segunda-feira, 8 de julho de 2019

GRAND MAGUS - Wolf God


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Gold and Glory (intro)
2. Wolf God
3. A Hall Clad in Gold
4. Brother of the Storm
5. Dawn of Fire
6. Spear Thrower
7. To Live and to Die in Solitude
8. Glory to the Brave
9. He Sent Them All to Hel
10. Untamed


Banda:

Foto: Jens Rydén

JB - Vocais, Guitarras
Fox - Baixo, Backing Vocals, Violoncelo em “Gold and Glory”
Ludwig - Bateria


Ficha Técnica:

Staffan Karlsson - Produção, Engenharia de Som, Mixagem
Jacob Hellner - Mixagem
Mika Jussila - Masterização
Anthony Roberts - Artwork
Florian Karg - Layout
Nico “Dyngwie” Elgstrand - Orquestrações e arranjos de “Gold and Glory”


Contatos:

Site Oficial: www.grandmagus.com
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Em geral, muitos estão buscando nos velhos estilos uma alternativa às sonoridades mais modernas do Metal. Muitos, como se comprova ouvindo por aí, se perdem e falham em seus esforços, criando apenas mais do mesmo (ou seja, cópias do que já foi feito à exaustão). Outros, por sua vez, conseguem fazer algo diferenciado para si, e chamam bastante a atenção.

Um desses é o trio sueco GRAND MAGUS, que há um tempo já vem causando frisson nos fãs. Agora, com “Wolf God” (lançado no Brasil via Shinigami Records/Nuclear Blast Brasil), nono disco da banda, eles devem ir ainda mais longe.


Análise geral:

O trio se caracteriza por fazer um Metal tradicional cru e sem frescuras com toques claros de Doom Metal, vigoroso e cheio de ótimas melodias (que são simples de assimilar). Mas em “Wolf God”, o grupo parece soar mais compacto e melodioso, ou seja, mais acessível ao público que ainda tem dificuldades em lidar com tanto peso (pois eles pegam bem pesado em suas músicas). Basicamente, o GRAND MAGUS apresenta um frescor, uma energia intensa, e seu peso de sempre, mas com um “insight” renovado.


Arranjos/composições:

Para bem da verdade, o trio sempre se caracterizou por uma música mais pesada e bruta, sem muitas lapidações. Desta vez, mantendo essas mesmas características, o trabalho melódico da banda está mais evidente, solto e espontâneo.

É como se o Metal tradicional com elementos de Doom Metal de antes tivesse ganhado algumas melodias mais brandas, e mesmo os vocais ganharam mais melodias e profundidade, e o instrumental sempre sólido está de primeira (simples e direto, mas encorpado e certeiro).

GRAND MAGUS ao vivo

Qualidade sonora:

Pode se dizer que o trabalho de Staffan Karlsson na produção e mixagem (esta última com a ajuda de Jacob Hellner), mais a masterização de Mika Jussila deram nova vida à música do GRAND MAGUS. Basicamente, eles estão trabalhando com o trio pela primeira vez, e talvez isso seja a fonte do frescor renovado e melódico de “Wolf God”.

Além disso, aquela agressividade e peso abrasivos de antes continuam ali, apenas mais bem temperados por timbres mais bem definidos nos instrumentos e um toque de modernidade, mas sem que a personalidade musical da banda tenha sido alterada.


Arte gráfica/capa:

Há tempos o trabalho nas capas do grupo é algo mais simples, sem muita enrolação. No caso de “Wolf God”, novamente a banda procura algo bem simples, “na cara”, mesmo sendo bem feito. E assim, mesmo sendo uma apresentação interessante, o foco do ouvinte fica exclusivamente na música, que é o mais importante.


Destaques musicais:

Uma vez mais, o GRAND MAGUS fez um disco de alto nível, que é apaixonante por conta de suas melodias mais fluidas, mas continua pesado como um mamute!

