sexta-feira, 8 de junho de 2018

SKELETAL REMAINS - Devouring Mortality


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Ripperology
2. Seismic Abyss
3. Catastrophic Retribution
4. Devouring Mortality
5. Torture Labyrinth
6. Grotesque Creation
7. Parasitic Horrors
8. Mortal Decimation
9. Lifeless Manifestation
10. Reanimating Pathogen
11. Internal Detestation


Banda:


Chris Monroy - Guitarras, vocais
Adrian Obregon - Guitarras
Adrius Marquez - Baixo
Johnny Valles - Bateria


Ficha Técnica:

Dan Swanö - Mixagem
Dan Seagrave - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

  
Texto: Marcos Garcia


Fazer um som “Old School” não é algo pecaminoso, longe disso, Bandas que buscam esses estilos ajudam a preservá-los, na realidade. O problema é quando existe a mania de “control C + control V” com o trabalho alheio, um erro que muitas bandas cometem. É preciso pôr de si mesmo na música, reescrever as regras à sua maneira para que tudo funcione. Muitos espatifam os esforços na parede, mas alguns se saem muito bem. E podemos aferir que o SKELETAL REMAINS, grupo de Whittier, Califórnia (EUA) é um desses grupos que têm muito a mostrar, especialmente porque “Devouring Mortality” é uma bruta tijolada nos ouvidos!

Eles se especializaram em criar um Death Metal nos moldes dos anos 90, com clara referência a nomes como DEATH, OBITUARY, PESTILENCE, ASPHYX, MORGOTH e outros da velha guarda em suas fases mais iniciais. A diferença é: eles apanharam todos os velhos elementos e deram um sopro de vida novo, pois executam suas canções de uma forma atualizada, mas com o jeitão noventista. É um grupo que, embora não seja inovador, mostra nesse terceiro disco que merecem seu lugar ao sol. E se preparem, pois eles sabem pegar pesado, bruto e agressivo, de uma maneira que pode dilacerar tímpanos mais sensíveis.

Gravado na Califórnia nos Trench Studios, e mixado pelas mãos de Dan Swanö no Unisound Studio, podem ter certeza: a qualidade sonora de “Devouring Mortality” consegue captar o que eles querem mostrar musicalmente, mas com uma estética sonora extremamente bem feita. A crueza do som vem dos timbres que a banda usa, e não de uma gravação mal feita para se sentirem nos anos 90. Longe disso: o álbum soa bruto e rasgado como se os discos seminais dos gigantes citados acima fossem gravados hoje. E por isso é tão bom

Na arte gráfica, o velho mestre Dan Seagrave mostra que ainda é um dos melhores artistas para o Death Metal, e mesmo para o Metal. É olhar, saber que foi ele quem fez e saber que vem uma chuva de agressividade por aí!

E é isso o que o SKELETAL REMAINS oferece: um dilúvio de agressividade musical bem feita. Creio que nos anos 90, a música deles também se destacaria bastante, pois a energia e personalidade que fluem de suas canções é algo absurdo, bem como a capacidade do grupo fazer arranjos musicais bem pensados e colocados nos locais certos.

Nessa ceifa sonora que eles fazem, com 11 canções de primeira, se destacam a brutal e variada “Ripperology” (mesmo com arranjos simples, se percebe que eles têm boa técnica, e aqui, se destacam as guitarras, com bases empolgantes e solos doentios), a agressividade desmedida e com boas mudanças de ritmo de “Seismic Abyss” (baixo e bateria funcionando de maneira coesa e brutal) e de “Catastrophic Retribution” (alguma coisa da escola inglesa do gênero surge nos riffs em suas partes mais trampadas), as variações rítmicas bem ricas de “Devouring Mortality” e “Torture Labyrinth” (esta última baseada em tempos não tão velozes, com ótimas partes de vocais), a ríspida e distorcida “Mortal Decimation” (outro massacre das guitarras, com riffs e solos que mostram a clara influência do SLAYER no Death Metal, e com baixo e bateria mostrando uma técnica muito boa e que mostra que eles não estão fechados a toques mais técnicos), e a opressão veloz e bem feita de “Internal Detestation” (que passagens de guitarras e vocais!). Mas vejam bem: “Devouring Mortality” é um disco sensacional do início ao fim.

