quinta-feira, 12 de julho de 2018

CROMATA - ... Everything That Comes From Shadows


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Biocode
2. The Level of Souls 
3. Lighthouse 
4. Resigned in Blood


Banda:


Dedé Costa - Guitarras, vocais
Julinho - Baixo
Daniel “Cowboy” - Bateria


Ficha Técnica:

Cromata - Produção, mixagem,
Absolute Master - Masterização
Maloik - Artwork


Contatos:

Site Oficial: www.cromata.com.br
Assessoria:

Texto: M. Garcia


Falar que o Rio Grande do Sul tem tradição em termos de Metal é bem redundante. Ainda mais se falarmos nas vertentes mais extremas, onde nomes como KRISIUN e REBAELLIUN mostram a potência do estado como criadouro. E mais um bom nome surge das terras dos Pampas: o CROMATA, de Porto Alegre, que chega com seu EP de estréia, “... Everything That Comes From Shadows”.

Basicamente, temos um grupo de Death Metal cujas referências estão na leva dos anos 90, em especial as escolas da Flórida e da Holanda (nomes como DEATH e PESTILENCE antigo surgem em nossas mentes, e não por mero acaso), mas sem negar alguma coisinha mais moderna aqui e ali (não é à toa que se sente a forte influência do AT THE GATES e EDGE OF SANITY em “The Level of Souls”). Só que, ao mesmo tempo, o trabalho do grupo mostra personalidade forte devido ao bom nível técnico e alguns arranjos mais melodiosos que tornam sua música ainda mais agressiva e coesa, para o desespero dos que acham que o estilo é apenas barulho mal feito. Ainda existem ajustes a serem feitos, mas o grupo é promissor, verdade seja dita.

A sonoridade é crua, mas no ponto ideal para que soe bruto e ríspido. Mas ao mesmo tempo, houve uma preocupação estética na escolha dos timbres instrumentais (só a caixa da bateria poderia ter timbres um pouco melhores, mas é um detalhe apenas em meio aos acertos que eles tiveram), ao mesmo tempo em que se buscou aliar a crueza com alguma clareza (necessária para que compreendamos o que está sendo tocado). E como a Absolute Master trabalhou com a masterização, fica evidente o motivo desse brilho adicional à qualidade sonora.

O ponto forte do CROMATA é a solidez de suas composições, a energia e a vibração que bandas jovens costumam mostrar. E mesmo com bom nível técnico individual, é evidente que eles buscam soar como uma unidade, sem exibições desnecessárias. E isso mostra que realmente estamos diante de mais uma promessa no cenário nacional, mas uma promessa que já começa a mostrar seu valor agora.

As quatro composições mostram muito potencial a ser explorado. Em “Biocode” temos uma introdução muito bonita, seguida de um andamento em tempo mediano, além de bons arranjos em termos de baixo e bateria. Também não sendo tão veloz como a predecessora, temos algo de moderno e mesmo influências de Hard Rock são encontradas nas partes de guitarras de “The Level of Souls” (especialmente nos solos). Alguns toques jazzísticos e boas melodias surgem em “Lighthouse”, com arranjos criativos e ótimos vocais. Um pouco mais tradicional em termos de Death Metal é “Resigned in Blood”, embora existam passagens mais técnicas em termos de baixo e bateria que encaixaram perfeitamente na canção.

O CROMATA chega muito bem com “...Everything That Comes From Shadows”, logo, não será mero ocaso do destino que eles venham a se tornar um nome forte no cenário.

Em tempo: após o final das gravações, mais um guitarrista entra para banda, Guga “Djaba”, para que o grupo não perca seu “approach” pesado e agressivo ao vivo.

Nota: 86%

TENEBRÁRIO - The Silence of the Ancient Souls


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Nacional


Tracklist:

1. Like No Other 
2. The Castle (New Version) 
3. God Symphony (New Version) 
4. Amrá


Banda:


Alexdog - Vocais, baixo
Eduardo Borrego - Guitarras
Kaue Assis - Guitarras
Waine Assis - Bateria


Ficha Técnica:

Alexdog - Produção, mixagem, masterização
Tenebrário - Produção
Adriana Silva - Arte da capa e contracapa
Paulo Cássio R. Lemes - Arte da capa e contracapa


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: www.facebook.com/cangacorockcomunicacoes/ (Cangaço Rock Comunicações)

Texto: M. Garcia


O Brasil sempre está em paralelo com as tendências mais recentes do exterior em termos de Metal, e mesmo quando uma vertente antiga começa a ter mais sucesso, nomes vão surgindo por aqui, ou então os velhos medalhões lançam algo novo. E o quarteto paulista TENEBRÁRIO é um deles. Após voltar a ativa, eis que chega seu primeiro trabalho novo, o EP “The Silence of the Ancient Souls”.

