terça-feira, 4 de junho de 2019

SUNRUNNER - Ancient Arts of Survival


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Dawnland (instrumental)
2. Tracking the Great Spirit
3. Inner Vision
4. The Scout
5. Prophecy of the Red Skies
6. Distorted Reflection
7. Palaver
8. Arrive Survive Awaken Thrive
9. Stalking Wolf


Banda:


Bruno Neves - Vocais
Joe Martignetti - Guitarras, Backing Vocals
David Joy - Baixo, Backing Vocals
Ted MacInnes - Bateria, Backing Vocals


Ficha Técnica:

Jimmy Martignetti - Produção, mixagem
Bob Katz - Masterização


Contatos:

Assessoria: www.somdodarma.com.br (Som do Darma)
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Cada vez mais o Prog Metal tem sido um estilo em que muitos estão buscando fórmulas mais simples e eficazes de se expressar que as viagens lisérgicas herdadas do lado do Rock Progressivo (ou seja, nomes como YES e GENESIS são referências). Não é algo simples se manter Prog Metal e ter uma musicalidade menos técnica, e alguns grupos acabam metendo os pés pelas mãos.

Mas o quarteto norte-americano SUNRUNNER, de Portland, consegiu essa façanha. Basta ouvir “Ancient Arts of Survival”, seu novo disco, e perceber isso.


Análise geral:

Transitando em um caminho pesado e intenso, a banda une características tanto do Heavy Metal (e Hard Rock clássico) como do Rock Progressivo dos anos 70, e se saindo bem na empreitada (como já evidenciava em seu disco anterior da banda, “Heliodromus”, de 2014). Basicamente, não chega a ser aquilo que se convencionou chamar de Prog Metal na realidade (que reúne influências de outros gêneros musicais), mas um híbrido de Metal e Rock Progressivo muito bom.

E agora o grupo se torna um quarteto, com a adição de um vocalista, o brasileiro Bruno Neves, que permitiu à banda uma maior profundidade melódica e técnica.


Arranjos/composições:

A presença do vocalista parece ter deixado a banda mais solta, e suas composições cresceram em termos de técnica musical. Mas ao mesmo tempo, a espontaneidade, força e peso de suas composições continua a mesma.

Justamente pelo “boost” técnico que os arranjos melhoraram, se tornaram mais dinâmicos e bem encaixados uns nos outros. Além disso, os vocais melhoraram em termos de timbres, fazendo com que a interação de vozes e instrumental também ficasse mais justa e coesa.

Realmente, uma comparação direta entre “Heliodromus” e “Ancient Arts of Survival” mostra o quanto eles melhoraram.


Qualidade sonora:

Os vocais foram gravados no Brasil, enquanto os instrumentos foram todos gravados nos EUA (inclusive a masterização é de Bob Katz, conhecido por suas 3 indicações ao Grammy), mas isso não causou problemas à qualidade sonora do álbum. O feeling Classic Rock de “Ancient Arts of Survival” é evidente, pois o grupo, mesmo mantendo clareza e definição, soa orgânico.

A timbragem dos instrumentos musicais buscou ser bem simples, transpirando um feeling “live”, com certo “q” de crueza que encaixou bem na proposta do grupo.


Arte gráfica/capa:

A arte da capa é belíssima, um painel em que um indígena e a natureza aparecem com alguns elementos futuristas. Algo que encaixou bem com o título do disco, verdade seja dita.


Destaques musicais:

8 canções (“Dawnland” é apenas uma instrumental de introdução do disco) que transitam entre a leveza suave e aconchegante do Rock progressivo e o peso mamutesco e cru do Heavy Metal dos anos 70 é o que o grupo. Aliás, a homogeneidade é um das características mais evidentes de “Ancient Arts of Survival”. Mas se destacam logo nas primeiras ouvidas as seguintes:

Tracking the Great Spirit: peso, técnica e refinamento são apresentados de forma extremamente envolvente, sempre com ótimas melodias. Mas os vocais estão excelentes (com boas variações de timbre), assim como trabalho do baixo.

