segunda-feira, 6 de agosto de 2018

BEHAVIOR - Morbid Obsession


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Within the Gloomy Pandemonium (intro)
2. Death Metal Force
3. Morbid Obsession
4. Ancient Cult of the Obscene
5. Corpses on the Road
6. Devourer of Purity
7. Asphyxiated
8. Our Flesh Shall Feed the Earth
9. Ars Goetia


Banda:


Fabricio Pazelli - Vocals
Alexandre Vitorino - Guitarras
Alisson R. Costa - Guitarras
Marcelo Almeida - Baixo
Ricardo Agatte - Bateria


Ficha Técnica:

Rodrigo Hohlenwerger - Mixagem, masterização
Marcelo Almeida - Capa, design, layout
Alisson R. Costa - Guitarras, baixo (em “Ars Goetia”)
Victor Mattos - Guitarra base
Jafet Amoêdo - Guitarra solo
Daniel Azevedo - Guitarra solo (em “Our Flesh Shall Feed the Earth”)
Vitor Rodrigues - Backing vocals (em “Death Metal Force”)


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://www.rockfreeday.com/radio/ (Rock Freeday)

Texto: M. Garcia


O Brasil é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes criadouros de bandas de Metal, em especial de Metal extremo. E a Bahia sempre foi um dos estados mais férteis, com nomes de expressão como HEADHUNTER D.C. e MYSTIFIER. Mas Salvador ainda tem bandas que são pouco conhecidas do público brasileiro, e um dos nomes mais fortes das terras do Pelourinho é o do quinteto BEHAVIOR, que acaba de soltar um massacre sonoro com “Morbid Obsession”, segundo álbum deles.

Em termos de rótulos, podemos classificar o trabalho do quinteto como Death Metal tradicional, ou seja, segue os rumos das bandas da primeira metade dos anos 90, com influência da escola norte-americana (em especial de nomes como MONSTROSITY, DEICIDE, CANNIBAL CORPSE e MORBID ANGEL), ou seja: o pau quebra firme em suas canções cheias de agressividade, mas  nível técnico deles é ótimo. Mas é bom que fique claro: o grupo pode não estar criando uma nova forma de se tocar o gênero, mas tem muita identidade, de uma forma criativa e muito boa. E sim, a energia que permeia as canções do grupo é empolgante, coisa de quem gosta do que faz.

A sonoridade do CD é muito boa. Eles conseguiram chegar a um denominador entre o som cru e brutal (que lhes dá peso e é uma marca registrada do Death Metal) com um ótimo nível de clareza (que nos permite ouvir todos os detalhes de arranjos). Os timbres usados são muito bons, em especial no que tange às guitarras. E que arte doentia e chamativa, mas que ficou ótima, além de um encarte bem feito, apresentando uma diagramação ótima.

E podemos dizer que em “Morbid Obsession” o BEHAVIOR temperou sua brutalidade com muito peso e sabedoria. Sim, sabedoria, pois se percebe que eles preferem fazer as coisas ao jeito deles, logo, não são muito de seguirem regras rígidas. Isso fica claro pelo uso alguns tempos mais lentos e arranjos influenciados pelo Death Metal da primeira metade dos anos 80 (como alguns riffs mais simples ouvidos na canção “Morbid Obsession” evidenciam). Além disso, é um disco de fácil assimilação, e por isso, muito bom.

Oito bordoadas esperam os ouvidos mais incautos. Mas a explosão de agressividade desmedida de “Death Metal Force” (ótimo trabalho nos vocais, e conta com a participação de Vitor Rodrigues nos backing vocals), as variações de ritmo ótimas de “Morbid Obsession” (onde alguns solos mostram como as guitarras sabem tecer melodias soturnas, sem fugir do jeito bruto deles de fazer música), os excelentes arranjos e trabalho de baixo e bateria de “Ancient Cult of the Obscene”, a técnica sóbria e ganchuda usada por eles em “Corpses on the Road”, a insanidade envolvente de “Asphyxiated”, além da mistura de agressividade extremada com uma ambientação opressiva em “Ars Goetia”.

