segunda-feira, 10 de junho de 2019

Revelações do Death Metal - entrevista com o POSSESSED



Por “Metal Mark” Garcia


O nome do POSSESSED é uma lenda no meio do Metal extremo. A banda lançou o primeiro compêndio do Death Metal, “Seven Churches”, mas se separou em 1987, tentou retornar em 1990 (e se separou de novo em 1993), e retornou como um quinteto em 2007. Agora, após 12 anos após o retorno do POSSESSED (and 32 após o lançamento de “The Eyes of Horror”, seu ultimo lançamento), a banda soltou “Revelations of Oblivion”, seu terceiro álbum, e causou uma profunda comoção no cenário Metal.

Tivemos a oportunidade de entrevistar Emilio Marquez, o baterista da banda, para falar sobre o disco novo e mais.


MMG: Oi Emilio. Obrigado pela oportunidade, e a primeira pergunta é: em 2007, a notícia do retorno do POSSESSED diziam que era apenas uma banda tributo. Mas parece que as coisas cresceram, e o POSSESSED se ergueu dos mortos. Os tempos do tributo eram um fato? Se sim, o que os fez decidirem se tornarem a nova encarnação da banda?

Emilio Marquez: Olá, Metal Mark. Primeiro, obrigado pela entrevista e interessse no POSSESSED.

“Tempos de tributo”, bem, pode ser se fosse outro senão Jeff (N.R.: Jeff Becerra, vocalista do grupo e único membro da formação clássica), haha...

Minha antiga banda pediu a Jeff para se juntar a nós no palco em L.A. (CA) para um show. E ele fez isso. Logo depois, nos bastidores, ele me perguntou o que eu achava da ideia de trazer o POSSESSED de volta ao mundo. E o resto é história. Em 2010-2011 é quando a nova formação se uniu e começou a escrever “Revelations of Oblivion”. E ele foi escrito com respeito pelo antigo legado do POSSESSED.


Jeff Becerra
MMG: Quando se houve “Revelations of Oblivion” pela primeira vez, a primeira ideia é de que a técnica instrumental melhorou em relação ao passado, como alguns detalhes que podem ser ouvidos. Isso significa que você junto com Daniel (Gonzalez - Guitarras), Robert (Cardenas - Baixo, backing vocals), e Claudeous (Creamer - Guitarras), junto com Jeff compuseram as canções todos juntos, e não com alguém fazendo tudo sozinho? E como foi trabalhar com os rapazes e Jeff?? Oh, antes que eu esqueça: as partes de bateria estão ótimas!

Emilio: “Shadowcult” e “Dammed” foi escrita por Bobby e eu. Dan faz sua parte e e criou arranjos melhores para as canções. O resto das canções foi escrita por Jeff e Dan. Todas as partes de bateria foram feitas por mim. Quando nos juntamos, juntamos cada riffs e partimos dali. Esta banda trabalha junta, então existe uma parte que um de nós não gosta, nos livramos dela. Aceitamos críticas construtivas. Tudo o que for bom para a banda. E Jeff escreve todas as letras. Claudeous escreveu todos os solos dele já que o álbum já estava escrito quando ele entrou. Bobby escreveu 95% de suas partes de baixo. É muito simples trabalhar com Jeff e esta formação. E obrigado pelo comentário sobre minhas partes de bateria. Dissecamos cada parte para ver se ela se encaixa.


Daniel Gonzalez
MMG: Outra característica que chama a atenção dos fãs no disco é que 80% da musicalidade remete aos tempos de “Seven Churches”, mas existem momentos em que alguns elementos de “Beyond the Gates” e “The Eyes of Horror” aparecem claramente. Talvez esses elementos tenha aparecido devido ao tempo tocando as canções desses discos, concorda?

Emilio: Tivemos que fazer isso, mas com novos e modernos sons, já que vivemos em 2019. O sentimento é do POSSESSED à moda antiga para os fãs e nós, que também somos fãs. Todo o som característico e único do POSSESSED.  O novo tem que ser o que foi e mais ainda. E Jeff soa surpreendente!


MMG: Indo fundo em “Revelations of Oblivion”: quando a notícia chegou a vocês, vocês se sentiram pressionados a gravarem um novo álbum de uma banda lendária após 32 anos sem lançamentos? Todos vocês são músicos experientes, mas o POSSESSED é creditado como um dos criadores do Death Metal.

