A Tunísia é um país localizado
ao norte do continente africano, e historicamente falando, sua maior referência
foram as Guerras Púnicas, onde o Império Romano travou uma longa guerra a
Cartago, o que levou à destruição completa da cidade. Além disso, tem uma longa
história colonial, até se tornar independente em 1956.
Mas o que é interessante é
ver uma banda como o MYRATH surgir
naquelas paragens, e com um nível musical tão elevado. “Shehili” é uma autêntica
obra de arte em termos de Metal.
Análise geral:
Tentar rotular o trabalho do
grupo não é muito simples.
Imaginem uma mistura dos
melhores elementos do Prog Metal do DREAM
THEATER (mas não tão eclético) com as melodias orientais do ORPHANED LAND e algo de modernidade, e
mesmo alguns toques épicos. Pois é, o grupo realmente mostra uma identidade
única, bem como sua forma de fazer música mistura técnica, peso, ótimas
melodias (algumas bem simples de serem assimiladas), refrães marcantes, enfim,
tudo na medida certa.
Não é à toa que são a
primeira banda tunisiana a assinar com um selo.
Arranjos/composições:
Como dito acima, não seria
nenhum pecado rotular a banda como “Oriental Prog Metal”, embora não lhes faria
toda justiça. E como “Shehili” é o quinto disco do grupo,
tudo soa maduro e em seu lugar, com arranjos instrumentais que se encaixam como
um complexo quebra-cabeça, mas sem que soe extremamente técnico ou cansativo.
Além do mais, se percebe que
a técnica instrumental tem um propósito, uma motivação, não é uma exibição de
egos. Desta forma, a música da banda soa bem esmerada, mas com forte apelo
melódico aos ouvidos.
E é de uma beleza ímpar!
Qualidade sonora:
O trabalho de gravar, mixar
e masterizar“Shehili” não foi simples, pois teve partes gravadas na
Tunísia, na Alemanha e na França. E assim, vários profissionais estão
envolvidos nessas etapas, embora a produção seja de Kévin Codfert (tecladista do ADAGIO).
Apesar disso, o disco soa consensual, forte e pesado, mas sempre com uma
clareza instrumental enorme.
A modernidade que permeia a
música do grupo vem da timbragem instrumental, especialmente das guitarras. Mas
tudo foi burilado de forma a não soar embolado, e isso levando em consideração
que o disco é cheio de instrumentos musicais que não convencionais do Metal
(como violinos, violas, e mesmo clarinetes).
Traduzindo: é de alto nível!
MYRATH ao vivo
Arte gráfica/capa:
Paul Thureau
é quem fez a capa de “Shehili”. Apesar dos contrastes de
cores bem simples (preto, branco e tons de azul), é algo exótico, bem feito e
que encaixa em todo conceito musical da banda.
Destaques musicais:
A bem da verdade, pode-se se
dizer que “Shehili” brilha por sua música bem trabalhada, mas que é fácil
de gostar, especialmente porque a banda evita canções extremamente longas,
preferindo ficar sempre transitando entre 3 e 4 minutos de duração.
Das 12 canções, se destacam:
“Born
to Survive” (que se inicia com um ritmo oriental interessante, antes de
mostrar sua vocação Prog Metal, com ótimas melodias e um refrão que gruda nos
ouvidos), as melodias sinuosas e densas de “You’ve Lost Yourself” (os teclados
providenciam uma colcha sonora ótimas para as partes rítmicas do grupo, que são
ótimas, e outro super-refrão surge nessa canção), o ritmo que mistura melodias
orientais com elementos Progs modernos de “Wicked Dice”(ótimos vocais, verdade seja dita, com ótimo conjunto de timbres),
a sedução melodiosa e tenra do refrão de “Monster in My Closet” (reparem nos
violinos presentes e ótimas guitarras), o Prog Metal oriental e cheio de
sutilezas de “Lili Twil” (algumas partes com elementos “noir” de Jazz surgem
vez por outra, evidenciando baixo e bateria), as melodias mais simples e
pegajosas de “No Holding Back” (os elementos percussivos orientais casaram
muito bem com os teclados e violas), a beleza introspectiva de “Stardust”,
e a grandiosidade Prog/Oriental de “Shehili” são as melhores, mas este
disco é ótimo de ponta a ponta.
