Sobreviver no Metal brasileiro é quase que uma prova de insistência,
e não de resistência. O descaso dos fãs com as bandas nativas, as dificuldades
econômicas, a falta de apoio e outros fatores mostram que não é fácil. E vejam
que falo de um dos países com a cena mais diversificada de todos, pois tudo que
é estilo tem representantes por aqui, e alguns que nem mesmo constam lá fora.
Tem bandas no Brasil com sonoridades únicas, que vão sendo construídas na base
da raça e lapidadas pelo tempo e dificuldades. E assim, com todos esses
fatores, vem ao mundo “Anagnorisis”,
segundo álbum do quarteto DYSNOMIA,
de São Carlos (SP).
A verdade seja dita: eles estão em outro nível, cada vez
mais evoluídos e diferenciados de outras bandas por aqui. Poderíamos dizer que
eles seguem uma linha sonora que mixa o Technical Death Metal com o Thrash
Metal moderno de bandas da Suécia como THE
HAUNTED (mais lá no início da carreira), ou seja, é algo bruto e opressivo,
mas bem tocado, com levadas empolgantes, ótimas melodias e passagens que grudam
nos ouvidos. E podemos dizer que eles deram um passo adiante em relação ao
ótimo “Proselyte” de 2016. A
evolução é de saltar os olhos.
Ou seja, se preparem para ouvirem um dos melhores discos
nacionais do ano!
Em termos de sonoridade, “Anagnorisis” consegue ter aquela fusão entre algo agressivo e
pesado com aquele nível de clareza essencial. Tudo soa com timbres excelentes e
bem definidos, e em todos os instrumentos estão ajustados nos devidos lugares.
E a arte do disco é muito boa, com contrastes não muito convencionais, mas que
encaixaram perfeitamente na proposta musical da banda.
Arranjos bem burilados, técnica e peso nas medidas certas, o
DYSNOMIA faz com que a audição de “Anagnorisis” seja uma experiência
prazerosa aos ouvidos dos mais iniciados. Ao mesmo tempo, se pode perceber que
a inspiração está em alta, dosando a agressividade com inteligência. Houve uma
autêntica catarse na música do grupo, que agora soa pessoal, algo deles.
Uma riqueza de arranjos musicais diversificados preenche “Anagnorisis”, com ótimos arranjos de
guitarras e uma aula de mudanças de ritmo. Esta mesma riqueza vai preencher a voraz
“Vorax Chronos” (que tem uma
quedinha maior para o Death Metal, com um trabalho muito bom de baixo e bateria).
E uma dinâmica de riffs interessante e com um toque de groove surge em “The Fall of Phaethon” (as partes mais lentas
são excelentes, e que vocais). Um pouco mais tradicional em termos de Death/Thrash
Metal é “Janus - Faced Serpents”,
mas se preparem para uma torrente de energia com boa técnica que vai causar
torcicolos. Mais uma vez se percebe certo toque de groove em algumas partes de “Library of Babel”, que transpira
arranjos e detalhes de primeira. Em “Prometheam”
se percebe como a capacidade da banda associar influências de Thrash e
Death Metal é assustadora, com boas passagens e mudanças de tempos. Com um
jeitão mais voltado ao Death/Thrash clássico (embora bem mais técnico), “Occam’s Razor” vem carregada de
guitarras de primeira, com riffs certeiros e solos bem feitos. E fechando, “Sertões” tem trechos com clara
influência de ritmos brasileiros, para dar uma ambientação melódica
interessante ao trabalho agressivo do quarteto, bem como é uma das faixas mais
diversificadas do disco.
Por todo disco, se percebem referências a autores de livros e obras, fazendo
clara alusão aos temas das letras (vale a pena pesquisar sobre eles, garanto),
o que torna “Anagnorisis” um disco
inteligente e que deve ser apreciado em sua totalidade. Inteligência em tempos que o povo prefere cerveja a um livro...
O DYSNOMIA
evoluiu, e começa a dar claras mostras que o Brasil vai ficar pequeno para
eles. E esse disco é a mostra de quanto eles são capazes.
Desde 2015, um dos pináculos do Heavy Metal e do próprio
Rock ‘n’ Roll, o inesquecível MOTORHEAD,
descansa em paz. E merecidamente, já que a contribuição do grupo (seja como
trio ou quarteto) para os estilos musicais citados acima é inestimável. Mas
dizer que os músicos da banda iriam ficar parados é outra coisa. O baterista Mikkey Dee se encontra no SCORPIONS, mas o guitarrista Phil Campbell arregaçou as mangas e deu
início a uma nova empreitada, PHIL
CAMPBELL AND THE BASTARD SONS, que nos chega com “The Age of Absurdity”, e a Shinigami
Records e Nuclear Blast Brasil
botaram o disco nas lojas por aqui.
Mas a que Phil e
seus filhos (sim, quase todos os membros são filhos dele) estão vindo, afinal
de contas?
Óbvio que muitos encontrarão similaridades com o MOTORHEAD, pois Phil passou 32 anos de sua vida na banda, ajudando a moldar uma
parte de sua musicalidade. Mas são bandas ligadas apenas pelo “approach” mais
visceral, sujo e espontâneo. Mas ao mesmo tempo, se percebe que o quinteto tem
outras aspirações sonoras, com algumas incursões no Blues, e por aí vai. E “The Age of Absurdity” transpira
espontaneidade e mesmo simplicidade, mas sempre com ótimas composições e boa
dose de acessibilidade em muitos momentos. E esse disco cheira a bar, cigarros
e whisky, verdade seja dita.
Para criar uma atmosfera mais simples e orgânica, o grupo
trouxe Romesh Dodangoda (que já
trabalhou com o MOTORHEAD, BRING ME THE
HORIZON, BULLET FOR MY VALENTINE). Mas ao mesmo tempo, existe um feeling
moderno, com boa dose de limpeza e muito peso. Tudo funciona perfeitamente,
mesmo porque o quinteto não necessita de uma superprodução. E o lado gráfico
ficou excelente, com uma apresentação digna de um disco de Rock ‘n’ Roll de
raiz.