Uma banda muito boa, com muito a oferecer e evoluir em sua própria visão do Death Metal. Mas garanto: se ouvirem “Morbid Obsession” com atenção, não vão mais largar dele.
  
Nota: 83%



HÉIA - Magia Negra


Ano: 2007 (original) / 2018 (relançamento)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Maldade Infame
2. Karbara’s
3. Magia Negra
4. Portal
5. Maligna
6. Perversidade
7. Mística da Desgraça
8. Manifesto da Desgraça
9. Ritual
10. Magia Negra (vídeo)


Banda:


Perverso - Baixo, vocais
Místico - Guitarras, vocais
Desgraça - Bateria


Ficha Técnica:

Luiz Maldonale - Produção
Gustavo Sasez - Produção
Héia - Produção
Místico Cultos - Arte gráfica


Contatos:

Site Oficial: 
Assessoria: http://sanguefrioproducoes.com/artistas/Héia/55 (Sangue Frio Produções)

Texto: M. Garcia


Em termos de Black Metal, desde antes da chegada da SWOBM (Second Wave of Black Metal), o Brasil já estava em paralelo com o que ocorria na Europa. Enquanto MAYHEM, BURZUM, DARKTHRONE, BURZUM, IMPALED NAZARENE, BEHERIT, ROTTING CHRIST, NECROMANTIA, VARATHRON e outros estavam varrendo o velho continente com sua música extrema no início dos anos 90, bandas como SONGE D’ENFER e outros já estavam criando caos por aqui na mesma época. Óbvio que o fenômeno causou ecos no underground, e o Black Metal hoje em dia é um gênero bem estabelecido e de sucesso (basta ver como representantes do estilo surgem nos grandes festivais de Verão no exterior). No Brasil, o Black Metal é essencialmente underground, o que não impede que as bandas façam trabalhos ótimos, como o trio HÉIA, de Goiânia, que nos chega com o relançamento de “Magia Negra”, primeiro álbum do grupo, lançado no já distante 2007.

O grupo nos mostra no play como é consensual com seus trabalhos anteriores e posteriores. Aqui pulsa o Black Metal praticado nos moldes dos anos 90, sem preocupação com nada que não seja em soar agressivo e cru, mas sempre com uma subjetiva preocupação estética em termos de arte-finalização (ou seja, em arranjar sua música). Mesmo não sendo um grupo que vem para revolucionar o gênero, mostram personalidade musical suficiente para se manterem firmes da maneira que são, com uma energia brutal impressionante.

Em termos de qualidade sonora, é preciso deixar claro que é um típico disco de uma banda de Black Metal à lá SWOBM: crua e realmente ríspida, longe de qualquer tipo de super produção. Soa quase “plug and play”, ou seja, eles chegaram, tocaram e pronto. Óbvio que para muitos isso pode soar sem propósito ou mesmo desleixo com sua música, mas no estilo deles, a “estética do feio” é algo que faz parte do trabalho. Mesmo assim, não está ruim para os menos acostumados. E o que ficou incrível nesse relançamento foi a arte, tudo expresso em um digipack muito bem feito e mostrando a essência do grupo. O encarte ficou muito bom, mesmo com a ausência das letras (mesmo porque o trio usa letras em português).

O mais importante: quando a música começa a tocar, o HÉIA mostra-se firme, com uma sonoridade que, se por um lado soa simples, de outro é cheia de energia. Além do mais, se prestarem atenção, verão algumas mudanças de ritmo e mesmo arranjos musicais que não são convencionais, mas que encaixaram muito bem nessa musicalidade espontânea e bruta.

E canções como a brutal e ríspida “Maldade Infame” (com seu ritmo simples e direto que empolga o ouvinte, além dos riffs de guitarras), as sutis mudanças de ritmo de “Karbara’s”, a rispidez crua e sedutora de “Magia Negra” e “Portal” (onde se percebe que o Black Metal pode ser tão grudento como outros gêneros do Metal), o trabalho simples e firme da base rítmica em “Perversidade”, e a crueza dura e artesanal de “Ritual” (com um ritmo mais refreado e uma pegada impactante) formam a espinha dorsal de um disco cuja aproximação de se fazer Black Metal que não se ouve tanto por aí, mas que tem um enorme valor. Ainda temos no CD um vídeo para a música “Magia Negra”, que ficou muito interessante de se ver.