No mais, resta dizer que o SKELETAL REMAINS vem para somar, para ser uma banda nova a dar um gás novo à velha escola, que não tem cheiro de mofo ou soa “fora da validade”. E agradecimentos a Júlio Feriato, do Heavy Nation, pela dica!

Nota: 92%


terça-feira, 5 de junho de 2018

ISSOS - The Leader of Us


Ano: 2018
Tipo: EP
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. The Leader of Us
2. Dungeons and Chains
3. Lies


Banda:


Head - Vocais
Pato - Guitarra solo
Kyo - Guitarra base, backing vocals
Madruga - Baixo
Gafanhoto - Bateria


Contatos:

Assessoria:

Texto: Marcos Garcia


A violência para todos os lados e o descaso de políticos de todas as esferas governamentais são elementos que parecem fertilizar certas regiões para o surgimento de bandas de Metal. E a Baixada Fluminense, notória por conta da alta criminalidade e total ausência do poder público (seja dos municípios, do estado do RJ ou do próprio governo Federal), sempre revelou nomes muito bons. E herdando esse encargo temos o quinteto ISSOS, de São João de Meriti, que vem para chocar e afrontar a tudo e todos com seu primeiro trabalho, o EP “The Leader of Us”.

Agressivo e brutal, o quinteto mistura várias influências musicais diferentes para criar seu som altamente abrasivo e azedo. Poderíamos definir de forma superficial que eles fazem uma mistura entre Thrash Metal e Groove Metal, mais uma energia e elementos modernos do Hardcore, e uma dose muito bem vinda de melodia nas partes de guitarra (especialmente nos solos). E o grupo mostra um impacto sonoro destruidor, capaz de causar moshpits intensos e violentos.

Basicamente, o ISSOS mostra personalidade e disposição para ocupar seu lugar ao Sol.

Em termos de qualidade sonora, a produção de “The Leader of Us” é bem caprichada, mantendo um ótimo nível de clareza instrumental (reparem como se pode entender cada instrumento separadamente), mas como a mão pesou em termos de brutalidade. Sim, as músicas chegam a oprimir os tímpanos menos acostumados, mas é um deleite para os fãs. E a capa deixa claro a que o grupo vem em termos de letra: cuspir na cara do poder político!

Essa fusão da agressividade moderna e incontida da essência deles com ótimas melodias dão uma personalidade diferenciada a trabalho do ISSOS. E como eles sabem arranjar bem suas composições sem que elas percam a energia ou a espontaneidade. Tudo soa em seu devido lugar.

Em “The Leader of Us”, temos toda aquela carga pesada e azeda do Groove Metal com algum swing latino, algo que se sente claramente em “Chaos A.D.”, uma canção que atingirá como uma bomba fãs de Metal moderno, com vocais urrados de primeira. Apesar da modernidade, a estruturação melódica e mesmo complexa de “Dungeons and Chains” vai levar os fãs ao Metal norte-americano dos anos 90, mostrando boas mudanças de ritmo (o que mostra o quanto baixo e bateria são talentosos). E “Lies” tem um jeitão de Thrash Metal moderno, com boas doses de groove para encorpar as linhas melódicas, com lindos solos de guitarra.

O ISSOS realmente possui muito talento, e “The Leader of Us” os credencia como uma das grandes revelações do underground carioca.

Nota: 87%

DUST COMMANDO - Between Chaos and Grace


Ano: 2015
Tipo: EP
Selo: XMetal EmpireX
Nacional


Tracklist:

1. Spår
3. Outsider
3. No Grudge
4. POTUS
5. Edema


Banda:


Thiago Rabuske - Vocais, guitarras
João Vitor Martins - Guitarras
Gabriel Garcia - Baixo
Felipe Silva - Bateria, vocais


Contatos:

Assessoria: http://heavyandhellpress.com.br/ (Heavy and Hell Press)

Texto: Marcos Garcia


Uma das coisas mais fascinantes sobre as bandas de Metal brasileiro é a capacidade de colocarem algo diferenciado em gêneros do estilo que já possuem qualidades bem definidas. Parece que a latinidade do brasileiro torna tudo bem mais interessante. Reparem que o DUST COMMANDO, de Taquari (RS), mostra isso claramente em seu EP de estreia, “Between Chaos and Grace”.

