segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Potencial Comercial: ou porque o Metal brasileiro está se apequenando...




Por “Metal Mark” Garcia


Nesses tempos em que crenças pessoais e ideologias militantes assolam o Metal, muitas bandas têm metido os pés pelas mãos e caído em arapucas. Por isso, pouquíssimos são aqueles que poderiam entrar no time de SEPULTURA, ANGRA e KRISIUN como bandas brasileiras que têm relevância no mercado internacional. E a idéia é simples: todos têm aniquilado seu potencial comercial por motivos a serem dissertados nesse texto.

Por “potencial comercial”, entenda-se a capacidade de uma banda de Metal tem de crescer sob certas condições, e assim, alcançar sucesso comercial (ou seja, em vendas de discos e merchandising). Ou seja, é quanto a banda pode crescer tendo os devidos investimentos.

Ilustrando o que quero dizer por meio de alguns exemplos históricos.

Nos anos 80, era muito comum que bandas que vinham de selos independentes ter uma sonoridade com energia e mais crua, e ao entrarem em uma grande gravadora, sofriam alterações. As gravadoras contratavam produtores para moldarem (o mais certo seria “polir”) a música de determinado grupo ao público vigente, o que era uma estratégia que podia render bons frutos, mas que também poderia significar fracasso. Nisso, as gravadoras estavam tentando maximizar o potencial comercial desses grupos, mas obviamente erravam mais que acertavam. Não era uma questão bem X mal, mas meramente financeira.

RAVEN: Este é um ótimo exemplo no sentido negativo de potencial comercial.

RAVEN antes da era da Atlantic Records

O trio inglês vinha em uma ascensão em termos de público desde que lançaram “Rock Until You Drop”, e com 3 discos, era uma potência dentro do underground, tanto que o METALLICA foi banda de abertura na época da “Kill ‘em All For One Tour”. Mas bastou entrarem em uma “major” (a Atlantic Records) que fizeram “Stay Hard” (em 1985, para se exato), um disco que assustou os fãs da época, pois era bem mais voltado ao que fazia sucesso no mercado norte-americano (ou seja, Hard/Glam como MÖTLEY CRÜE, RATT e outros) que a seu jeito Hard/Heavy clássico. Foi um golpe duro aos fãs mais antigos, e a situação piorou ainda mais com “The Pack is Back” (de 1986). A coisa foi tão feia que a banda, que poderia ter sido um novo IRON MAIDEN ou JUDAS PRIEST em termos de sucesso (sim, eles tinham potencial para tanto) ficou apequenada pelo resto de sua carreira. Se de um lado perderam muitos fãs (que os trocaram por bandas emergentes daqueles anos), não conseguiram criar uma base sólida de novos fãs que os permitissem crescer mais. O potencial comercial do grupo (que não era pequeno) foi perdido por uma enorme falta de estratégia de como lidar com a banda e sua música. E se completou com a perda do “timing”, pois a NWOBHM estava perdendo forças e o Thrash Metal começava a crescer e ter apoio das gravadoras grandes. Basta ver o sucesso comercial de “Master of Puppets”, também de 1986). O RAVEN teve que se contentar em ser uma banda “Cult” pelo resto de sua existência, mesmo fazendo ótimos discos de 1987 para cá.

Capa de “The Pack is Back”. Reparem na diferença de visual
entre o passado e esse disco. Mais Glam impossível.

Outros como PICTURE (tanto que “Traitor”, de 1985, eclipsou quase tudo que a banda havia feito de bom antes), SAVATAGE (“Fight for the Rock”, de 1986 só não causou estragos piores porque, um ano depois, lançaram o ótimo “Hall of the Mountain King”, mas nunca cresceram o que podiam) caíram nessa mesma arapuca. O hoje chamado clássico do ACCEPT, “Metal Heart” (de 1985), teve uma recepção cheia de narizes torcidos por parte dos fãs naqueles tempos por conta de elementos mais acessíveis em suas músicas.

Uma clara mostra que os fãs desse tipo de Metal não aceitavam mudanças, e como o próprio público estava mudando (lembrando: a NWOBHM e bandas de Metal tradicional em geral estavam perdendo espaço para o Thrash Metal, enquanto o Hard/Glam e o AOR reinavam supremos nas paradas de sucesso).

Exemplo positivo: METALLICA.

RAVEN e METALLICA durante a  “Kill ‘em All For One Tour”

Talvez seja o maior exemplo de todos de quem sabe aproveitar oportunidades.