Emílio: Um pouco de pressão, pois sabia fãs, zines, selos e músicos iriam olhar para esse disco com um microscópio. Isso significa que se tocássemos em um estilo diferente que não fosse o estilo original do POSSESSED, seria suicídio. Como o CELTIC FROST tocando “Cherry Orchards”. Vejo cada canção como sua própria entidade. E adoraria tocar esse álbum todo para o Brasil qualquer dia. E sobre seu comentário sobre ser um dos criadores do Death Metal, é uma honra tocar com essa formação. Obrigado, Jeff.


MMG: Jeff e Daniel produziram o disco, mas Peter Tägtgren foi contratado para trabalhar na mixagem, masterização, trabalhou como co-produtor e na gravação também. Como foi a experiência de trabalhar com Peter, um cara que eu presumo ser também um fã do POSSESSED? E o que a banda acha do resultado final da qualidade se som? Por falar nisso, existem alguns momentos em que alguns timbres da bateria me lembram os de “Seven Churches”, logo, isso é intencional?

Claudeous Creamer
Emilio: Peter é fantástico, profissional, tranquilo e um verdadeiro gentleman. É ótimo trabalhar com pessoas desse nível. Todos fizeram suas partes um dia antes do programado, o que deu Jeff, no final, 3 dias para fazer 3 canções. Mais uma vez, os vocais de Jeff ficaram doentios!

Sendo honesto, de cara esperávamos uma mixagem diferente. Ela soava ótima, mas não fantástica. Peter, sendo um verdadeiro profissional, trabalhou duro para satisfazer a vontade de cada um na mixagem. No final, achei que estava 95% perfeita.

Os outros 5% perdidos foi de eu pedir por mais ataque na caixa, mas isso era eu sendo exigente. E não foi intencional soar como “Seven Churches”, mas obrigado pelo comentário.


MMG: Agora, “Revelations of Oblivion” está lançado. Quais são as expectativas para o disco? E como tem sido a recepção por parte da imprensa e dos fãs?

Emilio: Tem sido excelente. Sabíamos que (o disco) seria aceito, mas como de costume, existem comentários negativos, como as pessoas fazem. Temos sorte por conta dos fãs e resenhas positivas. Fazemos isso por vocês, pois sem os fãs, não há nada.


Robert Cardenas
MMG: Ouvindo o disco duas ou três vezes, os fãs perceberão a importância do POSSESSED para a criação do Death Metal, mas talvez alguns fiquem desapontados por estarem procurando um “Seven Churches” parte 2. O que acha disso, e qual seria um bom conselho para aqueles que ainda não ouviram “Revelations of Oblivion”?

Emilio: “Seven Churches” é o que é: um clássico. Estamos indo adiante satisfazendo os velhos e novos fãs do POSSESSED. Por favor, visitem a Nuclear Blast diretamente  para comprar ou resenhar “Revelation of Oblivion”. @nuclearblastshop.



MMG: “Graven” é a primeira música retirada de “Revelation of Oblivion” para um vídeo oficial. Por que a banda escolheu esta em meio a tantas ótimas canções? E o video é realmente ótimo, então, quem teve a ideia para ele, a banda, a gravadora, ou alguém mais?

Emilio: “Graven” não foi gravada pensando em ser mostrada em um vídeo tão doentio, em que se correlacionam os vocais doentios de Jeff com a apresentação de Peter Stormare, e é perfeito!

É melhor mostrar a cara de Jeff e Peter que a minha em um cenário tão horripilante (risos).

Jeff mencionou o cenário, e a companhia de vídeo fez o resto.


Takes das gravações de “Revelations of Oblivion” 

MMG: Não sei se sabe disso, mas “Revelations of Oblivion” foi lançado aqui no Brasil pela Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil. O que acha disso? E pode ser que tal fato venha a possibilitar o POSSESSED de invadir o país e desencadear a fúria de “Revelations of Oblivion”. E como está a agenda de show? Esperamos que o Brazil esteja mesmo nos planos...

Emilio: Eu sempre disse que o Brasil é maravilhoso. Tenho muito respeito pela cena Metal do Brasil, e suas bandas são bem brutais \,,/.

E esperançosamente, logo estaremos aí. Estamos negociando, mas tem alguma dica, meu amigo?

POSSESSED

MMG: esta é bem ingênua, mas como você se sente tocando no POSSESSED? Sim, pois talvez você tenha crescido ouvindo os discos da banda, se tornou fã, e agora toca nela.