Basicamente, a música do PHIL CAMPBELL AND THE BASTARD SONS é baseada em feeling, ou seja,
no bom e velho Rock ‘n’ Roll sujo sem compromissos com quem quer seja. O
negócio aqui é pôr para fora o que se sente, sem firulas e sem querer saber da
opinião alheia. As músicas soam espontâneas, com ótimas melodias de simples
assimilação, um trabalho de peso e muita energia. É ouvir e gostar.
O disco é ótimo de ponta a ponta, sem deixar espaços para
deméritos. Mas há momentos sublimes e dignos de palmas, como se pode ouvir na
energia contagiante de “Ringleader”
(um trabalho direto e ótimo das guitarras) e “Freak Show” (há momentos em que os andamentos remetem ao AC/DC, ou seja, uma base rítmica sólida
e pesada), no jeito mais moderno de “Skin
and Bones”, o Rock ‘n’ Roll descompromissado de “Gypsy Kiss” (mais uma vez, guitarras de primeira, e vocais bem
encaixados), o jeitão bluesy cheio de feeling de “Welcome to Hell” (reparem bem o uso de uma gaita, um recurso bem
pouco usado nas bandas mais atuais), a energia crua e direta de “Dark Days”, o toque de sensibilidade
da balada “Into the Dark” (é, quase
mesmo, pois os momentos mais pesados causam dores em quem tem próteses
dentárias), e o coice melodioso e bruto de “Silver
Machine”.
Podemos assim dizer que Phil
e família mostram que ainda podem dar muito ao Rock em “The Age of Absurdity”, logo, mãos à obra e ouçam até furar (o
disco ou os tímpanos)!
A vocação para estilos extremos do Brasil sempre foi fonte
de muitos trabalhos excepcionais. Mas cabe dizer às novas gerações que existem
bandas de longa experiência tocando por aí, que são tão lendárias como gigantes
de nosso cenário. Óbvio que mesmo o Metal não é justo, e muitos nomes ótimos
ficam ocultos da maioria. Nisso, poucos sabem o quanto o trio FUNERATUS, de Mococa (interior de São
Paulo), pode dar ao Metal extremo brasileiro. E seu terceiro álbum, “Accept the Death” vem mostrar isso,
bem como coroar o ótimo momento da banda.
Uma das coisas mais extraordinárias de “Accept the Death” é ver como o grupo, dono de 25 anos de
experiência e muitas lutas no underground, soube se adaptar aos tempos modernos
sem abrir mão de sua musicalidade característica. Ainda temos no disco o bom e
velho Death Metal bruto e agressivo até os ossos de sempre, com clara
influência da Velha Escola dos anos 90, mas com muitas partes onde se percebe
que eles não pararam no tempo. Ou seja, o trabalho do trio continua sendo um
deleite para os fãs mais tradicionais, mas atualizado e pronto para novos
desafios.
Ou seja, se preparem, pois eles estão com sede de sangue!
Gravado no Brasil, mas com mixagem e masterização feitas na
Alemanha, a sonoridade de “Accept the
Death” é excelente, mantendo timbres pesados e agressivos, mas com uma
clareza assustadora. Sim, o disco tem peso e brutalidade em uma apresentação mais
moderna e bem cuidada, no nível de grandes nomes de fora, mas sempre nos
permitindo compreender o que eles estão tocando. E a arte da capa e do encarte
são ótimas, antenadas com a proposta musical/lírica do trio.
Na ausência de álbuns desde “Echoes in Eternity” de 2004, o FUNERATUS vem com muita vontade e energia de sobra, fazendo de “Accept the Death” um disco ótimo,
inclusive com arranjos musicais bem pensados. E a forma de tocar Death Metal e
mesmo de sua sonoridade possuem assinaturas pessoais (vejam os timbres do
contrabaixo, como ele é presente o tempo todo), o que torna a audição desse
álbum algo realmente prazeroso.
A banda soube distribuir a inspiração em cada uma das
composições, e destacam-se algumas por mera referência inicial. E o melhor de
tudo: o trio funciona como uma unidade insana, capaz de esmagar pescoços!
A pancada seca e brutal de “Accept the Death” com seus riffs insanos, as passagens trampadas de
“Rise and Fall Again” (ótimas
mudanças de ritmo, mostrando a força e presença de baixo e bateria), a opressão
esmagadora de “Lost Souls” (reparem
que existem algumas partes bem jazzísticas em alguns momentos, sem falar que a
banda novamente mostra mudanças de tempo muito boas), o dueto “Follow the Track” (nessa, o trio
realmente soa como um tanque de guerra: coeso, brutal e técnico, e nas medidas
certas) e “Victory” (o andamento não
tão veloz ajuda a dar um peso enorme em algumas partes, onde a técnica da
bateria fica bem evidente), e a pegada mais técnica e não tão veloz da
instrumental “Endless Battle” (que
não está aqui apenas para preencher espaço, mas mostra como a brutalidade
característica do grupo consegue englobar um trabalho técnico ótimo).
Se realmente o terceiro disco de uma banda é um teste,
podemos dizer que o FUNERATUS passou
com louvor, pois “Accept the Death”
mostra que são um nome extremamente relevante no cenário nacional, e que podem
ocupar o espaço ao lado de bandas como KRISIUN
e REBALLIUN sem temor. Música e raça
para isso, essa banda tem de sobra.
