segunda-feira, 25 de março de 2019

KIKO SHRED - Royal Art


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. I Will Cast No More (Pearls Before the Swine)
2. Achemy’s Fire
3. Merlin’s Magic
4. Straight Ahead
5. Royal Art
6. Over the Edge
7. Tébas
8. Mortal
9. The Knights of the Round
10. Cagliostro


Banda:


Kiko Shred - Guitarras
Mario Pastore - Vocais
Lucas Tagliari Miranda - Bateria 
Will Costa - Baixo


Ficha Técnica:

Andria Busic - Produção, gravação, mixagem
Márcio Edit - Masterização
Michael Vescera - Vocais em “Straight Ahead”
Tristan Greatrex - Arte
Alcides Burn - Arte, encarte


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Tudo que se possa imaginar em termos de Metal e Rock que existe no exterior será encontrado no Brasil. Há certo paralelo em termos estilísticos, só que o músico brasileiro é capaz de impor a latinidade musical do país naquilo que está fazendo.

Nisso, percebe-se que o guitarrista KIKO SHRED (que costuma acompanhar os cantores Tim “Ripper” Owens e Mike Vescera) tem brios e nos brinda com um trabalho musical excelente em “Royal Art”, seu terceiro disco, recém lançado pela Heavy Metal Rock Records.


Análise geral:

Em termos práticos, o trabalho que se ouve é voltado ao Hard Rock virtuoso nas guitarras, algo no formato neoclássico que Yngwie Malmsteen costumava apresentar lá no início de sua carreira solo. Ou seja, as seis cordas têm seu destaque, mas existe espaço para todos os músicos brilharem, mesmo porque seria desperdício não dar espaço a músicos como Mario Pastore, Lucas Tagliari Miranda, e Will Costa. Ainda é preciso dizer que Kiko, apesar do virtuosismo, evita exibições auto-indulgentes que cansaria os fãs comuns, ou seja, prefere focar suas energias em algo mais homogêneo, compacto e bem feito.

Mas cuidado: há bem mais nesse disco do que os ouvidos podem captar e assimilar em uma única audição.


Arranjos/composições:

Como dito acima, “Royal Art” vem com um jeito musical virtuoso, mas que em geral é acessível aos ouvidos dos fãs comuns, longe de malabarismos excessivos que só são entendidos por guitarristas. Óbvio que nas canções instrumentais Kiko bota para fora toda sua expressividade neoclássica, mas quando os vocais estão presentes, percebe-se a necessidade de compor e arranjar canções bem, e que esbanjem espontaneidade, mas que fiquem distantes da egolatria. Aliás, a dinâmica entre os instrumentos e vocais é excelente, sem falar que cada refrão foi composto de forma que não saia mais da cabeça dos ouvintes.

Pode-se dizer que este é um disco maduro, pesado e extremamente agradável a todos.


Qualidade sonora:

Apesar de soar um pouco mais cru que o necessário, a sonoridade de “Royal Art” ficou muito boa, clara e definida de forma que se entenda bem o que é tocado. A timbragem também ajuda bastante, pois tudo soa o mais próximo possível da simplicidade, sem criar algo que soe mecânico.


Kiko Shred
Arte gráfica/capa:

O trabalho em termos de design é lindo, focando em timbres escuros de azul, com uma apresentação que chama a atenção do ouvinte. Além disso, o encarte ficou muito belo, com boa diagramação.


Destaques musicais:

O bom gosto que se ouve durante todas as canções de “Royal Art” é tamanho que vai deixar muitos de boca aberta.

Os melhores momentos:

“I Will Cast No More (Pearls Before the Swine)”: Um trabalho musical simples e funcional, mas cativante, com melodias sinuosas e ótimo trabalho técnico de baixo e bateria.

“Achemy’s Fire”: Falar dos vocais seria algo desnecessário, mas estão ótimos com todo seu “set” de timbres. A canção mais uma vez é um hardão típico dos anos 80, com uma ambientação alto astral e um refrão ótimo.

“Merlin’s Magic”: Uma senhora instrumental, pois as mudanças de atmosfera, os solos de guitarra melodiosos e expressivos, tudo funciona e não deixa o ouvinte entediado.

“Straight Ahead”: Novamente excelentes mudanças de ritmo, boa técnica de baixo e bateria, mas a participação especial de Mike Vescera dá uma valorizada e tanto. E que riffs de primeira!