Conclusão:
Eis que pode estar nascendo
uma lenda no Metal, uma vez que o MYRATH
tem tudo para agradar os fãs mais exigentes. E se necessário, “Shehili”
é o passaporte para vôos mais altos.
Ah, sim: a versão nacional, lançada pela Shinigami Records, pode ser adquirida seja seja em Digipack, seja em Jewelcase.
Seria possível conceituar o que
é Funeral Doom Death Metal?
Basicamente, os andamentos
mais lentos que as formas tradicionais de Doom Metal (ou Doom Death Metal),
fazendo assim com que o ritmo seja bem lúgubre (daí o termo “Funeral”), mas
toda a instrumentação precisar criar uma ambientação sinistra e angustiante.
Basicamente, é extrapolar algumas características originais do Doom Metal
clássico.
Dessa forma, podemos encarar
o trabalho do DOOM:VS, banda do
multi instrumentista sueco Johan Ericson
como Funeral Doom Death Metal, como “Earthless”, terceiro disco do
grupo, está aqui para provar. E o melhor de tudo: a Cold Art Industry Records resolveu, 5 anos após o lançamento
original, botar uma versão nacional no mercado.
Análise geral:
A verdade seja dita: Johan faz de “Earthless” um disco e
tanto para o gênero, onde se percebe a criatividade sendo desprendida nos
arranjos de cada uma das longas canções do grupo.
Os fãs que gostam da fase
mais seminal do MY DYING BRIDE
(especialmente os que gostam de canções como “The Sexuality of Bereavement”
e outros hinos lentos e com vocais urrados) não podem perder esse disco, pois “Earthless”
é nessa linha, embora mostre que o DOOM:VS
tem sua personalidade própria.
Arranjos/composições:
Para ter andamentos tão
lentos e músicas desse tamanho, é necessário mostrar uma dinâmica de arranjos
que não deixe o ouvinte entediado. Mesmo com o tempo sendo razoavelmente constante,
existem arranjos em profusão que mantém o ouvinte atento.
Basta ouvir alguns momentos
(como em “White Coffins”) que todos perceberão o uso de intervenções de
guitarras e teclados para dar um “boost” de energia ao clima soturno e fúnebre
das canções. Aliás, os contrastes de vocais limpos com guturais é muito bom.
Qualidade sonora:
Johan chamou
a responsabilidade de tocar, gravar e mixar “Earthless”, e assim,
teve total controle do que queria.
Dessa maneira, o que se ouve
em termos de sonorização é algo limpo, bem feito e com bons timbres escolhidos.
Mas ao mesmo tempo, a ambientação toda é opressiva, fúnebre e tem aquele charme
introspectivo que todo bom fã de Doom Metal que se preze gosta.
Arte gráfica/capa:
Como todos os lançamentos da
Cold Art Industry Records, “Earthless”
vem com um Slipcase muito bem feito, protegendo o jewelcase. Ainda tem um
sticker, ou seja, um cartão bem legal.
A capa evidencia o lado
macabro e tenebroso do disco.
Destaques musicais:
“Earthless” é um disco marcante, mesmo para aqueles que não são muito
chegados ao gênero. E todas as seis longas canções são de um nível muito bom,
embora não soem inovadoras. Além disso, a presença de Thomas A. G. Jensen (vocalista do SATURNUS) nos vocais guturais deu um brilho diferente a cada uma
das músicas.
