sexta-feira, 23 de novembro de 2018

HEAVY SMASHER - Smashed and Loud


Ano: 1982
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Heavy Smasher Sound
2. Clash of the Gods
3. Sunrise Rebel
4. Screaming All
5. Heavy Smasher Sound (Demo Version)


Banda:


Jarleson Oliveira - Vocais
Nando Smasher - Guitarras
Diego Quântico - Guitarras
Bruno Abreu - Baixo
Bruno Rocha - Bateria


Ficha Técnica:

Halisson Faustino - Vocais em “Heavy Smasher Sound (Demo Version)”
Luís Paulo - Baixo
Criss Izzys - Bateria


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Tocar e criar canções em estilos mais tradicionais do Metal não é tarefa simples, pois se esbarra sempre no “eu já ouvi isso antes”. Óbvio que não se pode exigir que todas as bandas criem um novo estilo de Metal, um novo gênero. Mas nem por isso as bandas podem desistir de terem sua própria forma de fazer sua música, e é isso que o HEAVY SMASHER (do Ceará) faz em seu EP “Smashed and Loud”.

A banda não cria um estilo novo, mas soube fazer de sua abordagem do Heavy Metal tradicional com aspectos modernos algo pessoal. Óbvio que não se pode deixar de perceber influências de JUDAS PRIEST, BLACK SABBATH e mesmo ICED EARTH em seu trabalho, mas isso não os desabona. Desta forma a música da banda é pesada e melodiosa, com cuidado na questão de arranjos (em especial os refrães, o que evidencia alguns toques de Hard Rock aqui e ali), mas mantendo uma ótima e salutar dose de agressividade.

Sim, o EP é muito bom, logo, hora de algum esmagamento de ouvidos e pescoços!

A sonoridade do EP ficou de bom nível, com tudo pesado e compreensível aos ouvidos, mostrando que existiu uma preocupação em se fazerem entender. Mas tudo de forma que não se perde o clima despojado e “plug ‘n’ play” que a banda carrega. A timbragem buscou ser a mais simples possível, evitando algo excessivamente carregado e distante dos timbres mais modernos dos nossos dias. Está bom, mas ainda um pouco longe do que a música do quinteto merece.

É perceptível que o HEAVY SMASHER ainda tem um longo caminho a sua frente, pois ainda há certa ingenuidade da banda em termos de composição, mas nada que o tempo e ensaios não resolvam. Mas é impossível não ficar impressionado com sua capacidade de lapidar suas melodias, de criar partes que nos empolgam sem fazer esforços, com refrães marcantes (como o de “Heavy Smasher Sound”) e um bom trabalho técnico. É uma boa promessa, e que amadurecendo, vai dar trabalho aos grupos do time principal do Metal tradicional brasileiro.

Por hora, as melodias empolgantes de “Heavy Smasher Sound” (refrão de primeira, além de ótimas guitarras, e com um toque de Hard Rock dos anos 80), a energia crua e irresistível de “Clash of the Gods” (os riffs são ótimos, sem falar que as partes dos vocais são muito, muito boas) e de “Sunrise Rebel” (um jeitão à lá JUDAS PRIEST da era de “Screaming for Vengeance” fica evidente, e que peso de baixo e bateria), e “Screaming All” mais uma vez mostra a influência do Hard Rock em sua música, mas sem negar seu alinhavo moderno (reparem bem como baixo e bateria criam um trabalho pesado, permitindo que as guitarras mostrem riffs diretos e ganchudos). Ainda temos a versão Demo para “Heavy Smasher Sound”, que nos permite observar como a banda evoluiu entre as gravações duas versões.

Finalizando: o HEAVY SMASHER é um nome promissor do cenário, que tende a crescer e ficar ainda melhor. Mas “Smashed and Loud” merece aplausos e ser ouvido no último volume!

Ah, sim: o EP pode ser ouvido nas plataformas digitais abaixo.