Inner Vision: essa já tem, apesar do refinamento técnico, certo toque de Stoner Rock por conta da ambientação crua. Mas existem lindos momentos mais limpos e introspectivos que realmente embalam os ouvintes. E que guitarras fascinantes!

The Scout: é a que soa mais próxima dos anos 80, com alguns elementos do Power/Heavy Metal em alguns momentos, justamente por conta das conduções rítmicas (o que deixa claro que a bateria está ótima).

Prophecy of the Red Skies: é a primeira faixa mais longa do CD, passando dos 10 minutos de duração. Aqui, a banda mostra a fluidez da fusão do peso do Metal com a elegância do Rock Progressivo, com boa técnica e muita diversidade em termos de momentos (partes limpas e suaves contrastam com momentos mais sujos e pesados).

Distorted Reflection: com pouco mais de 1 minuto, esse Folk Rock suave e melódico embala o fã. É belíssima, justamente porque foca em vocais e seis cordas limpas.

Stalking Wolf: outra canção gigante em termos de duração, chegando quase aos 20 minutos. Mas a transição de momentos, mudanças de ritmo e ambientações (os momentos mais pesados tem certa aura intimista “noir” muito interessante), e ótima técnica mostra que eles tornam esse momento uma autêntica viagem “heavyssíva” de ótimo gosto.


Conclusão:

Rock Progressivo, Hard Rock, Classic Rock, Heavy Metal, não importa como chamem “Ancient Arts of Survival”. Importa que o SUNRUNNER mostra-se mais uma vez aquela banda que todos precisam conhecer, e o mais rápido possível!


Nota: 86,0/100,0


The Scout



Spotify

NECROFOBIA - Membership


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Silent Protest
2. Membership
3. Perpétua 136
4. Blindness
5. Rotten Brain
6. Real Fiction
7. Apatia Social
8. Cemetery of Oblivion
9. Circle of Trust
10. Devil’s Lap
11. Unused Rights
12. Worthless Lives
13. Guzzardi (bônus)


Banda:


Rômulo Felício - Vocais, Guitarra Base, Guitarra Solo em “Guzzardi”
Rodrigo Tarelho - Guitarra Solo
João Manechini - Baixo, Backing Vocals
André Faggion - Bateria


Ficha Técnica:

Rômulo Felício - Produção, Mixagem, Masterização
Necrofobia - Produção
Roger Gaulês - Arte (Capa)


Contatos:

Assessoria: http://roadie-metal.com/press/necrofobia/ (Roadie Metal Assessoria)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Basicamente, fazer Thrash Metal nos dias de hoje é lutar contra muitos fatores negativos, em especial a erosão que o gênero sofreu pela superexposição ocorrida nos últimos anos, em que o estilo teve um renascer. Mas é algo cíclico e que ocorre com todos os estilos de Metal: um tempo no underground, crescimento, alta, e decadência. É como se existisse uma forma de reciclagem que ocorre de forma subjetiva.

Mas existem aqueles que se negam a irem rumo ao silêncio sem fazer esforços para que suas contribuições musicais não passem sem serem notadas pelos fãs. Nisso, palmas para o quarteto NECROFOBIA, de Ribeirão preto (SP), que após longos 15 anos depois de “Dead Soul” (seu primeiro álbum, de 2004), retorna à carga com tudo em “Membership”.


Análise geral:

o Thrash Metal agressivo do grupo é uma mistura bem feita de elementos do passado (nomes como TESTAMENT, SLAYER e EXODUS são referências) com uma pegada mais moderna (alguns toques de “groove” à lá PANTERA e SEPULTURA da fase “Chaos A. D.”, e tempos quebrados que poderiam vir dos primeiros trabalhos do FEAR FACTORY), além da energia e personalidade do grupo. Óbvio que essa mistura não chega ao ineditismo, mas é bem pessoal deles.

Aliás, olhando em perspectiva, é preciso dizer que a evolução é clara em relação a “Dead Soul”, pois soa mais coerente, agressivo e moderno que antes, mas sem abrir mão de seu jeito de ser.