“Earthless” é uma procissão fúnebre com tempos arrastados, ótima
presença de vocais guturais e uma ambientação melancólica; “A Quietly Forming Collapse”
é permeada por momentos limpos com vocais em timbres normais de voz, fora a
densa aura deprê; um pouco mais dinâmica em termos de arranjos, mas ainda assim
cadenciada, “White Coffins” é mais um momento forte, embora o enfoque seja
bem mais agressivo; em “The Dead Swan of the Woods”, apesar
de toda a roupagem Funeral Doom Metal, existem momentos melancólicos elegantes,
justamente porque as guitarras fazem um trabalho e tanto nos riffs; mais
melancólica e deprê é “Oceans of Despair”, que rebusca
bastante o lado soturno da banda, assim como ocorre em “The Slow Ascent”, embora
esta última tenha uma vocação mais apavorante e sinistra em termos de
instrumental.
Conclusão:
Mesmo evitando ser inovador,
o DOOM:VS presenteia seus fãs com
uma música vigorosa e cheia de vigor, e “Earthless”só aumenta a ansiedade dos fãs por material fresco da banda.
Existem bandas antigas que,
mesmo possuindo clássicos em suas discografias, parecem viver suas melhores
fases atualmente. Parece que a maturidade fez bem a eles, uma vez que no
passado, os dissabores de uma cena que ainda transitava de algo amador e
underground para algo mais profissional deu muitos problemas. E o DEATH ANGEL, quinteto Thrasher de São
Francisco, se encaixa muito bem nessa definição.
Mesmo tendo em sua
discografia “The Ultra-Violence”, um clássico do gênero para muitos, desde
que retornaram em 2001 eles estão muito bem, mas desde “Relentless Retribution”,
onde iniciaram uma trilogia focada em lobos (pausada apenas em “The Evil
Divide”, de 2016), e que parece chegar ao fimcom o ótimo “Humanicide”, disco recém
lançado e que chega em sua edição brazuca pela parceria da Shinigami Records com a Nuclear
Blast Brasil.
Análise geral:
Em termos bem gerais, “Humanicide”
resgata a sonoridade mais tradicional do grupo, sem perder a modernidade
exibida em “The Evil Divide”. Ainda existem melodias excelentes, bem como
alguns toques diferenciados (como podem ser ouvidos em “Agressor”). Basicamente,
é o mesmo Thrash Metal técnico, bruto e agressivo de antes, sem nada a inovar.
Mas no caso do DEATH ANGEL, será que é preciso?
Fazendo o que fazem, já são mestres e bem conhecidos, e assim, “Humanicide”
vem e dispara para ser um dos grandes discos do ano!
Arranjos/composições:
Mais uma vez, a banda soube
caprichar em suas composições.
Muita técnica (que é uma
conseqüência do que o grupo faz musicalmente, e não sua motivação), um peso
mamutesco de esmagar os ossos, e melodias que entram nos ouvidos e não mais, é
ouvir e ficar marcado. É assim que o quinteto escreveu suas canções.
Além disso, as mudanças de
ritmo e impacto sonoro de “Humanicide” são absurdamente
agressivas em pegajosas.
Qualidade sonora:
Mais uma vez, Jason Suecof trabalhou na produção,
engenharia e mixagem, enquanto Ted
Jensen cuidou da masterização, numa atitude típica de “em time que está
ganhando não se mexe”. E mais uma vez, a qualidade sonora está soberba, limpa a
ponto de se compreender todos os instrumentos separadamente, mas o peso e
agressividade que emanam do disco são absurdos. Sinal que tudo funcionou como
um relógio no estúdio, inclusive na timbragem sonora.
Arte gráfica/capa:
Eis uma mudança: o grupo
trouxe Brent Elliott White mais uma
vez para arte da capa, justamente pelo grupo retomar o tema dos lobos. E o
resultado é muito bonito.
