segunda-feira, 14 de maio de 2018

MARENNA - Livin’ With No Regrets


Ano: 2018
Tipo: Álbum ao Vivo
Nacional


Tracklist:

1. Intro
2. You Need to Believe
3. Can’t Let You Go
4. Never Surrender
5. Reason to Live
6. Fall in Love Again
7. Come Back
8. Forever
9. Keep On Dreaming
10. About Love
11. So Different
12. Like An Angel
13. Life Goes On
14. No Regrets


Banda:


Rod Marenna - Vocais
Aaron Alves - Guitarras, backing vocals
Arthur Appel - Baixo, backing vocals
Gionathan Sandi - Bateria


Ficha Técnica:

Juliano Boz - Captação
Arthur Appel - Captação, produção, mixagem, masterização
Tiarles Daros - Artwork
Rodrigo Visentin - Artwork
Sasha Z - Guitarra Solo em “Fall in Love Again”
Mauricio Pezzi - Teclados
Jonas Godoy - Guitarras, backing vocals


Contatos:

Assessoria: www.beelyper.com (Agência Beelyper)



Texto: Marcos Garcia


Fazer AOR em um país onde a maior vocação é para o Metal extremo é algo bem difícil. Só que “difícil” é uma palavra, e “impossível” é outra bem diferente. Existem ótimas bandas buscando o AOR/Glam Metal dos anos 80 com todas as suas forças por aqui, e fazendo bons trabalhos. Um dele é o MARENNA, banda de Caxias do Sul (RS), que chega com mais um registro, o disco ao vivo “Livin’ With No Regrets”.

Para quem ainda não conhece o trabalho da banda, o MARENNA é especialista em criar as famosas “músicas para comerciais de cigarros” dos anos 80 (espero que todos tenham entendido a referência e eu não precise desenhar), ou seja, eles criam um trabalho musicalmente acessível, mas esteticamente muito bem feito, cheio de melodias grandiosas, e com enfoque em linhas melódicas e refrãos bem grudentos (com excelente nível dos vocais e das partes instrumentais). Tudo funciona nesse disco ao vivo para nos transportar para dentro do show (gravado em Caxiais do Sul, cidade natal deles).

Há uma magia aqui, logo, deixe-a guiar vocês pelas sinuosas melodias de “Livin’ With No Regrets”.

Gravar um disco ao vivo não é uma tarefa simples, pois a energia de shows nunca é simples de ser captada. Mas a captação ficou muito boa, e se percebe que o MARENNA tem uma forte dose de espontaneidade ao vivo, embora a fidelidade a que fazem no estúdio é enorme. Um trabalho ótimo da produção sonora, e com uma capa realmente antenada com o AOR.

Musicalmente, o MARENNA é bem maduro no que faz. Arranjam bem as composições de maneira que o mais importante seja a fusão de vocais, guitarras, baixo, teclados e bateria, e não apenas um desses elementos. A banda funciona como um todo; e a música transborda em espontaneidade, sem que o quinteto soe piegas, repetitivo ou artificial. Longe disso, há vida nessas canções.

De cabo a rabo, “Livin’ With No Regrets” é um discão que se ouve uma vez e se está fisgado. Mas canções como “You Need to Believe” e seu belo refrão, a energia envolvente e grudenta de “Can’t Let You Go”, a força mais pesada (mas bem arranjada) de “Never Surrender”, o clima mais acessível e beirando o Pop Rock anos 80 de “Reason to Live” e “Fall in Love Again”, a pegada mais seca de “Keep On Dreaming” que contrasta com a acessibilidade de “About Love”, a introspectiva e grandiosa “Like An Angel”, e o ritmo mais abrasivo e pesado de “No Regrets” mostram o quanto você deveria sair do sofá e ouvir este disco.

Podemos dizer que o MARENNA merece mesmo a Europa, merece ser sucesso. E “Livin’ With No Regrets” é um discão!