Arranjos/composições:

Outro ponto em que a evolução é sensível: a banda passou a ousar e usar todo seu potencial musical para criar arranjos fluidos, com toques personalizados em cada um deles. A dinâmica entre dos instrumentos entre si e a base instrumental e os vocais ficou ótima, as músicas soam espontâneas e cheias de energia.

O nível técnico é muito bom (mas sem ser exagerado), e ajuda a dar um “boost” no que já é bom.


Qualidade sonora:

O guitarrista base/vocalista Rômulo Felício é quem produziu, mixou e masterizou “Membership”, tudo feito no Under Studio. E o resultado ficou muito bom: uma sonoridade sólida, compacta, pesada e agressiva, com o devido toque de modernidade, mas sem soar distorcido ao ponto de embolar os instrumentos uns com os outros.

A ambientação “grooveada” e moderna é criada pelos timbres escolhidos para os instrumentos, que soam bem gordurosos, mas longe de serem incompreensíveis.


Arte gráfica/capa:

Capa e contracapa são partes de um painel, cuja arte é simples e direta, com uma mensagem bem clara. O encarte é do tipo pôster, com o painel da arte da capa inteiro, e do outro lado, as letras disponibilizadas em uma grafia personalizada em preto sob um fundo cinza bem claro. Um recurso bem usado, mas que sempre rende bons frutos.


Destaques musicais:

O disco em si possui 12 marretadas sonoras bem dadas, além de uma faixa-bônus (“Guzzardi”, lançada como Single em 2014, em uma homenagem ao falecido guitarrista Raphael Guzzardi). E se destacam nesse festival de agressividade e bom gosto:

Silent Protest: um típico Thrash Metal agressivo e gorduroso, cheio de boas passagens de tempo mais cadenciadas e ótimos arranjos rítmicos (a bateria está ótima, com momentos em dois bumbos bem colocados).

Membership: passagens Thrash rápidas e convencionais se alternam com momentos mais abrasivos, mas a energia chega a ser absurda. E que ótimo conjunto de riffs e solos de guitarra!

Perpétua 136: dizer que a mistura de Hardcore nova yorkino com Thrash Metal não seria ruim, inclusive pelo uso de corais fortes e backing vocals bem colocados. O ritmo é de primeira, e a coesão de baixo e bateria cria uma base rítmica sólida e bem trabalhada.

Rotten Brain: aqui surge com mais clareza a força mestiça dos Thrash Metal anos 90, mas sem que a essência abrasiva do grupo seja perdida. A energia é intensa, e os vocais ficaram muito bem.

Apatia Social: aqui surge o lado mais Crossover da banda. O alinhavo é Thrash Metal e tem a pegada mais bruta do grupo, com algumas passagens mais lentas, mas 70% lembra o Crossover brasileiro dos anos 80, especialmente pelos vocais.

Cemetery of Oblivion: mezzo Thrash Metal, mezzo Sludge e com muito groove, é a mais “modernosa” de todas, com passagens ganchudas que grudam nos ouvidos. Ótimos riffs mais uma vez.

Unused Rights: curta e grosssa (pouco mais de um minute), é um Thrash Metal intenso e com ritmo cadenciado, mas com toques de Crossover nova yorkino de primeira. E que energia!

“Guzzardi”: mesmo sendo uma canção bônus (que em geral é algo visto como sobra de estúdio), é uma pancada, cantada em português, com mudanças de ritmo (ora cadenciado, ora mais veloz) muito legais e um refrão muito bom,


Conclusão:

Se estabelecer-se uma comparação entre “Dead Soul” e “Membership”, o segundo representará um salto evolutivo enorme. Por isso, o NECROFOBIA merece aplausos, e é um dos nomes do estilo que merece aquela atenção de todos.

O uso é indicado a todos, e preparem-se para ver as caixas de som derretendo com a energia desse quarteto!