Dizer que eles praticam Stoner Metal/Rock à lá MONSTER MAGNET é ser muito simplista, pois a influência de Groove Metal, Hard Rock clássico e mesmo algumas pitadas de Thrash Metal (em alguns riffs) é bem evidente. O grupo destoa bastante de seus similares estrangeiros pela diversidade de influências musicais, além de uma preocupação estética com as melodias em uma forma muito boa. Mas cuidado, pois a agressividade musical do grupo também é explícita, com muita acidez para todos os lados.

Sim, “Between Chaos and Grace” é uma ótima pedida.

A produção do EP é ríspida, com uma crueza que deixa as canções do grupo soando muito agressivas. Mas ao mesmo tempo, com esses timbres gordurosos que eles usam, percebe-se que houve uma mentalidade de soar cru, mas inteligível aos ouvidos dos fãs. Há aquela preocupação em ser fiel à essência musical da banda, mas de forma que os que ouvirem a compreendam em sua totalidade (o que já os diferencia de uma multidão de bandas Stoner Rock, que buscam gravações porcas com a desculpa de soarem cruas). E a arte da capa também destoa, pois ao invés de imagens psicodélicas, algo mais bem feito e de conteúdo explicitamente crítico.

O DUST COMMANDO é uma banda de enorme potencial musical, pois sabe o que está fazendo. Mantendo uma boa diversidade de influências musicais, o trabalho ganha em termos de arranjos musicais diferentes. É sujo e bem azedo, mas com uma música não muito engessada, ou seja, dura e orientada por uma fórmula pré-existente. Aqui, tudo soa cheio de energia e espontaneidade.

“Between Chaos and Grace” possui 5 canções capazes de seduzir qualquer fã de Metal de bom gosto.

“Spår” é uma instrumental que introduz o disco de forma bem azeda, preparando o ouvinte para o groove abrasivo e intenso de “Outsider” (que tem um swing muito bom, algo solto e cheio de ótimas guitarras). Seguindo, alternando entre momentos agressivos e outros mais introspectivos e densos (onde se percebe a boa técnica de baixo e bateria), temos “No Grudge”. Em “POTUS” (faixa do vídeo de divulgação) se percebe aquela energia “sabbathíca” lá dos primeiros discos, mais uma vez usando o recurso de partes mais lentas e melódicas (que lembram um pouco SOUNDGARDEN na sua época de maior crueza) com outras bem agressivas, e com os vocais usando bons timbres em ambas. E com uma pegada mais lenta e extremamente abrasiva (mas altamente ganchuda), temos a longa “Edema”, que mostra a potencialidade do grupo de maneira explícita, pois esse jeito jazzístico “noir” das partes mais lentas e melodiosas, enquanto muito feeling sujo e distorcido rege as partes mais agressivas (e que solos de guitarra legais).

O grupo tem todo potencial do mundo, e aparando umas arestas (a qualidade sonora pode melhorar, verdade seja dita), ninguém segura o DUST COMMANDO, pois tem um som bem único em termos de Brasil.

Ah, sim: o EP pode ser ouvido integralmente na página do grupo no Soundcloud.

Nota: 84%

MX - A Circus Called Brazil


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Fleeing Terror
2. Murders
3. Mission
4. Lucky
5. Cure and Disease
6. Toy Soldier
7. Keep Yourself Alive
8. Marching Over Lies
9. Apocalypse Watch
10. A Circus Called Brazil


Banda:


Alexandre da Cunha - Bateria, vocais
Décio Frignani - Guitarras
Alexandre “Dumbo” - Guitarras, backing vocals
“Morto” - Baixo, guitarras, backing vocals


Contatos:

Site Oficial: http://bandamx.com.br
Assessoria: https://www.facebook.com/lpmetalpress/ (LP Metal Press)

Texto: Marcos Garcia


Muitas vezes se pergunta a motivação para a vocação barulhenta (no bom sentido) do Metal brasileiro. No fundo, a resposta é bem simples: os estilos extremos andavam em voga em meados dos anos 80, quando a cena brasileira começou uma produção massiva de trabalhos musicais. Demos, EPs, álbuns... Enfim, tudo que podia ser feito, estava sendo feito em termos das vertentes extremas (embora as bandas de Metal mais melodioso também tivesse seu espaço garantido). Óbvio que a seleção natural fez sua parte, e muitos dos sobreviventes mostravam a que vinham. E um dos nomes mais celebrados lá por 1987 e 1988 era o do quarteto MX, de Santo André, cuja força de sua música era realmente impactante.