No Brasil, qualquer vertente que pense recebe “inserts” das influências musicais individuais dos músicos, logo, não é à toa que o Heavy/Doom Metal do grupo nos parece mais versátil e solto do que se ouve por aí. Na realidade, o rótulo só serve para situar-nos, pois temos algo um pouco mais diversificado, mais solto e espontâneo do que aquele som grave e arrastado (e engessado) costumeiro, inclusive com passagens onde a influência do Classic Rock/Hard Rock surge claramente. Sem falar que as novas versões de duas músicas antigas servem como parâmetro para visualizarmos como o trabalho deles evoluiu.

Sim, “The Silence of the Ancient Souls” é um trabalho bem legal de se ouvir.

A produção é bem artesanal. Fica claro que tudo foi gravado, mixado e masterizado de uma forma em que o som ficasse bem orgânico, mas aonde a crueza vem dos timbres escolhidos para os instrumentos musicais, e não na gravação. Dessa forma, temos a compreensão do que é tocado, mas com um som massivo, pesado e cru.

O TENEBRÁRIO é um veterano, mas mesmo assim, não abre mão de evoluir, de buscar sempre melhorar a si mesmo, sem ficar vivendo de seu passado. Mas não esperem que a banda tenha trocado de gênero musical ou que seu trabalho esteja descaracterizado. Este autor escreveu “evolução”, e não “mudança de estilo”. E fica claro que a técnica individual não é o enfoque deles, mas que as canções soem coesas, sólidas como rochas.

“Like No Other” é uma canção sólida, pesada e densa, mas com clara menção ao Hard Rock em várias partes, e mostrando um trabalho bem legal nas guitarras. Já com um toque mais voltado ao Stoner Rock temos as versões novas de “The Castle” e “God Symphony”, que mostram o quanto a banda é fiel a sua música, mantendo a essência original, mas com uma roupagem mais moderna (que ressalta bem o trabalho pesado de baixo e bateria). E “Amrá” já é mais pesada e climática, mas com melodias opressivas de primeira, e mostrando bem como esse vocal à lá “urso urrando raivoso” encaixa bem nas linhas instrumentais do grupo.

“The Silence of the Ancient Souls” é um bom lançamento, e uma excelente pedida para os fãs de Metal em geral.

Nota: 84%

PANDEMMY - Rise of a New Strike


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. One Step... Foward
2. Circus of Tyrannies
3. State of War
4. 7000 Days of Terror (and the New Attempt)
5. Almost Dead
6. Rise of a New Strike
7. Inferno is Over
8. Stars of Decadence
9. Against the Perfect Humankind
10. No Reasons for Losses
11. Ecce Homo
12. Nephente


Banda:


Vinícius Amorim - Vocais
Pedro Valença - Guitarras
Guilherme Silva - Guitarras
Marcelo Santa Fé - Baixo
Arthur Santos - Bateria


Ficha Técnica:

Júnior Supertramp - Produção, mixagem, masterização
Pedro Valença - Co-produção
Guilherme Silva - Co-produção
Fabiano Penna - Arranjos em “No Reason for Losses”
Bruno Marques - Arranjos em “No Reason for Losses”


Contatos:

Assessoria: http://www.sanguefrioproducoes.com/artistas/PANDEMMY/44 (Sangue Frio Produções)

Texto: M. Garcia


Fazer Death/Thrash Metal nestas terras descobertas por Pedro Álvares Cabral em 1500 nunca foi algo muito simples. Sempre houveram as dificuldades inerentes ao underground e ao romantismo em exacerbar as tribulações que uma banda tem que passar por conta do descaso dos fãs. Mas o valor do trabalho de um grupo não está ligado a tantas penúrias, mas à criatividade de seus integrantes. E é muito bom ver que o PANDEMMY, de Recife (Pernambuco) não desiste e vem com tudo em “Rise of a New Strike”, seu álbum mais recente.