“Magia Negra” é um disco muito bom, e vem justamente em um momento em que o HÉIA se prepara para abrir o show do MARDUK no Rio de Janeiro e tem ganhado notoriedade.

Nota: 83%


segunda-feira, 30 de julho de 2018

THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA - Sometimes the World Ain’t Enough


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. This Time
2. Turn to Miami
3. Paralyzed
4. Sometimes the World Ain’t Enough
5. Moments of Thunder
6. Speedwagon
7. Lovers in the Rain
8. Can’t Be That Bad
9. Pretty Thing Closing In
10. Barcelona
11. Winged and Serpentine
12. The Last of the Independent Romantics
13. Marjorie (Bonus Track)


Banda:



Björn Strid - Vocais
David Andersson - Guitarras
Sebastian Forslund - Guitarras
Sharlee D’Angelo - Baixo
Richard Larsson - Teclados, percussão
Jonas Källsbäck - Bateria


Ficha Técnica:

Åsa-Hanna Carlsson - Violoncelo
Anna Brygard - Backing vocals
Anna-Mia Bonde - Backing vocals
Sebastian Forslund - Mixagem
Thomas “PLEC” Johansson - Masterização
Carlos Del Olmo Holmberg - Artwork, fotografia
Bengan Andersson - Engenharia sonora
Richard Larsson - Arranjos (cordas)


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

E-mail:

Texto: M. Garcia


Nos dias atuais, onde downloads ilegais e plataformas digitais combaliram as gravadoras (e o Metal, por conseqüência), é inusitado ver uma banda lançando discos anualmente, ou mesmo bienalmente. E fugir à regra nos causa espanto, mas no caso dos suecos do THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA, a criatividade parece infindável. É tamanha que pouco mais de um ano depois do ótimo “Amber Galactic”, já temos em mãos um disco novo deles, “Sometimes the World Ain’t Enough”, que já chegou ao Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil.

Basicamente, o estilo deles não mudou muito de “Internal Affairs” (primeiro disco da banda, de 2012), ou seja, é um misto de Hard Rock clássico dos anos 70 com muito de Pop Music e AOR daqueles tempos, mais o evidente Groove da Soul Music/Funk de grupos da finada gravadora Motown americana, mas sem que soe datado. Ou seja, melodias bem feitas e que grudam nos ouvidos, cada refrão que é coisa de doido de tanto bom gosto, backing vocals femininos bem encaixados, boa técnica musical, enfim, um trabalho excelente. No fundo, se alguém achou que “Sometimes the World Ain’t Enough” era sobra de estúdio, ou errou no palpite ou mesmo aquilo que eles acham que é resto é formidável!

A atualização que se percebe nas canções do sexteto vem diretamente do ótimo trabalho da produção. A engenharia, mixagem e masterização foram concebidas de tal forma que o grupo parece mesmo um grupo dos anos 70 gravando um disco nos dias de hoje, inclusive com uma timbragem bem escolhida, com um som orgânico, mas bem feito e com as vantagens dos métodos digitais. Tudo soa perfeito, e nem falamos dessa arte que nos remete ao passado, mas com uma boa dose de presente.

O THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA cria músicas que atingem os saudosistas do passado e novos fãs, graças à sua criatividade. Soa retrô e atual da mesma forma, criando algo diferente do usual. Além disso, como sua música realmente nos conquista. Até os mais chatos dos críticos musicais se renderam à “Sometimes the World Ain’t Enough”, logo, se você não for daqueles que quer manter uma pose para outros verem, vai se render e dançar como nunca ao som deles.

Destaques nesse disco? Tás brincando comigo? É melhor que desistam, pois NÃO DÁ, cacilda!