Mas a que vem esse grupo veterano com “A Circus Called Brazil”, após 18 sem lançarem nada de inédito?

Bem, a verdade é que a maturidade fez com o quarteto algo similar à agua de rios em rochas que estão em seu leito: foram modelando o grupo, aparando arestas e colocando-os como uma potência do Thrash Metal brasileiro. O MX sabe não só criar músicas agressivas e com boas melodias, linhas harmônicas bem definidas, mas os refrães e backing vocals de suas músicas são sempre construídos de forma que entram nos ouvidos e não saem mais, uma das características mais seminais do grupo. Óbvio que o disco mostra a veia musical que nos remete a “Simoniacal” e “Mental Slavery”, apenas mais encorpado e amadurecido pelo tempo.

Ah, se o disco é bom?

Meus caros: “A Circus Called Brazil” é um discão, um murro bem dado nos tímpanos!

Em termos de sonoridade, o disco mostra timbres muito bons, com bom equilíbrio entre agressividade musical e limpeza. Fica óbvio que a escolha da sonoridade mais seca e bem delineada visa dar ao ouvinte a clara noção do que a banda está tocando, além de soar não tão rígida e moderna assim (mesmo porque estamos falando de uma banda da Velha Guarda), ou seja, em busca de algo mais cru e direto, sem muitas firulas.

A arte como é uma característica do grupo, mostra uma fina dose de ironia: política, religião e militarismo em uma ciranda de corrupção, onde o palhaço do circo é o povo, não importando orientação política. E o povo faz parte da ciranda, mostrando-se culpado de tudo de ruim que se faz nesse circo chamado Brasil.

No disco, o MX se mostra transitando entre um enfoque mais atual de sua música com características seminais que nos remetem aos clássicos da banda mencionados acima. A música do grupo soa cheia de vida, vigorosa e agressiva, um murro no conformismo musical de muitos. E é moshpit certo, um disco para se ouvir com o volume das alturas e punir aqueles vizinhos chatos que enchem os ouvidos alheios com estilo musicais populares (e lixosos).

Composto de 10 torpedos, “A Circus Called Brazil” vem para mostrar que eles não estão de brincadeiras.

Se destacam a ótima e rápida “Fleeing Terror” com suas guitarras excelentes de primeira (e certo toque de groove nas partes mais lentas), a azeda e sinuosa “Murders” (com sua mistura entre tempos mais velozes e outros nem tanto, mostrando boas partes de baixo e bateria), a mais cadenciada e densa “Mission” (tem certo acento moderno, mas com vocais com timbres mais rasgados de primeira), o murro sem dó nos ouvidos de “Lucky” (ótimas partes de guitarras, backing vocals insanos, e uma energia empolgante que irá causar moshpits), a técnica e opressiva “Cure and Disease” com seu ritmo mais lento, a mais “Old Days” “Keep Yourself Alive” (os andamentos nos remetem mesmo aos tempos de “Mental Slavery”, com um trabalho técnico ótimo da base rítmica), e o peso massivo e agressividade que fluem de “A Circus Called Brazil” (conduções em dois bumbos de acertadamente colocadas, além de ser bem diversificada musicalmente e ter algumas partes em que o timbre dos vocais ficam bem próximos dos de João Gordo).

Óbvio que a situação do país realmente está crítica, e o MX vem para mostrar em “A Circus Called Brazil” o que está acontecendo por aqui. Mas a envoltória musical que eles compuseram realmente é excelente!

E a versão física é da Shinigami Records!

