sexta-feira, 14 de junho de 2019

Estrada direta ao Rock ‘n’ Roll - entrevista com o PRISTINE



Por “Metal Mark” Garcia

“Uma banda de Rock de Tromsø” são as palavras que começam a biografia do grupo PRISTINE em sua página no Facebook. E eles são uma banda excelente, pois a música da banda é um Classic Rock guiado por uma dose de energia e podem fazer seus tímpanos explodirem!

O quinto e mais recente lançamento do grupo, o álbum “Road Back to Ruin” está sendo lançado no Brasil pela Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil, então tivemos a oportunidade de falar com a vocalista e compositora Heidi Solheim.

Heidi Solheim


MMG: Antes de tudo, gostaria de agradecer por esta oportunidade de entrevistar você, e para começar, por favor, conte a história do PRISTINE em algumas palavras, pois são poucos os fãs brasileiros que já foram devidamente apresentados à sua música no momento.

Heidi Solheim: Muito obrigado por suas palavras gentis! É muito bom falar com você também. PRISTINE vem do extremo norte da Noruega, uma bela e destacada parte do mundo. É tão ao norte que no verão o sol nunca se põe, e no inverno, é a estação escura sem luz alguma. Esta é uma parte do mundo cheia de contrastes, solidão e brutalidade da natureza.

PRISTINE foi fundado ao redor de mim e de minha música em 2010. Me mudei para a cidade de Tromsø e encontrei a banda lá. Eu já havia escrito algumas músicas e quis experimentar com uma banda. Rapidamente aprendemos que temos um fraco pelos ícones do Rock dos anos 70, bandas psicodélicas e vocalistas de Blues/Rock. Em 2011, lançamos nosso debut na Noruega, chamado “Detoxing”, e começamos nosso caminho em direção ao ponto em que estamos hoje.

MMG: A Noruega é bem conhecida por sua cena de Metal extremo, especialmente o Black Metal de Oslo e Bergen. Mas vocês são uma banda de Rock ‘n’ Roll. Acredita que este fato, este contraste, pode chamar alguma atenção para seu trabalho musical?

Heidi: A cena Black Metal da Noruega é bem conhecida pelos fãs de Metal e para o mundo em geral, e muitas belas coisas extremas vieram da Noruega naquela época. A impressão de muita gente da cena musical em sua totalidade é colorida pelo crescimento do Black Metal naqueles tempos, mas para nós, não era um gênero ou acontecimentos que sabíamos muito. Oslo e Bergen são cidades distantes de nossa parte do país, então nos sentíamos como tudo aquilo tivesse acontecido em outro mundo diferente do qual crescemos.

Espen Jakobsen
Mas eu tenho notado que perguntas sobre nossa ligação com a cena Black Metal norueguesa surgem frequentemente, e para um país tão pequeno, é uma comparação natural, eu acho, 😊


MMG: Mesmo com vocês tendo 4 discos até agora, parece que “Road Back to Ruin”, lançado pela Nuclear Blast Records, pode ajudá-los a crescer mais. E como ele foi lançado em Abril passado, vocês já têm um feedback dele, estou correto? E como os fãs têm recebido “Road Back to Ruin”?

Heidi: Nós temos experimentado um feedback quente e ótimo pelo lançamento de “Road Back To Ruin” até agora! Tem sido absolutamente fantástico e tocante ler e experimentar as reações ao nosso disco. Uma verdadeira motivação para continuarmos a escrever novas músicas e tocar em mais cidades!

MMG: Nos aprofundemos em “Road Back to Ruin”: quais são as diferenças e similaridades dele com seus discos anteriores?

Heidi: Penso que o PRISTINE se tornou uma banda mais sofisticada e “robusta” depois desses anos. Como “Road Back to Ruin” nós fomos com uma atitude mais corajosa em relação à gravação e à composição. Se olharmos nosso primeiro disco, “Detoxing”, creio que evoluímos para uma banda mais pesada de Classic Rock. Ainda lançamos música diversificada com melodias fortes e muitos contrastes, em minha opinião. Mas em “Road Back to Ruin”, acredito que levamos a diversidade a outro nível. Penso que este é o álbum que lançamos com a maior diferença em expressões e “feeling” na música.


MMG: “Road Back to Ruin” possui dez excelentes canções, mostrando influências de bandas de Classic Rock como BLACK SABBATH, DEEP PURPLE e outras, mas com uma energia crua que chama a atenção do ouvinte de maneira forte. Como foram as coisas durante o processo de composição? Existe um método de trabalho ou as coisas surgem de forma espontânea? E por falar nisso, sua música tem uma personalidade forte, algo diferente de muitas bandas de seu gênero hoje em dia.