No atual momento, a tendência (ou moda, como queiram) é
rebuscar as sonoridades mais antigas. Sonoridades dos anos 70, 80 e mesmo os 90
andam fazendo a alegria de muitos, mas nem sempre encontramos a vibração, a
essência da dita época na música. Isso é somente para aqueles que realmente
viveram os tempos que referenciam, e em raríssimos casos, novatos conseguem
aglutinar valor à herança deixada por veteranos. E ao ouvirmos o trabalho do
quarteto inglês MEMORIAM, essa ideia
fica ainda mais solidificada, pois temos uma banda jovem com integrantes
experientes no que fazem. Ainda mais em “The
Silente Vigil” segundo trabalho dos ingleses, que acabou de ser lançado no
Brasil pela colaboração entre a Shinigami
Records e a Nuclear Blast Brasil.
Para aqueles que ainda desconhecem o quarteto, eles são
todos ex-membros de bandas clássicas do Death Metal inglês como BOLT THROWER, NAPALM DEATH, CEREBRAL FIX
e BENEDICTION. O que esperar deles?
Death Metal Ols School, pura e simplesmente, com aquele
mesmo jeitão pesado, bruto e soturno que a escola inglesa legou para as
gerações futuras. A diferença é que o MEMORIAM
não vive de passado, pois sua música soa viva e vibrante, com arranjos que
grudam em nossos ouvidos. Ao contrário dos que imitam a velha guarda, esses
sujeitos são da velha guarda, logo, a música deles tem o diferencial de que
tanto falo: a energia, a vibração, a aura que apenas os veteranos possuem.
Sonoramente falando, “The
Silent Vigil” possui uma transposição excelente do velho jeito do Death Metal
de ser para os padrões atuais. Sim, a primeira coisa que se percebe é que a
agressividade da banda é evidenciada por timbres instrumentais bem escolhidos.
Mas ao mesmo tempo, baixo e bateria soam bem claros aos ouvidos, assim como os
urros guturais estão ótimos (e a dicção não é prejudicada). E se preparem, pois
o nível de brutalidade é absurdo!
Além disso, a arte da capa é ótima, evocando toda aura dos
anos 90. Mas o nome de Dan Seagrave
na arte da capa, mais o de Marcelo Vasco
no design e no layout já dizem tudo. Dois mestres!
Massacrante, “The
Silent Vigil” é, basicamente, um passo adiante de “For the Fallen” (2017). A banda soa bem mais coesa e centrada, o
que acarreta em composições mais bem acabadas, com arranjos musicais ainda
simples, e por isso, o trabalho do MEMORIAM
é tão espontâneo, cheio de energia e empolgante. É ouvir e gostar, simples
assim.
Disposto a não deixar pescoços inteiro, o disco inteiro é
ótimo. Mas a veloz e bruta “Soulless
Parasite” com suas ótimas passagens rítmicas (algo não muito trabalhado,
mas sólido e pesado, permitindo que a canção evolua de forma bem harmônica), o
peso opressivo dos andamentos não tão velozes de “Nothing Remains” (como esses vocais encaixam bem nas linhas
instrumentais), o trabalho de primeira das guitarras em “From the Flames” (eles realmente empolgam, fazendo com que a
cabeça se mova espontaneamente, e reparem bem como a base rítmica aparece mais
uma vez), a cadenciada e azeda carga de “The
Silent Vigil” e de “Bleed the Same”
(que vocais ótimos, encaixados sobre riffs de guitarra de primeira qualidade, e
isso em ambas as canções), o hino Old School que se ouve em “As Bridges Burn”, os arranjos sinuosos
das guitarras de “The New Dark Ages”,
e a carga lenta e bruta de “No Known
Grave” e de “Weaponised Fear”. E
ainda temos de bônus “Dronestrike V3”,
um arregaço em velocidade mediana típica das bandas inglesas de Death Metal dos
anos 90.
Finalizando, fica claro que o MEMORIAM é, antes de tudo, um herdeiro da essência do Death Metal
Old School inglês, tanto pelo histórico de seus integrantes como pela música
que apresenta. E “The Silent Sigil”
é a prova cabal disso, bem como é um disco fenomenal!
Realmente, a banda com mais discos ao vivo em todo mundo
deve ser o DEEP PURPLE. Em uma conta
pessoal, eles chegam aos 30 títulos em toda sua história, mas é preciso dizer
que cada um deles tem seu valor, e muitas vezes, uma estória para contar. E há
algo de especial em “Live in Long Beach 1971”,
que acaba de sair por aqui pela Shinigami
Records.
O principal: temos uma apresentação da MK II em 30/07/1971,
a mais clássica das formações do grupo. Esta apresentação ocorre pouco depois
do lançamento de “Fireball” (cuja
data é 09/07/1971), embora sem nenhuma faixa deste. O grosso do material é de “In Rock”, embora “Mandrake Root” venha do primeiro disco da banda, “Shades of Deep Purple”, e “Strange Kind of Woman” seja uma canção
de um Single de fevereiro de 1971 (e que acabou sendo lançada nas versões do
disco lançadas nos EUA, Canadá e Japão no lugar de “Devil’s Eyes” da versão europeia). Este show (onde o quinteto foi
suporte para a banda de Rod Stewart,
o THE FACES) foi transmitido pela
rádio KUSC 91,5 FM, e mostra a banda destilando sua capacidade de improvisar
nos palcos.
Sim, improvisação, algo que muitos fãs mais modernos,
acostumados à música engessada, e muitas vezes fria e burocrática, talvez
estranhem. Mas isso era comum naqueles anos de ouro onde rótulos e outras perdas
de tempo não existiam. A música era o mais importante, e isso meus caros, o DEEP PURPLE sempre teve. Aliás, são
mestres nisso!
A sonoridade do disco é extremamente orgânica, com a energia
do quinteto “in your face”, e se consegue ouvir a performance individual de
cada músico sem problemas. A remasterização de 2014 de um brilho a mais, sem
descaracterizar a qualidade de áudio original. Além disso, o encarte é uma
coisa linda, com fotos e detalhes da época, e toda uma explicação para aquela
apresentação. Muito, muito bom.