“Royal Art”: Outra faixa instrumental, mas nesta, a técnica das guitarras no solo é ótima, mas não retira da música em si um toque bem evidente de acessibilidade musical.

“Tébas”: Toda vocação melódica de Kiko aflora nessa instrumental, que não deixa de ter sua influência neoclássica, mas as harmonias são simples e fáceis de serem digeridas por aqueles que não são chegados a este tipo de faixa em especial.

“Mortal”: Basicamente, um Heavy/Power Metal dos anos 90, com forte presença de teclados, mas os vocais são de uma expressividade incrível (coisa para quem sabe interpretar).


Conclusão:

Pode-se dizer que “Royal Art” é um disco e tanto, merece aplausos. E se Kiko é (com todo respeito) cria do estilo neoclássico de Malmsteen, ele já superou o mestre, pois sabe equilibrar seu virtuosismo com o lado de compositor.

Ah, sim: um disco de um guitarrista feito para todos os fãs de bom gosto, independente de qualquer coisa.

Nota: 88%


I Will Cast No More (Pearls Before the Swine)

sexta-feira, 22 de março de 2019

OVERKILL - The Wings of War


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Last Man Standing
2. Believe in the Fight
3. Head of a Pin
4. Bat Shit Crazy
5. Distortion
6. A Mother’s Prayer
7. Welcome to the Garden State
8. Where Few Dare to Walk
9. Out On the Road-Kill
10. Hole in My Soul
11. In Ashes (bônus)


Banda:


Bobby “Blitz” Ellsworth - Vocais
Dave Linsk - Guitarra solo
Derek “The Skull” Tailer - Guitarra base, backing vocals
D. D. Verni - Baixo, backing vocals
Jason Bittner - Bateria


Ficha Técnica:

Chris "Zeuss" Harris - Mixagem, masterização
Andy Sneap - Mixagem, masterização de “In Ashes”
Travis Smith - Artwork, Layout
Ron Lipnicki - Bateria em “In Ashes”


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Ao lidar com o Metal e suas características sociais e midiáticas, é preciso entender que nem sempre a objetividade é uma boa forma de ver o mundo. Um claro exemplo é o conceito de Big 4 do Thrash Metal. Em tese, seriam as 4 bandas com os melhores trabalhos no gênero. Tal ideia é leviana, pois existem bandas que não chegaram a vender 500000 cópias de um mesmo álbum (ou seja, atingir a marca de disco de ouro pela Recording Industry Association of America, ou RIAA), mas fizeram discos fantásticos.

Só que existem aqueles veteranos que, mesmo com muito tempo de estrada, resolvem arregaçar as mangas e os ouvidos alheios. Nesse time está o a gangue do OVERKILL, grupo de Nova York que está vivendo um excelente momento criativo em sua carreira. E “The Wings of War”, seu mais recente disco (que chega em versão nacional colaboração da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil) é a prova disso.


Análise geral: A bem da verdade, o grupo mostra o mesmo Thrash Metal vigoroso e mal encarado que acostumaram os fãs nesses quase 40 anos de atividade. Aliás, ainda mostram a mesma agressividade herdada do Punk Rock e Hardcore, e a mesma filosofia sonora que os levou a receberem a alcunha de “MOTÖRHEAD do Thrash Metal”: uma pancadaria sem fim, mas sempre extremamente bem feita, e sendo a sequência natural que o grupo estabeleceu em seu estilo de “The Electric Age” para cá (embora este disco venha com músicas mais marcantes). E mesmo com a troca de baterista ocorrida em 2017 (quando Ron Lipnick deu lugar ao destruidor Jason Bittner), não perderam força, mas pelo contrário: o poder de fogo deles parece que aumentou ainda mais!

Basicamente, é como se o disco disse a cada momento “vai encara?” ao ouvinte.


Arranjos/composições: Há tempos o quinteto anda com a inspiração alta, e não é pecado algum dizer que este é o quarto disco perfeito deles em seguida. Sim, pois “The Wings of War” soa bem acabado, ganchudo e empolgante em cada uma de suas canções.

OVERKILL
Bobby “Blitz” Ellsworth continua cantando com agressividade ímpar e mostrando ótima diversidade de tons de voz (esse cara teve mesmo problemas de câncer e ataque epilético?); a dupla de guitarristas formada por Dave Linsk e Derek “The Skull” Tailer se supera a cada disco em termos de “rifferama” e solos, criando uma barreira sonora incrível e empolgante; e a os criados pelo experiente D. D. Verni (baixista e um dos fundadores do grupo) e o novato Jason Bittner (bateria) é de um peso cavalar, bem como com boa técnica mostrada nas mudanças de ritmo.