Destaques musicais:
O jeito mais convencional do
DEATH ANGEL abordar seu estilo em “Humanicide”
contrasta com a beleza moderna de “The Evil Divide”. E isso brinda o
ouvinte com um esmaga-ossos Thrasher de primeira, com alguns ótimos momentos.
Humanicide: o disco já abre com um típico Thrash Metal encorpado
e veloz, mas com boa diversidade de andamentos e ganchuda, que mostra um ótimo
trabalho de baixo (que mostra ótima técnica), além de riffs de guitarra
magistrais.
Aggressor: aqui, elementos da Velha Escola são mixados com uma
vibe moderna. Tempos quebrados em alguns momentos, riffs insanos, e uma
estruturação melódica não muito usual ao quinteto.
I Came for Blood: um Thrash ‘n’ Roll sujo, simples e cheio de energia,
com evidente influência de MOTÖRHEAD
em seu “outfit”. Refrão muito bom, e sem mencionar que a bateria está ótima.
Immortal Behated: uma canção mais refreada e que favorece o lado mais
interpretativo dos vocais. É uma pancada bem dada, onde a agressividade e a
melodia se misturam para criar uma ambientação densa. E existem partes de piano, tocadas pela convidada Vika Yermolyeva.
Alive and Screaming: e lá vêm tempos mais velozes (embora partes mais
refreadas apareçam bastante), toques modernos e muita agressividade serem
despejadas sobre o ouvinte. Outra aula dos vocais.
Ghost of Me: mais uma vez, o andamento varia entre partes velozes
e empolgantes com momentos mais lentos, e onde as guitarras montam uma
verdadeira muralha de riffs (e que solos caprichados, sendo que um é de Alexi Laiho, do CHILDREN OF BODOM).
Revelation Song: essa canção remete a alguns elementos de “Act
III”, justamente por conta do groove em alguns momentos. Mas em seus
tempos mais cadenciados e partes mais técnicas, o quinteto mostra sua
versatilidade. Além disso, que vocais, sem mecnionar o solo feito por Jason Suecof.
Além dessas, a versão
nacional tem por bônus mais uma:
The Day I Walked Away: é uma canção com ambientação não muito comum, e que
não é comum do quinteto. Mas mesmo assim, é ótima, justamente por diferir.
Conclusão:
Apesar de não superar seu
antecessor ou “The Dream Calls for Blood”, “Humanicide” é um disco
excelente do DEATH ANGEL, mostrando
que eles estão em uma fase muito criativa e exuberante.
No meio do tsunami de bandas
de Metal Old School que tomou conta do cenário, de tempos em tempos um novo
nome chama a atenção. E o quinteto feminino suíço BURNING WITCHES é um deles, como o segundo álbum da banda, “Hexenhammer”
(uma bela mistura de Metal tradicional com algumas influências de Power/Speed
Metal e Hard Rock) está aqui para provar.
E como o disco está sendo
lançado no Brasil, tivemos a oportunidade de falar com essas Bruxas do Metal
(mais especificamente com a baterista Lala)
para saber um pouco mais da história e ambições delas, bem como sobre o futuro.
Lala Frischknecht
MMG: Antes
de tudo, gostaria de agradecer pela oportunidade. Como o BURNING WITCHES é um nome ainda não muito conhecido pelos
Metalheads brasileiros, poderia nos falar um pouco da história da banda, como
vocês se juntaram? E existia a ideia de formar uma banda exclusivamente de
membros mulheres? E qual é o conceito, a ideia principal, por trás do nome da
banda?
Lala: Olá, Heavy Metal
Thunder. Aqui é Lala e eu vou falar em nome das Bruxas. Obrigado por nos
entrevistar.
O BURNING WITCHES foi fundado em 2015, na cidade de Brugg, Suíça. É o
sonho de Romana (N.T.: guitarrista
do grupo) ter uma banda só com integrantes mulheres. Ela possui outra banda,
chamada ATLAS AND AXIS, onde somente
ela é mulher.