Nota: 91%

CANDLEMASS - House of Doom


Ano: 2018
Tipo: Extended Play (EP)
Importado


Tracklist:

1. House of Doom
2. Flowers of Deception
3. Fortuneteller
4. Dolls on a Wall


Banda:


Mats Levén - Vocais
Mats “Mappe” Björkman - Guitarra base
Lars “Lasse” Johansson - Guitarra solo
Leif Edling - Baixo
Jan Lindh - Bateria


Ficha Técnica:

Leif Edling - Produção
Tobias Forge - Vocais em “House of Doom” (na versão em vinil do EP)


Contatos:

Assessoria: olebang@newmail.dk (Ole Bang)

E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Talvez um dos estilos mais inóspitos do Metal seja o Doom Metal. Sim, pois o jeito de ser lento e azedo, rebuscando os elementos mais pesados e densos que o BLACK SABBATH deu origem em seus 3 primeiros discos, não é palatável para todos os fãs de Metal. Mas mesmo assim, é um gênero fascinante e cheio de belezas para aqueles que o conhecem a fundo. E assim, um dos pioneiros do estilo, o quinteto sueco CANDLEMASS, retorna à carga com o EP “House of Doom”, mostrando que apesar dos projetos paralelos de Leif Edling (seu baixista e mentor), a banda ainda tem lenha para queimar.

Óbvio que o EP vai trazer polêmicas pela presença de Mats Levén nos vocais, ocupando o lugar de monstros como Messiah Marcolin e Robert Lowe. No fundo, toda troca de vocalistas gera desconforto, mas no caso do quinteto, o que temos no EP é o mais puro Doom Metal que possam imaginar. Embora distante de ser algo revolucionário como o que se ouve em vários álbuns da banda, “House of Doom” é um bom trabalho, e que vem para mostrar que o CANDLEMASS está vivo, pronto para desafios maiores.

Como falamos de Doom Metal, existe aquela sujeira essencial ao estilo permeando a sonoridade, mas sem que a qualidade sonora limpa e inteligível (coisa a qual o grupo nunca abriu mão). Ou seja, a produção busca caprichar no som mais característico do grupo, sem pesar demais a mão na agressividade e peso, mas sem deixar limpo demais e descaracterizado. É o tipo de sonoridade que nos acostumamos aos últimos discos da banda: pesado e denso, mas bem delineado em termos de instrumental.

Se por um lado “House of Doom” não chega ao alto nível musical que conhecemos de “Nightfall”, “Tales of Creation” e “King of the Grey Islands”, por outro não podemos acusar o CANDLEMASS de estar se repetindo ou de ser um disco ruim. Não, de forma alguma este EP é uma cicatriza na carreira da banda. Com suas diferenças, aponta para o futuro, mostrando que o quinteto ainda tem o que mostrar e ensinar aos mais novos em seu enfoque clássico e melódico do Doom Metal.

“House of Doom” abre o EP mostrando uma energia crua e uma pegada pesada e ganchuda, baseando sua força em riffs de guitarra excelentes e marcantes (além de um refrão magistral e simples de se absorver). Seguindo nessa mesma linha, temos “Flowers of Deception”, outra pesada e com ritmo intenso, mas com boas melodias e uma base rítmica sólida e simples (coisa que sempre foi uma característica da banda). Ambas duram mais de seis minutos.

“Fortuneteller” é uma balada mais melodiosa, baseada em melodias soturnas de violões e um vocal com tons mais naturais (onde se percebe maior versatilidade no trabalho de Mats). Fechando, o azedume carregado e lento da instrumental “Dolls on a Wall”, algo mais rebuscado em termos de Doom Metal, uma releitura dos elementos Sabbathícos de início.

Óbvio que muitos não se adaptaram ao vocal de Mats, algo compreensível. Mas não se pode negar: “House of Doom” vem em boa hora, mostrando que a aposentadoria do CANDLEMASS se encontra distante. E em tempos que as bandas antigas estão mostrando as garras, podemos esperar que o disco novo do quinteto venha matador!

