sexta-feira, 22 de março de 2019

OVERKILL - The Wings of War


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Last Man Standing
2. Believe in the Fight
3. Head of a Pin
4. Bat Shit Crazy
5. Distortion
6. A Mother’s Prayer
7. Welcome to the Garden State
8. Where Few Dare to Walk
9. Out On the Road-Kill
10. Hole in My Soul
11. In Ashes (bônus)


Banda:


Bobby “Blitz” Ellsworth - Vocais
Dave Linsk - Guitarra solo
Derek “The Skull” Tailer - Guitarra base, backing vocals
D. D. Verni - Baixo, backing vocals
Jason Bittner - Bateria


Ficha Técnica:

Chris "Zeuss" Harris - Mixagem, masterização
Andy Sneap - Mixagem, masterização de “In Ashes”
Travis Smith - Artwork, Layout
Ron Lipnicki - Bateria em “In Ashes”


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Ao lidar com o Metal e suas características sociais e midiáticas, é preciso entender que nem sempre a objetividade é uma boa forma de ver o mundo. Um claro exemplo é o conceito de Big 4 do Thrash Metal. Em tese, seriam as 4 bandas com os melhores trabalhos no gênero. Tal ideia é leviana, pois existem bandas que não chegaram a vender 500000 cópias de um mesmo álbum (ou seja, atingir a marca de disco de ouro pela Recording Industry Association of America, ou RIAA), mas fizeram discos fantásticos.

Só que existem aqueles veteranos que, mesmo com muito tempo de estrada, resolvem arregaçar as mangas e os ouvidos alheios. Nesse time está o a gangue do OVERKILL, grupo de Nova York que está vivendo um excelente momento criativo em sua carreira. E “The Wings of War”, seu mais recente disco (que chega em versão nacional colaboração da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil) é a prova disso.


Análise geral: A bem da verdade, o grupo mostra o mesmo Thrash Metal vigoroso e mal encarado que acostumaram os fãs nesses quase 40 anos de atividade. Aliás, ainda mostram a mesma agressividade herdada do Punk Rock e Hardcore, e a mesma filosofia sonora que os levou a receberem a alcunha de “MOTÖRHEAD do Thrash Metal”: uma pancadaria sem fim, mas sempre extremamente bem feita, e sendo a sequência natural que o grupo estabeleceu em seu estilo de “The Electric Age” para cá (embora este disco venha com músicas mais marcantes). E mesmo com a troca de baterista ocorrida em 2017 (quando Ron Lipnick deu lugar ao destruidor Jason Bittner), não perderam força, mas pelo contrário: o poder de fogo deles parece que aumentou ainda mais!

Basicamente, é como se o disco disse a cada momento “vai encara?” ao ouvinte.


Arranjos/composições: Há tempos o quinteto anda com a inspiração alta, e não é pecado algum dizer que este é o quarto disco perfeito deles em seguida. Sim, pois “The Wings of War” soa bem acabado, ganchudo e empolgante em cada uma de suas canções.

OVERKILL
Bobby “Blitz” Ellsworth continua cantando com agressividade ímpar e mostrando ótima diversidade de tons de voz (esse cara teve mesmo problemas de câncer e ataque epilético?); a dupla de guitarristas formada por Dave Linsk e Derek “The Skull” Tailer se supera a cada disco em termos de “rifferama” e solos, criando uma barreira sonora incrível e empolgante; e a os criados pelo experiente D. D. Verni (baixista e um dos fundadores do grupo) e o novato Jason Bittner (bateria) é de um peso cavalar, bem como com boa técnica mostrada nas mudanças de ritmo.

Banda inspirada + boa técnica musical é a equação certa para se criar um disco de quebrar ossos!


Qualidade sonora: De nada adiantaria tanta inspiração musical se a produção sonora não tivesse feito um ótimo trabalho. O quinteto fez a produção, tendo na mixagem e masterização as mãos de Chris "Zeuss" Harris, que trouxe uma aura moderna e bruta para a música do grupo, mas sem descaracterizá-la de forma alguma. Além disso, tudo soa claro e bem definido, além da excelente escolha de timbres instrumentais.


Arte gráfica/capa: Mais uma vez, o quinteto não usou uma arte extremamente rebuscada, mas que ao mesmo tempo, não é simplista. Ficou bem feita, e assim, o trabalho de Travis Smith permite que a atenção dos ouvintes fique toda focada na música.


