quinta-feira, 27 de junho de 2019

BURNING WITCHES - Hexenhammer


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Witch Circle
2. Executed
3. Lords of War
4. Open Your Mind
5. Don’t Cry My Tears
6. Maiden of Steel
7. Dungeon of Infamy
8. Dead Ender
9. Hexenhammer
10. Possession
11. Man-Eater
12. Holy Diver
13. Self Sacrifice (bônus)
14. Don’t Cry My Tears (acoustic) (bônus)


Banda:


Seraina - Vocais
Romana - Guitarras
Sonia - Guitarras
Jay - Baixo
Lala - Bateria


Ficha Técnica:

V. O. Pulver - Produção, Gravação, Mixagem, Masterização
Schmier - Produção, Gravação
Damir Eskić - Produção, Gravação
Gyula Havancsák - Artwork, Layout
Courtney Cox - Guitarra solo em Maiden of Steel”


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

As bandas femininas existem no Metal desde os anos 70, mas apenas após o sucesso comercial da carreira solo de LITA FORD, do WARLOCK (e consecutivamente, de DORO), muitos outros foram surgindo. Hoje em dia, as garotas provaram que elas podem contribuir muito para o Metal com seu talento. E um dos nomes mais fortes do Metal feminino nos dias de hoje é das Bruxas suíças do BURNING WITCHES, um quinteto que acaba de ter seu segundo álbum, o excelente “Hexenhammer”, lançado no Brasil pela parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

O que se pode esperar de uma banda conterrânea de nomes como HELLHAMMER/CELTIC FROST, CORONER e outros?

Antes de tudo, é preciso deixar claro que o caldeirão dessas Bruxas arde com o mais puro Metal tradicional que se possa pedir, um misto de influências da NWOBHM, do Metal tradicional germânico e do U.S. Metal, com aquela aura dos anos 80. Nomes como JUDAS PRIEST, ACCEPT e mesmo WARLOCK vem à mente, mas sempre com uma personalidade forte pulsando em suas canções, que mostram uma energia absurda, sem mencionar que elas são especialistas em refrães bem feitos, melodias certeiras.


Arranjos/composições:

O grupo sabe fazer um equilíbrio inteligente e espontâneo entre peso, melodias e agressividade, e mantendo um nível técnico muito bom e sem muitas firulas. Além do mais, os arranjos são muito bons, os andamentos são variados (o que não deixa os fãs entediados), e não lhes falta inspiração.

Aliás, os vocais são ótimos, as guitarras criam riffs e solos melodiosos e de fácil memorização, sem falar que baixo e bateria esbanjam peso e diversidade rítmica.


Qualidade sonora:

O BURNING WITCHES é mais um grupo que foge à regra do dito “retro-Metal”: a produção é de primeira.

Gravado, mixado e masterizado no Little Creek Studio sob a tutela de V. O. Pulver, do PÄNZER, e que fez a mixagem e masterização sozinho, embora tendo uma mão de Schmier (baixista/vocalista do DESTRUCTION) e de Damir Eskić (guitarrista do DESTRUCTION) na produção e gravação, “Hexenhammer” soa pesado, sólido e compacto, sem buracos. Mas ao mesmo tempo, a sonoridade espontânea do disco soa clara, bem definida em termos de instrumentos e vocais, com um toque de modernidade que fez bem ao trabalho do quinteto.

Basicamente, tem-se o melhor dos dois mundos em uma qualidade sonora.


Arte gráfica/capa:

A arte gráfica de Gyula Havancsák é belíssima, trazendo para o ambiente visual todos os elementos que o nome e letras do disco inspiram. Para quem não sabe, “Hexenhammer” é a tradução em alemão do nome “Martelo das Bruxas”, ou “Malleus Maleficarum”, livro que tornava práticas heréticas em crime, inclusive passíveis de pena capital. Mais detalhes podem ser lidos aqui pelos mais curiosos.


Destaques musicais:

“Hexenhammer” é um disco difícil de não gostar, pois reúne todos os elementos que um bom fã de Metal exigente quer, e todos em alto nível. Além disso, é um disco bem equilibrado em termos de composição/inspiração. E para as primeiras audições, estas são as mais viciantes:

Executed: um murro nos tímpanos de pura energia, com agressividade alta, ritmo em boa velocidade (as conduções da bateria são ótimas), mas as guitarras chegam pondo a casa abaixo com bases marcantes e de ótimo gosto (e solos inspirados).