Nota: 81%

quinta-feira, 10 de maio de 2018

LEATHER - II


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Importado


Tracklist:

1. Juggernaut
2. The Outsider
3. Lost at Midnite
4. Black Smoke
5. The One
6. Annabelle
7. Hidden in the Dark
8. Sleep Deep
9. Let Me Kneel
10. American Woman
11. Give Me Reason


Banda:


Leather Leone - Vocais
Vinnie Tex - Guitarras
Marcel “Daemon” Ross - Guitarras
Thiago Velasquez - Baixo
Braulio Azambuja - Bateria


Ficha Técnica:

Rodrigo Scelza - Produção
Vinnie Tex - Produção
Stawek Wieslawski - Mixagem, masterização
Wojtek Wieslawski - Mixagem, masterização
Jobert Mello - Capa, artwork
Bruno Sá - Teclados em “Annabelle”
Queridões Gang - Backing Vocals


Contatos:

Assessoria:



Texto: Marcos Garcia


Quando falamos de mulheres no Metal, poucos se lembram de Leather Leone, conhecida por seus trabalhos com o CHAINSTAIN e SLEDGE HAMMER. Mas o que poucos sabem é que ela também é artista solo. E agora, após 29 anos, sob o nome LEATHER, ela lança “II”, seu segundo disco solo. E meus caros, que pedrada!

O mais puro Metal nos 80 pulsa nesse disco, e não é preciso dizer que a tônica é algo pesado e intenso, com excelentes melodias (daquelas que você ouve e não esquece mais), técnica instrumental apuradíssima (tudo muito bem tocado, com peso absurdo), e obviamente vocais excelentes (o tempo não parece passar para Leather, pois a voz dela está melhor que nunca). Óbvio que não soa original, mas tem uma personalidade enorme e é bem pessoal, com aquele jeitão de US Metal anos 80, onde peso, melodia, agressividade e técnica se fundiam para criar algo precioso. E “II” é uma gema preciosa, e um disco formidável.

A produção sonora ficou ótima. Sem dar muita trela para papos Old x New, a sonoridade é moderna, pesada e poderosa, com um impacto enorme. Mas ao mesmo tempo, preserva aspectos orgânicos importantes para que as músicas soem vivas. Além disso, a timbragem dos instrumentos ficou ótima, equilibrando peso, agressividade e melodias muito bem, sem perder a definição (algo precioso para discos desse estilo). E, além disso, que arte bem feita.

Se buscam inovações, não acreditamos que irá encontrar em “II”. Não é esse o objetivo, mas se busca um trabalho sonoro de primeira, e que transpira honestidade, é aqui mesmo que encontrará. Além disso, mesmo com toda a carga anos 80 que existe em “II”, existe modernidade, graças ao instrumental e ao vigor de Leather. Não se enganem: podem ouvir de ponta a ponta sem medo.

Existem 11 cacetadas certeiras te esperando nesse disco. Mas recomendamos lindezas como “Juggernaut” (uma faixa ponderosa, com guitarras faiscando riffs de primeira, duetos melodiosos e solos debulhantes, além de uma aula de Leather nos vocais e um refrão lindo), a pesada e pegajosa “The Outsider” (impossível não bater cabeça, e um trabalho rítmico sólido e pesado), a dose certa de melodias acessíveis que permeiam “Lost at Midnite” e “Black Smoke” (que backing vocals bem colocados), a balada pesada “Annabelle” (onde se percebe a versatilidade dos vocais), a paulada mais refreada em “Sleep Deep”, a aula de riffs dada em “American Woman”, e a levada mais tradicional (e com certo acento de Rock’n’Roll clássico) de “Give Me Reason”. E a versão japonesa ainda tem por bônus a versão Demo de “Black Smoke”.

Ah, uma curiosidade: a banda que gravou é toda de conhecidos músicos brasileiros, com passagens por PAINSIDE, STATIK MAJIK, REPUGNANT GORE e outros. Talvez por isso, exista certa versatilidade em alguns arranjos (o que não destoa a essência anos 80 do disco).