Destaques musicais: Não existem melhores momentos em um disco que é todo feito de excelentes canções. O OVERKILL mais uma vez acertou o alvo, criando um “set” de 10 canções de tirar lágrimas dos olhos (seja pela emoção ou pela agressão).

“Last Man Standing”: o disco já abre com uma tijolada bem dada diretamente nos tímpanos. Veloz, agressiva e com ótimas melodias que ficam escondidas sobre essa colcha de riffs ótimos e vocais excelentes. Não é à toa que é o primeiro “lyric video” de divulgação.

“Believe in the Fight”: uma virada de bateria marcante dá início à pancadaria, que segue tempos não tão velozes, e a canção permeada de melodias subjetivas (que refrão, e como baixo e bateria estão bem).

“Head of a Pin”: a típica canção mais cadenciada do grupo, onde as melodias e influências “sabbathícas” afloram. E mais um refrão ótimo!

“Bat Shit Crazy”: um típico Thrash Metal/Crossover de Nova York, embora com alguns momentos mais introspectivos que relembrarão os primeiros discos do grupo. Riffs e solos de guitarra fazem bonito!

“Distortion”: com uma introdução limpa e aterradora, logo vira outro massacre com tempos que transitam entre o não tão veloz e o cadenciado, criando uma ambientação de horror.

“A Mother’s Prayer”: a essência do Thrash Metal de Nova York pulsa nessa canção, tendo aquela clara influência do Hardcore local. Outro refrão de primeira, boas melodias e vocais ferozes.

“Welcome to the Garden State”: E eis a canção do primeiro vídeo clipe de divulgação. Mais uma vez as influências de Hardcore de sua cidade natal e do Crossover ficam evidentes. Aliás, baixo e bateria estão muito bem, criando uma base rítmica sólida e com seus momentos técnicos, além dos backing vocals serem bem encaixados.

“Where Few Dare to Walk”: aquele típico Thrashão cadenciado e grudento, que leva o ouvinte a balançar a cabeça sem nem mesmo notar. Mais uma vez, baixo e bateria mostram sua técnica, além dos vocais mostrarem alguns timbres mais limpos aqui e ali.

“Out On the Road-Kill”: A típica canção que vai causar dor nos ossos nos shows. Começa com alguns ritmos quebrados, antes de ganhar um andamento veloz, e mais uma vez rebuscando o som do passado. Novamente, baixo e bateria dão uma aula.

“Hole in My Soul”: tempos velozes se alternam com partes opressivas, além da adição de melodias excelentes (especialmente no refrão marcante). Talvez já esteja apontando para algo diferente mais adiante.

A faixa bônus “In Ashes” destoa um pouco pela gravação (mixagem e masterização de Andy Sneap), soando quase como um cover por conta da ênfase mais melódica, mas é mais uma ótima canção, a cereja do bolo nessa versão nacional.


Conclusão: Ainda mal encarados e mantendo a mentalidade de gangue dos becos de Nova York, o OVERKILL merece que exista (e tem vaga cativa) o Big 5 do Thrash Metal dos EUA, e veio para colocar “The Wings of War” entre os 10 melhores discos do ano!

Vai encarar?

Nota: +100%


Last Man Standing



Head of a Pin



Welcome to the Garden State



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terça-feira, 19 de março de 2019

STAY TUNED - Stay Tuned


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Jazz Police (c/ Mark King, Ian Paice, Steve Morse, Suzi Quatro)
2. Fading Away (c/ Ian Gillan, Dan McCafferty, Mark King)
3. Let the Stars Shine On You (c/ Steve Lukather)
4. Traffic Night (c/ Don Airey, Steve Morse, Carl Sentance)
5. I Don’t Believe That Rock ‘n’ Roll is Out
6. Empathy (c/ Jeff Scott Soto)
7. Yound Free and Deadly
8. It’s Just a Long Way (c/ Carl Sentance)
9. Always Behind You (c/ Mark King)
10. Believe Me (c/ Roger Glover)
11. Secret Land (c/ Don Airey, Carl Sentance)
12. Wanna Give You My Lovin’
13. Drum Jam (Live 2002) (c/ Ian Paice)
14. Child in Time (Live 2009) (c/ Jon Lord)


Banda:
Bernhard Welz - Bateria, outros instrumentos


Ficha Técnica:

Bernhard Welz - Produção


Contatos:

Instagram:
Assessoria:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Em geral, projetos musicais visam trazer à tona as influências de um ou vários músicos envolvidos na empreitada. E alguns deles surgem com a vocação para algo nobre. E juntando música de excelente nível com um toque de amor ao próximo, eis que vemos surgir “Stay Tuned”, disco do STAY TUNED ALLSTARS, projeto encabeçado pelo baterista Bernhard Welz (que toca outros instrumentos também), e que oferece uma chance de ajudar a instituição Linda McCartney Foundraising Centre.