Lords of War: a velocidade decresce, mas o peso fica evidenciado, bem como as melodias. Aliás, o refrão é viciante, pegajoso, como toda estrutura harmônica. E que vocais de excelentes!

Open Your Mind: Nessa, as variações de andamento são mais explícitas, ou seja, baixo e bateria de destacam em um trabalho sólido e técnico de primeira (o uso de bumbos duplos em certos momentos ficou perfeito).

Maiden of Steel: um típico Hard ‘n’ Heavy poderoso, com ótimas linhas melódicas, backing vocals inspirados e refrão de alto nível. As guitarras estão excelentes mais uma vez. E nos solos, a presença especial de Courtney Cox (ex-guitarrista do finado PHANTOM BLUE, hoje no THE IRON MAIDENS, onde é conhecida como Adriana Smith).

Dead Ender: os tempos ficam mais arrastados e pesados, criando uma ambientação densa, com linhas melódicas permeadas de certa melancolia. Os vocais se destacam bastante, sem mencionar que as intervenções das guitarras em alguns temas são providenciais.

Hexenhammer: a dinâmica da canção fica entre uma apresentação mais simples termos técnicos (o que a torna mais acessível comercialmente), melodias bem sacadas e um toque de tristeza (pois o tema tratado na letra é realmente denso).

Man-Eater: definitivamente, a banda sabe apelar em termos de guitarras, pois a vida dessa canção vem toda de riffs de primeira (mesmo com alguns toques de Thrash Metal em algumas partes).

Holy Diver: como o nome já evidencia, é uma versão da banda para o velho clássico do DIO. Óbvio que a música ganhou uma roupagem mais moderna e agressiva (algo esperado por conta dos anos e do próprio estilo do BURNING WITCHES), mas respeitando as melodias originais. Os vocais ficaram de primeira.

A versão brazuca ainda tem duas faixas extras:

Self Sacrifice: uma faixa cheia de energia, com partes mais melodiosas incríveis, outra exibição de gala do quinteto.

Don’t Cry My Tears (acoustic): como o nome já deixa claro, é a versão acústica da balada do disco. Aqui, a original ficou mais suave (os vocais especialmente), outra que pode atingir um público mais amplo, mas que também mostra a versatilidade do quinteto.


Conclusão:

A verdade é: apesar de o disco ser de 2018, “Hexenhammer” é disco certo para uma lista de melhores do ano, pois o BURNING WITCHES veio para ficar e vencer na base do talento!

Se deixem seduzir pelo talento dessas Bruxas do Metal!

Em tempo: a vocalista Seraina deixou a banda há pouco tempo, e já foi substituída por Laura Guldemond.

Nota: 97,0/100,0


Executed



Hexenhammer



Spotify


segunda-feira, 24 de junho de 2019

I GATHER YOUR GRIEF - Dystopian Delusions


Ano: 2019
Tipo: Extended Play (EP)
Nacional


Tracklist:

1. Sand Castles
2. Defendant
3. The Farewell's Sacrament
4. Behind the Wheel


Banda:


Fernando Troian - Vocais
Maicon Ristow - Guitarras
Andre Lazzarotto - Guitarras
Wendel Siota - Baixo
Marcelo Vasco - Bateria, Vocais Limpos


Ficha Técnica:

I Gather Your Grief - Produção
Marcelo Vasco - Artwork


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Projetos musicais paralelos são, quase sempre, uma alternativa para músicos se expressarem em formas que suas bandas principais não permitem, pois nem sempre essas ideias são compatíveis com aquilo que as bandas principais fazem.

E não é de se admirar que o I GATHER YOUR GRIEF, quinteto de Doom/Death Metal do RS formado por integrantes do SWORDS AT HYMNS, PATRIA e DARK CELEBRATION, soe tão maduro em “Dystopian Delusions”, seu primeiro EP físico.