O traço mais forte da MK II era que a guerra de egos entre
os integrantes do DEEP PURPLE os
levava a um misto de influências que criava um Hard Rock/Classic Rock sólido, agressivo
e com ótimas melodias. Dos vocais bluesy gritados aos fraseados rocker com
toque de música clássica, passado pelos teclados noir e uma solidez técnica de
baixo e bateria, tudo funciona em equilíbrio, aglutinando influências e
marcando época.
O disco tem 4 canções. Óbvio que isso vai causar
estranhamento entre os fãs, mas é preciso lembrar que, em cada uma delas, o
improviso é a tônica. “Speed King” e
“Strange Kind of Woman”, hinos
agressivos e potentes em suas versões originais, feitos com excelentes guitarras
e vocais, aqui se tornam gigantes de mais de 11 minutos cada, onde a banda
inteira mostra sua capacidade jazzística de improvisar. A vida que a clássica “Child in Time” ganhou graças aos longos
solos de teclados é incrível, e saltou de seus 10 minutos originais para um
gigante de 20 minutos. E de um Rock ‘n’ Roll clássico, “Mandrake Root” ganhou peso e uma interpretação vocal mais intensa
e emotiva (por conta do toque bluesy da voz de Ian), sem contar que baixo e bateria está ótimo (falar do solo de
guitarra é mera formalidade). Ou seja, a MK II consegue melhorar o material que
a MK I gravou, graças a excelência de seus músicos.
Desta forma “Live in
Long Beach 1971” documenta o auge da MK II, já que as guerras internas
iriam desfazê-la em algum tempo.
Da esquerda para direita: Rick Allen, Joe Elliot, Rick Savage, Phil Coleen, Steve Clark.
Por Marcos Garcia
O DEF LEPPARD é
um dos maiores nomes da NWOBHM ao lado do IRON
MAIDEN, e talvez, o mais bem sucedido grupo (comercialmente falando) deste
movimento. Isso é fato inegável, e a banda tem discos que passam dos mais de 10
milhões de cópias vendidas, e até hoje, é um grupo que lota estádios e atrai
grandes quantidades de fãs.
Surgido em novembro 1977 em Sheffield, South Yorkshire (UK)
quando Pete Willis (guitarras), Rick Savage (baixo) e Tony Kenning (bacteria), que estudavam
na Tapton School formaram o ATOMIC MASS.
Após perder um ônibus e encontrar Pete,
Joe Elliot faz um teste para se
tornar guitarrista da banda, mas acaba ocupando a vaga de vocalista. Joe sugeriu que a banda mudasse de nome
para “Deaf Leopard”, que ele havia criado. Tony
faz as alterações no nome, e chega-se ao formato que conhecemos até hoje. Ainda
necessitando de um guitarrista, em janeiro de 1978, entra Steve Clark.
Tony deixa a
banda em 1979, sendo que entra em seu lugar o baterista Rick Allen, um jovem de apenas 15 anos de idade, que veio a gravar
o EP “The Def Leppard E.P.”. Mais
alguns Singles, e com um contrato com a Mercury Records debaixo do braço, era
hora do quinteto alçar voos mais altos.
Daí, começa uma estória longa, e com muitos altos, baixos,
brigas, e terríveis tragédias...
14/03/1980: On Through the Night
Tracklist:
1. Rock
Brigade
2. Hello
America
3. Sorrow
is a Woman
4. It Could
Be You
5.
Satellite
6. When the
Walls Came Tumblin’ Down
7. Wasted
8. Rocks
Off
9. It Don’t
Matter
10. Answer to the Master
11. Overture
Primeiro álbum da banda, “On Through the Night” mostra o grupo ainda bem cru e com uma
energia juvenil intensa. Apesar de muitos elementos do futuro já estarem
presentes (como os backing vocals e refrãos marcantes), ainda há uma forte
vibração Heavy Metal dos anos 70 em cada uma de suas canções. Ainda existem
crueza e peso evidenciados, embora não tanto como outros grupos da NWOBHM.
Produzido por Tom Alom (sim, o mesmo cara do JUDAS
PRIEST), a clara influência do Heavy Metal/Hard Rock setentista é evidente.
Em “Rock Brigade”, isso fica claro,
assim como em “It Could Be You”, “Satellite”
e “Rocks Off”, canções até
ingênuas, mas o grande hit do disco é mesmo “Hello America”, que lhes abriu as portas nos EUA, lhes permitiu
tocar com bandas como “opening act” para PAT
TRAVERS, AC/DC e TED NUGENT. E
isso causou ores de cabeça na apresentação no Reading Festival em agosto de
1980. Mas o passo havia sido dado...
A banda atraiu a atenção do produtor Robert John Lange, mais conhecido como “Mutt” Lange e que já havia produzido AC/DC, FOREIGNER, OUTLAW. E assim surgiu uma parceria de sucesso. E
lá foram eles para o estúdio, sofrer com a meticulosidade de Mutt. Mas a experiência serviu para
lapidar a sonoridade do grupo e lhes dar identidade.
E o primeiro fruto dessa aliança já se mostra promissor...
11/07/1981: High ‘n’ Dry:
Tracklist:
1. Let It Go
2. Another Hit and Run
3. High ‘n’ Dry (Saturday Night)
4. Bringin' On the Heartbreak
5. Switch 625
6. You Got Me Runnin’
7. Lady Strange
8. On Through the Night
9. Mirror, Mirror (Look into My Eyes)
10. No No No
Para os fãs da banda que gostam de algo mais pesado e cru,
este é o favorito.
Se o que vemos no filme “Hysteria
- The Story of Def Leppard” servir como fonte histórica, o primeiro
trabalho da banda com Mutt foi cheio
de altos e baixos no estúdio.