Análise geral: Óbvio que um projeto musical se torna atraente pelos nomes envolvidos. O fato é que Bernhard trouxe alguns de seus amigos ilustres, integrantes de bandas como LEVEL 42, TOTO, GENESIS, NAZARETH e GOTTHARD, e alguns que já passaram por BLACK SABBATH, RAINBOW e outros tantos.

Com nomes de estilos tão variados juntos, o resultado só poderia ser um Classic Rock/Hard Rock bem aos moldes dos anos 70, com momentos em que influências bem fortes de Rock Progressivo vão se aglutinando. Óbvio que esse “insight” mais eclético pode incomodar alguns puritanos pós-anos 80, mas a verdade é que tudo que “Stay Tuned” oferece é uma viagem musical maravilhosa, e que de forma alguma soa datada.


Arranjos/composições: É fato que uma turma dessas não poderia gerar algo ruim. Nada em “Stay Tuned” soa excessivo, mesmo em seus momentos mais Progressivamente viajantes (só a instrumental “Jazz Police” é a prova pictórica de tal fato). Tudo soa bem espontâneo e cheio de uma energia vibrante e envolvente, com melodias trabalhadas (mas não difíceis de serem assimiladas pelo ouvinte).

Trocando em miúdos: é excelente!


Fonte: http://www.bernhard-welz.com
Qualidade sonora: O próprio Bernhard cuidou da produção do disco, e a sonoridade visa soar espontânea, clara e com sua dose correta de sujeira (se não fosse assim, não seria um disco de Rock ‘n’ Roll). Timbres escolhidos de forma que soem naturais e que nenhum instrumento venha a se destacar acima dos outros, é como se fosse uma “jam” em estúdio, mas com tudo muito bem regulado.


Arte gráfica/capa: A arte não é algo super-rebuscado, buscando um “feeling” bem anos 70, na época em que a música importava mais que o visual. E está muito bom do jeito que é, sem muitas delongas.


Destaques musicais: A primeira sensação sobre esta parte é “vocês devem estar brincando”, pois não existem partes em “Stay Tuned” que poderiam ser deixadas de lado. Tudo soa homogêneo, de alto nível, e vai cativar o ouvinte de formas diferentes a cada nova audição. Por mero preciosismo, nas primeiras ouvidas, indicam-se:

“Jazz Police”: uma instrumental onde Jazz, Progressivo e rock misturados de uma vez só, com muitos “slaps” no baixo e mudanças de ritmo. O trabalho das guitarras é belíssimo em termos de solos, sem mencionar os teclados (também, com Mark King, Ian Paice, Steve Morse e Suzi Quatro de uma vez só, não poderia ser diferente).

“Fading Away”: o ritmo ameno se aproxima do Classic Rock do final dos anos 60 com certo toque de Pop Rock. Mas a beleza imposta pelas melodias e contrastes vocais de Ian Gillan, Mark King e Dan McCafferty é absurda.

“Let the Stars Shine On You”: mais uma canção com forte jeito de final dos anos 70, com uma estética de balada, mas muito bem arranjada. Algo que lembrará os ouvintes os trabalhos do TOTO (algo que fica evidente pela participação de Steve Lukather).

“Traffic Night”: um rockão bem arranjado, mas com um conjunto de melodias acessíveis excelente. Don Airey, Steve Morse, e o vocalista Carl Sentance (que já passou por KROKUS e hoje é do NAZARETH) fazem as honras.

“Empathy”: agora o trabalho ganha contrastes mais voltados ao Heavy/Hard Rock dos anos 80, com uma enorme presença das guitarras. Mas os vocais de Jeff Scott Soto sempre fazem a diferença.

“Yound Free And Deadly”: e mais uma em que o peso vai nos trazer mais para o Heavy/Hard Rock dos anos 80, embora nesta a presença dos teclados seja mais evidenciada. É basicamente um Hardão como se o EUROPE dos anos 80 fosse um pouco mais agressivo.

“Believe Me”: intimista é com um toque de classe, o refrão soa mais pesado e grudento. Basicamente, é o encontro do melhor do Hard Rock da segunda metade dos anos 70 com a estética do Pop Rock daqueles dias. E o veterano Roger Glover resolve dar uma canja.