Nota: 88,0/100,0


Membership



Guzzardi



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segunda-feira, 3 de junho de 2019

COSMIC ROVER - Spitting Fire


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Our Tattoos
2. Yesterday Was Crazy
3. Cosmic Rover
4. Spitting Fire
5. Electrify
6. Bright Highway
7. Never Forget
8. Lessons in a Bottle
9. Mushroom Memories
10. Space Motherfucker


Banda:


Edson Graseffi - Bateria, Vocais
Rick Rocha - Guitarras
Rodrigo Felix - Baixo


Ficha Técnica:

Henrique Baboom - Produção, Mixagem, Masterização


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O Stoner Rock/Metal é um estilo que, apesar dos anos de uso, ainda tem um “appeal” bem forte. Basicamente, a crueza e o “groove” são elementos que atraem novos fãs ao gênero, muitas vezes cansados do incessante uso de tecnologias modernas para se fazer música.

Nisso, um dos nomes mais fortes do Brasil é o do trio COSMIC ROVER, que vem rugindo com força em seu primeiro álbum, “Spitting Fire”.


Análise geral:

A bem da verdade, é preciso dizer que o grupo não embarcou nessa por modismos ou em busca de exposição. Na realidade, nasceu de uma necessidade de se expressar de forma vinda de seus membros, todos músicos experientes no cenário Metal/Rock de SP. E por isso, sua música soa tão bem: dura, pesada e azeda até os ossos, mas temperada com melodias ótimas, além de cada refrão ser muito bem lapidado (sem que a banda perca sua espontaneidade).

E sim, “Spitting Fire” é uma cuspida de Stoner/Doom Rock direta no olho.


Arranjos/composições:

É preciso dizer que a marca mais evidente da música do trio é sua essência descompromissada, sua necessidade apenas de satisfazer a si mesma. Soa livre e solto, mas com arranjos bem feitos e muito dinamismo. Basicamente, ouvir o trabalho deles remete a nomes como C. O. C., MONSTER MAGNET, um pouco de SOUNDGARDEN (em seus momentos mais fortes e versáteis), e obviamente, BLACK SABBATH.

Mas não se enganem: existe uma forte personalidade mostrando as caras nas linhas melódicas do grupo. Baixo e bateria formam uma cozinha rítmica sólida e pesada, riffs de guitarra fortes e diretos (mas bem feitos), solos espontâneos e vocais ferozes é o que a banda oferece. E é bom prestarem a atenção, pois tudo é feito de maneira que não tem como resistir!

É bom que seja dito: algumas dessas canções já estavam presentes nos EPs da banda, “Cosmic Rover” e “Cosmic Sessions - Live at Casa da Vó Studio”.


Qualidade sonora:

Quem conhece o trabalho de Henrique Baboom em termos de produção, sabe que ele consegue extrair o melhor de cada banda. E aqui não foi diferente, pois usando de recursos modernos para gravar, mixar e masterizar “Spitting Fire”, o disco soa cru e orgânico, tanto que não existem bases de guitarra sob os solos, algo que revela uma gravação à lá “Black Sabbath”: todo mundo junto no estúdio, com seus instrumentos regulados, e “1, 2, 3 e vamos nós”.

Além disso, apesar de tudo soar com clareza, os timbres dos instrumentos, mesmo com peso e energia, soam orgânicos, sem muitas edições. Um recurso sábio, e que sempre funciona.


Arte gráfica/capa:

A arte da capa tem um jeito de tatuagem, ou seja, uma arte criada para estar na pele de alguém. Além disso, é uma declaração óbvia do jeito Stoner do trio, pois elementos lisérgicos e psicodélicos nela estão, mesmo com um “outfit” moderno.


Destaques musicais:

10 canções bem brutas e com aquela sujeira proposital do estilo do trio estão disponibilizadas. Todas são ótimas, mas para dar uma bela dor de ouvidos nos mais incautos, as melhores para as primeiras audições são:

Our Tattoos: linhas melódicas simples e uma “rifferama” à lá Tony Iommi impacta os ouvidos. É incrível como soa azedo, pesado e de bom gosto, especialmente por algumas melodias de fácil assimilação (explicitamente durante o refrão).