Análise geral:

O trabalho do grupo vai remeter a nomes como MY DYING BRIDE, PARADISE LOST, ANATHEMA e outras bandas do início do Doom Death Metal, mais um pouco da elegância trazida no final dos anos 90 pelo TRISTANIA. Ou seja, é lento, denso e fúnebre, com bom nível técnico e muito foco nas ambientações melancólicas criadas pelos teclados.

Mas não é necessário dizer que o quinteto realmente sabe fazer música bem à sua moda, mostrando personalidade nas quatro canções.


Arranjos/composições:

Se em termos de musicalidade o grupo sabe o que faz, combinando elementos brutos (como o vocal gutural) com atmosferas melancólica, se percebe que o quinteto não se perde em alguma “egotrip” de técnica exacerbada. O enfoque é ser sinistro e melodiosamente macabro, mas mantendo-se agressivo nas medidas certas.

Há momentos em que as guitarras se sobressaem e mostram arranjos realmente fúnebres, e tudo entremeado por teclados elegantes e soturnos. Além disso, a base rítmica é solida e pesada, e assim, cria-se a colcha instrumental devida para os vocais guturais evoluírem com maestria (embora existam partes limpas, como se pode ouvir em “Sand Castles”).


Qualidade sonora:

Um dos maiores acertos de “Dystopian Delusions” é justamente o não uso de algo elegante e limpo demais, o que só faria a banda soar como tantas outras. Mas mesmo assim, se percebe que a rispidez sonora vinda dos timbres instrumentais. Aliás, soube-se equilibrar ambos os lados: da limpeza (necessária para a compreensão e fluxo das melodias) e o da agressividade (de onde vem a energia abrasiva do que se ouve).


Arte gráfica/capa:

“Dystopian Delusions” vem em um “cardboard sleeve”, ou seja, uma capinha tipo envelope à lá discos de vinil dos anos 80. A arte é bonita, enfocando a melancolia da solidão em noites de inverno. Coisa fina, bem no estilo de Marcelo Vasco (baterista do grupo e conhecido artista gráfico).

Capa de “Dystopian Delusions”

Destaques musicais:

Este EP tem apenas 4 faixas muito bem equilibradas, mostrando um resgate renovado dos aspectos brutais do Doom Death Metal clássico dos anos 90, apenas mais robusto e elegante.

Sand Castles: as melodias são simples, o andamento é um pouco mais dinâmico que as outras (ou seja, não tão arrastado assim), além de mostrar ótimas intervenções de vocais limpos e dois bumbos.

Defendant: esta já tem todos os elementos clássicos do Doom Death Metal (andamento arrastado, rispidez sonora azeda misturada com uma atmosfera deprê), permitindo assim que as guitarras se destaquem bastante.

The Farewell's Sacrament: mesmo mantendo toda a aura soturna do estilo, esta canção mostra maior diversidade de ambientações, e mesmo de técnica instrumental. Os vocais ficaram ótimos justamente por conta desses contrastes.

Behind the Wheel: E uma velha canção de um dos nomes mais fortes do Gothic Rock e mesmo do Doom Death Metal, o grupo inglês DEPECHE MODE. Só que o lado mais soturno da canção é exacerbado por teclados e guitarras pesadas. E ficou ótimo: personalizado, mas sem perder a essência original. E o enfoque mais limpo e “goth” dos vocais ficou perfeito.


Conclusão:

Desta forma, se percebe que o Brasil ganhou muito com o I GATHER YOUR GRIEF, e nos resta torcer para que o quinteto não fique apenas nesse EP.


Nota: 85,0/100,0


Youtube

SABATON - Attero Dominatus (Re-Armed)


Ano: 2006 (lançamento original) / 2019 (relançamento)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Attero Dominatus
2. Nuclear Attack
3. Rise of Evil
4. In the Name of God
5. We Burn
6. Angels Calling
7. Back in Control
8. A Light in the Black
9. Metal Crüe
10. Für Immer
11. Långa bollar på Bengt
12. Metal Medley
13. Nightchild
14. Primo Victoria


Banda:


Joakim Brodén - Vocais
Oskar Montelius - Guitarras
Rikard Sundén - Guitarras
Daniel Mÿhr - Teclados
Pär Sundström - Baixo
Daniel Mullback - Bateria


Ficha Técnica:

Tommy Tägtgren - Produção, Gravação, Mixagem
Henke - Masterização
Mattias Norén - Arte da capa
Hannele Junkala - Backing Vocals
Marie-Louise Strömqvist - Backing Vocals
Sofia Lundberg - Backing Vocals
Maria Holzmann - Backing Vocals
Mia Mullback - Backing Vocals
Åsa Österlund - Backing Vocals


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O renascimento dos estilos oitentistas de se fazer Metal na segunda metade dos anos 90 encheram o cenário de cópias e mais cópias de grupos antigos. Mas houveram aqueles que realmente vieram dar um respiro, uma vida nova aquilo que estava desgastado.