A meticulosidade e visão do produtor fizeram os rapazes
gravarem vários takes, além de levar Joe a cantar com timbres mais altos, mas
algo bem sacrificante.
O resultado é percebido em um disco que ficou ainda mais
acessível, e assim, um pouco mais distante do vigor e energia crua do Heavy
Metal. Isso se percebe na maior preocupação estética com a acessibilidade e na
construção de refrães de fácil assimilação, fora os backing vocals cirúrgicos.
Ainda: na opinião do produtor, este disco deveria trazer um
hit para as paradas, e progressivamente, os discos sucessores deveriam trazer
mais e mais hits (em progressão, ou seja, 2, depois 3, e por aí vai).
Mas a energia mais crua e dura ainda está ali em canções
como “Let It Go” e “Another Hit and Run”, mas alguma coisa
do futuro já dá as caras em “High ‘n’
Dry (Saturday Night)”.
O grande hit do disco é “Bringin’
on the Heartbreak”, que ganhou um vídeo dirigido por Doug Smith, gravado ao vivo no Royal Court Theatre, em Liverpool,
22/07/1981. Óbvio que a canção é a versão de estúdio, e desta mesma
apresentação, ainda vieram vídeo clipes para “Let It Go” e em “High ‘n’
Dry (Saturday Night)”. Mesmo não emplacando, a música se tornou tão icônica
que ganhará uma versão nova no futuro, além de um novo vídeo (esta saiu na versão relançada de “High ‘n’ Dry”.de 1984). Chegou inclusive
a ser coverizada por Maryah Carey.
Disco lançado, turnês para promoção se seguiram, com o DEF LEPPARD sendo banda de abertura
para BLACKFOOT e OZZY OSBOURNE, o que ajudou bastante a
firmar o nome do quinteto.
Mas se de um lado a banda crescia em um ritmo acelerado, de
outro o estresse era tamanho que o guitarrista Pete Willis será demitido (ou sairá da banda) durante as gravações
do disco seguinte. A causa divulgada: abuso de álcool durante o trabalho.
No dia posterior à demissão de Pete, mais precisamente em 12/07/1982, entra em seu lugar o
ex-guitarrista do GIRL, Phil Collen. Sua técnica surpreendeu a
todos, e junto com Steve (de quem se tornou extremamente amigo) formaram o “Terror
Twins” (ou seja, os Gêmeos do Terror) na banda, justamente pelo consumo de
bebida de ambos (sei que pode parecer estranho, já que Pete foi demitido por beber demais, mas ele bebia em serviço, coisa
que nem Phil ou Steve faziam). E essa amizade acabou por forjar o som
característico das guitarras da banda: a fusão da técnica de Phil com o feeling apurado de Steve.
E após 11 meses de gravação (de janeiro a novembro de 1982),
mais uma vez sob a supervisão de Mutt,
veio ao mundo o primeiro disco de sucesso comercial do grupo.
20/01/1983: Pyromania
Tracklist:
1. Rock Rock (‘till You Drop)
2. Photograph
3. Stagefright
4. Too Late for Love
5. Die Hard the Hunter
6. Foolin’
7. Rock of Ages
8. Comin' Under Fire
9. Action! Not Words
10. Billy’s Got a Gun
Enfim, cumprindo um mito dentro do Metal, o terceiro disco é
da banda se torna um sucesso.
Aclamado por público e crítica, “Pyromania” mostra o grupo ainda mais distante do Metal
tradicional, e bem mais acessível, podendo tocar em rádios. A crueza sonora e
energia deram espaço a uma estética mais bem acabada, e a uma produção limpa,
com alguns teclados já aparecendo. Dessa forma, “Pyromania” se tornou o segundo lugar nas paradas americanas,
perdendo apenas para “Thriller”, de Michael Jackson.
E a ideia de hits de Mutt
se mostrou acertada: primeiramente com “Photograph”,
seguido de “Rock of Ages” e “Foolin’”, todos vídeos de divulgação
que tomaram a MTV de assalto, o disco subiu nas paradas, marcando assim a
entrada do DEF LEPPARD no time de
cima do Metal, além de ser um dos pioneiros no Hard/Glam Metal da época (em
11/03/1983, o QUIET RIOT lançou “Metal Health”, que chegaria ao topo da
parada da Billboard em 26/11/1983).
Óbvio que “Photograph”,
“Rock of Ages” e “Foolin’” são destaques
em “Pyromania”, mas é possível não
gostar faixas como a ótima “Rock Rock
(‘till You Drop)”, a forte “Stagefright”
ou a pegajosa “Action! Not Words”.
Sim, o nível de composição foi bem alto nesse disco.
Perfeição é um termo bem acertado para definir “Pyromania”. E a turnê que se seguiu os
levou a ser inicialmente suporte a Billy
Squier. Mas ela terminará com eles já como banda principal em setembro de
1983 com uma audiência de 55 mil pessoas no Jack Murphy Stadium, em San Diego, Califórnia.
Ainda uma linha final: o vídeo de “Photograph” chegou a ser mais solicitado que o de “Beat It” de Michael Jackson, na MTV, se tornando um sucesso de execução nas
rádios. E
Mas como nem tudo são flores, em fevereiro de 1984, a banda
foi para Dublin para começar a compor o sucessor de “Pyromania”. Mutt
inicialmente foi com eles, mas pediu afastamento por conta de exaustão, e no
lugar dele, a banda chamou Jim Steinman
(famoso por produzir “Bat Out of Hell”,
do MEAT LOAF). E para piorar ainda
mais, o baterista Rick sofreu um
acidente de carro e acabou perdendo o braço esquerdo. Este foi o motivo da
saída do grupo do cast da primeira versão do Rock in Rio em janeiro de 1985
(onde foram substituídos pelo WHITESNAKE).
Não havia planos para substituir Rick, e assim o foi.
