quinta-feira, 3 de maio de 2018

DIMMU BORGIR - Eonian



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Unveiling
2. Interdimensional Summit
3. ÆTheric
4. Council of Wolves and Snakes
5. The Empyrean Phoenix
6. Lightbringer
7. I Am Sovereign
8. Archaic Correspondence
9. Alpha Aeon Omega
10. Rite of Passage


Banda:


Shagrath - Vocais
Silenoz - Guitarra base
Galder - Guitarra solo


Ficha Técnica:

Dimmu Borgir - Produção
Jens Bogren - Engenharia,
Daray - Bateria
Gerlioz - Teclados
Gaute Storås - Arranjos de ópera e orquestrações
Schola Cantrum Choir - Corais
Francesco Ferrini - Orquestrações
Zbigniew Bielak - Artwork


Contatos:

Assessoria:

E-mail:

Texto: Marcos Garcia


Uma das coisas mais chatas de se ver quando falamos de lançamentos de discos de bandas consagradas são as comparações. Os fãs parecem esquecer que uma banda é composta de pessoas, e uma dinâmica de transformação sempre as guia em busca de novas conquistas e expressões musicais. Raras são as bandas que tendem ao continuísmo puro e simples. Mas existem aqueles que parecem nos desafiar com seus discos novos, de uma forma em que reações estilo “amo ou odeio” começam a surgir. E desde que despontaram para o sucesso, o DIMMU BORGIR sempre causa frisson em seus fãs (e longas reclamações e “mimimis” nas mídias sociais). Com “Eonian” (lançado por aqui pela parceria da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil) não seria diferente.

Para início de conversa, é preciso ter em mente que o grupo possui fases distintas: aquela mais atmosférica e focada em ambientações sombrias (que pode ser ouvida em “For All Tid” de 1995, e “Stormblåst” de 1996), o início do uso de maior agressividade aliada a teclados mais diversificados (em “Enthrone Darkness Triumphant” de 1997 e “Spiritual Black Dimensions” de 1999), a fase de grandiosidade técnica, agressividade ainda maior e orquestrações mais evidentes (que se ouve em “Puritanical Euphoric Misanthropia” de 2001, “Death Cult Armageddon” de 2003, e “In Sorte Diaboli” de 2007), e o início de um trabalho mais esmerado no uso de orquestra e corais operísticos (em “Abrahadabra”, de 2010). Com uma diversidade musical tão grande, é preciso ter em mente que o trio pode lançar mão de muitas possibilidades. Em “Eonian”, oito anos desde seu último álbum de músicas inéditas, o DIMMU BORGIR rebusca a simplicidade técnica da era de “Enthrone Darkness Triumphant” e “Spiritual Black Dimensions”, mas com o mesmo “approach” sinfônico de “Abrahadabra”, só que mais espontâneo e menos mecânico que este (o que nos leva a questionar se as confusões na banda naqueles tempos não influíram nisso).

Ou seja: o trio está de volta em grande estilo, doa a quem doer.

Desta vez, a banda buscou a ajuda de Jens Bogren para a engenharia de som, visando uma sonoridade mais orgânica, e acertaram: o que se ouve em “Eonian” é algo realmente limpo e bem cuidado, mas pesado, denso e com aquela ambientação mezzo sinfônica, mezzo soturna, e com uma escolha de timbres ótima. Tudo está em seu devido lugar, soando pesado e agressivo, mas com as melodias da banda bem evidentes.

E diferentemente do que fazem há um tempo, o trio preferiu uma arte gráfica mais simples, com apenas duas cores, e que foi feita por Zbigniew Bielak. O desenho é ótimo, verdade seja dita, mas esta aproximação um pouco mais simples, provavelmente, deve ser para que os fãs fiquem com as atenções todas voltadas apenas ao mais importante: a música.

E em termos musicais, muito já se viu de “mimimi” desde que a banda lançou as primeiras músicas de divulgação de “Eonian”. No fundo, creio que muitas palavras e poucas audições causaram uma ilusão em massa, pois o disco inteiro é muito bom. O DIMMU BORGIR soube se renovar, e ao mesmo tempo, expandir fronteiras em termo de criatividade e arranjos. E mais uma vez, o grupo levou sua criatividade e capacidade de criar arranjos musicais a extremo, mesmo nessa singela simplicidade em termos de linhas melódicas.