No mais, um disco para detonar pescoços, e Leather Leone merece respeito e esperamos que ela não suma mais, e que não tenhamos que esperar mais 29 anos pelo terceiro disco solo dela.

Nota: 95%

RAGING ROB - Always the True Assassin



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Selo: Independente
Importado


Tracklist:

1. Neverending Darkness
2. Innocent Deceiver
3. Disbelief
4. Cancer
5. Rise Against Failure
6. Soul City
7. Enough
8. Freakshow
9. Manifesto
10. Fight (To Stop the Tyranny)
11. Resolution 588
12. Walk All Over You


Banda:


Robert Gonnella - Vocais
Dirk Preylowski - Guitarras
Maik Jansen - Guitarras
Rudi Görg - Baixo
Frank Nellen - Bateria


Ficha Técnica:

Markus Frehn - Mixagem, masterização
Peter Lazar - Artwork (encarte)


Contatos:

Assessoria:



Texto: Marcos Garcia


Falar da escola alemã de Thrash Metal chega a ser desnecessário. Nomes como SODOM, KREATOR, DESTRUCTION, TANKARD e outros são lendários, e moldaram um gênero que influência várias escolas, como a brasileira e a grega. Mas um dos nomes que não tem muita expressão (uma injustiça histórica, digamos de passagem) é o do quinteto ASSASSIN. E por trás deles, sempre esteve o vocalista Robert Gonnella, dono de timbres únicos. Hoje, fora do quinteto, Rob está de volta com o RAGING ROB, que nos chega com “Always the True Assassin”, seu mais recente disco.

O que temos nesse segundo disco do RAGING ROB é o mais puro Thrash Metal germânico, impactante e sólido, com grande dose de agressividade, muita influência de Hardcore, mas ao mesmo tempo, adornado com algumas melodias muito bem pensadas, além de uma pilha de refrães de fácil assimilação. Mas cuidado: não cheguem procurando muito do passado dele por aqui, pois a banda tem um som bem característico. E como soa cheio de energia, ganchudo e cheio de vida, embora com uma pegada “Old School” fantástica.

Sim, “Always the True Assassin” vem para mostrar o quanto essa gangue de Thrashers de Dusseldorf tem de sangue nos olhos e para oferecer.

Ao ouvirmos “Always the True Assassin”, a qualidade sonora se mostra de primeira, atualizada e vigorosa, e ao mesmo tempo, pesada e agressiva sem que a clareza seja perdida. Além disso, a escolha por timbres mais orgânicos foi bem acertada, pois tem aquele feeling “Old School” que agarra qualquer um pelos ouvidos. Na arte, a capa trás uma foto bem legal e divertida de Rob, além de um encarte cheio de artes grafitadas, algo bem diferente em termos de Metal, mas que ficou excelente.

Já lhes digo de início: esqueçam grandes ideias se buscam algo inovador por aqui. Como pedir que alguém renuncie suas raízes, ainda mais alguém que já tem renome dentro do cenário? Aqui é German Thrash Metal, curto, grosso e agressivo nos ouvidos, sem dó de quem quer que seja. Mas os arranjos musicais são excelentes, dando toda uma aclimatação arrasadora de pescoços. Aliás, se o seu pescoço estiver inteiro depois de ouvir esse disco, você é surdo!

“Always the True Assassin” é um disco de calibre pesado, que vai causar palpitações nos fãs do estilo. E embora o nível das músicas esteja bem homogêneo, a porretada hardcorizada de “Neverending Darkness” (ótimos vocais mais roucos, além de riffs de guitarras ótimos), aquele jeitão Thrasher alemão tradicional na veloz “Innocent Deceiver” (verdade seja dita, a base criada por baixo e bateria está ótima) e na cadenciada “Disbelief” (que possui um Groove intenso nessa cadência pegajosa); a rápida de pegajosa “Cancer”, nas partes mais cadenciadas de “Soul City”, o soco na cara direto e bruto de “Freakshow” (esses tons mais baixos de voz pegaram bem demais, fora uma dicção perfeita), a curta e grossa “Manifesto” e sua energia bruta e atual (mais uma em que os vocais estão muito bem), e o massacre hardcorizado veloz e agressivo feito em “Walk All Over You” (como baixo e bateria mostram uma ótima técnica, por conta das mudanças rítmicas). Agora, não tem como o coração não bater mais forte nas versões deles para “Fight (To Stop the Tyranny)” (inclusive, o início foi tirado da introdução de “Forbidden Reality”) e “Resolution 588”, dois clássicos do ASSASSIN que ganharam uma roupagem mais atual, sem perderem a pegada clássica das composições originais.

