segunda-feira, 16 de julho de 2018

INFECTOR - Metal da Morte


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Apito Final                       
2. Sob a Luz Vermelha                   
3. Canibalismo no Parque do Estado                   
4. Ódio em Mim                   
5. Emissário Fiel                  
6. E Ele Não Pode Mais Amá-lá                
7. Estranho Feito de Fazer Amor              
8. Coração de Metal            
9. Countess Bathory                    
10. Iron Fist 


Banda:


Mario César Dutra - Vocais
Marcello Loiacono - Guitarras
Edu de Campos - Baixo
Paulo Mariz - Bateria


Ficha Técnica:

Ivan Pellicciotti - Produção, gravação, mixagem
Infector - Produção
Luiz Carlos Louzada - Vocais em “Coração de Metal” e “Countess Bathory”
Sombra Metal - Vocais em “Coração de Metal”
Angel - Vocais em “Coração de Metal”
Roberto Opus - Vocais em “Coração de Metal”
Douglas Goatherion - Vocais em “Coração de Metal”


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: www.facebook.com/cangacorockcomunicacoes/ (Cangaço Rock Comunicações)

Texto: M. Garcia


O que é tradicional sempre demanda da banda em questão uma visão de que ela tem que pôr vida nova naquilo que está fazendo. Não é só pegar nos instrumentos musicais, pegar todos os clichês musicais possíveis e encher os ouvidos alheios de mais do mesmo. É preciso colocar sangue novo naquilo que o tempo carcomeu. Há que fique perdido no meio do caminho, mas os santistas do INFECTOR mostram em “Metal da Morte” que Old School Death Metal é com eles.

Formado em 2000, o quarteto é o mais tradicional possível em termos de Death Metal, sem abrir espaços para melodias ou técnica exacerbada. Com eles, é seguir a mesma cartilha que bandas como HYPOCRISY e ENTOMBED antigos, ASPHYX, MORBID ANGEL, DEATH, MASSACRE e outros dessa mesma linha, sem se desviar para os lados. Aqui, a podreira impera, o pau quebra, mas mesmo assim, eles não fazem uma coleção de clichês, mas preferem pegar todos eles e fazer tudo do jeito deles. E isso é bom, pois mesmo longe de ser algo inovador, tem identidade e desce a marreta do Death Metal sem dó nos mais desavisados.

A sonoridade que foi construída para “Metal da Morte” é algo que respeita elementos do passado, mas com o jeito moderno de soar o mais claro possível (mas sem retirar a crueza essencial para o gênero). É algo brutal e explosivo, mas ao mesmo tempo, esteticamente bem feito, pois se compreende tudo que está sendo feito.

Óbvio que com o título do CD, o INFECTOR declara o que é e o que vai continuar sendo pelo tempo que ainda estiver por aqui, logo, não espere nada que não seja vocais guturais urrados (e alguns gritos rasgados aqui e ali), riffs maciços e solos doentios, e uma base baixo-bateria sólida e com boa técnica. E tudo feito da forma mais Old School possível, mas com identidade.

10 pancadas bem dadas aguardam o ouvinte. Mas destacam-se a brutalidade feroz e sem limites de “Apito Final” e “Sob a Luz Vermelha” (ambas com guitarras realmente ríspidas), o peso cadenciado e opressivo de “Canibalismo no Parque do Estado”, as levadas empolgantes de “Emissário Fiel”, e as belas passagens empolgantes de “Coração de Metal” (esta recheada de convidados especiais nos vocais). Mas além delas, as versões do quarteto para os clássicos “Countess Bathory” do VENOM e “Iron Fist” do MOTÖRHEAD ficaram ótimas, respeitando as originais, mas impondo o jeitão Death Metal à moda antiga do INFECTOR.

O quarteto vem para esmagar crânios e gerar torcicolos sem fim, logo, se você gosta de Death Metal anos 90, “Metal da Morte” é para você.

Ouçam sem medo!