“Wanna Give You My Lovin’”: um Rock duro e acessível, com um alinhavo Pop deliciosamente grudento.

Encerrando, duas ao vivo: “Drum Jam” ao vivo em 2002, onde Bernhard divide espaço com Ian Paice (e que nada mais é que uma “jam" curte de bateria, que dura pouco mais de 1 minuto); e uma versão linda para o eterno clássico “Child in Time”, gravada ao vivo em 2009 com a participação do saudoso Jon Lord.


Conclusão: Pouco é necessário ser dito sobre “Stay Tuned” após a primeira audição. Ouça, aprecie e se divirta, pois não há como não se divertir e amar este disco!


Nota: 100%


Fading Away



Traffic Night



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sexta-feira, 15 de março de 2019

METAL CHURCH - Damned If You Do


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Damned If You Do
2. The Black Things
3. By the Numbers
4. Revolution Underway
5. Guillotine
6. Rot Away
7. Into the Fold
8. Monkey Finger
9. Out of Balance
10. The War Electric


Banda:


Mike Howe - Vocais 
Kurdt Vanderhoof - Guitarras, mellotron
Rick Van Zandt - Guitarra solo 
Steve Unger - Baixo, backing vocals
Stet Howland - Bateria


Ficha Técnica:

Kurdt Vanderhoof - Engenharia, produção 
Jean Michel - Artwork


Contatos:

Assessoria: 
E-mail: 

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: Durante a primeira metade dos anos 80, o cenário Metal norte-americano foi sendo finalmente sedimentado. As influências do Metal europeu (especialmente as bandas dos anos 70 como JUDAS PRIEST e MOTÖRHEAD, e alguma coisinha da NWOBHM), fundidas ao Hard Rock clássico e mesmo à valorização da técnica e do “approach” melodioso tão natural dos EUA resultaram em uma invasão de bandas de diferentes estados e com trabalhos musicais personalizados.

Nisso, se consolidou o que se define como US Metal, ou seja, o jeito americano de se fazer Heavy Metal tradicional. E esta escola possui muitos representantes ilustres, entre eles o quinteto de Washington METAL CHURCH, um dos responsáveis pela modernização do Heavy Metal tradicional (embora poucos creditem isso a eles), que devido à formação consolidada (mesmo com as troca de baterista que ocorreu ano passado) está vivendo uma fase incrível em termos de criatividade. Que o diga “Damned If You Do”, novo disco do quinteto recém lançado no Brasil pela Shinigami Records, inclusive com o uso de um obi.


Análise geral: É fato que o quinteto continua fazendo o mesmo Heavy Metal vigoroso dos anos 80, com ótimos refrães, e estruturado de maneira bem cuidada. O que para muitos pode parecer estagnação, para quem os conhece sabe o quanto esse “Heavy Metal preachers” são capazes de criar passagens incríveis sem mexer em sua personalidade.

Basicamente, “Damned If You Do” é uma amostra clara do que é US Metal, sem tirar ou pôr algo, e ao mesmo tempo em que avança para o futuro de cabeça erguida, se percebe que tem muito dos clássicos “Blessing in Disguise” (1989) e “The Human Factor” (1991).


Arranjos/composições: Aliás, nesse disco, tudo vai muito bem.

A banda inteira mostra um trabalho técnico de ótimo nível (sem exagerar e tornar tudo maçante), com dinamismo fluido em termos de melodias e arranjos, e cada canção foi montada com sabedoria para bater nos ouvidos e marcar o fã.

E é bom ser dito uma coisa: nada nesse disco soa repetitivo, chato ou vai fazer o ouvinte bocejar durante seus pouco mais de 45 minutos de duração.


METAL CHURCH
Qualidade sonora: Mais uma vez, o guitarrista/fundador Kurdt fez a produção de um disco da banda. Tudo para manter o equilíbrio entre peso, limpeza e agressividade sonora em alto nível. E mostrando que ele sabe o que faz, mais uma vez o encontro entre a modernidade e o clássico em termos de sonoridade é o resultado, o que realmente encaixa na proposta musical do quinteto.


Arte gráfica/capa: ironia é pouco para definir o ótimo trabalho de Jean Michel, que inclusive transparece bem o tema pesado da faixa-título. E a arte do encarte ficou muito boa, mantendo uma diagramação simples. E a versão brasileira ainda tem um obi, ou seja, aquele papel lateral que tem informações do disco, que são muito comuns no mercado japonês.