Disco após disco, sempre cresceram até o sucesso de “Metallica”, mas se observarmos direito, eles sempre usaram estratégias de marketing interessantes, e nunca perderam o “timing”. Estavam sempre no lugar certo, na hora certa e fazendo a coisa certa. Mesmo as idas na direção oposta (o fato de não gravarem vídeos, os discursos contra o Hard/AOR que infestava o cenário dos EUA), e mesmo as brigas com Dave Mustaine na imprensa e a (infeliz) passagem de Cliff Burton os ajudou. Óbvio que tudo isso sempre embasado em músicas de alto nível. Aliás, a banda não fazia concessões, era do jeito deles ou não era (apenas em “Metallica” isso foi mudado, pois a visão de Bob Rock os ajudou a chegarem no próximo nível).

Fonte: Metalhead Zone

O mesmo vale para KISS (ou acreditam que a presença de Bob Ezrin na produção de “Destroyer”, a guinada para o Hard/Glam nos anos 80, o final da fase mascarada, e mesmo a turnê com a formação original e usando as maquiagens não foram estratégias bem pensadas?), IRON MAIDEN (na biografia “Run to the Hills” se vê como as presenças de Rod Smallwood e de Martin Birch foram importantes em termos de estratégia e mesmo de música) e outros que estão ou no time dos gigantes ou dos grandes. Mesmo o AC/DC com toda sua atitude ‘fuck you’ teve que se curvar diante da sabedoria comercial de “Mutt” Lange (duvido que queriam ter que trabalhar em empregos comuns na Austrália depois de terem tantos discos lançados). É preciso algo além da música em si para se chegar lá. É preciso estratégia de marketing, e tudo mais que for possível para que a banda atinja o maior número de fãs possível. Mesmo algumas polêmicas podem ajudar (Ozzy que o diga).

Estabelecida a definição de potencial comercial e seus exemplos, podemos analisar um momento histórico problemático: a atual fragmentação do cenário nacional em torno de ideologias políticas. Elas podem ser abordadas como um problema severo e perigosas ao potencial comercial de qualquer grupo (menos os que são gigantes, pois estão acima do bem e do mal).

No Brasil, vemos um tiroteio ideológico de todos os lados. Uns exigem que as bandas se postem politicamente (como se alguém fosse obrigado a isso); o outro lado, por sua vez, defende que o Metal não possui uma ideologia partidária. Em ambos os casos, um bom profissional diria que não se deve cair nesse tipo de armadilha, justamente para não se limitar em termos de público. Em uma visão simplesmente pragmática em termos de marketing, não existem fãs de esquerda ou direita em termos financeiros, apenas fãs que pagam pelo trabalho das bandas. Repetindo de forma mais simplificada e clara: não existem fãs opressores e nem fãs oprimidos, existem fãs!

Vejam bem: no momento em que os ânimos estão divididos entre esquerda e direita, exigir que uma banda se posicione de um lado nessa briguinhas de crianças no pátio de escola (perdoem-me ser sincero, mas é a impressão que tenho) é desagradar um ou outro segmento. A conseqüência óbvia é a perda de uma fatia de público, e isso em uma época em que a venda de discos e audições via streaming não rendem quase nada para os grupos. Estes sobrevivem com venda de merchandising e cachê de shows (aquelas que são suficientemente grandes para tanto), logo, isso significa a perda de dinheiro, e assim, a banda vai definhando até sumir de cena. Sinto muito, mas sentimentalismos underground (e ideologias) não pagam as contas... E ninguém fica gastando do próprio bolso ad infinitum sem ter alguma compensação, a menos tenha ótimas condições (o que o feria opositor de um dos segmentos citados).

Se isso ocorresse nos anos 80, no auge do poder das grandes gravadoras, é certo que alguém delas daria uma bela bronca em engraçadinhos do tipo. Sim, isso daria um belo chute nos fundilhos de quem queria se posicionar. A gravadora queria lucrar, logo, nada mais simples que dispensar os insatisfeitos com suas decisões, pois eles, se não vendem, são dispensáveis. 