São 12 canções excelentes, cada uma delas com seu próprio valor, e todas justinhas!

“This Time” tem um climão Pop/Hard Rock fenomenal, com linhas melódicas e um refrão incrível (que vocais de primeira, fora os backing femininos), o grude instantâneo de “Turn to Miami” (outra com refrão de primeira, mais teclados em arranjos bem anos 70) e de “Paralyzed” (aqui, o trabalho de baixo e bateria mostra-se firme e com boa técnica). Em “Sometimes the World Ain’t Enough”, já temos uma canção mais voltada ao Pop do iniciozinho dos anos 80, novamente com baixo e bateria se destacando. Rebuscando elementos que se ouvem nas trilhas sonoras de filmes lá dos anos “vocês já sabem quais” (me perdoem, mas repetir “anos 70” toda hora fica carregado) é a melodiosa e terna “Moments of Thunder” (definitivamente, ótimas linhas vocais), mesmos elementos presentes em “Speedwagon” (essa já mais rocker, graças às guitarras, e que belos duetos) e na chicletosa “Lovers in the Rain” (e tome melodias que não se consegue esquecer). Se vocês gostam de algo que possa misturar Pop e Groove em boas medidas, é certo que “Can’t Be That Bad” foi feita para seus ouvidos, enquanto o ritmo um pouco mais comportado (mas igualmente envolvente) de “Pretty Thing Closing In” vai vencendo a resistência (reparem no uso dos backing vocals bem sacado no refrão). Voltando a fazer referência os tempos áureos da Disco Music e seus sucessos, temos a ótima “Barcelona” (lembrando que, na época, era comum o uso de elementos dançantes em quase tudo para ganhar o mercado). Pulando de volta ao Pop com certo toque de AOR, temos a beleza de “Winged and Serpentine”, com mais expressão das guitarras. E “The Last of the Independent Romantics” vem derrubar nossa resistência com mais Pop/AOR tímpanos adentro. Ah, sim: a versão nacional ainda tem um bônus, “Marjorie”.

Podem confiar no THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA, e acreditem: “Sometimes the World Ain’t Enough” não é apenas um dos grandes discos do ano, mas poderia ser um tiro tanto no SOILWORK como no WITCHERY, ARCH ENEMY e SPIRITUAL BEGGARS, pois poderiam perder seus músicos (para quem não sabem, o sexteto é um projeto do vocalista Björn Strid do primeiro grupo com o baixista Sharlee D’Angelo, que toca nos três últimos).

E depois que se termina de ouvir esse disco, soa nos ouvidos a voz dizendo “eu avisei...” (citação ao colega Ricardo Batalha, da Roadie Crew, quando se fala nesse disco).

Nota: 100+%



terça-feira, 17 de julho de 2018

SARCÓFAGO - The Worst


Ano: 1996 (Relançamento 2018)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The End
2. The Worst
3. Army of the Damned (The Prozac’s Generation)
4. God Bless the Whores
5. Plunged in Blood
6. Satanic Lust
7. The Necrophiliac
8. Shave Your Heads
9. Purification Process


Banda:


W. L. - Vocais, guitarras
G. M. - Baix, teclados


Ficha Técnica:

Wagner Lamounier - Produção
Gerald Minelli - Produção
Tarso Senra - Mixagem, engenharia de som
André - Masterização
Eugênio - Engenharia de som
E. D. Z. - Programação de bateria


Contatos:

Site Oficial:
Facebook:
Assessoria:
E-mail:

Texto: M. Garcia


Entre 1985 e 2000, gigantes do Metal e influenciadores de várias gerações caminharam por terras brasileiras, ao ponto de alguns que pararam serem motivos de saudades apaixonadas de muitos. Talvez poucos tenham a mesma importância do SARCÓFAGO, que cansou de pôr barreiras e limites no chão, sempre ou paralelo às tendências musicais que existiam lá fora ou abrindo novas possibilidades. E o ápice da criatividade do grupo ocorre justamente em “The Worst”, de 1996.