E é legal ver Rob mais uma vez na ativa, e tendo o baterista clássico do ASSASSIN, Frank “Psycho” Nellen, junto com ele. Mas Dirk Preylowski (guitarras), Maik Jansen (guitarras) e Rudi Görg (baixo) são músicos excelentes também.

Um disco e tanto, logo, ouçam e deixem a destruição de pescoços começar!

Nota: 92%

terça-feira, 8 de maio de 2018

CORROSION OF CONFORMITY - No Cross No Crown


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. Novus Deus
2. The Luddite
3. Cast the First Stone
4. No Cross
5. Wolf Named Crow
6. Little Man
7. Matre’s Diem
8. Forgive Me
9. Nothing Left to Say
10. Sacred Isolation
11. Old Disaster
12. E.L.M.
13. No Cross No Crown
14. A Quest to Believe (A Call to the Void)


Banda:


Pepper Keenan - Guitarras, vocais
Woody Weatherman - Guitarras, vocais
Mike Dean - Baixo, vocais
Reed Mullin - Bateria, vocais


Ficha Técnica:

John Custer - Produção
Mike Fraser - Mixagem
Spencer Bleasdale - Assistente de mixagem
Seva - Masterização
Vance Kelly - Direção artística, design, layout, artwork


Contatos:

Site Oficial: www.coc.com
Assessoria:

E-mail:


Texto: Marcos Garcia


A verdade sobre o momento atual do Metal é que o Stoner Metal/Rock está em evidência. Muitas bandas novas surgem todos os dias, mas poucas merecem uma menção honrosa, já que só causam um tsunami enorme, escondendo outras muito boas. Mas quem é rei, não perde a majestade, e no meio do modismo, o CORROSION OF CONFORMITY vem a pleno vapor com “No Cross No Crown”, seu mais recente álbum, e que ganhou versão nacional graças à parceria entre a Shinigami Records e a Nuclear Blast.

O grupo de Raleigh, Carolina do Norte, volta a ser um quarteto, com o retorno do vocalista/guitarrista Pepper Keenan. Logo, o que podemos aferir é que o quarteto meteu de vez os pés em seu retorno ao Stoner Rock, com aquela sonoridade vigorosa e orgânica que remete aos anos 70, mas que de forma alguma soa datada ou suja em excesso como muitos fazem. A técnica musical também deu uma apurada, mas ao mesmo tempo, sentem-se as raízes cruas da banda pulsando com energia. E como um dos pioneiros desse tipo de música, o C.O.C. não se intimida diante de desafios.

Traduzindo: um discão de Stoner Rock/Metal por quem manja do que está fazendo.

No caso, a produção musical é de John Custer, que trabalha com a banda desde “Blind”, de 1991. Dessa forma, o conhecimento da música do C.O.C. que John tem, alinhado à inspiração que eles mostram no disco que a sinergia das duas partes funcionou em alto nível. A qualidade sonora mostra isso claramente, pois se podem ouvir os instrumentos e vozes ao mesmo tempo, sem que embolem (o que diz que tudo soa bem claro), mas com a timbragem gordurosa e Stoner que eles precisam, mais a qualidade de edição que as gravações oferecem. Ou seja, tiveram o melhor de todos os mundos para criar uma qualidade sonora de alto nível.

A arte de Vance Kelly para a capa ficou ótima, com um design que lembra as velhas capas de vinil (e “No Cross No Crown” foi lançado em vinil duplo no exterior). Um belo trabalho, verdade seja dita.