Destaques musicais: Quando se fala nesse quinteto tão experiente, é preciso entender que a injustiça de não terem sido gigantes nos anos 80 não lhes tira seus méritos ou a capacidade de criarem canções marcantes e de alto nível, e talvez o METAL CHURCH seja um dos melhores nomes do cenário norte-americano. E se destacam as seguintes canções:

“Damned If You Do”: uma canção com uma ambientação bem agressiva e mesmo soturna, com um trabalho de peso de baixo e bateria, sem mencionar o refrão que não desgruda dos ouvidos.

“The Black Things”: novamente, o grupo tem um jeito mais soturno em alguns momentos, com crescendos ótimos no refrão. E isso mostra a versatilidade dos vocais, que estão excelentes no disco inteiro.

“By the Numbers”: é incrível ver essa energia, essa pegada juvenil em uma banda tão experiente. Ótimo equilíbrio entre as linhas melódicas e a força agressiva das guitarras nos riffs.

“Revolution Underway”: aqui surge o lado mais influenciado pelas melodias do Hard Rock clássico, algo típico dos anos 80. Só que o jeito em que eles arranjaram a canção permite que a canção soe atual, cheia de vida e com vocais excelentes mais uma vez.

“Guillotine”: desta vez, eles foram buscar um jeito mais voltado à época de “The Dark”, onde melodias do Metal tradicional são mixadas com uma agressividade moderna quase thrashy, Mais um ótimo refrão, e que belas mudanças de ritmo!

“Rot Away”: mais uma em que linhas melódicas se misturam à agressividade sonora sem destoar. O ritmo não tão veloz permite que tanto os vocais mostrem mais um ótimo trabalho, se encaixando muito bem na colcha instrumental.

“Into the Fold”: esta parece ir buscar lá na primeira metade dos anos 80 a energia e elegância típicas de quando o rótulo Power Metal era usado para definir o que o cenário norte-americano produzia. Boas variações harmônicas e mais um refrão grudento.

“Monkey Finger”: então, surge a influência do Metal germânico (à lá ACCEPT) no trabalho do grupo por conta dos tempos mais lentos e backing vocals que culminam em um refrão muito legal.

“Out of Balance”: se o leitor sabe o que significa “ter um andamento que empolga”, vai entender essa canção e assimilá-la sem problema algum. Melodias mais simples e ótimas conduções de baixo e bateria são os pontos fortes.

“The War Electric”: Encerramento com níveis de adrenalina altíssimos. Uma pancadaria que também é mais simples, onde os vocais estão ótimos, mas sem desmerecer o trabalho de peso de baixo e bateria.


Conclusão: O METAL CHURCH continua forte e vigoroso, lançando mais um disco que merece aplausos. Sim, “Damned If You Do” é um daqueles discos que merecem ser ouvidos no “repeat”, pois os "Heavy Metal Preachers" estão com todo gás!

Mais um para o Top10 de muitos ao final do ano.

Nota: 100%


Damned If You Do



By the Numbers



Out of Balance



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quinta-feira, 14 de março de 2019

DEE SNIDER - Sick Mutha F**ckers: Live in the USA


Ano: 2019 
Tipo: Full Length 
Nacional 


Tracklist: 

1. What You Don’t Know (Sure Can Hurt You) 
2. The Kids Are Back 
3. Stay Hungry 
4. Destroyer 
5. I Am (I’m Me) 
6. You Can’t Stop Rock ‘N’ Roll 
7. Medley: Come Out and Play, The Pack, I Believe in Rock ‘N’ Roll, Be Chrool To Your Scuel 
8. We’re Gonna Make It 
9. I Wanna Rock 
10. Wake Up (The Sleeping Giant) 
11. Burn in Hell 
12. Shoot ‘Em Down 
13. Under the Blade 
14. We’re Not Gonna Take It 
15. The Price 
16. S.M.F. 