A afirmação acima não se baseia em gostos pessoais ou na contundência do álbum para o cenário extremo mundial, mas que é o disco em que todos os elementos musicais que o dueto destilou em seus lançamentos anteriores se equilibraram de forma definitiva. Há momentos velozes extremos, outros mais refreados, teclados criando ambientações sinistras, a presença esmagadora de riffs insanos (embora mais simples), baixo e bateria com boa dose de peso, e tudo em seus lugares. A evolução do jeito Death Metal de ser deles mostra o motivo de serem tão respeitados por aqui e lá fora: o SARCÓFAGO sempre fez as coisas ao seu jeito, doesse em quem doesse, e sempre se mostrou inovador, diferente.

Na produção, mais uma vez o trabalho foi orientado para se ter a melhor qualidade sonora possível, com todos os instrumentos soando claros e compreensíveis, ao mesmo tempo em que tudo soa extremamente pesado e bruto. Óbvio que isso demanda conhecimento e recursos, mas eles sempre foram de tirar água de pedra, e conseguiram mais uma vez mostrar que poderiam fazer algo de alto nível.

Já a arte visual (capa, encarte, etc) é realmente de chocar. Mas para quem os conhece de longa data, sabe que o grupo nunca foi dado à sutilezas: ou é assim, ou não fazem. E seria o desespero de moralistas de plantão ou dos atuais SJWs caçadores de tretas.

Musicalmente, “The Worst” não é mercado pela técnica. Mas em compensação, a diversidade de andamentos, a força de suas composições e arranjos, a capacidade de criar partes que entram em nossas mentes e não saem mais sempre foi o ponto forte do grupo. Por tanta facilidade em quebrar regras e se fazer diferente (e chocante), se percebe o motivo de serem tidos como pioneiros de muita coisa em termos de Death Metal, Black Metal e Death/Black Metal.

Uma introdução bem climática, “The End”, dá início ao disco, antecedendo o impacto esmagador e cadenciado de “The Worst” (os riffs são bem simples, enquanto os teclados vão dando aquela sensação fúnebre carregada que eles usam sempre). Já apresentando mais mudanças de ritmo e cheia de energia é “Army of the Damned (The Prozac’s Generation)”, onde o trabalho de baixo e da bateria programada é muito bom. O ritmo fica opressivo e sombrio em “God Bless the Whores”, um hino doentio e insano cheio de ótimos vocais (com aquele timbre gutural claro dos vocais e intervenções sinistras das guitarras). Já sinistra e mostrando alguma modernidade extremada (para a época do lançamento do CD) é a brutal “Plunged in Blood”. E mantendo a tradição de fazer uma versão nova de material antigo deles, lá vem a velocidade alucinante de “Satanic Lust” (realmente, eles exacerbaram os “blast beats” da versão de “I.N.R.I.”, além da adição de teclados providenciais). Com muito peso e boa dinâmica entre a base rítmica e as guitarras, temos “The Necrophiliac”, que mostra um refrão muito bom. Seguindo uma linha bem próxima a “Satanas”, temos “Shave Your Heads”, embora esta tenha maior diversidade musical (na parte do refrão, a velocidade diminui um pouco, com exceção dos bumbos). Agora, a veloz e insana “Purification Process” é mais uma das canções polêmicas da banda. Algo que não se encaixa em tempos de politicamente correto, algo que o SARCÓFAGO nunca foi, nem nunca quis ser.

Este relançamento (em vinil e cassete) para “The Worst” só vem para confirmar uma coisa: que o Brasil continua necessitando urgentemente que a banda volte tão ultrajante, suja e disposta como sempre foi.

O pior não está para vir: ele chegou, e não estão nem aí!