Na realidade, o disco é de 2016, mas somente agora chega em versão física, graças aos esforços da Sangue Frio Produções e da Burn Distro. E nele, se percebe que a banda evoluiu em relação a “Reflections & Rebellions” de 2013. A banda foge um pouco do padrão, sabendo adicionar passagens mais melodiosas em sua música, o que lhes confere personalidade. Óbvio que o quinteto ainda pode render bem mais, mas estão no caminho certo, e mesmo assim, já fazem um trabalho de ótimo nível.

Em termos de sonoridade, a produção de “Rise of a New Strike” é bem feita. Houve uma preocupação óbvia de fazer com que as composições sejam entendidas sem dificuldades, ou seja, soa limpo e com timbres escolhidos cirurgicamente. Mas nem por isso a agressividade está reduzida, nada disso: por estar limpo é que soa ainda mais bruto. E em termos de arte gráfica, ela ficou muito boa, com uma diagramação profissional, e a capa realmente mostra o que o disco tem em termos musicais.

A consensualidade entre o que foi feito em “Reflections & Rebellions” e “Rise of a New Strike” é óbvia, embora o tempo já tenha lapidado bastante o trabalho deles. Os arranjos fluem de forma mais espontânea, moldados pelas melodias que foram criadas, e sem falar que o instrumental melhorou bastante em termos de diversidade técnica. Ou seja, houve evolução, mas sem que o passado do grupo seja jogado fora.

Um dos aspectos mais legais do disco é a presença de contrastes entre partes brutais e mais trampadas (com aquelas levadas Thrashers empolgantes), músicas cadenciadas e outras mais velozes, enfim, variações rítmicas. E a pancadaria incessante de “Circus of Tyrannies” (excelente trabalho de baixo e bateria, digamos de passagem), as passagens trampadas de “State of War”, a opressão pesada do ritmo cadenciado e sinuoso de “7000 Days of Terror (and the New Attempt)” (passagens melodiosas e introspectivas mostram a versatilidade das guitarras), a técnica Death/Thrash mais tradicional de “Rise of a New Strike” (os vocais encaixaram muito bem nesse ritmo mais lento e bruto), e a densa e bem trabalhada “No Reasons for Losses” são os melhores momentos do disco. Mas na versão física, estão presentes duas faixas extras: “Ecce Homo” (brutal e bem trabalhada) e “Nephente” (mas melodiosa, com muitas passagens com vocais operísticos), ambas com um jeitão mais evoluído, levando a crer que o quinteto ainda vai surpreender os fãs de Metal brasileiro (e mesmo os descrentes que só olham para a Europa e os EUA).

No mais, “Rise of a New Strike” nos mostra que o PANDEMMY tem tudo para se tornar um dos pilares do gênero por aqui. Ponho fé.

Em tempo: o vocalista Vinícius Amorim gravou o álbum, mas saiu, e em seu lugar, está Rayanna Torres.

Nota: 88%

terça-feira, 10 de julho de 2018

FUSILEER (Thrash Metal - Guarapuava/PR)


Início de atividades: 2010
Discos lançados: War Triumph (EP)
Formação atual: Kiko (baixo, vocais), Fernando (guitarras), Adilson (bateria)
Cidade/Estado: Guarapuava/PR


MG: Como a banda começou? O que o incentivou a formarem uma banda?

Kiko: A banda começou em setembro 2010 com o nome de Immortality dois irmãos e um primo que pensavam em fazer um Heavy Metal tradicional com o passar do tempo o som foi ficando mais pesado e aí houve uma reformulação do estilo passando então a se chamar FUSILEER e adotando o Thrash Metal a partir de 2014.


MG: Falem um pouco sobre este atual álbum. Como foi feita a parte de composição, gravação e lançamento?

Kiko: O “War Triumph” é uma Demo com 6 músicas bem Thrash Metal Old School fizemos tudo com o sangue Thrash nas veias mesmo, gravada e mixada em apenas 2 meses e lançada sem nenhum selo ou apoio totalmente independente alcançou lugares que a banda não imaginava que ia chegar.


MG: Quais as maiores dificuldades que estão enfrentando no cenário?