Banda: 


Dee Snider - Vocais 
Spike - Guitarras, backing vocals 
Keith Alexander - Guitarra base, backing vocals 
Derek “The “Skull” Tailer - Baixo, backing vocals 
Charlie Mills - Bateria, backing vocals 


Ficha Técnica: 

Denny McNerney - Engenharia, Mixagem 
Dave “Iron Road” Marfield - Arte, layout 


Contatos: 

Site Oficial: http://www.deesnider.com/ 
Assessoria: coallier@aol.com (Coallier Entertainment) 
E-mail: 


Texto: “Metal Mark” Garcia



Análise geral: É estranho como, nos tempos atuais, muitos discos ao vivo que andaram escondidos por anos, começam a aparecer (ou reaparecer, no caso de relançamentos). Nos últimos anos, isso se tornou já fato, mas ainda bem que é assim, pois grandes trabalhos que merecem aplausos, enfim, chegam aos fãs.

E a Shinigami Records nos trouxe mais um desses discos ao vivo preciosos, que é “Sick Mutha F**ckers: Live in the USA”, disco ao vivo de DEE SNIDER gravado em 1995 e lançado em 1996, que originalmente se chamava “Twisted Forever - SMF’s Live”. Sim, estamos diante de um relançamento, com uma nova arte, e dessa vez, disponível para todos.

Antes de tudo, é preciso explicar que, na época, Dee havia encerrado as atividades do WIDOWMAKER, e resolveu sair em uma turnê pelos EUA tocando apenas clássicos do TWISTED SISTER, inclusive com a participação do finado A. J. Pero em alguns shows (não nesse especificamente). Sim, isso mesmo: só clássicos do TWISTED SISTER, e com performances brilhantes.


“Aovivabilidade”: Bem, quem conhece Dee Snider há anos sabe que altos níveis de energia são a marca registrada de seus shows, seja com qual banda for.

A verdade é que “Sick Mutha F**ckers: Live in the USA” mostra o mesmo “feeling” ao vivo, sem muitas edições digitais, apenas uma captação, engenharia e mixagem que não vieram para potencializar o som, apenas para mostrar o que ocorreu.

Ou seja, é um disco ao vivo 100% ao vivo!


Qualidade sonora: Justamente pela captação e mixagem terem sido feitas de forma que o conteúdo musical soe o mais próximo possível do que o grupo mostrou no show. A sonoridade é autêntica, inclusive com a participação do público bem óbvia aos ouvidos.


Arte gráfica/capa: Neste “remake” do disco original, temos capa nova, arte nova, e tudo em um formato Digipak muito bonito, evidenciando a figura icônica de Dee Snider.

Setlist: Ah, não é possível... Perguntar ou comentar esse setlist seria algo leviano para qualquer fã de Metal que conheça o trabalho do finado TWISTED SISTER. Aliás, que se diga de passagem: Dee sempre foi uma força criativa enorme no quinteto, e a banda que o acompanhava levou a sério tocar estas músicas o mais próximo possível do original (reparem no som de guitarra mais seco no início de “What You Don’t Know (Sure Can Hurt You)” para ter uma ideia clara desse aspecto).

O que é admissível falar desse setlist: faltaram alguns clássicos, mas isso teria que transformar o show de mais de uma hora (1:13:13, sendo mais exato) teria que virar um show de 3 horas! E lembrando que nem mesmo “Stay Hungry Live” ou “Live At Wacken - The Reunion” possuem um show tão longo quanto o que é apresentado em Sick Mutha F**ckers: Live in the USA.

Aliás, pode-se dizer que as canções escolhidas são o suprassumo do que o finado TWISTED SISTER gravou em seus 5 discos (até mesmo do tão criticado “Love is for the Suckers” existe material presente, no caso, “Wake Up (The Sleeping Giant)”). 