Ela começou a procurar por
integrantes e Jeanine Grob (N.T:
baixista do grupo), uma amiga de longa data, se tornou o primeiro membro
oficial. Ela então encontrou Seraina Telli
em uma festa. Deu um estalo imediatamente por conta das habilidades musicais
de ambas. Após uma longa busca e diferentes audições para uma baterista
adequada, elas me encontraram. Romana
pediu a Alea Wyss para preencher a
vaga no outro machado (NT.: é comum o uso de “Axe”, ou seja, "Machado", para falar da guitarra em
uma forma bem conhecida no cenário). Mas infelizmente, ela saiu da banda por
motivos pessoais e foi substituída por Sonia
Nusselder como nova integrante. Tivemos semanas bem difíceis porque Seraina também deixou a banda
recentemente e quis se concentrar em sua carreira solo. Encontramos Laura por meio de nosso contato
holandês por meio de Sonia. Ela fez
o primeiro show dela conosco no Sweden Rock Festival e foi um sucesso.
Todas nós amamos Heavy Metal
e por aí vai. E isso nos une. O mundo é muito pequeno. Como um ouvinte e
frequentador de shows, você nunca saberá se alguém que irá encontrar vai mudar
sua vida. A música une as pessoas e felizmente, não requer linguagem, raça ou
gênero.
Somos apaixonadas por tocar
e, ao mesmo tempo, ajudar e dar suporte umas as outras em uma família de
verdade.
E não podíamos pensar em
outro nome, Somos apenas um bando de garotas doidas que estão prontas a queimar pelo Metal, e é por isso que nos chamamos BURNING
WITCHES.
Laura Guldemond (vocais)
MMG: A
Suíça é conhecida no mundo inteiro por nomes como CELTIC FROST, CORONER e mais alguns, mas aparenta aos que moram
fora da Europa que é raro ver mais nomes fortes vindos do país. Como se sentem
sendo “herdeiras” de tais nomes do Metal?
Lala: É
uma honra sermos herdeiras de tais grandes bandas da Suíça que levaram as
pessoas a tocarem música ou serem parte de uma banda.
Talvez isso aconteça porque
estamos em um país pequeno, e o Metal perde ouvintes por conta da influência do
Pop e outros estilos musicais mainstream. Apesar de essas pessoas darem suporte
a diferentes tipos de Metal, bem como vão a shows underground ou grandes
concertos, ainda é difícil para as bandas conseguirem algo. A população na
Suíça é bem pequena. Mas estamos felizes que, mesmo morando em um país tão
pequeno, o cenário musical aqui é apoiado pelas pessoas por elas mesmas, que
lutam para manter o cenário vivo.
Romana Kalkuhl (guitarras)
MMG: Mesmo
sendo uma banda jovem em 2016, as revistas alemãs Metal Hammer e Rock Hard
denominaram sua primeira Demo como a “Demo do Mês”. Esse fato deu uma ajuda em
abrir portas e para espalhar o nome do BURNING
WITCHES por toda Europa?
Lala: Como
uma banda novata na época, seria impossível ter uma chance de nos apresentar, e
sendo uma “Demo do Mês” em revistas tão grandes como a Rock Hard e Metal Hammer
foi um ótimo começo, e nos ajudou a conseguirmos mais exposição. Não
esperávamos aquilo. Somos gratas a elas por nos reconhecerem. Talvez as pessoas
tenham nos visto lá se perguntaram quem diabos éramos nós, ficaram curiosas e acabaram
checando nossa música.
MMG: Em
dezembro de 2016, vocês lançaram um Single, “Burning Witches”, e em
maio do ano seguinte, “Burning Witches” (o álbum) foi
lançado. Como foi a recepção a ele pela imprensa e fãs de Metal? As coisas
melhoraram como esperavam?
Lala: Na
realidade, foi uma Demo limitada a 666 cópias com duas canções, “Black
Widow” e “Burning Witches”, que esgotou em um período curto de tempo.