Kiko: As dificuldades são as mesmas de sempre lugares que abram as portas pra bandas dependentes para o underground e principalmente os que se dizem tão a favor do movimento mais querem que as bandas paguem pra tocar; todos ganham em um evento segurança, bar, organizador e na maioria das vezes a banda não, uma banda tem custos (e não são poucos) acredito que esta seja a maior dificuldade.


MG: Como estão as condições em sua cidade em termos de Metal/Rock? Conseguem tocar com regularidade? A estrutura é boa?

Kiko: As coisas não são tão simples assim em qualquer parte mais acredito que para o tamanho da cidade aqui é bem movimentado o cenário underground. Tem uma estrutura ótima quando se propõe a fazer algum evento aqui por aqui. Estamos tocando bem ultimamente e a ideia é aumentar esse número de shows assim que saia o novo álbum!!!


MG: Hoje em dia, muitos gostam de declarar o fim do Metal, já que grandes nomes estão partindo, e outros parando. Mas e vocês, que são uma banda, como encaram esse tipo de comentário?

Kiko: Tudo tem que ser renovado, lendas são lendas jamais serão esquecidas, mas tem muita coisa boa por aí. Somos fãs de Metal também, não cabe a nós só criticar mais também ter esperança e o que gostamos de ouvir e fazer tenha seu reconhecimento, como já diz a música do VIOLATOR, uma das referências para nós no Underground: “The Plague Never Dies.


MG: Em termos de Brasil, o que ainda falta para o cenário dar certo? Qual sua opinião?            

Kiko: A minha opinião é que devemos valorizar e respeitar o que temos em nosso país tem bandas que são ótimas ou tão quanto as chamadas “gringas”.


MG: A banda já trabalha em um novo álbum certo? Fale um pouco mais dele para os nossos leitores.


Kiko: Estamos trabalhando a quase um ano já desde a composição,gravação e mixagem já estamos em fase final acertando alguns detalhes. Tudo foi feito bem planejado sem pressa para que o resultado seja o melhor possível. O álbum conta com 8 músicas todas seguindo a linha Thrash Metal,a sonoridade e qualidade de som bem produzidas em questão do primeiro trabalho estamos bem satisfeitos com o que está sendo feito.

Quem conhece a banda pode se preparar para a pancada sonora!!!


MG: Além deste novo material, quais são os projetos futuros da banda?

Kiko: A princípio é o lançamento deste álbum aí vamos planejar um sistema de divulgação em massa, toda banda quer alçar lugares mais altos acredito eu.

MG: Deixem sua mensagem final para os leitores.

Kiko: Agradecemos o apoio de quem está sempre acompanhando a banda as críticas o público que sempre incentiva e quer saber quando sai o novo CD pode ter certeza que vai valer a pena a espera.

Agradecemos ao Patrick (Sangue Frio Produções) que é um dos idealizadores desse projeto ao Thiago (Fug Design) pela arte e também ao Alessandro (Space K Studio) pela parceria paciência e apoio para que o resultado final seja o melhor possível, e principalmente ao espaço que nos permitiram para essa entrevista.

E a mensagem que deixamos é que o Metal precisa de nós e resta a nós não deixar esse estilo morrer o underground corre em nossas veias!

“Thrash 'till Death”.


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segunda-feira, 9 de julho de 2018

OCULTAN - Quintessence


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Intro
2. Kalima
3. Dragão Negro
4. Queen of Shadows
5. Apophis
6. Set-Typhon
7. Father of the True Light
8. Anti Cosmic Legion


Banda:


C. Imperium Vociferous Necrocosm - Vocais
Lady of Blood - Guitarras
Kazoth Bey - Baixo
Mephisto Luciferius - Bateria


Ficha Técnica:

C. Imperium Vociferous Necrocosm - Produção, mixagem, masterização, arte da capa, layout, design
Lady of Blood - Produção, mixagem, masterização
Márcio Rogério Silva - Arte do encarte
Dara Mortimer - Corais


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:


Texto: M. Garcia


Certa vez, em um show em junho de 2004, este autor conversava com um amigo músico. Ele me falou de quanto gostava do jeito mais simples e direto de algumas bandas de Black Metal. Inclusive ele já endeusava o quarteto OCULTAN naqueles dias. Hoje, 14 anos depois e com vários discos lançados após “The Coffin” (que é o disco da época em que eu e este músico amigo conversamos), o grupo paulista continua sendo uma das grandes forças do Black Metal brasileiro, e seu décimo álbum, “Quintessence”, só prova isso. Um lançamento que a Heavy Metal Rock Records botou no mercado.