Nota: 100%

SILVERAGE - Presence


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Mohicans
2. Time is Not
3. Into the Fire
4. The Hideaway
5. Ghost Romance
6. Presence
7. First Impressions


Banda:


Roberto Gutierrez - Baixo, vocal
Kadu Averbach - Guitarras
Gustavo Gomes - Bateria


Ficha Técnica:

Thiago Bianchi - Produção, gravação, mixagem, masterização
Caio Mendes - Arte da capa
Marianne Catafesta - Arte da capa


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Texto: M. Garcia


O Metal brasileiro, por conta de muitas idiossincrasias pessoais dos fãs, está ficando cada vez mais enfraquecido em termos de cenário. Em contraposição, cada vez mais bandas com trabalhos muito bons surgem por aqui. Dessa vez, vindos de São Paulo, temos o trio SILVERAGE, chegando com “Presence”, seu primeiro trabalho.

Os 3 músicos da banda são experientes, com passagens pelo WIZARDS, HOLLOWMIND, LIVING LOUDER e no ELECTRITONE. A fusão de das influências musicais individuais nos concede um material onde pulsa um Hard’n’Heavy moderno, elegante e muito bem feito. Basicamente, poderíamos comparar (em termos estéticos) com um encontro do RUSH moderno (basicamente, da fase que se iniciou com “Presto”) com o VAN HALEN de Sammy Hagar, ou seja, técnico e elegante, mas com ótimas melodias que seduzem os ouvintes. E, além disso, o disco soa moderno e cheio de energia, nem de longe saudosista ou datado.

Ou seja, é um deleite para os ouvidos!

Tendo a produção, mixagem e masterização feitas por Thiago Bianchi no Estúdio Fusão, não poderia ter ficado melhor. Basicamente, todos os elementos de uma sonoridade (peso, clareza, peso, timbragem) foram feitos com esmero, de forma que está perfeito. E perfeito sem descaracterizar o trabalho do trio ou ser pedante; é perfeito porque se encaixa no que o grupo faz.

A arte visual, por sua vez, busca ser algo bem simples e funcional. Tudo talvez para que o foco das atenções fosse apenas a música do grupo. Mas mesmo assim, se percebe o uso de contraste de luz e sombras entre capa e contracapa.

E assim, podemos aferir que o trabalho do SILVERAGE é feito de forma melodiosa e consensual. Arranjos com um dinamismo incrível, mas sem que soem minimalistas ao ponto de destruir o “feeling” de espontaneidade, ou nos causar enorme torpor. Tudo soa justo e livre de pré-concepções, ou adesões a isso ou aquilo que não seja a música em si.

Mohicans” é uma faixa instrumental com uma pegada pesada, e um pouco simples em relação à técnica, sendo a introdução perfeita para “Time is Not”, uma canção permeada por uma estética melodiosa, pesada e envolvente (e com um trabalho técnico muito bom, e riffs de guitarra e solo esbanjando categoria, e cujo refrão é uma adaptação do poema “Time is Not”, de Henry van Dyke). Um pouco mais densa em termos de ambientação, mas mantendo o lado Hard’n’Heavy evidente, temos “Into the Fire” (que nos apresenta um trabalho ótimo de baixo e bateria). Já com elementos que rebuscam o Hard Rock dos anos 80 (não confundir com o Glam Metal e suas vertentes), temos “The Hideaway” com suas belas melodias acessíveis e um feeling que nos leva a um tempo maravilhoso que já não existe mais (sem ser uma canção datada, longe disso). Mesmo longe de ser uma balada, “Ghost Romance” se apresenta uma canção mais introspectiva e sensível, onde toda a parte dos vocais ficou muito boa. “Presence” possui elementos mais pesados e mesmo toques dissonantes, sem contar a alternância entre partes mais tecnicamente complexas à lá RUSH com momentos mais melodiosos e cativantes. E a instrumental terna “First Impressions” mostra bem como as guitarras da banda são ótimas, com um jeito técnico que não é pedante, mas que nos envolve (algo que Joe Satriani faz com maestria).

O SILVERAGE já chegou em alto nível. E “Presence” marca seu lugar no cenário Metal/Rock de uma forma que chega a nos assombrar!

Ótima estréia!