Heidi: Muito obrigado! É ótimo ouvir que você gostou de nossa música.

Sobre o processo de composição, ainda sou a responsável pelas letras, cordas e melodias. Eu geralmente viajo para a cabine de meus pais no norte todo inverno para escrever mais músicas. O frio extremo e a escuridão que temos no norte a cada inverno é algo que realmente me inspira a escrever música. Há certo sentimento de solidão que pode ser de tirar o fôlego. Tomei muito tempo tentando encontrar o “fio condutor” que queria quando começo a escrever um novo disco. Com “With Road Back to Ruin”, eu tinha muitos objetivos e tópicos sobre os quais queria refletir. Uma das minhas primeiras metas era escrever canções mais pesadas que nos discos anteriores - mais diretas, cheias de energia e com riffs mais escuros. Sobre as letras, queria escrever canções que refletissem minha crescente preocupação com os valores sociais e políticos que estão crescendo hoje em dia, e ao mesmo tempo, queria escrever sobre minha própria história, minha vida e minha experiência. É sempre muito difícil compartilhar 100% daquilo que você tem no coração, mas para mim é a coisa mais importante de ser feita por um compositor. Nossa missão na vida é refletir o mundo como nós o vemos, não importando se são as coisas pequenas da vida ou os grandes desafios globais que vemos. Para mim é muito importante colocar o quanto for possível de sentimentos e emoções na música que escrevo, e essa é sempre a prioridade maior.

Após eu ter escrito 12-13 músicas para “Road Back to Ruin”, eu as gravei e mandei para os rapazes da banda. Mais tarde, nos encontramos e completamos os arranjos. E isso sempre tem feeling fantástico! Experimentar a música que você escreveu sozinha na floresta, e ver as canções se tornando poderosas e independentes em uma banda é uma experiência absolutamente incrível!


Heidi e Gustav Eidsvik
MMG: A qualidade Sonora de “Road Back to Ruin” é realmente excelente, unindo um feeling organic e cru com uma aparência moderna e limpa.  E é outra diferença do trabalho do PRISTINE em relação a grande parte das bandas atuais de Classic Rock. Desta forma, podemos dizer que o produtor Øyvind Gundersen e o técnico Christian Engfelt tiveram um papel importante nesse aspecto? Soar dessa forma foi uma decisão da banda, ou foi um acordo entre ambas as partes?

Heidi: Obrigado! Øyvind Gundersen e Christian Engfelt realmente entenderam onde nós queríamos chegar em termos de música e expressão. E isso foi uma coisa muito importante para nís, e totalmente essencial no processo criativo de gravar um álbum.

Øyvind trabalhou antes com muita música de inspiração eletrônica, Folk music, Pop e outros gêneros, e isso foi uma belíssima contribuição para nosso disco. Ele veio para este projeto de mente aberta e com uma atitude que foi criativa e inovadora. Amamos isso e estamos muito felizes com essa colaboração!


MMG: Pode ter parecido estranhas algumas comparações do trabalho do PRISTINE  feitas acima, mas foram feitas porque Classic Rock parece ser uma tendência na música desde 2 ou 3 anos atrás. Como eu disse antes, vocês são diferentes e possui um trabalho pessoal, logo, pode comentar o que faz “Road Back to Ruin” soar tão bem e cheio de identidade?

Heidi: O PRISTINE sempre tem gravado os instrumentos principais (bacteria, guitarras, baixo, vocais) ao vivo em estúdio. E esse rapidamente se tornou nosso método, e também se tornou um tipo de marca registrada nossa, eu diria.

Acho que isso tem muito a ver com as impressões dos ouvintes de som e música. Nós simplesmente AMAMOS fazer shows ao vivo, e fazendo gravações ao vivo em estúdio se tornou uma maneira de pôr aquela energia e feeling em um disco. É uma forma intuitiva de gravar, totalmente oposta a de gravar música em camadas (primeiro a bateria, depois o baixo, então as guitarras, e etc). Nós entramos em uma grande sala e ensaiamos as músicas 1 ou 2 vezes, e então apertamos o “gravar”. É um sentimento intenso, e você realmente fica focado e atento do que te cerca. Esta energia pode ser fantástica na gravação!