Todas as músicas são excelentes, e vale destacar algumas como referência nas primeiras audições.

A força melódica soturna e simples de “Interdimensional Summit” com seus corais e vocais bem encaixados (esta é o primeiro Single do disco, e mostra um belo contraste entre o suave e o extremo), o sabor suave e denso que possui “ÆTheric” (com arranjos mais simples, mas mostrando um excelente trabalho de guitarras), as passagens sinistras das harmonias bem estruturadas de “Council of Wolves and Snakes”, o toque atmosférico que se percebe em “Lightbringer” (boas variações rítmicas, e um trabalho muito bom na bateria), o mix inteligente de partes orquestrais e corais sinistros de “I Am Sovereign”, o feeling opressivo dos tempos de “Archaic Correspondence” (onde um pouco da velha agressividade do grupo surge de forma mais evidente), e a ótima “Alpha Aeon Omega” (que possui estruturação harmônica que lembra demais os tempos de “Enthrone Darkness Triumphant”, mas usando do alinhavo orquestral e sinfônico de hoje em dia).

Se me perguntarem se os 8 anos valeram a pena, direi que “Eonian” está bem acima das expectativas, e vem para firmar de vez o DIMMU BORGIR como um dos grandes nomes do Metal mundial (já que eles transcenderam as barreiras do Black Metal há anos). Mas se vocês querem ficar reclamando da banda e comparando-os a outros grupos, sinceramente, creio que você deveria ir ouvir MPB ou similares...

P.S.: o disco sai agora, dia 4 de Maio, logo, deve estar nas lojas em breve.

Nota: 100%



COSMIC ROVER - Cosmic Rover



Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. Never Forget
2. Space Motherfucker
3. Cosmic Rover
4. Bright Highway


Banda:


Edson Graseffi - Vocais, bateria
Rick Rocha - Guitarras
Rodrigo Felix - Baixo


Ficha Técnica:

Henrique Baboom - Produção


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:

E-mail:


Texto: Marcos Garcia

  
Um estilo que anda bem em evidência no cenário é o Stoner Rock/Metal.

Todos os dias, bandas e mais bandas nessa mesma pegada referenciando grupos do passado surgem, algumas com trabalhos ótimos, outros nem tanto. E no Brasil, poucos andam fazendo o estilo, e além disso, quando uma banda por aqui coloca a mão em qualquer gênero, sempre mostra algo diferente do original. Se devido à exposição atual a coisa anda ficando desgastada lá fora, grupos como o COSMIC ROVER, trio de SP, ajudam a dar um gás novo. O primeiro EP do grupo, “Cosmic Rover”, é uma mostra clara disso.

Nas fileiras do trio estão músicos bem experientes. Rick Rocha já tocou no LABORATORI, enquanto o baixista Rodrigo Félix é conhecido na noite paulista. Na bateria, Edson Graseffi, do PANZER, que mostra seus dons vocais no trio pela primeira vez. E unidos, o grupo destila um Stoner Rock/Metal pesado, denso e cheio de groove, mas com influências de Space Rock e mesmo SOuthern Rock. Mas o que diferencia o grupo dos similares gringos que infestam o cenário é sua maior fluência melódica, não soando tão “duro” como eles. Pelo contrário, o COSMIC ROVER é bem azeitado, possui um suingue todo próprio, soando solto, vivo e cheio de energia. E a selvageria Stoner não tem fim!

Na sonoridade, o trio conseguiu um mix interessante de algo claro e bem feito em termos estéticos, com o peso e som orgânico tão essencial do gênero, mais uma diferença deles para seus pares de estilo. Tudo é claro e inteligível no EP, fugindo um pouco do padrão, embora exista um evidente clima “ao vivo” na gravação (não existem guitarras base durante os solos, dando uma impressão de gravação em “one take”). E isso é bom.

Soando vivo e com pegada, o trabalho do COSMIC ROVER vem para dar um gás novo, e justamente pela experiência de seus componentes o som deles é mais redondo aos ouvidos, e longe do “mais do mesmo” enjoativo que empesteia o gênero. Muito de C.O.C. e DOWN, e algo de SOUNDGARDEN e MONSTER MAGNET podem ser detectados, mas sem que o grupo soe sem identidade. Pelo contrário, isso se percebe claramente em suas composições.