Enquanto Rick se
recuperava da perda e se adaptava a uma nova realidade de tocar (teve muita
ajuda da Simmons, fábrica de baterias eletrônicas, para desenvolver um novo
modelo para si), Steve começava a
ter problemas severos com o abuso de bebidas alcoólicas.
As sessões de composição e gravação se arrastam. Nesse meio
tempo, Rick reúne a banda e toca na
bateria a introdução de “When the Levee
Breaks” do LED ZEPPELIN, para mostrar
como as coisas estavam fluindo. E para somar, Mutt retorna como produtor.
A banda contrata Jeff
Rich para tocar bateria junto com Rick durante uma mini-turnê de
aquecimento na Irlanda, em agosto de 1986. A banda logo se viu com problemas em
colocar duas baterias no palco, mas ao mesmo tempo, perceberam que Rick poderia
tocar sozinho.
No festival Monsters of Rock de agosto de 1986, mais
precisamente no dia 16, a banda faz sua primeira grande apresentação desde o
acidente. A aclamação foi enorme, e desde então, Rick é chamado pelos fãs de “The
Thunder God”.
E olhe que nem falei do acidente de carro de Mutt (que teve injúrias nas pernas), a
caxumba de Joe, entre outros.
Assim, a banda enfim se reúne com Mutt, e começam a gravar e
finalizar as composições de seu disco de maior sucesso comercial. Talvez ele
seja, como Mutt desejava antes, o “Thriller” do Hard Rock.
03/08/1987: Hysteria
Tracklist:
1. Women
2. Rocket
3. Animal
4. Love Bites
5. Pour Some Sugar on Me
6. Armageddon It
7. Gods of War
8. Don’t Shoot Shotgun
9. Run Riot
10. Hysteria
11. Excitable
12. Love and
Affection
Em uma lembrança pessoal deste autor, lembro-me de ler as
resenhas de “Hysteria” nas revistas
da época: todas elas eram negativas. Óbvio que isso se dava por conta do radicalismo
dos anos 80. Mas nada como a experiência dos ouvidos e os anos para provar o
quanto um disco pode ser eterno.
“Hysteria” é um
disco em que os últimos traços do Heavy Metal tradicional deram espaço de uma
vez para o Glam Metal. Traduzindo: é uma farofada só, ajudada por uma qualidade
sonora extremamente limpa, já que foram usadas tecnologias de ponta. Até
podemos dizer que essa sonoridade era muito adiante de seu tempo, algo que Mutt
soube trabalhar.
Musicalmente, como dito acima, “Hysteria” não tem traços do Heavy Metal que o grupo carregava
antes. As guitarras soam mais melodiosas, os vocais são mais melodiosos e bem
encaixados, backing vocals e refrães cuidadosamente arranjados, e o nível de
acessibilidade aumentou exponencialmente.
Execrado por muitos fãs na época (e talvez até os dias de hoje), “Hysteria” vendeu até hoje 25 milhões de cópias, sendo 12 milhões
dela apenas nos EUA. E também subiu nas paradas inglesas, bem como por todo
mundo, e é o 51º disco de maior vendagem da história, ficando 96 semanas (quase
dois anos) no US Top 40.
Falar das músicas é algo quase que desnecessário: das 12
canções (o disco dura mais de 62 minutos, um dos mais longos da história dos
discos de vinil), 7 delas viraram Singles, cumprindo a meta de Mutt: “Hysteria” é o “Thriller” do Hard Rock nesse ponto, pois qualquer outra música
poderia ter sido hit.
“Animal”, “Women”, “Pour
Some Sugar on Me”, “Hysteria”, “Armageddon It”, “Love Bites”, e “Rocket” são todas elas grandes
canções, com ótimos arranjos e tudo na medida para serem sucesso. Mas “Don’t Shoot Shotgun” e “Gods of War” também são ótimas canções
e merecem a menção.
Comentários:
1. Já é de conhecimento público, mas a banda Pop brasileira YAHOO chegou a fazer uma versão
brasileira para “Love Bites”.
2. Possivelmente uma das músicas mais icônicas do DEF LEPPARD, “Pour Some Sugar on Me” foi uma das últimas a ser composta e
gravada. A banda se encontrava perto do final das gravações, mas ao ver Joe
brincando com uma versão acústica de um riff que havia composto duas semanas
antes. Mutt, descobridor de hits
como nenhum outro, gostou do que ouvir e sugeriu que construíssem mais uma
música. E é justamente este Single que fez com que “Hysteria” vendesse como água no deserto (até seu lançamento, em
08/09/1987, o disco ainda não havia chegado ao sucesso). E possui dois vídeos (um para os EUA, outro para o Reino Unido).
No Brit Awards de 1989, no Royal Albert Hall em Londres, lá
estava o grupo, que for a indicado ao prêmio de melhor grupo britânico. Tocaram
ao vivo “Pour Some Sugar on Me”. E
ganharam como “artista favorito de Heavy Metal/Hard Rock” e como “disco
favorito de Heavy Metal/Hard Rock” no American Music Awards de 1989.
Após a turnê de divulgação, tentando evitar mais um hiato
longo entre dois discos, a banda começou a compor e se preparar para gravar o
sucessor de “Hysteria”, mas os
problemas de Steve com bebida
pioraram. Isso o levou a uma sequência de entra e sai de clínicas de rehab, até
que ficou em “férias forçadas” da banda por seis meses, atrasando as gravações.
A agonia de Steve teve fim no dia
08/02/1991, quando foi encontrado morto por sua namorada Janie Dean em sua casa, em Londres.
A morte foi acidental, já que a Causa Mortis é compressão do tronco cerebral, causando falha
respiratória. A causa da compressão foi uma dose letal de álcool com
medicamentos. No sangue de Steve, a
autópsia acusou um nível de 0,30 (3 vezes o nível permitido pela lei britânica
para se poder dirigir), bem como estava presente traços de morfina. Conforme o
testemunho de Daniel Van Alphen (com
que ele bebera na noite anterior), eles ficaram bebendo em uma cervejaria até
perto da meia-noite, para então irem para a casa dele verem um vídeo.