Tirando a introdução “Gold and Glory”, que abre o disco com um toque Pagan/Folk cheio de partes orquestrais, são 9 faixas excelentes, sendo que “Wolf God” (belas guitarras, em uma levada lenta, melodiosa e bastante pegajosa), “A Hall Clad in Gold” (com um jeito mais agressivo com uma pegada Rock ‘n’ Roll sujo, embora com melodias ótimas, e um refrão marcante e requintado), “Brother of the Storm” e “Dawn of Fire” (ambas com refrães intensos e marcantes, sem falar que baixo e bateria estão ótimos em suas conduções rítmicas simples, mas pesadas), “Spear Thrower” e “To Live and to Die in Solitude” (o ritmo um pouco mais rápido deu mais diversidade rítmica em ambas, como se percebem nos dois bumbos, mas mantendo o aspecto pesado e melodioso), os toques mais acessíveis na massaroca sonora de “Glory to the Brave” e “He Sent Them All to Hel” (os toques de Hard Rock clássico dos anos 70 são evidentes por conta do “insight” musical mais abrangente, embora sem que o grupo traia suas convicções sonoras), e “Untamed” (falar em mais um refrão grandioso do grupo é repetitivo, e além disso, vocais e guitarras estão ótimos. E que solo bem feito) mostram que a banda está revigorada e pronta para novos desafios.

Basicamente, “Wolf God” é o disco em que as ambições do GRAND MAGUS mais estão claras, bem como abre a possibilidade de crescimento comercial.


Conclusão:

Enfim, é preciso dizer que o “Wolf God” se torna um potencial candidato a estar na lista dos dez melhores discos do ano de muitos, e não é à toa que o GRAND MAGUS pode estar dando passos firmes para se tornar um nome ainda mais forte no Metal mundial.

Quem viver, verá.


Nota: 10,0/10,0


Wolf God



A Hall Clad in Gold



Brother of the Storm



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BURZUM - Hliðskjálf


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Tuistos Herz
2. Der Tod Wuotans
3. Ansuzgardaraiwô
4. Die Liebe Nerþus'
5. Frijôs Einsames Trauern
6. Einfühlungsvermögen
7. Frijôs Goldene Tränen
8. Der Weinende Hadnur


Banda:


Varg Vikernes - Teclados


Ficha Técnica:

Pytten - Masterização
Tanya Stene - Arte da Capa
Stephen O'Malley - Design, Arte Adicional


Contatos:

Site Oficial: http://www.burzum.org/
Instagram:
Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução: 

Quando o assunto é o Black Metal feito na Noruega, por mais que o país seja berço de incontáveis bandas, a verdade é que os 3 grupos seminais gênero do início dos anos 90 sempre estarão envoltos em polêmicas, ao mesmo tempo em que a idolatria de seus fãs é capaz de justificar tudo. Ao mesmo tempo, é inquestionável a contribuição de MAYHEM, DARKTHRONE e BURZUM para aquilo que conhecemos como Black Metal. É antes e depois deles, basicamente, embora bandas da Grécia, Finlândia e Suécia tenham dado contribuições substanciais nesse sentido.

Na segunda metade dos anos 90, como conseqüência de causar incêndio em igrejas e pelo assassinato de Øystein Aarseth (que todos já estão cansados de saber que se trata de Euronymous, guitarrista e líder do MAYHEM), Varg Vikernes foi preso. E entre 1993 (quando foi preso inicialmente) até 2009, Varg lançou dois discos com um enfoque diferente do estilo mais conhecido pelos fãs em “Burzum” (1992) e “Det Som Engang Var” (1993). São eles “Dauði Baldrs” de 1997, e “Hliðskjálf” de 1999. Este último foi relançado no Brasil pela Shinigami Records.


Análise geral:

Até hoje, muitos se perguntam o que teria acontecido ao BURZUM nesses discos. A explicação tem duas frentes:

1. Na prisão, ele não tinha acesso á instrumentos que não fosse o teclado. Era uma questão de “faça assim, ou não faça nada”;

2. Uma análise mais calma e detalhista pode ver influências de Dark Ambient Music já estavam começando a surgir de forma sutil em “Hvis Lyset Tar Oss” (1994) e “Filosofem” (1996).

Em “Hliðskjálf” (nome do trono do deus Odin na mitologia Nórdica), a música fica ainda mais voltada à Dark Ambient/Darwave Music, cada vez mais grandiosa em termos de ricas ambientações. Basicamente, a falta de recursos acabou forçando Varg a um “insight” diferente, mas nem por isso ruim.

Ou seja, “Hliðskjálf” é um ótimo disco.


Arranjos/composições:

Obviamente, os arranjos são fluidos e cheios de melodias melancólicas. É o que se esperaria de um disco de Dark Ambient Music. É preciso deixar claro que o minimalismo clássico/Folk de “Dauði Baldrs” está ausente, com linhas melódicas mais simples, o que não impediu Varg de fazer partes grandiosas.