Emilio: É um sonho que se tornou realidade. Estou honrado em tocar no legado do Death Metal do POSSESSED. Obrigado, Jeff.


MMG: Bem, é isso. Muito obrigado mais uma vez pelo tempo, Emilio, e, por favor, deixe sua mensagem para os leitores do Heavy Metal Thunder Brasil.

Emilio: Se o tempo permitir, mantenham contato.


Contatos:



P.S.: O Heavy Metal Thunder Brasil gostaria de agradecer a Shinigami Records e a Marcos Franke (da assessoria de imprensa da Nuclear Blast Brasil) pela oportunidade de entrevistar o músico.

Veja os vídeos de “No More Room in Hell” e “Graven”, músicas retiradas de “Revelations of Oblivion”:


No More Room in Hell



Graven

sexta-feira, 7 de junho de 2019

FÖXX SALEMA - Rebel Hearts


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Vulpine Beat (Intro)
2. Rebel Hearts
3. Vengeance Will Come
4. I
5. Emotional Rain
6. Subconscious
7. Mankind
8. Constant Fight (2018 Version)


Banda:


Föxx Salema - Vocais, Backing Vocals


Ficha Técnica:

Paulo Garciia - Produção, Mixagem, Masterização
Föxx Salema - Produção
Karine Campanille - Guitarras, Baixo, Teclados
Alessandro Kelvin - Bateria


Contatos:

Assessoria: https://www.facebook.com/islandpressbr/ (Island Press)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

De uns 4 ou 5 anos para cá, o Hard Rock/Glam Metal tem-se mostrado mais e mais no Brasil. Parece que ou existe uma nova onda do estilo por aqui, ou que todas as bandas resolveram colocar discos nas lojas ao mesmo tempo.

Entre os bons nomes que estão aparecendo, eis que surge o trabalho de FÖXX SALEMA, que nos chega com “Rebel Hearts”, sua primeira empreitada solo.


Análise geral:

No fundo, o trabalho sonoro mostrado em “Rebel Hearts” buscar ter a mesma noção melódica e “catching feeling” dos primeiros discos de Hard Rock/Glam Metal dos anos 80, quando tudo soava mais cru e pesado, com um fluxo de energia absurdo. Basicamente, a era Glam, mas com muitos elementos musicais do Metal tradicional.

Há muito do que se conhece de bandas como MÖTLEY CRUE e QUIET RIOT, mas também encontram-se nítidas influências de JUDAS PRIEST e IRON MAIDEN, e mesmo de harmonias do Heavy/Power Metal dos anos 80 (e mesmo do US Metal) aqui e ali. Mas não é bom deixar claro que este trabalho mostra muita personalidade.


Arranjos/composições:

O estilo melodioso e acessível mostrado no disco é bem legal, cheio de momentos em que o fã é envolvido pelas canções (graças às melodias de assimilação mais simples e belos refrães). Mas ao mesmo tempo, sobram energia e empolgação.

Graças à fusão de influências de Metal tradicional e Hard/Glam Metal, o trabalho musical que se ouve é permeado de arranjos instrumentais mais simples, alguns bem não convencionais (alguns riffs e duetos de guitarra remetem ao Metal tradicional, e mesmo existem vocais urrados aqui e ali), mas a estética melodiosa e grudenta impera.


Qualidade sonora:

Eis o ponto onde “Rebel Hearts” poderia ser melhor: a sonoridade do disco.

Não está ruim, soa até bem, mas existe certo excesso de crueza. Para este tipo de música, algo mais limpo encaixaria melhor. Além disso, alguns timbres instrumentais (especialmente a bateria) poderiam ser melhores.

Mais uma vez: não está ruim (na realidade, é uma boa sonoridade), mas poderia ser bem melhor.


Arte gráfica/capa:

A apresentação em um formato digipack simples e uma foto também bem simples fazem sua parte: deixar todas as atenções focadas apenas na música. E o encarte segue a tendência da simplicidade: letras em branco disponibilizadas em um fundo preto.

Simples, direto ao ponto e eficiente.


Destaques musicais:

“Rebel Hearts” é um disco que gruda nos ouvidos desde seus primeiros instantes (o que evidencia o lado Hard/Glam de suas músicas), mas é pesado e intenso na mesma medida. E em suas 7 músicas (pois “Vulpine Beat” é apenas uma introdução com o som de batimentos cardíacos) se percebe um trabalho esmerado e espontâneo. E as melhores são:

Rebel Hearts: peso e melodia se associam para criar uma canção instigante, com um refrão pegajoso e ótimo trabalho de guitarras e baixo.