E podem ouvir “Presence” nas seguintes plataformas digitais:

Spotify: https://open.spotify.com/album/2yqlA8ncrEXaQ4QCZtfQ9M

CD Baby: https://store.cdbaby.com/cd/silverage1
  
Nota: 92%

segunda-feira, 16 de julho de 2018

INFECTOR - Metal da Morte


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Apito Final                       
2. Sob a Luz Vermelha                   
3. Canibalismo no Parque do Estado                   
4. Ódio em Mim                   
5. Emissário Fiel                  
6. E Ele Não Pode Mais Amá-lá                
7. Estranho Feito de Fazer Amor              
8. Coração de Metal            
9. Countess Bathory                    
10. Iron Fist 


Banda:


Mario César Dutra - Vocais
Marcello Loiacono - Guitarras
Edu de Campos - Baixo
Paulo Mariz - Bateria


Ficha Técnica:

Ivan Pellicciotti - Produção, gravação, mixagem
Infector - Produção
Luiz Carlos Louzada - Vocais em “Coração de Metal” e “Countess Bathory”
Sombra Metal - Vocais em “Coração de Metal”
Angel - Vocais em “Coração de Metal”
Roberto Opus - Vocais em “Coração de Metal”
Douglas Goatherion - Vocais em “Coração de Metal”


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: www.facebook.com/cangacorockcomunicacoes/ (Cangaço Rock Comunicações)

Texto: M. Garcia


O que é tradicional sempre demanda da banda em questão uma visão de que ela tem que pôr vida nova naquilo que está fazendo. Não é só pegar nos instrumentos musicais, pegar todos os clichês musicais possíveis e encher os ouvidos alheios de mais do mesmo. É preciso colocar sangue novo naquilo que o tempo carcomeu. Há que fique perdido no meio do caminho, mas os santistas do INFECTOR mostram em “Metal da Morte” que Old School Death Metal é com eles.

Formado em 2000, o quarteto é o mais tradicional possível em termos de Death Metal, sem abrir espaços para melodias ou técnica exacerbada. Com eles, é seguir a mesma cartilha que bandas como HYPOCRISY e ENTOMBED antigos, ASPHYX, MORBID ANGEL, DEATH, MASSACRE e outros dessa mesma linha, sem se desviar para os lados. Aqui, a podreira impera, o pau quebra, mas mesmo assim, eles não fazem uma coleção de clichês, mas preferem pegar todos eles e fazer tudo do jeito deles. E isso é bom, pois mesmo longe de ser algo inovador, tem identidade e desce a marreta do Death Metal sem dó nos mais desavisados.

A sonoridade que foi construída para “Metal da Morte” é algo que respeita elementos do passado, mas com o jeito moderno de soar o mais claro possível (mas sem retirar a crueza essencial para o gênero). É algo brutal e explosivo, mas ao mesmo tempo, esteticamente bem feito, pois se compreende tudo que está sendo feito.

Óbvio que com o título do CD, o INFECTOR declara o que é e o que vai continuar sendo pelo tempo que ainda estiver por aqui, logo, não espere nada que não seja vocais guturais urrados (e alguns gritos rasgados aqui e ali), riffs maciços e solos doentios, e uma base baixo-bateria sólida e com boa técnica. E tudo feito da forma mais Old School possível, mas com identidade.

10 pancadas bem dadas aguardam o ouvinte. Mas destacam-se a brutalidade feroz e sem limites de “Apito Final” e “Sob a Luz Vermelha” (ambas com guitarras realmente ríspidas), o peso cadenciado e opressivo de “Canibalismo no Parque do Estado”, as levadas empolgantes de “Emissário Fiel”, e as belas passagens empolgantes de “Coração de Metal” (esta recheada de convidados especiais nos vocais). Mas além delas, as versões do quarteto para os clássicos “Countess Bathory” do VENOM e “Iron Fist” do MOTÖRHEAD ficaram ótimas, respeitando as originais, mas impondo o jeitão Death Metal à moda antiga do INFECTOR.

O quarteto vem para esmagar crânios e gerar torcicolos sem fim, logo, se você gosta de Death Metal anos 90, “Metal da Morte” é para você.

Ouçam sem medo!