Nota: 92%



segunda-feira, 4 de junho de 2018

FIFTH ANGEL - Time Will Tell


Ano: 1989
Tipo: Full Length
Selo: Epic Records
Nacional


Tracklist:

1. Cathedral
2. Midnight Love
3. Seven Hours
4. Broken Dreams
5. Time Will Tell
6. Lights Out (UFO cover)
7. Wait for Me
8. Angel of Mercy
9. We Rule
10. So Long
11. Feel the Heat


Banda:


Ted Pilot - Vocais
Ed Archer - Guitarras, teclados
Kendall Bechtel - Guitarras
John Macko - Baixo, teclados
Ken Mary - Bateria


Ficha Técnica:

Terry Brown - Produção, gravação
Noel Golden - Mixagem, engenharia
Amy Guip - Artwork
Lisa Dalbello - Backing vocals em “Broken Dreams” e “So Long” (convidado)


Contatos:

Assessoria:

Texto: Marcos Garcia


Nos anos 80, era algo bem comum o fato das grandes gravadoras lançarem uma penca de discos em um imenso pacote, denominando-os como uma coleção. Nelas, vinham bandas já com algum (ou muito) renome, puxando alguns nomes mais jovens. Uma que me esqueci do nome saiu por aqui em 1989-1990 pela Epic Records, trazendo muitas bandas bem novas e desconhecidas. Entre elas o grupo americano FIFTH ANGEL com seu segundo álbum, “Time Will Tell”. Óbvio que como a maioria, não emplacou, mas mesmo assim, esse é um daqueles discos que se ouve e se deixa repetindo muitas vezes.

Vindos de Bellevue, Washington (EUA), o quinteto fazia na época aquilo que muitos chamam de US Metal, ou o Power Metal americano dos anos 80 (não, meus caros, o Power Metal, enquanto rótulo surge nos EUA para definir as bandas de Metal que surgiam no início dos anos 80, e inclusive o METALLICA chegou a ser rotulado assim antes do “Master of Puppets”), ou seja, um som pesado e altamente melodioso, bem fácil de ser assimilado, com claríssimas referências ao JUDAS PRIEST, além da essência mais técnica dos músicos americanos.

Falando do disco em si: “Time Will Tell” é o primeiro (e único) trabalho do quinteto lançado pela Epic Records. Nele, em relação ao anterior (“Fifth Angel”, de 1986, lançado pela Shrapnel Records), a banda se encontra com linhas melódicas mais claras e acessíveis, refrães marcantes e toda uma estética que remete aos anos dourados da segunda metade dos anos 80, embora a abordagem do grupo seja muito particular (e muito talentosa, digamos de passagem). Em relação aos seus contemporâneos, o quinteto está claramente sabendo jogar as regras, usando seu talento e personalidade para se impor em uma competição nem sempre justa, e com os recursos de uma gravadora grande, conseguiram um resultado excelente.

Tomando conta da produção, está Terry Brown, conhecido por seus trabalhos com o RUSH de “Rush” até “Signals” (ou seja, a fase Prog Metal do grupo), e ele soube dar ao grupo um refinamento sonoro de primeira, com tudo soando claro e com a devida dose de peso. Além disso, a mixagem de Noel Golden deu brilho ao trabalho musical do quinteto. Tanto que podemos dizer que a qualidade sonora de “Time Will Tell” não foi consumida pelo tempo.

Por sua vez, a arte gráfica de Amy Guip ficou ótima, sem ser complexa demais, mas fugindo de algo muito simplório. Ficou na justa medida, justamente porque foge dos padrões.

Musicalmente, o amadurecimento do FIFTH ANGEL os coloca no mesmo patamar de talento que nomes como ARMORED SAINT, SANCTUARY, MALICE, LIZZY BORDEN e todas aquelas bandas norte-americanas ótimas dos anos 80. Além disso, “Time Will Tell” é um disco de enorme potencial comercial. Poderia ter ido longe, se a gravadora houve investido um pouco mais neles, e o Grunge e o Rock alternativo tivesse ficado no bueiro de onde nunca deveriam ter saído.

Técnica, peso, melodia e ótimas canções preenchem esse disco injustiçado. E falam por ele canções como a pesada e sedutora “Cathedral” (um típico Metalzão americano dos anos 80, com uma base melódica excelente, e ótimas guitarras), o peso Hard’n’Heavy grudento de “Midnight Love” e seu refrão inesquecível (e que vocais excelentes), a power ballad “Broken Dreams” e sua estética bem cuidada, a pesadona e com arranjos singulares “Wait for Me” (reparem como os teclados se encaixam perfeitamente, fora o peso técnico de baixo e bateria), as melodias acessíveis de “Angel of Mercy”, e o pegada mais agressiva e pesada de “We Rule” e “Feel the Heat”, com ambas remetendo ao disco anterior.