Em “Never Forget”, uma pegada mais pesada e densa, com guitarras de primeira e um andamento mais arrastado de primeira. Um pouco mais agitada e mostrando influências melódicas do Rock clássico é “Space Motherfucker”, mais reta, direta e cheia de energia, com bons vocais (esses tons roucos pegaram muito bem). Rebuscando o azedume dos anos 70, “Cosmic Rover” é uma clássica canção de Stoner Rock, que mostra riffs sinuosos e melodias mais simples (e com ótima técnica na bateria). Já em “Bright Highway”, toda fluência e peso do groove setentista se evidenciam, algo mais suingado e denso, com boa noção melódica.

“Cosmic Rover” será liberado para audição nos próximos dias, logo, aproveitem para ouvir o quanto o COSMIC ROVER tem para dar ao cenário nacional.


Nota: 88%

segunda-feira, 30 de abril de 2018

ANTIPOPE - Denial/Survival


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Waters Below
2. Flat Circle
3. Denial / Survival
4. Der Sadist
5. Hunt
6. True Anarchist
7. Mindlessness Meditation
8. An Unconditional Ritual to Summon the Prince of Darkness
9. Tragic Vision
10. Resolution


Banda:


Mikko Myllykangas - Vocais, baixo, guitarras
Antti J. Karjalainen - Guitarras
Tuska E. - Bateria


Ficha Técnica:

Juhani Rikberg - Mixagem, masterização
Tiina Kaakkuriniemi - Arte da capa


Contatos:

Assessoria:


Texto: Marcos Garcia


Hoje em dia, os rótulos musicais limitam e podem até mesmo nos dar uma visão distorcida do que uma banda pode estar criando musicalmente. E é triste ver um fã perdendo oportunidades porque se prende a definições e rótulos. Muitas coisas boas acabam ficando ocultas no underground por isso, em plena época em que um clique basta para que conheçamos todo um novo universo musical. E lhes digo: o trio finlandês ANTIPOPE tem muito a oferecer, como o quinto disco deles, “Denial/Survival”, lançado por aqui pela Heavy Metal Rock, nos mostra.

Sendo o quinto disco do grupo, se percebe que temos uma banda madura e que nos brinda com um Progressive Death/Black Metal bem eclético (cheio de influências de Thrash Metal, Groove Metal e Industrial aqui e ali), cheio de passagens mais introspectivas, outras horas usam de uma aproximação mais agressiva, mas sempre mantendo um ótimo nível de criatividade. Há muitas viagens transcendentais que se chocam com partes mais agressivas e que beiram o Djent. Parece estranho, mas é isso que encontramos no caos musical criativo do trio. E verdade seja dita: o trabalho deles é uma surpresa e tanto, e é muito bom!

A produção musical ficou muito boa. A mixagem e masterização de Juhani Rikberg deram uma vida única ao trabalho deles, balancear de forma mais que satisfatória o peso, melodias e agressividade de “Denial/Survival”. E sem que a clareza seja perdida em momento algum. E a arte de Tiina Kaakkuriniemi nos dá uma visão mais subjetiva, mas que se encaixa perfeitamente no que eles criam musicalmente.

“Caos” é uma palavra boa para definir o quão criativo o ANTIPOPE é, capaz de gerar arranjos musicais de primeira. Além do mais, a banda sabe contrastar bem passagens mais sutis e melodiosas com outras em que a agressividade é a tônica. Mas isso tudo faz com que “Denial/Survival” seja um disco difícil de muitos simplistas digerirem. O melhor é a prova do ouvido: ouçam, façam a digestão, e duvido que não irão gostar.