Nota: 83%

THE GARD - Madhouse


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Immigrant Song
2. Play of Gods
3. Madhouse
4. The Gard Song
5. Music Box
6. Back to Rock
7. Kaiser of the Sea
8. Panem At Circenses


Banda:


Beck Norder - Vocais, baixo, guitarras
Allan Oliveira - Guitarra solo
Lucas Mandelo - Bateria, backing vocals


Ficha Técnica:


Contatos:

Site Oficial: www.thegardband.com

Texto: M. Garcia


O Classic Rock, para efeitos de definição, nada mais é do que o velho Hard Rock clássico dos anos 70, ou seja, remete diretamente a grupos como DEEP PURPLE e LED ZEPPELIN. De forma mais direta, é isso, embora muitas sub-concepções possam surgir visando complementar (ou complicar) a sonoridade. E nas mãos de quem sabe, o velho estilo volta a vida sem soar datado ou cheio de mofo. E é justamente o caso do THE GARD, de Campinas (SP), como o álbum “The Madhouse” deixa claro logo de cara.

O trio tem clara referência ao Classic Rock com jeitão Bluesy/Soul do LED ZEPPELIN, embora sejam tantas influências musicais diferentes no caldeirão musical do que eles fazer que acaba sendo difícil estabelecer concepções de forma direta, da mesma forma eclética que o próprio Zeppelin era. Basta dizer que o grupo soa forte, vigoroso e mesmo atual nessa pegada musical, diferindo de tantos que buscam soar o mais “anos 70” possível. Logo, o que o ouvinte deve fazer é ficar com a melhor parte de todas: ouvir “Madhouse” com a única preocupação de se divertir. O resto é mera formalidade intelectual.

Óbvio que muitos pensariam que por se tratar de um disco de Classic Rock, a sonoridade de “Madhouse” seria algo que buscaria desesperadamente soar como se os anos 70 fossem hoje. Ledo engano, pois a crueza que ouvimos tem origem na sonorização dos instrumentos, e não na forma em que foram captados e tratados na mixagem e masterização. Trocando em miúdos: soa atual, forte e vigoroso, mas com energia e aquela boa sensação de estarmos ouvindo uma banda tocando (e não um cérebro eletrônico). Até mesmo esse feeling natural permeia a apresentação do disco, ou seja, sua capa.

Musicalmente, o THE GARD é bem maduro, sabe o que fazer com sua música. Ela soa espontânea, diversificada e eclética, mas de forma alguma pedante. E a vida que transpira de seus arranjos musicais é envolvente, algo cheio de energia. E mais: o trio soa como banda, evitando técnicas minimalistas exacerbadas.

Destacam-se no álbum: uma versão rearranjada e bem pessoal para “Immigrant Song” do LED ZEPPELIN (esse jeitão moderno ficou perfeito, sem descaracterizar a versão original), o jeito pesado e com fluência bluesy de “Play of Gods” (os riffs e solos são ótimos com essa pegada mais introspectiva recheada de feeling), o jeito mais divertido e Rock ‘n’ Roll de “Madhouse” (boa mistura de melodia e agressividade, e uma energia grudenta daquelas), a sensível e tocante “Music Box”, e as harmonias bem ecléticas de “Back to Rock” e “Panem At Circenses” (ambas com belo trabalho dos vocais).

Mas não mencionar o “insight” eclético e contrastes criativos de “The Gard Song” beiraria o injusto. Basicamente ela vai do Folk Rock clássico ao peso desmesurado do Heavy Metal sem pudores, mostrando uma banda que sabe ousar em sua criatividade, mas mantendo a consensualidade de seu trabalho.

“Madhouse” é um disco marcante, que merece ser ouvido com calma, várias vezes, e em alto volume. A complexidade fascinante do THE GARD é a ferramenta ideal para fundir cérebros de quem nos atormenta com gêneros musicais populares do nosso país. Além do mais, essa visão do Classic Rock é bem inovadora!

Ouçam bem alto, pois está nas plataformas digitais.

Google Play: http://bit.do/eeSAo 

Nota: 89%