Banda inspirada + boa técnica musical é a equação certa para se criar um disco de quebrar ossos!


Qualidade sonora: De nada adiantaria tanta inspiração musical se a produção sonora não tivesse feito um ótimo trabalho. O quinteto fez a produção, tendo na mixagem e masterização as mãos de Chris "Zeuss" Harris, que trouxe uma aura moderna e bruta para a música do grupo, mas sem descaracterizá-la de forma alguma. Além disso, tudo soa claro e bem definido, além da excelente escolha de timbres instrumentais.


Arte gráfica/capa: Mais uma vez, o quinteto não usou uma arte extremamente rebuscada, mas que ao mesmo tempo, não é simplista. Ficou bem feita, e assim, o trabalho de Travis Smith permite que a atenção dos ouvintes fique toda focada na música.


Destaques musicais: Não existem melhores momentos em um disco que é todo feito de excelentes canções. O OVERKILL mais uma vez acertou o alvo, criando um “set” de 10 canções de tirar lágrimas dos olhos (seja pela emoção ou pela agressão).

“Last Man Standing”: o disco já abre com uma tijolada bem dada diretamente nos tímpanos. Veloz, agressiva e com ótimas melodias que ficam escondidas sobre essa colcha de riffs ótimos e vocais excelentes. Não é à toa que é o primeiro “lyric video” de divulgação.

“Believe in the Fight”: uma virada de bateria marcante dá início à pancadaria, que segue tempos não tão velozes, e a canção permeada de melodias subjetivas (que refrão, e como baixo e bateria estão bem).

“Head of a Pin”: a típica canção mais cadenciada do grupo, onde as melodias e influências “sabbathícas” afloram. E mais um refrão ótimo!

“Bat Shit Crazy”: um típico Thrash Metal/Crossover de Nova York, embora com alguns momentos mais introspectivos que relembrarão os primeiros discos do grupo. Riffs e solos de guitarra fazem bonito!

“Distortion”: com uma introdução limpa e aterradora, logo vira outro massacre com tempos que transitam entre o não tão veloz e o cadenciado, criando uma ambientação de horror.

“A Mother’s Prayer”: a essência do Thrash Metal de Nova York pulsa nessa canção, tendo aquela clara influência do Hardcore local. Outro refrão de primeira, boas melodias e vocais ferozes.

“Welcome to the Garden State”: E eis a canção do primeiro vídeo clipe de divulgação. Mais uma vez as influências de Hardcore de sua cidade natal e do Crossover ficam evidentes. Aliás, baixo e bateria estão muito bem, criando uma base rítmica sólida e com seus momentos técnicos, além dos backing vocals serem bem encaixados.

“Where Few Dare to Walk”: aquele típico Thrashão cadenciado e grudento, que leva o ouvinte a balançar a cabeça sem nem mesmo notar. Mais uma vez, baixo e bateria mostram sua técnica, além dos vocais mostrarem alguns timbres mais limpos aqui e ali.

“Out On the Road-Kill”: A típica canção que vai causar dor nos ossos nos shows. Começa com alguns ritmos quebrados, antes de ganhar um andamento veloz, e mais uma vez rebuscando o som do passado. Novamente, baixo e bateria dão uma aula.

“Hole in My Soul”: tempos velozes se alternam com partes opressivas, além da adição de melodias excelentes (especialmente no refrão marcante). Talvez já esteja apontando para algo diferente mais adiante.

A faixa bônus “In Ashes” destoa um pouco pela gravação (mixagem e masterização de Andy Sneap), soando quase como um cover por conta da ênfase mais melódica, mas é mais uma ótima canção, a cereja do bolo nessa versão nacional.


Conclusão: Ainda mal encarados e mantendo a mentalidade de gangue dos becos de Nova York, o OVERKILL merece que exista (e tem vaga cativa) o Big 5 do Thrash Metal dos EUA, e veio para colocar “The Wings of War” entre os 10 melhores discos do ano!

Vai encarar?