Em 10 canções (todas elas excelentes), o grupo nos conquista aos poucos. Vejam as influências Post Rock/Space Rock que permeiam a agressividade explícita de “Waters Below” (que belos arranjos de guitarras), as belas melodias de “Flat Circle” e o contraste dos timbres dos vocais, a experimentação brutal e opressiva de “Denial/Survival” (reparem mais uma vez como os vocais exploram bastante uma enorme diversidade de timbres), a técnica sóbria e passagens etéreas criativas de “Hunt”, a agressividade moldada com efeitos de “True Anarchist” (alguns elementos Post Rock dão as caras, e reparem bem como baixo e bateria estão muito bem), mesmos elementos da introspecção experimental que permeia “Mindlessness Meditation”, e os teclados grandiosos que rebuscam uma ambientação Black Metal de “An Unconditional Ritual to Summon the Prince of Darkness” são ótimos momentos de um disco excelente.

Um ótimo disco, que realmente mexe com as concepções de muitos, logo, deixe que o ANTIPOPE o guie por um mundo de idéias ainda bem inexplorado com “Denial/Survival”.


Nota: 96 %

HAVOK666 - Sodomized by Divine Order


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Intro                      
2. Not Enslaved                   
3. Scars of the Imposed Law                     
4. Apostasy of Disciple of Messiah            
5. Dethroned and Slain Pope                     
6. Legion of Satanic Statements                
7. Christian Church Thrives on Hypocrisy                     
8. Sodomized by Divine Order                  
9. Praise the Empty Christ


Banda:


Andre Brutaller - Guitarras, vocais, baixo
Felipe Wrecker - Bateria


Ficha Técnica:

Havok - Produção
Sebastian Carsin - Mixagem, masterização
Alcides Burn - Capa, artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria:


Texto: Marcos Garcia


Uma das piores concepções que muitos podem ter é que estilos extremos não possuem musicalidade, ou mesmo noções harmônicas. Pelo contrário: no meio de tanta agressividade e brutalidade, sem isso, a música soa oca e sem propósito. E digamos de passagem: nesse ponto, o Brasil está bem servido, pois como se faz Metal extremo de qualidade por aqui. E o HAVOK666 (antigo HAVOK), dupla de Salto (SP) mostra que pesar a mão é com eles mesmos. O segundo álbum deles, “Sodomized by Divine Order”, já nasceu com pedigree Death Metal!

No disco, se percebe o mais puro e opressor Brutal Death Metal que se possa pensar. Mas cuidado, pois por trás dessas concepções musicais estão mentes pensantes. Por trás de tana agressividade e peso, se percebe uma preocupação estética em criar algo diferenciado. Óbvio que os elementos comuns do estilo estão presentes, mas todos sob um alinhavo técnico muito bom, com boas mudanças de ritmo e uma técnica musical ótima. E o bom gosto faz de “Sodomized by Divine Order” um disco obrigatório para fãs de Metal extremo em geral!

Tamanha brutalidade necessita de uma produção musical bem feita. E o dueto deixou nas mãos do conhecido produtor Sebastian Carsin. Óbvio que a agressividade e crueza do Brutal Death Metal estão evidenciadas, bem como os elementos instrumentais necessários. Mas a estética limpa e a escolha sábia dos timbres ajudou a banda a ganhar peso e às canções se mostram cheias de energia e vigor, além de um poder destruidor de ouvidos de primeira. E Alcides Burn, um dos grandes artistas gráficos do Brasil, deu aquela valorizada na arte, evocando o espírito da mensagem da banda.

Se há uma coisa que se pode garantir é que o HAVOK666 sabe o que quer de sua música, e é capaz de gerar arranjos musicais que corroborem com a massa sonora que eles criam. Só que a inteligência na hora de compor é evidenciada em boas passagens em que a base rítmica mostra técnica refinada. Assim, fica claro que “barulho” é uma concepção errônea de muitos ao lidar com o dueto.

Musicalmente, “Sodomized by Divine Order” tem muito a oferecer, e muito a ensinar a quem pensa que gravação podre ou músicas mal feitas são sinônimo de Brutal Death Metal. Aqui é uma aula, logo, lições como ouvidas na explosiva e bem trabalhada “Not Enslaved” (riffs diretos, e os urros guturais entremeados de gritos agonizantes são de primeira), na simplicidade mais direta e bem feita de “Scars of the Imposed Law” (mas reparem em uns detalhes bem feitos das guitarras), na artilharia de riffs intensos apresentada em “Dethroned and Slain Pope” (o trabalho de baixo e bateria está fantástico), no trabalho técnico extremo de “Legion of Satanic Statements”, e na diversidade rítmica apresentada em “Sodomized by Divine Order” esta é para quem pensa que velocidade elevada é tudo, uma lição de partes cadenciadas brutais e com belos vocais guturais).