Nota: 83%

THE GARD - Madhouse


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Immigrant Song
2. Play of Gods
3. Madhouse
4. The Gard Song
5. Music Box
6. Back to Rock
7. Kaiser of the Sea
8. Panem At Circenses


Banda:


Beck Norder - Vocais, baixo, guitarras
Allan Oliveira - Guitarra solo
Lucas Mandelo - Bateria, backing vocals


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial: www.thegardband.com

Texto: M. Garcia


O Classic Rock, para efeitos de definição, nada mais é do que o velho Hard Rock clássico dos anos 70, ou seja, remete diretamente a grupos como DEEP PURPLE e LED ZEPPELIN. De forma mais direta, é isso, embora muitas sub-concepções possam surgir visando complementar (ou complicar) a sonoridade. E nas mãos de quem sabe, o velho estilo volta a vida sem soar datado ou cheio de mofo. E é justamente o caso do THE GARD, de Campinas (SP), como o álbum “The Madhouse” deixa claro logo de cara.

O trio tem clara referência ao Classic Rock com jeitão Bluesy/Soul do LED ZEPPELIN, embora sejam tantas influências musicais diferentes no caldeirão musical do que eles fazer que acaba sendo difícil estabelecer concepções de forma direta, da mesma forma eclética que o próprio Zeppelin era. Basta dizer que o grupo soa forte, vigoroso e mesmo atual nessa pegada musical, diferindo de tantos que buscam soar o mais “anos 70” possível. Logo, o que o ouvinte deve fazer é ficar com a melhor parte de todas: ouvir “Madhouse” com a única preocupação de se divertir. O resto é mera formalidade intelectual.

Óbvio que muitos pensariam que por se tratar de um disco de Classic Rock, a sonoridade de “Madhouse” seria algo que buscaria desesperadamente soar como se os anos 70 fossem hoje. Ledo engano, pois a crueza que ouvimos tem origem na sonorização dos instrumentos, e não na forma em que foram captados e tratados na mixagem e masterização. Trocando em miúdos: soa atual, forte e vigoroso, mas com energia e aquela boa sensação de estarmos ouvindo uma banda tocando (e não um cérebro eletrônico). Até mesmo esse feeling natural permeia a apresentação do disco, ou seja, sua capa.

Musicalmente, o THE GARD é bem maduro, sabe o que fazer com sua música. Ela soa espontânea, diversificada e eclética, mas de forma alguma pedante. E a vida que transpira de seus arranjos musicais é envolvente, algo cheio de energia. E mais: o trio soa como banda, evitando técnicas minimalistas exacerbadas.

Destacam-se no álbum: uma versão rearranjada e bem pessoal para “Immigrant Song” do LED ZEPPELIN (esse jeitão moderno ficou perfeito, sem descaracterizar a versão original), o jeito pesado e com fluência bluesy de “Play of Gods” (os riffs e solos são ótimos com essa pegada mais introspectiva recheada de feeling), o jeito mais divertido e Rock ‘n’ Roll de “Madhouse” (boa mistura de melodia e agressividade, e uma energia grudenta daquelas), a sensível e tocante “Music Box”, e as harmonias bem ecléticas de “Back to Rock” e “Panem At Circenses” (ambas com belo trabalho dos vocais).

Mas não mencionar o “insight” eclético e contrastes criativos de “The Gard Song” beiraria o injusto. Basicamente ela vai do Folk Rock clássico ao peso desmesurado do Heavy Metal sem pudores, mostrando uma banda que sabe ousar em sua criatividade, mas mantendo a consensualidade de seu trabalho.

“Madhouse” é um disco marcante, que merece ser ouvido com calma, várias vezes, e em alto volume. A complexidade fascinante do THE GARD é a ferramenta ideal para fundir cérebros de quem nos atormenta com gêneros musicais populares do nosso país. Além do mais, essa visão do Classic Rock é bem inovadora!

Ouçam bem alto, pois está nas plataformas digitais.

Google Play: http://bit.do/eeSAo 

Nota: 89%

BLIXTEN - Stay Heavy


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Requiem Aeternam
2. Trapped in Hell
3. Stay Heavy
4. Maktub
5. Strong as Steel
6. Like Wild (bonus track)


Banda:


Kelly Hipólito - Vocais
Miguel Arruda - Guitarras
Aron Marmorato - Baixo
Murilo Deriggi - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://somdodarma.com.br/pt/blixten/ (Som do Darma)

Texto: M. Garcia


Em tudo, existe a dualidade. E em termos de Rock, o atual “revival” anos 70 e 80 que tem ocorrido anda revelando nomes muito bons, e outros bem fraquinhos (estes em geral copiam apenas o que já foi feito). O ponto positivo é o resgate de muita coisa boa feita no passado e que ficou esquecida, mas o negativo é a falta da necessidade de criar algo novo. Como dito, existem bons nomes nessa leva, ente eles o do quarteto BLIXTEN, de Araraquara (SP), que acaba de lançar seu primeiro trabalho, o EP “Stay Heavy”.

