of Chaos”, a velocidade dos
andamentos cai um pouco, privilegiando o trabalho esmagador de baixo e bateria,
além de um solo muito bem colocado. E o pesadelo que beira o Thrash/Crossover “Necrozumbí” é cheia de vocais ótimos,
com timbres variados.