O disco já começa com uma trinca clássica de peso: “What You Don’t Know (Sure Can Hurt You)” (a energia deve explodir os medidores de volume, já que além de Dee estar ótimo, o público recebe a banda gritando efusivamente), “The Kids Are Back” (um Hard ‘n’ Roll pesado e empolgante) e “Stay Hungry” (veloz e cheia de energia, que ao vivo soa ainda mais poderosa que em estúdio, é aquela mistura do peso do Heavy Metal com as melodias e refrão grudento do Hard/Glam). Após um discurso cheio de palavrões, como costumeiro de Dee Snider (e que já lhe causou problemas legais nos anos 80), vem o peso cadenciado e bruto de “Destroyer” (baixo e bateria estão perfeitos). Para equilibrar as coisas, vem a acessível e empolgante “I Am (I’m Me)” e a clássica “You Can’t Stop Rock ‘N’ Roll” (um hino à rebeldia recheado de guitarras excelentes). Para economizar tempo de show, em seguida tem-se um medley de canções de “Come Out and Play”, com trechos da faixa-título, de “Leader of the Pack” (um cover do THE SHANGRI-LAS, e que no disco é chamada simplesmente de “The Pack”), “I Believe in Rock ‘N’ Roll”, e a engraçadinha “Be Chrool To Your Scuel” (um divertido Rock básico à lá anos 50, que aqui ficou mais seco, sem os instrumentos de sopro da versão original de estúdio). Agora, a pancadaria entra em cena com o peso empolgante de “We’re Gonna Make It” e da famigerada “I Wanna Rock” (uma das mais icônicas canções do TS de todos os tempos). Recebida com aplausos, “Wake Up (The Sleeping Giant)” é uma pancada pesada à lá AC/DC, com um refrão de primeira e uma energia enorme. Mais um hino do grupo vem em seguida, a pesada e densa “Burn in Hell” (cheia de boas mudanças de ritmo), e na sequência, a acessível e grudenta “Shoot ‘Em Down”. Depois desse momento de diversão, vem a dobradinha que o PMRC perseguiu nos anos 80: a vibrante e polêmica “Under the Blade” (que guitarras!), e o maior clássico do grupo, “We’re Not Gonna Take It” (essa inclusive foi listada no “Filthy Fifteen” do PMRC), onde o público participa bastante. Para dar um “break”, temos a semi-balada “The Price”, e fechando, o tributo aos fãs em “S.M.F.” (que era o nome do fã-clube do TS nos anos 80), uma tijolada bem agressiva e com uma energia toda própria (outra que fica mais explosiva ao vivo que na versão de estúdio).

Pode parecer uma análise de um disco do TWISTED SISTER, mesmo com a menção de fatos da carreira do grupo, mas não seria Dee o herdeiro de todo esse legado, uma vez que os companheiros da formação clássica parecem estar sem planos de trabalharem com banda tão cedo? Tirem suas próprias conclusões.


Conclusão: No mais, “Sick Mutha F**ckers: Live in the USA” é um senhor disco ao vivo que mostra o quanto DEE SNIDER esteve ativo enquanto seus companheiros no TWISTED SISTER estiveram mais quietos nos anos 90. E merece aplausos!

Nota: 98%


We’re Not Gonna Take It



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terça-feira, 12 de março de 2019

CHROME DIVISION - One Last Ride…



Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:


1. Return from the Wastelands
2. So Fragile 
3. Walk Away in Shame
4. Back in Town
5. You Are Dead to Me
6. The Call
7. I’m on Fire Tonight
8. Staying Until the End
9. This One is Wild
10. One Last Ride
11. We Drink
12. Towards the Unknown
13. Esta Noche Va a Quemar


Banda:


Eddie Guz - Vocais
Shagrath - Guitarras, baixo, backing vocals
Damage Karlsen - Guitarra solo, baixo, backing vocals
Tony White - Bateria, percussão


Ficha Técnica:

Chrome Division - Produção
Hugo Alvarstein - Mixagem, masterização
Miss Selia - Vocais em “Walk Away in Shame” e “This One is Wild”
Tony Midi - Arte da capa
Marcelo Vasco - Artwork, layout


Contatos:

Site Oficial:
Facebook: https://www.facebook.com/chromedivision
Instagram: https://www.instagram.com/chromedivision/
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia



Introdução: Algumas bandas entendem quando se chega ao fim de sua existência, é melhor mesmo pendurar as chuteiras e manter a dignidade. E em um sentido oposto a tantos gigantes que andam caducando pelos anos de atividade e atual falta de criatividade, os ases do CHROME DIVISION resolveram cessar as atividades, lançando seu último álbum, “One Last Ride...”, que a parceria entre a Shinigami Records e Nuclear Blast Brasil tornou mais acessível para os fãs brasileiros.

Mas a que viria o agora quarteto em seu derradeiro “Full Length”?


Análise geral: É fato que não se poderia esperar outra coisa que não fosse o bom e velho Rock ‘n’ Roll sujo, denso e melodioso de sempre, apenas com um “insight” mais limpo (algo que já vinha acontecendo de forma gradual desde “3rd Round Knockout”). A surpresa é que para fechar o ciclo, o vocalista original do grupo, Eddie Guz, retornou, trazendo aquele jeito rasgado de cantar que impressionou a todos nos primeiros discos do grupo.

A verdade é que “One Last Ride...” é a continuidade do que a banda já vinha fazendo, mas sempre com alta qualidade. E sim, é uma maneira de fechar o ciclo em alto nível!