Nas canções do EP, se percebe um trabalho musical calcado no Heavy Metal tradicional dos anos 80, uma mistura do que as escolas da Alemanha e dos EUA nos deram (com alguma influência da NWOBHM aqui e ali), ou seja, peso, agressividade e melodias coexistindo sem problemas, com claras influências de JUDAS PRIEST e WARLOCK. Óbvio que existem passagens mais sujas à lá MOTORHEAD e AC/DC, dando aquele toque visceral tão necessário para o gênero. Embora não seja algo original em termos musicais, a banda mostra seu valor, e nem de longe é uma cópia do que já foi feito, mas que estão dispostos a fazerem as coisas ao seu modo.

Em termos de qualidade sonora, “Stay Heavy” mostra força e vigor, com uma sonoridade clara e pesada. E um dos pontos positivos: sabendo que não são uma banda dos anos 80, e que muito menos vivemos naqueles tempos, buscaram uma apresentação mais clara, sem deixar de ter peso. O que a banda usa que nos dá a noção de algo mais visceral é a timbragem de seus instrumentos, que não é complicada. Há momentos que parecem ter ligado baixo e guitarras direto em um amp valvulado e sentaram a pua.

O BLIXTEN é uma banda com uma sonoridade forte e agressiva, que sangra em vitalidade. Mas ao mesmo tempo, sabe criar boas melodias, sem soar repetitivo, datado ou mesmo chato, e se você se sentir assim, você tem algum problema sério nos ouvidos. A energia empolga, as músicas são muito boas, mostrando um grupo que tem muito a mostrar a todos.

Requiem Aeternam” é uma introdução climática que prepara o ouvinte para “Trapped in Hell”, um Hard’n’Heavy pesado e intenso, de apresentação técnica mais simples e com certo toque de MOTORHEAD, mostrando um trabalho muito bom dos vocais. Já com melodias bem feitas moldando a agressividade do trabalho da banda, temos a pegajosa “Stay Heavy”, com um refrão que gruda em nossos ouvidos (e boas passagens de guitarras). Já mais cadenciada e mostrando bom equilíbrio entre peso e melodias, temos “Maktub”, em que o ritmo varia do introspectivo ao peso cadenciado de maneira harmoniosa (o que mostra o valor do trabalho de baixo e bateria do quarteto). Com algo da NWOBHM (especialmente do IRON MAIDEN entre os álbuns “Iron Maiden” e “The Number of the Beast”), temos a cavalar “Strong as Steel”, cuja estruturação harmônica é simples. E fechando, a grudenta e suja “Like Wild”, mostrando mais agressividade e energia.

O BLIXTEN ainda tem muito potencial musical para mostrar, fica claro. Mas estão no caminho certo, e “Stay Heavy” é um senhor EP, que merece ser ouvido no volume máximo.

Ah, sim, “Stay Heavy” pode ser ouvido nas seguintes plataformas digitais:

Spotify: https://goo.gl/U79hNV  
iTunes: https://goo.gl/iqBE3Z  
Napster: https://goo.gl/YvgyTw  

Nota: 86%

SUFFOCATION OF SOUL - Macabre Sentence


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: ABC Terror, Inffernus Productions, Caótica Discos, Violent Records, A Fronteira Produções, Burn Records, The Metal Vox, Resistência Underground, Headcrusher Productions, Psicose Records, Paracusia Distro, Holy Terror Records
Nacional


Tracklist:

1. Crimes Behind the Influence
2. Lifeinvader
3. We Live in Pandemonium
4. The Perpetual Lie
5. Dead Paradise
6. Impios (instrumental)


Banda:


André Costa - Baixo, vocais
Tarcísio Correia - Guitarras
Mauricio Sousa - Guitarras
Márlon Pacheco - Bateria


Ficha Técnica:

Suffocation of Soul - Produção
Breno Fernandes - Produção, mixagem, masterização
Thiago Pereira - Mixagem, masterização
Fernando JFL - Arte da capa
Marlon Pacheco - Arte do encarte


Contatos:


Texto: M. Garcia


Vivemos uma época em que os downloads ilegais causam problemas às vendas de discos, e em que bangers se omitem em presenciar shows no cenário underground, sem falarmos de todas as vicissitudes normais de um país de terceiro mundo (divido em todos os sentidos). Podemos dizer que lançar discos ainda é algo para quem tem peito, coragem de encarar desafios bem encardidos. Mas ainda existem aqueles que possuem muito a dizer, não aceitam esses fatores, e lutam contra o fluxo das coisas. Nesse ponto, o quarteto SUFFOCATION OF SOUL, de Poções (BA), é um autêntico sobrevivente, remando contra a maré com braçadas vigorosas, e soltam mais uma obra deles, o EP “Macabre Sentence”.