Qualidade sonora:

Se os teclados e os aparelhos para gravação só foram concedidos por uma semana, pode se dizer que ele soube fazer bom uso. Justamente pelo uso exclusivo de teclados (e sem vozes), a qualidade sonora ficou muito boa, clara, mas sem deixar de ter seu toque de sinistra obscuridade.

Óbvio que o profissionalismo de Pytten na masterização ajudou a dar um toque de classe às canções.


Arte gráfica/capa:

Tanya Stene fez uma capa muito boa para o disco, o desenho de uma floresta sinistra, aparentemente à noite. Há ainda a contribuição de Stephen O'Malley no design e na arte (algumas adições). Basicamente, é a mesma estruturação pagã/épica que foi usada no antecessor de “Hliðskjálf”, mas sempre mantendo certa simplicidade.


Destaques musicais:

Basicamente, “Hliðskjálf” é um disco indicado para fãs não só do BURZUM, mas para aqueles que gostam de PAZUZU, MORTIIS, e outros que preferem o uso de teclados e sintetizadores para criar algo denso e atmosférico.

O disco é ótimo, com canções hipnóticas e soturnas como “Tuistos Herz”, “Der Tod Wuotans” (esta possui ótimos momentos épicos), a beleza Folk introspectiva de “Die Liebe Nerpus’” (alguns pianos ficaram providenciais em meio aos elementos Folk) e de “Frijôs Einsames Trauern”, o toque de horror melancólico de Einfühlungsvermögen”, e a curta (mas excelente) “Der Weinende Hadnur”, quase uma canção de ninar no piano.


Conclusão:

Para os dias de hoje, após o retorno do BURZUM ao Black Metal mais elétrico e agressivo, a bela expressão Dark Ambient/Folk de “Hliðskjálf” possa parecer sem sentido. Mas é um enfoque diferente e, para os que gostam da banda, agora ele está mais acessível.


Nota: 8,4/10,0


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sexta-feira, 5 de julho de 2019

FLESHGOD APOCALYPSE - Veleno


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Fury
2. Carnivorous Lamb       
3. Sugar
4. The Praying Mantis’ Strategy
5. Monnalisa
6. Worship and Forget
7. Absinthe
8. Pissing on the Score
9. The Day We’ll Be Gone
10. Embrace the Oblivion
11. Veleno (instrumental)
12. Reise, Reise (Bônus)
13. The Forsaking (Nocturnal Version) (Bônus)


Banda:

Foto: Dave Tavanti

Paolo Rossi - Baixo, Vocais limpos
Francesco Paoli - Vocais, Guitarras, Bateria
Francesco Ferrini - Piano, Orquestrações


Ficha Técnica:

Jacob Hansen - Mixagem, Masterização
Marco “Cinghio Mastrobuono - Gravação
Daniele Marinelli - Gravação (adicional)
Matteo Gabbianelli - Edição (adicional)
Travis Smith - Capa, Artwork
Aurora Bacchiorri - Violinos
Lucrezia Sannipoli - Violinos
Federico Micheli - Viola
Tommaso Bruschi - Violoncelo
Federico Passaro - Baixo acústico
Daniele Marinelli - Bandolim
Maurizio Cardullo - Gaita Irlandesa
Matteo Flori - Percussão Orquestral
Veronica Bordacchini - Vocais (soprano)
Fabio Bartoletti - Guitarra Solo


Contatos:

Assessoria:
E-mail:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

Há muito de discute a influência da Música Clássica no Heavy Metal, e basicamente quando ela começou a surgir.

No documentário “Metal - A Headbanger’s Journey” (do antropólogo Sam Dunn), existe esta discussão, mas é fato consumado que, desde as origens, nomes como Wolfgang Amadeus Mozart, Ludwig van Beethoven, Niccolò Paganini, Johann Sebastian Bach, Richard Wagner e tantos outros estão no bojo cultural do Metal, seja pelo motivo que for.

Há alguns anos, com o surgimento das vertentes sinfônicas no Metal, isso se tornou ainda mais evidente, mas a verdade seja dita: o trabalho digno de “estado-da-arte” do grupo italiano FLESHGOD APOCALYPSE já vinha se destacando bastante, e com “King” (2016), atingiram certo renome. Mas seu novo disco, “Veleno” (que em italiano significa “veneno”), o grupo se superou e criou uma obra-prima em termos musicais!


