quinta-feira, 18 de julho de 2019

BRADO - We Are


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Gimme a Reason
2. Just One
3. Becoming Prey
4. Guiding Your Way
5. Everything… is Pain
6. Such an Animal
7. King of Your Mind
8. Calling You
9. Horn Hands
10. Don’t Lose Your Mind


Banda:


Eric Bruce - Vocais, Guitarras
Charlles Pazin - Guitarras, Backing Vocals
Kiyo Ishikawa - Baixo
Rick Koba - Bateria


Ficha Técnica:

Thiago Bianchi - Produção, Mixagem, Masterização
Carlos Fides - Artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://www.asepress.com.br/music (ASE Music)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

No que se convencionou chamar de vertentes modernas de Metal, existem (como em todas as subdivisões que se possa pensar), bons nomes e outros nem tanto. E um gênero que tem começado a mostrar a cara é o que se convencionou chamar de Modern Hard Rock, ou seja, a mistura da agressividade jovial dos estilos modernos mixada à melodias pegajosas e músicas mais simples.

E é justamente assim que vem o BRADO, quarteto de SP, que chega com uma pancada bem dada, o disco “We Are”.


Análise geral:

O trabalho do BRADO pode ser comparado ao de bandas modernas cujas melodias são bem apuradas, mas cuja energia e adrenalina são claras, e sem deixar de ter suas doses homeopáticas de agressividade. Algo no mesmo jeitão do STORMBRINGER inglês, apenas mais diversificado e eclético que este.

Óbvio que muitos fãs de coisas mais antigas vão reclamar, mas no geral, o trabalho do quarteto é muito bom.


Arranjos/composições:

É bom que se diga que o grupo sabe mixar um approach duro e pesado com melodias pegajosas, além de ostentar uma energia enorme. Tudo vindo de um trabalho técnico que dista do exagero, mas sem ser simplista. Basicamente, o que guia a capacidade de arranjar suas músicas de maneira arrojada e eficiente, sem que nada esteja faltando ou seja excessivo.


Qualidade sonora:

Verdade seja dita: tudo que passa pelo estúdio Fusão VM&T já causa grandes expectativas em termos de sonoridade, e “We Are” não é diferente, pois tudo é de alto nível.

Tudo está soando claro e bem definido, com os timbres mais corretos possíveis, mas sempre com as doses certas de distorção (para que a música do grupo tenha agressividade).


Arte gráfica/capa:

Carlos Fides (da Artside Digital Studio) criou uma arte bonita, com impacto visual que realmente chama a atenção do ouvinte.


Destaques musicais:

Verdade seja dita: a experiência musical de alguns integrantes do grupo (HARPPIA, J-ROX, entre outros) faz a diferença, fazendo com que toda a fusão de gêneros que se ouve em “We Are” (Heavy Metal tradicional, Hard Rock, Glam Metal, Metalcore e outros podem aparecer conforme se ouve mais e mais o disco) seja coesa.

Melhores momentos: o conjunto de melodias modernosas e pegajosas de “Gimme a Reason” (bons riffs de guitarra), o grude nervoso e intenso de “Just One” (que mesmo com toda a agressividade que tem, mostra melodias ótimas e um refrão grudento), o toque de acessibilidade Heavy/Pop de “Guiding Your Way” (quase uma canção para adolescentes, e por isso mesmo, muito boa, e com vocais muito bons), a balada envolvente e cheia de harmonias em “Everything… is Pain”, o peso introspectivo e ácido de “King of Your Mind”, e a pancada que mixa elementos de Hard Rock e Metal tradicional moderno “Don’t Lose Your Mind” (trabalho peso pesado de baixo e bateria). Basicamente, o disco inteiro é muito bom, e essas servem como referência para as primeiras audições.

Ah, sim, o álbum pode ser ouvido nas seguintes plataformas digitais:



Conclusão:

Fechando, é bom ver uma banda com um jeito diferente do usual como o BRADO. E assim, “We Are” tende a ser muito bem recebido pelo público mais jovem e os de mente mais aberta, tanto aqui quanto fora do Brasil.