Ottar Tøllefsen
MMG: “Sinnerman” e “Bluebird” foram as canções retiradas do album para servirem como videos de divulgação de “Road Back to Ruin”. A pergunta é: por que essas? E quem escolheu: a banda, a gravadora, ou ambos os lados chegaram a um acordo?




Heidi: Tivemos um bom diálogo com a gravadora, e rapidamente concordamos que as canções “Sinnerman”, “Bluebird”, “Cause & Effect” e “Aurora Skies” mereciam uma atenção extra. “Sinnerman” e “Bluebird” são belos Rocks, rápidos e com uma boa energia. E também quisemos mostrar versatilidade e contraste, e escolhemos as duas baladas.


MMG: Ainda sobre “Sinnerman”: parece que o video conta uma estória. Se estou certo, qual é?

Heidi: Haha, sim. Eu amo aquele vídeo! Falamos com um produtor de videos e ele veio com a ideia de fazer um POV (“point of view”, ou “ponto de vista”) visto pelo ponto de vista de um membro da equipe. Ele quis criar um video musical totalmente diferente do padrão “banda-tocando-sua-canção”, e eu realmente me apaixonei pela ideia. Ele tem bastante tempo, ação, elementos divertidos, e eu o amo! Esse é o tipo de video que você quer ver onde ele acaba.

A letra de “Sinnerman” é sobre outro assunto, por sua vez. É sobre entrar no carro, deixar todos os seus problemas para trás e dirigir para suas próximas aventuras. Mas eu gosto do fato que o video possa ser sobre algo completamente diferente.


MMG: “Road Back to Ruin” está sendo lançado no Brasil pela Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil. O que acha disso? Se estou correto, é o primeiro disco de vocês lançado aqui, e pode abrir algumas portas.

Heidi: Este é nosso Segundo discos lançado pela Nuclear Blast na Alemanha, mas sim, é o nosso primeiro lançamento no Brasil. E estou realmente animada em apresentar a música ao bom povo do Brasil, e espero que ele possa abrir portas para nós, para podermos ir e fazer uma turnê em seu belo país!


MMG: E como estão as coisas com shows e turnês? Existem expectativas de tocarem fora da Europa por agora? E o Brasil está em seus planos?

Heidi: Temos excursionado bastante pela Europa nesses últimos anos, então estamos trabalhando e estabelecendo contatos em outros mercados enquanto conversamos. E seria fantástico excursionar pelo Brasil! Com certeza, faremos nosso melhor para fazer isso acontecer.


MMG: Bem, é isso. Mais uma vez, quero agradecer pela gentileza e tempo, então, por favor, deixe a mensagem do PRISTINE para os leitores do Heavy Metal Thunder Brasil.

Heidi: Muito obrigado pela entrevista.

Continuem lendo o Heavy Metal Thunder Brasil e esperamos ver vocês logo! Rock on!

Paz e amor,

Heidi Solheim (vocalista e compositora do PRISTINE)


Contatos:



P.S.: O Heavy Metal Thunder Brasil gostaria de agradecer a Shinigami Records e a Marcos Franke (da assessoria de imprensa da Nuclear Blast Brasil) pela oportunidade de entrevistar Heidi Solheim (and thank a you a lot, Heidi).

Veja os vídeos de “Sinnerman”, “Bluebird”, “Cause & Effect” e “Aurora Skies”, canções de “Road Back to Ruin”.


Sinnerman



Bluebird



Cause & Effect



Aurora Skies

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Revelações do Death Metal - entrevista com o POSSESSED



Por “Metal Mark” Garcia


O nome do POSSESSED é uma lenda no meio do Metal extremo. A banda lançou o primeiro compêndio do Death Metal, “Seven Churches”, mas se separou em 1987, tentou retornar em 1990 (e se separou de novo em 1993), e retornou como um quinteto em 2007. Agora, após 12 anos após o retorno do POSSESSED (and 32 após o lançamento de “The Eyes of Horror”, seu ultimo lançamento), a banda soltou “Revelations of Oblivion”, seu terceiro álbum, e causou uma profunda comoção no cenário Metal.

Tivemos a oportunidade de entrevistar Emilio Marquez, o baterista da banda, para falar sobre o disco novo e mais.


MMG: Oi Emilio. Obrigado pela oportunidade, e a primeira pergunta é: em 2007, a notícia do retorno do POSSESSED diziam que era apenas uma banda tributo. Mas parece que as coisas cresceram, e o POSSESSED se ergueu dos mortos. Os tempos do tributo eram um fato? Se sim, o que os fez decidirem se tornarem a nova encarnação da banda?