E sim, tivemos uma resposta
grande das pessoas após o lançamento de nosso primeiro disco, “Burning
Witches”. Acho que foi revigorante para elas verem uma banda feminina
tocando Heavy Metal dos anos 80 em um cenário dominado por homens. É muito
surpreendente ver que as pessoas curtiram nossa música. Não esperávamos que isso
acontecesse. E naquela época, começamos a conseguir mais shows, e também uma
chance de tocar em grandes festivais como o “Bang Your Head” na Alemanha, que foi nosso primeiro grande
festival.
MMG: Hora
de colocar “Hexenhammer” comocentro das atenções. Levou apenas 1
ano entre o lançamento dele e o de “Burning Witches”, uma estratégia
não muito usual para od dias de hoje, onde as bandas preferem períodos mais
longos entre dois lançamentos. A pergunta: por que tão cedo? E como a Nuclear Blast Records recebeu a ideia
de um segundo álbum apenas um ano depois do primeiro?
Sonia “Anubis” Nusselder (guitarras)
Lala: Após
o lançamento de nosso primeiro álbum, continuamos escrevendo canções. Já tínhamos
5-6 músicas antes da Nuclear Blast
Records nos oferecer um contrato. Então foi um “timing” perfeito. Sem
pressa alguma. Como me lembro ouvir a notícia de que a Nuclear Blast queria nos contratar: foi um momento inesquecível,
era inacreditável saber do interesse de um selo tão grande. Estamos muito
felizes de saber que eles acreditaram em nosso potencial, não só como uma banda
feminina, mas como uma banda que pode fazer música boa e refrescante.
MMG: O
título do disco, “Hexenhammer”, está ligado de alguma forma à concepção musical
ou lírica de alguma forma? Por favor, nos fale de suas idéias sobre ele.
Lala:
Tínhamos a ideia de que o Hexenhammer (NT.: em alemão, significa “Martelo das
Bruxas”, o livro conhecido da Idade Média) poderia ser um conceito perfeito
para um disco, porque também lida com nossa história. E fazia sentido para
todas nós. Ele é uma Bíblia da Caça às Bruxas que lida com a perseguição e
extermínio de bruxas. E é também uma parte triste da história.
Existem algumas canções que
se referem ao Hexenhammer e ao seu criador. Como nossas canções “Dead Ender” e “Hexenhammer” são sobre Heinrich
Kramer, que é o autor do livro, um canalha que dizia que as vidas das
Bruxas não tinham importância, e que deveriam ser queimadas vivas. A canção “Executed“ é sobre Anna Göldi, a última Bruxa da Suíça e sua vida angustiante. Mas também temos letras sobre a criação de
guerras, comportamento humano, racismo, mitos de Bruxas como “Man-Eater”.
Algumas são baseadas em opiniões e na imaginação.
MMG: Uma
coisa que chama a atenção em “Haxenhammer” é a presença dos
integrantes do DESTRUCTION,Schmier e Damir Eskić trabalhando na produção (junto com V. O. Pulver, que trabalhou também na gravação, na mixagem e na
masterização). Mas eles são músicos de Thrash Metal, e vocês estão em um
formato mais voltado ao Metal tradicional, então, como foi trabalhar com eles?
As diferenças musicais melhoraram as coisas para vocês?
Jeanine Grob (baixo)
Lala:Schmier é um amigo de longa data de Romana, e Damir (também do GOMORRA)
é o marido dela. Esses caras formidáveis estão conosco desde o primeiro dia, ou
antes do BURNING WITCHES ser formado.
São essas as pessoas que nos ajudam de muitas maneiras, nossos mentores e,
claro, eles são nossa família. Ter Schmier
e Damir a nosso lado é como ganhar
na loteria (risos). V. O. Pulver também
é um amigo de longa data de Schmier e
também de nossa família Metal. Confiamos totalmente nele desde “Burning Witches”. Essas pessoas têm
décadas de conhecimento na indústria musical.