E ainda bem que a aliança da Shinigami Records com a Nuclear Blast Brasil permite o acesso mais fácil a todos.



Análise geral:

A priori, o grupo vem reduzido a um trio, pois Tommaso Riccardi (vocais, guitarra base) e Cristiano Trionfera (guitarra solo, backing vocals) saíram do grupo em 2017, e com isso, Francesco Paoli, que era baterista, assumiu as guitarras e os vocais (e também gravou as partes de bateria do disco). A identidade musical do grupo não se alterou, pois o grupo continua fazendo o Symphonic/Technical Death Metal de antes, mas extrapolaram em tudo.

Basicamente, “Veleno” não é apenas um disco, mas uma obra de arte, com toda uma ambientação clássica vinda dos movimentos Barroco, Clássico e Romântico (tanto na concepção musical como na estética visual), permeado de orquestrações, vocais e corais de ópera, lindas melodias em ambientações que variam do brutal ao suave e então o neoclássico sem pudores, criando contrastes perfeitos, vocais sopranos, teclados e pianos perfeitos, orquestrações minimalistas, e instrumentos de orquestra criando uma colcha instrumental perfeita. Fora isso, há muito de Era Vitoriana em termos de letras, e mesmo um toque burlesco em alguns momentos.


Palavras são vãs para traduzir toda beleza e profundidade artística de “Veleno”...


Arranjos/composições:

Anteriormente, em “King”, a banda já havia feito algo de bom gosto e que transcendia fronteiras. Mas como “Veleno”, o trio vem derrubando qualquer tipo de limite e destroçando modelos musicais.

O minimalismo impera, o experimentalismo é extrapolado, e tudo para criar uma música rica, forte e vigorosa, pesada e elegante, agressiva e melódica, com todo um “insight” espontâneo. Os tempos se alternam de forma caótica e inesperada, mas sempre consensual, as guitarras estão fenomenais, e tudo isso sob uma imensa e sólida carapaça sinfônica.

Óbvio que os instrumentos tradicionais estão fazendo um trabalho excelente, mas não destoam dos instrumentos orquestrais. Pelo contrário: a fusão é perfeita!


Qualidade sonora:

“Veleno” foi gravado em duas etapas: as partes voltadas ao Metal foram captadas em Roma, nos estúdios Bloom Recording Studio e Kick Studio, tendo o produtor Marco Mastrobuono os acompanhado nessa parte; já as partes orquestrais foram gravadas no Musica Teclas Studio, em Perugia. E tudo foi entregue a Jacob Hansen nos Hansen Studios para ser mixado e masterizado. Basicamente, a banda levou apenas 3 meses (tendo em vista bandas que gastam meses, e mesmo anos no processo de composição) para toda a produção do disco.

Óbvio que mesclar tantos elementos e instrumentos musicais não foi algo simples, mas a presença de Jacob foi providencial para equilibrar cada aspecto sonoro, e manter tudo audível, sem problemas. Dessa forma, peso, melodia e clareza estão no mais alto nível possível, possibilitando o ouvinte a acessar cada mínimo detalhe sem problema algum.


Arte gráfica/capa:

Para dar uma arte digna de um disco desse porte, o artista norte-americano Travis Smith (conhecido por ter feito artes gráficas para ICED EARTH, AMORPHIS, OVERKILL, CRADLE OF FILTH, ANATHEMA, DEATH, entre outros) foi contratado. E todo desenvolvimento gráfico pegou a idéia de “Veleno”, transitando entre a arte clássica e o terror, e de muito bom gosto.

FLESHGOD APOCALYPSE (formação ao vivo) - foto: Dave Tavanti

Destaques musicais:

É a parte onde realmente fica difícil...

“Veleno” é um disco sem pontos fracos. É homogêneo e sólido, soprando um frescor enorme em meio a um cenário já bem desgastado.