Com mais de dez anos de muita luta no underground, o quarteto destila um Thrash Metal à moda antiga, cheio de energia e muito agressivo, embora moldado com boas melodias. Óbvio que influências de nomes como SLAYER, DESTRUCTION e KREATOR (na época mais seminal deles, basicamente entre os dois ou três primeiros discos de cada) são claras, mas eles têm muita personalidade, criando algo deles. Ou seja, pegaram o que é velho, deram uma repaginada ao jeito deles, e nos oferecem um trabalho musical ótimo.

Sim, “Macabre Sentence” é um disco e tanto!

Óbvio que uma produção independente como a deles não vai ter uma superprodução em termos de som. Pelo que ouvimos, essa crueza é algo espontâneo, faz parte da música deles, mas sem que a nossa audição do EP seja prejudicada. Esse som rude tem origem nos tons instrumentais que eles usam, buscando algo mais próximo possível do ao vivo, e com um bom nível de clareza. E ficou muito boa dessa forma, embora pudesse ser melhor.

A arte da capa é bem simples, direta e reta ao ponto. E transparece a energia musical do quarteto, algo bem singular.

Quando falamos da música, podemos dizer que estes 10 anos de experiência faz do SUFFOCATION OF SOULS um dos melhores grupos do estilo no Brasil, sabendo usar de uma técnica musical muito boa, excelentes mudanças de ritmo, e arranjos musicais de primeira para criar algo realmente agressivo e doentio, mas de muito bom gosto.

O EP abre com o caos de “Crimes Behind the Influence”, uma bela mostra de técnica e agressividade aliadas ao bom gosto, com uma energia absurda e boas mudanças de andamento (e um trabalho ótimo de baixo e bateria), seguida de mesmos elementos da envolvente “Lifeinvader” (onde as guitarras estão fantásticas, em riffs destruidores e solos muito bem feitos). Em uma velocidade alta e alguns toques de HC Old School, temos “We Live in Pandemonium”, com um refrão bem marcante, e vocais insanos. Outra com velocidade bem elevada e algo de Crossover é “Dead Paradise”, onde a energia vai nas alturas e a incitação ao slamdancing é certa. Bem mais técnica é a instrumental “Ímpios”, bem espontânea aos ouvidos, e se percebe alguns toques de MOTORHEAD no trabalho deles (e que solos de guitarras ótimos).

Agora, em um parágrafo só para a longa e muito bem burilada “The Perpetual Lie” mostra não só o lado mais bruto do grupo, mas também uma estética melodiosa de primeira, algo diferente de 90% das bandas que pensam que Thrash Metal é sentar paletadas à velocidade nas guitarras e está tudo bom (e não é). Óbvio que ela possui momentos mais velozes (a alternância entre essas passagens é a alma da música), mas como um todo é uma canção que nos mostra o quanto o SUFFOCATION OF SOULS está entre os melhores nomes do estilo no Brasil por ser criativo, sem medo de fazer o que lhes dá na cabeça.

Se você ficou de luto pelo fim do VIOLATOR, eis um nome para não só ocupar o lugar deles, mas superá-los.

Ah, você duvida, não é?

Ouça “Macabre Sentence”, seja sincero consigo mesmo, e terá uma ótima surpresa.