Steve Clark se
encontra enterrado no Wisewood Cemetery, em Loxley, Sheffield, perto da
propriedade da família. Sua guitarra foi vendida por Julie.
Apesar do duro golpe, Joe,
Phil, Rick Savage e Rick Allen
resolveram ir adiante e fazer o disco como quarteto, com Phil emulando o jeito de Steve
tocar. Desta vez, sem Mutt na produção (eles autoproduziram o disco, tendo como
co-produtor Mike Shipley, com quem
haviam trabalhado na engenharia de som de “High
‘n’ Dry” e “Pyromania”).
31/03/1992:
Adrenalize
Tracklist:
1. Let’s Get Rocked
2. Heaven Is
3. Make Love like a Man
4. Tonight
5. White Lightning
6. Stand Up (Kick Love into Motion)
7. Personal Property
8. Have You Ever Needed Someone So Bad
9. I Wanna Touch U
10. Tear It Down
Basicamente, o quinteto não fez grandes mudanças em seu
estilo de fazer música. Mas considerar “Adrenalize”
como uma tentativa de ser um “Hysteria”
parte 2 é um erro crasso. Óbvio que a pegada Hard/Glam ainda se faz presente,
refrães e backing vocals grudentos em profusão, mas se sente algo mais orgânico
em termos de sonoridade.
No fundo, “Adrenalize”
é um discão, e uma justa homenagem a
Steve, pois o jeito de Phil
tocar as partes dele realmente é incrível. “Let's Get Rocked”, “Make Love Like
a Man”, “Have You Ever Needed Someone So Bad”, “Stand Up (Kick Love into
Motion)”, “Heaven Is”, “Tonight” e “I Wanna Touch U” foram os
Singles do disco. Inclusive o primeiro deles, “Let’s Get Rocked”, foi indicado como “melhor vídeo de Heavy
Metal/Hard Rock” para o MTV Video Music Awards de 1992 (que foi ganho pelo METALLICA com “Enter Sandman”). Todas são ótimas canções, mas alguma coisa do
brilho da banda não estava lá. Não está 100%, talvez a produção mais orgânica e
menos meticulosa tenha interferido, ou a ausência de Steve, ou mesmo a famosa
oscilação de qualidade provocada pelo cansaço... Os fatores são tantos que não
há como explicar.
Vale constar que em abril de 1992, o grupo se apresentou The
Freddie Mercury Tribute Concert (o tribute a Freddie Mercury, que havia falecido em 24/11/1991 decorrente da
AIDS), onde tocaram “Animal”, “Let’s Get Rocked” e “Now I'm Here” (esta última do QUEEN) com Brian May. No mesmo show, Joe
ainda se apresentou com Brian, Roger e John em uma versão para “Tie
Your Mother Down” (que ainda contou com Slash do GUNS N’ ROSES).
Ainda no final de 1991 e início de 1992, ocorrem as audições
para encontrar um substituto à altura de Steve. Caras como Adrian Smith, John Sykes,
e Gary Hoey foram ouvidos, mas a escolha da banda recaiu sobre Vivian Campbell, ex-membro do DIO e WHITESNAKE. Ele foi efetivado no posto em fevereiro de 1992.
E é aqui que a coisa começa a ficar ruim…
Desde o final dos anos 80, uma nova forma musical começava a
despontar nos EUA, e que em 1991 chegará às paradas de sucesso: o Grunge,
subgênero do Rock alternativo.
O sucesso avassalador de “Smells Like a Teen Spirit” (cujo vídeo tocou à exaustão na MTV em
vários de seus programas, inclusive no finado Fúria Metal) foi um aríete que ajudou
a arrancar o Glam Metal das paradas. A alegria trocada pela fossa, as cores
pelo cinzento e preto, o “up all night, sleep all day” pelo “I’m so lonely but
that’s okay I shaved my head”...
Óbvio que isso iria causar mais danos que o previsto, pois muitas
bandas de Glam buscaram uma sonoridade mais suja para disputar lugar com os
adeptos do Alternativo. E o DEF LEPPARD
não foi exceção, infelizmente...
14/05/1996: Slang
Tracklist:
1. Truth?
2. Turn to Dust
3. Slang
4. All I Want is Everything
5. Work It Out
6. Breathe a Sigh
7. Deliver Me
8. Gift of Flesh
9. Blood Runs Cold
10. Where Does Love Go When It Dies
11. Pearl of Euphoria
O dia 13 de maio marca o Dia das Mães (por ser o dia de Nossa Senhora de Fátima), e ainda bem que esse
troço saiu um dia depois, senão seria um senhor presente de grego!
O DEF LEPPARD fez
um disco que realmente era puro Rock Alternativo. Tá, é um disco do NIRVANA melhor que o NIRVANA, mas ainda é NIRVANA!
Mais uma vez produzido pelo quinteto (agora com co-produção
de Pete Woodroffe), creio que nem o
mais fanático fã da banda consiga digerir. Nem mesmo toda a isenção crítica
consegue salvar “isso” que chamam de disco. Nem mesmo os singles conseguem
salvar, pois “Slang”, “Work It Out”, “All
I Want is Everything”, e “Breathe a
Sigh” são autênticas brochadas! Nem mesmo o fato de Rick tocar uma bateria semiacústica ajuda!
Marca um momento, mas é, de longe, a pior coisa que eles
poderiam lançar. E digo mais: o ponto bom de “Slang” é que ele acaba (e não dura pouco mais de 40 minutos).
Um autêntico martírio para os ouvidos!
A coisa ficou feia, mas como toda moda, lá foi o Alternativo
ladeira abaixo na segunda metade dos anos 90. Então, hora do velho DEF LEPPARD mostrar o que pode
realmente fazer.