“Fury” abre o disco com bastante peso e agressividade, mas mantendo o equilíbrio entre os elementos clássicos e as partes Metal, e sem mencionar o trabalho de baixo e bateria (que está fantástico em todo disco). Com belíssimas melodias e guitarras furiosas nos riffs (e com solos bem construídos), “Carnivorous Lamb” é poderosa, sem mencionar o contraste entre vocais urrados, limpos e sopranos. O fogo brutal e neoclássico que cozinha elementos díspares no caldeirão chamado “Sugar” (um dos primeiros Singles do disco), fluindo do brutal e opressivo ao melódico de forma magistral (a letra parece ser um manifesto em relação ao consumo de drogas injetáveis). A singela “The Praying Mantis’ Strategy” é uma introdução para a ultra-romântica e sedutora “Monnalisa” (outra com muitas variações vocais, e momentos introspectivos inspirados no Gothic Rock, mas cheia de crescendos clássicos, e assim, os teclados se destacam, e se Lord Byron fosse um músico de Metal, certamente faria algo dessa maneira). Em “Worship and Forget”, o lado mais brutal e agressivo domina, justamente pelo uso de andamentos mais rápidos, mas certo alinhavo clássico está presente. Cheia de partes grandiosas com melodias pegajosas e vocais sopranos, “Absinthe” tem a essência da literatura Vitoriana pulsando em suas harmonias (reparem bem nos contrastes vocais mais uma vez). Pianos permeiam a mais melodicamente sinuosa “Pissing on the Score”, e se destacam mais uma vez na introspectiva e plenamente na ópera extrema “The Day We’ll Be Gone” (os vocais em soprano contrastam belamente com os guturais e limpos agonizantes), e as guitarras vão tecendo melodias aconchegantes. Em “Embrace the Oblivion”, peso, melodia e momentos grandiosos se alternam, com baixo e bateria se destacando por sua técnica e pelo peso dado à diversidade de ritmos. “Veleno” fecha o disco, sendo uma instrumental de piano com um toque clássico perfeito.

A versão nacional ainda possui duas faixas extras: “Reise, Reise”, outra em que agressividade e peso se aliam à partes sinfônicas perfeitas, e de onde os teclados elevam uma aura completamente à lá Mary Shelley em muitos momentos, embora no todo, os momentos introspectivos sejam mais evidentes. E “The Forsaking (Nocturnal Version)” é uma versão introspectiva e soturna, feita em teclados e voz, da canção que está em “Agony”, disco de 2011 do grupo, e que ficou ótima nessa ambientação ainda mais melancólica que a original, onde exploraram a mesma música, mas de forma diferente.


Conclusão:

Encerrando, “Veleno” é um dos grandes discos do ano, sem sombra de dúvidas, mostrando que o FLESHGOD APOCALYPSE é capaz de se reinventar mais e mais, capaz de renovar sua música mesmo em meio às vicissitudes que uma banda de Metal passa.

Bebam desse doce veneno, se embriaguem e se deixem levar por esta obra de arte em forma de música.


Nota: 10,0/10,0


Carnivorous Lamb



Sugar



Worship and Forget



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ANDRALLS - Bleeding For Thrash


Ano: 2019
Tipo: Full Length
Selo: Distro Rock Records / Metal Under Store
Nacional


Tracklist:

1. We Are the Only Ones
2. Andralls on Fire Part III
3. 64 Bullets
4. Bleeding For Thrash
5. Legion
6. Noiséthrash
7. After Apocalypse
8. Imminent Cancer
9. Acid Rain - Fasthrash Version (Subtera)
10. On Fire
11. 27*02*18


Banda:


Alex Coelho - Vocais, Guitarras
Felipe Freitas - Baixo, Backing Vocals
Alexandre Brito - Bateria, vocais em Noiséthrash”


Ficha Técnica:

Caio Monfort - Produção, Gravação, Mixagem
Neto Grous - Masterização
Edu Nascimentto - Artwork


Contatos:

Site Oficial:

Texto: “Metal Mark” Garcia


Introdução:

A ausência pode destruir todo um trabalho musical criado na base da raça e de muito suor. Isso porque os fãs tendem a ficar desnorteados. Mas ao mesmo tempo, um retorno depois das dificuldades pode dar sangue novo a um grupo.

E é justamente este o caso do trio de Thrashers ANDRALLS, de São Paulo. Depois de um quase fim com a ruptura da formação em 2015 e outros aspectos, eis que eles voltam com sangue nos olhos com “Bleeding For Thrash”, disco que vai causar dores de pescoço!


Análise geral:

Sem Eddie C. (baixo) e Cléber Orsioli (vocais, guitarras), a banda tinha as alternativas de parar ou reformular-se. Escolheram a segunda alternativa, trazendo de volta Alex Coelho (vocalista/guitarrista original), além da entrada de Felipe Freitas (baixo, backing vocals, e ex-NERVOCHAOS), e junto com o remanescente Alexandre Brito (bateria), o grupo deu continuidade à sua saga Fasthrash.