E não há como negar: o grupo sueco SABATON é uma das pontas de lança nesse assunto. Seu jeito Heavy/Power Metal rebuscam elementos dos anos 80, mas sempre com um olhar no futuro. E em 2006, lá vieram eles com seu terceiro disco, “Attero Dominatus”, que acaba de ser relançado e renomeado “Attero Dominatus (Re-Armed)”, e que chega ao Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

Basicamente, o estilo do grupo não mudou tanto assim de lá para cá. Ou seja, é o mesmo Heavy/Power Metal sueco (ou seja, bastante influenciado por JUDAS PRIEST, ACCEPT e nomes da NWOBHM), adornado de belas orquestrações. No tocante técnica musical, nada exagerado, evitando romper a simplicidade, e consequentemente, a acessibilidade de suas canções.

Se percebe que a banda soube reciclar muitos clichês musicais do gênero, dando uma vida nova a cada um deles, bem como soube explorar refrães simples e com um toque épico.  

A fórmula mais certa possível para se criar um disco de primeira, e assim pode ser definido “Attero Dominatus (Re-Armed)”.


Arranjos/composições:

A combinação das orquestrações épicas dos teclados com riffs certeiros (e solos melodiosos com boa técnica, mas sempre sem exagerar), mais refrães bem compostos, mudanças de ritmo providenciais, e tudo isso encaixando sob uma colcha de arranjos musicais de primeira é algo que não tinha como dar errado.

Além do mais, o talento do então sexteto (já que é o primeiro disco da banda com Daniel Mÿhr nos teclados como membro fixo) não deixa dúvidas do quanto eles estavam com fogo nas veias e sangue nos olhos. Por isso esse disco é tão sedutor.

Além disso, como o foco da banda é falar de eventos relacionados sobre as guerras e batalhas da história, é uma aula. Aliás, desperta a curiosidade sobre estes temas, e dessa forma, contribuem para a criação de conhecimento.


Qualidade sonora:

“Attero Dominatus (Re-Armed)” soa grandioso, mas é extremamente pesado e claro aos ouvidos. O disco foi gravado no The Abyss Studio, e Tommy Tägtgren (sim, ele é irmão de Peter) fez um trabalho ótimo na produção e captação (ou seja, a gravação), sem falar que sua mixagem deixou os instrumentos todos com uma boa qualidade, e com os níveis certos de volumes e efeitos. Além disso, a masterização de Henke (Henrik Jonsson, também conhecido como Henke Jonsson) deu uma vida, um brilho às canções.

Além disso, a timbragem dos instrumentos ficou muito boa, sem destoar muito do que se ouve nos shows do grupo.


Arte gráfica/capa:

A arte original de Mattias Norén para a capa não foi mudada, apenas deram alguns toques diferenciados nas cores (a envoltória cheia de espinhos que antes era voltada a tons de roxo agora está em anil). Aparenta novo, mas continua com seus aspectos originais preservados.


Destaques musicais:

Embora o sexteto ainda não esteja em seu ápice criativo, “Attero Dominatus (Re-Armed)” vem para sedimentar o estilo da banda. E, aliás, essa versão tem alguns bônus ótimos.

Attero Dominatus: um Heavy/Power Metal melodioso e com uma estruturação harmônica simples. O refrão é daqueles que se ouve e não se esquece mais, sem mencionar o caráter épico dos teclados. Era canção certa nos shows da banda até pouco tempo. Fala sobre a Batalha de Berlin (1945) na perspectiva do exército soviético.

Nuclear Attack: ótimos arranjos de guitarra permeiam esta canção. Ela é bem pegajosa e dinâmica, do tipo que faz os fãs irem à loucura nos shows, especialmente durante o refrão. As letras lidam com os bombardeios nucleares de Hiroshima (06/08/1945) e Nagasaki (09/06/2019).

Rise of Evil: Nesta, o andamento cai e o foco fica numa ambientação densa e pesada, criada pelos contrastes entre guitarras e teclados. Mesmo o baixo começa a surgir em alguns momentos, e o refrão é excelente. Esta fala sobre a criação do III Reich da perspectiva dos nazistas.

Angels Calling: certos arranjos mais tecnicamente complexos adornam a canção, os teclados fazem fundo, e os vocais se sobressaem mais, devido à capacidade de interpretar e dar emoção às letras, que narra os horrores da Primeira Guerra Mundial.

A Light in the Black: outra canção com andamento moderado e toques épicos nos teclados. Embora sem meter mais nos arranjos do que a música pede, a bateria mostra ótima condução rítmica. E é mais uma em que os vocais estão bem, e a letra fala sobre as força que lutam pela paz no mundo.

Metal Crüe: aqui a banda apela para um Hard ‘n’ Heavy feito à maneira deles. As melodias são simples e pegajosas, e a letra deixa claro: é uma homenagem do grupo a todos aqueles que os precederam e influenciaram sua música.

Basicamente, aqui termina o conteúdo do disco original, e começam as canções extras.

Für Immer: é um cover de DORO. E é interessante ver como a banda faz uma releitura pesada e pessoal, mas sem que se perca a caracterização da original. E que arranjos de teclados bem encaixados!

Långa bollar på Bengt: outro cover, agora para a banda conterrânea SVENNE RUBINS. A original (que pode ser ouvida aqui) tem um jeito Pop Rock/Country Rock bem legal, mas a versão aqui apresentada tem peso e pegada pesada, mas sem perder a melodia.

Metal Medley: como o nome já diz, é um “medley” de canções da banda, tocada ao vivo em Falun. Serve para mostrar como a energia da banda não se perde em seus shows. Na verdade, parece aumentar!

Nightchild: é uma canção assentada sobre uma base melodiosa de teclados e boa presença de guitarras. O andamento mais vagaroso dá ênfase ao peso, e os vocais realmente são excelentes.

Primo Victoria: esta é a versão Demo da faixa-título do disco anterior. Desta forma, é a mesma canção, apenas soando mais crua (justamente por todo acabamento não ter sido feito).


Conclusão:

Mesmo 13 anos depois de seu lançamento original, “Attero Dominatus (Re-Armed)” soa atual, cheio de energia, sendo um disco obrigatório para os fãs do grupo. Ainda mais nessa versão nacional cheia de extras.

Ah, sim: “Attero Dominatus” significa "eu destruo tiranias".


Nota: 91,0/100,0


Attero Dominatus



Spotify


terça-feira, 18 de junho de 2019

JAVALI - Life is a Song


Ano: 2019
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Miranda Music (Físico) / Altafonte (Digital)
Nacional


Tracklist:

1. Runaway
2. Empty Promises
3. Singing Along
4. Child’s Frustration
5. Cruel Past
6. Dancing in the Fire


Banda:


Marcelo Frizzo - Baixo, Vocais
Jaéder Menossi - Guitarras
Loks Rasmussen - Bateria


Ficha Técnica:

Edinho Junior - Produção, Gravação
Thiago Bianchi - Mixagem, Masterização
João Duarte (JDesign) - Artwork


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

É possível pegar um estilo velho e lhe dar vida nova?

A experiência responde este pergunta da seguinte forma: Sim, dependendo da banda.

As bandas têm a responsabilidade de buscar sair do ponto comum, de pegar todo o conjunto de lições aprendidas e influências adquiridas e criar algo diferente, mesmo em um estilo já bem conhecido. E é este um desafio que faz tantos caírem no marasmo da repetição cansativa de clichês, mas que alguns conseguem fazer algo de alto nível. No segundo conjunto, está o trio JAVALI (antes conhecido como POP JAVALI), que vem dar uma aula de amadurecimento e sabedoria com o EP “Life is a Song”.