Yesterday Was Crazy: um apelo mais cru e direto surge nessa canção, soando mais melodiosa e com um roque de Rock ‘n’ Roll de raiz. Tanto que a bateria tem algumas conduções bem tribais no início, em um jeito próximo ao de Bill Ward.

Cosmic Rover: e eis que a banda começa a pegar mais pesado usando de andamentos mais lentos e carregados. Mas justamente esta forma mais lenta permite que baixo e bateria mostrem as caras em vários momentos, sem falar no ótimo conjunto de melodias e refrão.

Spitting Fire: outra que a presença de “groove” torna tudo ainda mais tentador e grudento. As linhas de baixo, evidenciadas durante o solo de guitarra, mostra como o instrumento é preciso e forte. E que refrão grudento!

Bright Highway: influências de Southern Rock começam a brotar das harmonias da canção, evidenciadas pelos ótimos riffs e  ambientação acessível 9e que belos backing vocals).

Lessons in a Bottle: esta possui andamentos medianos (nem rápidos, nem lentos) que dão uma ambientação mais digerível aos incautos e não iniciados. Belas parte de vocais, especialmente por estes timbres secos.

Space Motherfucker: um pouco mais dinâmica em termos de velocidade, fecha o disco com chave de ouro. Não chega a ser uma canção complexa, mas se percebe a boa técnica de baixo e guitarras nela.


Conclusão:

Enfim, o COSMIC ROVER vem para somar e conquistar, e sem dó dos ouvidos alheios. E uma simples audição em “Spitting Fire” vai fazer muito bem aos ouvidos e corações de todos, logo, ouça e se deixe ser cativado.


Nota: 92,0/100,0


Spotify

NOWRONG - Insurrection


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. An Offering to the Llama God (intro)
2. Sacrifice
3. In Your Face
4. Drapetomania
5. Tolerate and Destroy
6. The God of All Disgraces
7. The King
8. Defeat


Banda:


Dio MadLock - Vocais, Guitarras
Rafael Bread - Guitarras
John Wolf - Baixo
Leandro Oliveira - Bateria


Ficha Técnica:

Rafael Augusto Lopes - Produção, Gravação, Mixagem, Masterização
Raphael Armando - Arte da Capa


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://metalmedia.com.br/nowrong/ (Metal Media)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O Thrash Metal começa a dar sinais de cansaço em termos de expansão. É algo normal, que ocorre com frequência após um período de renascimento e evidência. Mas isso não significa que as bandas irão mudar de gênero musical por conta disso, mas algumas começam a evoluir e mostrar-se prontas para desafios novos.

E o quarteto NOWRONG, de Osasco (SP) se abriu à evolução, como é sensível aos ouvidos em seu segundo “full length”, o rasga-tímpanos que tem por título “Insurrection”.


Análise geral:

5 longos anos separam “Insurrection” de seu antecessor, o ótimo “Prognostic of a Great Disaster”. A grande diferença entre ambos: antes a banda era um grupo (ótimo) de Classic Thrash Metal; agora, é um grupo que soube adicionar influências melódicas do Metal tradicional no meio da estrutura agressiva de sua música. É uma mistura bem equilibrada, que ajudou a banda a ter a musicalidade mais encorpada, sem perder seu impacto.

Sim, eles evoluíram, mas sem perder sua identidade.


Arranjos/composições:

Quando se observa o “outfit” de sua música, parece que o grupo mudou pouco, mas as melodias são mais evidenciadas em cada refrão e nos solos de guitarra. A técnica melhorou bastante, bem como a estruturação rítmica está ótima (baixo e bateria estão em grande forma, bem melhores que no álbum anterior), mas sem deixar de soar pesado e sólido.

Mesmo certos toques de vertentes modernas surgem em alguns momentos (como certo “groove hardcorizado” em “In Your Face”, e mesmo toques regionais pontuais em “Drapetomania”). Tudo para que o NOWRONG mostrasse que está vivo e pronto mostrar as garras.


Qualidade sonora:

O conhecido produtor Rafael Augusto Lopes trabalhou na gravação, mixagem e masterização de “Insurrection”, criando uma sonoridade que fosse ao mesmo tempo agressiva e clara, permitindo que energia e melodia pudessem fluir em suas devidas doses.