Óbvio que algumas mudanças sutis são perceptíveis, mas sem que a identidade do grupo tenha sido alterada.

Basicamente, “Bleeding For Thrash” é mais um disco ótimo do trio.


Arranjos/composições:

O trio sempre se caracterizou por arranjos não tão rebuscados e técnicos, sempre deixando um toque de Hardcore evidente. Agora, elementos de Metal tradicional, Death Metal e mesmo estilos não convencionais aparecem de forma subjetiva, dando uma requintada ao trabalho musical deles.

Basicamente, soa mais sujo e encorpado, com um enfoque mais denso, mais ainda assim continuam bem velozes, e mantendo a brutalidade. Mas cuidado: não é porque eles tocam rápido que a diversidade rítmica não existe, sem falar que a dinâmica dos arranjos ficou excelente.


Qualidade sonora:

O disco foi gravado no Papirys Studio, tendo Caio Monfort cuidando da produção, gravação, e mixagem, sendo que a masterização é de Neto Grous do Absolute Máster Studio, tudo para dar uma sonoridade vibrante e feroz a “Bleeding For Thrash”.

Todos os instrumentos podem ser ouvidos com clareza e com ótimos timbres em cada um, além de sua devida quantidade de peso. Tudo soa claro, mas mantendo aquela apresentação pesada e agressiva de sempre.



Arte gráfica/capa:

Edu Nascimentto é quem fez a arte da capa, que mostra um lado agressivo e brutal. É algo chamativo, mas que desperta a curiosidade de quem não conhece a banda, bem como deixa claro que eles não perderam a pegada.

Aliás, existe certo “q” orgânico presente nessa arte, coisa de quem é tatuador (como Edu o é).


Destaques musicais:

Pode-se dizer que “Bleeding for Thrash” reapresenta o ANDRALLS aos fãs depois desse tempo todo sem disco inédito (foram 7 anos desde o lançamento de “Breakneck”), e não irá desapontar os antigos seguidores, bem como deve atrair alguns novos.

“We Are the Only Ones” começa com batidas tribais e riffs gordurosos, antes de virar um ataque velos e insano, um cartão de apresentação da nova formação (e que vocais insanos). A pancadaria veloz continua em “Andralls on Fire Part III” e “64 Bullets”, ambas apresentando toques modernos nos riffs de guitarra (embora a segunda apresente alguns momentos mais cadenciados). Em “Bleeding For Thrash”, tem-se uma canção mais seca e direta, um murro nos dentes que vai causar danos nos moshpits da vida (sem falar alguns momentos mais técnicos do baixo que surgem). Já “Legion” tem algo de Death Metal em certas partes de guitarra, mas impera a atordoante velocidade do grupo (e a bateria mostra boa condução e mudanças de ritmo), e o refrão se refere ao REBAELLIUN. Em “Noiséthrash” é justamente onde algumas influências de Metal Industrial aparecem, e é uma música não convencional, uma declaração de pouco mais de um minuto de duração. O pique veloz e com bom trampo de guitarras surge mais uma vez em “After Apocalypse”, seguida do Crossover/Thrash Metal bruto e reto em “Imminent Cancer”. Fazendo uma releitura de “Acid Rain” do SUBTERA, o trio mostra uma influência Thrash moderna, dando uma cara própria à canção (que é o primeiro cover que o trio grava em seus 21 anos de vida). Em “On Fire”, a velocidade thrasher do trio alcança níveis insanos, embora momentos rockers à lá MOTÖRHEAD permeiem os solos. e elementos de Death Metal apareçam aqui e ali. Fechando, a triste e soturna instrumental “27*02*18”, que é uma homenagem do trio a Fabiano Penna, que chegou a tocar com a banda e produzir seus trabalhos.

É, eles voltaram por cima, e na voadora sonora!


Conclusão:

“Bleeding For Thrash” é uma declaração do ANDRALLS, onde dizem “estamos vivos e mais agressivos que nunca”, e podem acreditar: eles ainda têm muita, mas muita lenha para queimar!

Preparem-se para torcicolos bem longos e sofridos!


Nota: 9,0/10,0


Bleeding For Thrash



On Fire



Spotify