Óbvio que não digo para os fãs esperarem um novo “Deliverance”, “Wiseblood” ou “America’s Volume Dealer”, pois não estamos no passado. “No Cross No Crown” é um disco que soa vigoroso, cheio de vida e atual, mas sem deixar seu estilo característico de lado. Óbvio que também não inovam, mas esse groove intenso, esse peso e psicodelia, essa pegada orgânica poderosa, fazem a diferença entre o C.O.C. e tantos outros que os clonam. Eis a diferença entre quem é da coisa e quem é apenas um Wannabe.

A força das melodias sedutoras de “The Luddite” (belíssimas linhas harmônicas, ótimas guitarras e vocais poderosos), o Groove cheio de peso e psicodelia de “Cast the First Stone” (ótimo refrão, verdade seja dita), a força setentista atualizada que é sentida em “Wolf Named Crow” (ótimo trampo na base rítmica), a dose de acessibilidade melódica que flui de “Forgive Me” e suas guitarras magistrais, a introspectiva e cheia de passagens melancólicas (e outras mais agressivas à lá “Wiseblood”) “Nothing Left to Say” (óbvio que muita influência de Blues e Southern Rock estão presentes, permitindo assim que observemos a versatilidade dos vocais), a pancada lenta e densa chamada “Old Disaster”, a dose de belos arranjos simples e acessíveis apresentada em “E.L.M”, e a pegada pesada mamutesca de “A Quest to Believe (A Call to the Void)” são os melhores momentos de um disco que mostra o C.O.C. tão vivo e atual como sempre.

Sempre uma banda excelente, capaz de nos prender pelos ouvidos. Logo, aproveitem “No Cross No Crown” ao nível do abuso, pois este final de semana, o quarteto vem invadir o Brasil. Logo, toda reverência ao CORROSION OF CONFORMITY é pouca.

Nota: 96%



sexta-feira, 4 de maio de 2018

AXEL RUDI PELL - Knights Call



Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1.      The Medieval Overture (Intro)
2.      The Wild and the Young
3.      Wildest Dreams
4.      Long Live Rock
5.      The Crusaders of Doom
6.      Truth and Lies
7.      Beyond the Light
8.      Slaves on the Run
9.      Follow the Sun
10.  Tower of Babylon


Banda:


Johnny Gioeli - Vocais
Axel Rudi Pell - Guitarras
Ferdy Doernberg - Teclados
Volker Krawczak - Baixo
Bobby Rondinelli - Bateria


Ficha Técnica:

Axel Rudi Pell - Produção
Charlie Bauerfeind - Produção, mixagem, engenharia
Martin McKenna - Artwork


Contatos:

Assessoria:

E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Em termos de Classic Rock, ou Hard Rock clássico, vários guitar heroes já tentaram sua sorte no estilo, como Ritchie Blackmore e as várias encarnações do RAINBOW, e mesmo o sueco Yngwie Malmsteen com seu RISING FORCE. E um erro crasso de ambos foi pensar em seus trabalhos como discos solos, nunca como bandas, dando muitas vezes a impressão que as canções eram relegadas à mera presepada técnica. E isso é algo que o alemão AXEL RUDI PELL não se permite, pois mesmo em seus trabalhos não tão bons assim são discos que apresentam um trabalho sólido. E em “Knights Calls”, ele vem realmente cheio de gás.

Melodias clássicas, instrumental bem feito, vocais excelentes, incursões de teclados à lá anos 70 (só pode ser um Hammond soando no disco), e tudo em seus devidos lugares. Estes são os elementos que compõem o sucessor do bem sucedido “Game of Sins” de 2016 (que chegou à 11ª. posição na parada da Billboard), e são os mesmos que encontramos em todos os seus trabalhos. Óbvio que o Hard/Classic Rock elegante (mas com uma dose saudável de acessibilidade) de Axel nos remete à fase mais prolífica do RAINBOW em vários momentos, mas sem ser uma mera cópia. Pelo contrário: mesmo sem ser inovador, “Knights Call” é um disco de primeira linha!