Vengeance Will Come: uma canção com tempos um pouco mais cadenciados, mas cheia de uma pegada mais pesada e agressiva. É impossível não pensar nas primeiras bandas de Metal tradicional norte-americanas dos anos 80, especialmente pela estética melódica (e que trabalho de bateria).

I: nessa, temos uma inclinação bem evidente ao Metal tradicional (em grande parte por causa dos duetos de guitarra que remetem ao IRON MAIDEN antigo), mas o lado mais pegajoso e as melodias envolventes impressionam. E que vocais!

Mankind: uma canção peso-pesado à lá JUDAS PRIEST dos anos 80, pois aposta em arranjos mais dinâmicos e simples, com ótimos vocais. Basicamente, reparando-se com mais profundidade, certas nuances de Hard Rock californiano do início dos anos 80 fica bem evidente.


Conclusão:

Sendo o primeiro disco de FÖXX SALEMA, “Rebel Hearts” mostra-se muito bom, mas evidencia que ainda existe potencial (e muito) para ser transformado em boa música.

Ajustando a sonoridade, o próximo disco promete!


Nota: 81,0/100,0


Spotify

terça-feira, 4 de junho de 2019

SUNRUNNER - Ancient Arts of Survival


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Dawnland (instrumental)
2. Tracking the Great Spirit
3. Inner Vision
4. The Scout
5. Prophecy of the Red Skies
6. Distorted Reflection
7. Palaver
8. Arrive Survive Awaken Thrive
9. Stalking Wolf


Banda:


Bruno Neves - Vocais
Joe Martignetti - Guitarras, Backing Vocals
David Joy - Baixo, Backing Vocals
Ted MacInnes - Bateria, Backing Vocals


Ficha Técnica:

Jimmy Martignetti - Produção, mixagem
Bob Katz - Masterização


Contatos:

Assessoria: www.somdodarma.com.br (Som do Darma)
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Cada vez mais o Prog Metal tem sido um estilo em que muitos estão buscando fórmulas mais simples e eficazes de se expressar que as viagens lisérgicas herdadas do lado do Rock Progressivo (ou seja, nomes como YES e GENESIS são referências). Não é algo simples se manter Prog Metal e ter uma musicalidade menos técnica, e alguns grupos acabam metendo os pés pelas mãos.

Mas o quarteto norte-americano SUNRUNNER, de Portland, consegiu essa façanha. Basta ouvir “Ancient Arts of Survival”, seu novo disco, e perceber isso.


Análise geral:

Transitando em um caminho pesado e intenso, a banda une características tanto do Heavy Metal (e Hard Rock clássico) como do Rock Progressivo dos anos 70, e se saindo bem na empreitada (como já evidenciava em seu disco anterior da banda, “Heliodromus”, de 2014). Basicamente, não chega a ser aquilo que se convencionou chamar de Prog Metal na realidade (que reúne influências de outros gêneros musicais), mas um híbrido de Metal e Rock Progressivo muito bom.

E agora o grupo se torna um quarteto, com a adição de um vocalista, o brasileiro Bruno Neves, que permitiu à banda uma maior profundidade melódica e técnica.


Arranjos/composições:

A presença do vocalista parece ter deixado a banda mais solta, e suas composições cresceram em termos de técnica musical. Mas ao mesmo tempo, a espontaneidade, força e peso de suas composições continua a mesma.

Justamente pelo “boost” técnico que os arranjos melhoraram, se tornaram mais dinâmicos e bem encaixados uns nos outros. Além disso, os vocais melhoraram em termos de timbres, fazendo com que a interação de vozes e instrumental também ficasse mais justa e coesa.

Realmente, uma comparação direta entre “Heliodromus” e “Ancient Arts of Survival” mostra o quanto eles melhoraram.


Qualidade sonora:

Os vocais foram gravados no Brasil, enquanto os instrumentos foram todos gravados nos EUA (inclusive a masterização é de Bob Katz, conhecido por suas 3 indicações ao Grammy), mas isso não causou problemas à qualidade sonora do álbum. O feeling Classic Rock de “Ancient Arts of Survival” é evidente, pois o grupo, mesmo mantendo clareza e definição, soa orgânico.

A timbragem dos instrumentos musicais buscou ser bem simples, transpirando um feeling “live”, com certo “q” de crueza que encaixou bem na proposta do grupo.