A timbragem é bruta, com a sonoridade de cada instrumento sendo agressiva, mas moderna e bem definida. Não há do que reclamar, pois vai funcionar muito bem ao vivo.


Arte gráfica/capa:

O artista Raphael Armando fez uma capa bem legal, com elementos que remetem diretamente aos anos 80, devido ao visual mais simples, mas com uma mensagem evidente.


Destaques musicais:

O disco possui 7 canções (uma vez que “An Offering to the Llama God” é apenas uma introdução), e todas são ótimas. Mas como uma boa receita, doses homeopáticas das seguintes canções farão bem aos ouvidos e muito mal aos pescoços:

Sacrifice: a pancadaria começa em alto estilo. Uma canção sinuosa, cheia de um “approach” Thrash/Heavy Metal influenciado por TESTAMENT, mas com uma pegada mais atual. Ótimo refrão, bases e solos de guitarra de primeira.

In Your Face: o ritmo é ótimo e bem legal, novamente apelando para algo mais atual e moderno. Mas a energia é insana, e novamente um refrão de primeira (e que trabalho bem feito de baixo e bateria).

Drapetomania: alguns toques regionais ritmados lembram a fase “Chaos A.D.”, mas é uma faixa que transpira jeito Hardcore/Crossover descompromissado que embala o ouvinte. Os vocais estão muito legais, verdade seja dita.

Tolerate and Destroy: a faixa do lyric video de divulgação, e é interessante perceber as melodias de Metal tradicional permeando as guitarras em vários momentos, e sem destoar do peso agressivo do grupo.

The King: mostrando uma técnica não muito convencional ao Metal em alguns momentos, por ser uma faixa que transcende os 6 minutos de duração, é repleta de boas variações de ritmo.


Conclusão:

Desta forma, o NOWRONG mostra-se vivo e pronto para causar rachaduras das paredes com “Insurrection”, logo, sejam bem vindos de volta, e fiquem entre nós.

O Metal brasileiro agradece...

Ah, sim: “Insurrection” pode ser ouvido e adquirido nas principais plataformas digitais.



Nota: 88,0/100,0


Tolerate and Destroy





Deezer

sexta-feira, 31 de maio de 2019

OLDLANDS - Source of Eternal Darkness


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Prayers for Nothing
2. Rotten Nazarene
3. Field of Victory
4. I Just Want to Die
5. The Real Face of Penury
6. Obscuring My Thoughts
7. The Chosen One
8. Metal Maldito (Escaravelho do Diabo tribute)


Banda:


Vox Morbidus - Vocais, Guitarras, Baixo, Teclados, Bateria


Ficha Técnica:

Vox Morbidus - Produção, Mixagem, Masterização
Moisés Alves de Moraes - Arte da Capa
Profanuz Daiamon - Vocais em “I Want to Die”


Contatos:

Site Oficial:
Instagram:
Assessoria: https://www.sanguefrioproducoes.com/bandas/OLDLANDS/61 (Sangue Frio Produções)

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

O Black Metal é um estilo que possui uma característica interessante de ser observada: por mais que uma banda faça um trabalho voltado às origens do estilo, não soa datado. Ou seja, o Black Metal nunca perde seu “appeal”, seja nas formas mais novas ou mais antigas em que é feito.

E mais uma vez o OLDLANDS, uma “one man band” do Paraná, honra o passado com “Source of Eternal Darkness”, seu primeiro álbum, que chega para todos pela Sangue Frio Produções.


Análise geral:

Basta dizer que o trabalho que se ouve no disco é Old School Black Metal, ou seja, aquela forma bem artesanal e suja de se fazer o estilo, com momentos velozes e cortantes, outros mais lentos, e algumas partes puramente atmosféricas (ou seja, com instrumentos em tons limpos, mas soando de forma soturna). É quase um compêndio do que se encontra de melhor na SWOBM, mas com personalidade.