Lição dada, logo, aprendam com quem sabe, e vejam como o HAVOK666 tem a oferecer. E “Sodomized by Divine Order” é para marcar os fãs e destroçar ouvidos!

Nota: 85 %

WARSHIPPER - Black Sun


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Nemesis (Intro)
2. Glowworm Dragon
3. Cry of Nowhere
4. Black Sun (Part I, II & III)
5. Rebirth     
6. Abandoment
7. Descending - Genesis & Ontogenesis
8. Deathblast Overhead (Intro)
9. M.E. 262   
10. Delusions of Grandeur


Banda:


Renan Roveran - Guitarras, vocais
Rafael Oliveira - Guitarras
Rodolfo Nekathor - Baixo
Roger Costa - Bateria


Ficha Técnica:

Warshipper - Produção
Rafael Augusto Lopes - Produção, mixagem, masterização, engenharia de som
Alcides Burn - Capa, artwork


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: http://wargodspress.net/site/  (Wargods Press)


Texto: Marcos Garcia


Uma das maiores vantagens de se escrever resenhas de discos é a possibilidade de encontrarmos novos nomes muito bons. Há 2,3 anos, este autor teve a oportunidade de conhecer e resenhar o EP “Worshippers of Doom”, do quarteto WARSHIPPER, de Sorocaba (SP). Na época, o trabalho deles deu uma impressão ótima. Agora, em 2018, tenho a oportunidade de resenhar “Black Sun”, o primeiro full length da banda, que foi lançado por um agrupamento de selos.

As perguntas a serem respondidas: como eles estão agora, e se o disco é bom.

A primeira resposta é simples: os anos ajudaram a banda a ajustarem sua musicalidade, e o Death Metal bruto e com um alinho melodioso que eles tocam está sólido. Agora, a música ganhou um pouco mais de agressividade e impacto, mas sem abrirem mão da sobriedade. Ou seja, continuam o mesmo estilo, apenas mais evoluído. E para responder a segunda questão, é simples: “Black Sun” é um verdadeiro festival de riffs ganchudos, base rítmica sólida e técnica, e vocais urrados de primeira!

Traduzindo: é excelente!

Em termos de produção, digamos de passagem: gravar, mixar e masterizar discos de Death Metal não é lá muito simples. Mas o grupo juntou forças com Rafael Augusto Lopes, e o resultado ficou muito bom, com uma timbragem muito boa e que não permite que a agressividade do grupo fique confusa (a limpeza é muito grande, verdade seja dita). Além disso, Alcides Burn criou com uma arte primorosa e que encaixa como uma luva no trabalho musical deles (e foge um pouco do simplismo que já conhecemos de outras experiências).

O WARSHIPPER vem mostrar em “Black Sun” que é um dos nomes mais fortes no cenário, fugindo do “mais do mesmo” que já cansamos de ouvir por aqui, e ousam criar algo deles, sem medo de opiniões radicais ou modelos já pré-estabelecidos. Aliás, o disco soa vivo, cheio de energia e bem pessoal. E existem passagens que grudam nos ouvidos e não se esquece mais (como se ouve em “Cry of Nowhere”), justamente pelos toques melodiosos.

Por mim, diria apenas “ouçam o disco todo”, pois não vejo como destacar uma canção ou outra. O nível é bem homogêneo em termos de qualidade. Mas para uma mera referência ao leitor, indico a expressividade veloz de “Glowworm Dragon” (que trampo de baixo e bateria, com boa técnica e muito peso), a essência bruta cheia de toques melodiosos de “Cry of Nowhere” (reparem bem no trabalho de guitarras, nos solos e bases), a longa e cheia de momentos interessantes “Black Sun (Part I, II & III)” (sim, ela possui 3 partes distintas, e cada uma delas é um delírio em termos de musicalidade, com passagens mais cadenciadas fantásticas), o esmagamento opressivo feito pelas partes mais lentas de “Rebirth” e de “Abandoment”, a atmosfera densa e terrorosa de “Descending - Genesis & Ontogenesis” (diminuem a velocidade dos andamentos e ficam ainda mais brutos que muitas bandas, e que duetos melodiosos das guitarras), e alguns momentos com elementos de Thrash Metal ouvidos em “Delusions of Grandeur”. Isso é disco para se ouvir dias e dias a fio, sem cansar!