Sendo sincero: todas as bandas que se meteram nesse balaio de gato ideológico deram um imenso tiro no pé (se é que sobrou algo do pé depois de tantas palhaçadas). Em uma perspectiva futura, o número de audições nas plataformas digitais diminuirá, e a mesma coisa pode ocorrer com a presença do público em shows. Se as mesmas já tocam fora, é possível minimizar esse dano, mas as restritas ao Brasil vão sentir isso mais duramente. Danificaram a potencialidade de angariar público, ou seja, de aumentar a receita financeira que oxigena a carreira do grupo, pois nenhum fã gosta de ser ofendido em suas pessoalidades (ao qual todos têm direito, mesmo que o leitor discorde disso). Talvez por isso uma das bandas que mais se posicionou politicamente antes do pleito do ano passado tenha encerrado as atividades: viram a conseqüência dos próprios atos. Tanto é assim que viraram piada nas redes sociais, até bem mais que foram apoiados. Perderam mais que ganharam, não importam ideologias.

Óbvio que este autor sabe (e viu) da tal lista de bandas ditas “antifas” que anda rolando pela internet, e que traduzindo em miúdos, são as que se posicionaram politicamente em prol da esquerda. Por tudo que posso ver, o encolhimento comercial de cada uma delas é questão de tempo. Inclusive os músicos estão marcados por uma enorme parcela do público, que pelo visto, os perseguirá de tal forma que tudo que tentem pode dar burros n’água. Repetindo: comercialmente, uma banda não tem fãs de esquerda ou direita, mas tem fãs. Ao autor da lista, se ler estas palavras, digo que seu tiro saiu pela culatra: o número de pessoas que afirmou que usará esta lista para evitar essas bandas é enorme. Jogou contra o próprio patrimônio. Se tem banda, se é produtor, enfim, alguém que depende um pouco que seja de capital de giro, errou, ainda mais em tempos que sigilo é algo praticamente inexistente em redes sociais.

Há aqueles que desejam ficar fora dessa estória, inclusive com declarações óbvias. O fato de KORZUS, TORTURE SQUAD e outros estarem com essa posição neutra significa que estão, muito provavelmente, preocupados com suas carreiras a longo tempo, e porque (sabiamente) discordam de ambos os lados nessa peleja cômica (ambas as bandas falaram isso com todas as palavras nos eventos em que existiram manifestações políticas por parte dos fãs). E como dito antes, ninguém tem que ter posição política explícita, a lei garante isso. Se posicionar pró ou contra o atual governo do Brasil, pró ou contra os anteriores, vai terminar em desgaste com o público e perdas que podem não ser reparadas, a menos que as bandas tenham suporte financeiro do exterior (ou seja, já tenha público cativo no exterior).

TORTURE SQUAD

O melhor conselho: deixar que a música falar por si (para as bandas que gostam desse tipo de tema) sem alimentar polêmicas desnecessárias nesse assunto, e não fazer de seus shows comícios. Aliás, uma crítica: qual banda dessas que foi chamada para fazer comício político? Há anos o Metal sempre foi ignorado por partidos e candidatos políticos, enquanto pagam fortunas por artistas mais populares. Sim, nenhum deles vai lá sem ganhar grana ou alguma divulgação (lembremos que a MPB está, criativamente falando, falida há anos, logo, seus artistas precisam se mostrar vez por outra, pois musicalmente é um estilo esgotado). Deixem de ser bobos, façam música, toquem e pronto, ninguém quer saber de suas vidas ou ideologias, quanto mais de suas opiniões partidárias ainda mais quando tentam enfiar isso goela abaixo dos outros, em uma mostra de que não sabem viver em democracia e não respeitam o direito de expressão e pensamento alheios. Querem para si, mas nunca para quem não bate palmas para maluco dançar nessa tragicomédia em que transformaram o cenário.

KORZUS
Pensem: existem conservadores e liberais, pessoas de direta e esquerda, entre membros de bandas famosas. Aliás, não é porque apóia seu pensamento político que o músico/grupo se torna bom (ou se torna ruim por discordar de você). Óbvio que muitos músicos do primeiro time já têm públicas suas opções políticas (ou permitem as pessoas pensar dessa forma), mas eles já estão acima do bem e do mal. Kirk Hammet, Dave Mustaine, Alice Cooper, Gene Simmons, Kerry King... A lista é longa, mas vejam os nomes e de que bandas eles são: só de grupos já consagrados, que qualquer polêmica que pense o leitor, não as atinge. E isso não se aplica a bandas que precisam criar uma sólida base de fãs, que quase têm que mendigar “likes” e visualizações nas mídias sociais. Tapinhas nas costas de correligionários não bancam sua banda, mas fãs.