Nota: +100%


Last Man Standing



Head of a Pin



Welcome to the Garden State



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terça-feira, 19 de março de 2019

STAY TUNED - Stay Tuned


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Jazz Police (c/ Mark King, Ian Paice, Steve Morse, Suzi Quatro)
2. Fading Away (c/ Ian Gillan, Dan McCafferty, Mark King)
3. Let the Stars Shine On You (c/ Steve Lukather)
4. Traffic Night (c/ Don Airey, Steve Morse, Carl Sentance)
5. I Don’t Believe That Rock ‘n’ Roll is Out
6. Empathy (c/ Jeff Scott Soto)
7. Yound Free and Deadly
8. It’s Just a Long Way (c/ Carl Sentance)
9. Always Behind You (c/ Mark King)
10. Believe Me (c/ Roger Glover)
11. Secret Land (c/ Don Airey, Carl Sentance)
12. Wanna Give You My Lovin’
13. Drum Jam (Live 2002) (c/ Ian Paice)
14. Child in Time (Live 2009) (c/ Jon Lord)


Banda:
Bernhard Welz - Bateria, outros instrumentos


Ficha Técnica:

Bernhard Welz - Produção


Contatos:

Instagram:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Em geral, projetos musicais visam trazer à tona as influências de um ou vários músicos envolvidos na empreitada. E alguns deles surgem com a vocação para algo nobre. E juntando música de excelente nível com um toque de amor ao próximo, eis que vemos surgir “Stay Tuned”, disco do STAY TUNED ALLSTARS, projeto encabeçado pelo baterista Bernhard Welz (que toca outros instrumentos também), e que oferece uma chance de ajudar a instituição Linda McCartney Foundraising Centre.


Análise geral: Óbvio que um projeto musical se torna atraente pelos nomes envolvidos. O fato é que Bernhard trouxe alguns de seus amigos ilustres, integrantes de bandas como LEVEL 42, TOTO, GENESIS, NAZARETH e GOTTHARD, e alguns que já passaram por BLACK SABBATH, RAINBOW e outros tantos.

Com nomes de estilos tão variados juntos, o resultado só poderia ser um Classic Rock/Hard Rock bem aos moldes dos anos 70, com momentos em que influências bem fortes de Rock Progressivo vão se aglutinando. Óbvio que esse “insight” mais eclético pode incomodar alguns puritanos pós-anos 80, mas a verdade é que tudo que “Stay Tuned” oferece é uma viagem musical maravilhosa, e que de forma alguma soa datada.


Arranjos/composições: É fato que uma turma dessas não poderia gerar algo ruim. Nada em “Stay Tuned” soa excessivo, mesmo em seus momentos mais Progressivamente viajantes (só a instrumental “Jazz Police” é a prova pictórica de tal fato). Tudo soa bem espontâneo e cheio de uma energia vibrante e envolvente, com melodias trabalhadas (mas não difíceis de serem assimiladas pelo ouvinte).

Trocando em miúdos: é excelente!


Fonte: http://www.bernhard-welz.com
Qualidade sonora: O próprio Bernhard cuidou da produção do disco, e a sonoridade visa soar espontânea, clara e com sua dose correta de sujeira (se não fosse assim, não seria um disco de Rock ‘n’ Roll). Timbres escolhidos de forma que soem naturais e que nenhum instrumento venha a se destacar acima dos outros, é como se fosse uma “jam” em estúdio, mas com tudo muito bem regulado.


Arte gráfica/capa: A arte não é algo super-rebuscado, buscando um “feeling” bem anos 70, na época em que a música importava mais que o visual. E está muito bom do jeito que é, sem muitas delongas.


Destaques musicais: A primeira sensação sobre esta parte é “vocês devem estar brincando”, pois não existem partes em “Stay Tuned” que poderiam ser deixadas de lado. Tudo soa homogêneo, de alto nível, e vai cativar o ouvinte de formas diferentes a cada nova audição. Por mero preciosismo, nas primeiras ouvidas, indicam-se:

“Jazz Police”: uma instrumental onde Jazz, Progressivo e rock misturados de uma vez só, com muitos “slaps” no baixo e mudanças de ritmo. O trabalho das guitarras é belíssimo em termos de solos, sem mencionar os teclados (também, com Mark King, Ian Paice, Steve Morse e Suzi Quatro de uma vez só, não poderia ser diferente).

“Fading Away”: o ritmo ameno se aproxima do Classic Rock do final dos anos 60 com certo toque de Pop Rock. Mas a beleza imposta pelas melodias e contrastes vocais de Ian Gillan, Mark King e Dan McCafferty é absurda.