Se o WARSHIPPER continuar com essa mesma pegada, ninguém os segura no Brasil. E sim, “Black Sun” vem para estar entre os melhores discos de 2018 com certeza.


Nota: 93 %

BARRIL DE PÓLVORA - Barril de Pólvora


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Nacional


Tracklist:

1. O Som do Trovão
2. Muito Papel pra Pouca Solução
3. Inércia
4. Tocando no Inferno
5. Loucuras, Sonhos e Delírios
6. Blues da Saudade
7. Barril de Pólvora
8. Tempestade


Banda:


Flávio Drager - Vocais
Emerson Martins - Guitarras
Saulo Santos - Baixo
Alexis Bomfim - Bateria


Ficha Técnica:

Rodrigo Garcia - Produção
André Cabelo - Mixagem, masterização
Gath Comunicativa - Capa
Vinícius de Souza - Arte, design


Contatos:

Assessoria: http://www.braunamusicpress.com (Brauna Music Press - Comunicação Musical)


Texto: Marcos Garcia


Existem bandas que vivem de passado, remixando os velhos clichês e indo a lugar nenhum. Sinto muito, mas ser “Old School” é algo que está além das meras palavras, e ainda mais além do que se dizer da Velha Guarda. Ser da Velha Guarda é ter vivido o tempo certo. Óbvio que isso não significa que você não pode fazer algo mais voltado aos velhos tempos, mas é bom tomar cuidado para não ser um clone musicalmente vazio (ou seja, sem nada a oferecer de si mesmo). Mas quando bandas como o BARRIL DE PÓLVORA, quarteto de Belo Horizonte (MG), cima de pôr a mão na massa, é melhor se prepararem. E “Barril de Pólvora”, primeiro disco da banda, é uma aula de como ser “à moda antiga” sem soar clichê.

O som deles nos remete ao Metal/Rock da primeira metade dos anos 80, onde rótulos e regras pouco importavam. Era fazer música e pronto, e se percebe que o grupo busca suas influências musicais em nomes como JIMI HENDRIX, AC/DC, BLACK SABBATH, JUDAS PRIEST, UFO, RAUL SEIXAS, CELSO BLUES BOY, SECOS E MOLHADOS, O TERÇO, entre outros. E mesmo assim, a identidade do grupo pulsa vigorosa, transformando a audição do disco em algo extremamente agradável aos ouvidos e ao coração. É muita energia crua permeando as ótimas melodias desse quarteto sólido e espontâneo.

Isso é ser à moda antiga de verdade, e com pedigree!

A produção sonora de “Barril de Pólvora” busca ser bem orgânica e crua, como os antigos registros, mas sem negar que estamos no presente. Ou seja, tem aquele som mais cru e simples do passado (o velho “plug and play”), mas com aquele alinhavo moderno e claro. E que fusão mais bem feita, digamos de passagem!

E mesmo simples, a arte e design do encarte são muito legais!

Pesado e espontâneo, Old School e cheio de energia, o BARRIL DE PÓLVORA faz um trabalho excelente. A energia é assombrosa, os arranjos musicais são de primeira, e tudo em uma embalagem espontânea. E cantando em português, vai lembrar muitos fãs da era em que gigantes como SAGRADO INFERNO, STRESS, ÁGUA BRAVA, MORTALHA, VÊNUS e outros faziam a alegria dos fãs aos sábados à noite, após uma semana estressante de estudos.

O disco inteiro é muito bom, mas a energia crua de canções como “O Som do Trovão” (muito peso e ótimas linhas melódicas), a força densa do andamento mais pesado e cadenciado de “Muito Papel pra Pouca Solução”, o jeitão Bluesy de “Inércia” (reparem nos andamentos bem conduzidos por baixo e bateria), a ferocidade extremamente divertida de “Tocando no Inferno”, o peso sedutor de “Loucuras, Sonhos e Delírios”, e a selvageria espontânea e politicamente consciente de “Barril de Pólvora” são os destaques em um disco que é essencial para todo bom fã de Metal/Rock à moda antiga.