Google Play: http://bit.ly/2O82ZVz

Nota: 80%

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

IRON MAIDEN - The Number of the Beast


Ano: 1982
Tipo: Full Length
Selo: EMI Odeon
Nacional


Tracklist:

1. Invaders
2. Children of the Damned
3. The Prisoner
4. 22 Acacia Avenue
5. The Number of the Beast
6. Run to the Hills
7. Gangland
8. Hallowed Be Thy Name


Banda:


Bruce Dickinson - Vocais
Adrian Smith - Guitarras, backing vocals
Dave Murray - Guitarras
Steve Harris - Baixo
Clive Burr - Bateria


Ficha Técnica:

Martin “Farmer” Birch - Produção, engenharia, mixagem
Derek Riggs - Artwork


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Existem tradições no Metal que são difíceis de precisar quando as mesmas surgiram. Uma delas é a mística que envolve o terceiro disco do uma banda qualquer: ele tem que ser o divisor de águas na carreira do grupo, e se ele não for um algo de alto nível e que chegue ao sucesso, a banda ficará eternamente nos níveis inferiores, nunca será do “time principal”. O terceiro disco é considerado “a nega”, ou seja, não há como escapar. Talvez o pai dessa mística seja “The Number of the Beast”, terceiro disco do IRON MAIDEN, a banda de maior sucesso comercial do Metal em todos os tempos. É o disco legendário deles, aquele cujo nome vem à mente de qualquer fã quando a banda é citada.


Mas o que há por trás dele, afinal de contas?

Antes de tudo, voltemos no tempo: ainda em 1981, devido ao abuso no consumo de drogas, o vocalista Paul Di’Anno havia deixado a banda. Em setembro do mesmo ano, o ex-vocalista do SAMSON, Bruce Dickinson (na época, chamado Bruce Bruce) faz sua audição e entra para o quinteto, mas obrigações legais com seu ex-grupo não o permitiram participar do processo de composição (onde Adrian Smith e Clive Burr aparecem). Além do mais, o estilo de compor de Steve Harris evolui e começa a transitar para o que seria conhecido nos discos posteriores, ganhando maior ênfase técnica, se afastando da energia crua do Punk Rock que a NWOBHM carregava, mas mantendo a energia e peso de antes. Ao mesmo tempo, o quinteto não tinha muito material antigo de sobra a ser aproveitado, logo, o disco é todo fresco, novo.

O que há nele de diferente?

Ao mesmo tempo em que a voz de Bruce trouxe maior diversificação ao trabalho da banda, o entrosamento dos outros membros (vindo de shows e turnês incessantes) também fazia diferença. Mas algo em “The Number of the Beast” é diferente, tanto em relação aos discos anteriores como aos posteriores, algo que poderíamos dizer que seria um marco. Talvez a causa dessa característica seja justamente por ele ser um disco de transição: a banda está indo do passado com o toque de crueza (embora já houvessem dado sinais que fariam algo mais elaborado a partir de “Killers”) para um futuro mais trabalhado e dinâmico (o que se concretizará em “Piece of Mind” e “Powerslave”), ou seja, é um disco em que a banda está entre seu passado e seu futuro, pegando o melhor de ambos.

Gravado entre janeiro e fevereiro de 1982 no Battery Studios, em Londres, a produção, como ocorreu com “Killers”, é assinada pelo veterano Martin Birch, conhecido por conta de seus trabalhos com FLEETWOOD MAC, DEEP PURPLE, RAINBOW, BLACK SABBATH, WHITESNAKE, BLUE ÖYSTER CULT, WISHBONE ASH, entre outros. Basicamente, a sonoridade é a mesma de “Killers”, tendo a crueza dos sistemas analógicos, instrumentos musicais e efeitos mais antigos (gravar uma bateria microfonada não é uma tarefa das mais simples), mas mantendo a limpeza e bom gosto de sempre. Óbvio que para os padrões modernos pode soar abafado e cru, mas era algo “top” para aqueles tempos.


Na arte, o trabalho de Derek Riggs é belo e chamativo (embora a montagem com a banda na contracapa seja algo tosco). Óbvio que o choque causado pelo desenho causou polêmicas em excesso, já que o grupo foi perseguido por grupos de fanáticos, sob a acusação de satanismo. Uma pena que poucos viram as entrevistas, por anos a fio, explicando que a letra da faixa-título vem de um pesadelo que Steve Harris (compositor da canção) teve depois de ver “Damien: Omen II” (conhecido por aqui como “A Profecia II”), embora ela também sofra a influência do poema “Tam o’ Shanter”, de Robert Burns.

Musicalmente falando, “The Number of the Beast” é um disco que pertence a dois mundos ao mesmo tempo: o passado do IRON MAIDEN e o futuro que estava à mão. A energia e frescor dele não se dissiparam em nada em 32 anos desde seu lançamento. Óbvio, pois as melodias bem compostas, refrães marcantes, a sabedoria de como conduzir os ritmos, tudo nesse disco tem um brilho enorme. Além disso, a banda estava com sangue nos olhos: Bruce em uma forma esplendorosa, Dave e Adrian entrosados e fazendo riffs e solos memoráveis, o baixo de Steve mais parecendo um tanque de guerra com peso e brilho (e não é à toa um dos 5 melhores baixista do Metal de todos os tempos), além do já finado Clive dar um show de peso e “groove” na bateria. Não tinha como dar errado.

E não deu!


“The Number of the Beast” é um dos grandes clássicos do Metal de todos os tempos, e o disco definitivo do IRON MAIDEN. E as canções mostram o porquê desta afirmação tão categórica.

O lado A abre com a torrente de energia de “Invaders”, uma faixa que tem clara influência do Hard ‘n’ Heavy da NWOBHM, que se encaixaria perfeitamente em “Iron Maiden” em termos de consensualidade (e que trabalho das guitarras e baixo). Em seguida, um dos grandes clássicos do grupo, “Children of the Damned”, que é tocada regularmente nos shows até hoje, uma semi-balada pesada climática onde os vocais já mostram sua potencialidade, e faz uma ligação interessante entre “Remember Tomorrow” e “Revelations”. Já com algo que apontava para o futuro vem “The Prisioner”, cuja letra é baseada em um seriado inglês de mesmo nome, e que tem um refrão grudento e as guitarras dão uma aula em termos de riffs e solos. Se querem entender como o quinteto é uma influência seminal do Metal norte-americano, basta uma ouvida em “22 Acacia Avenue” (que faz parte da estória contada em “Charlotte the Harlot”, e cuja música pertencia a finada banda anterior de Adrian, URCHIN). O lado A, mesmo com seus méritos e pessoalidades, ainda é consensual com “Iron Maiden” e “Killers” em termos estilísticos.

No lado B, o caldo engrossa!

A narrativa do ator inglês Barry Clayton para as citações 12, 12 e 13, 18 do Livro do Apocalipse (que para quem não sabe, o termo vem do grego “apokalypsis” e significa “revelação”) introduzem a clássica “The Number of the Beast”, que começa sinistra e logo surge um grito agudo e a canção explode em peso, mostrando um trabalho ótimo de baixo e bateria; ela foi o segundo Single do álbum (lançado em 26 de Abril 1982) e quem nunca gritou “six, six, six, the Number of the Beast” na vida não sabe o que é Heavy Metal. Em seguida, talvez a mais icônica canção do álbum, e justamente o primeiro Single (lançado em 12 de Fevereiro 1982, apenas 10 dias antes do disco): “Run to the Hills”, com guitarras em tom quase zombeteiro no início, antes de virar uma avalanche de energia intensa, outro refrão que não se esquece nunca, e o baixo trovejando (e cuja letra trata dos conflitos entre os povos indígenas da América e dos colonizadores europeus sob a perspectiva de cada um dos lados), e também concede pistas do que a banda seria nos anos vindouros. Óbvio que uma enorme parte dos fãs concorda (inclusive o próprio Steve Harris assume isso) que a boa “Gangland” é uma canção que não é tão boa como as anteriores, logo, puxou o nível do disco para baixo (é uma boa canção, mas só isso, embora a bateria esteja bem nela). Fechando o disco, a clássica “Hallowed Be Thy Name”, que começa lentinha e climática, para depois ganhar mais energia e peso, uma faixa épica e que terá “crias” no futuro, uma aula de interpretação dos vocais e um ritmo empolgante, encerrando este clássico com chave de ouro.


Ah, sim: é preciso lembrar que “Total Eclipse” é uma sobra de estúdio que foi um “lado B” da banda, justamente para o Single de “Run to the Hills”. E é justamente sobre ele que Steve manifestou o descontentamento com a escolha da banda de “Gangland” estar no álbum, já que ela talvez se encaixasse melhor no contexto musical do álbum, conforme consta na biografia “Iron Maiden: Run to the Hills”, de 2004 (escrita por Mick Wall). Uma sorte que ela é incluída nas edições em CD de “The Number of the Beast” desde a série remasterizada de 1998.

Algumas curiosidades:

1. Bruce alega que a banda pediu ao ator Vincent Price para fazer introdução de “The Number of the Beast”, mas deixaram para lá por não poderem na época arcar com valor pedido £25.000.

2. Quando estavam em turnê pela Alemanha em 1982, congelando em uma van, eles receberam uma ligação de Rod Smallwood lhes dizendo para continuar, pois o disco estava vendendo bem.

3. Os protestos de fanáticos religiosos contra a banda por causa da letra de “The Number of the Beast” é uma mostra do chamado efeito Streisand, ou seja, quanto mais se tenta abafar, calar, censurar ou outro ato similar, mais divulga aquilo.

4. Curiosamente, ele parece ser o disco que mais “desencaminhou” filhos de boas famílias, já que o número de versões para as músicas desse disco é algo absurdo. Não dá para contabilizar.

5. Assim como seus antecessores, “The Number of the Beast” mostra mudanças de formação: Bruce no lugar de Paul nos vocais. E ele seria o último disco de Clive na banda, que seria substituído pelo ex-baterista do grupo francês TRUST (aquele mesmo, que compôs a música “Antisocial”, popularizada pelo ANTHRAX), Nicko McBrain. Interessante saber que o posto de Nicko seria preenchido por ninguém menos que Clive! E sabe-se que o IRON MAIDEN havia tido o TRUST como “opening act” da parte francesa da Beast on the Road Tour”.

No mais, “The Number of the Beast” justifica a tradição de “o terceiro é à vera”, ou seja, ou vira celebridade ou vira “Cult”. E ele é um disco tão importante para a história do Metal que não só ajudou a promover o gênero, mas abriu as portas de muitos países para a banda, inclusive o Brasil






Spotify

domingo, 18 de novembro de 2018

CREYE - Creye


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Holding On
2. Nothing to Lose
3. Different State of Mind
4. Never Too Late
5. All We Need is Faith
6. Miracle
7. Christina
8. Straight to the Top
9. Love Will Never Die
10. Still Believe in You
11. City Lights
12. Desperately Lovin’
13. A Better Way
14. Straight to the Top (versão acústica)


Banda:


Robin Jidhed - Vocais
Andreas Gullstrand - Guitarra solo
Fredrik Joakimsson - Guitarra base
Gustaf Örsta - Baixo
Joel Rönning - Teclados
Arvid Filipsson - Bateria


Ficha Técnica:

Erik Wiss - Produção


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Há 30 e poucos anos atrás, o mundo fora conquistado pelo Rock. Era o estilo mais popular e mais ouvido pelos quatro cantos da Terra, mas poucos têm a percepção de que este sucesso comercial se dava graças ao AOR, um estilo caracterizado pelas melodias de fácil assimilação, refrães estrategicamente simples de se gravar (e cantar), e onde a força principal não residia apenas nas guitarras, mas no fato de que estas dividiam as atenções nos arranjos com os teclados. Era algo tão simples de se fazer e com resultados rápidos que muitas bandas de Hard/Glam Metal usaram de elementos de AOR para construir seus discos. Hoje, o estilo tem sua popularidade diminuída por estar ausente do mercado norte-americano, mas para uma sorte de todos nós, a Suécia virou o porto seguro do gênero e nos revela bandas de excelente qualidade, como o CREYE, sexteto da cidade de Malmö, que chega com seu primeiro álbum, “Creye”, lançado pela Frontiers Music SRL.

Pode-se dizer que o grupo foca seus esforços em criar um trabalho que transita entre o AOR e o Pop Rock dos anos 80, ou seja, existe um feeling saudosista evidente. Mas não soa datado, muito pelo contrário: o sexteto soube dar uma roupagem atual ao estilo que é envolvente. Fora isso, se preparem, pois não há um simples momentos nesse disco inteiro que não seja ganchudo, que não fique em nossas mentes por semanas a fio. Além disso, é preciso deixar claro que o grupo apresenta um bom nível técnico em suas canções, mas o foco é mesmo em criar excelentes melodias fáceis de assimilar, refrães grandiosos e desencadeiam uma energia abusivamente grudenta!

Sim, o CREYE mostra que veio para ficar!

Erik Wiss trabalhou na produção de “Creye”, e ele soube como trazer o trabalho musical do sexteto para a atualidade, sem descaracterizar o feeling “retro” que eles carregam. Além disso, a sonoridade é cristalina, limpa e com tudo soando em seus devidos lugares (ou seja, nada dos teclados sobrepondo as guitarras, como muitos discos de AOR teimam em fazer), com timbres bem definidos e modernos, além de uma dose de peso que só faz bem ao trabalho do grupo.

Guitarras melodiosas com riffs ganchudos (e solos muito bem feitos), base rítmica sólida e com peso, teclados criando ambientações perfeitas, vocais afiados (que lembram um pouco C. J. Snare em alguns momentos), e uma capacidade de criar arranjos que seduzem o ouvinte como um beijo da pessoa amada da juventude em um primeiro encontro. Mas ao mesmo tempo, há momentos poderosos que conquistam os ouvintes, mesmo que não sejam fãs de Rock.

É um disco que não tem melhores momentos. Todas as canções são excelentes, em um nível musical absurdo, mesmo não sendo algo que nunca tenhamos ouvido antes em termos de estilo. Mas “Holding On” (uma típica faixa de abertura poderosa e que gruda nos ouvidos, com um refrão absurdamente simples de gostar e cantar junto, tudo sobre uma base rítmica perfeita, e ótimas partes de teclados), a solidez de “Nothing to Lose” (com um ritmo um pouco mais lento, mas aquela pesada mais pesada, novamente mostrando arranjos precisos de teclados e vocais nas mudanças de ritmo), as pegajosas “Different State of Mind” (descaradamente uma mistura de Pop Rock e AOR, mas em uma mistura bem equilibrada e acessível, outra com refrão marcante e com uma energia incrível) e “All We Need is Faith” (onde temos algo um pouco mais pesado, e com maior ênfase nas guitarras, sem que a essência AOR seja descaracterizada), a descaradamente Pop Rock “Miracle”, as refinadas orquestrações de teclados exibidas na deliciosa “Christina” (mas é bom repararem como as guitarras estão ótimas), a ambientação melodiosa perfeita criada por vocais e backing vocals em “Straight to the Top”, a paulada AOR “Still Believe in You” (pesada e grudenta, e com um trabalho muito bom de baixo e bateria), e a “pondo a casa abaixo” “City Lights” (outra cheia de energia e uma porretada). E como faixa bonus, ainda temos a linda versão acústica para “Straight to the Top”. E é de deixar os olhos cheios de lágrimas ter que deixar alguma das outras canções de fora, pois o peso, as melodias, os refrães... Tudo nesse disco é meticulosamente composto para ser grudento, e assim, nos proporcionar prazer.

Dizer que “Creye” é um forte candidato ao Top10 do ano não chega a ser um pecado. É uma obrigação!

Nota: 100+%









Spotify




MINISTÉRIO DA DISCÓRDIA - ABISMØPORTAL


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Portal
2. Mensageiros da Desgraça
3. Espelho
4. Motim Elétrico
5. Fuga nº II
6. O Que Teria Acontecido à Baby Jane?
7. Abrace a Discórdia
8. Abismo
9. Supremo Concílio
10. Orquídea Negra
11. Perdidos


Banda:


Maurício Sabbag - Vocais, guitarras, flauta transversal
Carlos Botelho - Baixo
Inácio Nehme - Bateria


Ficha Técnica:

Ministério da Discórdia - Produção
Rafael Carvalho - Produção
Rafael Zeferino - Produção
Rafael Gomes - Mixagem, masterização
Sílvio Senna - Artwork
Renato Domingos (ARMAHDA) - Orquestra em “Fuga nºII”
Guzz Sanches - Hammond em “Perdidos”
Cblau Barsanulfo - Backing vocals em “O Que Teria Acontecido à Baby Jane


Contatos:

Site Oficial:

Texto: “Metal Mark” Garcia


O chamado Stoner Rock/Metal, em geral, rebusca uma sonoridade mais orgânica, mais próxima daquilo que se ouve na virada dos anos 60 para os 70, e o mais distante possível de algo lapidado. Isso chega a ser quase que uma regra fora do Brasil, onde impera a sujeira excessiva proposital; mas por aqui, a maioria dos grupos do gênero prefere algo mais bem definido, e embora ainda próximo ao feeling artesanal, nada soa tão exageradamente grotesco como se faz lá fora (sinceramente, é de virar o estômago o que certos grupos fazem em termos de gravação porca no exterior). Para alegria de muitos, a “Brazilian Stoner School” tem seus traços próprios, e o MINISTÉRIO DA DISCÓRDIA, trio de São Paulo, busca fazer algo realmente diferente do usual. E seu novo trabalho, “ABISMØPORTAL” é um disco muito bom, e que com o lançamento pela Shinigami Records, o levará a um número maior de fãs.