Mas duas músicas merecem menções honrosas e comentários avulsos: a versão pesada e personalizada que eles fizeram para “Lights Out”, um antigo clássico do UFO; e a faixa-título, “Time Will Tell”, que chegou a ter vídeo veiculado na MTV (inclusive aqui, apenas com uma diferença de uns dois anos do lançamento), onde todos os elementos que compõem o trabalho musical do FIFTH ANGEL ficam bem claros aos ouvidos: melodias muito bem cuidadas, instrumental privilegiado (sem ser técnico em excesso), boa dose de agressividade e um refrão que se ouve e nunca mais se esquece (lembro-me de ter ouvido este bendito refrão lá por 91 e nunca mais esqueci, só que não consegui ver qual era a banda nas legendas da MTV).

Infelizmente, “Time Will Tell” foi o segundo e último disco do grupo, que se dissolveu ainda em 1989. Houve uma reunião em 2010 para tocarem no Keep It True Festival em Lauda-Koenigshofen, na Alemanha. Em 2017, se reuniram de novo para um show em Seattle.

Mas apesar do vocalista Ted ter desistido da música e ser um cirurgião dentário nos dias de hoje, Ed, Ken, John e Kendall estão trabalhando em um disco novo, a ser lançado pela Nuclear Blast Records, talvez ainda este ano, pelo visto. Até lá, “Time Will Tell” continua sendo uma excelente pedida para aquecer os motores.

Ed, Ted, Ken, John and Kendall, I hope to wish you success and thank you for this Metal Masterpiece!

sexta-feira, 1 de junho de 2018

ST. MADNESS - Bloodlustcapades


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Day of the Dead
2. Folsom Prison Blues
3. Don’t Be Like the Blind
4. The Arrogance of Man
5. This is Your Reality
6. Made in China
7. Walk Your Own Path
8. Bloodlustcapades
9. Can’t Help Falling in Love with You
10. Warnings from the Past
11. King of the Damn World
12. Rigel
13. He’s Riding a Harley in Heaven


Banda:


Prophet - Vocais
Syd Ripster - Guitarras, backing vocals
Svarlet Rivers - Baixo
Big Daddy Sug - Bateria


Ficha Técnica:

Patrick Flannery - Produção, mixagem, masterização
Larry Elyea - Produção, mixagem, masterização
St. Madness - Produção
Dave Cornwall - Cordas em “Don’t Be Like the Blind”, cordas e piano em “Walk Your Own Path”, Moog noise em “Rigel”
Jeff West - Artwork


Contatos:

Site Oficial:



Texto: Marcos Garcia


Muitas vezes, perdemos uma das noções mais importantes do Metal e do próprio Rock em nossas concepções individuais (e mesmo grupais) sobre os estilos: que Metal e Rock são, prioritariamente, formas de diversão. Sim, pois são tantas regras e ditos sobre eles que deixamos de lado o lado divertido de se ouvir música. Mas é por isso que grupos como o quarteto norte-americano ST. MADNESS são importantes, pois nos lembram da essência da música. E o novo disco deles, “Bloodlustcapades” é uma aula de se fazer Metal com o coração, mas sempre sendo divertido.

Mesmo tendo 25 anos de muitas loucuras e Metal nas costas, o quarteto continua vigoroso em sua mistura de Thrash Metal com aspectos do Groove Metal e Metal tradicional (especialmente nas melodias), mas longe de soar datado. A energia que flui das canções de “Bloodlustcapades” é bem jovial, algo que anda em baixa em muitas bandas veteranas. Ao mesmo tempo, tudo soa coeso, pesado e em seus devidos lugares, algo que eles sempre souberam fazer.

Simplificando: “Bloodlustcapades” mostra uma faceta nova e jovem do ST. MADNESS, mas mantendo a coerência com seu passado.

A produção sonora é caprichada. Sonoridade limpa e pesada, mantendo todos os detalhes musicais da banda expostos, é a melhor qualidade sonora que a banda já teve, além do fato que os timbres instrumentais foram muito bem escolhidos. Tudo para que o quarteto pesado e cheio de “punch”.