08/06/1999: Euphoria
Tracklist:
1. Demolition Man
2. Promises
3. Back in Your Face
4. Goodbye
5. All Night
6. Paper Sun
7. It’s Only Love
8. 21st Century Sha La La La Girl
9. To Be Alive
10. Disintegrate
11. Guilty
12. Day After Day
13. Kings of Oblivion
“Euphoria”, que
novamente teve o quinteto junto com Pete
Woodroffe na produção, enfim, voltou a ser o que era: um grupo de Glam
Metal/Hard Rock (se bem que depois de “Slang”,
creio ser difícil conseguir descer ainda mais).
O feeling que permeia “Euphoria”
é próximo ao de “Adrenalize”, e com
um “help” de Mutt Lange, que ajudou
na composição de “Promises”, “All Night”
e “It's Only Love”, as coisas deram
uma melhorada (se bem que “All Night”
ainda tem algo do disco anterior). Logo, podemos dizer que “Promisses”, a balada “Goodbye”,
a pesada “Disintegrate”, a sensível “Guilty” e “Kings of Oblivion” são os melhores momentos do disco. Mas muito
pouco para quem fez “Hysteria”.
Em 05/09/2000, merecidamente, o DEF LEPPARD é introduzido no Rock Walk of Fame na Sunset Boulevard,
em Hollywood, pelo velho amigo Brian May.
O futuro parecia promissor, mas...
30/07/2002: X
Tracklist:
1. Now
2. Unbelievable
3. You’re So Beautiful
4. Everyday
5. Long Long Way to Go
6. Four Letter Word
7. Torn to Shreds
8. Love Don’t Lie
9. Gravity
10. Cry
11. Girl Like You
12. Let Me Be the One
13. Scar
E não é que o grupo tentou se superar em termos de podridão?
Pois é, por mais que “Slang” seja o
pesadelo dos fãs da banda, “X” foi
um esforço e tanto em escangalhar de vez a carreira deles.
Não que houvesse uma recaída em direção ao Rock Alternativo,
longe disso, mas o balanço entre o Glam Metal e o Pop que sempre rendeu bons
frutos, agora estava descaracterizado, e o grupo soa excessivamente Pop em “X”. Há bons momentos, como “You’re So Beautiful”, “Four Letter Word”, “Cry”
e “Scar”, mas essa caída para o Rock
Pop ficou muito para os fãs da banda. A produção, por sua vez, ficou ótima,
limpa e bem delineada, novamente com os sujeitos e Pete Woodroffe, além de Per
Aldehaeim, Andreas Carlsson e Marti
Frederiksen produzindo uma ou outra canção do CD.
Um disco fraco, verdade seja dita, e pode entrar na sua
coleção apenas para completar.
Em 03/05/2006, eles lançam “Yeah!”, um disco de covers, e por isso, não entra nessa sessão.
25/04/2008: Songs from the Sparkle Lounge
Tracklist:
1. Go
2. Nine Lives
3. C’mon C’mon
4. Love
5. Tomorrow
6. Cruise Control
7. Hallucinate
8. Only the Good Die Young
9. Bad Actress
10. Come Undone
11. Gotta Let It Go
Assim como “Euphoria”,
é um bom disco, uma mostra de recuperação, mas mesmo assim, está um pouco distante
de seu jeitão clássico.
A início, a banda pretendia ter Mutt Lange ajudando em algumas composições, mas por conflito de
agendas, não foi possível. Mas mesmo assim, a banda foi adiante com o novo
produtor, Ronan McHugh.
A bem da verdade, “Songs
from the Sparkle Lounge” é uma tentativa da banda soar mais próxima de suas
influências musicais dos anos 70, como LED
ZEPPELIN e AC/DC. E não funciona
tão mal assim, é até um disco bem legal, com boas canções como a despretensiosa
“Nine Lives” (mas com um refrão à lá
old Leppard), “C’mon C’mon” e seu
jeito THE BEATLES em algumas partes,
as distorcidas e orgânicas “Hallucinate”
e “Bad Actress”, e o refrão marcante
de “Gotta Let It Go”. Mas isso se
você não for um fã exigente do quinteto.
Turnês e mais turnês desde então, e em 2015, mais um
lançamento.
30/10/2015: Def
Leppard
Tracklist:
1. Let’s Go
2. Dangerous
3. Man Enough
4. We Belong
5. Invincible
6. Sea of Love
7. Energized
8. All Time High
9. Battle of My Own
10. Broke ‘n’ Brokenhearted
11. Forever Young
12. Last Dance
13. Wings of an Angel
14. Blind Faith
Após oscilações, altos e baixos, sucessos e fracassos desde “Adrenalize”, eis que o quinteto lança “Def Leppard”. É o melhor disco deles
de lá para cá.
Basicamente, é o velho Hard/Glam Metal do grupo com uma
roupagem moderna. E mesmo sendo retrô, é um disco ótimo, com canções
espontâneas e que vão remeter mesmo a “Adrenalize”
e “Hysteria”, e mesmo aos elementos
Pop de “X” (mas sem melar demais).
“Let’s Go”, “Dangerous”,
a linda balada “We Belong”, e a
energia rocker de “All Time High”
mostram que, apesar de “Def Leppard”
não ser um clássico, mostra que eles ainda estão longe da aposentadoria.
Em suma: se observarmos, a banda só teve nesses 40 anos de história,
3 mudanças de formação, o que mostra o DEF
LEPPARD como uma banda de verdade. Os altos e baixos são comuns (existem
bandas clássicas que vivem no baixo há anos e poucos reclamam desse fato), e é bom saber
que, em um mundo como o nosso, em um meio musical tão dinâmico e cheio de
surpresas como o Metal, que uma banda assim ainda existe.
Uma curiosidade: apesar dos 41 anos de existência, a banda só teve 3 trocas de integrantes.