Arranjos/composições: Não esperem algo diferente de um misto entre AC/DC e MOTÖRHEAD personalizado, cheio de arranjos de muito bom gosto, uma chuva de refrães grudentos e fáceis de cantar com o grupo. Nada que já não tenham feito em todos os seus discos anteriores, apenas guiados por um senso de melodia mais apurado, não tão selvagem como no início.

Tecnicamente falando, eles não fazem nada que seja rebuscado ou pedante, pois nem é o foco do disco. Aqui, é energia para colocar os medidores de volume do aparelho de som nos níveis mais altos o tempo todo. Aliás, o disco foi gravado sem um baixista, já que Shagrath e Damage Karlsen se alternaram nas partes das quatro cordas.


Qualidade sonora: A produção é do próprio quarteto, tendo as mãos de Hugo Alvarstein na mixagem e masterização. O mais incrível é que a sonoridade de “One Last Ride...” é bem definida e limpa, permitindo que as melodias soem claras aos ouvidos, mas aquela dose de sujeira essencial para eles vem dos tons instrumentais (que nem estão tão carregados como no passado).


CHROME DIVISION
Arte gráfica/capa: A capa é de Tony Midi, trabalhada em preto, branco e cinza de uma forma bem direta, mostrando o conteúdo explicitamente descompromissado da música. Agora, sempre quando a arte de Marcelo Vasco aparece (encarte e layout), é certeza de algo muito bom, mesmo estando meio diferente de seu estilo usual (aliás, nesse jeitão mais simples, ficou ótimo e versátil).


Destaques musicais: A verdade é que esses quatro “die hard bikers” do Rock ‘n’ Roll mostram sua energia ácida e divertida em alto nível, e ainda continuam crus e pesados. E nas 13 canções que destilam em “One Last Ride...”, se destacam:

“So Fragile”: é um dos hits do disco. Mesmo com seu jeito direto e espontâneo, mostra alguns refinamentos como duetos de guitarras. E que refrão grudento!

“Walk Away in Shame”: um torpedo em tempo mediano, recheado de ótimos riffs e uma técnica musical sóbria. Vocais e backing vocals excelentes, além de uma sinuosidade opressiva (e que belos vocais femininos da convidada Miss Selia, uma cantora Pop).

“Back in Town”: um pouco do feeling cru e espontâneo dos tempos de “Doomsday Rock ‘n Roll” surge nessa canção. Ótimos solos de guitarra à lá “Fast” Eddie Clarke, e as linhas melódicas grudam nos ouvidos e não saem mais.

“I’m on Fire Tonight”: nos riffs iniciais, sente-se uma aura Rock setentista quase que subjetiva, antes do quebra-pau intenso e ríspido, aquele jeitão agridoce que as melodias do grupo trazem sempre. E que peso na base baixo-bateria!

“Staying Until the End”: um típico Heavy Rock cheio de testosterona, com um ritmo entre o veloz e o cadenciado bem empolgante. O refrão marcante é uma marca da banda, e uma energia crua fluindo das guitarras que vai levar os fãs à loucura.

“This One is Wild”: uma das canções mais acessíveis do disco, com melodias mais simples e próximas do Rock ‘n’ Roll clássico. É daquelas que se ouve e não é possível ficar parado, e que vocais!

“One Last Ride”: mais uma em que a pancadaria Hard ‘n’ Roll raivoso e nocivo aos ouvidos mais puritanos. Novamente refrão com backing vocals de primeira e duetos de guitarra muito bons.

“We Drink”: mais uma vez o grupo referencia a si mesmo, pois esta adrenalina Rock ‘n’ Roll crua e empolgante lembrará o ouvinte dos tempos de “Doomsday Rock ‘n Roll” e “Booze, Broads and Beelzebub”. Impossível não se empolgar com o refrão.

Mas é preciso dizer que “Esta Noche Va a Quemar” (uma versão cantada em espanhol de “I’m on Fire Tonight”) é excelente como a original, e é também um tributo do grupo aos fãs da América do Sul.


Conclusão: Mesmo não estando no mesmo patamar dos clássicos “Doomsday Rock ‘n Roll” e “Booze, Broads and Beelzebub”, “One Last Ride...” é um disco e tanto, mas uma despedida que deixará em muitos aquela sensação de “quero mais”.

Esperemos que eles mudem de ideia um dia, mas até lá, deixaram uma discografia ótima para todos.


Nota: 92%


Walk Away in Shame



I’m on Fire Tonight



One Last Ride



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