“Let the Stars Shine On You”: mais uma canção com forte jeito de final dos anos 70, com uma estética de balada, mas muito bem arranjada. Algo que lembrará os ouvintes os trabalhos do TOTO (algo que fica evidente pela participação de Steve Lukather).

“Traffic Night”: um rockão bem arranjado, mas com um conjunto de melodias acessíveis excelente. Don Airey, Steve Morse, e o vocalista Carl Sentance (que já passou por KROKUS e hoje é do NAZARETH) fazem as honras.

“Empathy”: agora o trabalho ganha contrastes mais voltados ao Heavy/Hard Rock dos anos 80, com uma enorme presença das guitarras. Mas os vocais de Jeff Scott Soto sempre fazem a diferença.

“Yound Free And Deadly”: e mais uma em que o peso vai nos trazer mais para o Heavy/Hard Rock dos anos 80, embora nesta a presença dos teclados seja mais evidenciada. É basicamente um Hardão como se o EUROPE dos anos 80 fosse um pouco mais agressivo.

“Believe Me”: intimista é com um toque de classe, o refrão soa mais pesado e grudento. Basicamente, é o encontro do melhor do Hard Rock da segunda metade dos anos 70 com a estética do Pop Rock daqueles dias. E o veterano Roger Glover resolve dar uma canja.

“Wanna Give You My Lovin’”: um Rock duro e acessível, com um alinhavo Pop deliciosamente grudento.

Encerrando, duas ao vivo: “Drum Jam” ao vivo em 2002, onde Bernhard divide espaço com Ian Paice (e que nada mais é que uma “jam" curte de bateria, que dura pouco mais de 1 minuto); e uma versão linda para o eterno clássico “Child in Time”, gravada ao vivo em 2009 com a participação do saudoso Jon Lord.


Conclusão: Pouco é necessário ser dito sobre “Stay Tuned” após a primeira audição. Ouça, aprecie e se divirta, pois não há como não se divertir e amar este disco!


Nota: 100%


Fading Away



Traffic Night



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sexta-feira, 15 de março de 2019

METAL CHURCH - Damned If You Do


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Damned If You Do
2. The Black Things
3. By the Numbers
4. Revolution Underway
5. Guillotine
6. Rot Away
7. Into the Fold
8. Monkey Finger
9. Out of Balance
10. The War Electric


Banda:


Mike Howe - Vocais 
Kurdt Vanderhoof - Guitarras, mellotron
Rick Van Zandt - Guitarra solo 
Steve Unger - Baixo, backing vocals
Stet Howland - Bateria


Ficha Técnica:

Kurdt Vanderhoof - Engenharia, produção 
Jean Michel - Artwork


Contatos:

Assessoria: 
E-mail: 

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Durante a primeira metade dos anos 80, o cenário Metal norte-americano foi sendo finalmente sedimentado. As influências do Metal europeu (especialmente as bandas dos anos 70 como JUDAS PRIEST e MOTÖRHEAD, e alguma coisinha da NWOBHM), fundidas ao Hard Rock clássico e mesmo à valorização da técnica e do “approach” melodioso tão natural dos EUA resultaram em uma invasão de bandas de diferentes estados e com trabalhos musicais personalizados.

Nisso, se consolidou o que se define como US Metal, ou seja, o jeito americano de se fazer Heavy Metal tradicional. E esta escola possui muitos representantes ilustres, entre eles o quinteto de Washington METAL CHURCH, um dos responsáveis pela modernização do Heavy Metal tradicional (embora poucos creditem isso a eles), que devido à formação consolidada (mesmo com as troca de baterista que ocorreu ano passado) está vivendo uma fase incrível em termos de criatividade. Que o diga “Damned If You Do”, novo disco do quinteto recém lançado no Brasil pela Shinigami Records, inclusive com o uso de um obi.


Análise geral: É fato que o quinteto continua fazendo o mesmo Heavy Metal vigoroso dos anos 80, com ótimos refrães, e estruturado de maneira bem cuidada. O que para muitos pode parecer estagnação, para quem os conhece sabe o quanto esse “Heavy Metal preachers” são capazes de criar passagens incríveis sem mexer em sua personalidade.

Basicamente, “Damned If You Do” é uma amostra clara do que é US Metal, sem tirar ou pôr algo, e ao mesmo tempo em que avança para o futuro de cabeça erguida, se percebe que tem muito dos clássicos “Blessing in Disguise” (1989) e “The Human Factor” (1991).