E a arte, montada em “cartoons”, é muito legal, uma diversão muito interessante. É um tipo de arte gráfica que caiu em desuso, mas que sempre rende bons frutos, ainda mais cheia de referências a Elvis Presley e Johnny Cash. E a representação dos integrantes do ST. MADNESS ficou muito leal mesmo.

O grupo deu um passo adiante e abraçou a evolução sonora, sem, no entanto perder suas raízes e essência. A identidade deles continua a mesma da época de “God Bless America”, apenas se atualizando. E podemos dizer que todas as canções estão com uma gama de arranjos muito boa, sem comprometer o espírito espontâneo que sempre temos os discos deles.

Todas as canções são excelentes, mas é preciso mencionar o alto nível da pesada e moderna “Day of the Dead” (ótimas linhas de guitarras e vocais), o peso colossal e o feeling que fluem de “Don’t Be Like the Blind” (um jeitão meio Country/Southern Rock permeia a canção, com ótimas mudanças de tempo), a agressividade moldada com ótimas linhas melódicas de “The Arrogance of Man” (baixo e bateria mostram um ótimo trabalho nesta canção), a divertida “This is Your Reality” (reparem nos backing vocals bem postados), a pegada mais emotiva de “Walk Your Own Path” (mais uma vez, a banda mostra uma pegada melancólica cheia de influências do Southern Rock), a força agressiva e impactante de “Bloodlustcapades” (que guitarras!), as linhas melódicas cheia de Groove de “King of the Damn World”, e o jeito mezzo BLACK SABBATH e mezzo PANTERA de “He’s Riding a Harley in Heaven” são os melhores momentos do disco. Mas não se atrevam a deixar de lado as versões esmagadoras para “Folsom Prison Blues” de JOHNNY CASH e “Can’t Help Falling in Love with You” de ELVIS PRESLEY que eles fizeram, pois honram as originais, mas colocando a essência do ST. MADNESS nelas.

Mais um trabalho de primeira do grupo, que veio lembrar a todos que Rock é, antes de tudo, diversão.

Nota: 93%

NERVOSA - Downfall of Mankind


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Napalm Records (distribuição nacional pela Shinigami Records)
Importado com distribuição no Brasil


Tracklist:

1. Intro
2. Horrordome
3. Never Forget, Never Repeat
4. Enslave     
5. Bleeding
6. ... And Justice for Whom?
7. Vultures    
8. Kill the Silence
9. No Mercy
10. Raise Your Fist!
11. Fear, Violence and Massacre
12. Conflict
13. Cultura do Estupro
14. Selfish Battle


Banda:


Fernanda Lima - Baixo, vocais
Prika Amaral - Guitarras
Luana Dametto - Bateria    


Ficha Técnica:

Martin Furia - Produção
Hugo Silva - Arte da capa, design, artwork
V.O. Pulver - Mixagem
Alan Douches - Masterização
Michael Gilbert - Guitarras (convidado especial)
Rodrigo Oliveira - Bateria (convidado especial)
João Gordo - Vocais (convidado especial)


Contatos:

Assessoria: https://www.facebook.com/lpmetalpress/ (LP Metal Press)

Texto: Marcos Garcia


“Victim of Yourself” trouxe um Thrash Metal Old School bruto, cru e direto; “Agony” já mostrou maior abrangência musical, com muito da energia do Death Metal surgindo entre as linhas melódicas do Thrash Metal mais moderno. Logo, a pergunta que surge é: como o NERVOSA, trio de Thrash Metal de São Paulo (SP) se apresenta em “Downfall of Mankind”, recém-lançado terceiro disco da banda?

Basicamente, o grupo mistura um pouco dos dois discos anteriores, sem contar que mostra que vai adiante. As músicas de “Downfall of Mankind” soam mais duras e diretas (algo que remeterá ao primeiro álbum), enquanto a pegada furiosa e cheia de brutalidade em algumas partes, juntamente com diversidade dos andamentos entre as músicas, são evoluções do que se ouve em “Agony”. Mas se percebe que a fúria sonora está em outro patamar, chega a doer os ouvidos menos experientes, especialmente em partes bem extremas.

Logo, o NERVOSA está mostrando suas garras, sua fúria incontida, e verdade seja dita: está altamente empolgante!