Óbvio que todos podem (e devem ter) um pensamento político, e mesmo partidário, pois é direto constituído. Agora devem manter isso em seus devidos particulares, sem agredirem a outros (como teimam em fazer no Brasil) por pensarem diferentes, pois fãs agredidos são fãs que não pagam pelos seus trabalhos, são fãs que não vão mais aos seus eventos, não usam suas camisas, não ouvem suas músicas. E se serve de termômetro, são menos “likes” em suas páginas no Facebook.

Se alguém viu partidarismo aqui, lhes direi apenas para tirarem a venda dos olhos. Estou falando de aspectos financeiros e adjacências, e sendo mais honesto que muitos bobocas políticos são. Não bato palmas para maluco dançar como alguns professores falidos fazem, te vendendo luxo como lixo em uma série de mentiras em que eles mesmos não acreditam. Desculpem, mas ninguém é fascista-machista-homofóbico e outros gritos de ordem vazios só porque discorda de vocês e de sua agenda ideológica, e nem me venham com perguntas estilo “você acha que...”, pois não caio em arapucas do tipo. Este autor é PRÓ METAL, entenderam? P-R-Ó-M-E-T-A-L, letra por letra, para ver se soletrando suas mentes emperradas pegam no tranco! Não preciso mandar mensagens subjetivas, mando na lata!


Cabe um testemunho: nos anos 80, existiam diferenças políticas entre os fãs. Isso sempre existiu. O que não existia: NINGUÉM tretava com o outro por causa disso. Basicamente, a geração dos nascidos nos anos 70 parece ter, por conta da educação familiar, entendido o bom e velho “me respeite para ser respeitado”. Não são todos (tem uns velhos por aí que andam aprontando das suas), mas era mais ou menos por aí.

Pronto, tudo preto no branco. Agora, se querem continuar com isso, sigam em frente. Escrevi e avisei, e não posso evitar que se destruam, mas não me envolvam em sua pantomima infantil e cega. Não quero e não vou participar de seus joguinhos de intrigas, fofocas e outros!

Encerrando: a banda ter os pés no chão e avaliar suas possibilidades, o público-alvo e a buscar formas de despertar a curiosidade para começar a estender sua base de fãs, e evitar mexer em temas que dividam seu público (como política, militâncias e partidarismos). No mais, que cada um cuide de sua carreira conforme desejar.

No mais, o Metal é para todos, quer gostem, quer não gostem... Aliás, aos que não gostaram, a porta da rua é serventia da casa.

Passar bem!

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

FACING FEAR - Ana Jansen


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Hell’s Killer
2. Tragedy/The Lonely Soldier
3. Until the End
4. I Wanna Play the Sound
5. Run for My Life
6. Calling Me
7. War of Lies
8. Snow Witch (Yuki-Onna)
9. We Are Facing Fear
10. Ana Jansen


Banda:


Terry Painkiller - Vocais
Raphael Dantas - Guitarras, Teclados, Backing Vocals
Nathalia Souza - Baixo, Backing Vocals 
Vall Maranhão - Bateria, Backing Vocals


Ficha Técnica:

Facing Fear - Produção
Luke D. Couto - Gravação, Teclados em 1 e 2
Larissa Rodrigues - Backing Vocals em 1 e 9
Eduardo Untura - Artwork


Contatos:

Site Oficial: 
Assessoria: http://braunamusicpress.com/facing-fear (Brauna Music Press)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O final dos anos 90 viu o retorno das vertentes de Metal que faziam sucesso no underground nos anos 80. Muitas e muitas bandas passaram a fazer algo naqueles moldes, fugindo cada vez mais da modernidade (o que muitas vezes pode acabar em desastre, pois a negação do presente pode levar a concepções errôneas e prejudiciais). Pode-se, inclusive, dizer que o Brasil é um dos pioneiros nisso.

E do Rio de Janeiro, mais um adepto do estilo: o quarteto FACING FEAR, que após o EP “Lutaremos Pelo Metal” de 2017, chega com seu primeiro “full length”, chamado “Ana Jansen”.


Análise geral:

O quarteto toca o bom e velho Heavy Metal tradicional dos anos 80, com claras referências a bandas como JUDAS PRIEST (especialmente a fase entre “British Steel” e “Ram It Down”) e IRON MAIDEN (em sua fase mais crua, entre “Iron Maiden” e “The Number of the Beast”), algumas coisas da NWOBHM e do Metal Germânico (em alguns momentos, a influência de ACCEPT é bem clara), e um pouquinho de MANOWAR nas partes mais cadenciadas. É óbvio que o quarteto tem que lidar com uma gama enorme de clichês do gênero, mas estão em um bom momento, pois suas melodias mostram personalidade, além de saberem criar refrães marcantes e usam de uma técnica instrumental longe de ser rebuscada e pedante (mesmo porque não é o foco deles). Ainda podem ir mais adiante, mas estão em bom nível.