Arranjos/composições: Aliás, nesse disco, tudo vai muito bem.

A banda inteira mostra um trabalho técnico de ótimo nível (sem exagerar e tornar tudo maçante), com dinamismo fluido em termos de melodias e arranjos, e cada canção foi montada com sabedoria para bater nos ouvidos e marcar o fã.

E é bom ser dito uma coisa: nada nesse disco soa repetitivo, chato ou vai fazer o ouvinte bocejar durante seus pouco mais de 45 minutos de duração.


METAL CHURCH
Qualidade sonora: Mais uma vez, o guitarrista/fundador Kurdt fez a produção de um disco da banda. Tudo para manter o equilíbrio entre peso, limpeza e agressividade sonora em alto nível. E mostrando que ele sabe o que faz, mais uma vez o encontro entre a modernidade e o clássico em termos de sonoridade é o resultado, o que realmente encaixa na proposta musical do quinteto.


Arte gráfica/capa: ironia é pouco para definir o ótimo trabalho de Jean Michel, que inclusive transparece bem o tema pesado da faixa-título. E a arte do encarte ficou muito boa, mantendo uma diagramação simples. E a versão brasileira ainda tem um obi, ou seja, aquele papel lateral que tem informações do disco, que são muito comuns no mercado japonês.


Destaques musicais: Quando se fala nesse quinteto tão experiente, é preciso entender que a injustiça de não terem sido gigantes nos anos 80 não lhes tira seus méritos ou a capacidade de criarem canções marcantes e de alto nível, e talvez o METAL CHURCH seja um dos melhores nomes do cenário norte-americano. E se destacam as seguintes canções:

“Damned If You Do”: uma canção com uma ambientação bem agressiva e mesmo soturna, com um trabalho de peso de baixo e bateria, sem mencionar o refrão que não desgruda dos ouvidos.

“The Black Things”: novamente, o grupo tem um jeito mais soturno em alguns momentos, com crescendos ótimos no refrão. E isso mostra a versatilidade dos vocais, que estão excelentes no disco inteiro.

“By the Numbers”: é incrível ver essa energia, essa pegada juvenil em uma banda tão experiente. Ótimo equilíbrio entre as linhas melódicas e a força agressiva das guitarras nos riffs.

“Revolution Underway”: aqui surge o lado mais influenciado pelas melodias do Hard Rock clássico, algo típico dos anos 80. Só que o jeito em que eles arranjaram a canção permite que a canção soe atual, cheia de vida e com vocais excelentes mais uma vez.

“Guillotine”: desta vez, eles foram buscar um jeito mais voltado à época de “The Dark”, onde melodias do Metal tradicional são mixadas com uma agressividade moderna quase thrashy, Mais um ótimo refrão, e que belas mudanças de ritmo!

“Rot Away”: mais uma em que linhas melódicas se misturam à agressividade sonora sem destoar. O ritmo não tão veloz permite que tanto os vocais mostrem mais um ótimo trabalho, se encaixando muito bem na colcha instrumental.

“Into the Fold”: esta parece ir buscar lá na primeira metade dos anos 80 a energia e elegância típicas de quando o rótulo Power Metal era usado para definir o que o cenário norte-americano produzia. Boas variações harmônicas e mais um refrão grudento.

“Monkey Finger”: então, surge a influência do Metal germânico (à lá ACCEPT) no trabalho do grupo por conta dos tempos mais lentos e backing vocals que culminam em um refrão muito legal.

“Out of Balance”: se o leitor sabe o que significa “ter um andamento que empolga”, vai entender essa canção e assimilá-la sem problema algum. Melodias mais simples e ótimas conduções de baixo e bateria são os pontos fortes.

“The War Electric”: Encerramento com níveis de adrenalina altíssimos. Uma pancadaria que também é mais simples, onde os vocais estão ótimos, mas sem desmerecer o trabalho de peso de baixo e bateria.


Conclusão: O METAL CHURCH continua forte e vigoroso, lançando mais um disco que merece aplausos. Sim, “Damned If You Do” é um daqueles discos que merecem ser ouvidos no “repeat”, pois os "Heavy Metal Preachers" estão com todo gás!

Mais um para o Top10 de muitos ao final do ano.

Nota: 100%


Damned If You Do



By the Numbers



Out of Balance



Spotify