Nota: 8,3/10,0

Just One



Spotify

TREND KILL GHOSTS - Kill Your Ghosts



Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional




Tracklist:



1. Kill Your Ghosts (intro)
2. Like Animals
3. Fight
4. Living a Lie
5. Deceivers
6. Ghost's Revolution
7. Promise
8. Frozen
9. Belief




Banda:




Diogo Nunes - Vocais
Rogério Oliveira - Guitarras
Danilo Dill - Baixo
Leandro Tristane - Bateria




Ficha Técnica:



Lucia Ricardo - Vocais em 7
Ralf Scheepers - Vocais em 6
Raphael Dantas - Vocais adicionais
Lúcia Ricardo - Vocais femininos




Contatos:



Site Oficial:
Assessoria: http://www.asepress.com.br/music (ASE Music)



Texto: “Metal Mark” Garcia




Introdução:



Muitas vezes, a inclinação do Metal brasileiro às tendências mais extremas acaba cansando muitos fãs. A overdose de brutalidade em termos musicais pode ou fazer um banger largar tudo em certa altura de sua vida dentro do cenário, ou levá-lo a ouvir algo diferente. Por isso a existência de estilos mais melódicos é tão importante (e esse mecanismo pode ser na forma inversa da mesma forma).



Apesar de não ser inovador, o quarteto TREND KILL GHOSTS, de Guarulhos (SP) mostra um trabalho bem legal em “Kill Your Ghosts”, primeiro disco do grupo.




Análise geral:



O grupo foca seus esforços em criar um jeito deles de fazer Heavy/Power Metal tradicional, ou seja, seguindo os passos de nomes como HELLOWEEN, EDGUY e outros nessa mesma pegada. Por isso, a banda soa melodiosa, com um trabalho instrumental eficiente (e tecnicamente sóbrio), mas com boa dose de peso.



Sim, apesar de não ser nada de novo, é muito bom e fácil de ser absorvido por nossos sentidos.




Arranjos/composições:



Evitando exageros técnicos ou velocidades estratosféricas, o grupo mostra força e peso, com arranjos de fácil assimilação pelos ouvintes. Vocais competentes (inclusive com alguns urros guturais aqui e ali, como em “Like Animals”), bons riffs de guitarra, baixo e bateria com boa dose de peso e boa variação de tempos, tudo nas medidas certas. Ainda existem teclados aqui e ali que são bem sacados, verdade seja dita.



Mas um dos pontos interessantes do grupo: as melodias da banda evitam complexidades extravagantes. Todas são fáceis de assimilar, deixando o ouvinte preso à poltrona, sem conseguir se desvencilhar do disco.




Qualidade sonora:



Por ser um primeiro disco, e ainda por cima independente, a qualidade sonora de “Kill Your Ghosts” não está 100% à altura do que o grupo faz. Ainda crua demais para o que eles fazem, que exigiria algo mais limpo. Óbvio que está em bom nível, mas não é aquilo que a banda merece.



E por “bom”, entenda-se que não é ruim, mas também não é excelente.




Arte gráfica/capa:



Eis o momento clichê do grupo, pois a capa mostra uma arte que vem do universo de fantasia medieval/hiboriana que se conhece dos quadrinhos de Conan e da obra de Tolkien. É um recurso já erodido, mas que sempre funciona quando a música é boa.



E no caso do TKG, é muito boa.




Destaques musicais:



Pode-se dizer que “Kill Your Ghosts” dá a impressão de ser um disco nascido de uma banda jovem (o que de fato o é, pois foi fundada em 2018), pois se percebe que estão sedimentando seu estilo e buscando algo mais próprio.



Se destacam entre todas: o peso melodioso e sinuoso (em termos de melodias) de “Like Animals”, a pegada Heavy/Power Metal tradicionalíssima de “Fight” (cheia de partes pesadas contrastando com momentos melodiosos em que vocais e baixo aparecem bastante), o trabalho mezzo Power Metal e mezzo Prog (por conta da ambientação) mostrado em “Deceivers” (os vocais podem parecer um pouco “mais do mesmo” para os ouvintes, mas mostram uma força e energia bem próprios), a energia fogosa e com jeito de Metal tradicional moderno de “Ghost’s Revolution” (que tem a presença de Ralph Scheepers nos vocais), e o peso suave e envolvente de “Belief” (guitarras muito boas). Mas o disco inteiro é uma experiência agradável e positiva para todos.




Conclusão:



Dessa forma, é preciso aferir que “Kill Your Ghosts” é um bom disco de estréia, e mostra que o TREND KILL GHOSTS tem muito potencial, e com certeza, muito a oferecer em um futuro bem próximo.



Nota: 7,7/10,0


Ghost’s Revolution



Bandcamp

FURIA INC. - Raw


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Raw (intro)
2. The Endless Void
3. Max (The Moon Dagger)
4. D-Generation
5. Light the Fire
6. Killing Machine
7. Slaves to the Blood
8. Private Fiction
9. Devouring Darkness
10. The Knight and the Bishop


Banda:

Foto: Bruno Sessa

Victor Cutrale - Vocais
Gustavo Romão - Guitarras
Fabio Carito - Baixo
Neto Romão - Bateria


Ficha Técnica:

Wagner Meirinho - Produção, Gravação
Thiago Assolin - Produção, Gravação
Brendan Duffey - Mixagem, Masterização


Contatos:

Assessoria: http://www.asepress.com.br/music (ASE Music)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O Brasil tem por essência a fusão de estilos. É uma forte característica pegar esse ou aquele estilo e dar uma diferenciada. E mesmo com muitos apenas seguindo a tendência, outros poucos preferem fazer tudo à sua maneira, e danem-se modelos!

Um desses que preferem fazer diferente é o quarteto FÚRIA INC., quarteto sujos integrantes são das cidades de São Paulo e Guarulhos, e que mostra uma fúria híbrida em “Raw”, seu segundo álbum.


Análise geral:

Em essência, o grupo pega o Thrash Metal dos anos 90, enche de influências de Groove Metal e toques de vertentes mais modernas para criar uma música gordurosa, agressiva, mas bem trabalhada e cheia de energia.

Mas é preciso cuidado: a rispidez e brutalidade da música podem deixar os fãs com dores de pescoço e tímpanos.


Arranjos/composições:

A banda não chega a criar arranjos muito complexos. Sua preocupação é soar pesado e agressivo, algumas vezes próximo ao Hardcore moderno (como se percebe nos corais e andamentos de “Killing Machine”). As canções soam compactas, sólidas e brutas, mas bem feitas.

Óbvio que fã de “Chaos A. D.” e “Vulgar Display of Power” devem amar o disco, pois o jeitão moderno e grooveado das canções é bastante pegajoso para eles, sendo que o grupo capricha em seus refrães, sem falar que as melodias agressivas soam muito bem.


Qualidade sonora:

“Raw” foi gravado sob a tutela de Wagner Meirinho e Thiago Assolin no estúdio Loud Factory (SP), tendo as mãos de Brendan Duffey cuidando da mixagem e masterização na Califórnia (EUA).

Óbvio que esse esforço todo resultaria em uma qualidade sonora de alto nível, onde todos os instrumentos podem ser ouvidos sem dificuldades (inclusive com uma timbragem justa para o trabalho musical do quarteto), mas com aquele jeito azedo e carregado de grupos modernos.


Arte gráfica/capa:

A capa de “Raw” transpira sua essência musical, e mesmo dá idéias subjetivas que remetem ao nome do disco. Um belo trabalho, mesmo sendo feito em uma forma mais simples que o usual.


Destaques musicais:

“Raw” é um murro na cara de pura agressividade, mas ao mesmo tempo transpira uma aura de cuidado em termos de criatividade.

Das 9 canções (já que “Raw” é apenas uma introdução), se destacam a força, peso e modernidade de “The Endless Void” (há traços que beiram o Metal Industrial, com ótimos contrastes entre vocais gritados e outros sussurrados), o peso do Djent aliado à elementos Groove Thrash Metal de “D-Generation”, as guitarras tecendo ótimos riffs e solo em “Light the Fire”, a simplicidade pós-Thrash de “Killing Machine” (outra com fortes influências de Metal Industrial acopladas numa pegada Hardcore), algumas passagens de Melodic Death Metal modernos que dão um toque de acessibilidade musical a “Private Fiction” (baixo e bateria exibem ótima pegada nessa canção), e a intensa “The Knight and the Bishop”. No fundo, o disco inteiro é muito bom, verdade seja dita.


Conclusão:

O trabalho do FURIA INC. tende a crescer mais e mais, e tem um bom público para eles por aqui. E “Raw” é uma ótima pedida!


Nota: 8,3/10,0


Light the Fire



Spotify

terça-feira, 16 de julho de 2019

HATEMATTER - Metaphor


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Flow (intro)
2. Before the Plunge
3. They Arrive
4. Tears in Rain (intro)
5. At Tannhauser Gates
6. Nexus 9 (intro)
7. Blackout Afterglow
8. A Bitter Taste
9. The Wasteland (intro)
10. Fury Road
11. The Agonizing Wail
12. The Burning Dogma
13. Scourge of the Earth


Banda:

Foto: Tuco Media

Luiz Artur - Vocais
Gustavo Polidori - Guitarras
André Buck - Guitarras
André Martins - Baixo
Lucas Emidio - Bateria


Ficha Técnica:

Brendan Dufay - Produção, Mixagem, Masterização
Rafael Augusto Lopes - Gravação
Raquel Lopes (VOX ígnea) - Vocais em 3


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://www.asepress.com.br/music (ASE Music)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Por conta da falta de cultura e mesmo de ensino de alto nível no Brasil, muitos fãs de Metal tendem a manter posicionamentos extremamente conservadores, não se permitindo ouvir tendências sonoras modernas. Talvez isso seja a fonte de muitas bandas Old School do Brasil terem um enfoque tão oitentista que acabam tentando (e não conseguindo) emular a crueza sonora da época. O caminho não é esse. Isso é estar em uma caverna ideológica idêntica à da Alegoria da Caverna de Platão.

Raros são os que, no Brasil, se atrevem a trilhar moldes de vanguarda. Mas eles existem, e um deles é o quinteto HATEMATTER, de São Paulo. “Metaphor”, terceiro álbum da banda, atesta isso.


Análise geral:

Basicamente, eles são uma banda de Death Metal moderno com a pegada mais melódica e esteticamente bem cuidada do que conhecesse como “Gothenburg Death Metal”, ou seja, aquele Death Metal agressivo, mas lapidado com boas melodias, praticado por nomes como IN FLAMES, SOILWORK, AT THE GATES e DARK TRANQUILLITY em suas fases mais iniciais. Mas calma lá: o quinteto vai além disso, pois tem personalidade própria.

Ou seja, a música do quinteto é tecnicamente bem feita, solda e pesada, onde o balanço entre melodias e agressividade está ótimo. A energia que flui das canções é absurda!


Arranjos/composições:

Na linha das bandas citadas, é fácil encontrar contrastes entre vocais rasgados, guturais e limpos, bem como entre momentos limpos e introspectivos com rispidez desmedida. Tudo isso com ritmos que se alternam bastante, boa diversidade técnica, e mesmo partes tribais aparecem (como em “Blackout Afterglow”).

É interessante ver como a energia que flui desse disco é algo abusivo, e pode causar dor nos tímpanos dos menos acostumados. Aliás, a capacidade da banda arranjar suas canções de forma consensual, bem como de criar ótimas melodias e momentos pegajosos é algo incrível!


Qualidade sonora:

“Metaphor” foi gravado no Brasil, sendo que tudo foi feito no estúdio Casanegra, sob a supervisão de Rafael Augusto Lopes. A Produção, mixagem e masterização (feitas nos EUA) são de Brendan Duffey. Desta forma, a banda recebeu uma qualidade sonora perfeita para que sua música soe viva e agressiva, unindo peso, melodia e agressividade em um formato moderno e coeso.

A timbragem dos instrumentos ficou excelente, de uma forma que tudo pode ser compreendido, mas as guitarras e baixo fugiram daqueles tons gordurosos que muitas bandas mais modernas utilizam. Por isso, está distante sonoramente do New Metal (este autor se recusa a escrever errado) e do Metalcore.


Arte gráfica/capa:

A capa possui um design até simples, mas que permite muitas interpretações diferentes. Fica óbvio que a temática das letras do quinteto lida com temas de um futuro distópico e claustrofóbico, como o visto em livros e filmes como “Blade Runner” (1982). Papo cabeça profundo e mostrando algo que tanto anda em falta ao povo de nosso país: maior profundidade cultural.


Destaques musicais:

Pode-se dizer que “Metaphor” é um disco corajoso, justamente por ousar fazer aquilo que muitos têm receio de fazer. E justamente por isso é tão bom, soa tão bem aos ouvidos.

“Flow” é uma introdução com teclados e cordas, preparando o ouvinte para o “blend” de melodias e agressividade de “Before the Plunge”, cheia de energia e partes empolgantes (os contrastes de tons vocais são excelentes, do normal ao rasgado, e depois urros guturais). Belas melodias introspectivas se misturam a uma ambientação agressiva moderna para criar a forte “They Arrive” (baixo e bateria mostram uma ótima técnica e peso, sem deixar de falar nos solos de guitarras, que andam caindo em desuso, e nos belos vocais femininos). “Tears in Rain” é outra introdução claustrofóbica para abrir alas para “At Tannhauser Gates”, que também mistura agressividade com tempos melodiosos e variados, e uma exibição de gala das guitarras em riffs excelentes (e em belíssimas partes limpas, além dos solos de primeira), e “Nexus 9” (outra introdução) fecha a trilogia conceitual do álbum. “Blackout Afterglow” é uma faixa moderna e com melodias bem maduras, e onde mais uma vez, a base rítmica se destaca. Em “A Bitter Taste”, tem-se a canção mais moderna e próxima ao Melodic Death Metal sueco atual, mais ainda assim, agressiva ao ponto de causar incômodo aos ouvidos cheios de bolor ou metidos à vanguarda. “The Wasteland” (mais uma intro) precede “Fury Road”, que apesar de uma sonoridade Melodic Death Metal, remete o ouvinte diretamente aos primórdios do Swedish Death Metal clássico por conta da pegada hardcorizada empolgante, mas sem deixar de ter solos melodiosos bem encaixados, e esses mesmos elementos são encontrados em “The Agonizing Wail” e “The Burning Dogma” (esta última com alguns tempos mais complexos que a média do disco, e algumas partes bem bate-estacas). E fechando, a bruta e pegajosa “Scourge of the Earth”, com belas linhas melódicas e mais uma vez, com “inserts” de vocais femininos providenciais.

É o típico disco para se ouvir a aproveitar a exibição de gala.


Conclusão:

O HATEMATTER é a prova que se pode fazer algo diferente e moderno no Brasil em termos de Death Metal, e “Metaphor” mostra-se um disco ótimo, inteligente e refinado. Um dos grandes discos nacionais desse ano!


Nota: 9,7/10,0


Blackout Afterglow



Spotify

quinta-feira, 11 de julho de 2019

SABATON - The Art of War (Re-Armed)


Ano: 2008 (original) / 2019 (relançamento)
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Sun Tzu Says
2. Ghost Division
3. The Art of War
4. 40:1
5. Unbreakable
6. The Nature of Warfare
7. Cliffs of Gallipoli
8. Talvisota
9. Panzerkampf
10. Union (Slopes of St. Benedict)
11. The Price of a Mile
12. Firestorm
13. A Secret
14. Swedish Pagans (Bônus)
15. Glorious Land (Bônus)
16. Art of War (Demo) (Bônus)
17. Swedish National Anthem (Live at Sweden Rock Festival) (Bônus)


Banda:


Joakim Brodén - Vocais
Rickard Sundén - Guitarras, Backing Vocals
Oskar Montelius - Guitarras, Backing Vocals
Daniel Mÿhr - Teclados
Pär Sundström - Baixo
Daniel Mullback - Bateria


Ficha Técnica:

Tommy Tägtgren - Produção, Gravação, Mixagem
Peter Tägtgren - Produção, Gravação, Mixagem
Erik Broheden - Masterização
Jobert Mello - Arte da Capa
Mia Mullback - Backing Vocals
Åsa Österlund- Backing Vocals
Marie-Louise Strömqvist - Backing Vocals
Christian Ericsson - Backing Vocals
Björn Lundqvist - Backing Vocals
Thomas Nyström - Backing Vocals
Hjalle Östman - Backing Vocals
Hannele Junkala - Backing Vocals
Calle Sandlund - Piano


Contatos:

Assessoria:
E-mail:


Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

A guerra é um tema fascinante de ser estudado, e muitas vezes, é o foco de algum autor.

O filósofo chinês Sun Tzu (544 a.C. - 496 a.C., que também era general e estrategista) é famoso por seu livro “A Arte da Guerra”, um manual de estratégia que é utilizado em vários campos nos dias de hoje (especialmente nos ramos da economia e administração (mesmo na política, embora neste, a maioria prefira “O Príncipe”, de Maquiavel). É tão seminal que “a suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”.

Nisso, sempre trazendo a história das guerras e batalhas, o SABATON cunhou para si um nicho especial, e é um dos grupos mais bem estabelecidos da atualidade. E pode-se dizer que esse crescimento se acentua a partir de 2008, quando lançam “The Art of War”, que agora é relançado como “The Art of War (Re-Armed)”, e que a Shinigami Records em conjunto com a Nuclear Blast Brasil lançam aqui.


Análise geral:

Até aqui, o SABATON se mostrava uma banda promissora, fazendo um misto de Heavy/Power Metal com aspectos épicos (muito disso graças às ambientações criadas pelos teclados). Mas mesmo sem mudar muito seu estilo de disco para disco, o crescendo em termos de qualidade foi sensível. É aqui que o grupo começa a ser o que conhecemos hoje.

Em “The Art of War (Re-Armed)” tem-se um disco fantástico, criativo, e cheio de beleza e peso.

E ainda melhorado por conta das faixas extras!


Arranjos/composições:

O então sexteto (que ainda contava com um tecladista fixo) realmente caprichou em termos de composição, aparando arestas e usando arranjos que realmente se encaixam uns nos outros de maneira magistral.

No que tange às melodias, é fato que o grupo aposta em algo mais simples e direto, embora sempre embelezado com partes épicas de primeira, tudo dando uma ambientação perfeita para as letras do grupo (e por falar nisso, existem narrativas abrindo cada canção, todas elas com frases de “A Arte da Guerra”).

Isso sem mencionar o cuidado estético quando o quesito é refrão: nenhum dos que são apresentados no disco é descartável, ou não grudam na memória dos ouvintes. Aliás, verdade seja dita: os corais e ambientações fizeram o grupo soar ainda mais épico, mais sem que seu peso melodioso seja alterado.


Qualidade sonora:

Neste disco, a banda preferiu ter um co-produtor ao lado de Tommy Tägtgren, o irmão Peter (sim, produtor e guitarrista/vocalista do HYPOCRISY). Ambos trabalharam com a produção, gravação e mixagem do álbum tendo Erik Broheden na masterização.

Resultado: uma sonoridade limpa e bem cuidada, garantindo que o ouvinte possa compreender e assimilar tudo mais facilmente. Mas tudo sempre com um peso mamutesco e a dose correta de agressividade. Além disso, a timbragem dos instrumentos ficou de alto nível. Nisso, pode-se dizer que é o disco mais bem acabado do grupo.


Arte gráfica/capa:

A capa e a arte do encarte são do brasileiro Jobert Mello, da Sledgehammer Graphix. E o trabalho artístico é excelente, de alto nível, inclusive com uma diagramação muito bonita.


Destaques musicais:

É agora que começa a complicação...

“The Art of War”, mesmo em sua versão original, já é um disco sólido e homogêneo em termos de qualidade musical, e essa versão torna tudo ainda melhor.

Após a curta introdução “Sun Tzu Says” (que serve para aclimatar o ouvinte), vem um dos hinos do grupo, a clássica “Ghost Division” (uma canção poderosa, com ótimos teclados, uma linha melódica pegajosa, e vocais ótimos; não é por acaso que a banda abre seus shows justamente com ela), que narra a proeza da 7ª Divisão Panzer da Alemanha durante a invasão da Bélgica e França, onde as tropas, sob comando de Von Rommel (a Raposa do Deserto) consegui avançar 240 km em 24 horas, o que fez a comunicação com eles cessar (e por isso, “Divisão Fantasma”). Na sequência, a lenta e climática “The Art of War”, recheada de teclados marcantes, ótimas guitarras e refrão grandioso (e cuja letra é centrada no capítulo 3 de “A Arte da Guerra”). Mais cheia de energia e um típico Heavy/Power Metal com ritmo cativante é “40:1”, o que faz baixo e bateria mostrarem sua força e solidez (na letra, a luta desigual na Batalha de Wizna, onde 720 soldados poloneses, liderados por Władysław Raginis, enfrentaram 40000 soldados nazistas entre 7 e 10 de Agosto de 1939, durante a Invasão da Polônia; ou seja, eram 40 para 1). Cadenciada e opressiva é “Unbreakable”, adornada com ótimas partes de teclados (outra letra desenvolvendo temas de “A Arte da Guerra”). Outra introdução vem em “The Nature of Warfare” (mais uma vez, uma citação a “A Arte da Guerra”), que precede a forte e pesada “Cliffs of Gallipoli”, cheia de guitarras ótimas que se mesclam a teclados, pianos e corais grandiosos (cujo tema fala sobre a encarniçada Batalha de Gallipoli, na Primeira Guerra Mundial), e com alguns momentos mais suaves e limpos. Já apostando em um enfoque tradicional em termos de Heavy/Power Metal vem “Talvisota”, novamente com vocais ótimos e lindo solo de teclado (Tema: a Guerra de Inverno entre a Finlândia e a União Soviética, entre 1939 e 1940). “Panzerkampf” é outra com ritmo mais cadenciado e mesmo tribal, embora com boa dose de agressividade (Tema: a Batalha de Kursk, onde o exército soviético começa a ter a ofensiva contra a Wehrmacht). Em Union (Slopes of St. Benedict)”, é outro murro Heavy/Power Metal nos ouvidos, com corais e base rítmica em ótima forma (Tema: a Batalha de Monte Cassino, Campanha da Itália). Novamente evocando uma climática perfeita com teclados e base rítmica contrastando com os vocais em uma ambientação mais sotuna, vem “The Price of a Mile” (que lembra as pessoas da Terceira Batalha de Ypres ou Batalha de Batalha de Paschendale na Primeira Guerra Mundial e seus quase seis meses de atrocidades e mortes). “Firestorm” é veloz e ganchuda, providenciando um momento mais forte e agressivo, mas elegante (e as letras falam sobre os bombardeios da Segunda Guerra Mundial, uma estratégia que visava não só destruir, mas aterrorizar os adversários). E “A Secret” é uma outro, cuja narrativa de “A Arte da Guerra” deixa claro que uma Guerra se encerra, mas outras virão. Esse é o conteúdo do disco original, que dá vontade de começar a audição do disco todo novamente.

Mas como dito, existem versões em “The Art of War (Re-Armed)”, e lá vem a divertida e ótima “Swedish Pagans” (cujo tema é focado nas raízes Viking/Pagãs dos suecos), e que backing vocals intensos. A atmosférica e bruta “Glorious Land” já mostra guitarras mais evidentes e abrasivas, sem perder-se a ambientação melódica. Ainda temos a versão Demo (e por isso, mais crua) de “Art of War”, além da banda tocando “Swedish National Anthem”, o hino de sua terra Natal (a Suécia) no Live at Sweden Rock Festival.

Basicamente, “The Art of War (Re-Armed)” é mais um assalto da artilharia peso-pesada do SABATON.


Conclusão:

A verdade seja dita: “The Art of War (Re-Armed)” vem não só para os fãs da banda que não conseguiam mais achar o disco, mas também provar que o SABATON tem crescido não como acaso ou modismo, mas que é fruto de um trabalho ótimo e sério de muitos anos.

Que essa Divisão sueca do Metal continue em sua ofensiva por muitos anos!


Nota: 10,0/10,0


Cliffs of Gallipoli



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