Ah, energia? Eles mostram muita, mais muita mesmo, e em todo o disco!


Arranjos/composições: 

Como já citado, a banda não usa de uma aproximação técnica exacerbada, nada de firulas desnecessárias. Os arranjos são até simples de assimilar, embora mostre que eles sabem o que querem de suas canções. Não há tanto polimento em termos de composição, tendo em vista que a banda segue os moldes onde a crueza sonora e a energia, bem como o lado pegajoso das melodias, é o mais importante.

Ou seja, é espontâneo, melódico a ponto de ser pegajoso, com ótima energia, e assim, as canções são arranjadas da forma mais correta possível em relação ao estilo que fazem.


Qualidade sonora:

Eis o ponto onde a banda pecou em “Ana Jansen”.

Óbvio que eles buscaram ter algo mais orgânico e artesanal em termos sonoros (tanto que existe um feeling “live” permeando as canções), mas exageraram na crueza. Não chega a comprometer a audição do disco, mas poderia ser melhor em termos de definição sonora. Não que o trabalho de Luke D. Couto na mixagem seja ruim, mas a música da banda pede mais clareza e definição. 


Arte gráfica/capa:

Eduardo Untura fez um trabalho muito bom em termos de arte gráfica, com uma capa bem feita, e se os olhos não enganam, é uma referência a “Abigail”, de KING DIAMOND, mas misturada com elementos bem brasileiros (uma vez que Ana Jansen é um personagem mítico que assombra São Luís do Maranhão).

FACING FEAR ao vivo 

Destaques musicais: 

Em relação ao EP anterior, a banda deu uma equilibrada em suas composições, e o uso do inglês lhes deu a possibilidade de expandir seu universo musical.

As melhores canções são: “Hell’s Killer” (um fluxo insano de energia crua flui durante toda sua execução, com ótimas melodias e refrão de primeira, e guitarras faiscando riffs muito bons), o bombardeio rítmico que se ouve em “Tragedy/The Lonely Soldier” (os tempos são simples, mas se percebe a solidez rítmica de baixo e bateria) e em “Until the End” (bom uso de vocais e backing vocals, novamente com melodias certeiras), a força pegajosa de “Run for My Life” e de “War of Lies” (como já bem estabelecido, as melodias do grupo são de fácil assimilação, transformando em um prazer a audição dessas duas, e que guitarras), e a mais cadenciada e icônica “We Are Facing Fear” (onde as influências de ACCEPT dos tempos de “Breaker” e “Restless & Wild” ficam bem claras nas harmonias e tempos, mostrando mais uma vez como baixo e bateria são eficientes em criar uma base rítmica coesa). Mas é bom ter em mente que “Ana Jansen” é um disco para ser ouvido como um todo.

Além disso, o álbum pode ser ouvido no Spotify: https://open.spotify.com/album/6IzWYEm1EZWDugPIiithkY


Conclusão:

Óbvio que o FACING FEAR ainda precisa acertar a mão na produção da próxima vez (soar mais limpo e definido não iria tirar a energia de suas canções), e os vocais podem melhorar (Terry tem bons timbres, mas tem potencial para fazer ainda melhor), mas por agora, “Ana Jansen” é um disco muito bom, e mostra uma promessa começando a despontar no cenário nacional.


Nota: 8,0/10,0


Hell’s Killer



Calling Me

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

SUICIDAL ANGELS - Years of Aggression


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Endless War
2. Born of Hate
3. Years of Aggression
4. Bloody Ground
5. D.I.V.A.
6. From All the One
7. Order of Death
8. Τhe Roof of Rats
9. The Sacred Dance with Chaos


Banda:



Nick Melissourgos - Vocais, Guitarras
Gus Drax - Guitarras
Aggelos Lelikakis - Baixo
Orpheas Tzortzopoulos - Bateria


Ficha Técnica:

Jens Bogren - Mixagem
Tony Lindgren - Masterização
Ed Repka - Artwork (capa)


Contatos:

Site Oficial: www.suicidalangels.net
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Falar do cenário Metal da Grécia nos dias de hoje é ter a certeza de que o país é um celeiro de bandas novas com potencial. Mas isso mostra o quanto os nomes fortes do país criaram uma sólida base e uma estruturação que permite aos fãs e bandas expandirem suas garras.

Nos dias de hoje, o grupo de maior aceitação de lá é mesmo o SUICIDAL ANGELS, quarteto de Thrash Metal de Atenas que vem crescendo a passos largos desde “Sanctify the Darkness” (de 2009), e que retorna à carga total, pois acabam de lançar seu mais recente disco, “Years of Aggression”.


Análise geral:

O forte do grupo é saber evoluir sem perder de vista o que é, ou seja, qual sua identidade: um grupo de Thrash Metal com forte influência da escola germânica do gênero, mas aberto a nuances do estilo vindas dos EUA, e mesmo alguns sutis “inserts” de Death Metal.

Se em “Division of Blood” (seu disco anterior, de 2016) a banda mostrava algo mais voltado ao seu passado em termos de sonoridade e estruturação harmônica, em “Years of Aggression” eles resolveram rebuscar o lado mais limpo e experimental de “Divide and Conquer” (de 2014), ou seja, a busca por algo mais refinado e encorpado, com melhoras nas ótimas melodias e boa técnica instrumental, mas sem perder o jeito pegajoso e bruto que sempre tiveram.

Pode-se dizer que apesar de seu claro apelo “old school”, o sétimo disco do quarteto vem para dar um passo decisivo em direção ao futuro.


Arranjos/composições:

Mantendo a energia de sempre (que faz o nível de adrenalina do ouvinte chegar às alturas, bem como os medidores de volume não saem do máximo), fica claro aos ouvidos que houve evolução no grupo: se antes a banda priorizava demais os ritmos mais rápidos, cada vez mais aprende as vantagens dos tempos em velocidades mais baixas, e como eles permitem uma maior diversidade técnica.

Se armando com refrães que grudam nos ouvidos, boas mudanças de tempo, arranjos que se encaixam perfeitamente uns nos outros, não tem como não admirar o que eles estão fazendo nesse álbum.


Qualidade sonora:

Um dos segredos de “Years of Agression” é justamente sua qualidade sonora.

Sendo gravado em dois estúdios (no Zero Gravity Studios na Grécia, gravaram vocais, guitarras e baixo, enquanto as partes da bateria foram feitasno Soundlodge Studios na Alemanha), com a mixagem assinada por Jens Bogren e a masterização por Tony Lindgren, novamente o grupo opta por algo moderno e limpo, mas capaz de manter a agressividade em evidência.

Mas isso não significa que está soando artificial. Não, graças à escolha de timbres instrumentais agressivos (embora bem definidos), o que flui das coesões é energia em estado bruto.

SUICIDAL ANGELS (Fonte: página da banda no Facebook)

Arte gráfica/capa:

Novamente o grupo trouxe Ed Repka para fazer a arte da capa, e novamente, uma idéia subjetiva que remete ao título do disco. Mas para quem já conhece o trabalho de Ed, sabe que sempre é algo de alto nível.


Destaques musicais:

Talvez “Years of Aggression” seja o melhor disco da banda até os dias de hoje, tendo em vista que a inspiração andou alta durante o processo de composição.

“Endless War” é uma canção rápida, cheia de todos os elementos já bem conhecidos da banda, especialmente um trabalho muito bom dos vocais (pois o timbre natural de Nick é bem agressivo), além de baixo e bateria estarem em alto nível (especialmente nas conduções nos dois bumbos). Os andamentos começam a mostrar mudanças em “Born of Hate”, que é cheia de arranjos melódicos nas guitarras (que riffs raçudos e de bom gosto). Com tempos mais cadenciados (embora algumas partes rápidas estejam presentes no refrão), a agressividade natural de “Years of Aggression” fica evidente aos ouvidos, mas ao mesmo tempo, é uma das canções mais grudentas do disco, e esses elementos surgem mais uma vez na excelente “Bloody Ground” (outra com guitarras maravilhosas, especialmente nos solos melodiosos e bem feitos), outra canção excepcional. Melodias e a velocidade de andamento já bem conhecida do grupo surgem em “D.I.V.A.”, com tempos mais simples. Já “From All the One” mostra um trabalho técnico mais rebuscado sob uma colcha de andamentos que são na maior parte lentos, e assim, baixo e bateria se sobressaem bastante, e eles tornam a se destacar em “Order of Death”, outra que também transita sob tempos não tão velozes. Mas a velocidade cresce novamente em Τhe Roof of Rats” (refrão e vocais em ótima forma, mas que guitarras). E fechando, uma canção longa e de tempos lentos e uma ambientação fúnebre, “The Sacred Dance with Chaos”, que tem momentos limpos incríveis, onde fica evidente a fluência e diversidade técnica do grupo.

Infelizmente, “Years of Aggression” tem pouco mais de 41 minutos de duração, pois merecia mais. Mas nada que um bom “repeat” não resolva.


Conclusão:

O SUICIDAL ANGELS não decepciona, e “Years of Aggression” vem para estar entre os melhores discos do ano, bem como tem tudo para levar o quarteto a outro nível de popularidade.


Nota: 10,0/10,0

Born of Hate



Bloody Ground



Spotify

BATTLE BEAST - No More Hollywood Endings


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Unbroken
2. No More Hollywood Endings
3. Eden
4. Unfairy Tales
5. Endless Summer
6. The Hero
7. Piece of Me
8. I Wish
9. Raise Your Fists
10. The Golden Horde
11. World on Fire
12. Bent and Broken
13. My Last Dream


Banda:



Noora Louhimo - Vocais
Joona Björkroth - Guitarras
Juuso Soinio - Guitarras
Janne Björkroth - Teclados
Eero Sipilä - Baixo, Backing Vocals
Pyry Vikki - Bateria


Ficha Técnica:

Janne Björkroth - Produção, gravação, mixagem
Svante Forsbäck - Masterização
Jan "Örkki" Yrlund - Artwork, layout
Johan Carlsson - Violoncelo em “Unbroken”, “No More Hollywood Endings”, “Eden” e “I Wish”
JP Björkroth - Flauta em “I Wish”
Petteri Poijärvi - Viola em “Unbroken”, “No More Hollywood Endings”, “Eden” e “I Wish”
Anna Tanskanen - Viola em “Unbroken”, “No More Hollywood Endings”, “Eden” e “I Wish”
Marjukka Kettunen - Violino em “Unbroken”, “No More Hollywood Endings”, “Eden” e “I Wish”
Mikaela Palmu - Violino em “Unbroken”, “No More Hollywood Endings”, “Eden” e “I Wish”
Sari Deshayes - Violino em “Unbroken”, “No More Hollywood Endings”, “Eden” e “I Wish”


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Há algum tempo, em busca de expandir suas bases de fãs, mais e mais bandas têm rebuscado elementos melodiosos mais acessíveis para fazer com que suas canções alcancem um público mais amplo, ou seja, a velha estratégia usada nos anos 80.

A diferença: se antes as bandas ficavam com sua sonoridade descaracterizada, hoje em dia se sabe fazer bem essa mistura. Prova disso é o sexteto finlandês BATTLE BEAST. Se “Bringer of Pain” (2017) já era um disco com clara vocação comercial, “No More Hollywood Endings” é ainda mais voltado para o grande public. Mas cuidado: isso não significa que o disco seja ruim, longe disso.


Análise geral:

O Heavy Metal tradicional moderno e vigoroso do passado se tornou mais e mais acessível, mas sem que o grupo perdesse sua devida dose de peso. Óbvio que os arranjos claramente influenciados pelo Power Pop dos anos 80 (reparem como os teclados estão bem evidenciados) ficaram mais “na cara” que antes, mas se por um lado muitos irão reclamar, a certeza que o jeito mezzo Clássico, mezzo Power Pop vai ganhar muitos fãs novos.

Basicamente: aqueles que gostaram de “Bringer of Pain”, com toda certeza, vão gostar de “No More Hollywood Endings”.


Arranjos/composições:

“No More Hollywood Endings” é uma evolução mais coesa e bem feita do disco anterior, com arranjos musicais bem feitos, e tudo na sua medida. Apesar de sua pegada mais acessível, em momentos como “Piece of Me”, tem-se de volta o jeito Heavy Metal da escola finlandesa que grupo sempre ostentou.

E que melodias bem feitas, pois mesmo trabalhada de forma minuciosa, elas são grudentas de uma forma que não dá para parar de ouvir esse disco!

Ah, sim: a dinâmica de faixa para faixa, bem como entre instrumental e vocais, é abusivamente de alta qualidade.


Qualidade sonora:

Assim como foi em “Bringer of Pain” (que volta e meia vai ser referenciado, não tem jeito), “No More Hollywood Endings” foi produzido por Janne Björkroth (tecladista do grupo), que desta vez fez toda a mixagem também, apenas deixando a masterização por conta de Svante Forsbäck. Claro que a qualidade sonora estaria emparelhada com o conteúdo musical do disco, limpa e cristalina, dando uma ênfase ao trabalho dos teclados (sem eclipsar os outros instrumentos e os vocais). Só que quando o grupo pega pesado, lá estão aqueles timbres mais agressivos para não deixar dúvidas que se trata de uma banda de Metal tocando.