E estar em uma banda de
Metal tradicional não nos afeta, ou mesmo nossos mentores, que são de uma banda
de Thrash Metal. Isso porque todos estão, de uma forma ou outra, ouvindo algo
e, no fim do dia, será tudo sobre música e como faze-la de uma forma certa e
boa.
MMG: Courtney Cox (guitarrista do THE IRON MAIDENS,
e que tocou no PHANTOM BLUE) faz um
solo de guitarra em “Maiden of Steel”. Como surgiu a ideia de convidá-la para tocar
com vocês? E como se sentem com o resultado?
Lala:Courtney é uma amiga de Romana, e ela pediu a Courtney se ela
poderia tocar em alguma canção nossa, e ela concordou. E ficou ótimo. Você pode
ouvir muitas variações melódicas no solo dela em “Maiden of Steel”, e sim,
ela é uma guitarrista que arrebenta como todos sabem, ha ha. Obrigado, Courtney!
MMG: Não
gosto de falar sobre minhas reflexões pessoais em entrevistas, mas quando ouvi
a música do BURNING WITCHES em “Hexenhammer”,
soou para mim como algo novo, fresco e cheio de vida, o posto ao que ouço com
freqüência em bandas que tocam tais gêneros musicais velhos (que tentam
desesperadamente emular as qualidades sonoras do passado). Qual é o segredo de tão
impressionantes energia e vida?
Lala:
Muito obrigada. Romana é quem faz
todos os riffs. Seraina fez as
letras e também contribuía na composição das músicas. Romana tem muitas idéias e é bem rápida em escrever canções. Acho
que é uma mistura de talento e devoção aquilo que você ama fazer. Praticar
enquanto se diverte também ajuda bastante e torna a ambientação verdadeiramente
maravilhosa e sem nenhum tipo de pressão. Não temos medo de experimentar novos
materiais porque a canção já está finalizada, ainda podemos decidir se é
suficiente para nossa própria satisfação. Acontece que esse é o sonho de todos
hoje em dia, e se torna ainda mais cheio de energia porque nós só temos uma
visão e objetivo, e essa visão é de fazer música boa e refrescante, e tocar isso
o mais pesado que pudermos, e aproveitar cada momento enquanto estamos no palco
tocando. Bons elos e amizade são importantes em uma banda. Eles criam uma boa
ambientação para trabalhar da forma mais divertida e fácil.
Lala Frischknecht (bateria)
MMG: Esta
pode soar um pouco ingênua, mas porque gravaram uma versão para “Holy
Diver” do DIO? E o resultado
final é ótimo, me permita dizer.
Lala: Bem,
obrigado. “Holy Diver” é a primeira música canção que ensaiamos juntas e
tocamos ao vivo pelo menos uma cem vezes. Ela é um dos melhores hinos do Metal
no cenário musical. Amamos toca-la ao vivo enquanto as pessoas cantam. E nos
conectar a elas é o ponto alto durante nossos shows.
MMG: Como
dito acima, no nome do BURNING WITCHES
ainda não é muito conhecido no Brasil, mas enquanto falamos, tanto “Burning
Witches/Burning Alive” como “Hexenhammer” estão sendo lançados
aqui pela Shinigamy Records/Nuclear
Blast Brasil. O que acha disso? E se talvez isso faça as coisas crescerem
por aqui, então esperamos que venham queimar nosso país com shows!
Lala:
Obrigado a todos por acolherem nossa música em seu belo país. Não esperávamos
que nossa música fosse alcançar o Brasil. É tão bom ver como a música pode
navegar pelo mundo. É óbvio que existem pessoas que podem nunca ter ouvido
falar de nós. É uma ótima chance a explorar e mostrar as pessoas que fazemos um
bom e refrescante Heavy Metal. Esperamos poder ir e tocar em seu país. E
ouvimos falar que as plateias brasileiras são insanas! Isso nos interessa, e
esperamos algum dia queimar o palco e encanta-los para nosso círculo de bruxas.