No disco, se percebe que o trio andou evoluindo, pois junto ao já conhecido invólucro “sabbáthico” de suas composições, o trio consegue impor algumas sutilezas ao seu trabalho musical. Sutilezas essas que fazem a diferença, pois existem influências de Rock ‘n’ Roll e Hard Rock clássico (ouça diretinho os arranjos de Mensageiros da Desgraça”), alguma coisa de Punk Rock aqui e ali (reparem bem em O Que Teria Acontecido à Baby Jane), e mesmo cuidados estéticos em termos de arranjos que fogem um pouco ao desleixo proposital do Stoner Rock. Aliás, desleixo não é com o grupo, pois se percebe que a dinâmica de suas composições não é algo gratuito (embora não seja forçado), mas que nasce de uma vontade de sair do ponto comum, de quebrar regrinhas chatas. E que energia transborda desse disco!

Dessa forma, “ABISMØPORTAL” é um passo adiante do disco anterior, “Abismo”.

A produção do disco é reta, sem firulas e soa até mesmo artesanal (não é raro se perceber que a banda não usa bases de guitarra durante os solos, o que já mostra o lado “live” do trabalho deles). Mas que fique claro: a crueza que se sente nas músicas vem da escolha dos timbres instrumentais, e não da gravação, logo, tudo ficou bem compreensível aos ouvidos. E essa sonoridade mais azeda (mas bem feita) casou bem com as canções.

Já arte do CD é ótima, mostrando algo bem trabalhado e elegante, alo que vem das letras críticas do grupo.

Musicalmente, o MINISTÉRIO DA DISCÓRDIA mostra personalidade, peso e uma energia descomunal em suas composições. E embora evitem rebuscar demais o lado técnico (priorizando assim a espontaneidade), é perceptível uma capacidade de arranjar as músicas de forma mais elaborada que seus pares de estilo. No fundo, poderíamos dizer que o Stoner Metal/Rock do grupo é eclético, sem se preocupar muito com “tem que ser assim”, pois com eles é “do nosso jeito, e dane-se” (como prova, ouça as orquestrações de Fuga nº II”). E é interessante ver como o grupo consegue fazer a métrica da língua portuguesa funcionar bem em suas letras (protestos bem ácidos sobre a realidade do cotidiano que nos cerca).

O peso bruto e denso de “Portal” (andamento mais cadenciado e empolgante, além de um refrão muito bom e uma base rítmica bem trabalhada), a empolgante “Mensageiros da Desgraça” (que possui um jeito mais Hard Rock entremeado com passagens pesadas e lentas, e sempre com ótimas guitarras), a pegada espontânea à lá “Sabbath Bloody Sabbath” de “Espelho”, o jeito moderno e quase extremo “Motim Elétrico” (olhem as passagens de bumbos duplos velozes), as lindas linhas melódicas da soturna “Fuga nº II” (que solos legais e vocais de primeira), a velocidade quase Punk Rock de “O Que Teria Acontecido à Baby Jane?” (uma adrenalina insana com backing vocals bem postados e uma energia absurda), que são músicas novas, e todas elas ótimas. E é ótimo poder ouvir mais uma vez “Abrace a Discórdia” (boas melodias, com destaque para o trabalho bem feito de baixo e bateria), “Abismo” (os riffs soam pesados e envolventes, com aquela pegada fundamental à lá BLACK SABBATH dos primórdios), “Supremo Concílio” (há certa dose de acessibilidade musical, mas sem deixar o peso de fora, e isso adornado por um refrão de primeira, com ótimos vocais), “Orquídea Negra” (com seu jeito mais simples de ser), e “Perdidos” (uma canção com melodias introspectivas e dinâmicas, com belos toques de Hard clássico graças ao velho Hammond), canções presentes no EP “Abismo”, de 2016.

No mais, a pregação do MINISTÉRIO DA DISCÓRDIA se mostra evoluída, sendo uma banda que fãs de BLACK SABBATH, SOUNDGARDEN, MONSTER MAGNET e outros no estilo irão amar. Mas ABISMØPORTAL” é um disco feito para todos os fãs de Metal, sem radicalismos.

Nota: 88%