Aliás, dessa vez, a produção foi ainda mais bem lapidada, uma vez que tudo soa claro e com ótima timbragem.

Tudo para que o lado Metal e o lado comercial fossem mesclados da maneira mais homogênea possível. Trocando em miúdos: é a continuidade do disco anterior.


Arte gráfica/capa:

Jan "Örkki" Yrlund mais uma vez fez toda a arte e o layout. Só que, dessa vez, a opção da banda pela arte da capa foi algo mais simples e direto, o logotipo estilizado do grupo sendo evidenciado. Ficou bonito e bem feito, mas deixando o foco das atenções todo nas músicas.

BATTLE BEAST

Destaques musicais:

Em “No More Hollywood Endings”, a banda não perdeu a capacidade de soar espontânea apesar da estética de superprodução. Aliás, até a ordenação das canções mostra uma disposição em deixar o ouvinte caído com tamanho bom gosto.

“Unbrokené uma típica faixa de abertura de disco, cheia de energia, com foco especial nos vocais e guitarras (que se não fosse pelo peso delas, seria um Synth Pop de primeira). É cheia de detalhes interessantes (como toques de teclados e pianos, além de violoncelo, violino e viola), e com um pré-refrão pesado, e o refrão em si é grandioso e grudento; enquanto que em “No More Hollywood Endingso andamento se torna um pouco mais lento, deixando a influência Power Pop mais clara aos ouvidos, e é outro arraso nos vocais e nos teclados, uma vez que é uma das mais acessíveis do disco (e que também tem seus arranjos de além de violoncelo, violino e viola). “Eden é cheia de pianos, teclados e violinos amenos que dão um toque de classe ao comecinho, antes de outra paulada Power Pop Metal surgir, e pode-se dizer que é a mais acessível do disco inteiro, mas graças aos belíssimos vocais, aos teclados grandiosos e peso da base rítmica, não tem como não gostar; ela segue uma estruturação próxima à de “Beyond the Burning Skies” de “Bringer of Pain”, inclusive a letra também é bem alto astral, quase que uma forma de ajuda aos fãs esmagados pelas pressões e tristezas da vida. Mais seca e agressiva é “Unfairy Tales”, mas sem romper a estética acessível do discos (e que refrão pegajoso, sem falar na solidez de baixo e bateria). Toques de teclados Pop e vozes macias à lá anos 80 surgem em “Endless Summer”, com um trabalho ótimo de vocais e backing vocals, e é extremamente acessível (a ambientação Pop/AOR ficou perfeita), mesmos elementos que estão presentes em “The Hero” (embora a timbragem moderna das guitarras dê um toque de agressividade muito bom). Pesada e melodicamente opressiva é “Piece of Me”, com um jeito mais seco e moderno que ficou ótimo (e que riffs). Uma ‘power ballad’ com jeitão AOR é apresentada em “I Wish”, bonita e antenada com a proposta musical do álbum, e os vocais se destacam por mostrarem versatilidade. Em “Raise Your Fist”, parte da influência do QUEEN se mescla ao jeito Power Metal Pop do grupo, cheio de melodias deliciosamente acessíveis criadas por guitarras e teclados. Um Power Metal com muita influência germânica e leve toque de Power Pop é o que se tem em “The Golden Horde”, outra vez com os vocais mostrando sua força, além do ritmo insano e ótimo trabalho de baixo e bateria (e que solo de guitarra). Em uma estruturação harmônica e melódica parecida com “Eden”, tem-se “World on Fire”, uma canção cheia de energia e ótimas partes de baixo e guitarras. Outra balada, só que mais introspectiva, é o que se tem em “Bent and Broken”, focada nos vocais e nos teclados. E fechando, “My Last Dream” tem um jeitão de Hard/Glam dos anos 80, na linha de nomes como W.A.S.P. e RATT (onde a crueza agressiva se alia a momentos melódicos ótimos).

Um disco que, ao terminar, dá vontade de ouvir de novo e de novo...


Conclusão:

Mais melodioso e simples, e cada vez mais acessível, o BATTLE BEAST faz de “No More Hollywood Endings” uma pérola em termos musicais, e mais uma vez, chega forte para estar entre os melhores discos do ano!


Nota: 10,0/10,0


No More Hollywood Endings



Eden



Endless Summer



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