Emilio Marquez: Olá, Metal Mark. Primeiro, obrigado pela entrevista e interessse no POSSESSED.

“Tempos de tributo”, bem, pode ser se fosse outro senão Jeff (N.R.: Jeff Becerra, vocalista do grupo e único membro da formação clássica), haha...

Minha antiga banda pediu a Jeff para se juntar a nós no palco em L.A. (CA) para um show. E ele fez isso. Logo depois, nos bastidores, ele me perguntou o que eu achava da ideia de trazer o POSSESSED de volta ao mundo. E o resto é história. Em 2010-2011 é quando a nova formação se uniu e começou a escrever “Revelations of Oblivion”. E ele foi escrito com respeito pelo antigo legado do POSSESSED.


Jeff Becerra
MMG: Quando se houve “Revelations of Oblivion” pela primeira vez, a primeira ideia é de que a técnica instrumental melhorou em relação ao passado, como alguns detalhes que podem ser ouvidos. Isso significa que você junto com Daniel (Gonzalez - Guitarras), Robert (Cardenas - Baixo, backing vocals), e Claudeous (Creamer - Guitarras), junto com Jeff compuseram as canções todos juntos, e não com alguém fazendo tudo sozinho? E como foi trabalhar com os rapazes e Jeff?? Oh, antes que eu esqueça: as partes de bateria estão ótimas!

Emilio: “Shadowcult” e “Dammed” foi escrita por Bobby e eu. Dan faz sua parte e e criou arranjos melhores para as canções. O resto das canções foi escrita por Jeff e Dan. Todas as partes de bateria foram feitas por mim. Quando nos juntamos, juntamos cada riffs e partimos dali. Esta banda trabalha junta, então existe uma parte que um de nós não gosta, nos livramos dela. Aceitamos críticas construtivas. Tudo o que for bom para a banda. E Jeff escreve todas as letras. Claudeous escreveu todos os solos dele já que o álbum já estava escrito quando ele entrou. Bobby escreveu 95% de suas partes de baixo. É muito simples trabalhar com Jeff e esta formação. E obrigado pelo comentário sobre minhas partes de bateria. Dissecamos cada parte para ver se ela se encaixa.


Daniel Gonzalez
MMG: Outra característica que chama a atenção dos fãs no disco é que 80% da musicalidade remete aos tempos de “Seven Churches”, mas existem momentos em que alguns elementos de “Beyond the Gates” e “The Eyes of Horror” aparecem claramente. Talvez esses elementos tenha aparecido devido ao tempo tocando as canções desses discos, concorda?

Emilio: Tivemos que fazer isso, mas com novos e modernos sons, já que vivemos em 2019. O sentimento é do POSSESSED à moda antiga para os fãs e nós, que também somos fãs. Todo o som característico e único do POSSESSED.  O novo tem que ser o que foi e mais ainda. E Jeff soa surpreendente!


MMG: Indo fundo em “Revelations of Oblivion”: quando a notícia chegou a vocês, vocês se sentiram pressionados a gravarem um novo álbum de uma banda lendária após 32 anos sem lançamentos? Todos vocês são músicos experientes, mas o POSSESSED é creditado como um dos criadores do Death Metal.

Emílio: Um pouco de pressão, pois sabia fãs, zines, selos e músicos iriam olhar para esse disco com um microscópio. Isso significa que se tocássemos em um estilo diferente que não fosse o estilo original do POSSESSED, seria suicídio. Como o CELTIC FROST tocando “Cherry Orchards”. Vejo cada canção como sua própria entidade. E adoraria tocar esse álbum todo para o Brasil qualquer dia. E sobre seu comentário sobre ser um dos criadores do Death Metal, é uma honra tocar com essa formação. Obrigado, Jeff.


MMG: Jeff e Daniel produziram o disco, mas Peter Tägtgren foi contratado para trabalhar na mixagem, masterização, trabalhou como co-produtor e na gravação também. Como foi a experiência de trabalhar com Peter, um cara que eu presumo ser também um fã do POSSESSED? E o que a banda acha do resultado final da qualidade se som? Por falar nisso, existem alguns momentos em que alguns timbres da bateria me lembram os de “Seven Churches”, logo, isso é intencional?

Claudeous Creamer
Emilio: Peter é fantástico, profissional, tranquilo e um verdadeiro gentleman. É ótimo trabalhar com pessoas desse nível. Todos fizeram suas partes um dia antes do programado, o que deu Jeff, no final, 3 dias para fazer 3 canções. Mais uma vez, os vocais de Jeff ficaram doentios!

Sendo honesto, de cara esperávamos uma mixagem diferente. Ela soava ótima, mas não fantástica. Peter, sendo um verdadeiro profissional, trabalhou duro para satisfazer a vontade de cada um na mixagem. No final, achei que estava 95% perfeita.

Os outros 5% perdidos foi de eu pedir por mais ataque na caixa, mas isso era eu sendo exigente. E não foi intencional soar como “Seven Churches”, mas obrigado pelo comentário.


MMG: Agora, “Revelations of Oblivion” está lançado. Quais são as expectativas para o disco? E como tem sido a recepção por parte da imprensa e dos fãs?

Emilio: Tem sido excelente. Sabíamos que (o disco) seria aceito, mas como de costume, existem comentários negativos, como as pessoas fazem. Temos sorte por conta dos fãs e resenhas positivas. Fazemos isso por vocês, pois sem os fãs, não há nada.


Robert Cardenas
MMG: Ouvindo o disco duas ou três vezes, os fãs perceberão a importância do POSSESSED para a criação do Death Metal, mas talvez alguns fiquem desapontados por estarem procurando um “Seven Churches” parte 2. O que acha disso, e qual seria um bom conselho para aqueles que ainda não ouviram “Revelations of Oblivion”?

Emilio: “Seven Churches” é o que é: um clássico. Estamos indo adiante satisfazendo os velhos e novos fãs do POSSESSED. Por favor, visitem a Nuclear Blast diretamente  para comprar ou resenhar “Revelation of Oblivion”. @nuclearblastshop.



MMG: “Graven” é a primeira música retirada de “Revelation of Oblivion” para um vídeo oficial. Por que a banda escolheu esta em meio a tantas ótimas canções? E o video é realmente ótimo, então, quem teve a ideia para ele, a banda, a gravadora, ou alguém mais?

Emilio: “Graven” não foi gravada pensando em ser mostrada em um vídeo tão doentio, em que se correlacionam os vocais doentios de Jeff com a apresentação de Peter Stormare, e é perfeito!

É melhor mostrar a cara de Jeff e Peter que a minha em um cenário tão horripilante (risos).

Jeff mencionou o cenário, e a companhia de vídeo fez o resto.


Takes das gravações de “Revelations of Oblivion” 

MMG: Não sei se sabe disso, mas “Revelations of Oblivion” foi lançado aqui no Brasil pela Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil. O que acha disso? E pode ser que tal fato venha a possibilitar o POSSESSED de invadir o país e desencadear a fúria de “Revelations of Oblivion”. E como está a agenda de show? Esperamos que o Brazil esteja mesmo nos planos...

Emilio: Eu sempre disse que o Brasil é maravilhoso. Tenho muito respeito pela cena Metal do Brasil, e suas bandas são bem brutais \,,/.

E esperançosamente, logo estaremos aí. Estamos negociando, mas tem alguma dica, meu amigo?

POSSESSED

MMG: esta é bem ingênua, mas como você se sente tocando no POSSESSED? Sim, pois talvez você tenha crescido ouvindo os discos da banda, se tornou fã, e agora toca nela.

Emilio: É um sonho que se tornou realidade. Estou honrado em tocar no legado do Death Metal do POSSESSED. Obrigado, Jeff.


MMG: Bem, é isso. Muito obrigado mais uma vez pelo tempo, Emilio, e, por favor, deixe sua mensagem para os leitores do Heavy Metal Thunder Brasil.

Emilio: Se o tempo permitir, mantenham contato.


Contatos:



P.S.: O Heavy Metal Thunder Brasil gostaria de agradecer a Shinigami Records e a Marcos Franke (da assessoria de imprensa da Nuclear Blast Brasil) pela oportunidade de entrevistar o músico.

Veja os vídeos de “No More Room in Hell” e “Graven”, músicas retiradas de “Revelations of Oblivion”:


No More Room in Hell



Graven

sexta-feira, 7 de junho de 2019

FÖXX SALEMA - Rebel Hearts


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Vulpine Beat (Intro)
2. Rebel Hearts
3. Vengeance Will Come
4. I
5. Emotional Rain
6. Subconscious
7. Mankind
8. Constant Fight (2018 Version)


Banda:


Föxx Salema - Vocais, Backing Vocals


Ficha Técnica:

Paulo Garciia - Produção, Mixagem, Masterização
Föxx Salema - Produção
Karine Campanille - Guitarras, Baixo, Teclados
Alessandro Kelvin - Bateria


Contatos:

Assessoria: https://www.facebook.com/islandpressbr/ (Island Press)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

De uns 4 ou 5 anos para cá, o Hard Rock/Glam Metal tem-se mostrado mais e mais no Brasil. Parece que ou existe uma nova onda do estilo por aqui, ou que todas as bandas resolveram colocar discos nas lojas ao mesmo tempo.