Óbvio que eles evoluíram muito nesses anos, lançando discos excelentes m atrás do outro. Talvez porque o OCULTAN não fuja de sua personalidade, porque não abrem mão de seu jeito de fazer música. Mas mesmo assim, a evolução é clara, lapidando muito bem o talento deles. Continua sendo sujo, distorcido e cru, como é uma tradição deles, mas ainda encorpado com a sabedoria que o tempo lhes deu. E digamos de passagem: eles não erram!

A produção musical está um pouco mais crua do que se ouve no trabalho anterior, o ótimo “Nexion Chaos”. Mas como dito antes, a sabedoria em equilibrar a sujeira dura de sua sonoridade com a necessidade de se fazer entender, o quarteto já desenvolveu há anos. O peso é garantido, a agressividade é ótima (embora usando de uma estética mais melodicamente obscura), e o grupo se mostra inspirado.

No que tange a arte gráfica, dessa vez, o grupo busco algo mais elaborado, visualmente mais bonito, talvez para contrastar com a rispidez sonora. Mas ficou ótima, com capa instigante e a arte do encarte, perfeita. Além disso, tudo vem em um formato Digipak de 3 painéis (veja na foto ao lado).

Há alguns anos o OCULTAN vem promovendo uma sequência de grandes álbuns. E “Quintessence” não foge à regra. Os vocais continuam mostrando uma ótima alternância entre timbres guturais e outros mais rasgados (embora mais evoluídos desde que C. Imperium assumiu a função integralmente), assim como a base rítmica de Kazoth Bey (baixo) e do estreante Mephisto Luciferius (bateria) é sólida, pesada e bem trabalhada (tanto que as mudanças de tempos estão presentes no disco todo, dando maior diversidade ao trabalho da banda), e o excelente trabalho em termos de riffs de guitarras realmente aclimatam o som do grupo, dando aquele jeito soturno e obscuro à lá SWOBM (Second Wave of Black Metal). Mas não se enganem: eles não são tão puristas, pois se percebem algumas influências de Death Metal aqui e ali, aglutinando ainda mais valor ao trabalho da banda.

Após uma introdução bem climática, temos a rigidez brutal e atmosférica de “Kalima” (recheada de ótimas passagens de ritmo, fora o conjunto de riffs de guitarra seja ótimo), seguida do jeitão mais tradicional (em termos de OCULTAN) de “Dragão Negro” (ou seja, é uma canção mais simples, direta ao ponto, mas com ótimos vocais). Uma ambientação bem obscura aguarda o ouvinte em “Queen of Shadows”, uma canção de andamento mais lento, privilegiando o peso, e mostrando guitarras excelentes, enquanto a brutalidade técnica de “Apophis” mostra-se mais veloz, embora com ritmos alternados excelentes (ótimas conduções nos dois bumbos). Já buscando algumas passagens melodiosas que remetem ao Black Metal praticado por bandas do Oriente Médio (e que encaixam como uma luva) é “Set-Typhon”, onde os vocais novamente se destacam (espero que nunca mais C. Imperium pense em tocar e cantar ao mesmo tempo, pois é um dos melhores vocalistas do Black Metal brasileiro, sem exageros). “Father of the True Light” novamente mostra uma pegada melodiosa e azeda até os ossos, com riffs simples e de fácil assimilação pelo ouvinte (e se reparem, existem trechos de vocais agonizantes de fundo, mostrando como este aspecto da banda não ara de evoluir). E fechando, a causticante “Anti Cosmic Legion” vem mostra parte de guitarras empolgantes demais (não canso de escrever isso: Lady of Blood é uma das melhores guitarristas do gênero do Brasil), adornada por arranjos muito bons.

E assim, o OCULTAN mostra que permanece fiel às suas raízes e convicções, mas sem abrir mão de saberem crescer musicalmente. Ou seja, existe um equilíbrio, e por isso, “Quintessence” já nasce como um dos melhores discos de Metal extremo do ano.

Nota: 100%


terça-feira, 3 de julho de 2018

ORPHANED LAND - El Norra Alila (remasterizado)


Ano: 1996 (original) / 2018 (lançamento brasieiro)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Find Your Self, Discover God
2. Like Fire to Water
3. The Truth Within
4. The Path Ahead
5. A Neverending Way
6. Takasim
7. Thee by the Father I Pray
8. Flawless Belief
9. Joy
10. Whisper My Name When You Dream
11. Shir Hama’alot
12. El Meod Na’ala
13. Of Temptation Born
14. The Evil Urge
15. Shir Hashirim


Banda:


Kobi Farhi - Vocais
Yossi Sassi - Guitarra solo
Matti Svatizky - Guitarra base
Uri Zelcha - Baixo
Sami Bachar - Bateria


Ficha Técnica:

Kobi Farhi - Produção, mixagem, artwork
Yossi Sassi - Produção, mixagem
Udi Koomran - Engenharia, mixagem, masterização
Ran Bagno - Masterização
Ehud Graff - Artwork
Patrick W. Engel - Remasterização (2016)
Hadas Sasi - Vocais femininos
Amira Salah - Vocais femininos
Abraham Salman - Kanun
Avi Agababa - Tamborim, darbuka, zil, tar, bendir, darbuka
Yariv Malka - Samples, shofar
Sivan Zelikoff - Violino
Felix Mizrahi - Violino
Avi Sharon - Oud, backing vocals
David Sasi - Vocais, backing vocals


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Texto: Marcos Garcia


Muitas vezes, algumas pessoas se perguntam o motivo de certos discos serem relançados em versões remasterizadas. A mais óbvia das respostas é a mais certa: por um motivo ou outro, muitos fãs ainda não possuem aquele disco em questão. Logo, os relançamentos têm esse fundo nobre, além de despertarem certa nostalgia. Para nós, que moramos no Brasil, o lançamento da versão remasterizada de “El Norra Alila”, segundo disco do grupo israelita ORPHANED LAND, vem não só para despertar a paixão dos fãs, mas acessibilidade, já que nunca foi lançado oficialmente por aqui. Ponto para a Shinigami Records mais uma vez.

Se nós podemos dividir a carreira do quinteto em duas, “Sahara” e “El Norra Alila” estão na parte que antecede um silêncio de 8 anos sem lançamentos oficiais deles (que só será rompido em 2004, com o lançamento de “Mabool - The Story of the Three Sons of Seven”). E embora ainda mantenha certa crueza sonora devido às influências de Metal extremo, este CD já está bem próximo dos últimos discos do quinteto, com maior esmero em termos de arranjos, mas mantendo a fórmula de Metal + música regional do Oriente Médio, apenas de uma forma mais bem lapidada. Inclusive os vocais limpos tão característicos do grupo começam a ter maior proeminência em relação o que ouvimos em “Sahara”, onde a maior parte deles se focada em tons quase góticos.

Desta forma, se percebe que “El Norra Alila” faz a ponte entre a agressividade do passado com a estética mais elaborada do futuro.

Assim como “Sahara”, este disco foi gravado e mixado nos Sigma Studios, em Tel-Aviv (Israel), exceto “Shir Hashirim”, que foi gravada no The Infinite Studio. A qualidade sonora melhorou bastante, com maior clareza, bem como uma estética mais burilada em termos de tons instrumentais (agora nem tão voltados ao Metal extremo assim). Embora ainda use de certa crueza sonora, ela está paralela ao que o disco nos mostra. Inclusive a remasterização, feita mais uma vez no Temple of Disharmony na Alemanha, em 2016, deu uma melhorada, um brilho extra à sonoridade.

A arte gráfica, assim como em “Sahara”, é toda nova, trazendo uma nota introdutória do vocalista Kobi ao que é o Oriental Metal. Ficou elegante e vistosa, como se vê em relançamentos remasteriados.

Um dos pontos fortes desse álbum são os contrastes entre as partes pesadas e aquelas onde temos a presença de elementos orientais. Tanto o é que o nome “El Norra Alila” é a junção dos termos hebraicos ‘El Nor’ (deus da luz) e ‘Ra Alila’ (mal da noite). O disco também mostra maior presença de percussões, além da utilização de violinos, vocais femininos e outros elementos que, se por um lado já eram presentes antes, agora ganham maior evidência. Sim, o ORPHANED LAND evoluiu bastante de um disco para o outro.

15 músicas são apresentadas ao ouvinte (embora algumas sejam temas bem curtos em que o lado oriental do trabalho deles seja bem mais evidenciado). E mesmo formando um contexto homogêneo, destacam-se as melodias sinuosas e densas de “Find Your Self, Discover God” (um belo trabalho nas guitarras, verdade seja dita, com riffs muito bons), a complexidade rítmica de “Like Fire to Water” (realmente, baixo e bateria mostram-se ótimos, e a presença de percussões regionais deixa tudo ainda mais interessante), a densa e bem emotiva “The Truth Within” (embora os vocais estejam ótimos, é impossível não citar os belos solos de guitarra), o peso evolvente à lá anos 90 de “Thee by the Father I Pray” (que nos remete ao Melodic Death Metal praticado naqueles dias em suas partes mais cruas) e de “Whisper My Name When You Dream” (os vocais mais limpos e sem entonações sussurradas contrastam muito bem com as incursões de vozes femininas), a calmaria melodiosa de “Shir Hama’alot” (outra canção deles que é focada apenas em elementos regionais, que ficou excelente), o mix de Metal com estilos musicais do Oriente Médio que surge em “El Meod Na’ala”, além da agressividade delineada por partes melancólicas de “Of Temptation Born”. Todas são músicas excelentes, assim como as que não foram mencionadas.

Óbvio que as letras do grupo já estão melhores do que se vê em “Sahara”, pois a banda evoluiu em todos os sentidos. O chamado à paz que é feito está ainda mais claro, com o grupo usando letras em hebraico e mesmo latim. As mudanças que explodirão no futuro começam a aparecer.

Dessa forma, “El Norra Alila” vem até nós, fãs brasileiros, pela primeira vez em um lançamento nacional. E é um disco ótimo, que tende a conquistar ainda mais fãs para o grupo.

Shalom!
  
Nota: 94%

ORPHANED LAND - Sahara (remasterizado)



Ano: 1994 (original) / 2018 (lançamento brasileiro)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

Sahara:

1. The Sahara’s Storm
2. Blessed Be Thy Hate
3. Ornaments of Gold
4. Aldiar Al Mukadisa

The Beloved Cry:

5. Seasons Unite
6. The Beloved’s Cry
7. My Requiem
8. Orphaned Land, the Storm Still Rages Inside...


Banda:


Kobi Farhi - Vocais
Yossi Sassi - Guitarra solo, oud
Matti Svatizky - Guitarra base
Itzik Levi - Teclados, piano, samples
Uri Zelcha - Baixo
Sami Bachar - Bateria


Ficha Técnica:

“Neve Israel” Synagogue - Backing vocals
Abraham Salman - Kanun
Hadas Sasi - Vocais femininos
Amira Salah - Vocais femininos
Albert Dadon - Darbuka
Asaf Bar-Lev - Mixagem
Tamir Muskat - Engenharia, mixagem
Gary Gani - Mixagem, engenharia (assistente)
Yotam Agam - Engenharia (segundo assistente)
Eran Zira - Engenharia (segundo assistente)
Kobi Farhi - Artwork
Uri Zelcha - Artwork
Patrick W. Engel – Remasterização (2016)


Contatos:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Cada dia que passa, vemos as famosas versões “remaster” de discos antigos, ou seja, aqueles que passam por uma nova masterização, visando adequar a qualidade aos tempos atuais, e ao mesmo tempo, dar mais peso e brilho ao som. Nisso, somos sortudos, pois a Shinigami Records nos presta mais uma vez um serviço maravilhoso: disponibilizou as versões nacionais remasterizadas de 2016 de “Sahara” e “El Norra Alila”, que vieram ao mundo para comemorar os 25 anos do grupo israelita ORPHANED LAND.

Nesta resenha, falaremos do primeiro disco do grupo, “Sahara”, de 1994.

Digamos que aqueles tempos eram bem conturbados. Ainda haviam brasas intensas devido à Guerra do Golfo de 1991, bem como se buscavam saídas pacíficas. Yitzhak Rabin e Yasser Arafat (líder da Organização para a Libertação da Palestina) buscavam soluções diplomáticas, mas como sabemos, em novembro de 1995, Rabin foi assassinado. Em um contexto tão caótico, o Metal se torna uma possibilidade para lidar com as frustrações. Nisso, juntando o amor pelo Heavy Metal às influências de música oriental e World Music que o líder do grupo, o vocalista Kobi Farhi, adquiriu com a família (ele é natural de Jaffa, uma cidade de população heterogênea, com muitos cristãos, israelitas e muçulmanos), e pronto: nasceu o mix de Metal com música do Oriente Médio, que chamamos Oriental Metal.

Em “Sahara”, mesmo com um estilo novo, o sexteto já mostra uma veia muito experimental, algo incomum naqueles anos. Mas apesar disso, a maior contribuição ao lado “Metal” do ORPHANED LAND ainda tem profundas raízes no Death Metal e no Doom Metal (reparem bem nos timbres dos vocais limpos e nos das guitarras). Por isso, a música da banda ainda está bem crua e cheia de agressividade, mas ainda assim, mostram uma técnica instrumental rebuscada, além de criatividade. Óbvio que o tempo iria lapidar bastante o trabalho deles, mas já se mostravam uma banda e tanto na época.

Esta versão de “Sahara” é remasterizada das fitas DAT originais da época, sendo que o disco foi gravado no Sigma Studio, em Tel Aviv, Israel, no mês de junho d 1994. E imaginem gravar, produzir e mixar o disco eles mesmos, sendo que eram todos adolescentes, e sem quem os ajudasse. É, não foi simples, ainda mais que gravar Metal em Israel era algo totalmente novo. Por isso, o que eles conseguiram não deixa de ser surpreendente, pois fazer com que o balanço entre a crueza, a agressividade de sua música não sobrepusesse suas influências orientais ou destruísse a clareza (o que nos permite compreender a complexidade de sua música) nesse estágio e com essas condições é um trabalho muito difícil. E com um resultado ótimo, digamos de passagem.

Além disso, o CD nos mostra a arte original na capa (embora diferente daquela vista na primeira versão), uma foto tirada da Mesquita Azul, em Istambul (Turquia). O encarte é todo novo, com uma editoração mais bonita, e ainda possui uma introdução sobre o Oriental Metal, escrita pelo próprio Kobi.

Apesar de tantos percalços para lidar, o grupo fez de “Sahara” um disco marcante, que mostra estruturações melódicas e complexidades em termos de arranjo que irão pavimentar sua carreira, anos depois. A raiz que daria frutos em clássicos como “Mabool” e “All is One” está clara, apesar da crueza vinda das influências extremas. Tanto o é que o grupo mostra a participação de vozes femininas,

As oito canções do álbum foram divididas em duas partes.

A primeira é “Sahara”, que mostra faixas novas, todas mixando as influências da banda. E é interessante ver a alternância entre partes melodiosas, outras mais agressivas e toques de estilos musicais do Oriente Médio que permeiam a diversificada “The Sahara’s Storm”, a mais agressiva e pesada “Blessed Be Thy Hate” (esta mostra aquele jeitão Doom/Death das bandas da Europa, mas reparem bem como os toques regionais surgem em vários momentos), a complexa e cheia de passagens mais introspectivas “Ornaments of Gold”, e a totalmente oriental “Aldiar Al Mukadisa” (aqui, parece uma canção tradicional, com trechos das palavras de louvor Halel e do livro do Tehilim, que nada mais é que o livro de Salmos).

A segunda parte, “The Beloved Cry”, é composta de canções um pouco mais duras e agressivas, pois pertencem ao EP de mesmo nome, lançado em 1993. Isso pela comparação das anteriores com elas, mas mesmo assim, a consensualidade é evidente. E “Seasons Unite”, “The Beloved’s Cry”, “My Requiem”, e “Orphaned Land, the Storm Still Rages Inside...” são as sementes que germinaram e nos deram um dos melhores grupos da atualidade.

As letras merecem uma citação especial. A mensagem pacifista e em prol da união dos povos já está nas músicas do grupo, embora ainda em um estágio inicial.

Desta forma, “Sahara” não é apenas um disco que serve como documentação ou para completar coleção, pois não soa datado. E ele nunca havia sido lançado oficialmente no Brasil, logo, aproveitem a chance!

Nota: 91%