Arte gráfica/capa:

A arte da capa é belíssima, um painel em que um indígena e a natureza aparecem com alguns elementos futuristas. Algo que encaixou bem com o título do disco, verdade seja dita.


Destaques musicais:

8 canções (“Dawnland” é apenas uma instrumental de introdução do disco) que transitam entre a leveza suave e aconchegante do Rock progressivo e o peso mamutesco e cru do Heavy Metal dos anos 70 é o que o grupo. Aliás, a homogeneidade é um das características mais evidentes de “Ancient Arts of Survival”. Mas se destacam logo nas primeiras ouvidas as seguintes:

Tracking the Great Spirit: peso, técnica e refinamento são apresentados de forma extremamente envolvente, sempre com ótimas melodias. Mas os vocais estão excelentes (com boas variações de timbre), assim como trabalho do baixo.

Inner Vision: essa já tem, apesar do refinamento técnico, certo toque de Stoner Rock por conta da ambientação crua. Mas existem lindos momentos mais limpos e introspectivos que realmente embalam os ouvintes. E que guitarras fascinantes!

The Scout: é a que soa mais próxima dos anos 80, com alguns elementos do Power/Heavy Metal em alguns momentos, justamente por conta das conduções rítmicas (o que deixa claro que a bateria está ótima).

Prophecy of the Red Skies: é a primeira faixa mais longa do CD, passando dos 10 minutos de duração. Aqui, a banda mostra a fluidez da fusão do peso do Metal com a elegância do Rock Progressivo, com boa técnica e muita diversidade em termos de momentos (partes limpas e suaves contrastam com momentos mais sujos e pesados).

Distorted Reflection: com pouco mais de 1 minuto, esse Folk Rock suave e melódico embala o fã. É belíssima, justamente porque foca em vocais e seis cordas limpas.

Stalking Wolf: outra canção gigante em termos de duração, chegando quase aos 20 minutos. Mas a transição de momentos, mudanças de ritmo e ambientações (os momentos mais pesados tem certa aura intimista “noir” muito interessante), e ótima técnica mostra que eles tornam esse momento uma autêntica viagem “heavyssíva” de ótimo gosto.


Conclusão:

Rock Progressivo, Hard Rock, Classic Rock, Heavy Metal, não importa como chamem “Ancient Arts of Survival”. Importa que o SUNRUNNER mostra-se mais uma vez aquela banda que todos precisam conhecer, e o mais rápido possível!


Nota: 86,0/100,0


The Scout



Spotify

NECROFOBIA - Membership


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Silent Protest
2. Membership
3. Perpétua 136
4. Blindness
5. Rotten Brain
6. Real Fiction
7. Apatia Social
8. Cemetery of Oblivion
9. Circle of Trust
10. Devil’s Lap
11. Unused Rights
12. Worthless Lives
13. Guzzardi (bônus)


Banda:


Rômulo Felício - Vocais, Guitarra Base, Guitarra Solo em “Guzzardi”
Rodrigo Tarelho - Guitarra Solo
João Manechini - Baixo, Backing Vocals
André Faggion - Bateria


Ficha Técnica:

Rômulo Felício - Produção, Mixagem, Masterização
Necrofobia - Produção
Roger Gaulês - Arte (Capa)


Contatos:

Assessoria: http://roadie-metal.com/press/necrofobia/ (Roadie Metal Assessoria)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Basicamente, fazer Thrash Metal nos dias de hoje é lutar contra muitos fatores negativos, em especial a erosão que o gênero sofreu pela superexposição ocorrida nos últimos anos, em que o estilo teve um renascer. Mas é algo cíclico e que ocorre com todos os estilos de Metal: um tempo no underground, crescimento, alta, e decadência. É como se existisse uma forma de reciclagem que ocorre de forma subjetiva.

Mas existem aqueles que se negam a irem rumo ao silêncio sem fazer esforços para que suas contribuições musicais não passem sem serem notadas pelos fãs. Nisso, palmas para o quarteto NECROFOBIA, de Ribeirão preto (SP), que após longos 15 anos depois de “Dead Soul” (seu primeiro álbum, de 2004), retorna à carga com tudo em “Membership”.


Análise geral:

o Thrash Metal agressivo do grupo é uma mistura bem feita de elementos do passado (nomes como TESTAMENT, SLAYER e EXODUS são referências) com uma pegada mais moderna (alguns toques de “groove” à lá PANTERA e SEPULTURA da fase “Chaos A. D.”, e tempos quebrados que poderiam vir dos primeiros trabalhos do FEAR FACTORY), além da energia e personalidade do grupo. Óbvio que essa mistura não chega ao ineditismo, mas é bem pessoal deles.

Aliás, olhando em perspectiva, é preciso dizer que a evolução é clara em relação a “Dead Soul”, pois soa mais coerente, agressivo e moderno que antes, mas sem abrir mão de seu jeito de ser.


Arranjos/composições:

Outro ponto em que a evolução é sensível: a banda passou a ousar e usar todo seu potencial musical para criar arranjos fluidos, com toques personalizados em cada um deles. A dinâmica entre dos instrumentos entre si e a base instrumental e os vocais ficou ótima, as músicas soam espontâneas e cheias de energia.

O nível técnico é muito bom (mas sem ser exagerado), e ajuda a dar um “boost” no que já é bom.


Qualidade sonora:

O guitarrista base/vocalista Rômulo Felício é quem produziu, mixou e masterizou “Membership”, tudo feito no Under Studio. E o resultado ficou muito bom: uma sonoridade sólida, compacta, pesada e agressiva, com o devido toque de modernidade, mas sem soar distorcido ao ponto de embolar os instrumentos uns com os outros.

A ambientação “grooveada” e moderna é criada pelos timbres escolhidos para os instrumentos, que soam bem gordurosos, mas longe de serem incompreensíveis.


Arte gráfica/capa:

Capa e contracapa são partes de um painel, cuja arte é simples e direta, com uma mensagem bem clara. O encarte é do tipo pôster, com o painel da arte da capa inteiro, e do outro lado, as letras disponibilizadas em uma grafia personalizada em preto sob um fundo cinza bem claro. Um recurso bem usado, mas que sempre rende bons frutos.


Destaques musicais:

O disco em si possui 12 marretadas sonoras bem dadas, além de uma faixa-bônus (“Guzzardi”, lançada como Single em 2014, em uma homenagem ao falecido guitarrista Raphael Guzzardi). E se destacam nesse festival de agressividade e bom gosto:

Silent Protest: um típico Thrash Metal agressivo e gorduroso, cheio de boas passagens de tempo mais cadenciadas e ótimos arranjos rítmicos (a bateria está ótima, com momentos em dois bumbos bem colocados).

Membership: passagens Thrash rápidas e convencionais se alternam com momentos mais abrasivos, mas a energia chega a ser absurda. E que ótimo conjunto de riffs e solos de guitarra!

Perpétua 136: dizer que a mistura de Hardcore nova yorkino com Thrash Metal não seria ruim, inclusive pelo uso de corais fortes e backing vocals bem colocados. O ritmo é de primeira, e a coesão de baixo e bateria cria uma base rítmica sólida e bem trabalhada.

Rotten Brain: aqui surge com mais clareza a força mestiça dos Thrash Metal anos 90, mas sem que a essência abrasiva do grupo seja perdida. A energia é intensa, e os vocais ficaram muito bem.

Apatia Social: aqui surge o lado mais Crossover da banda. O alinhavo é Thrash Metal e tem a pegada mais bruta do grupo, com algumas passagens mais lentas, mas 70% lembra o Crossover brasileiro dos anos 80, especialmente pelos vocais.

Cemetery of Oblivion: mezzo Thrash Metal, mezzo Sludge e com muito groove, é a mais “modernosa” de todas, com passagens ganchudas que grudam nos ouvidos. Ótimos riffs mais uma vez.

Unused Rights: curta e grosssa (pouco mais de um minute), é um Thrash Metal intenso e com ritmo cadenciado, mas com toques de Crossover nova yorkino de primeira. E que energia!

“Guzzardi”: mesmo sendo uma canção bônus (que em geral é algo visto como sobra de estúdio), é uma pancada, cantada em português, com mudanças de ritmo (ora cadenciado, ora mais veloz) muito legais e um refrão muito bom,


Conclusão:

Se estabelecer-se uma comparação entre “Dead Soul” e “Membership”, o segundo representará um salto evolutivo enorme. Por isso, o NECROFOBIA merece aplausos, e é um dos nomes do estilo que merece aquela atenção de todos.

O uso é indicado a todos, e preparem-se para ver as caixas de som derretendo com a energia desse quarteto!


Nota: 88,0/100,0


Membership



Guzzardi



Spotify