Produzido pelo argentino Martin Furia (que cuidou da engenharia da banda em sua última turnê europeia), que realmente deu uma sonoridade impactante e agressiva a “Downfall of Mankind”, e a escolha dos timbres instrumentais deixa claro que o lance era soar como um coice de mula nos dentes. Mas mesmo assim, se percebe que a estética bem acabada da produção deixou a sonoridade clara de uma maneira que se consegue compreender o que elas estão tocando. E mais um ponto: o disco soa vivo, moderno e pesado, fugindo da estética “old school” que tantos adoram emular.

E a arte de Hugo Silva dá uma ambientação sinistra ao disco, reforçando a atmosfera opressiva.

A verdade seja dita: a experiência em grandes festivais e longas turnês levou a banda a outro patamar musical. É um disco profissional, mas feito com muita espontaneidade, capaz de deixar os ouvidos apitando devido à agressividade desmedida. Mas se repararem, a banda mostra arranjos musicais mais simples, e os andamentos mudam bastante de uma faixa para outra (e mesmo dentro delas). E por ser o disco de estreia da baterista Luana, ela parece ter chumbo nas mãos e nos pés, e trouxe muitos tempos do Death Metal consigo. Além disso, temos a participação de alguns convidados, como o vocalista João Gordo (do RDP, como se fosse necessário maiores apresentações), o guitarrista Michael Gilbert (do FLOTSAM & JETSAM), e o baterista Rodrigo Oliveira (do KORZUS). Agora, caiam dentro, e preparem o queixo!

A verdade é que “Downfall of Makind” transpira uma fúria musical absurda, e é do jeito “ame ou odeie”, não tem meios termos. É para esmagar ossos e destruir pescoços!

“Horrordome” é uma faixa incendiária, cheia de energia, e bem veloz, mostrando um ritmo insano (e com ótimo trabalho da bateria), seguida da escarrada brutal de “Never Forget, Never Repeat”, que possui passagens de tempos bem interessantes, fora riffs excelentes. Com uma pegada Thrasher mais clássica com uma moldagem moderna, “Enslave” é rascante até os ossos (que urros extremos, e ótima dicção). A cadência opressiva do início de “Bleeding” é esmagadora, mas se alterna com partes rápidas que remetem a “Victim of Yourself”. E o moshpit come solto na empolgante “... And Justice for Whom?”, outra em que a banda rebusca seus elementos mais clássicos (embora existam partes de 1X1 insanas). O clima Death/Thrash fica ainda mais denso em “Vultures”, um dos momentos mais agressivos do disco, mesmo em seus momentos Thrash Metal. Outra que nos leva a pensar no primeiro disco em termos de energia e riffs é “Kill the Silence”, uma faixa ferina e cheia de energia de fazer o queixo cair, fora boas mudanças de tempo, assim como “No Mercy” (que tem alguns momentos mais elaborados de baixo e bateria). Uma introdução que entremeia discursos de líderes políticos revolucionários abre a explosão de agressividade de “Raise Your Fist!”, que mais uma vez mostra a junção dos elementos de “Victim of Yourself” e “Agony”, especialmente nas guitarras (a modernidade é tamanha que existem algumas partes delas que nos remetem um pouco a “Chaos A. D.”). Mais simples, direta e na cara é “Fear, Violence and Massacre”, onde a base baixo e bateria mostra sua eficiência e coesão. Com uma diversidade técnica um pouco maior, temos “Conflict”, onde mais uma vez os vocais estão ótimos (o uso de mudanças de timbre se tornou recorrente na música da banda, o que é bom). A tradicional música cantada em português da banda é a golfada de ódio de “Cultura do Estupro”, com uma pegada bem tradicional do grupo, mostrando mais uma vez como baixo e bateria estão bem entrosados (e onde vemos o dueto de Fernanda com João Gordo). E a faixa-bônus “Selfish Battle” vem encerrar o disco, sendo que existe uma ambientação diferente em algumas partes, com ótimas melodias e vocais limpos ótimos (Fernanda, bem que poderias usar mais esse recurso, hein?), mas quem rouba a cena é mesmo Prika com solos melodiosos ótimos e bases bem feitas.

O NERVOSA deu um passo adiante com “Downfall of Mankind”, e logo serão o grande nome do Metal nacional no exterior, quer queiram, quer não. E apesar de não existir previsão para lançamento nacional, ele será distribuído por aqui pela Shinigami Records.

Nota: 100%