Um dos pontos fortes do CD é que ele tem uma forma de abordar o estilo que permite o uso de melodias sombrias, solos de guitarra vez por outra, além de boa diversidade técnica (sem exagerar nesse aspecto). Dessa forma, soa envolvente, sujo, mas bem feito. Um disco que fãs de ANCIENT antigo, OLD MAN’S CHILD da fase “Born of the Flickering”, entre outros.

E sim, é muito bom!


Arranjos/composições:

A alma do trabalho do OLDLANDS é a simplicidade. Nada é muito complicado, o que não significa que a capacidade de Vox Morbidus de criar riffs cortantes e ganchudos, bases rítmicas sólidas e coesas e arranjos de teclados sinistros seja primitiva. Longe disso, é justamente por ser tão simples que soa agradável aos ouvidos dos fãs.

Aliás, um aspecto bem forte do álbum é justamente a troca de ambientações, uma hora soando mais sinistro, outra mais agressivo e rápido, mas sempre com uma dinâmica ótima dos instrumentos entre si e com os vocais rasgados em timbres bem altos.


Qualidade sonora:

Embora seja suja e crua (justamente para reforçar a aura artesanal e mórbida de “Source of Eternal Darkness”), a qualidade sonora não é ruim ou decepcionante. Longe disso, essa sujeira e crueza fazem parte da música em si, e não poderia soar mais claro do que já é (embora todos os instrumentos estejam audíveis). É uma questão de estética artística, do “know-how” de todo um estilo.

Muito do charme do álbum vem da escolha dos timbres instrumentais bem próximos da velha escola. Algo que sempre surte um efeito de primeira em quem é fã de Black Metal.


Arte gráfica/capa:

Mais uma vez, a arte em si é simples, quase como um simples desenho em preto sobre um fundo branco, algo extremamente comum nos primeiros lançamentos do gênero nos anos 90. Até mesmo a diagramação do encarte não é rebuscada, e nem precisa ser.


Destaques musicais:

Não é difícil de um fã de Black Metal, ou mesmo de Metal extremo como um todo, gostar de “Source of Eternal Darkness”. Há um charme artesanal e sedutor no álbum inteiro, e embora todas as canções sejam ótimas, destacam-se:

Prayers for Nothing: sinistra e com uma crueza absurda, ela possui um início calmo e introspectivo, preparando o ouvinte para uma faixa com arranjos musicais simples, riffs diretos, mas com “appeal” que seduz, e isso sem falar que os vocais encaixaram perfeitamente no instrumental.

Rotten Nazarene: bruta e direta, é uma canção um pouco mais veloz e que vai lembrar a simplicidade maciça de discos como “Under the Sign of the Black Mark” e “Under a Funeral Moon”, mas sem ser uma imitação. E que refrão marcante!

I Just Want to Die: um momento mais atmosférico, com andamentos mais refreados e com ótimas conduções de ritmos na bateria (dois bumbos muito bem colocados), e justamente a contraposição de vocais que torna tudo ainda mais interessante.

The Real Face of Penury: uma pancadaria Old School de respeito, com bons solos de guitarra. Aliás, boas mudanças de ritmos simples não deixarão os fãs entediados.

The Chosen One: sabem aquela típica canção Black Metal onde transpiram as influências de Hardcore? Pois é, esta é uma delas, novamente usando de melodias gélidas e boa coleção de riffs cortantes até os ossos (sem mencionar um momento onde o baixo mostra suas garras).

Metal Maldito: sem abrir mão do contexto do disco, eis uma versão para uma canção do ESCARAVELHO DO DIABO, banda de MG, e que soa fria e crua, mas na mesma pegada do OLDLANDS.

Aliás, o disco vai dizer que só possui duas canções, mas são 8 ao todo (é necessário prestar atenção ao tempo).


Conclusão:

Eis que finalmente o OLDLANDS mostra sua face para todos, e “Source of Eternal Darkness” é o disco certo para aqueles que sentem saudades dos anos 90, ou os que gostam de algo mais “de raiz”.

No fundo, basta não ser preocupado com rótulos musicais e vai gostar do disco.


Nota: 90,0/100,0


Bandcamp