A produção busca aliar um feeling orgânico e cheio de energia com a limpeza e facilidades das tecnologias atuais. O resultado é mais que satisfatório em termos de qualidade sonora, pois tudo está muito claro, mas com a pegada pesada e cheia de energia de sempre. Além disso, se percebe como as linhas melódicas vão evoluindo sem perder a acessibilidade, mas também sem que elas soem piegas.

Podemos aferir que, antes de tudo, “Knights Calls” é um disco que transpira honestidade musical, e mesmo se agarrando aos nossos tímpanos por suas melodias, tem doses homeopáticas de peso, além de arranjos para lá de eficientes. Basicamente, é ouvir e gostar, pois além dos elementos citados, se percebe o velho senso germânico para criar melodias de primeira. É ouvir e sair cantarolando.

9 canções do mais puro Hard/Classic Rock nos esperam (“Medieval Overture” é uma introdução), e é bom se segurarem na poltrona, pois “Knights Call” empolga. “The Wild and the Young” alia o velho estilo dos trabalhos de Axel com algo da estética de bandas melódicas da Alemanha (e mostra um peso enorme, com baixo e bateria mostrando uma técnica muito boa), enquanto a grudenta e clássica “Wildest Dreams” tem um ótimo refrão, além daquele jeitão anos 70 a que estamos acostumados (basta perceberem isso pelos ótimos teclados e incursões das guitarras). Mais pesada (embora acessível) é “Long Live Rock”, cm linhas de guitarras formidáveis e vocais muito bem encaixados. Longa e com andamento mais refreado (por momentos, irão pensar que é uma das baladas dele) é “The Crusaders of Doom” (que esbanja elegância por conta de seus arranjos bem feitos, além dos vocais estarem ótimos mais uma vez), Baixo e bateria mostram sua técnica junto com o feeling setentista dos teclados linhas harmônicas de “Truth and Lies”. A longa “Beyond the Light” é uma balada muito bela, sem ser uma baba, algo que Axel sempre fez muito bem. A energia espontânea do Hard Rock surge em “Slaves on the Run”, mostrando uma dose de acessibilidade agradável e riffs mais simples (e um feeling bem anos 80 de primeira), assim como na mais pesada e melodiosa “Follow the Sun”, ambas mostrando bons teclados. E com uma pegada extremamente pesada é “Tower of Babylon” com suas guitarras sinuosas e arranjos bem feitos.

A verdade é simples: quando se falar em AXEL RUDI PELL, tenha certeza que é sempre um trabalho musical de primeira grandeza.

  
Nota: 89%

quinta-feira, 3 de maio de 2018

AMORPHIS - Queen of Time


Ano: 2018
Tipo: Full Length
Nacional


Tracklist:

1. The Bee
2. Message in the Amber
3. Daughter of Hate
4. The Golden Elk
5. Wrong Direction
6. Heart of the Giant
7. We Accursed
8. Grain of Sand
9. Amongst Stars
10. Pyres on the Coast


Banda:


Tomi Joutsen - Vocais
Esa Holopainen - Guitarras
Tomi Koivusaari - Guitarras
Olli-Pekka Laine - Baixo
Santeri Kallio - Teclados
Jan Rechberger - Bateria


Ficha Técnica:

Jens Bogren - Produção, mixagem, masterização
Chrigel Glanzmann - Flautas
Albert Kuvezin - Vocais
Jørgen Munkeby - Saxofone
Anneke van Giersbergen - Vocais em “Amongst Stars”


Contatos:

Site Oficial: www.amorphis.net
Assessoria:

E-mail:


Texto: Marcos Garcia


Desde os anos 90 que o grupo finlandês AMORPHIS não cansa de surpreender os fãs de Metal. Sendo um dos pioneiros do chamado Death Metal melódico com “Tales from the Thousand Lakes”, a criatividade deles não parou por ali: foram juntando cada vez mais elementos musicais diferentes e jogando na mistura, se ampliaram fronteiras musicais quando outras bandas começaram a se acomodar em uma determinada fórmula. E mais uma vez, o sexteto surpreende em “Queen of Time”, seu mais recente disco, que a Shinigami Records e a Nuclear Blast lançam no Brasil.