Discão para ser ouvido após o dia estressante na sexta-feira, para se libertar de tudo!


Nota: 90%


ANGEL'S FIRE - O Conto



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. O Conto
2. Anjo de Luz
3. Sacrifício
4. Guardião
5. Além do Horizonte
6. Meu Desejo
7. Novo Reino
8. Pensamentos em uma Linda Noite
9. Tonight
10. Angel’s Fire
11. Meu Desejo (playback)


Banda:


Priscila Lira - Vocais
Israel Lira - Guitarras
Italo Liano - Teclados
Saymo Roberto - Baixo
Andre Lima - Bateria


Ficha Técnica:

Nenel Lucena - Produção, vocais adicionais em “Meu Desejo” e “Angel’s Fire”


Contatos:

Site Oficial:
Assessoria: https://www.facebook.com/LexMetalisAA/ (Lex Metalis Assessoria e Agenciamento)


Texto: Marcos Garcia


De uns anos para cá, o Meta sinfônico tem dado uma caída em termos de popularidade. Este autor se arroga o direito de fazer tal afirmativa baseado no número cada vez menor de bandas dedicadas ao estilo. Mas isso, por outro lado, é bom, já que o desgaste pelo uso cede um pouco. E o quinteto pernambucano ANGEL’S FIRE, de Recife, faz bonito demais em seu primeiro álbum, “O Conto”.

Belas orquestrações, vocal feminino afinado e melodioso (e que timbres legais), ótimo trabalho das guitarras tanto nos riffs quanto nos solos (em uma época em que este recurso tem se tornado cada vez menos utilizado), solidez coesa de baixo e bateria, teclados fazendo orquestrações vibrantes, tudo em seus devidos lugares e nas melhores proporções possíveis. Ótimas melodias, boa dose de energia e um trabalho fascinante, que nos seduz, embora não seja algo realmente novo. Mas garanto: é ouvir e gostar.

Em termos de produção, a sonoridade está muito boa, e diferentemente dos grandes nomes do estilo, o quinteto optou por algo mais cru em termos de guitarras e baixo, tornando tudo mais pesado. Mas não se preocupem: as melodias estão intactas, bem como o alinhavo etéreo dos teclados está ótimo. Tudo nos devidos lugares, e em bom nível. E a arte da capa é muito bonita.

Um trabalho muito bem feito em termos de arranjos é o que o grupo nos traz em “O Conto”. Existe muito de NIGHTWISH, EPICA e outros nomes permeando o trabalho do quinteto, mas sem que o ANGEL’S FIRE seja uma cópia destes. É bem maduro, mesmo sendo o primeiro disco deles, e digamos de passagem: como eles sabem criar melodias de fácil assimilação por nossos sentidos. E mesmo cantando em português, a dicção e métrica não são afetadas.

Basicamente, o grupo nos brinda com 9 canções ótimas, mas se destacam as melodias elegantes de “Anjo de Luz” (que lindos teclados e vocais), a pegada mais pesada e densa das guitarras em  “Sacrifício”, a técnica mais bem trabalhada de baixo e bateria em “Além do Horizonte” (que refrão maravilhoso), as nuances atmosféricas criadas pelos teclados em “Meu Desejo” e no Power Metal sinfônico de “Novo Reino”, a beleza sutil e introspectiva de “Pensamentos em uma Linda Noite” (como essa moça canta bem), e a pegada aveludada e pesada de “Angel’s Fire” (uma das duas únicas canções cantadas em inglês do disco). Mas lembrando: “O Conto” funciona como um todo, logo, melhor que ouçam todas as canções.

Antes de encerrar, gostaria de ser bem claro: a banda sofreu certa resistência por parte de alguns veículos por terem temática cristã. Óbvio que todos possuem direito de se expressar como bem entenderem, por isso, o Heavy Metal Thunder não compactua com pensamentos radicais. O mais importante é a música, e isso, o ANGEL’S FIRE tem mais que muito grupo capirotesco por aí.

Tem tudo para ser considerado como uma das revelações de 2018.


Nota: 87%