Nota: 88%

sexta-feira, 13 de julho de 2018

FANTASY OPUS - The Last Dream


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Ritual of Blood
2. Heaven Denied
3. Chosen Ones
4. Lust
5. Conquer the Seas
6. Black Angels
7. Every Scar Tells a Story
8. Perfect Storm
9. Oceans
10. Realm of the Mighty Gods
11. King of the Dead


Banda:


Leonel Silva - Vocais
Marcos Carvalho - Guitarra solo
Ruben Reis - Guitarra base
Nilson Santágueda - Baixo
Ricardo Allonzo - Bateria


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial:  
Assessoria:

Texto: M. Garcia


Basicamente, o cenário Metal de Portugal começa a ganhar reconhecimento mundial nos anos 90, com a chegada e lançamento amplo de “Wolfheart” do MOONSPELL. De lá para cá, muitas águas passaram embaixo da ponte, mas a cena lusitana continua a nos oferecer novos nomes de qualidade. Desta vez, temos o quinteto FANTASY OPUS, de Lisboa, que nos mostra seu potencial em “The Last Dream”, segundo disco do quinteto.

A banda trilha os caminhos do Power/Prog Metal, algo na linha de nomes como SYMPHONY X, ou seja, temos uma música bem trabalhada e com bom enfoque na técnica. Mas diferente de tantos, o quinteto cria músicas sólidas e homogêneas, com melodias muito bem pensadas, com bastante enfoque nos refrães (que são dos que se ouve e não mais se esquece), além de passagens com certo acento moderno e alguns toques épicos (por conta dos corais aqui e ali). Além disso, é evidente que as guitarras criam as melodias, já que não há um tecladista fixo no grupo. É uma banda que, mesmo fazendo um estilo que já existe, mostra muita identidade e energia. E sem contar que gruda nos ouvidos.

Traduzindo: os patrícios fazem da audição de “The Last Dream” algo extremamente prazeroso aos sentidos.

Em termos de sonorização, “The Last Dream” é caprichado. O grupo mostra que teve cuidado com sua obra, já que tudo soa claro e pesado nas mesmas proporções, com a escolha dos timbres sendo acertada, em um meio termo entre algo moderno, mas claro, sem graves exacerbados ou gordurosos. Tudo ficou audível, e muito claro. E que capa belíssima, digamos de passagem (parece fazer alusão à coragem portuguesa em desbravar os mares na virada do século XV para o XVI, algo que poucos ousavam). É tão bonita que disponibilizamos o painel inteiro abaixo para todos poderem observar.


Sendo o segundo trabalho do FANTASY OPUS, percebe-se que o grupo usa da experiência para fazer sua música. Há o minimalismo que o estilo deles pede, com arranjos musicais bem esmerados. Mas ao mesmo tempo, é claro que o grupo cultivou seu lado espontâneo, pois como sua música realmente gruda em nossos ouvidos!

Do início ao fim, “The Last Dream” nos encanta, seduz e nos conquista sem muitos esforços. E de suas 11 canções, por mero preciosismo, destacam-se a envolvente “Ritual of Blood” (que belíssimas melodias, vocais e refrão), a beleza pujante de e “Heaven Denied” (outra com um refrão fantástico, fora dar um pouco mais de ênfase ao peso, com ótimos riffs e solos de guitarras), e o peso técnico e intenso de “King of the Dead”

De “Conquer the Seas” até “Realm of the Mighty Gods”, aparentemente temo uma epopéia épica, onde as letras contam uma estória única, por isso, abrimos outro parágrafo para falar nelas.

“Conquer the Seas” é cheia de lindos fraseados de guitarras, dando uma vida épica e elegante à canção. Em “Black Angels” temos uma faixa mais introspectiva e bela, talvez falando das dificuldades da viagem. Peso e modernidade se aliam a uma enorme dose de agressividade em “Every Scar Tells a Story”, cujas melodias nos embalam (e baixo e bateria mostram técnica e peso, conduzindo muito bem os ritmos da canção). A longa e multi-climática “Perfect Storm” é uma autêntica viagem “heavyssíva”, cheia de partes diferentes e que são conectadas umas as outras com perfeição (e cuja interpretação dos vocais é algo realmente impressionante). A curta “Oceans” é uma instrumental que vai preparando o ouvinte para “Realm of the Mighty Gods”, uma canção cheia de energia que entra nos ouvidos e você não se esquece dela por conta das melodias de fácil assimilação. Mesmo que este autor esteja errado sobre o conteúdo lírico, podem apostar: são todas excelentes canções.

O FANTASY OPUS merece aplausos, pois é uma banda e tanto. Logo, ouçam “The Last Dream” bem alto, pois este disco merece.