Mais uma vez, o sexteto expandiu fronteiras.

Evitando qualquer rótulo musical possível (já que tentar fazer isso com eles é quase impossível), a música repleta de psicodelia atualizada, aliada à vocais guturais e outros limpos e carregados de emoção, ganhou em termos de elegância, já que eles enriqueceram ainda mais usando de uma orquestra e corais, algo inédito para eles. Se discos como “Silent Waters”, “Skyforger” e “Under the Red Cloud” são mostras do quanto eles podem mudar as regras do jogo e expandir possibilidades, em “Queen of Time” temos um disco irrepreensível, mais denso e com maior profundidade de emoções, maior expressividade, e assim, vemos que o nível que eles alcançaram é bem alto!

E pelo visto, ninguém segura o AMORPHIS!

Na produção de “Queen of Time”, ninguém menos que Jens Bogren, um dos gênios das gravações de discos da atualidade. E pela diversidade musical que permeia o disco, percebe-se que o trabalho distou de algo simples, mas tudo funciona como um relógio, com tudo com seus devidos efeitos e volumes, tudo nos seus devidos lugares e com timbres bem pensados. E, além disso, tudo soa orgânico, vivo, e cheio de energia.

Senhores de um estilo bem próprio, o sexteto busca na diversidade que os cerca dar um acento coeso a “Queen of Time”, e conseguem. A forte psicodelia e elementos progressivos continuam presente, assim como as partes mais agressivas e ritmos quebrados aqui e ali. Mas a dinâmica entre instrumentos e vocais ficou ainda mais apurada, e sente-se que a inspiração foi a tônica a guiar o grupo no processo de composição. E em um disco em que saxofones, flautas, orquestra e vocais diferenciados se misturam dessa forma, somente bandas com uma capacidade criativa além do normal poderiam sobressair. E o AMORPHIS é assim.

Não existem pontos fracos no disco inteiro, todas as faixas são excelentes. E destacam-se a sinuosa e cheia de contraste entre momentos mais amenos e outros brutais “The Bee”, o ranço Folk da grandiosa “Message in the Amber” (onde belas passagens de teclados preenchem todos os espaços, além de toques jazzísticos feitos por baixo e bateria), o peso denso e emotivo de “Daughter of Hate” (alguns ritmos quebrados aparecem aqui e ali, junto com vocais rasgados), a profundidade melódica progressiva e tocante de “The Golden Elk”, os elementos de Space Rock que adornam a bela “Wrong Direction” (que refrão, além de alguns toques Post Rock que surgem nas guitarras, fora o baixo soando gorduroso em vários pontos), a força progressiva e psicodélica de “Heart of the Giant”, com ótimas guitarras e partes orquestrais; “We Accursed” (belíssima e com toques Folk, que apresenta também um solo de guitarra belíssimo e e arranjos bem feitos nos teclados), o peso mais bruto de “Grain of Sand” e a prevalência de vocais guturais (embora existam partes de vozes limpas e o refrão seja todo em contraste de ambos os tons citados e ainda existam corais excelentes), a lindíssima “Amongst Stars”, intensa em suas melodias e combinação de vocais (verdade seja dita: a participação de Anneke van Giersbergen nos vocais, mais o enriquecimento feito pelas flautas não tem preço), e a bem trabalhada e cheia de melodias sedutoras “Pyres on the Coast” (que trabalho lindo das guitarras mais uma vez). É, não dá para destacar canções, uma vez que a inspiração e homogeneidade do álbum é enorme. E além disso tudo, este disco marca a volta do baixista Olli-Pekka Laine após 17 anos fora do grupo.

O AMORPHIS dá mais um passo adiante, e coloca “Queen of Time” como um forte candidato a disco do ano.


Nota: 100+%