MMG: Enquanto
falamos, as notícias dizem que a vocalista Seraina
deixou o grupo, e que uma nova Bruxa se juntou ao círculo: Laura Guldemond. Como as coisas estão indo com ela na banda? E ela
cantou com vocês no Sweden Rock Festival,
então como foi esta experiência de tocar o primeiro show com uma nova vocalista
em um festival tão grande?
Lala: Sim,
infelizmente Seraina deixou a banda.
Foi triste, mas não podíamos fazer nada. Todos são livres para fazerem o que
quiserem de suas vidas. Mas somos afortunadas em encontrar nossa nova Bruxa,
Laura. E que talento imenso e garota louca que ela é, o mesmo que nós, ha há...
Não são muitas pessoas que conseguem aprender 10 músicas em um período curto e
cantar com culhões em um grande palco. Estamos orgulhosas dela. Ela gosta de
ação, então é perfeita, ha ha.
Também gravamos um vídeo
para uma canção com ela cantando, chamado “Wings of Steel”, que está no youtube
como um visualizador oficial (NT.: este vídeo está logo abaixo da entrevista), mas estará disponível como Digi Single em 19 de
Julho. E que canção ótima com tanto poder, melodias e velocidade! Laura realmente acertou nela!
BURNING WITCHES ao vivo no Sweden Rock Festival
MMG: O
vídeo promocional para “Hexenhammer” é a canção-título. Quem
escolheu esta canção em especial? E existem planos para algum novo para breve?
Lala:
Todas nós decidimos fazer desta a faixa-título. Achamos que seria a canção
perfeita para mostrar as pessoas o que elas poderiam esperar de “Hexenhammer”.
Um verdadeiro Heavy Metal dos anos 80 com um toque da era moderna. Uma vez que
tiver ouvido, não poderá sair, pois terá sido enfeitiçado, mas é certo que não
vai se arrepender, ha há.
Atualmente, estamos
trabalhando de forma intensa para novos materiais para nosso novo álbum, que
deverá ser lançado no final de 2020. Logo, cuidado, colegas! Tenham certeza de
estarem com os cintos apertados, ha ha. Será um tipo ardente de Heavy Metal.
MMG: Como
falamos de shows, como está a agenda de vocês por agora? Alguma turnê fora da
Europa está marcada? Espero que o Brasil esteja em seus planos, e vou pedir a
vocês para assinarem minhas cópias de “Burning Witches” e “Hexxenhammer”
(risos).
Lala: No
momento,estamosocupadas fazendomuitos
shows na Europa e trabalhando no novo material para o disco novo que mencionei
antes. Ainda não temos datas para o Brasil, mas é claro que visitaremos e
tocarem em seu belo país, e beber Caipirinha enquanto caminhamos em Ipanema ha
ha.
E ficaremos felizes em
autografar seus discos. Sempre amamos fazer isso, ha ha.
BURNING WITCHES
MMG: Bem,
é isso. Quero agradecer a você mais uma vez e, por favor, deixe sua mensagem
para seus fãs e para os leitores do Heavy
Metal Thunder Brasil.
Lala: Muito
obrigadopelo seu apoio. Queremos
mandar todo nosso amor para vocês. “Keep It Burning”, camaradas. “Stay Heavy” e
mais força ao “Heavy Metal Thunder
Brazil”! Obrigado por espalharem as palavras. Horns up!
P.S.: O Heavy Metal Thunder
Brasil gostaria de agradecer a Shinigami Records e a Marcos Franke (da
assessoria de imprensa da Nuclear Blast Brasil) pela oportunidade de
entrevistar Lala (and thank a you a lot, Lala).
Veja os vídeos para
“Executed”, “Hexenhammer” e “Wings of Steel”: