sexta-feira, 10 de maio de 2019

LEGION OF THE DAMNED - Slaves of the Shadow Realm


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. The Widows Breed
2. Nocturnal Commando
3. Charnel Confession
4. Slaves of the Southern Cross
5. Warhounds of Hades
6. Black Banners in Flames
7. Shadow Realm of the Demonic Mind
8. Palace of Sin
9. Priest Hunt (Bonus Track)
10. Azazel’s Crown (Bonus Track)
11. Dark Coronation / Outro 


Banda:


Maurice Swinkels - Vocais
Twan van Geel - Guitarras
Harold Gielen - Baixo
Erik Fleuren - Bateria


Ficha Técnica:

Andy Classen - Produção, gravação, mixagem, masterização
Gyula Havancsák - Artwork
Christopher Peel - Piano


Contatos:

Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Nos dias de hoje, as bandas têm expandido mais e mais os intervalos entre lançamentos de álbuns novos. O fator que pesa mais nesse sentido é que elas, por conta das exigências de terem que tocar cada vez mais (ou seja, aumentar o número de shows) para venderem merchandising e manterem-se na ativa, isso aumenta o nível de estresse, o que afeta a qualidade das composições. Ao mesmo tempo, dependendo das dimensões do grupo, isso pode fazer com que tal fato diminua a base de fãs. É preciso saber equilibrar as coisas em um tempo em que o “streaming” não paga tão bem quanto as vendas de CDs anos atrás.

Pode ser este o fator que fez com que o quarteto holandês LEGION OF THE DAMNED tenha tido um intervalo de cinco anos entre seu último álbum e “Slaves of the Shadow Realm”, seu mais recente trabalho.


Análise geral:

Basicamente, este intervalo de tempo entre “Ravenous Plague” (de 2014) e “Slaves of the Shadow Realm” serviu para dar uma recarregada nas baterias, pois apesar da banda não abrir mão de seu Thrash/Death Metal bem feito de sempre, a inspiração musical está de alto nível, superando o seu antecessor.

Além disso, as canções transpiram a força que esses 8 anos de estabilidade na formação lhes deu, pois é um dos discos mais sólidos do grupo, e além disso, o nível técnico andou dando uma melhorada.

Ou seja: quem já é fã do LEGION OF THE DAMNED continuará sendo, e ainda poderão conquistar alguns novos com “Slaves of the Shadow Realm”.


Arranjos/composições:

Como já dito, o nível técnico da banda melhorou, se percebendo isso na força e solidez da base rítmica (que também está mostrando um ótimo trabalho em termos de variações), os riffs estão ainda mais grudentos que antes (uma das características mais marcantes do quarteto), ao passo que os vocais esganiçados deram uma melhorada substancial.

Os arranjos do quarteto sempre foram de primeira, o que é interessante: usando de clichês simples e muita criatividade, eles ajudam a dinâmica das canções, ou seja, eles preenchem as linhas melódicas sem estarem ali por estar, fazem parte do todo sem destoar. Aliás, como as músicas são fluidas, sem que soem enjoativas ou longas demais.


Qualidade sonora:

Novamente, a banda optou por trabalhar com o produtor Andy Classen tomando conta de tudo (inclusive da mixagem e masterização). Dessa vez, a opção foi por algo mais encorpado e “cheio”, diferente da qualidade mais seca do disco anterior (em que também haviam trabalhado com Andy). E ele soube fazer a mistura de peso e agressividade que é tão marcante da banda, mas sem que se perdesse a noção de definição sonora.

Os timbres sonoros é que surpreenderam, já que o foco foi em algo mais voltado ao Death Metal como haviam feito em “Descent into Chaos”.


Arte gráfica/capa:

Todo o trabalho gráfico é do húngaro Gyula Havancsák, que entendeu perfeitamente o que a banda queria, e fez uma arte muito bonita, enfocada no lado mais sombrio.


LEGION OF THE DAMNED
Destaques musicais:

Com “Slaves of the Shadow Realm”, os holandeses vieram revigorados e prontos para causar dores de pescoço e ouvidos, mas sempre com uma qualidade musical inquestionável.

The Widow’s Breed: a ponta de lança do disco tinha que ser uma música marcante e cheia de energia. A velocidade é de dar torcicolos, mas com boas mudanças de ritmo e um massacre imposto por baixo e bateria (que belas conduções nos bumbos, diga-se de passagem).

Nocturnal Commando: um assalto Death/Thrash Metal de marcar o fã, usando uma estética técnica mais simples, focando em um refrão grudento, e guitarras excelentes (o que sempre foi uma marca registrada da banda).

Charnel Confession: o ritmo diminui, focando em algo um pouco mais duro e bruto, com uma ambientação densa e agressiva que permite que os vocais mostrem um trabalho de primeira.

“Slaves of the Southern Cross”: nesta, o ritmo se alterna entre partes mais ráipidas (no jeito do grupo), e outras mais cadenciadas. O impacto sonoro é tamanho que chega a doer os ouvidos dos mais incautos. E é a faixa do vídeo oficial de divulgação do álbum.

“Warhounds of Hades”: veloz e cheia de partes “Thrashy” empolgantes, é outra em que a combinação de riffs cativantes e vocais bem colocados tem o efeito de prender a atenção do ouvinte.

“Shadow Realm of the Demonic Mind”: outro momento bem marcante do disco, com partes ganchudas que não há como resistir, graças ao ótimo trabalho das guitarras.

Ainda existe uma versão (importada e CD+DVD) com duas faixas extras, as ótimas “Priest Hunt” (cadenciada e empolgante, e com certo acento de Black Metal em alguns momentos) e “Azazel’s Crown” (mais veloz, direta e reta, um murro com ótimo trabalho de baixo e bateria).


Conclusão:

“Slaves of the Shadow Realm” mostra que o LEGION OF THE DAMNED ainda está longe de ficar estagnado, e que honra suas raízes holandesas em termos de Metal extremo. E vale a aquisição, sem sombra de dúvidas!

Nota: 86,0/100,0


The Widow’s Breed



Slaves of the Southern Cross



Bandcamp

ENFORCER - Zenith


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Die for the Devil
2. Zenith of the Black Sun
3. Searching for You
4. Regrets
5. The End of a Universe
6. Sail On
7. One Thousand Years of Darkness
8. Thunder and Hell
9. Forever We Worship the Dark
10. Ode to Death
11. To Another World (Bonus Track) 


Banda:


Olof Wikstrand - Vocais, guitarras
Jonathan Nordwall - Guitarras
Tobias Lindqvist - Baixo
Jonas Wikstrand - Bateria, vocais, teclados, piano


Ficha Técnica:

Olof Wikstrand - Produção, mixagem
Jonas Wikstrand - Produção, mixagem
Howie Weinberg - Masterização
Velio Josto - Arte (capa)


Contatos:

Site Oficial: www.enforcer.se
Assessoria: 
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Um fenômeno que muito ocorria nos anos 80: quando uma banda do underground, e com discos já lançados, ingressava em uma grande gravadora, era quase que 99% certo deles amaciarem o som (a inclinação ao Hard/Glam e ao AOR eram o sinal mais evidente disso), em busca de algo mais comercial e palatável a um público mais amplo. A banda queria sucesso, a gravadora queria vender, e isso causou imensos dissabores aos fãs daqueles tempos. Alguns discos eram terríveis, e houveram discos que marcaram a história de tão bons, sendo reconhecidos mesmo naqueles tempos, ou que a história acabou lhes fazendo justiça.

Por isso, é recomendado aos fãs que tenham muita calma ao lidarem com “Zenith”, novo trabalho do quarteto sueco ENFORCER, que acabou de sair no Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil.


Análise geral:

É fato que “Death by Fire” (2013) e “From Beyond” (2015) conquistaram legiões de fãs pelo mundo inteiro e lhes rendeu reconhecimento, justamente por terem um som selvagem e cheio de energia nos moldes da NWOBHM, ao ponto de ser considerado um dos pilares do “Old School Heavy Metal”. Mas se antes era um Heavy/Speed Metal intenso agora deu uma caída para o Heavy Metal tradicional com muita influência de Hard Rock.

Basicamente, eles deram uma polida em suas músicas, e ao mesmo tempo, aumentaram a ênfase nas melodias, o que fez com que aquela energia desmedida e selvagem dos discos anteriores ficasse mais contida, mais encorpada. E ao mesmo tempo, ficou mais acessível, sem, no entanto descaracterizar o trabalho musical deles, mas ainda existem momentos que remetam ao que estavam fazendo antes como “Searching for You”.

É como se o ENFORCER de antes revisitasse suas influências de DEF LEPPARD (fase “High ‘n’ Dry” e “Pyromania”), TOKYO BLADE (especialmente a fase de “Night of the Blade”) e outros que tinham grande influência de Hard Rock. Mas se por um lado ficou mais acessível e melódico, continua excelente. Em uma analogia, é como olhar um mesmo diamante por um outro ângulo.


Arranjos/composições:

Por ficar mais polido, leia-se: as canções estão estrategicamente arranjadas. É isso, pois a espontaneidade de antes está aliada ao arranjar bem as canções, sem negar que elas continuam soando com boas doses de energia. Mas agora, backing vocals estratégicos à lá Glam Metal/Hard Rock aparecem bastante (uma reparada em “Die for the Devil” esclarece isso). Além disso, a técnica musical da banda deu uma diluída, pois eles preferiram focar mais nas canções em si.

Mas em termos de dinâmica entre os instrumentos musicais e os vocais, além de encaixe de arranjos, pode-se dizer que “Zenith” é o disco em que o ENFORCER mais caprichou no aspecto, bem como soube criar refrães e backing vocals de assimilação bem simples.


Qualidade sonora:

Os irmãos Olof Wikstrand e Jonas Wikstrand capricharam na produção e na mixagem do disco, algo que até o momento era inédito. A crueza de antes deu lugar a uma estética mais limpa e definida. Óbvio que ainda existe uma ambientação “Old School” permeando suas canções porque buscaram tons instrumentais que pudessem soar claros, mas orgânicos.


Arte gráfica/capa:

O quarteto nunca foi dado a ter artes gráficas rebuscadas nas capas de seus álbuns, talvez para manter o foco dos fãs apenas em sua música (tirando a de “Into the Night”). Dessa vez, embora ainda não seja nada extremamente exagerado, destoa da prevalência do preto comum, embora ainda com tons escuros.


Destaques musicais:

Basicamente, “Zenith” é um disco bem feito e com ótimas composições, mas que tende a deixar os fãs mais antigos de ouvido em pé nas primeiras audições por sua acessibilidade musical. Mas conforme os ouvidos vão se acostumando, a impressão é que ele é um dos melhores trabalhos dos suecos.

Die for the Devil: O disco abre com um Hard ‘n’ Heavy poderoso, extremamente acessível e melódico, com momentos limpos contrastando com partes mais pesadas, mas sempre com uma estética grudenta (reparem no refrão). Baixo e bateria mostram uma base sólida e trabalhada na medida certa.

Zenith of the Black Sun: Aqui o ritmo diminui, focando mais no lado pesado da banda. È uma canção pesada, mas com backing vocals e melodias que deixam claro a vocação comercial da mesma. Os vocais estão ótimos.

Searching for You: a energia dessa aqui fará com que os medidores ficarem o tempo todo no vermelho. É como dito acima: é uma música em que o grupo mostra uma pegada mais voltada aos seus trabalhos anteriores, com maior velocidade, vocais em timbres altos e guitarras esbanjando riffs de primeira.

One Thousand Years of Darkness: basicamente, elementos um pouco incomuns (como teclados) dão as caras aqui, e é outra canção em que peso e acessibilidade dão as mãos. Mais uma vez, ótimo trabalho de guitarras.

Thunder and Hell: esta é daquelas que vai levar os fãs á loucura ao vivo, graças a alta velocidade e sua estética completamente NWOBHM. E nisso, a segurança da base rítmica é importantíssima, por isso, apostam em algo mais simples e funcional, mas pesado.

Forever We Worship the Dark: embora os toques Hard/Glam estejam claros além do necessário, é uma canção muito boa de ouvir graças ás linhas melódicas caprichadas, e aos vocais e backing vocals bem arranjados.

A versão nacional ainda tem um bônus que é “To Another World”, o que valoriza demais o disco. E para quem ama itens, existe uma versão importada toda cantada em espanhol.


Conclusão:

“Zenith” é um disco é muito bom, que mostra que o ENFORCER sabe evoluir, transitando para algo mais acessível sem perder sua essência. Óbvio que muitos fãs antigos irão torcer o nariz de cara, mas se derem uma chance ao disco, perceberão que deram uma chance, mas a si mesmos.

E parabéns a banda por ousar sair do ponto comum e desafiar a si mesma.

Nota: 88,0/100,0

Die for the Devil



Searching for You



Regrets



Spotify

sexta-feira, 3 de maio de 2019

TUBLUES - Vinte


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Geração Mimimi (feat. James Buris)
2. De um Jeito Melhor      
3. Palavras (feat. Helton Lobão e William Roger)
4. De Tanque Cheio (feat. Xande Saraiva (Baranga), James Buris e Jairo Martins)
5. Ambição Ardente (feat. James Buris)
6. Máquina de Lavar        
7. Sangue de Barata        
8. Como um Cão de Rua (feat. Caio Durazzo e Aquiles Metalkid)  
9. Um Dia na Vida (feat. James Buris e Guto Domingues)
10. Blues das Onze
11. Baixa a Bola (feat. Matheus Cobianchi e Robson Bastos)
12. Vacilada (feat. James Buris, Percy Weiss e Jairo Martins)


Banda:


Cezar Heavy - Baixo, Vocais
Alexandre Freitas - Guitarras
James Buris - Bateria


Ficha Técnica:

Alexandre Freitas - Mixagem
Fábio Henriques - Masterização


Contatos:

Instagram:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O Rock brasileiro sempre foi um estilo de duas vertentes principais: aquelas mais voltadas ao mainstream e que geraram nomes que, até os dias de hoje, são idolatrados como suprassumo do gênero, justamente as de maior inclinação Pop; e as mais sujas e que estiveram mais restritas ao cenário underground (raros são os que conseguiram algum sucesso comercial, como CELSO BLUES BOY, BARÃO VERMELHO e ULTRAJE A RIGOR).

Mas o modismo do Pop Brasil dos anos 80 passou, e muitos dos que na época eram sucesso, hoje ou acabaram, ou vivem com o pires na mão. Aqueles que faziam algo mais raiz, em sua maioria ainda andam por aí, mesmo com as dificuldades da vida nesse meio. Seguidor da segunda vertente, o TUBLUES de Lorena (SP) é um veterano de vinte anos nas costas, e chega com “Vinte”, seu disco mais recente.


Análise geral:

O trio segue uma linha bem suja e espontânea à lá MADE IN BRASIL, PATRULHA DO ESPAÇO, CASA DAS MÁQUINAS, e mesmo BARÃO VERMELHO e CELSO BLUES BOY (de onde vem uma boa dose de acessibilidade musical “bluesy”), embora tenha uma aura toda própria.

A música deles é cheia de energia, com ótimas melodias ganchudas, bom nível técnico, mas sempre com a capacidade de se adaptar aos tempos modernos, e por isso, o trabalho deles não soa datado. E que energia!


Arranjos/composições:

Nessa vertente, é bom que se diga que a técnica instrumental de cada um dos integrantes não chega a ser exigida. Não é o enfoque, pois a chave da força deles é o conjunto, a unidade entre os instrumentos.

Como é acessível, a música deles possui arranjos musicais bem eficazes em ternos de entrar nos ouvidos e não sair mais, com uma ótima dinâmica dos instrumentos musicais entre si e com os vocais.

Há ainda certo toque “bluesy”/Pop em algumas partes (como explícito em “De um Jeito Melhor”), mas nada de comercialismo mela-cuecas e calcinhas. É da música deles, algo que realmente agrega valor.

TUBLUES ao vivo

Qualidade sonora:

Em um trabalho tão visceral, é óbvio que não há necessidade de uma qualidade sonora estilo “super-produção hollywoodiana”. O mais simples é o melhor para o TUBLUES, tanto que o “feeling” que permeia esse álbum é quase que de um ensaio gravado, com todo mundo tocando junto. Mas óbvio que se percebe o cuidado estético em cada momento.

A ambientação orgânica do CD vem dos timbres instrumentais mais simples, sem muitos enfeites modernos. Não seria surpresa alguma se a banda tiver gravado com os antigos pedais...


Arte gráfica/capa:

Simples, direta e reta, a arte da capa é uma foto de alguém com uma caveira na mão. Algo funcional, que manda um recado ao ouvinte: o foco aqui é a música!


Destaques musicais:

Antes de qualquer coisa nesse ponto, é preciso destacar que o disco transpira honestidade. Sim, cada uma de suas 12 canções mostra isso claramente, e se preparem, pois as músicas em si são ótimas, e alguns convidados tornam tudo ainda melhor (inclusive o saudoso Percy Weiss deixou seu legado em “Vacilada”).

Geração Mimimi: Um típico Rock ‘n’ Roll cheio de energia, com boa dose de energia equilibrada com melodias simples de assimilar. O andamento embala o ouvinte, e a letra, como fica óbvio, um murro nos chatos de plantão.

De um Jeito Melhor: Aqui surge o que o Rock Brasil era por volta de 1983-1984, ou seja, uma mistura de boas melodias, agressividade na dose certa e uma nítida influência de Blues (especial nas debulhadas da guitarra).
         
De Tanque Cheio: E eis que a velha paixão do Rock surge como tema, os motorizados. Outra dose de energia intensa, com alguns arranjos lembrando AC/DC e KISS pela simplicidade e força.

Ambição Ardente: Uma das mais “Bluesy” de todo o disco, graças ao andamento mais comportado e pelos arranjos de baixo e bateria. E que belas melodias e refrão!

Máquina de Lavar: A estética noir do Jazz/Blues americano dos anos 40 surge nesse Rockão refreado, que chega a dar aquela impressão de ambiente esfumaçado dos filmes. Belos vocais e riffs de guitarra.
         
Como um Cão de Rua: ótima dose de energia, com tempos mais descompromissados, e boa mistura de melodias e agressividade. Essa é para mexer o esqueleto.

Um Dia na Vida: uma das mais empolgantes, justamente porque a acessibilidade musical aumenta, mas mantendo a estética que o trio impõe de sujeira e agressvidade. Belíssimo solo de guitarra, diga-se de passagem.

Blues das Onze: outra em que a ambientação musical vai lembrar um “pub” esfumaçado e com cheiro de bebida. E gruda nos ouvidos que é uma maravilha, cheia de arranjos de baixo e bateria simples, mas ótimos.

Vacilada: A chave de ouro do disco. Um Rock descompromissado e espontâneo, típico dos anos 80 (sem soar datado ou mofado, por favor). E é uma das últimas gravações do querido Percy Weiss, que deu uma canja nos vocais.

Em verdade, existem muitos convidados no disco inteiro, cada um dando aquele toque extra de valor ás músicas.


Conclusão:

Basicamente, “Vinte” é um disco que comemora os 20 anos de existência do grupo, mas ao mesmo tempo, que mostra que eles só estão a fim de se divertir, já que viver de música no Brasil ainda é uma utopia.

Só que, verdade seja dita, é um disco tentador e que vai fazer o ouvinte ligar a tecla “repeat”.


Nota: 88,0/100,0


De um Jeito Melhor



Spotify


terça-feira, 30 de abril de 2019

WOSLOM - Paranoia


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Paranoia
2. Game Over
3. Suffering Myself
4. High Voltage


Banda:


Silvano Aguilera - Guitarras, vocais
Rafael Iak - Guitarras
André G. Mellado - Baixo
Fernando Oster - Bateria


Ficha Técnica:

Woslom - Produção
Diego Rocha - Produção, mixagem
Neto Grous - Masterização
Alex Spike - Artwork (capa)


Contatos:

Site Oficial: www.woslom.com
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O que pode ser chamado de “Classic Thrash Metal” é aquilo que algumas bandas fazem e que remete diretamente aos anos 80, em especial à bandas como METALLICA, MEGADETH e ANTHRAX, bandas que sedimentaram as vertentes mais trabalhadas e melódicas desse gênero de Metal específico.

No Brasil, felizmente existem ótimos representantes do gênero, como o quarteto WOSLOM, de São Paulo, que depois de uns tempos quieto em termos de lançamento chega com “Paranoia”, seu novo EP, para matar a vontade de seus fãs. Aliás, é bom avisar que o EP será lançado oficialmente em 20 de Maio próximo.


Análise geral:

Basicamente, todas as lições que a banda aprendeu em seus discos anteriores (os álbuns “Time to Rise” de 2010, “Evolustruction” de 2013, e “A Near Life Experience” de 2016), e a experiência consegue mostrar consensualidade com o passado, mas com os olhos no futuro. Em “Paranoia”, o lado mais melodioso da época de “Evolustruction” está evidenciado, bem como algo mais próximo do Metal tradicional em termos de melodias, e mesmo de Rock ‘n’ Roll (como se percebe nos refrães e algumas partes mais simples e grudentas).

Basicamente, shows, discos e tudo mais só lapidou o grupo, transformando sua música em algo que não cabe mais no Brasil.

WOSLOM ao vivo.

Arranjos/composições:

Quem conhece a banda já sabe o que esperar de seus arranjos: tudo muito bem feito, com ótima dinâmica entre instrumental e vozes, mas agora, adicionado a isso existe um “feeling” de espontaneidade ainda maior, e mesmo certo despojamento (sem ser algo relaxado). Aliás, isso só aumentou o clima mais Rock ‘n’ Roll visceral que andava dando as caras na música deles há algum tempo.

Os vocais estão cada vez melhores, se encaixando muito bem e com boa dicção, as guitarras nem é necessário comentários mais profundos, pois os riffs são sensacionais (e os solos estão ótimos), e a base rítmica andou melhorando, já que o entrosamento entre baixo e bateria está de alto nível.


Qualidade sonora:

O Bay Area Studio é o local onde “Paranoia” foi gravado e mixado. E assim como aconteceu em “A Near Life Experience”, a sonoridade mostrada é algo mais direto, seco e direto, sem muitos enfeites. Mas é justamente assim que tudo se encaixa perfeitamente, sem muita masturbação digital, o que permite que a energia bruta da música da banda flua intensa e selvagem. Ou seja, assim as músicas soam vivas aos ouvidos.

Aliás, mesmo com isso, a mixagem e a masterização (esta última feita por Neto Grous no Absolute Studio) deram uma vida e tanto ao trabalho. Soa espontâneo, pesado e de bom gosto.


Arte gráfica/capa:

Indo um pouco no sentido oposto ao que a banda vinha apresentando, a arte de Alex Spike para a capa é bem simples, com poucas cores. Mas isso permite que os fãs foquem sua atenção apenas na música do quarteto (o que é o mais importante).


Destaques musicais:

Paranoia: Esta canção tem uma pegada mais seca e agressiva que remete diretamente ao que se ouve em “A Near Life Experience”. E os vocais estão muito bem, embora o trabalho de baixo e bateria esteja ótimo.

Game Over: Aqui, existem passagens Thrash Metal do final dos anos 80 à lá MEGADETH (mas não tão técnico), mas a adrenalina Rock ‘n’ Roll com um jeitão “motorheadiano” encaixou como uma luva. Refrão de primeira, baixo e bateria desencadeando um peso absurdo na base rítmica, e um solo de guitarras de primeira.

Suffering Myself: Outra em que elementos de Rock ‘n’ Roll sujo dão as caras, em tempos não muito velozes e um refrão grudento como ele só. Os riffs de guitarra estão mais técnicos em alguns pontos, os solos esbanjam melodia mais uma vez, alguns duetos de guitarra à lá NWOBHM e é uma faixa para bater cabeça, pois o torcicolo é o limite (ou não).

High Voltage: E lá vêm eles mostrando de onde vem o lado Rock sujo que se sente no EP. Esse velho clássico do AC/DC ganhou uma vida nova nas mãos deles, mas sem perder sua essência. Ótimos vocais, com baixo e bateria criando um “algo a mais” (as conduções nos dois bumbos e os toques mais técnicos das quatro cordas são exemplos disso). Bon Scott e Malcolm Young devem estar aplaudindo do outro mundo esses pupilos deles.


Conclusão:

A verdade é simples: o WOSLOM tem tudo para ser um dos grandes nomes do Metal brasileiro no exterior, pois já estão em outro nível. Resta apenas desejar-lhes boa sorte, e que “Paranoia” lhes abra as portas (e que saia em versão física, óbvio).


Nota: 96,0/100,0


Paranoia