Nota: 93%

AXECUTER - A Night of Axecution


Ano: 2018
Tipo: CD ao Vivo
Nacional


Tracklist:

1. Intro
2. Attack
3. Raise the Axe
4. Creatures in Disguise
5. The Axecuter
6. No God, No Devil (Worship Metal)
7. Bangers Prevail
8. Missão Metal
9. Creatures in Disguise (Official Video Clip)


Banda:


Danmented - Guitarras, vocais
Rascal - Baixo, backing vocals
Verdani - Bateria


Ficha Técnica:

Maiko Thomé - Mixagem
Danmented - Mixagem
Mano Mutilated - Arte da capa
Tersis Zonato - Design do encarte


Contatos:

Site Oficial:  
Assessoria: http://www.sanguefrioproducoes.com/artistas/AXECUTER/24 (Sangue Frio Produções)

Texto: M. Garcia


Por mais que existam ressalvas ao jeito que a coisa tem sido feita em todo mundo, fazer Metal à moda antiga é algo real, e todos têm que conviver com isso (seja por bem ou por mal). Esse “revival” não é ruim, existem bandas que realmente são muito boas, mas existem aqueles que somente querem refazer o que alguém refez sem pôr nada de si na música. Estes últimos são apenas bandas cover não assumidas, ou trocando em miúdos, plagiadores, clones ou qualquer outra definição para alguém sem personalidade própria. Mas há aqueles que buscam (com a paixão pela velha fórmula de se tocar Metal) colocar algo pessoal na música, e aglutinam valor. Este é o caso do AXECUTER, trio de Curitiba (PR), que após um álbum, alguns Splits e EPs, nos concede seu primeiro disco ao vivo, “A Night of Axecution”.

O trabalho do trio é focado em fazer o que podemos definir como Proto-Thrash Metal europeu da primeira metade dos anos 80, ou seja, aquela sonoridade mais crua de bandas de Thrash Metal da Alemanha (quando o estilo nem era denominado assim). Traduzindo: temos a vibração e energia de bandas como DESTRUCTION, SODOM e KREATOR em sua fase mais inicial, mixada a algo das melodias de nomes da escola canadense como EXCITER. Óbvio que eles possuem um talento bem grande, e que fica evidente nas versões ao vivo de suas canções.

Sim, “A Night of Axecution” é um disco muito bom, justamente porque ao vivo, suas canções soam bem melhor que em estúdio e ganham vida.

A alma do disco repousa na qualidade sonora. Ela ficou muito boa, e a mixagem nos permite entender o que eles estão tocando, sem extrair da banda o clima “live”, o que excessivas edições e “overdubs” acabam causando. Aliás, é justamente pela busca de algo fiel ao que se vê nos shows que ficou tão bom. Honestidade não tem preço.

Na arte gráfica, mais uma vez vemos a paixão pelos anos 80 sendo saciada, pois as imagens foram disponibilizadas como nos antigos discos ao vivo (e em muitos de estúdio) do passado.

Se os discos de estúdio da banda poderiam ter uma sonoridade melhor (não estou dizendo para usarem infinitas edições digitais ou modernizarem seu som, apenas que, mais uma vez, algo como Joel Grind faz no TOXIC HOLOCAUST e em outras bandas do mesmo estilo encaixaria como uma luva no trabalho deles), a crueza em “A Night of Axecution” ficou muito boa, deu uma vida diferente ao trabalho deles. Além disso, se percebe que eles se comunicam bem com o público, e que possuem uma energia ao vivo realmente cativante.


“Attack” e sua ótima, dinâmica entre o instrumental e os vocais, o jeitão mais melodioso e cativante de “Creatures in Disguise” (que não foi escolhida para vídeo de divulgação à toa, pois é ótima), a forte e clássica “The Axecuter” (outra em que a energia vai nas alturas, com um trabalho ótimo de baixo e bateria), o ataque de riffs de primeira de “Bangers Prevail” e a versão deles para “Missão Metal” do FLAGELADÖR (que ganhou uma vida diferente e mais ganchuda que a original) são os destaques. Só gostaria de entender porque fizeram um disco tão curto, pois valia colocarem mais umas 5 canções em “A Night of Axeution”. E isso sem mencionar que ainda temos o vídeo oficial para “Creatures in Disguise” no CD, o que nos permite assistir com mais comodidade e qualidade.

Poderíamos aferir que o AXECUTER é um dos nomes mais fortes dessa vertente no Brasil. Amem, odeiem, ou pensem como desejarem, mas “A Night of Axecution” vem coroar o bom momento que a banda está passando.

Parabéns!

Nota: 88%

IMPERIOUS MALEVOLENCE - Decades of Death


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Perpetuação da Ignorância
2. Ascending Holocaust
3. Ominous Ritual
4. The Hellfire’s Cruelty
5. Nocturnal Confessor
6. Where Demons Dwell
7. Imperious Malevolence
8. No Return
9. Excruciate
10. Arquiteto da Destruição


Banda:


Fernando Grommtt - Baixo, vocais
Danmented - Guitarras, backing vocals
Antonio Death - Bateria


Ficha Técnica:

Alysson Irala - Produção, gravação, mixagem, masterização
Imperious Malevolence - Produção
Anderson L. A. - Artwork


Contatos:

Site Oficial:  

Texto: M. Garcia


Quando se fala em Death Metal nos dias de hoje, a miríade de formas em que o estilo é tocado é tão vasta que, quase sempre, perguntamos sobre qual das vertentes estamos abordando. Mas ainda existem as bandas que focam suas energias no bom e velho Death Metal da virada dos 80 para os 90, aquela forma mais suja e bruta que deu início a tudo que conhecemos do estilo. E um deles é o veterano “power trio” IMPERIOUS MALEVOLENCE, de Curitiba (PR), que nos chega com seu quarto álbum, o recém lançado “Decades of Death”.

São mais de 20 anos de muitas lutas no cenário underground e calos que a experiência lhes deu. Logo, antes que pensem em algo diferente do Death Metal mais raiz possível, é melhor procurarem outro disco. O trio tem raízes profundas no que era praticado no estilo em suas origens, ou seja, um jeito sujo, direto e agressivo de ser, com a brutalidade fluindo em doses homeopáticas pelos falantes (embora alguns teclados surjam para aclimatar o ouvinte em “The Hellfire’s Cruelty”). Só que não se iludam: o IMPERIOUS MALEVOLENCE sempre soa atual, forte e vigoroso, com um jeito próprio de ser e fazer música. E que energia esses sujeitos mostram!

Em termos de sonoridade, “Decades of Death” surpreende por usar de algo mais limpo e bem feito, fugindo um pouco das gravações tão utilizadas por bandas que seguem por este estilo. Mas como souberam lidar com todos os aspectos, a brutalidade musical e distorcida deles não ficou nem um pouco contida. É uma pancadaria desenfreada, e que graças à esta sonoridade bem feita, parece se agigantar. E, além disso, o trio escolheu tons instrumentais mais orgânicos, e assim, fica claro que a força das composições ao vivo não vai diminuir nem um pouco.

Em termos de visual, a arte de capa ficou ótima graças ao uso de contrastes de preto, branco e verde, criando uma ambientação sinistra. E a diagramação é mais simples no encarte, mas bem cuidada.

Pedir que o IMPERIOUS MALEVOLENCE mudasse depois de tantos anos seria algo leviano. 20 anos não são 20 dias, e se percebe que eles não vão abrir mão disso (e ainda bem que assim o é). Mas a música da banda por si já é bem feita, arranjada de forma espontânea e esmerada, com tudo em seus devidos lugares. Um deleite para fãs de Deah Metal bruto e sem medidas.

10 faixas de puro amassa-crânios nos esperam. Mas não tem como não destacar a brutal “Perpetuação da Ignorância” (cantada em português e mostrando algumas influências pontuais de Grindcore), a insanidade azeda de “Ascending Holocaust” (onde os blast beats da bateria e partes mais técnicas do baixo se sobressaem), a mais tradicional “Ominous Ritual” (onde algumas passagens mais refreadas mostram a força das guitarras do grupo, com riffs de primeira), a bem trabalhada simplicidade de “The Hellfire’s Cruelty” (outra com riffs insanos, e as partes com teclados deixam tudo ainda mais opressivo), a chocante de densa “Imperious Malevolence” (as passagens mais refreadas são muito boas, com um trabalho de bateria de primeira), e o bombardeio intenso de “Excruciate”. Mas pode ter uma certeza: se você é fã de Death Metal Old School, nessa banda você pode confiar.

Um ótimo trabalho do IMPERIOUS MALEVOLENCE, um dos mais tradicionais grupos de Death Metal do Brasil. Ouçam “Decades of Death” e deixe os ouvidos sangrarem à vontade!

Nota: 86%