Entre os bons nomes que estão aparecendo, eis que surge o trabalho de FÖXX SALEMA, que nos chega com “Rebel Hearts”, sua primeira empreitada solo.


Análise geral:

No fundo, o trabalho sonoro mostrado em “Rebel Hearts” buscar ter a mesma noção melódica e “catching feeling” dos primeiros discos de Hard Rock/Glam Metal dos anos 80, quando tudo soava mais cru e pesado, com um fluxo de energia absurdo. Basicamente, a era Glam, mas com muitos elementos musicais do Metal tradicional.

Há muito do que se conhece de bandas como MÖTLEY CRUE e QUIET RIOT, mas também encontram-se nítidas influências de JUDAS PRIEST e IRON MAIDEN, e mesmo de harmonias do Heavy/Power Metal dos anos 80 (e mesmo do US Metal) aqui e ali. Mas não é bom deixar claro que este trabalho mostra muita personalidade.


Arranjos/composições:

O estilo melodioso e acessível mostrado no disco é bem legal, cheio de momentos em que o fã é envolvido pelas canções (graças às melodias de assimilação mais simples e belos refrães). Mas ao mesmo tempo, sobram energia e empolgação.

Graças à fusão de influências de Metal tradicional e Hard/Glam Metal, o trabalho musical que se ouve é permeado de arranjos instrumentais mais simples, alguns bem não convencionais (alguns riffs e duetos de guitarra remetem ao Metal tradicional, e mesmo existem vocais urrados aqui e ali), mas a estética melodiosa e grudenta impera.


Qualidade sonora:

Eis o ponto onde “Rebel Hearts” poderia ser melhor: a sonoridade do disco.

Não está ruim, soa até bem, mas existe certo excesso de crueza. Para este tipo de música, algo mais limpo encaixaria melhor. Além disso, alguns timbres instrumentais (especialmente a bateria) poderiam ser melhores.

Mais uma vez: não está ruim (na realidade, é uma boa sonoridade), mas poderia ser bem melhor.


Arte gráfica/capa:

A apresentação em um formato digipack simples e uma foto também bem simples fazem sua parte: deixar todas as atenções focadas apenas na música. E o encarte segue a tendência da simplicidade: letras em branco disponibilizadas em um fundo preto.

Simples, direto ao ponto e eficiente.


Destaques musicais:

“Rebel Hearts” é um disco que gruda nos ouvidos desde seus primeiros instantes (o que evidencia o lado Hard/Glam de suas músicas), mas é pesado e intenso na mesma medida. E em suas 7 músicas (pois “Vulpine Beat” é apenas uma introdução com o som de batimentos cardíacos) se percebe um trabalho esmerado e espontâneo. E as melhores são:

Rebel Hearts: peso e melodia se associam para criar uma canção instigante, com um refrão pegajoso e ótimo trabalho de guitarras e baixo.

Vengeance Will Come: uma canção com tempos um pouco mais cadenciados, mas cheia de uma pegada mais pesada e agressiva. É impossível não pensar nas primeiras bandas de Metal tradicional norte-americanas dos anos 80, especialmente pela estética melódica (e que trabalho de bateria).

I: nessa, temos uma inclinação bem evidente ao Metal tradicional (em grande parte por causa dos duetos de guitarra que remetem ao IRON MAIDEN antigo), mas o lado mais pegajoso e as melodias envolventes impressionam. E que vocais!

Mankind: uma canção peso-pesado à lá JUDAS PRIEST dos anos 80, pois aposta em arranjos mais dinâmicos e simples, com ótimos vocais. Basicamente, reparando-se com mais profundidade, certas nuances de Hard Rock californiano do início dos anos 80 fica bem evidente.


Conclusão:

Sendo o primeiro disco de FÖXX SALEMA, “Rebel Hearts” mostra-se muito bom, mas evidencia que ainda existe potencial (e muito) para ser transformado em boa música.

Ajustando a sonoridade, o próximo disco promete!


Nota: 81,0/100,0


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