Análise geral:

É óbvio que um grupo de 27 anos não mudaria seu estilo. Eles continuam fazendo o mesmo Hard Rock clássico com uma pegada de Heavy Metal e elementos de Rock Progressivo setentista. A diferença: o trio não para de evoluir, e o resultado é uma música ainda melodiosa, rica e elegante, agora permeada com um alinhavo ainda mais pesado que antes, além de uma estética mais moderna e agressiva.

Traduzindo: continuam com o mesmo estilo de sempre, apenas mais evoluído e modernoso. Algo que realmente é uma tentação de tão bom!


Arranjos/composições:

Quem os conhece de outros tempos, sabe que o JAVALI é conhecido por arranjar suas músicas de uma forma fluida e espontânea, mas sabendo colocar a técnica instrumental sempre ao seu lado. A diferença é que o grupo sabe criar melodias elegantes e que grudam nos ouvidos, e cada refrão é feito para nos atingir no coração. Basicamente, é ouvir e gostar, mesmo com o requinte que possuem.

E não seria um pecado dizer que o trio é o RUSH brasileiro, tamanha versatilidade, bom gosto, peso e capacidade de envolver o ouvinte.


Qualidade sonora:

Gravado no Studio Atmosphera sob a tutela do produtor Edinho Junior; e mixado e masterizado pelas mãos de Thiago Bianchi (do NOTURNALL) no estúdio Fusão, a sonoridade de “Life is a Song” chega a ser comovente: um “blend” moderno e bem feito de peso e melodia, sempre translúcida ao ponto de tudo ser audível, sem nenhum detalhe oculto.

Além disso, a parte de peso e modernidade tem muito com a timbragem escolhida para os instrumentos. Sem desfazer dos trabalhos anteriores, é a melhor produção sonora do grupo até os dias de hoje.


JAVALI ao vivo
Arte gráfica/capa:

Apesar da simplicidade inicial, a arte de João Duarte (da JDesign) ficou belíssima e elegante, dando uma expressão visual ao que transpira musicalmente desse EP.


Destaques musicais:

Desculpem, mas apontar destaques musicais em “Life is a Song” é impossível. Como sempre, o trio caprichou e deu uma vida às suas canções que dificilmente se vê por aí. É tiro e queda, ouvir e sair cantarolando.

Runaway: um Hard ‘n’ Heavy típico dos anos 80, mas com um jeitão moderno e pesado, cheio de vida e energia. Uma canção excelente, que se agarra ao ouvinte, e onde a banda cria arranjos de primeira (baixo e bateria estão ótimos), e um refrão grudento daqueles!

Empty Promises: A pegada moderna e pesada dessa canção é ótima, bem como sua expressão harmônica. Mas como as guitarras estão exuberantes, mostrando riffs simples e bem feitos, e que solos (a qualidade sonora contribuiu muito para a melhor compreensão deles nesse EP).

Singing Along: Um toque mais introspectivo e melancólico bem atual permeia essa canção. As partes lentas e limpas dão um toque mais acessível à ela, sendo que há maior energia e distorção nas guitarras durante o refrão. E os vocais mostram sua versatilidade justamente nela.

Child’s Frustration: alguns vocais mais ríspidos e urrados aparecem nessa música com linhas melódicas mais diretas e modernas. O andamento varia bastante, mas o refrão é outra mostra de sua qualidade incontestável em termos de criatividade.

Cruel Past: Outra em que elementos atuais permeiam o jeito Hard clássico do grupo. Além disso, existem partes claramente acessíveis, com melodias de simples assimilação, que são incríveis. Mais uma vez, uma exibição de gala das guitarras e dos vocais.

Dancing in the Fire: Uma paulada moderna, técnica (o baixo está debulhando logo no início), mas com a evidente presença de elementos de Rock Progressivo. Não chega a ser um Prog Metal/Rock, já que a banda não perde seu jeito melódico e envolvente, e além disso, os vocais estão ótimos.

Aliás, o CD físico ainda tem o bônus “Read My Mind”, canção de um Single de 2018 que estava apenas nas plataformas digitais até este momento.


Conclusão:

Se muitos dizem que o Rock está em crise, ou mesmo que morreu, sinceramente são pessoas que desconhecem o trabalho do JAVALI. E “Life is a Song” pode ser ouvido/adquirido na forma digital nas principaisplataformas digitais na internet.


Nota: 100,0/100,0


Runaway



Spotify